EMÍLIO GUSMÃO

Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 36 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.

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PAR PERFEITO

Por Daniel Thame.

Depois de dois relacionamentos mal sucedidos, Eliane Almeida de Oliveira era, enfim, o que se poderia chamar, sem o risco dos exageros da paixão, de uma mulher feliz.

Encontrara o amor de sua vida, o que nestes tempos conturbados, equivale a achar na rua um bilhete premiado de loteria.

Aos 42 anos, o caminho de Eliane, então funcionária da Santa Casa de Misericórdia de Itabuna e dona de uma empresa de telemensagens (dessas que abarcam de aniversários a casamentos, passando por formaturas, promoções no emprego e outras datas especiais), cruzou com o de Francisco Paulo Lins da Silva, o Chico, de 46 anos.

Pode não ter sido amor à primeira vista, mas pouco tempo depois Eliane e Francisco estavam juntos. A solidariedade, subproduto da paixão, fez com que ela primeiro arrumasse para ele um emprego de motorista na Santa Casa, depois como taxista em frente ao maior complexo hospitalar da cidade.

Às amigas, Eliane definia o namorado como um homem amigo e carinhoso e dizia que colocaria a mão no fogo por ele.

Clientes que se utilizavam de seus serviços, o apontavam como um sujeito atencioso, prestativo e bem humorado.

Dos que conviviam com Eliane, se dizia o mesmo: carinhosa, atenciosa, batalhadora, alto estral.

E feliz no relacionamento quase outonal com Francisco, num idílio que durava dez meses e que parecia eterno e infinito.

Tempos atrás, Eliane trocou o emprego na Santa Casa e o negócio de telemensagens por um cargo na Azaléia, em Itapetinga.

Francisco continuou com o seu taxi.

Eliane vinha todo final de semana a Itabuna, para ficar com os filhos e ver Francisco.

E eles continuaram juntos, apesar da distância, até que a relação começou a esfriar, caminhando para um rompimento que para ela parecia irreversível e para ele soava como inadmissível.

No domingo, dia 24 de janeiro, Eliane Almeida de Oliveira foi encontrada morta na cama de seu quarto. O corpo seminu estava coberto de sangue. Um tiro certeiro no ouvido lhe tirou a vida.

Após sua morte, foram feitos pelo menos quatro saques, além de compras, com o cartão de crédito de Eliane.

Francisco Paulo Lins da Silva, que desapareceu após a morte de Eliane, é considerado pelo polícia como o principal suspeito de ter cometido o assassinato brutal.

Do homem amigo, carinhoso, atencioso, prestativo e bem humorado, agora se sabe que tem três mandatos de prisão preventiva, expedidos pela Justiça de Goiás.

Todos por homicídio.

2 respostas para “PAR PERFEITO”

  • Fernando disse:

    É uma coisa revoltante. Fica difícil até de falar sobre um acontecimento desses. Toda a severidade que for aplicada a esse elemento será pouco para purgar tamanha barbaridade.

    Infelizmente, hoje em dia, até para se apaixonar a pessoa tem que exigir atestado de antecedentes e averiguar bem a vida da outra pessoa.

    Que Deus tenha Eliane entre os seus.

  • Francis disse:

    Perfeito esse texto de Daniel! Mas revoltante toda essa história.
    Dia 25/01 completou 01 ano do assassinato de minha grande amiga Rayluciene Castro Néri, e até as investigações não deram em nada!
    Ela se foi, com o filho no ventre e o assassino está a solta!
    Como dizem os mais velhos:- ” Quem morre é que perde à vida”

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