EMÍLIO GUSMÃO

Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 36 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.

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EXPEDIENTE:

Layout:
Jamile Ocké
Sistema:
Marcelo Guerra
Fotografia:
Sandro Andrade

31/jan/2010 . 17:16

FERREIRA GULLAR RECITA: NOTÍCIA DA MORTE DE ALBERTO DA SILVA

Na Bienal de Cultura promovida pela UNE, em 2001, no Rio de Janeiro, presenciei o poeta Ferreira Gullar dando uma sonora bronca no presidente da UNE, Wadson Ribeiro, que numa sessão onde se debatia a formação dos CUCAS (centros universitários de cultura e arte), pregou a “instrumentalização” da arte como um mecanismo para viabilizar o engajamento político dos jovens.

Chateado, o poeta considerou mais ou menos assim: Que papo é esse? Instrumentalizar a arte? Por acaso estamos falando de um objeto? Não estou entendendo nada! Do que vocês estão falando realmente?

Esta gravação foi realizada em 1979, extraída do CD Antologia Poética, de Ferreira Gullar.

Ouça o poema “Notícia da Morte de Alberto da Silva”, recitado por seu autor.

Eis aqui o morto
chegado a bom porto

Eis aqui o morto
como um rei deposto

Eis aqui o morto
com seu terno curto

Eis aqui o morto
com seu corpo duro

Eis aqui o morto
enfim no seguro

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GEDDEL CONTINUA DESPENCANDO

“Está entrando muita água” no barco do ministro Geddel Vieira Lima.

No domingo passado (24), o jornal A Tarde divulgou matéria sobre escutas telefônicas entre ele e um advogado envolvido em esquemas de “propinagem”. Lima estaria usando o seu prestígio para “ajudar” donos de empresas do transporte coletivo de Salvador (clique aqui).

Uma semana após a denúncia, pesquisa do Vox Populi/Band, realizada entre os dias 15 a 22, deste mês, revela uma queda de 5 pontos, no índice relacionado à pré-candidatura do ministro ao governo do estado.

Para conferir a pesquisa, clique aqui.

O QUE É UM TAGARELA?

Não quero escrever sobre o tagarela convencional (aquele ou aquela que fala muito e não guarda segredos) neste caso, me refiro à espécie rebuscada e embustecida, capaz de enganar muitos.

O novo tagarela adora frases prontas e citações de escritores que não leu. Para ele, o enunciado já basta, não lhe despertando qualquer curiosidade sobre o conjunto da obra.

Geralmente, não consegue discernir informação e conhecimento, para ele, elementos iguais, presentes em qualquer texto. Lugares-comuns fazem parte de sua tônica, posicionados entre termos cuidadosamente “medidos” pelo revisor ortográfico do editor de textos. Sem essa ferramenta, não há fluição, fruição jamais.

Um desavisado pode tê-lo (a) como uma pessoa inteligente, mas, caso tenha redobrada atenção, ao reunir suas “obras” ficará convicto de que são opiniões frugais, quase sempre descortinadas pelo “Tempo Rei”, revelador de contradições.

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O FATOR MST

Artigo de Leandro Fortes, publicado no blog Brasília Eu Vi.

“O MST existe há 25 anos e é o mais importante movimento social de base da história do Brasil. A crítica à sua concepção socialista e a eventuais desvios de conduta de alguns de seus participantes é, deliberadamente, ultradimensionada no noticiário para passar à sociedade, sobretudo à dos centros urbanos, a impressão de que seus militantes são vândalos nutridos pelo comunismo e outras reflexões sociológicas geniais do gênero”.

A prisão de nove lideranças do MST, no interior de São Paulo, algumas das quais filiadas ao PT, foi o ponto de partida de uma estratégia eleitoral virtualmente criminosa e extremamente profissional, embora carente de originalidade. Trata-se de perseguição organizada, de inspiração claramente fascista, de líderes de um movimento que diz respeito à vida e ao futuro de milhões de brasileiros, que revela mais do que o uso rasteiro da política. Revela um tipo de crueldade social que se imaginava restrita a políticos do Brasil arcaico, perdidos nos poucos grotões onde ainda vivem, isolados em seus feudos de miséria, uns poucos coronéis distantes dos bons modos da civilização e da modernidade.

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