EMÍLIO GUSMÃO

Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 36 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.

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O PERIGO SILENCIOSO…

Por Ed Ferreira.

Foi com uma grande preocupação que recebi um artigo do Mercado de Cacau.

O café virou alternativa de diversificação da região cacaueira, a exemplo das fazendas Duas barras e Sossego, em Ilhéus no Sul da Bahia.  Onde o café conillon que concentra um plantio de 25 mil hectares do produto.

Sobre o café

O cafeeiro é uma planta perene de clima tropical. Pertence a família das Rubiaceas e ao gênero Coffea que reúne diversas espécies. A Coffea arabica e Coffea canephora (robusta) são as de maior interesse econômico, constituindo respectivamente, 70% e 30% da produção mundial. É uma cultura que exige pleno sol e não tolera plantas concorrentes, ou seja, haverá um desmatamento acelerado na Mata Atlântica e naturalmente uma queda elevada na biodiversidade de espécies vegetais e animais. Enquanto os ambientalistas estão empenhados em lutar contra o Intermodal no norte de Ilhéus, o café entra tranquilamente, aniquilando as espécies existentes. Basta verificar nos lugares tradicionais de produção de café no espírito Santo e São Paulo sob a influência da Mata Atlântica. As poucas árvores que deixam, aos poucos vão enfraquecendo e acabam tombando.

CLIMA E SOLO

As exigências climáticas: do café robusta – temperatura de 22º a 26º C, altitude de até 450 m. Precipitação anual de 600 a 1500 mm são suficientes para a cultura desde que bem distribuídas.
Solo: deve ter profundidade mínima de 1 m, não ser pedregoso ou excessivamente arenoso, de preferência fértil e de boa drenagem. Áreas de baixada são aptas ao plantio mesmo com sistema de drenagem artificial.

Vejam as exigências técnicas da cultura que são incompatíveis para a realidade ambiental da região cacaueira.

CULTURAS INTERCALARES E ARBORIZAÇÃO

*De acordo com Perivaldo Mariano Santos, Engenheiro Agrônomo, MS, Ceplac/Cepec

A cultura intercalar é importante como fonte adicional de rendas durante os dois primeiros anos de formação ou de renovação do cafezal. Culturas intercalares mais indicadas: feijão, milho, soja, amendoim, arroz, abacaxi, batata doce e hortaliças. O número de linhas de culturas intercalares por rua de café depende da cultura a ser feita e do espaçamento do cafezal. É imprescindível a adubação tanto da cultura intercalar como do cafezal.

A arborização ou sombreamento tem a função de atenuar os extremos climáticos no cafezal. O excesso de sombra reduz drasticamente a produção, por isso o sombreamento deve ser ralo visando cobrir no máximo 1/3 da superfície do terreno. Para árvore de grande porte os espaçamentos devem ser aproximadamente de 30 x 30 m.

Cafeeiros sob sombreamento de essências florestais da Mata Atlântica.

A consorciação de café com outras culturas perenes como no caso da seringueira, coco e abacateiro tem trazido benefícios no aumento da renda total do produtor quando realizada tecnicamente.

Consorciação de café com seringueira.

TRATOS CULTURAIS

Controle de ervas daninhas – pode ser feito através de capinas manuais, mecânicas, químicas (herbicidas) ou uma associação entre estas. O método de controle vai depender da topografia, tipo de solo, tamanho da lavoura, espaçamento, custos dos herbicidas, entre outros.

Adubação - tanto no plantio como nos anos subseqüentes deverá ser realizada de acordo com análise química de solo para orientar adequadamente a calagem e a adubação. Entretanto, informações obtidas durante anos em solos de baixa fertilidade sugerem as seguintes recomendações práticas:

Pragas – o cafeeiro é atacado por várias pragas, sendo as mais limitantes as seguintes: Broca do café (Hipothenemus hampei), prejudicial em todos estágios do fruto. O controle químico é feito com Endosulfan. Bicho Mineiro (Perileucoptera coffeella): é a mais prejudicial depois da Broca, causa drásticas desfolhas em viveiro de mudas e nas lavouras. O controle é realizado com inseticidas fosforados e piretróides. Cochonilhas: ataca principalmente viveiros. Controle com inseticidas fosforados. Nematóides: causam ataque, normalmente, em reboleiras com redução da produção e morte de plantas. É de difícil erradicação. Utilizar medidas preventivas utilizando mudas de boa procedência e evitar plantios em locais infestados onde anteriormente haviam plantações de café.

Doenças – muitas doenças incidem sobre o cafeeiro nas fases de viveiro e campo. A ferrugem causada pela Hemileia vastatrix é a mais grave. O controle químico é feito com aplicação de fungicidas cúpricos. Cercosporiose também conhecida por Mancha de olho pardo causa desfolha em plantações e viveiros. Controle preventivo: evitar viveiros em locais úmidos e utilizar substratos ricos na formação das mudas. Controle químico: com fungicidas cúpricos. Rizoctoniose, conhecida por doença do “tombamento” é comum em viveiros. Controle preventivo: evitar sua formação em locais com alta umidade e muito sombreados. Controle químico com fungicidas cúpricos.

Reflexão quem ameaça mais o Bioma da Mata Atlântica, o Intermodal ou o Plantio de café conillon?

Assista o vídeo dessa matéria no link:

http://www.mercadodocacau.com.br/index.php?menu=videos&id=64&tipo=3

4 respostas para “O PERIGO SILENCIOSO…”

  • alpha disse:

    Até aki em Eunápolis que tem celulose pra caramba e esta a Veracel está em fase de duplicação, o café já tem seu espaço.

  • alpha disse:

    nem eu entendi o que eu disse aih em cima hehe

    eu quis dizer…

    Até aki em Eunápolis que tem celulose pra caramba e a Veracel está em fase de duplicação, o café já tem seu espaço.

  • Souza Neto disse:

    Se vem como alternativa e para ser plantado em áreas já degradadas, tudo bem!

    Mas, se vai ocupar os espaços da lavoura do cacau, aí é preocupante!

    Muita gente que conhece e admira a beleza da Floresta da Tijuca, no Rio, não sabe que ela foi toda replantada (com árvores nativas) por ordem de D Pedro II. Toda aquela área estava devastada pela lavoura do café. Como foi dito na matéria: o café – diferentemente do cacau – não suporta “vizinhos”, especialmente os que querem sombreá-lo.

  • GEL disse:

    É exatamente o que pensa o EDferroeira e sua turma, estão destruindo tudo por ai com minério de ferro,café, siderurgica etc etc…nao sei por que não destruir aqui também….?

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