Por Maria Elena Pereira Johannpeter

Mas afinal o que é capital social? Esta pergunta foi a mais escutada na 6ª. Edição do Seminário Internacional Pare Pense, que trouxe ao debate o tema CAPITAL SOCIAL COMO BASE PARA A CONSTRUÇÃO DO CAPITAL ECONÔMICO no último dia 21 de maio. A expressão Capital Social vem sendo usada desde a década de 60. Ganhou força, em 1993, quando o pesquisador da Harvard, Robert Putnan, a definiu como: “(…) valores éticos dominantes em uma sociedade; sua capacidade associativa; o grau de confiança de seus cidadãos; e a consciência cívica.” Trata-se de algo tão profundo que pode mudar países, em suas áreas econômica, ambiental, social, política e cultural. A prática convicta observa três pontos: confiança, colaboração e cooperação. O Capital Social diz respeito ao “eu com o outro”. Expressa a minha atitude em relação ao outro.

O Banco Mundial, desde 1990, não só vem analisando seus projetos sob o enfoque de Capital Natural, Capital Financeiro, Capital Humano, mas também pelo Capital Social que expressa, basicamente, a capacidade de uma sociedade estabelecer laços de confiança interpessoal e redes de cooperação com vistas à produção de bens coletivos. Lester Salamon, pesquisador da Johns Hopkins University e palestrante do seminário, disse que se num país estivessem reunidos os 1 bilhão e 700 milhões de voluntários de sua pesquisa, este seria o segundo país do mundo, em população, mas se considerarmos a sua economia seria o sexto. Sinergia dentro desta visão é a energia que vem da confluência positiva de vários fatores, no caso governo, organizações formais e informais (sociedade civil) e mercado. Não se trata de substituir fraquezas ou irresponsabilidades de um ou de outro setor. Trata-se da cooperação entre eles que tem como principal alvo o bem-estar do indivíduo e o zelo pelo governo democrático e transparente. Portanto, o mais importante do Capital Social é que ele é a expressão do VALOR, comportamento que permeia e sustenta uma sociedade. Assim sendo, é mensurado por Indicadores qualitativos e não apenas quantitativos.


A plateia que lotava o espaço do Teatro Bourbon Country aplaudiu em pé a filósofa Terezinha Rios quando enquadrou, nos conceitos da Filosofia, a atitude de voluntariado. Ela citou Saramago: “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”. Chamou atenção para o olhar com cuidado, o olhar atento ao outro e ao cotidiano.
CAPITAL SOCIAL é essencialmente um VALOR humano e se solidifica através da solidariedade e pela interação promovida pelo convívio social de pessoas de atitudes construtivistas visando o bem comum, que tecem redes através das quais divulgam novas ideias e promovem a melhoria do desenvolvimento econômico através do social. Etimologicamente, fiar significa confiar, afiar. O oposto é desconfiar, desafiar, colocar em dúvida as possibilidades. O Seminário Pare Pense foi uma grande convocação para a solidariedade, uma convocação para quebrar atitudes individualistas. O voluntariado traz a possibilidade de convivência das pessoas. Propicia o reconhecimento da existência do outro, respeitando as diferenças sem desigualdade e, deste modo, promove a justiça e a solidariedade, levadas às mais nobres consequências.

Só porque temos ações solidárias é que queremos um mundo mais solidário. Só porque temos elementos de justiça no país, é que podemos querer um país mais justo. Olhamos, vemos e reparamos que não temos ainda o país que desejamos. Ainda não é a expressão da esperança, da utopia. Quando dizemos “ainda” é porque estamos considerando elementos de possibilidades.
Utopia é um sonho que se tem de olhos abertos. A possibilidade do mundo ideal está realmente no presente. A construção do futuro é no presente. É hoje que temos que construir o amanhã que queremos. Hoje, é o amanhã.

Maria Elena Pereira Johannpeter
Presidente (voluntária) da ONG Parceiros Voluntários