Ilhéus: secretaria de saúde desconsidera Informativo da UESC e desafia a Covid-19

O Informativo da UESC revela que na última quarta-feira (19) a taxa de ocupação dos leitos de UTI para adultos, registrada em Ilhéus, era de 92,31%. O esgotamento pode acontecer em sete dias.

As unidades analisadas estão disponíveis para o tratamento de SRAG (síndrome respiratória aguda grave) e Covid-19.

Segundo o estudo, de 06 a 19 de agosto houve aumento de 96,46% no número de casos de Covid-19. Este quadro classifica Ilhéus com “avaliação de risco alta”, com a necessidade do “distanciamento social ampliado” e suspensão das “atividades econômicas não essenciais”.

Apesar dos levantamentos e avaliações dos especialistas da UESC, interessada no projeto de reeleição do atual prefeito, a Secretaria de Saúde de Ilhéus (SESAU) adota postura irresponsável e vem liberando todo tipo de comércio. As decisões posicionam a cidade de costas para a ciência, em sinal de desrespeito às recomendações da Organização Mundial de Saúde.

Na Conquista, bairro com número considerável de casos ativos, os botecos funcionam normalmente conforme fotos enviadas por visitantes do BG. A SESAU recomendou protocolos para as cabanas de praia que também deveriam ser seguidos pelos bares.

Bar localizado na Conquista. Foto enviada por leitor.

Há informações de que os estabelecimentos não seguem as normas de distanciamento e higienização, com o consentimento da SESAU que não fiscaliza.

Até a publicação desta reportagem, Ilhéus registrava 195 mortes.

Bairros adensados. Alto do Basílio tem 43 casos ativos de Covid-19 e o Nelson Costa 24

Nelson Costa. Foto: José Nazal.

O mapa da Covid-19 feito pelo vice-prefeito de Ilhéus, José Nazal, nesta quinta-feira (13), apresenta destacado em vermelho o número de casos ativos por bairro no município.

Chamou a atenção do BG o número de casos ativos no Nelson Costa (24) e no Alto do Basílio (43) , que são bairros muito adensados, ou seja, têm números expressivos de pessoas por hectare.

O Nelson Costa, que segundo José Nazal tem a maior densidade demográfica de Ilhéus, possui 9.564 moradores e 154,1 habitantes por hectare. Já no Alto do Basílio, são 6.753 moradores  e 102,8 HAB/Ha.

Se o isolamento social das pessoas infectadas dessas localidades não ocorrer de maneira adequada e severa, a contaminação tende a aumentar de maneira vertiginosa.

Basílio. Foto: José Nazal.

Na zona urbana de Ilhéus, a Conquista aparece como o bairro com mais casos ativos (81) e o Malhado vem em segundo (73). Em terceiro, aparecem empatados Alto do Basílio e Banco da Vitória (43), seguido por Avenida Esperança (42) e Teotônio Vilela (41).

Já na zona rural, Aritaguá lidera a lista com 13 casos ativos e é seguido por Carobeira e São José (05) e Sambaituba (2).

Mapa: José Nazal.

 

São considerados ativos os casos que permanecem monitorados pela vigilância epidemiológica, com sintomas da Covid-19 e que podem infectar outras pessoas. Esses casos descartam pacientes curados e aqueles que infelizmente faleceram. Formam um indicador importante para saber se a pandemia ganha ou perde força.

Tabela: José Nazal.

Ilhéus: número de mortos por Síndrome Respiratória Aguda Grave é cinco vezes maior

Foto:  Paul Harizan/Getty Images.

Mortes podem estar associadas à Covid-19.

O Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil mostra que de março a agosto deste ano, 11 pessoas morreram por causa da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), em Ilhéus. No mesmo período de 2019, duas pessoas faleceram devido à mesma doença.

Segundo o Ministério da Saúde, a SRAG ocorre quando um indivíduo com síndrome gripal apresenta: dispneia/desconforto respiratório ou pressão persistente no tórax ou saturação de O2 menor que 95% em ar ambiente ou coloração azulada dos lábios ou rosto.

No Brasil, as mortes por SRAG cresceram em 2020, justamente no ano da pandemia desencadeada pelo vírus SARS-CoV-2.  De março a agosto deste ano, morreram no país 10.924 pessoas, enquanto que no mesmo período de 2019 faleceram 687.

Especialista ouvido pelo BG, que prefere não ser identificado, explicou por quais razões os médicos atestam mortes por SRAG: “o profissional pode ter colocado a SRAG como causa na declaração de óbito sem ter colocado COVID, ou porque não tem associação com a COVID ou por não ter sido realizado o exame”.

Gráfico do Portal Transparência Registro Civil com as mortes por SRAG registradas em Ilhéus. O site leva em consideração a causa da morte atestada pelo médico na declaração de óbito.

O site do Ministério da saúde ressalta que um exame negativo para COVID-19 isoladamente não é suficiente para descartar um caso para COVID-19.

De acordo com os dados colhidos pelo BG no site dos cartórios, nesta segunda-feira (10), de março a agosto deste ano faleceram 5 homens e 6 mulheres, que moravam em Ilhéus, por causa da SRAG.

Dos homens que morreram: três estavam na faixa etária dos 60 aos 69 anos; um dos 70 aos 79; um dos 80 aos 89 anos. Das mulheres: uma tinha dos 40 aos 49 anos; uma dos 50 aos 59; uma dos 60 aos 69; duas dos 70 aos 79; uma dos 80 aos 89 anos.

Covid-19 mata o servidor municipal Alberto Melgaço

Alberto Melgaço era servidor municipal.

O servidor público de Ilhéus Alberto Silveira Melgaço é mais uma vítima fatal da Covid-19.

Segundo informações de familiares, Alberto se dirigiu à Central da Covid-19 na quarta-feira (05) com alguns sintomas. O quadro não aparentava ser grave e ele chegou a fazer ligações para amigos.

Na tarde desta quinta-feira (06), o servidor, de 60 anos faleceu. O triste acontecimento surpreendeu muitos colegas de profissão.

Em janeiro de 2019, Alberto estava entre os 268 funcionários com mais de 30 anos de serviço que foram afastados pelo prefeito Mário Alexandre. Porém, o servidor já havia aderido ao Plano de Demissão Voluntária (PDV).

Alberto Melgaço estava lotado no Setor de Recursos Humanos da Prefeitura de Ilhéus.

Conquista, Malhado, Vilela e Hernani Sá têm mais casos ativos de Covid-19 em Ilhéus

Mapa: José Nazal.

O vice-prefeito de Ilhéus, José Nazal, mapeou os casos ativos de Covid-19 em Ilhéus.

Ativos são os casos que permanecem monitorados pela vigilância epidemiológica, com sintomas da Covid-19 e que podem infectar outras pessoas. Esses casos descartam pacientes curados e mortos e formam um indicador importante para saber se a pandemia ganha ou perde força.

A leitura do mapa mostra, destacado em vermelho, o número de casos ativos por bairro no município.

Na zona urbana, a Conquista aparece como o bairro com mais casos ativos (84) e o Malhado vem em segundo (46). Em terceiro aparece o Teotônio Vilela (39), seguido por Hernani Sá (31), Nelson Costa (27) e Avenida Esperança (26).

Tabela de José Nazal mostra a quantidade de casos ativos por bairro em Ilhéus.

Em relação aos distritos, Olivença (7), Aritaguá (7) e Sambaituta (3) são os três com os maiores números de casos ativos.

Bolsonaro veta projeto de lei que propõe indenização a profissionais de saúde incapacitados pela Covid-19

Jair Bolsonaro.

Fonte: O Globo.

O presidente Jair Bolsonaro vetou integralmente nesta segunda-feira o projeto de lei que garantia indenização a profissionais de saúde incapacitados pela Covid-19. O texto foi aprovado pelo Congresso no mês passado. O veto será publicado no Diário Oficial da União desta terça e, de acordo com o governo, ocorreu “por questões jurídicas”.

O texto prevê o pagamento de uma prestação de R$ 50 mil ao profissional de saúde incapacitado permanentemente. No caso de óbito, o valor é direcionado ao cônjuge, companheiro ou outros dependentes. Também será pago um valor aos dependentes deixados pelo trabalhador, se forem menores de 21 anos. Se houver dependentes com deficiência, independentemente da idade, o benefício adicional será de pelo menos R$ 50 mil. Além disso, em caso de morte, a indenização irá cobrir também as despesas do funeral.

“Apesar do mérito da propositura e da boa intenção do Congresso em aprovar essa lei, a proposta contém obstáculos jurídicos que a impedem de ser sancionada”, justificou a Secretaria-Geral da Presidência, em nota divulgada nesta noite.

No mês passado, o GLOBO revelou que o Ministério da Economia é contrário ao projeto. A posição está em um documento assinado pelo secretário de Previdência do Ministério da Economia, Narlon Gutierre, e pelo secretário especial adjunto de Previdência e Trabalho, Benedito Brunca. Eles estimam um impacto na ordem de R$ 1,7 bilhão a R$ 3,7 bilhões caso a reparação seja concedida. (mais…)

Ilhéus: Covid-19 mata a Professora Fernanda Cordeiro

Fernanda Cordeiro.

A professora Fernanda Cordeiro faleceu na manhã desta segunda-feira (03).

Fernanda estava internada na UTI do Hospital Vida Memorial devido à covid-19.

A professora era muito querida nos Colégios Impacto e Vitória, onde lecionava.

Ainda não há informações sobre velório e sepultamento.

*Com informações do Blog Agravo.

Atualizado às 12 horas.

O Colégio Impacto divulgou a seguinte nota.

Com imenso pesar, o Colégio Impacto comunica que hoje as aulas estão suspensas em sinal de luto pelo falecimento da professora Fernanda Cordeiro, ocorrido na madrugada desta segunda-feira (03/08).

Foram cerca de 20 anos dedicados a nossa escola, sempre disposta a contribuir para o aprimoramento pedagógico da equipe, exemplo de comprometimento ao trabalho e amor à Educação.

A professora é imensamente querida pela direção, colaboradores e alunos. Ficamos com um vazio no peito, sufocados com essa partida intempestiva!

Como diz o poeta: “Nem sei porque você se foi, quantas saudades eu senti, e de tristezas vou viver, e aquele adeus, não pude dar”.

Tim Maia soube descrever o sentimento que temos diante dessa grande perda. Mas, sabemos que o amor tudo pode, inclusive vencer a distância, o plano, a dimensão. Desde modo, mantendo vivo quem amamos. Deus conforte nossos corações!Sentiremos uma eterna saudade. Para sempre será recordada com carinho, respeito e admiração.Hoje, o dia será dedicado a oração. Amanhã retornaremos com nossas aulas. Colégio Impacto

Ilhéus: Covid-19 mata motorista de ambulância

Batatinha: mais uma vítima da Covid-19 em Ilhéus.

Um motorista de ambulância da Secretaria de Saúde de Ilhéus, que ajudou a salvar muitas vidas em sua atividade profissional, faleceu devido as complicações respiratórias da Covid-19.

O servidor municipal Antonio Eduardo Rocha, apelidado como “Batatinha”, faleceu na manhã desta segunda-feira (3).

A morte do servidor repercute bastante nas redes sociais, uma vez que era uma pessoa muito querida pelos colegas. Ele estava lotado no SESP.

Vila Nazaré, o bairro mais carente de Ilhéus, já tem um caso de Covid-19; não há registro em quatro localidades do interior

A Vila Nazaré aparece na parte de baixo desta imagem. Foto: José Nazal.

O bairro Vila Nazaré, o menor e mais carente de Ilhéus, já tem um caso registrado de Covid-19. A informação é do vice-prefeito, José Nazal, que acompanha diariamente a tabulação dos dados.

A “vila do sofrimento”, que pena com alagamentos em tempos chuvosos e onde no passado muitas pessoas morreram atropeladas quando tentaram atravessar a BR-415, é uma localidade com 125 residências e 500 habitantes pouco lembrada pelo poder público. Até no Google é difícil encontrar imagens do lugar.

O cotidiano de Vila Nazaré inspirou o dramaturgo Romualdo Lisboa a escrever o espetáculo “Nazareno contra o dragão da Maldade”, em 2010. A peça recebeu muitos elogios do público e da crítica e notabilizou o bairro como espaço de agonia social.

Em Ilhéus, o bairro com maior número de casos registrados é a Conquista (441), seguido do Malhado (308), Teotônio Vilela (290) e Avenida Esperança (208).

Das localidades do interior do município, Japu, Banco Central, Inema e Pimenteira são as únicas em que não há registro de casos.

Vale a pena lembrar que Ilhéus se notabiliza pela subnotificação acima da média, ou seja, a forma de atuação da Secretaria Municipal de Saúde é carregada de falhas e não merece confiança.

Veja a situação do seu bairro no mapa abaixo, elaborado por José Nazal.

Covid-19: informativo da UESC questiona número de casos não definidos de Ilhéus

Marão e a realidade “ignorada”.

O Informativo Epidemiológico da UESC publicado ontem (quarta-feira, 22) coloca em dúvida a tabulação de dados realizada pela Secretaria de Saúde de Ilhéus. Os especialistas da universidade ressaltaram o alto índice de casos não definidos (23,8%) “por ausência ou por inconsistência das informações registradas”. Este índice específico, que equivale a 2579 casos, é maior do que o número de casos positivados (2174). O fato requer atenção, recomendam os professores.

O número de casos não definidos de Itabuna é bem menor (852) e o índice não atinge dois dígitos (7,6%).

O BG ouviu outro especialista, que não é da UESC e prefere não ser identificado. Segundo o profissional:  “essa afirmativa infere uma baixa qualidade no registro das informações. Isso pode se dar devido ao preenchimento inadequado do instrumento de notificação. Caberia à vigilância (ou a quem está responsável pela investigação desses casos) a busca das informações necessárias ao fechamento”.

O especialista comentou outros dados que reforçam a inconsistência na tabulação e fez algumas perguntas: “dos registros da base de dados, 160 (18%) de Ilhéus e 128 (10%) de Itabuna não puderam ser analisados por ausência ou por inconsistência das informações registradas. Isso prova que a qualidade do preenchimento das fichas de notificação é muito ruim. Falta capacitação para os profissionais que estão notificando os casos? Não está sendo dada a devida importância para o preenchimento desse instrumento? A equipe que foi designada para alimentar o sistema de informação não está buscando essas informações por meio da procura desses pacientes?”.

Opinião do BG.

A possibilidade de Ilhéus se consolidar como o epicentro da Covid-19 no interior da Bahia ou no sul do estado, com certeza vai atrapalhar o projeto de reeleição do prefeito Mário Alexandre. Esse título vexatório, caso aconteça, seria utilizado com muita ênfase pelos adversários que já perceberam a alta desaprovação do prefeito e do seu governo. Fontes do Centro Administrativo da Conquista afirmam que os erros não são corrigidos de propósito, pois integram parte da pré-campanha.

Contudo, o governo não consegue esconder o número de mortos (115) que supera o da vizinha Itabuna (99), com índices maiores nos demais dados. Esta triste constatação prova a preferência pelo verbo “subnotificar”.