No dia 20 de março de 2018, o prefeito Mário Alexandre (PSD) nomeou a senhora Sandra Pimentel da Silva num cargo comissionado da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável (SEPLANDES). Desde então, ela é a chefe do setor de unidades de conservação e coleta de resíduos sólidos.

No dia 30 de abril deste ano, o comunicólogo Emílio Gusmão deixou a Superintendência do Meio Ambiente, órgão vinculado à SEPLANDES. Segundo o ex-superintendente, entre a data da nomeação de Sandra e o dia em que ele deixou o cargo, a funcionária “fantasma” não apareceu no local de trabalho. Apesar disso, Pimentel recebeu o salário correspondente ao mês de abril e aos dez dias de março em que ela já estava nomeada: R$ 3.416,66 (valor bruto).

Gusmão explica que, como chefe direto de Sandra, ele deveria ter assinado a folha de ponto dela, mas, “em nenhum momento a nomeada apareceu para trabalhar, por isso não existe folha de ponto assinada por ela e chancelada por mim”.

Segundo Emílio, a nomeação de Sandra foi um dos motivos que o levaram a deixar a Superintendência de Meio Ambiente. O caso remonta ao início do governo atual, quando ele e o vice-prefeito José Nazal pediram que o prefeito Mário Alexandre (PSD) criasse dois cargos na Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável (SEPLANDES).

“O primeiro seria o de gestor das unidades de conservação, já que Ilhéus tem três: o Parque Municipal da Boa Esperança, o Parque Marinho de Ilhéus e uma Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE), localizada no litoral norte do município”, conta Emílio.

O segundo cargo seria para o trabalho exclusivo com a coleta seletiva de resíduos sólidos. “O objetivo era iniciar a coleta seletiva pelos prédios públicos do município e apoiar as cooperativas de catadores, a exemplo da Coolimpa. Essa pessoa também cuidaria do incentivo e da organização dos PEVs (Pontos de Entrega Voluntária de Materiais Recicláveis)”, explica Gusmão.

Em 2017, conforme Gusmão, numa reforma administrativa, o prefeito alterou o texto que criaria os dois cargos e uniu ambos num só cargo.

Ainda segundo Emílio Gusmão, ele e o vice-prefeito pediram o desmembramento do cargo em dois, pois “seria humanamente impossível apenas uma pessoa lidar com atividades tão laboriosas, envolvendo três unidades de conservação e a coleta seletiva”.

Em abril desde ano, Mário Alexandre concordou com a divisão. No entanto, “para a nossa surpresa, o prefeito já havia nomeado a senhora Sandra Pimentel da Silva para o cargo em questão“, lembra Gusmão.

De acordo com o ex-superintendente de Meio Ambiente, Sandra foi indicada pelo vereador Paulo Carqueija (PSD).

“Além disso”, continua Emílio Gusmão, “nomear uma pessoa para não trabalhar subverte valores e princípios básicos da administração pública”.

“Esse é um dos exemplos da falta de compromisso do governo com a sustentabilidade, porque revela desinteresse pelas políticas ambientais do município”, declara Gusmão. “Vale lembrar que a coleta seletiva é um assunto importantíssimo para Ilhéus. Nós temos o problema sério do Aterro Sanitário do Itariri, que não é mais um aterro: é um lixão no final da vida útil, conforme relatório de fiscais ambientais do município”.

Gusmão afirma que a lagoa de decantação do aterro não funciona mais. “O lixão tem problemas ambientais gravíssimos”. Na semana passada, segundo ele, o aterro quase foi fechado porque a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (CONDER) não pagou a empresa Montanha, que faz a manutenção da área, removendo os montes de lixo.