EMÍLIO GUSMÃO

Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 36 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.

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A ARTE NÃO MORREU

Por Tostão.

É injustificável uma Copa do Mundo ser jogada com uma bola que a maioria dos goleiros, defensores e atacantes, não gostam. Só os que têm contrato de publicidade com o fabricante elogiaram a bola. Seria como se um grande pianista tocasse em um dos grandes teatros do mundo com um piano que ele não gostasse.

Nos treinos em Johannesburgo, o Brasil se preparou para jogar contra a Coreia do Norte. A equipe marcou por pressão, o que raramente faz, e os reservas atuaram com duas linhas bastante recuadas de quatro jogadores, como jogam os coreanos. Hoje, contra a seleção do Zimbábue, o Brasil deve repetir a estratégia.

Se a seleção, em vez de viajar e fazer dois amistosos contra fraquíssimos adversários, repetisse os ótimos e intensos treinos que tem feito, seria melhor tecnicamente, os jogadores ficariam mais descansados e correriam menos riscos de contusões. Mas a rica CBF só pensa em faturar.

Ouço muito aqui em Johannesburgo que as seleções de 1994 e a atual são bastante parecidas. Não vejo dessa forma. As seleções se parecem apenas na presença de dois volantes marcadores. Gilberto Silva faz a mesma função de Mauro Silva, e Felipe Melo, a mesma de Dunga.

O estilo da seleção de 1994 era mais lento, de mais posse de bola e de mais troca de passes no meio-campo, esperando o momento certo para tentar a jogada decisiva. O estilo do time atual é mais de contra-ataques rápidos.

Não havia, em 1994, um meia de ligação como Kaká. Os meias Raí (depois Mazinho), pela direita, e Zinho, pela esquerda, atuavam pelos lados, formando dupla com os laterais. Na seleção brasileira atual, apenas Elano faz dupla com Maicon.

Não foi Dunga quem mudou a forma de jogar da seleção. Foram os técnicos, durante décadas. Com a globalização, o futebol brasileiro incorporou a forma de jogar dos europeus. Querem transformar o futebol em um jogo essencialmente pragmático e programado. Diminuíram muito os dribles e as trocas de passes.

Diminuiu a fantasia, mas o futebol arte não morreu. Quem tem talento joga bonito. É lindo ver um drible desconcertante de Robinho. O contra-ataque, como tem feito o Brasil, iniciando com as arrancadas de Kaká, também é bonito.

1 resposta para “A ARTE NÃO MORREU”

  • Mauro Varandas disse:

    O técnico de nossa Seleção é a reencarnação de três personagens bíblicos que faziam parte da historinha da Branca de Neve. Apelidaram-no de Dunga pela aparência com o menorzinho dos anões, mas ele recebeu também o espírito do Zangado e do Teimoso.
    Pra mim não houve surpresas na convocação, que não pode ser chamada de seleção. No meu parco entendimento, selecionar é fazer uma triagem de um universo de coisas e escolher o melhor. Não foi isso que aconteceu. Ele chamou gente que tem o mesmo futebol-anão que ele, sendo que alguns são remanescentes de 2002. Levar hoje para uma Copa jogadores que atuaram há 8 anos atrás, só se eles fossem craques fora-de-série. E não tem nenhum. O único jogador diferenciado que tem nesse grupo é o Kaká, que está fora de sua melhor forma, e, mesmo assim, é o repositório de esperanças de nossa torcida. Se, por um castigo dos deuses do futebol, ele sofrer alguma contusão, nosso time perde a única referência que tem atualmente, como equipe pentacampeã mundial e berço de craques famosos e inesquecíveis, principalmente nessa época que atravessamos, jejuna de jogadores brilhantes.
    Na sua insanidade retranqueira, ele tem medo de perder e por isso vai jogar retrancado, com um meio-de-campo opaco, de porradeiros que só desarmam cometendo faltas e erram a grande maioria dos passes na distribuição de jogo.
    Eu perguntaria ao Dunga o que ele perderia se levasse o Ganso (novamente os palmípedes estão em alta) no lugar de um Josué, de um Kleberson, de um Ramires ou de um Felipe Melo ou do Gilberto Silva,; de qualquer um deles. Esse rapaz, pra mim e pra duzentos milhões de torcedores, é o melhor jogador brasileiro na atualidade, jogando aqui ou fora do país. Formar um meio campo com o Ganso e com Kaká adiantado é o sonho de qualquer técnico mundial de futebol, menos do Dunga, que poderia transformar isso em realidade. Any way, continuo torcendo pela Seleção e sei que vamos sofrer muito, mas isso faz parte do jogo. O triste de tudo é perceber que vai ter gente ligada ao candomblé fazendo despacho para que alguém do meio campo que foi convocado sofra uma lesão e o nosso arrepiado treinador possa, com a ajuda do destino, levar o Ganso entre os 23, pois ele é quem mais merece estar lá.
    Como eu canso de dizer, opinião é como cu. Todo mundo tem um, mas só o nosso é o cheiroso. Neste caso, o cheiroso é o de Dunga, mas ninguém está aguentando o fedor. Só ele que já está acostumado.

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