Artigo de Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da república, publicado neste domingo (04 de abril).
A visão de futuro mostra quem é verdadeiramente líder. No auge das lutas pela volta às eleições diretas e pelo fim do autoritarismo, três personagens, cada qual à sua maneira, foram decisivos para que conseguíssemos mudar o rumo do país. Não foram os únicos. Muita gente se empenhou desde a campanha das Diretas Já com o mesmo propósito. Nem se deve esquecer o papel desempenhado pelas grandes greves do ABC e por seus líderes. Mas, a partir da derrota da emenda Dante de Oliveira, quando se colocou a possibilidade de derrotar o candidato do Sistema utilizando-se o próprio Colégio Eleitoral, a condução do processo passou a depender de Ulysses Guimarães, Franco Montoro e Tancredo Neves.
Houve hesitação sobre o que fazer. Fiz um discurso no Senado trocando o lema Diretas Já por Mudanças Já, com a convicção de que poderíamos derrotar os donos do poder. Foi difícil para Ulysses Guimarães tragar a dose e aceitar as eleições indiretas, ele que fora o anticandidato em 1974 e cujo nome se identificava com as eleições diretas. Foi mais difícil ainda, uma vez deslanchado o processo de conquista de votos no Congresso, unir a oposição em torno de um nome.
Ulysses até aquele momento fora o condutor indiscutido das oposições democráticas. Entretanto, pela dureza das posições que assumira na crítica ao regime autoritário, teria dificuldades em granjear votos entre os que, diante do desgaste do poder, da crítica de uma imprensa mais livre, dos movimentos de protesto em massa e das dificuldades econômicas, se predispunham a mudar de posição. Sem o apoio destes, a derrota era garantida. Na época, presidente do MDB de São Paulo e muito próximo a Ulysses Guimarães, disse-lhe com muito pesar, pela enorme admiração e respeito que nutria por ele, que a vez seria de outro.
Roberto Gusmão, chefe da Casa Civil do governo Montoro, havia declarado nas páginas amarelas da Veja que São Paulo se uniria a Tancredo Neves para a conquista da Presidência. Ulysses fez questão de ouvir a decisão da voz do governador de São Paulo. Acompanhei-o ao Palácio dos Bandeirantes em um encontro com o governador Montoro e com Roberto Gusmão. Montoro poderia pretender legitimamente a candidatura à Presidência: ganhara as eleições diretas em São Paulo com votação consagradora. Percebeu, entretanto, que no caso das eleições indiretas Tancredo teria melhores oportunidades. Reafirmou este ponto de vista a Ulysses. Mais do que os méritos e as ambições de cada um, contava o momento histórico. Ou nos uníamos e ampliávamos a frente contra o autoritarismo ou este permaneceria por mais tempo, esmaecido que fosse, com a eleição de Paulo Maluf, candidato da Arena. A visão de futuro e o interesse nacional contavam mais do que as biografias. Tiveram grandeza. São Paulo se uniu a Minas para que o Brasil avançasse e Ulysses chefiou a campanha pela eleição de Tancredo.
Passados 25 anos, nos encontramos frente a circunstâncias históricas que novamente requerem grandeza dos líderes e unidade de todos. Não está em jogo o admirar ou não o presidente Lula, nem mesmo as qualidades de liderança (ou a falta delas) de sua candidata Dilma Rousseff. Por trás das duas candidaturas polares há um embate maior. A tendência que vem marcando os últimos 18 meses do atual governo nos levará, pouco a pouco, para um modelo de sociedade que se baseia na predominância de uma forma de capitalismo na qual governo e algumas grandes corporações, especialmente públicas, unem-se sob a tutela de uma burocracia permeada por interesses corporativos e partidários. Especialmente de um partido cujo programa recente se descola da tradição democrática brasileira, para dizer o mínimo. Cada vez mais nos aproximamos de uma forma de organização política inspirada em um capitalismo com forte influência burocrática e predomínio de um partido. Tudo sob uma liderança habilidosa que ajeita interesses contraditórios e camufla a reorganização política que se está esboçando.
Agora, com as eleições presidenciais se aproximando, as alianças são feitas sem preocupação com a coerência político-ideológica: o que conta é ganhar as eleições. Depois, a força do Executivo se encarregará de diluir eventuais resistências de governadores e parlamentares que se opuserem à marcha do processo em curso, e transformará os aliados em vassalos. Mais recentemente, tem surgido a dúvida: será que a candidata petista, sem ser Lula, terá força para arbitrar entre os interesses do partido, os dos aliados e os da sociedade? Não sei avaliar, mas o resultado será o mesmo: pouco a pouco, o “pensamento único”, agora sim, esmagará os anseios dos que sustentam uma visão aberta da sociedade e se opõem ao capitalismo de Estado controlado por forças partidárias quase únicas infiltradas na burocracia do Estado.
Os líderes oposicionistas atuais terão a visão de grandeza dos que os antecederam e perceberão que está em jogo a própria concepção do que seja democracia? Há quem defenda um outro estilo de sociedade. Há quem acredite que certo autoritarismo burocrático com poder econômico-financeiro pode favorecer o crescimento econômico. A China está aí para demonstrar que isso é possível. Mas é isso o que queremos para nós? A força governista ignora os limites da lei e tudo que decorre dessa atitude, desde a leniência com a corrupção até a arrogância do poder e o abuso publicitário antes do início legal das campanhas. É imperativo, pois, que as oposições se unam. A aliança entre Minas e São Paulo – que se pode dar de forma variada – salvou-nos do autoritarismo no passado. Uma candidatura que fale a todo o país, que represente a união das oposições e busque o consenso na sociedade é o melhor caminho para assegurar a vitória. José Serra e Aécio Neves estiveram ao lado dos que permitiram derrotar o regime autoritário. Cabe-lhes agora conduzir-nos para uma vitória que nos dê esperança de dias melhores. Tenho certeza de que não nos decepcionarão.
Será que este cidadão que foi presidente não está lelé.Ele fala em alianças que são feitas sem a coerência politico-ideológica, visando somente ganhar as eleições.Pobre FHC,quanta inveja e hipocrisia.Quando ele sugeriu a emenda do segundo mandato, como conseguiu os votos para aprová-la?Deputados recebendo 200 mil para dizer sim. FHC não tem condições morais de criticar nenhum governante do País.Submisso,com certeza estaríamos na ALCA, agora, amargando junto ao México as incertezas da submissão ao mercado americano.Espero que o povo brasileiro,tenha juizo e não dê mais chance a estes imbecis.Eu não quero que nosso embaixador tenha que tirar sapato para pisar solo americano,contrate empresas via USA para monitorar espaço brasileiro,alinhar-se sem pestanejar as decisões americanas.
Comentar o que? de uma figura como FHC que vendeu quase tudo que o Brasil tinha, comprou deputados pra aprovar o seu projeto de reeleição, chamava os aposentados de vagabundos, não somos petistas, se fôssemos não tinha problema nenhum, mas Fernado Henrique Cardoso, deveria dizer ao povo brasileiro o que ele fez e onde colocou o dinheiro da venda das estatais, o povo jamais poderá esquecer dessas atrocidades desse que pra nós foi o pior governante do Brasil. Não ao PSDB e FHC.
Agora é a hora do PSDB.
Discordo plenamente de FHC;
Dois foram os responsáveis pela democracia no Brasil,Presidentes da República Gal. Ernesto Geisel e João Batista Figueiredo.
Geisel assinou a lei de anistia , ampla geral e irrestrita, para que os cidadões que estavam no exilio pudessem voltar ao Brasil.
João Batista Figueiredo, em cumprimento das ordens do Gal. Ernesto Geseil,fez a transição do Regime Militar a Democracia, em eleição ainda indireta, que elegeu Tancredo Neves e José Sarney.Com a morte de Tancredo Neves, assumiu o poder o vice-presidente Jose Sarney.
Também não podemos esquecer do Chefe da Casa Civil, Gal. Golbery do Couto e Silva,homem de confiança de Geisel e Figueredo, que muito contribui para que a democracia fosse feita de forma pacifica e ordeira!
Melck Rabelo
Coreção: Onde lê Dois Foram os résponavel pela Democracia! Leia: Dois Foram os Responsável Pela Democracia.
Melck Rabelo
Um artigo brilhante,que por certo só poderia vir de alguém tão brilhante quanto,nossa nação deve muito a FHC,seu artigo é certeiro e direto,nos coloca em um oásis de esperança e sapiência,diante do deserto da corrupção e da ignorância,implantado por nosso semi-alfabetizado chefe do executivo nacional e sua ladra preferida de cofres.
FHC não nos desapontou e por certo,Aécio e Serra ” não nos decepcionarão”.
Está não! Sempre foi um “lelé”. Todo o grupo que ele carregada é contaminado pelo mesmo vírus!
O povo não pode esquecer que o Serra é seu pupilo. No governo de São Paulo, privatizou a água – patrimônio público inalienável!
Hoje, as quatro represas e ETAs do Sistema Cantareira pertencem a um pool de empresas comandado pela Galvão.
Não sei se os dois generais sitado acima foram realmente os responsáveis pela democracia no pais. Muitos políticos e artistas contribuíram muito para essa transformação, porem, acho que ostrabalhadores do ABC foram os principais responsáveis. Eles tiveram coragem de enfrentar a ditadura levando porrada, vendo seus companheiros indo para a prisão e até morrerem. E quem era um dos líderes que se encontrava lá no meio desses trabalhadores? O nosso atual presidente, o Lula.
Esse Gleder paresse ser preconceituoso. Chamar Lula de semi-analfabeto é ser desconhecedor da história do nosso presidente.
O Lula não tem universidade, mas tem uma vasta formação política de invejar a muitos intelectuais, inclusive ao sociólogo FHC. O Lula participou de inúmeras palestras sobre diversos assuntos, seminários diversos, congressos, foi presidente da maior central sindical (Cut, que enfrentou a ditadura), além de ter sido deputado constintuinte.
Não devemos considerar muito um artigo de um ex-presidente como este, pois este mesmo que se diz amigo dos brasileiros sempre esteve aolado dos “privilegiados” um presidente que teve o topete de aumentar o salário mínimo de 151,00 R$para míseros 158,00R$ em seu mandato não merece o noso valor.
enquanto ao Lula, este sim é um intelectual, mas intectual orgânico, ou é só os acadêmicos que são intectuas?,pois os intelectuas orgânicos são aqueles que fogem as regras tradicionais…
Convém não rabater aqueles proferem agressões verbais gratuitas ao Presidente Lula.
Pesquisa Datafolha apurou que esses não passam de 4% da população brasileira.
Por que perder tempo com esse minúsculo percentual?
Um bando de sacripantas aparecendo nos meios de comunicação com as caras deslavadas prometendo o impossível. Ja tiveram oportunidade de realizar o bem e so fizeram o mal. Não darei meu voto mais a ninguem. Cansei de fazer degraus para esses salafrarios enriquecerem às custas do nosso suor. Chega de FHC, JR, Veloso, Ângela, Serra, Souto, Borges e o resto da corja que todo mundo está cansado de saber.
Estou exausta de tanto desmando e corrupção. São os demônios do poder.
SO CRISTO SALVA.
o grande estadista e sociólogo FHC… traidor!!!! traiu descaradamente o povo brasileiro; se aliando a banqueiros e anistiando-os(ângelo calmon de sá foi um deles…). sulcatiou o patrimônio público e o vendeu a preço de banana(como a vale do rio doce e outras mil…) p/o imperialismo americano…. covarde!!! ele e o ministro sérgio motta(que com certeza está no “inferno” essa hora…) montaram um dos maiores esquemas de corrupção e apadrinhamento político…. votar no PSDB é ser conivente com o retrocesso, aceitar a impunidade e corrupção no Brasil…
Marco d’Oliveira.
San Francisco, CA, U.S.A.