Imagem: Marcelo Silveira/Secom-Ilhéus.

Autoridades reunidas no lançamento do PCTSul. Imagem: Marcelo Silveira/Secom-Ilhéus.

A UESC sediou nessa sexta-feira (10) o lançamento do Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul). A iniciativa é fruto de uma parceria entre a UESC, a UFSB, a CEPLAC, o IFBA e o IF Baiano, que formam o Comitê de Instituições Públicas de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia.

Também apresentado no evento, o primeiro projeto do PCTSul é o Centro de Inovação do Cacau (CIC). Ele fornecerá suporte técnico e científico para o desenvolvimento da cadeia produtiva que vai da cabruca à produção do chocolate.

Na manhã deste sábado (11), o Blog do Gusmão conversou com o vice-prefeito e secretário de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável de Ilhéus, José Nazal (Rede Sustentabilidade), e o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Vivaldo Mendonça. Eles participaram do lançamento do PCTSul.

José Nazal.

José Nazal.

Segundo Nazal, o centro vai facilitar o acesso dos produtores de cacau e dos fabricantes de chocolate aos procedimentos técnicos e científicos de certificação da qualidade dos seus produtos. Isso os beneficiará diante da concorrência e de “mercados consumidores cada vez mais exigentes”.

Ele deu o exemplo da certificação de origem, que atesta a procedência do produto para o consumidor final. “Esse selo de qualidade agrega valor e garante um diferencial no preço”.

De acordo com o vice-prefeito, o município “vai participar atendendo as demandas apresentadas ao longo do desenvolvimento do projeto”.

Vivaldo Mendonça.

Vivaldo Mendonça.

O secretário Vivaldo Mendonça explicou que o PCTSul “servirá de referência para a interiorização da estratégia” de integração institucional.  O objetivo do governo baiano é “criar uma rede de parques tecnológicos” no estado.

O sul da Bahia saiu na frente, explicou Vivaldo, porque “o ambiente institucional já estava criado”. A rodovia entre Ilhéus e Itabuna é “a estrada do conhecimento e da inovação, com o seu histórico de integração institucional”.

A “estrada do conhecimento” tem tudo para se transformar no caminho do desenvolvimento sustentável da região cacaueira. Além das instituições de pesquisa e ensino, o sul da Bahia conserva um dos mais importantes patrimônios naturais do mundo, formado pelos remanescentes da Mata Atlântica. A cabruca mantém papel central na conservação da floresta. Nas palavras de Vivaldo Mendonça, “interessa à humanidade que o cacau continue sendo cultivado sob a sombra” da mata.

De acordo com o secretário, a conservação da mata “é um ativo que pode ser economicamente mensurado e remunerado”. Esse aspecto econômico tem relação direta com a capacidade de obtenção de crédito para investimentos na cadeia produtiva do cacau. “Fala-se que o setor tem uma dívida de um bilhão e meio. O patrimônio que a gente conserva reúne alguns bilhões de reais, pois o mundo tem valorizado essa agenda”.

Vivaldo acredita que a criação de um fundo de aval é uma alternativa viável para resgatar as linhas de crédito para o segmento. O Centro do Cacau, por sua vez, vai garantir o apoio técnico necessário para a região cacaueira superar o modelo que ele considera extrativista e se aprimorar no cultivo propriamente dito. Exemplo disso é a inserção experimental dos sistemas agroflorestais em harmonia com a cabruca. Enquanto falava com o blog por telefone, o secretário visitava áreas da Ceplac onde pesquisadores já desenvolvem esse tipo de experimento.