
Por Daniel Thame.
Há duas semanas, desde que os holandeses encerraram o sonho do hexa, o Brasil acompanha mesmerizado uma história que se fosse novela exigiria uma exagerada dose de imaginação de seu autor.
O provável assassinado, com requintes de perversidade, da jovem Elisa Samudio, colocou no olho do furacão o goleiro do time mais popular do Brasil, campeão brasileiro e candidato a uma milionária transferência para o Exterior e a um lugar na Seleção Brasileira que vai disputar a Copa do Mundo de 2014.
O destino, feito uma jabulani tresloucada, fez uma curva imponderável e Bruno saltou da glória à tragédia, do pódio iluminado a uma cela obscura.
A julgar pelo que a polícia apurou, mesmo que não tenha sido diretamente responsável, ele teve participação ativa na trama que resultou num crime que chocou o país.
Mãe de um filho de Bruno, fruto de uma aventura típica entre moçoilas disponíveis e jogadores famosos, Elisa estava exigindo o reconhecimento da paternidade e, obviamente, uma pensão generosa por conta dos gordos vencimentos do goleiro.
O restante da história, que parece longe do final, visto que o corpo não foi encontrado e os depoimentos pouco contribuem para definir o papel de cada peça nesse jogo macabro, todos já conhecem.
O que chama a atenção no “ocaso” Bruno é a repetição da clássica história do menino pobre que abre as portas da fortuna graças a seu talento para o futebol e não tem estrutura para conviver com a fama e o dinheiro.
Felizmente raras são as histórias com um final tão trágico, mas não são raros os casos de atletas que mantém laços com a criminalidade e menos ainda os casos em que, encerrada a carreira, torrado o dinheiro em farras, carrões e outros luxos, voltam para a miséria e o limbo.
Verdadeiros fantasmas arrastando as correntes de seu infortúnio.
Os clubes de futebol encaram os jogadores como mera mercadoria (o que, na prática eles não deixam de ser), sem se preocupar em prepará-los para essa transposição, às vezes rápida demais, entre a miséria absoluta e a opulência.
É humanamente impossível que um garoto sem escolaridade, que em pouco tempo troca a favela por um condomínio de luxo, o dinheiro contado por cifras siderais e a solidão por mulheres de sonho, não vá ter a cabeça virada. Sem contar os incontáveis “amigos” que gravitam em torno de sua fama e seu dinheiro.
Feito Macarrão, que parece ter enrolado de vez a vida de Bruno, ao livrar o amigo de um “problema indesejável”.
As desventuras de Bruno, irremediavelmente morto para o futebol, devem servir de alerta a milhões de meninos que, embalados pela magia de bola, dormem e acordam sonhando em ser jogador de futebol.
A fama, ainda que momentânea, cega.
E quando isso acontece…
Parece a mesma história , nem mesmo o maior escritor do mundo conseguiria escrever com os mesmo detalhes o assassinato de Elisa Samudio,com o assasinato de Dana de Teffé em 29 de junho de 1961, cuja autoria do assassinato foi o advogado Leopoldo Heitor.Testemunha o caseiro do sítio de Leopoldo Heitor.Leopoldo Heitor foi julgado a revelia e condenado a 35 anos de prisão, foi preso na fronteira do Uruguai.Leopoldo Heitor recorreu da sentença e conseguiu vitórias importantes:o direito de fazer sua própria defesa.Julgado em Rio Claro, fazendo sua própria defesa Leopoldo Heitor foi a julgamento popular em Rio Claro, onde era muito popular.Foi julgado três vezes, sempre em Rio Claro, foi absolvido em todas.
Quatro meses depois de julgado e absolvido, o corpo de Dana de Teffé, foi finalmente encontrado, mas o caso foi encerrado.
Leopoldo Heitor, ficou conhecido e famoso como o Advogado do Diabo!Leopoldo Heitor,exerceu à advocacia até o ano de 2001, quando finalmente teve um infarto e faleceu.
Kalif Rabelo
Há quem diga que a história se repete. O recente “caso Elisa Samúdio” vem sendo comparado ao remoto episódio de “Dana de Teffé”. Tudo, pelo sumiço do corpo!
Mas é interessante notar que, passados quase 50 anos, Dana de Teffé continua no imaginário nacional, resistindo ao tempo com sua trágica história: ora como que clamando pela solução do mistério de sua morte… “onde estão os ossos de Dana de Teffé?”; ora rematizando-se em novos debates, como aconteceu no programa Linha Direta (Rede Globo), em 2003, e no recente desaparecimento da modelo Elisa Samúdio.
Diante da capacidade incrível de atualização do crime de que foi vítima a condessa Dana Edita Fischerova de Teffé ( milionária Tcheca, de origem judia, creio que ainda teremos muito o que debater sobre esta intrigante história e, talvez, um dia, teremos revelado este grande mistério. Quem sabe????