EMÍLIO GUSMÃO

Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 36 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.

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UMA SOLUÇÃO PARA UM PROBLEMA INSOLÚVEL

Por Daniel Thame.

Que o município de Itabuna não reúne condições de gerir de forma satisfatória o Hospital de Base Luiz Eduardo Magalhães, é fato que pode ser facilmente constatado.

E isso independe do prefeito ser o Capitão Azevedo, Zé da Silva ou João das Botas. O problema é que o poder público municipal é absolutamente incapaz de administrar uma unidade médico-hospitalar que atende (ou deveria atender) pacientes de mais de 100 cidades e cuja demanda não para de aumentar.

Some-se a essa absoluta falta de capacidade de gestão, a incontrolável vocação que alguns dirigentes do hospital têm para desviar recursos que deveriam ser aplicados exclusivamente na saúde pública. Os recursos já não são suficientes e o quadro se agrava quando parte deles escorre pelo ralo insaciável da corrupção.

O processo de sucateamento do Hospital de Base atinge principalmente o cidadão mais humilde, aquele que não dispõe de planos de saúde e depende do SUS.

E são esses cidadãos que estão recebendo um tratamento desumano, ineficiente e que não raro ceifa vidas que poderiam ser preservadas caso o atendimento fosse correto.

O modelo de gestão do Hospital de Base está, inquestionavelmente, falido. É um sistema que não deu, não dá e não dará certo, mantidos os moldes atuais.

Daí que, é extremamente salutar que o poder público municipal e os diversos segmentos da sociedade civil organizada avaliem com zelo a proposta feita pelo Governo do Estado, que aceita assumir a gestão do Hospital de Base, promovendo a sua revitalização e oferecendo um atendimento digno à população.

E não se venha afirmar que a proposta traz embutida alguma conotação político-eleitoral, posto que ela já foi feita há dois anos, no meio do mandato do atual governador, e solenemente ignorada pela administração municipal.

O que há, sim, é a necessidade de estancar um problema que se agrava a cada dia. O que o Governo do Estado oferece é a possibilidade de transformar o Hospital de Base numa unidade médico-hospitalar que justifique o seu nome e não num monstrengo que nos momentos de maior movimentação se assemelha a um circo de horrores.

Não é preciso ir longe para constatar que a proposta é viável: o Hospital Regional de Ilhéus estava tão ou mais sucateado do que o Hospital de Base de Itabuna.

A partir de um novo modelo de gestão implantado em 2007 pela Secretaria de Saúde da Bahia, que inclui a melhoria da estrutura, ampliação e qualificação do quadro de pessoal e aquisição de novos equipamentos, tornou-se uma unidade de referência na região.

Havendo bom senso, está aí uma oferta que não deve ser desprezada, pelo menos por aqueles que têm compromisso com a saúde pública, o que, espera-se, seja o caso das autoridades municipais que ora nos governam.

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