EMÍLIO GUSMÃO

Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 36 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.

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CONY E JUCA KFOURI COMENTAM O ENTREVERO GLOBO X DUNGA

Textos do site da Carta Capital.

Primeiro, Juca Kfouri:

Pensei que nem seria necessário opinar sobre a nova bobagem de Dunga em entrevista coletiva.

Mas são muitos os pedidos.

Vamos lá, pois.

Não importa se o nome do jornalista da Globo é Escobar, Silva ou Galvão.

Nem se é de Globo.

Dunga quer o confronto com a imprensa. E ponto.

É direito dele, diga-se, maior e vacinado.

O que penso sobre Dunga é público e notório: tem um belíssimo trabalho à frente da Seleção Brasileira no que diz respeito aos resultados obtidos e está longe de pensar o futebol dos meus sonhos.

Como pessoa é tosco e menos corajoso –meses atrás foi mesquinho e covarde em relação a uma polêmica com o PVC ¯ do que se apresenta.

É, também, marcado indelevelmente pela injusta “Era Dunga”, porque foi um excelente volante, até menos faltoso do que quis fazer crer em seu melhor momento na coletiva de ontem.

E nós somos um país engraçado.

Um país que vê a Globo e adora falar mal da Globo. Faz parte.

Dunga sabe disso e um de seus méritos como técnico da Seleção tem sido o de não privilegiar ninguém: ele trata igualmente mal toda a imprensa, outro direito seu, professor de maus modos que é.

E é adepto do bateu, levou, como Fernando Collor.

Apenas precisaria refletir que tem um papel a cumprir, que há uma certa liturgia, estuprada ontem pelos seus palavrões.

E que é a exposição dos patrocinadores que permite pagar o salário que ele recebe, assim como todas as mordomias de que desfruta a Seleção.

Mas juro que é problema dele (e talvez da Fifa), não meu.

E se o presidente da CBF o teme, palmas para ele.

Parabenizo-o, ainda, por, quem sabe, fazer do jornalismo esportivo global algo mais crítico, menos CBF, menos entrenimento e mais jornalismo mesmo, porque, certamente, jornalismo não torce.

Nem distorce, é claro.

Ah, e continuo apostando que a Seleção do Dunga será campeã mundial aqui na África do Sul.”

Agora, Carlos Heitor Cony:

“Aprendi com os meus maiores que não se deve chutar cachorro atropelado. E, mesmo que não me tivessem ensinado regra tão elementar, acredito que por conta própria eu evitaria chutar não apenas os cachorros atropelados mas os caídos e vencidos na vida, pela simples e bastante razão de ser eu um deles.

No cenário público, incluindo a política, a administração, as finanças, as artes em geral e até o futebol, é comum alguém cair em desgraça, às vezes merecidamente, às vezes não. De repente, surge uma ordem, vinda não se sabe de onde, na base do “tasca, tasca!” – e todos se esbofam para tirar uma lasca do infeliz, acrescentar um cascudo ou um pontapé no demônio de plantão.

Invocam-se causas e pretextos dos mais nobres para o linchamento. Diga-se que há personalidades especializadas em provocar as cóleras moralistas, políticas, administrativas, estéticas e clubísticas. Querem fazer, injustamente, do técnico Dunga a ratazana contra a qual vale qualquer coisa. Mesmo vencendo como está vencendo, a mídia o trata como um judas em Sábado de Aleluia.

Lembro o Manduca, irmão da Eneida de Morais, cronista ilustre e locomotiva da vida literária nos anos 60. Manduca era do Pará, fez tantas e tão boas que foi obrigado a migrar. Passou anos no Rio e, um dia, apertado pela saudade de sua Belém natal, decidiu regressar à cidade onde passara a juventude. Acreditava que já tinham se esquecido de suas estripulias.

Quando saltou no aeroporto, comprou um jornal local. E lá estava a manchete na primeira página, em caixa alta: “Manduca volta para fazer das suas!”. Ele nem havia feito nada, nem das suas, nem dos outros. Tomou a decisão na hora. Comprou um bilhete e voltou para o Rio no mesmo avião.”

2 respostas para “CONY E JUCA KFOURI COMENTAM O ENTREVERO GLOBO X DUNGA”

  • gaucho chato……… como todo gaucho……

  • Marcelo disse:

    O Dunga me surpreende cada vez mais. É um grande Líder e pode ser comparado ao Bernardinho, senão melhor. São dois caras focados no que fazem e fazem para obter o melhor. A Globo se ofendeu e foi quem levantou a lebre, porque ninguém entendeu o que estava acontecendo, mas como querem tudo do jeito deles, agora querem colocar o povo e o restante da mídia contra a seleção. Só falaram a versão deles, mas o que eles provocaram a seleção, isto eles não falam. A Globo estava melhorando a moral, parecia estar ficando mais séria, mas está negativa novamente, e muito. DÁ-LHE DUNGA E SELEÇÃO, ESTOU COM VOCÊS, TORCENDO PARA QUE VENÇAMOS TODAS, INCLUSIVE OS CONCORRENTES INTERNOS. BOA SORTE PARA QUE ESTA PALHAÇADA NÃO ATRAPALHE VOCÊS. FOCO DENTRO DE CAMPO E DEIXA A GLOBO CAIR SOZINHA. AMANHÃ E SEMPRE, GLOBO NÃO!!!!!

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