EMÍLIO GUSMÃO

Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 34 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Pós-graduando em artes visuais pelo SENAC. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.

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QUE “CARNAVALZINHO” FULEIRO!

Moro em Ilhéus desde 1982, e de lá pra cá, nunca vi um carnaval tão fuleiro como o deste ano. É um simulacro! Falta tudo: atrações, alegria, bom humor, rei momo, rainha, prefeito. Para mim é um total desrespeito com a nossa cidade.

O carnaval de Ilhéus vem sendo descaracterizado desde o início da década de oitenta. Esse problema aconteceu por toda a Bahia, depois que o trio elétrico se tornou um elemento massificador e único, assumindo a posição de símbolo maior da folia baiana.

Por aqui, percebe-se que os danos foram muito piores. Onde estão os blocos de arrasto (Tengão, A Zorra, Arrastão, Só o Amor Constrói, Cachambi, 56, Os Sonecas, Bloco dos 30). As Escolas de Samba onde estão?

Perdemos até os bailes do Clube Social, que hoje, permanece decrépito, abandonado pela “nova elite emergente” que só enxerga o Iate Clube.

Meu pai nunca se interessou em comprar um título do Clube Social, isso me deixava triste. Quando chegava o carnaval, ele me dava dinheiro para que eu comprasse o “transitório” dos bailes. Uma vez recebi uma sonora bronca de Barbosa, porteiro do clube, que me descobriu como “penetra”.

Perdemos tudo, até os velhos trios Tamoyo, de Adelson, e o Iemanjá de Tony Neto.

Onde estão “Os Fodinhas do Malhado” com suas placas expondo frases de protesto, que repercutiam pra caramba, numa época em que a imprensa não ousava criticar o governo municipal?

Onde está a crítica ácida do “Panela Vazia”, do SINSEPI (sindicato dos servidores municipais)? Hoje, o bloco dos funcionários da prefeitura virou uma maneira de bajular a administração.

Não temos mais nada, absolutamente nada. Sinceramente, acho que o prefeito não deveria ter aceitado essa “migalha” do governo estadual, essa esmola que expõe artistas locais valorosos, como Abdias e Keketa, os únicos que conseguiram animar, de uma forma ou de outra, essa triste festa.

Mais uma vez colocaram a secretária municipal de turismo, Ana Matilde, numa situação difícil, lhe obrigando a tirar “leite de pedra”.

Sinceramente, me sinto envergonhado. O que vi hoje pela tarde foi uma verdadeira “fuleiragem”.

Essa coisa ridícula patrocinada pelo estado é uma “cusparada” em nossa história, um acinte à memória de Équio Reis (carnavalesco), de Herval Soledade (o prefeito dos grandes carnavais), Torôco, Guerrinha (com o seu Nero Devasso), Zequinha (Embaixadores do Samba),  Raimundo do Banjo e muitos outros.

Essa porcaria deve ser apagada da memória, antes mesmo das cinzas.

Alías, cinzas de que?

Herval Soledade, prefeito entre 1956 e 1959, 1963 a 1967. Entrou para a história como o "homem dos grandes carnavais".

Imagens do carnaval de Ilhéus. Década de 70.

Imagens do caranaval de Ilhéus. Década de 70.

Imagens do arquivo de José Nazal.

Minha memória foi auxiliada por Guy Valério e José Nazal.

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3 respostas para “QUE “CARNAVALZINHO” FULEIRO!”

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