Por Mohammad Jamal.

Com sua licença! Por favor. Dirijo-me inicialmente àqueles que, ociosos, movidos pela curiosidade, dão-se ao trabalho de ler-me aqui e neste blog. Aqueles que já conhecem a estilística dos meus artigos sabem do onipresente sentido da dúvida com que, precavidamente, me resguardo dos conceitos impositivos e diagnósticos irrecorríveis comuns aos sábios “sociólogos” do nosso cotidiano existencial. Por isso, recorro ao célebre – que não é da TV. – filósofo Sócrates que, humilde, declarou irrestritamente: “Só sei que nada sei, e o fato de saber isso, me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa.”. Continuo aprendo e me surpreendendo com as coisas inimagináveis que me vem ao conhecimento, mas fugindo como dizem os cristãos “como o diabo, da cruz”, das adaptabilidades requeridas.

“A catraca do buzu tá travada pra nóis!”. Numa encruzilhada de três vertentes, duas já foram fechadas ao cidadão brasileiro. Já não podemos optar; perdemos o sagrado direito de escolher, estamos índios para a cidadania. Alguém toca o berrante lá no Planalto Central e, toda a manada do proletariado muge afirmativamente. Somos os bois de tração que aram, gradeiam e carregam o país às costas, para o gáudio exclusivo das “nossas lideranças” ou políticos que “pecuarisam” (desculpem o neologismo) o proletariado nos currais eleitorais com clientelismo oportunista barato.

Reflexologia das massas na betoneira do filosofismo. Diante das diversas vertentes que apontam no sentido de que toda ação ou reação políticosociológica advêm da psique e reflexologia das massas; bate aquela humildade socrática, aí me pego muitas vezes mergulhado por dias em textos, teorias e estudos de pensadores famosos assertivos, portanto, difíceis senão impossíveis de se contraditar.  Às vezes vou até textos mitológicos e às tragédias gregas como Édipo Rei (Sófocles); Electra (Eurípedes), Ésquilo, que foram os dramaturgos de maior importância àquela época, em busca das razões da razão coletiva. Aristóteles concluiu que a vida é o teatro do realismo existencial, a cada cena uma surpresa nos impacta.  Ele concluiu sabiamente, que o espetáculo trágico para se realizar como obra de arte deveria sempre provocar a “Katarsis”, a catarse, isto é, a purgação das emoções dos espectadores. Forçar um reencontro entre a realidade íntima mais oculta com a existencialidade cotidiana e, forçar a harmonização entre as suas gritantes diferenças quase irreconciliáveis. Recorri também aos poemas de Homero e até aos textos bíblicos em busca de respostas para essa tragédia que se abate persistente sobre o proletariado.

Camelo não sobe escadas, mas trepa. Estudei o conjunto das principais obras de Durkheim. Eles forneceram elementos decisivos para a constituição da Sociologia como ciência e para compreensão da vida social na tradição estabelecida de pesquisas concretas. Nesse contexto, “Comte inventou o termo sociologia, mas, antes é Durkheim quem deve ser considerado o pai da sociologia positivista, enquanto disciplina científica” (Löwy, 1994, p. 26). Ele próprio reconhece sua filiação aos princípios metodológicos preconizados por Comte, na tentativa de descobrir as leis naturais que regem as sociedades e de se utilizar dos mesmos métodos das ciências exatas. Suas obras constituem uma herança para os cientistas sociais aprofundarem, criticarem e repensarem a explicação dos fenômenos sociais.

Ronaldinho, Kracolandia, Brasília… Nos fenômenos sociais, a massa se destaca por ser extraordinariamente influenciável e crédula logo, sendo desprovida de crítica, é susceptível aos apelos e maneirismos do marketing político. “Para ela o improvável não existe. A massa pensa por imagens que se evocam associativamente umas às outras, tal como o que ocorre ao indivíduo nos estados do livre fantasiar, e nenhuma instância razoável afere a sua correspondência com a realidade.” (Freud). Os anelos e sentimentos da massa são sempre muito simples e muito exagerados. A massa desconhece tanto a dúvida quanto a incerteza.  Ela vai logo aos extremos: a suspeita manifestada logo se transmuta para o ódio selvagem. Por isso, quem age sobre a massa não necessita nenhuma ponderação lógica em seus argumentos; tem somente de pintar as imagens com cores fortes e repetir sempre as mesmas coisas. Isso se constata em fatos conclusos quando revemos o primeiro mandato do petista Lula, sua subsequente reeleição coroada pelos dois mandatos sucessivos sob o mesmo formato que modelou impassível a gestão política do PT.

Com o Braz por tesoureiro? O país chafurda na corrupção institucionalizada; as instituições e o capital estatal são assaltadas descontroladamente. O país sofre bilhões de dólares de prejuízos e desmoraliza-se diante dos brasileiros tanto quanto internacionalmente, desacreditado como país muito duvidoso, politicamente ambíguo e inseguro para investimentos de capitais estrangeiros a médio e longo prazos.

E as questões sociais se agravam e se amontoam em estado crítico, insolúveis. Falta dinheiro para investimentos em saúde; educação; saneamento básico; segurança pública; infraestrutura para geração de energia; abastecimento d’água; políticas públicas; justiça; sistema carcerário; assistência social; reestruturação e recuperação de toda a rede de hospitais públicos; disponibilidade de medicação de uso contínuo; geração de emprego; melhoria da renda familiar; reposição das perdas dos aposentados; inflação medianamente controlada mas em contínuas ascensão, combustíveis e alimentos básicos em desenfreada alta de preços; nenhuma transparência na gestão do bem público; etc. etc. tudo isso refletindo como um enorme fardo a pesar sobre as costas dos brasileiros em cujos cérebros e consciências cidadãs, políticos mitomaníacos em discursos programáticos e suas campanhas milionárias plantam miríades de sonhos e um jardim do Éden de esperanças de um futuro melhor para nossas famílias.

Estupros e assaltos, na tora. Deu no que estamos assistindo estarrecidos e decepcionados: “lideres políticos”; “representantes do povo”; Servidores públicos; empreiteiras e grandes construtoras; executivos famosos e grandes empresários; a quase totalidade dos partidos políticos e gestores públicos assaltando Estatais brasileiras, a exemplo da Petrobrás, sob as vistas condescendentes de incompetentes indicados para cargos importantes em que se faz necessária experiência e grande conhecimento administrativo específico. Aí entra a política e seus vícios, seu corporativismo continuísta, seu critério convenia seus interesses; cordões às pontas dos dedos manipulam marionetes em performances arriscadas sob os panos de uma transparência densamente opacificada aos olhos dos contribuintes. Esse contraponto de extremos antagônicos faz do povo uma nação de carentes e abandonados deserdados da cidadania plena; estratificados no contesto político-eleitoral por classes de consumo, somos cidadãos de segunda e terceiras categorias a que assiste o foro comum sem margem às imunidades que privilegiam e assistem nossos “representantes”.  Mas do outro lado, pasmem, essas “prerrogativas” fazem bilionários em um só mandato os seres altruístas dispostos a sacrificar-se a troco de nada pelo bem do “polvo”!

Septicemia generalizada e resistência antibiótica.  Recorremos à biologia da bactéria para ilustrar o aumento aritmético desenfreado das colônias políticas que assolam o país. A bipartição ou cissiparidade: Nesse processo a célula bacteriana duplica seu cromossomo e se divide ao meio apoiada no mesossomo, originando duas novas bactérias idênticas à original.  Daí, de uma para duas, duas para quatro, quatro para oito, oito para dezesseis e por aí vai, aritmeticamente. E ainda temos um fato a considerar: muitas cepas de bactérias do Norte, Nordeste, Sudeste, etc. do país estão já resistentes aos mais avançados antibióticos judiciários por força do foro privilegiado, das imunidades adquiridas; e vão por aí infectando o já metastado e combalido tecido do Estado: o tecido financeiro. Viram o porquê da proliferação de políticos virulentos no país? Pois é, políticos velhuscos, recurvados por dezenas de mandatos às costas, costumam colocar filhos, netos, cunhadas, genros e amantes de ambos os sexos para darem continuidade aos seus projetos políticos, ou seriam negócios políticos? Perpetuar seus genes por dinastias sem fim é a meta e o cume de cada um! Só o cume interessa a eles. É importante gostar de política, porque somente aqueles que gostam se dão bem! De resto, mergulhe de corpo e alma no conhecimento do inconsciente coletivo; isso ajuda muito; se político, pode fazê-lo economizar custos de campanha dispensando o concurso de um caro marqueteiro de grife! Se eleitor, encare como dieta restritiva saudável prescrita por um doutor do SUS, o Dr. Orçamento. Relaxe e goze. Que tiro foi esse?…

Mohammad Jamal é colunista do Blog do Gusmão.