EMÍLIO GUSMÃO

Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 36 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.

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GUERREIROS AFRICANOS

Por Daniel Thame.

Depois de uma semana concentrados na Vila Militar, perdão, no campo de treinamento do Atlético Paranaense em Curitiba, e de uma rápida passagem por Brasília, onde fizeram cena e posaram para fotos ao lado do presidente Lula, os soldados do capitão Dunga desembarcaram na África do Sul, onde daqui a alguns dias começa a Copa do Mundo, maior evento esportivo do planeta.

A Seleção Brasileira, que não é necessariamente a seleção dos sonhos dos brasileiros, tentará nos gramados africanos o seu sexto título mundial, distanciando-se da Itália, detentora de quatro copas e da Alemanha, com três conquistas.

Uma seleção que não tem nada de sonho.

Foi construída a partir da visão da realidade e de futebol de Dunga, exatamente à imagem e semelhança do treinador.

Esqueçam o futebol arte. Isso é coisa de figurinha amarelada pelo tempo e imagens de televisão em preto e branco ou das transmissões de rádio.

Agora, é comprometimento, dedicação, suor, amor à pátria (isso num time de milionários da bola, a esmagadora maioria jogando no exterior), espírito guerreiro.

É assim que a seleção vai em busca do hexa.

Uma defesa forte, com um goleiro em grande fase, dois bons alas e três zagueiros arrasa-quarteirão.

No meio de campo, mais dois brutamontes para auxiliar a defesa e apenas um jogador extra-classe, Kaká, e ainda assim envolvido com uma série de contusões.

No ataque, o centroavante Luis Fabiano, sem a técnica do Ronaldo dos bons tempos, mas com faro de gol, tendo como companheiro solitário Robinho, que fracassou na Europa, recuperou parte de seu futebol no Santos e que fará um bem danado à seleção se atuar como atua nos comerciais de marcas de carro, aparelho de televisão, telefone celular e até de salsinha.

Se Dunga precisar do banco de reservas, que o deus dos estádios nos ilumine e proteja: Josué, Kléberson, Gilberto, Julio Baptista e Grafite são algumas das opções do treinador.

Mesmo com uma seleção meia boca, sem nenhum gênio indiscutível da bola, dá para ganhar a Copa?

Por incrível que pareça, a resposta é sim.

Não há, no futebol atual, nenhuma grande seleção, daquelas que se aposta sem risco de errar.

A Argentina tem Messi e uma penca de craques, a Holanda joga bonito e a Espanha finalmente montou um time competitivo, mas parecem tremer mesmo quando encaram um Brasil mambembão.

No mais, é preparo físico, velocidade e a tática do “defende como pode, ataca quando dá”.

É esperar a bola rodar para ver no que dá…

1 resposta para “GUERREIROS AFRICANOS”

  • joselito disse:

    Adoro os seus textos muito ricos e de forte teor jornalistico pouco visto em blogs.Mas um coisa eu digo. A Seleção hoje só pensa em fazer comercial das multi e empresas brasileiras, esperamos que um dia o verdadeiro futebol, passe a ser o objetivo daqueles que falam em patriotismo. Por isso estarei contra todos torcendo pela Africa do Sul, viva a Africa. berço da humanidade.

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