EMÍLIO GUSMÃO

Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 36 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.

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CENTENÁRIO DO CORINTHIANS: MEMÓRIAS DE UM MENINO QUE DECALCAVA O ESCUDO DO “TIMÃO”

Atenção! Postagem Fixa. Atualizações abaixo.

Por Emílio Gusmão.

Nasci em São Paulo, mas moro em Ilhéus desde os seis anos de idade.

Quando cheguei nesta terra, em 1982, apesar de menino, percebi que pouquíssimos se interessavam pelo alvinegro do parque São Jorge. Os times do Rio de Janeiro já eram os de maior preferência.

As informações sobre o dia-a-dia do meu “TIME” eram escassas. Era outra cultura, pouco se falava no futebol paulista por aqui. Foi difícil me adaptar, pois em São Paulo, a pronúncia da palavra “TIMÃO” é tão frequente quanto “bom dia”, “Deus” ou “Nossa Senhora”.

O Globo Esporte Nacional trazia notícias e me deixava saudoso. O menino nem sempre interpretava corretamente, cada jogo decisivo representava a final de um campeonato. Ansioso diante das expectativas, eu me dedicava a uma tarefa complicada para quem  nunca teve habilidade com o desenho, decalcar o escudo do Timão, estampado em uma camisa surrada.

Com isso, mantive a minha paixão, o meu amor pelo Sport Club Corinthians Paulista, não me converti, não passei a gostar de nenhum clube do Rio, permaneci “colorido em preto e branco”.

Hoje é um dia de emoção, de felicidade, pois o meu time do peito, que tantas vezes me deu alegrias, e algumas me aborreceu, completa 100 anos.

O “Fiel Torcedor” não se abala diante das dificuldades, dos gols tomados, das derrotas sofridas. Indivíduos desse tipo foram multiplicados aos milhares, numa época de jejum, quando ficamos quase 23 anos sem títulos. Trata-se de um fenômeno carente de explicação, que necessita de estudos aprimorados. Talvez a ciência não tenha condições de minuciar. É provável que seja apenas fé!

Temos uma diferença fundamental diante dos outros. Fomos os primeiros a colocar o sofrimento como um fator de identidade, criamos o primeiro exemplo de amor incondicional a um clube de futebol. Nenhuma torcida é mais fiel, não há nada parecido, capaz de gritar o nome do clube, com exacerbada paixão, após uma derrota.

Quando morávamos em São Paulo, meu irmão, Corintiano como eu, porém, dez anos mais velho, costumava ver os jogos sem avisar pro nosso pai, um baiano vascaíno que também adotou o “Campeão dos Campeões”. A cada desobediência uma surra, mas, nem por isso ele deixou de ver dezenas de jogos.

Parabéns Corinthians! Aquele escudo tão original, com lemes, âncora, corda, a bandeira de São Paulo e outros detalhes difíceis de decalcar, a partir de uma camisa surrada, continua estampado nas diversas folhas de caderno, às vezes papel manteiga, que costumava pendurar na parede, acima da minha cama.

Viva o Centenário!


1 resposta para “CENTENÁRIO DO CORINTHIANS: MEMÓRIAS DE UM MENINO QUE DECALCAVA O ESCUDO DO “TIMÃO””

  • Diógenes Nunes disse:

    Bom dia,
    Gusmão você se preocupou tanto em postar uma matéria totalmente inadequada com seu blog que se esqueceu de atualiza-lo com matérias realmente importante… é uma pena! Tanto que sua ultima postagem foi na ontem ás 11:16, será que não aconteceu nada de mais interessante?

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