EMÍLIO GUSMÃO

Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 36 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.

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COLUNA DO TOSTÃO: FORÇA DA TRADIÇÃO

Por Tostão.

Trouxe dois livros para reler, durante a Copa, nos intervalos entre um jogo e outro, um treino e outro, uma refeição e outra, uma conversa e outra e um devaneio e outro. Desassossego, de Fernando Pessoa, e Veneno Remédio, do ensaísta, músico, compositor, professor de literatura e amante do futebol, José Miguel Wisnik, um dos mais belos sobre este esporte.

Entre as oito seleções classificadas para as quartas-de-final, quatro são sul-americanas, um feito notável e inédito. As quatro podem ir à semifinal. A classificação dos quatro times sul-americanos diminuirá a euforia de parte da imprensa com o futebol europeu, especialmente o inglês.

Os estádios na Inglaterra são tão cheios e tão bons, os gramados tão perfeitos, e a organização das competições tão exemplar, que peladas entre times pequenos parecem grandes jogos.

A Itália caiu na fase inicial. Muitos disseram que tradição não ganha jogo. Não ganha, mas ajuda. Se a Itália não estivesse tão ruim, não sairia tão cedo.

Brasil e Holanda possuem o mesmo nível técnico, porém o Brasil leva a vantagem da tradição. Uma geração transmite à outra a gana e a obrigação de vencer. A responsabilidade e a pressão para ganhar levam a mais vitórias e a mais pressão. Forma-se um ciclo de conquistas.

Pressão, ansiedade e responsabilidade de ganhar estimulam a produção de substâncias químicas, que aumentam força física e concentração. A pessoa fica mais ligada. A maioria vai à luta. Quem prefere distanciamento e contemplação também está certo. Cada um escolhe o caminho.

Evidentemente, com o tempo, podem ocorrer lentas mudanças. Times que foram grandes podem se tornar pequenos, por cometerem seguidos erros.

Outras vezes, o hábito de vencer leva à soberba e à acomodação. É preciso perder para voltar a ganhar. O fracasso de 2006 é a chama que ilumina e incendeia o atual Brasil.

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