Nova logomarca do Blog do Gusmão, que completou 10 anos em agosto de 2017.

No último final de semanal, os nossos visitantes conheceram o novo layout do Blog do Gusmão. A mudança marcou os dez anos do veículo criado pelo comunicólogo Emílio Gusmão. O blog nasceu em agosto de 2007, quando Ilhéus vivia o auge da crise que, no mês seguinte, resultaria no impeachment do então prefeito Valderico Reis. A cobertura do episódio histórico contou com a produção de matérias escritas e em vídeo.

Naquele mesmo ano, o primeiro do ex-ministro Jaques Wagner no comando do Governo da Bahia, o blog participou de um almoço com o governador. Aquele convite já demonstrava a credibilidade do nosso trabalho no cenário baiano. Nos anos seguintes, o Blog do Gusmão se dedicou a cobrir os impactos apontados nos estudos socioambientais sobre o projeto do Complexo Porto Sul. A presença do governo estadual como um dos principais anunciantes do veículo não nos impediu de assumir posição contrária ao empreendimento, com coragem e independência editorial para discordar da maioria dos colegas da imprensa e das lideranças políticas que o defendem.

Mantemos a mesma perspectiva crítica sobre a construção do porto no litoral norte de Ilhéus. Continuamos a denunciar: esse projeto se baseia num modelo de desenvolvimento econômico que favorece a concentração de renda, com o enriquecimento de poucos, e trata o meio ambiente como simples fonte de recursos naturais e depósito de rejeitos.

Após a saída de Valderico do Palácio Paranaguá, a coragem e a independência editorial também conduziram o blog na cobertura dos atos dos governos Newton Lima e Jabes Ribeiro. A postura independente não nos afastou da ética jornalística. Ao longo desses dez anos, as pessoas citadas no blog, autoridades públicas ou não, tiveram a oportunidade de se manifestar e exercer o direito de resposta. Sempre buscamos ouvir todos os lados envolvidos nos conflitos que cobrimos.

Nessa década, cometemos erros. Eles, no entanto, ocorreram em número muito menor do que os acertos. Apesar dos equívocos, nos orgulhamos por saber que as intervenções corretas beneficiaram a população de Ilhéus, cidade onde atuamos de forma mais próxima. Não há exagero em dizer que temos bons serviços prestados à comunidade, o que reflete o compromisso social do nosso trabalho. Foram muitos os casos em que intercedemos por pessoas que precisavam realizar cirurgias e foram auxiliadas pela repercussão das matérias do blog. De forma geral, esse tipo de visibilidade mobiliza os gestores públicos a agilizarem a solução de problemas.

Nos esforçamos também para não cair na tentação de buscar “cliques” e “acessos” com a publicação de imagens apelativas e degradantes, como as que mostram corpos de vítimas da violência ou do trânsito. Esse tipo de decisão contraria a lógica do mercado das notícias, mas é a única maneira de não violentar a memória das pessoas que perdem suas vidas de forma trágica.

A luta do povo tupinambá da Mata Atlântica do Sul da Bahia é mais uma pauta que contraria as regras do mercado, mas, sempre teve espaço neste blog. Reconhecemos a existência desse povo originário e defendemos o seu direito ao território reconhecido pela Fundação Nacional dos Índios (FUNAI), dentro de um projeto de harmonização dos conflitos e de compensação dos proprietários que obtiveram suas terras em negócios legais e de boa-fé.

Outra característica do blog é a iniciação de estudantes no jornalismo por meio do estágio supervisionado. A passagem por nossa redação abriu o mercado regional para muitos estagiários. A experiência Blog do Gusmão certamente foi importante para o início da vida profissional desses jovens. Na grande maioria dos casos, isso muito nos orgulha.

Também criamos vínculos com os nossos visitantes, laços fundamentais para a conexão do blog com as diversas realidades que compõem a nossa região. Mesmo de longe, eles participam ativamente do cotidiano da redação, numa verdadeira cultura colaborativa. Aprendemos a importância dessa colaboração com o saudoso jornalista Roberto Rabat, pioneiro do webjornalismo regional. O mestre do site R2CPress abria o seu veículo para a participação ativa dos leitores. Sob a inspiração de Roberto Rabat, encaramos o desafio de criar uma linguagem própria, desenvolvendo o nosso estilo.

Além da memória do mestre, exaltamos a importância dos articulistas que já colaboraram ou colaboram de modo frequente com o blog, como: o cronista Mohammed Jamal, o ex-vice-prefeito José Henrique Abobreira, o jornalista Marcos Penna e os professores Otávio Filho, Caio Pinheiro, Elisabeth Zorgetz e Sérgio Ricardo Ribeiro Lima. Todos eles sempre tiveram liberdade para se manifestar e enriquecer este espaço democrático.