Praça São João Batista.

Por José Rezende Mendonça.

Nossos Carnavais de bairros, a hora é esta, para serem resgatados. Estes sim, sempre fizeram a diferença de um povo acolhedor.

Os nossos Carnavais, da década de 50 e 60 eram independentes. Os Blocos, Cordões e Afoxés tinham por obrigação desfilarem aqui no domingo e na terça-feira, ficando só a segunda de carnaval para uma apresentação em Ilhéus (Centro).

Dentre os Blocos e Cordões, “Os Bambas do Salgueiro” de Dona América, era o que mais chamava a atenção, pela riqueza das fantasias e organização, mas a criançada ficava mesmo na expectativa, na hora do desfile pelas ruas do bairro, era pelo afoxé de Cabo Jonas, que popularmente chamávamos de “Os Pauzinhos”, em razão do bailado, que era ritmado com pedaços de paus, uma verdadeira acrobacia.

Por tradição, no sábado, a partir da meia-noite, o “Zé Pereira” percorria as ruas do Pontal para anunciar que o Carnaval estava começando, e a população abria suas portas para acompanhar o Bloco, pelo menos por uma quadra. Outros blocos que, aqui desfilavam: “Quebra-Quebra Guabiraba”, “Maria Vai Com As Outras”, DIVA etc.

Aqui também desfilavam, os homens da cabeça grande (tipo os bonecos de Recife), os “Mandus”, que era uma pessoa com uma peneira gigante na cabeça coberta por um lençol branco que descia até a cintura, dando um feche final com um pau atravessado, como se fosse às mãos do fantasiado. Era o terror da criançada.

No final da década de 40, a juventude do Pontal desfrutava de um espaço para suas festas dançantes e apresentações dos cantores e artistas da época, numa casa residencial localizada no mesmo local que mais tarde viria a ser a sede do clube, e era uma opção dos bailes a fantasias, que começavam com seus “grito de carnaval”, no sábado que perdurava até a terça-feira gorda de Carnaval (termos da época).

Carnaval de Bairro de Ilhéus.

O Clube do Pontal passa a figurar como um dos melhores de Ilhéus. O clube toma outra dimensão, chegando a trazer diversas apresentações de artistas que estavam no auge nos anos 60. Dentre eles: Raulzito (Raúl Seixas) e suas Panteras, Jerry Adriane, Wanderlei Cardoso, Paulo Sérgio, Renato e seus Blue Caps, Altemar Dutra, conjunto Alegria Espanhola, Virginia Lane e suas Vedetes, etc.

Hoje, o clube está entregue as traças, dependendo mais uma vez de um líder para soerguê-lo, pois inclusive os 16 (dezesseis) e únicos sócios remidos/proprietários, já assinaram um documento, colocando o espaço a disposição do serviço público municipal. Que na campanha, assumiu o compromisso de tornar aquele espaço útil para o bairro. Mas, até agora ficou no papel.

Tínhamos também, nosso folclore como: O Bumba-meu-boi, O Boi-Estrela, comandado por Beleléu, e outro pelo senhor Hermes, a Bandinha de Reis com suas flautas (conhecida como “Os Zabumbas”). Estes eventos ocorriam no dia 6 de Janeiro – Dia de Reis, e o Terno das Flores, que desfilava no mês de setembro juntamente com a Rainha da Primavera.

Foi preciso, para que nossa praça fosse revitalizada, contar com a experiência diplomática, do nosso amigo e colega de ginásio, José Henrique Abobreira, e eu, através do Pontal Criativo. Por um bom tempo, o Zé Pereira, andou meio esquecido, mas, graças a família Carnebó, o Jorginho Bar, seu Clério e outros, o Zé Pereira, dá a volta por cima, e ressurge das cinzas.

Venda de bebidas em local público requalificado.

Acontece que, a cada ano, vem perdendo sua originalidade, devido a corrida econômica.

Para deixar bem claro, não somos contra o Zé Pereira atual, mas que, seja com responsabilidade, com respeito às leis, pois quem está se tornando vítima é a Praça São João Batista, que foi requalificada, numa parceria, pública/privada, em 2015 e voltou aos tempos de outrora.

Hoje, já precisando de uma conservação/recuperação, com custo quase zero, para a prefeitura, mas o atual prefeito, diz não ter verbas. O que se viu ontem, foi uma praça invadida, com vendas de bebidas alcoólicas, quando é proibido por lei, a comercialização destes produtos em todos espaços públicos requalificados.

Fica a pergunta: estas barracas foram autorizadas, e por quem? Quem assim o fez, talvez não saiba desta lei. Se não foram, fica realmente, a nossa única praça, ao bem prazer de quem quer que seja, tornando-se uma bagunça generalizada.

As fotos por si só, dirão a realidade.

José Rezende Mendonça é técnico aposentado da CEPLAC e memorialista.