Bolsonaro e o tuíte obsceno

Por Julio Gomes.

Causou impacto a forte politização ocorrida neste Carnaval 2019, tanto nos desfiles de escolas de samba do Rio de Janeiro quanto nas ruas, onde blocos e foliões, espontaneamente, se manifestavam como podiam com relação à forma como o Brasil vem sendo conduzido pelo Governo Federal empossado em 1º de janeiro. 

Desde sátiras cabíveis e inteligentes até coro de multidões em xingamento, o brasileiro se manifestou como pôde, e as próprias palavras do atual Presidente, que sempre foi contra o “politicamente correto”, decerto contribuíram para que manifestações deseducadas acontecessem, já que ele mesmo entende que assim deve ser. 

Porém o que está roubando a cena, mais do que as manifestações populares, foi a publicação do próprio Presidente, em sua conta no Twitter, na terça-feira, dia 06/03, quando o mesmo postou um vídeo para lá de inadequado, contendo uma cena de um homem dançando seminu com o dedo no próprio ânus e, em seguida, outro homem urinando na cabeça do que dançava. Para quem desejar ver, o Twitter com o vídeo se encontra facilmente acessível na internet. 

A postagem demonstra, mais uma vez, o despreparo e desequilíbrio da pessoa que hoje ocupa a Presidência. Se para o anônimo folião de rua muito é permitido, é bom lembrar que para quem ocupa determinados cargos impõe-se a obrigação de um mínimo de decoro, sobretudo no que declara ou posta, já que para pessoas do alto escalão da vida pública uma simples declaração torna-se, não raro, um ato de trabalho, um posicionamento do órgão que ocupa ou representa. 

O vídeo postado pelo Presidente em sua conta nos faz duvidar da saúde psíquica do mandatário, já que o despreparo é indiscutível. Depois de incentivar a violência verbal e física durante toda a campanha, com gestos alusivos a armas e palavras grosseiras, o presidente eleito e empossado parece não conseguir entender que tem agora que governar, e que isso exige equilíbrio, sensatez, continência moral e poder de liderar um grande grupo de trabalho em direção a grandes objetivos, qualidades que talvez ele, simplesmente, não tenha. 

Insisto, pois, na questão da inaptidão psicológica, ou mesmo psiquiátrica, de Bolsonaro para ocupar o cargo em que se encontra, e onde seguidamente dá demonstrações constrangedoras, que começaram com a incômoda presença de um dos filhos sentado ao fundo do carro durante a cerimônia de posse, seguiram-se com sua deprimente atuação no Fórum de Davos, onde discursou sem nada dizer e depois foi almoçar sozinho em um bandejão; e continua, com inúmeros e constantes exemplos, sendo o último deles a postagem inadequada, desrespeitosa, descabida que seu instinto de defesa o levou a fazer, e que serve como atestado público de seu descontrole. 

Por fim, fico pensando em como tudo isto repercute junto ao mundo civilizado e às democracias, junto aos demais países, junto a instituições sérias como a ONU, a OEA, a OMC, junto às Universidades e Institutos que, pela sua tradição e contribuição, são indispensáveis à convivência democrática e institucional. Fico pensando se o mundo não nos vê como um bando de loucos governados por alguém que expressa isto com exatidão e fidelidade. E me pergunto: Que dia isto vai acabar?

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.


Minitrio do Dilazenze foi barrado na Soares Lopes; PM diz que bloco desrespeitou horário

Foto: Clodoaldo Ribeiro.

No último domingo, 3, por volta das 21h45min., a Polícia Militar impediu que o minitrio do Grupo Cultural Dilazenze prosseguisse com o bloco pela Avenida Soares Lopes.

A ação da PM rendeu reclamações e vaias, pois o Dilazenze agradava o público com um desfile de carnaval organizado e digno das tradições da cultura afro-brasileira. Mãe Ilza Mukalê, 85 anos, sacerdotisa e referência principal do grupo, estava no minitrio. Leitores do BG disseram que “a polícia calou a voz do bloco”.

Contudo, segundo informações do major Robson e do capitão Lima Junior, comandantes da 68º CIPM, o bloco não cumpriu acordo estabelecido entre a Prefeitura de Ilhéus, Ministério Público da Bahia e as entidades carnavalescas. Ficou previsto que os desfiles aconteceriam das 15 às 22 horas com total apoio da PM na segurança.

Segundo os oficiais, o comando da corporação não autorizou o pagamento de horas extras para os soldados que trabalharam em Ilhéus, por isso, o horário limite foi avisado com antecedência. O efetivo pequeno, situação comum no interior da Bahia durante o carnaval, também limitou o trabalho.

De acordo com o capitão Lima Júnior, em respeito ao desfile cultural do Dilazenze foi permitido que o grupo concluísse o roteiro com os instrumentos de percussão e todas as alas, mas sem o equipamento de som. Diretores do bloco admitiram que atrasaram o cortejo devido a problemas internos de organização.

No vídeo abaixo, um integrante do Dilazenze reconhece a compreensão da PM ao deixar o bloco concluir o desfile.


Carnaval em Ilhéus, um olhar antenado

Por Julio Gomes.

Nesta Ilhéus sem programação oficial de Carnaval, a folia do Rei Momo resiste! Bloco das Muquiranas e do Zé Pereira no Pontal, entre outros. Blocos no bairro Teotônio Vilela. Grito de Carnaval na praça da Urbis e Bloco no Eixo Principal do Bairro Hernani Sá. O povo da cidade brinca com pode, porque isso vem de dentro de nós, de nossa cultura, de nossa identidade mais intrínseca e subjetiva: não há Bahia sem Carnaval!

Há anos acompanho, como partícipe e, às vezes, como protagonista, a evolução do Carnaval em nossa cidade. Lembro, em Ilhéus, das Escolas de Samba, dos primeiros Blocos Afros, do inesquecível Trio Elétrico Iemanjá, presença obrigatória em todas as festas, seja no Carnaval, disputando espaço com trios vindos da Capital, seja nos comícios (a legislação da época permitia o uso de atrações artísticas) e em todas, todas as festas públicas ilheenses.

Já tivemos aqui, tempos atrás, grandes carnavais com atrações de peso vindas de Salvador, pagas pelo Poder Público; ou nos momentos em que blocos mais chiques, como o Sfrega, marcaram época. Recordo e analiso tudo isso, com olhos de um cidadão-folião de 53 anos de idade, o que se passou e se passa em nossa cidade.

Não com crítica ácida, nem com objetivos eleitoreiros, mas com amor e desejo de ver Ilhéus crescer, afirmo sem medo que é simplesmente inadmissível que Ilhéus não tenha uma programação oficial de Carnaval, que não possua uma agenda carnavalesca ampla, eficaz, organizada pelo Poder Público e divulgada com anos de antecedência para fortalecer nossa economia, nosso turismo e nossa identidade cultural diante do Brasil.

Claro que não cabe mais gastar milhões de dinheiro público para contratar grandes artistas, quando tudo que é público no Município de Ilhéus padece e mingua, quando se alega não poder pagar nem mesmo os salários dos servidores municipais. Não é isso que o povo e a sociedade querem.

Mas gestões municipais anteriores, inclusive a do ex-prefeito Jabes Ribeiro – com quem não tenho nenhuma afinidade, nem simpatia política – provaram que é possível fazer um bom carnaval gastando pouco, como se fazia com o chamado Carnaval Cultural, com atrações e trios regionais, e com palcos diversos, para atender a gostos diversos.

Itabuna, Vitória da Conquista e outras cidades da Bahia talvez possam ficar sem fazer Carnaval. Mas Salvador, Porto Seguro, Ilhéus e Itacaré, Municípios com forte vocação turística e cultura marcantes, simplesmente não podem se dar a esse luxo. Não fazer carnaval nestes municípios é um verdadeiro crime, contra a economia, contra a Cultura, contra o povo!

Fazendo um contraponto, vale ressaltar, aqui, alguns acertos recentes da atual administração, tais como encerar as festas públicas sempre mais cedo, pois não adianta termos uma festa seguida de velórios em diversas famílias. A violência generalizada que vivemos hoje impõe limites que devem ser observados. Outro acerto foi, neste ano, nada cobrar, nem impedir que ambulantes armassem barracas na Avenida Soares Lopes para ganhar algum trocado. Se o Município quase nada oferece, também nada deve cobrar.

Há, também, equívocos a serem corrigidos de imediato, tais como ausência ou presença insuficiente da Setram (agentes de trânsito) quando da passagem de diversos blocos pelos bairros; e o impedimento, por parte da Polícia Militar e por ordem do Poder Público Municipal, de que o mini trio que no domingo acompanhava o mix de blocos afros entrasse na Avenida Soares Lopes logo após 22:00 horas, coibindo e cerceando abusivamente uma manifestação cultural legítima de nosso povo, ligada às nossas raízes africanas.

Mas o erro mais grave de todos, que vem sendo cometido gestão após gestão, é omitir-se de realizar o carnaval na terra de Gabriela e de Jorge Amado, é não ter uma política pública voltada para isso. É um erro estratégico, fatal, em um município com vocação turística, que deveria, no primeiro ano de governo de cada prefeito, divulgar a programação de carnaval dos próximos quatro anos para todos os órgãos públicos e privados voltados para o turismo, no Brasil inteiro.

Por fim, não pense que esta mensagem seja para o atual Governo Municipal, que só terá mais um carnaval à sua frente. Afirmo isso principalmente para quem vier a governar Ilhéus nos próximos anos, seja lá quem for, de que partido for. Chega de jogar oportunidades na lata de lixo.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.


Que Deus é esse?

Por Mohammad Jamal.

A maioria dos meus amigos sabem-me muçulmano, porém, diante do fato presenciado, não quis envolver minha personalidade religiosa de islamita saudando-o com As-Salamu Alaikum (Que a Paz esteja sobre vós), tendo optado por saudá-lo com respeitoso Namastê (O deus que habita em mim saúda o deus que habite em você). Namastê é uma saudação em sânscrito que significa “O Deus que habita dentro de mim saúda o Deus que está em você” ou ” A minha essência saúda a sua essência”, ou “Curvo-me perante a ti”. Namastê é uma forma de cumprimento de um ser humano para com o outro e expressa um grande sentimento de respeito. Nos lembra que todos nós compartilhamos da mesma essência, da mesma energia, do mesmo Universo. E foi assim, num clima de indiferença, rejeição e brutalidade que esse “deus” inquilino de um ser humano me respondeu: E daí? É assim mesmo. Chocado com a cena presenciada, que opto pela sensatez de omitir, vi-me vulnerável e frágil ante a dimensão do fato, que me vi no dever de questionar aquele “deus” um São ou Senhor qualquer desprovido de amor ao próximo.

Que deus é esse? De onde ele veio e como conquistou a maioria da humanidade com métodos tão desamorosos, hostis e perversos? Onde e como estávamos, talvez sob o manto do desamparo em intenso sofrimento e dor, não nos apercebemos do seu proselitismo radical e fundamentalista.

Que deus é esse que cria, ampara, sacia e depois degreda a miséria e abandono à fome? Que deus quão poderoso e benévolo seria capaz de alimentar com um peixe, um pão e dar água fresca para saciar a sede das hordas de fugitivos do jugo dos faraós quando vagavam pelos desertos seguindo Moisés? O milagre da multiplicação do peixe e do pão e o ferimento ao bloco de arenito de onde jorrou água fresca abundantemente é algo divino?

Que deus é esse que, mesmo podendo impedir o sacrifício, cede seu enviado e portador dos seus ensinamentos à sanha odiosa dos romanos que o julgam criminoso e insurgente, preferindo indultar a um ladrão, tipo aqueles corruptos de hoje na política. E permitiu que Judas, por trinta moedas, o entregasse aos carrascos para humilha-lo, tortura-lo, sevicia-lo e matá-lo da forma mais vil e dolorosa na crucificação? Para salvar a humanidade do pecado? Essa “humanidade” que aí está? Fala sério vai. Eu não daria a vida de uma ratazana para salvar essa humanidade tão desumana e cruel que aí está.

Que Deus é esse, se tão forte e poderoso foi capaz de cinzelar com o fogo das suas palavras as duras tábuas de granito onde inscreveu o decálogo dos mandamentos que a humanidade deveria seguir com fé e fidelidade absolutas, mas que permitiu que a igreja e seus acólitos seguidores condenassem, torturassem e matassem na fogueira purificadora da Santa Inquisição, aqueles supostos transgressores de um só mandamento, tidos por feiticeiros e curandeiros, possuidores de algum bem de valor, só porque tentaram aliviar a dor de alguém com algum chá ou cicatrizar uma ferida com uma pasta de ervas, tipo o SUS de hoje com os indigentes que buscam socorro. Tenha dó Deus, eles queriam os espólios dos mártires, mesmo que de pouca valia. De grão em grão a galinha enche o papo! E encheram mesmo, enriqueceram.

Que humanidade é essa que o nosso bom deus permitiu prosperar e multiplicar-se aos bilhões entre guerras fratricidas pelo poder e ganância pela riqueza, onde o ser humano em sua insignificância, perece aos pendores do ter sob o jugo dos poderosos? Onde o matar é apenas um verbo transitivo direto conjugado nas cinco pessoas em todos os seus tempos verbais até por crianças, adolescentes, homens e mulheres com extrema naturalidade predicativa? Fala sério vai. A maldade é algo inato e congênito do ser humano, mas a fé num ser supremo e a teologia que prega a suposta salvação na vida eterna, um aceno com um bilhete de viagem para um mundo de paz, harmonia e “humanidade” passa a ser o sonho dominante na improbabilidade da esperança daqueles que padecem aqui pelos “pecados” ou subversão do Decálogo divino ao qual jamais transgrediu uma única vez. Seria o pecado venial, aquele da conjunção carnal consensual que deu vida àquela criancinha recém-nascida, já pecadora, por isso indigente e cidadã nas classes miseráveis?

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Exclusivo. Quase dois anos depois, assassinato do Soldado Tyrone continua sem solução

Soldado PM Tyrone Thomaz Aquino, assassinado em abril de 2017.

Reportagem: Emílio Gusmão.

“Em sociedades como as nossas, onde tudo é efêmero, a informação voa e desaparece. A vulgaridade como os fatos são contados resulta em abandono e esquecimento, sem contexto e explicações. Vivemos com mais ruído midiático do que informação. Com certeza há certos fatos e certos momentos que constroem uma ferida, e essa ferida continua aberta e não fecha”.

O pensamento acima é do escritor espanhol, naturalizado mexicano, Paco Ignacio Taibo II. Com essa reflexão, ele inicia uma reportagem sobre o desaparecimento de 43 jovens mexicanos, moradores do vilarejo de Ayotzinapa, em setembro de 2014.

O caso que trataremos nesta reportagem, infelizmente, já está cicatrizado na opinião pública de Ilhéus. A lembrança sofrida e a saudade persistem apenas nos familiares do soldado PM Tyrone Thomaz de Aquino.

Tyrone foi assassinado no dia 23 de abril de 2017, de madrugada, numa lanchonete da Rua Bela Vista, do bairro Nelson Costa. O comportamento pacífico do soldado de 44 anos, que sequer andava armado quando estava sem a farda da PM, não correspondeu à violência do crime que lhe tirou a vida.  Quinze tiros foram disparados contra Tyrone e quatro balas atingiram suas costas.

A tragédia deixou um legado de imagens fortes e sangrentas, uma vez que a falta de escrúpulos, inclusive de profissionais da imprensa, disseminou na internet vídeos em que Tyrone agoniza ferido e desesperado em seus momentos finais.

Passados quase dois anos da execução, o crime continua insolúvel. Os dois assassinos chegaram na lanchonete vestidos com casacos pretos e cabeças envolvidas por capuzes.

Nas proximidades não havia câmeras de segurança que pudessem fornecer imagens à investigação.

A principal testemunha do caso, Danilo José Silva Santos, presa menos de 48 horas após o crime, disse em depoimento à delegada Andréa Oliveira que a morte foi encomendada por Adailton Soares dos Santos (Dai), líder da facção Raio A, na época encarcerado no complexo penal de Itabuna.

Conforme relato de Danilo, Fabrício Santana Caetano (Beiço) e um homem conhecido como Everton mataram Tyrone. Eles receberiam dois mil reais e um quilo de maconha pelo crime. Um terceiro envolvido, Fabrício Magno de Santana (Testinha), teria dirigido o carro que propiciou a fuga dos executores.

Como não houve prisão em flagrante, a delegada Andréa Oliveira foi obrigada a liberá-lo. Depois que saiu da delegacia, Danilo foi assassinado misteriosamente na Avenida Princesa Isabel. O taxi que o transportava foi emparedado e homens não identificados atiraram nele.

Após o depoimento de Danilo, os suspeitos foram mortos ou desapareceram.

Dai, o suposto mandante, foi morto em Vitória da Conquista no dia 29 de outubro de 2017. Ao tentar matar o filho de um cigano, recebeu tiros da reação implacável de um segurança e não sobreviveu.

“Beiço” morreu no dia 11 de outubro de 2017 após confronto com a Polícia Militar. Exame realizado numa pistola 380 encontrada com ele, não indicou relação com o crime.

Testinha desapareceu de Ilhéus. Informações desencontradas afirmam que ele pode estar em Brasilia (DF).

Outro suspeito, Pippou Cleber Machado dos Santos, foi assassinado em Uruçuça.

Cristiane Soares, mãe de Dai (líder do raio A), também sumiu de Ilhéus. Ela acompanhava o marido Danilo, no dia em que ele foi emboscado na Avenida Princesa Isabel. Segundo a delegada Andréa Oliveira, ela tinha várias passagens na delegacia e abandonou o apartamento que morava no Condomínio Moradas do Porto.

O suspeito de primeiro nome “Everton” jamais foi identificado.

Com as sucessivas mortes e desaparecimentos, a investigação não teve tempo e condições para apurar se o depoimento de Danilo era verdadeiro.

Delegada Andréa Oliveira, do núcleo de homicídios da 7ª Coorpin/Ilhéus. Foto: Emilio Gusmão.

A delegada Andréa Oliveira disse à reportagem do BG que a esperança de solucionar o caso está no resultado do exame feito numa arma encontrada com um homem chamado Felipe Ariel. Trata-se de outro suspeito que não pode ser incriminado, pois o Departamento de Polícia Técnica (DPT) ainda não disponibilizou o resultado.

A delegada também revelou que dias antes de ser assassinado, Tyrone fez carga de uma arma de fogo da PM, para uso fora do serviço, procedimento poucas vezes registrado no histórico dele.

Uma névoa de mistério ronda o caso. Um policial militar, servidor da segurança pública, foi brutalmente assinado e o Estado não oferece condições mínimas para que o crime seja resolvido.

O apelo ao esquecimento está feito. A impunidade tende a prevalecer e só restará a memória das pessoas que gostavam de Tyrone devido ao seu jeito tranquilo e gentil.

Soldado PM Tyrone.

No peito aberto dos seus amigos e familiares ecoa o canto e a letra de Milton Nascimento, na música Sentinela.

“Longe, longe, ouço essa voz

Que o tempo não vai levar”.


Lula, preso, trabalha na cadeia

Por Julio Gomes.

No dia 07/04/2018 – há quase um ano atrás – ocorreu a prisão do ex-Presidente Lula, por ordem do então Juiz Sergio Moro. Logo em seguida, como efeito desta mesma Sentença, Lula foi impedido de conceder entrevistas e de concorrer à Presidência da República, além de sofrer graves restrições ao recebimento das visitas a que teria direito. Lula permanece preso, cumprindo sentença em regime fechado, na distante e fria Curitiba, longe de sua família que mora em São Paulo, mesmo tendo 73 anos de idade.

Seu Algoz, por sua vez, largou a magistratura e como “prêmio” se tornou Ministro da Justiça do governo que, sem dívida alguma, contribuiu de forma fundamental para eleger, tomando posse em 01/01/2019 no seu novo cargo, junto com o novo Presidente, tendo sido o primeiro ministro a ser empossado pelo novo Governo.

Lula se encontra hoje preso em Curitiba, onde a Juíza então responsável pela execução penal continuou a impor restrições inaceitáveis e ilegais ao ex-Presidente, tais como, recentemente, a negativa de sair da prisão para acompanhar o enterro de seu irmão Genival Inácio da Silva, falecido em 29/01/2019, contrariando expressamente o que dispõe a Lei de Execução Penal em seu artigo 120, que estabelece que os condenados que cumprem pena em regime fechado poderão obter permissão para sair do estabelecimento, mediante escolta, quando ocorrer o falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão. Milhares de presos em todo o Brasil tiveram o deferimento deste direito, que a Lula foi simplesmente negado.

Entretanto, há um aspecto que precisa urgentemente ser ressaltado: Lula, na prisão, trabalha! E seu trabalho consiste, exatamente, em manter-se preso com dignidade, recebendo as visitas que são permitidas, e sustentando, com sua presença viva, ainda que no cárcere, os ideais pelos quais lutou durante toda a sua vida.

Talvez o governo Brasileiro aceitasse um pedido de extradição de Lula para outro país, coisa que ele jamais encaminhou. Talvez concordasse – dada a natureza política de sua condenação, que se fundamentada unicamente em denúncias de delatores ameaçados de prisão – que em um “acordo” o ex-Presidente ficasse fora da cadeia, caso se retirasse da vida pública. Mas Lula é inteligente e tem vivência suficiente para entender que deverá sair da cadeia, unicamente, pela mesma porta da frente em que entrou, e que enquanto isto não ocorre sua melhor forma de atuação política e social é permanecer encarcerado.

Lula, preso, simboliza a prisão injusta e a exclusão dos mais pobres deste país. Simboliza que é possível erradicar a fome e a miséria, mas que quem está no poder não permite isto. Significa que é possível que pobres frequentem a universidade e se formem, que sejam consumidores de fato, que viagem de avião, que comam três vezes ao dia, que tenham salário e aposentadoria dignos. Em uma palavra: que o Estado, por meio de um governo que abrace tais objetivos, possa torná-los cidadãos de fato, e que se isso não ocorre é porque há interesses que se opõem radicalmente a isto.

Lula, preso, é motivo de mobilização social e mantém seus ideais vivos, como o fez Nelson Mandela na África do Sul há poucas décadas atrás. E Lula, tal como Mandela, não pode ser solto, porque senão o povo o tornará Presidente de novo. Quem o prendeu sabe disso, e por isso, unicamente, o mantém preso, pouco importando quais sejam as acusações, a defesa, as testemunhas e as provas. O que importa, para quem não tolera a ideia de que pobre viva dignamente, é manter Lula preso até o fim. Nada mais importa.

Lula sabe de tudo isso. Experiente, maduro, sabe que seus ideais valem mais do que sua própria vida e, preso, exerce o simbolismo necessário para que toda a luta pelos excluídos permaneça viva.

E o trabalho de Lula dará frutos porque, para desespero de quem o odeia, Lula receberá, muito provavelmente ainda na cadeia, o Prêmio Nobel da Paz, sendo o único brasileiro a conquistar tal feito, porque ousou, até o fim, lutar por quem mais precisava: pelos pobres e excluídos do Brasil.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.


Bloco Zé Pereira: Marão toma vaias e acena para amigos imaginários

Notinhas.

Diante da câmera da Secom, Marão acena para “ninguém’ após receber vaias. Imagem extraída de vídeo.

O Bloco Zé Pereira, do bairro do Pontal, em Ilhéus, se transformou num palco de vaias a prefeitos mal avaliados.

A irreverência da tradicional agremiação pontalense deixou Jabes Ribeiro envergonhado em 2016 (lembre aqui).

Na noite de ontem (sexta-feira, 01), foi a vez de Marão sentir que seu governo tem nota baixa no quesito popularidade.   

O prefeito, sempre acompanhado de seguranças, recebeu muitas vaias de integrantes e aderentes do bloco.

As vaias foram tão intensas que superaram o volume de som da aparelhagem do palco. Muitas pessoas chamaram a atenção do prefeito com o dedo polegar para baixo, sinal inequívoco de desagrado. Poucas cumprimentaram Marão com carinho.

Ao perceber o clima adverso, ele desfilou um pouco no bloco, dirigiu acenos a amigos visíveis só na imaginação e foi embora.

Depois, num ambiente aberto, mas com pouca gente, gravou um vídeo onde diz que muitas pessoas o abraçaram em reconhecimento ao seu “bom trabalho”.

Marão criou uma realidade paralela que só ele acredita.


Tudo pronto para a terceira edição do “Folia da Gente” em Uruçuca

Uruçuca está em clima de festa com a terceira edição do “Folia da Gente”, que será realizado de 2 a 5 de março. A abertura do Carnaval acontece nesta sexta, 1, em Uruçuca, com a Lavagem do Beco de Seu Evandro.

A concentração será às 17h na Praça Gilberto Moura e terá como ponto alto o resgate da tradicional banda de Uruçuca, conhecida como Trio Brasil, que puxará a festa no ritmo das animadas marchinhas de carnaval. A lavagem vai acontecer na Praça Miguel Baracho. O prefeito Moacyr Leite vai entregar a chave da cidade ao Rei Momo, com a participação do bloco Afro Encantart. Para encerrar a noite, Jhó e Banda vai animar a galera.

A partir de sábado, 2, a Folia é garantida em Serra Grande. Serão quatro dias de festa, organização, muita gente bonita e muita alegria. O evento é organizado pela Prefeitura de Uruçuca, que ouviu também a opinião da comunidade e representantes do comércio de Serra Grande.


Madre Thaís forma primeira turma de Engenharia Civil

Foto: Ascom/Madre Thaís.

A primeira turma do curso de Engenharia Civil da Faculdade Madre Thaís (FMT) está formada. São 46 novos profissionais diferenciados à disposição do mercado de trabalho, qualificados por uma instituição que tem dado oportunidades a jovens e pessoas de todas as idades de frequentarem cursos reconhecidos e com ótimo conceito junto ao MEC.

A solenidade foi realizada no Auditório Jorge Amado, do Centro de Convenções Luis Eduardo Magalhães, em Ilhéus, com a participação de familiares, amigos e convidados dos formandos, bem como professores, coordenadores e diretores da FMT, sob a presidência da diretora Acadêmica da FMT professora Tatiana Almeida Rocha Barcelos.

A mesa foi composta pelo Dr. Eusinio Lavigne Gesteira, diretor Geral da Faculdade Madre Thais; professor Carlos Armando Rocha Filho, coordenador do curso de Engenharia Civil e amigo da turma; professor Marcelo O’Donnell Krause , paraninfo da turma; senhor Valderico Luiz dos Reis Junior, patrono da turma; senhora Roberta Maria Nascimento , secretária acadêmica da Faculdade Madre Thais.

Foram oradores da turma de Engenharia Civil, os formandos Almir Agostinho dos Santos Filho e José Oliveira da Cruz. O diretor Geral da Faculdade Madre Thaís, Eusínio Lavigne Gesteira, explicitou o compromisso que a instituição de ensino superior tem em formar profissionais bem qualificados para o mercado de trabalho com condições similares oferecidas em outras importantes instituições do país.

A diretora Acadêmica da Faculdade, professora Tatiana Barcelos destacou a importância da participação da família e amigos na solenidade, reforçando o compromisso da instituição com a qualidade de seus cursos e com os princípios profissionais e éticos basilares da instituição.

Foram homenageados pelos formandos o professor Mestre Marcelo O’donnell Krause, paranifo da turma; o senhor Valderico Luiz dos Reis Junior, patrono da turma; o professor/MSc Carlos Armando Rocha Filho, coordenador do curso de Engenharia Civil e amigo da turma; o professor/Dr. Anderson Alves Santos; o professor/MCs Felipe José Estrela Marinho; o professor/MCs Geraldo Porto de Araujo; o professor/Especialista Kleber Marcelo Braz Carvalho; a professora/Especialista Lorena Lopes Novais; o professor/Especialista Marcos Cezar Teixeira Telles e a funcionária Nelma Campos Souza.

São engenheiros civis formados na primeira turma da FMT Abimael de Jesus Cruz , Allan Costa Lima, Almir Agostinho Dos Santos Filho, Amanda Santos Mendes, Andre Nascif Silva Aranha, Antonio Jorge Santos Dos Santos Junior, Arthur Nascimento Guimaraes, Brunno Nardes de Freitas, Caio Rocha Carvalho, Caren Matos Da Costa, Carolina Céo Lima, Claudio Dantas Azevedo Filho, Daniel Silva Alves, Eder Estevam Santos; Everton Pereira De Souza Galo, Felipe Nascimento Santos, Filipe Souza De Santana, Gabriela De Almeida Souza, Genilson Cardozo Silva, Gilberto Fernandes Araujo Junior, Gustavo Henrique Woichekoski Vontroba, Hayanna Emilly Silva Papalardo, Heloiso Carlos de Souza Junior, Ingrid Marques Liberato Penna, Jinaldo Santos Souza Junior, João Honorato Neto, Jorge Augusto Coelho Magalhães; Jose Oliveira da Cruz, Juliana Menezes Argolo, Keith Krisna dos Passos Nascimento, Kizzy Belem Oliveira, Leandro Matos Dantas, Leonardo Silva Pinto, Marco Antonio Paiva Lima, Marcos Magalhães de Macedo, Matheus Lucas De Oliveira Bomfim, Mauro Jorge Telmo Bonilla, Paulo Roberto Alves dos Santos, Rassimi Macedo da Silva Ourives, Reginaldo Souza Santos, Roberio dos Santos Silva, Rodolfo Vieira Reis, Rodrigo di Tullio Campos,Shirley Fabiane Araujo de Jesus, Tâmara Nascimento de Oliveira e Tassio Freitas Santos.


Exclusivo. Após denúncias do Blog do Gusmão, Prefeitura de Ilhéus suspende duas licitações

No dia 20 de fevereiro publicamos que a secretaria de saúde de Ilhéus estava disposta a promover uma licitação sem seguir as orientações do Tribunal de Contas da União (TCU).

O procedimento para a compra de remédios previa que as empresas habilitadas disputariam o fornecimento “por lote”. O TCU orienta que a modalidade ideal é “por item”, uma vez que estimula ampla concorrência e economia de recursos públicos.

Em contato com o BG no dia 23 de fevereiro, o secretário de saúde Geraldo Magela disse que o TCU permite a modalidade “por lote” com justificativa plausível. Pedimos que nos apresentasse o motivo, mas ele preferiu o silêncio.

Para surpresa da nossa reportagem, na última quarta-feira, 27, a licitação foi suspensa para adequação do edital.

Suspensão do pregão eletrônico para aquisição de medicamentos.

No mesmo dia, publicamos que a empresa Sysvale Softgroup reunia todas as condições para vencer uma licitação que seria realizada na sexta-feira, 28. A disputa ocorreria em torno de um contrato para fornecimento de um sistema de gestão saúde web.

Após a publicação, a secretaria de saúde suspendeu o pregão eletrônico no dia exato da disputa, depois do horário previsto (9h15min.) para a abertura das propostas, ou seja, completamente fora do prazo. O certame ocorreria no site do Banco do Brasil.

Conforme motivo publicado no Diário Oficial às 20h03min, a empresa MVA Agulham Sistemas de Gestão entrou com um recurso no dia 26 de fevereiro. O pregoeiro informou que só conheceu o questionamento dois dias depois, justamente na data da concorrência.

Além do mais, a MVA ingressou com recurso físico, sendo o procedimento correto por meio eletrônico conforme orienta o TCU (art. 19 do Decreto no 5.450/2005). O pregoeiro tinha condições para não considerar o documento.

Ilhéus tem muitas carências na saúde pública. Em nome do uso correto do dinheiro de todos, o BG vai se manter atento diante das licitações do governo Marão.

Suspensão do pregão eletrônico para aquisição do sistema saúde web.
Em destaque, o horário em que foi publicada a suspensão do pregão eletrônico.

 


Ilhéus: aulas nas escolas municipais retornam na quinta-feira, 07

Sala de aula do IME. Foto: Rodrigo Macedo.

As 120 escolas da rede municipal de ensino de Ilhéus entram em recesso de Carnaval nesta sexta-feira, 1º. Segundo a secretaria municipal de educação, cerca de 20 mil alunos matriculados retomarão as atividades na próxima quinta-feira, 7.

A secretária Eliane Oliveira assegura que não haverá prejuízos para os alunos quanto à carga horária anual.  “O recesso já estava previsto no calendário e não haverá nenhuma alteração no cumprimento dos 200 dias letivos e da carga horária anual dos estudantes”, explica.

Com informações da Secom/Ilhéus.


Folião poderá registrar ocorrências na Delegacia Digital

Foto: Ascom/Polícia Civil.

Um site autoexplicativo e que pode ser acessado de qualquer computador para registrar furtos, perdas ou extravios de documentos e objetos, durante o Carnaval, é o serviço oferecido pela Delegacia Digital aos foliões.

Acessando o site Delegacia Digital o cidadão pode garantir de maneira simples e prática o registro da sua ocorrência e, em até 24 horas, receber a confirmação que chega ao e-mail do usuário.

Para a coordenadora da unidade, delegada Célia Miranda, a praticidade de não precisar se deslocar até uma delegacia física é a maior vantagem da ferramenta. “As ocorrências da Delegacia Digital seguem automaticamente para a unidade policial localizada na área do fato”, explicou a delegada.


Nazal: “Se Mário tivesse me ouvido não estaria desmoralizado”

Nazal durante assembléia na APPI. Foto: Maurício Maron.

O vice-prefeito de Ilhéus, José Nazal (Rede), esteve na tarde desta quinta-feira, 28, na sede da APPI para parabenizar a classe pela decisão judicial que determinou a reintegração de todos os servidores afastados pelo prefeito Mário Alexandre.

Convidado pela professora Enilda Mendonça, ex-presidente da entidade, Nazal fez um discurso carregado de críticas à gestão atual.

“Não estou aqui por interesses eleitorais. Fui convidado e vim parabenizar todos pela vitória esperada. A decisão do prefeito foi injusta. Ele deveria ter esperado todos os recursos possíveis serem decididos. Se Mário tivesse me ouvido não estaria desmoralizado e a situação teria sido diferente. O prefeito ouve pessoas que não têm interesse por Ilhéus. O meu compromisso com o prefeito foi pela cidade e ele desviou disso ouvindo apenas um secretário [Bento Lima], que é o grande prefeito do governo, e isso eu não aceito. Ele me chamou para voltar a trabalhar no governo e eu disse que não aceitava, pois ele não vai tirar as pessoas que fazem mal a Ilhéus. Estou à disposição dos servidores. O momento é de entendimento, é de conversa, e o município tem que se ajustar. Vocês não mereciam passar pelo que passaram. Eles deveriam ter considerado os 30 anos de trabalho que vocês dedicaram ao município. Deveriam ter considerado também que vocês não possuem idade para disputar espaço no mercado de trabalho com pessoas mais novas. Minha voz, minha força e meu cargo estão a serviço de vocês para que possamos tentar resolver essa situação”, disse Nazal.

Servidora reintegrada abraça Nazal. Foto: Maurício Maron.

Segundo Enilda Mendonça, “Nazal sempre se posicionou contra as demissões. Queremos agradecer pelo apoio”.

O vice pediu que o prefeito tenha com a decisão de 2ª instância, a mesma pressa adotada para cumprir a sentença do juiz local.


Exclusivo. Supervisora de compras do governo Marão é acusada de desviar recursos de empresa

Imagem da carteira de identidade de Luciana Lima de Jesus.

Humberto Bezerra de Queiroz, procurador da empresa Unilev Tecnologia de Elevadores LTDA, localizada em Salvador, acusa Luciana Lima de Jesus de apropriação indébita.

Luciana é supervisora de compras e serviços da secretaria de administração de Ilhéus e, segundo fontes da prefeitura, foi indicada para o cargo pelo secretário Bento Lima. Ela começou a trabalhar no governo Marão no dia 16 de maio de 2018 (veja decreto com a nomeação). Antes ela trabalhou por três anos no setor financeiro da Unilev.

Conforme boletins de ocorrência registrados na 12ª delegacia, localizada no bairro Itapuã, em Salvador, o responsável pela empresa acusa Luciana de ter desviado quarenta e três mil reais (R$ 43.818,00) para contas particulares movimentadas no Banco Itaú.  As transferências ocorreram de novembro de 2017 a janeiro de 2018.

Boletins de ocorrência registrados contra Luciana.

 

Luciana moveu uma ação trabalhista contra a empresa que tramita na 24ª Vara do Trabalho de Salvador.

Os proprietários da Unilev denunciaram o suposto desvio de recursos ao Ministério Público Estadual, à Prefeitura e à Câmara de Vereadores de Ilhéus. A denúncia já é do conhecimento do promotor Frank Ferrari.

Até o momento não há decisão do poder judiciário que tenha considerado Luciana Lima de Jesus culpada pelo crime. Não podemos afirmar que o prefeito Mário Alexandre e o secretário Bento Lima tenham ciência da acusação contra a servidora pública, que na época atuava na iniciativa privada.

Às 14h10min., desta quinta-feira, 28, entramos em contato com a secretaria municipal de comunicação para tentar ouvir a versão de Luciana. Eli Macena atendeu nossa chamada e nos informou que não tem o contato da supervisora de compras.

O BG deixou recado com o atendente. Até o momento da publicação desta reportagem não recebemos resposta da Secom.

Supostas transferências (de 23 mil e 7 mil reais) realizadas para contas particulares de Luciana.
Documento prova que a conta que recebeu 30 mil reais da Unilev (exposta na imagem acima) é de Luciana.

Desembargadora reconheceu o longo tempo de serviço dos servidores afastados por Marão

Desembargadora Silvia Zarif. Foto: divulgação.

 

A decisão da desembargadora Silvia Zarif que determinou o retorno dos 268 servidores municipais afastados pelo prefeito Mário Alexandre não encerra a disputa judicial, mas demonstra a sensibilidade da corte baiana de justiça.

Silvia Zarif usou a balança e a fumaça do bom direito para determinar o retorno dos servidores enganados pelo prefeito de Ilhéus, que antes de afastá-los prometeu ir até o último recurso judicial.

A magistrada ressaltou os 30 anos de serviço público e afirmou que as idades relativamente avançadas dos funcionários dificultariam a disputa no mercado de trabalho. Leia o trecho da decisão sobre essas questões.

“No caso concreto, vê-se que apesar de ter se protraído no tempo a ofensa ao interesse da coletividade de livre acesso aos cargos públicos ocupados por agentes que não se submeteram a certame para tanto, tem-se, como contraponto, dezenas de pessoas admitidas em regime constitucional prévio no qual o recrutamento sem concurso não estava maculado por vícios de inconstitucionalidade, que serviram por 30 anos ao Poder Público e que hoje se encontram em idades relativamente avançadas para se verem na disputa do mercado de trabalho ou do mundo do empreendedorismo contemporâneo”.  

Silvia Zarif também mencionou a campanha de entidades de classe para reunir alimentos para os servidores afastados. O BG opina que a campanha da OAB, presidida pelo advogado Martone Maciel, foi muito importante nesse processo.

“Causa espécie, no caso sob exame, as declarações e notícias trazidas aos autos relacionadas ao socorro de entidades de classe e sociedades civis para se prover mantimentos à sobrevivência dos servidores demitidos”,  escreveu Zarif.