Ilhéus recebe espetáculo inspirado nos poemas de Mário Quintana

Mário Quintana.

No dia 17 de abril, quarta-feira, o Teatro Municipal de Ilhéus vai ser o palco do Crianceiras. O espetáculo mistura linguagens cênicas e musicais com obras de grandes poetas brasileiros. Com dois álbuns lançados e sete anos na estrada, o grupo homenageou o poeta Manoel de Barros no primeiro trabalho. O atual é inspirado na poesia de Mário Quintana.

Além de dar forma musical aos poemas de Quintana, a apresentação traz ao palco elementos do teatro de papel e de brinquedo, com cenografia do designer e artista plástico Carlo Giovani.

A Villa Verde produz a apresentação em Ilhéus. De acordo com a direção da escola, a dinâmica lúdica do espetáculo aproxima a poesia do universo infantil. No enredo, o personagem vive numa pequena cidade, que, com o tempo, passa a ser habitada por pessoas e formas de viver de outros lugares. É assim que a diversidade da existência – suas cores, valores e sons – desvela-se para o artista e a plateia. Em cena, a presença dos outros, do novo e a celebração da multiplicidade são alegorias da chegada da primavera e do próprio movimento da vida.

A equipe da escola usa poemas musicados pelo Crianceiras nas suas atividades. Por isso, no ano passado, quando a trupe se apresentou em Salvador, a Villa Verde levou suas turmas para assistir ao espetáculo. Dessa vez, o colégio aproveitou a nova vinda do grupo à Bahia e conseguiu um espaço para Ilhéus na turnê.

O teatro da cidade vai receber duas sessões (10 e 16 horas). O ingresso custa oitenta reais. Crianças, estudantes, educadores e idosos têm direito à meia entrada. Os ingressos podem ser comprados na secretaria da Villa Verde, que fica na avenida Vereador Marcus Paiva, no bairro Cidade Nova.

Segundo a direção do colégio, representantes de outras escolas interessados em levar seus alunos ao espetáculo vão ter acesso a pacotes com preços especiais. Basta combinar por meio do telefone (73) 3634-2487.

DRUMMOND E O DIA D

Drummond: 110 anos.

Algumas cidades pelo Brasil afora organizam, nesta quarta, eventos em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade (veja aqui).

Hoje, 31 de outubro, a data registra 110 anos de nascimento do poeta mineiro, que numa de suas obras menos aclamadas, “Brejo das Almas”, escreveu em “Necrológio dos Desiludidos do Amor” esse trecho marcado (desde a primeira leitura) na memória deste blogueiro: “Vísceras imensas, tripas sentimentais e um estômago cheio de poesia…”.

Como parte das homenagens, oportunidade em que vale a pena discutir e reler a obra (assim como em todos os dias), oferecemos o próprio Drummond recitando “Morte do Leiteiro”.

14. Carlos Drummond de Andrade – Morte do Leiteiro by Emilio Gusmão

LIVRO DE JORGE AMADO COMPLETA 80 ANOS

Do blog Sopa de Poesia

O livro foi escrito quando Jorge tinha apenas 18 anos e sua primeira edição foi publicada em 1931, no Brasil. Mais tarde, foi traduzido para três línguas diferentes: espanhol, francês e italiano, além de ter sido editado em Portugal.

O livro foi considerado “revolucionário” pelo Estado Novo e, junto a outros títulos de Jorge, foi queimado em praça pública, em Salvador, em 1937.

O País do Carnaval conta a história de Paulo Rigger, um brasileiro que não se identifica com o país. É um relato sobre a formação e a situação dos intelectuais brasileiros nos momentos que antecedem a Revolução de 1930.

O que pouca gente sabe é que antes disso, em 1929, Jorge escreveu uma novela com Dias da Costa e Edison Carneiro e a publicou em “O Jornal”, onde trabalhava.

Trata-se de Lenita, de fato sua primeira obra publicada, mas que ele renegou. No ano seguinte, 1930, portanto, um ano antes de O País do Carnaval, a obra é editada em livro por A. Coelho Branco Filho, no Rio de Janeiro.

E, se, ou!

Por Gustavo Pestana.

Dormindo, andando ou correndo.
Parado, comendo ou chovendo.
Sorrindo, gritando ou cantando.
Ou nada disso fazendo.

Calculando, melhor dizendo, pensando.

Pensando nas contas a pagar e se dinheiro vai sobrar.
Se sobrar como gastar, melhor dizendo, como guardar.
Guardar pra não faltar.

Mas se faltar o que fazer?
Devo me preparar então!
Preciso economizar!
Gasto um pouco menos ali e um pouco aqui!
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O ÚLTIMO NATAL DE MANÉ GARRINCHA

Por Roberto Vieira. Encontrado no Blog do Juca.

O antigo craque está parado na linha lateral.

Estádio Adonir Guimarães.

Embora o nome do lugar seja irrelevante para o menino de pernas tortas.

Todo estádio para ele é Maracanã.

Duzentos mil cruzeiros pra jogar no Londrina de Planaltina.

Metade da renda do espetáculo.

A noite solitária no Hotel Casarão.

Uma pensão barata e cheia de pulgas.

Ainda assim melhor que a velha Pau Grande.

Garrincha prometeu jogar vinte minutos.

Os vinte minutos chegam.

Os vinte minutos passam.

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CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE RECITA: PROCURA DA POESIA

“Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata”.



Procura da Poesia

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

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LIVRO CANTO DE AMOR E ÓDIO A ITABUNA É LANÇADO

Aconteceu nessa quarta-feira (5), na Biblioteca Plínio de Ameida em Itabuna, o lançamento do livro “Canto de Amor e Ódio a Itabuna”, escrito pelo poeta Telmo Padilha. O evento – que resultou de uma parceria da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC), prefeitura municipal e Editus – contou com a presença de artistas e intelectuais regionais e familiares do poeta, que faleceu em 1997.

Para o presidente da FICC, Cyro de Mattos, a poesia retratada por Telmo possui a capacidade de desenvolver no seu humano a razão e a emoção, além de questionar sempre o mundo e a vida.

Segundo Aline Nascimento, representante da Editus, o autor possui um trabalho bastante pluralizado e com um conteúdo universal, enriquecendo assim as suas obras.

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE RECITA: MORTE DO LEITEIRO

“Há no país uma legenda, que ladrão se mata com tiro.”

“No ladrilho já sereno escorre uma coisa espessa que é leite, sangue… não sei.”

Mais um grande poema de Carlos Drummond de Andrade que a Rádio Gusmão disponibiliza aos seus visitantes, recitado pelo próprio poeta.

Ouça e leia.

Duração: 3 minutos.

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Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.

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RECITAL NO MUSEU DA PIEDADE

O Museu do Instituto Nossa Senhora da Piedade vai realizar o III Recital de Poesias, onde se comemora o Dia da Poesia (14) e o aniversário do poeta Castro Alves.

O evento acontecerá no Auditório do Colégio Nossa Senhora da Piedade, em Ilhéus, das 20:00 às 21:30 horas, no sábado (27).

Se apresentarão estudantes do 7° ano, ex-alunos, professores e poetas locais. A entrada é franca.

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DRUMMOND: “OH! SEJAMOS PORNOGRÁFICOS”

O livro Brejo das Almas, publicado em 1934, do Itabirano Carlos Drummond de Andrade, não era considerado importante, dentre os melhores do poeta.

De uns tempos para cá, muitos estudiosos redobraram a atenção sobre a obra, passando a rediscuti-la e valorizá-la.

Este blogueiro, ousadamente, decidiu recitar “Em Face dos Últimos Acontecimentos”, poema notável,  parte do livro. A gravação não ficou muito boa (feita no celular).

Se possível ouça e leia.

Em face dos últimos acontecimentos

Oh! sejamos pornográficos
(docemente pornográficos).
Por que seremos mais castos
Que o nosso avô português?

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MÁRIO QUINTANA RECITA: PEQUENA CRÔNICA POLICIAL

Sobre Mário Quintana, assim escreveu Manuel Bandeira:

Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.

Quinta-essência de cantares…
Insólitos, singulares…
Cantares? Não! Quintanares!

Quer livres, quer regulares,
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares.

São cantigas sem esgares.
Onde as lágrimas são mares
De amor, os teus quintanares.

São feitos esses cantares
De um tudo-nada: ao falares,
Luzem estrelas luares.

São para dizer em bares
Como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares.

Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares.

E quer no pudor dos lares.
Quer no horror dos lupanares.
Cheiram sempre os teus cantares

Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.

Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares…
Perdão! digo quintanares.

Mário Quintana perdeu três vezes a eleição para uma vaga na Academia Brasileira de Letras.

Recusou o convite para a quarta tentativa, mesmo tendo a certeza de que seria escolhido por unanimidade.

“Só atrapalha a criatividade. O camarada lá vive sob pressões para dar voto, discurso para celebridades. É pena que a casa fundada por Machado de Assis esteja hoje tão politizada. Só dá ministro”.

No faixa de áudio abaixo, o “POETA DAS COISAS SIMPLES” recita: “Pequena Crônica Policial”.

Jazia no chão, sem vida,
E estava toda pintada!
Nem a morte lhe emprestara
A sua grave beleza…
Com fria curiosidade,
Vinha gente a espiar-lhe a cara,
As fundas marcas da idade,
Das canseiras, da bebida…
Triste da mulher perdida
Que um marinheiro esfaqueara!
Vieram uns homens de branco,
Foi levada ao necrotério.
E quando abriam, na mesa,
O seu corpo sem mistério,
Que linda e alegre menina
Entrou correndo no Céu?!
Lá continuou como era
Antes que o mundo lhe desse
A sua maldita sina:
Sem nada saber da vida,
De vícios ou de perigos,
Sem nada saber de nada…
Com a sua trança comprida,
Os seus sonhos de menina,
Os seus sapatos antigos!

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE RECITA: CASO DO VESTIDO

Nesta gravação de 1978, da Philips, o “Itabirano” Carlos Drummond de Andrade recita o poema “Caso do Vestido”.

Mais uma preciosidade do Blog do Gusmão aos seus visitantes.


Nossa mãe, o que é aquele
vestido, naquele prego?

Minhas filhas, é o vestido
de uma dona que passou.

Passou quando, nossa mãe?
Era nossa conhecida?

Minhas filhas, boca presa.
Vosso pai evém chegando.

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FERREIRA GULLAR RECITA: NOTÍCIA DA MORTE DE ALBERTO DA SILVA

Na Bienal de Cultura promovida pela UNE, em 2001, no Rio de Janeiro, presenciei o poeta Ferreira Gullar dando uma sonora bronca no presidente da UNE, Wadson Ribeiro, que numa sessão onde se debatia a formação dos CUCAS (centros universitários de cultura e arte), pregou a “instrumentalização” da arte como um mecanismo para viabilizar o engajamento político dos jovens.

Chateado, o poeta considerou mais ou menos assim: Que papo é esse? Instrumentalizar a arte? Por acaso estamos falando de um objeto? Não estou entendendo nada! Do que vocês estão falando realmente?

Esta gravação foi realizada em 1979, extraída do CD Antologia Poética, de Ferreira Gullar.

Ouça o poema “Notícia da Morte de Alberto da Silva”, recitado por seu autor.

Eis aqui o morto
chegado a bom porto

Eis aqui o morto
como um rei deposto

Eis aqui o morto
com seu terno curto

Eis aqui o morto
com seu corpo duro

Eis aqui o morto
enfim no seguro

(mais…)