Ronaldo Santana. Imagem: TV Santa Cruz.

Na tarde de ontem (16), em julgamento realizado no Fórum Desembargador Mário Albiani, no município de Eunápolis, o Tribunal do Júri absolveu os quatros acusados de encomendar o assassinato do radialista Ronaldo Santana.

Realizado no dia 9 de outubro de 1997, perto da Feira do Bueiro, o homicídio teve as características de uma execução. Ronaldo caminhava para ir à emissora onde trabalhava, a Rádio Jornal de Eunápolis, quando dois homens se aproximaram numa moto e o mataram a tiros. O filho do radialista presenciou o crime.

Na época do crime, Ronaldo Santana mantinha ponto de vista crítico sobre a gestão da política municipal.

Em 2002, o júri popular condenou o ex-policial militar Paulo Sérgio Mendes Lima a dezenove anos de prisão pelo assassinato de Ronaldo. Paulo Sérgio disse à Justiça que cometeu o crime a mando do ex-prefeito de Eunápolis, Paulo Dapé, um dos réus absolvidos ontem.

Segundo a acusação do Ministério Público do Estado da Bahia, os outros três réus, o atual vereador Batista de Oliveira,  o bancário aposentado Antônio Oliveira dos Santos e a religiosa Maria José Ferreira Souza (Sindoia), intermediaram a contratação do pistoleiro que matou Ronaldo. 

Para a maioria do júri, o Ministério Público não conseguiu provar o envolvimento dos quatros réus no assassinato.

Por sua vez, os promotores de Justiça Ariomar da Silva e Luiz Ferreira Neto, responsáveis pela acusação, vão recorrer ao Tribunal de Justiça do Estado da Bahia contra a decisão do júri popular. O Ministério Público entende que a participação dos acusados foi provada.

Antes de se mudar para Eunápolis, Ronaldo Santana trabalhou por mais de dez anos numa emissora de Ilhéus, a Rádio Santa Cruz AM. Em 2010, o radialista Elias Reis escreveu artigo sobre a morte do colega. Na época, lembrou que o crime foi parecido com o assassinato do jornalista Manoel Leal, ocorrido em janeiro de 1998, em Itabuna – veja aqui.