WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia

secom sao joao bahia hospital sao jose


impacto cred

transporte ilegal
junho 2017
D S T Q Q S S
« mai    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930  

:: ‘Artigos’

BAIXA COMPLEXIDADE ECONÔMICA PREJUDICA O DESENVOLVIMENTO DE ILHÉUS

Professor Sérgio Ricardo Ribeiro Lima.

Professor Sérgio Ricardo Ribeiro Lima.

A conclusão é do professor Sérgio Ricardo Ribeiro Lima, membro do Departamento de Economia da UESC. Colaborador eventual do Blog do Gusmão, Sérgio oferece aos nossos visitantes uma análise de fôlego sobre dois setores econômicos de Ilhéus: a produção dos derivados do cacau e as atividades do polo de informática.

A análise considera esses dois setores e o seu nível de complexidade como parâmetros para a avaliação do desenvolvimento de Ilhéus. O estudo se concentra no intervalo entre 2000 e 2016.

Ao justificar a escolha das atividades analisadas, o professor explica que, do ponto de vista da produção, os dois setores são os mais dinâmicos da economia ilheense.

Para demonstrar o percurso da sua pesquisa, Sérgio apresenta uma série de imagens e de tabelas. Elas facilitam a compreensão do texto e, ao mesmo tempo, dão consistência aos argumentos do economista.

O estudo conclui que Ilhéus tem um índice de complexidade econômica negativo. Considerando os impactos negativos dessa realidade sobre a geração de empregos qualificados e a consequente valorização do trabalho, Sérgio Ricardo avalia que, no início deste século, o município não tem vivenciado “um processo de desenvolvimento econômico que possa inserir econômica e socialmente o conjunto da sociedade num padrão digno de bem-estar e de vida.”

Leia o resumo do próprio autor.

Complexidade Econômica e desenvolvimento econômico em Ilhéus: uma análise sobre as atividades de cacau-derivados e o “polo de informática”, 2000-2016[1]

Por Sérgio Ricardo Ribeiro Lima[2]

O estudo e a pesquisa que apresentaremos aqui tiveram como base a teoria da complexidade econômica. Essa teoria é fundamentalmente baseada na pauta de exportações dos países, estados ou municípios. O objetivo desse estudo é analisar o desenvolvimento econômico de Ilhéus, no período 2000-2016, sob a óptica da complexidade econômica. Em adendo a esta perspectiva, trouxemos dados sobre empresas, renda e emprego nas atividades de cacau-derivados e de informática-eletro-eletrônicos[2]. Nos detivemos nessas duas atividades por serem, do ponto de vista da produção, as mais dinâmicas.

A Teoria da Complexidade Econômica (TCE), ou simplesmente, Complexidade Econômica é caracterizada fundamentalmente, para efeito de mensuração, por dois conceitos: ubiquidade e diversidade.

Os produtos não-ubíquos, ou raros, são aqueles bens de alto conteúdo tecnológico e muito escassos, que poucos países têm capacidade de produzir. Um dos grandes requisitos para sua produção é o alto investimento de capital.

A diversidade, por sua vez, diz respeito à capacidade que um município, estado ou país tem de diversificar sua pauta de produção e de exportação. Portanto, quanto mais diversificada essa pauta, mais complexa é a economia e, sendo assim, mais desenvolvida é uma sociedade. Quanto mais complexa, mais rica; quanto menos complexa, mais pobre.

“Os países hoje considerados ricos são aqueles que desenvolveram muito os setores de serviços sofisticados e as manufaturas. Os países pobres são aqueles que basicamente produzem commodities para exportação e tem um setor de serviços de baixíssima qualidade (GALA, 2017, 42-43)”.

A complexidade econômica envolve quatro possibilidades. Mas isso não quer dizer que a análise teórica que vamos fazer sobre os mapas (treemaps) tenham que se encaixar exatamente nos quatro aspectos abaixo, pois há outros fenômenos econômicos – de natureza qualitativa e de juízos de valor – que não entram na explicação. Inclusive há de se fazer uma ressalva que uma economia pode ter uma base produtiva diversificada, mas com uma pauta exportadora não-diversificada. Isso quer dizer que esta economia tem sua base produtiva voltada primordialmente para o atendimento do mercado interno.

  1. a) bens não-ubíquos com pauta exportadora não-diversificada: embora uma economia tenha uma pauta exportadora limitada, mas, desde que produza e exporte bens escassos e de alto conteúdo tecnológico em relação aos demais países, a mesma tem alta complexidade.

  2. b) bens não-ubíquos com pauta exportadora diversificada: essa é a situação ideal; uma economia cuja estrutura econômica é caracterizada por bens escassos e de alta tecnologia e, ao mesmo tempo, diversificada, esse é o que caracteriza uma sociedade desenvolvida economicamente.

  3. c) bens ubíquos com pauta exportadora diversificada: uma economia mesmo não tendo (ou que tenha baixo nível de) produção de bens escassos e de alto conteúdo tecnológico (não-ubíquos), mas que tenha uma pauta diversificada, é considerada de complexidade mediana.

  4. d) bens ubíquos com pauta exportadora não-diversificada: essa situação é característica de uma economia de baixa complexidade econômica, portanto, relativamente com baixa renda per capita e baixo nível de desenvolvimento econômico.

Mas a complexidade econômica é estatisticamente mensurada através do Índice de Complexidade Econômica (ECI) para cada país, região, estado ou município.

:: LEIA MAIS »

“AGRO É POP”: PROPAGANDA DA GLOBO SOBRE CANA TEM IMAGENS DE ESCRAVOS

Gravura de Hercules Florence (1804-1879).

Gravura de Hercules Florence (1804-1879) usada na campanha da Globo.

Por Alceu Castilho/Outras palavras

“Um Engenho de Açúcar” (1816), por Henry Koster. (Imagem: Reprodução)

“Um Engenho de Açúcar” (1816), por Henry Koster. (Imagem: Reprodução)

– Cana é agro. Desde o Brasil colonial a cana ajuda a movimentar a nossa economia. Hoje em dia a cana gera um dos maiores faturamentos do campo: R$ 52 bilhões.

Assim começa a propaganda da Globo sobre a cana-de-açúcar. A peça exibida em horário nobre, em rede nacional, tem 1 minuto. E se encerra com o bordão da série patrocinada pela própria emissora, em defesa do agronegócio: “Agro é tech. Agro é pop. Agro é tudo“. O patrocínio específico é da Seara – marca do grupo JBS – e da Ford, com a marca Ford Ranger.

As imagens que ilustram a “movimentação da economia” mostram escravos. São gravuras sobre engenhos, ambas do século XIX.

A primeira é uma gravura do pintor Henry Koster (1793-1820), filho de ingleses. A rigor, Henrique da Costa, português, senhor de engenho e exportador de café. Foi publicada em 1816 no livro Travels in Brazil, ou “Viagens ao Brasil”, sob o título A Sugar Mill – Um Engenho de Açúcar. Koster chegou ao Brasil em 1812, comprou escravos em Pernambuco e se estabeleceu como fazendeiro. Seu pai, John Theodore Koster, comercializava açúcar. Henry Koster é autor do livro “Como melhorar a escravidão”, também de 1816. Em artigos sobre a obra, a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha mostrou que o direito à alforria e ao peculium (usufruto de uma propriedade), reportados por Koster, só foi registrado em leis escritas em 1871. E esse direito, diz ela, “foi a origem do mito da escravidão branda no Brasil”.

:: LEIA MAIS »

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE TEMER

israel klabinPor Israel Klabin/publicado hoje (12) na Folha de S. Paulo

Permita-me Vossa Excelência juntar minha voz à de milhões de brasileiros que estão alarmados com os perigos que ameaçam a nossa espécie, oriundos da degradação ambiental e do aquecimento global. Há 25 anos, o tema ganhou forma de políticas mundiais, quando o Brasil hospedou a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Eco 92.

Desde então, o senso de urgência aumentou, bem como as propostas de soluções. O Brasil tem tido papel central nesse processo, inclusive no recente Acordo de Paris.

O protagonismo brasileiro não é casual. O país possui um ativo ambiental único no planeta: seus ecossistemas e sua biodiversidade. Além disso, é um dos maiores produtores de alimento e detentor de avançadas tecnologias agropastoris e florestais.

Nossa cobertura vegetal é um escudo não apenas quanto aos efeitos de mudanças climáticas, mas também como resguardo de água, fauna e tradições culturais.

Neste momento, o ceticismo daqueles que negam as evidências científicas vem acompanhado de um aumento na irracionalidade e cegueira das decisões políticas.

:: LEIA MAIS »

O DOGMA COMO PRISÃO DA IDOLATRIA

Os ex-presidentes Lula e Dilma no congresso do PT. Imagem: G1.

Os ex-presidentes Lula e Dilma no congresso do PT. Imagem: G1.

Por Thiago Dias

Um dogma vigora até a ruptura da convenção sobre a qual se sustenta. Isso os dogmas têm em comum com os ídolos. Ambos duram tanto quanto o sistema de valores e crenças que os mantêm. Dogmas e ídolos compartilham outra característica. Devem ser incontestáveis, porque a contestação ameaça as convenções.

Dogmática e idolatria se misturam na política. A depender das circunstâncias, podem ser motores da mobilização popular. Na maioria das vezes, servem para deixar as coisas como estão.

Tomemos o exemplo do Partido dos Trabalhadores. Justifico a escolha: parte significativa da esquerda brasileira vê no ex-presidente Lula a única figura capaz de conter o avanço de nomes como o do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) na corrida presidencial. Eis um dogma diante do ídolo.

:: LEIA MAIS »

ENTRE A DESREGULAMENTAÇÃO E O ARBÍTRIO: COMO FICARÁ O BRASIL NO CURTO, MÉDIO E LONGO PRAZO?

Caio-Pinheiro Por Caio Pinheiro Oliveira

Não restam dúvidas acerca da inabilidade moral do presidente Michel Temer para continuar governando o país. De igual forma, é impossível imaginar que nossos congressistas tenham condições de promover a refundação do nosso sistema político sobre o auspício da moralidade, embora existam políticos       sérios em todos os partidos.

Nesse momento catastrófico, o Brasil se depara diante de três possibilidades: a  primeira seria continuar nos descaminhos do governo Temer; a segunda, por intermédio de uma  eleição indireta, implicaria eleger um congressista simpático para os caminhos reformistas do atual  governo; e a terceira, pela qual tenho mais simpatia, seria a realização de eleições diretas.  

Entretanto, na possibilidade de haver eleições diretas, cabem as seguintes perguntas: essas eleições ocorreriam sobre as mesmas balizas jurídicas e financeiras das eleições anteriores? Isso não seria perpetuar um sistema viciado? O fisiologismo não venceria mais uma vez o desejo popular por mais moralidade na política? Bem, essas são indagações que todo cidadão deve estar apto a fazer, do contrário, continuaremos à deriva nas águas do achismo político.

Precisamos reformar a política e desqualificá-la enquanto atividade profissional. Se candidatar a um cargo eletivo deve ser um ato motivado fundamentalmente por convicções políticas e espírito de cidadania. Se somos corruptos, iremos sempre ver com naturalidade as práticas de corrupção, afora os momentos em que as mesmas são lesivas aos nossos interesses. É a velha máxima: de meus amigos tolero tudo, dos meus inimigos não aceito nada! :: LEIA MAIS »

AJUDA DESINTERESSADA

abobreira-ternoPor José Henrique Abobreira

Nas minhas andanças pelo território da Bahia a serviço do fisco estadual, colhi  muitos “causos” da pequena política. Quase todos seriam dignos de uma crônica de Sebastião Nery, jornalista e escritor, exímio nas artes de narração do folclore político brasileiro. Ele escreveu verdadeiros tratados sobre a sociologia das esperteza e vigarice macunaímicas, amigas íntimas dos políticos deste Brasil varonil (alô, Zé Carlos Jr!).

Pois bem, vamos ao que interessa. Num recanto longínquo do oeste baiano, um prefeito foi eleito com a ajuda de um empreiteiro. Sujeito magnânimo, o empresário fez larga distribuição de recursos para a campanha eleitoral do candidato vencedor. O mecenas das urnas assegurou ao beneficiado que agira de maneira inteiramente desinteressada.

Passada a eleição e confirmada a vitória do beneficiário de tão generoso patrocínio, o empreiteiro se encontrou com o eleito. Solenemente, disse-lhe que ajudara muito na campanha. Também reafirmou que não exigiria nada em troca.

Havia, contudo, pequeno detalhe. De forma gentil e com o tom de quem oferece o paraíso na Terra, ofereceu o próprio filho para o comando da Secretaria da Fazenda no novo governo.

:: LEIA MAIS »

APÓS IMPEACHMENT, PODER NÃO MUDOU SÓ DE MÃOS, MUDOU DE LADO

Temer e Dilma descem rampa do PLanalto. Imagem de outubro de 2015/Ruy Baron-Folhapress.

Temer e Dilma descem rampa do PLanalto. Imagem de outubro de 2015/Ruy Baron-Folhapress.

Por Celso Rocha de Barros/publicado hoje na Folha de S. Paulo

Na última sexta-feira (12) o governo de Michel Temer completou um ano. Com três dias de atraso, desejo aqui um feliz “Dia do Cunha” a todos. Na edição de domingo da Folha dei minha opinião sobre as medidas adotadas pelo governo até agora.

Mas não basta discutir as medidas adotadas por Temer como discutiríamos as de um governo normal. Também precisamos discutir se o governo Temer é um governo normal.

Imagine o seguinte cenário: após o impeachment de Fernando Collor, Itamar Franco assume a presidência e afasta do governo todos os partidos de direita que apoiavam Collor. Depois de expulsar essa turma toda, Itamar monta um ministério só com PT, PDT e PCdoB, os derrotados na campanha presidencial de 1989, e começa a transição para o socialismo.

:: LEIA MAIS »

LULA OSCILA ENTRE “FORTÃO” QUE MANDA PRENDER E “FRAQUINHO” MASSACRADO

Ex-presidente Lula. Imagem: Rahel Patrasso/Xinhua.

Ex-presidente Lula. Imagem: Rahel Patrasso/Xinhua.

Por Elio Gaspari/publicado hoje na Folha de S. Paulo

Só Lula e Sérgio Moro sabem o que acontecerá durante a audiência de Curitiba. Se o depoimento anterior do ex-presidente a um juiz federal de Brasília puder ser tomado como referência, “Nosso Guia” transformará a cena num comício.

Numa audiência em que se tratava da tentativa de obstrução da Justiça para impedir a colaboração de Nestor Cerveró, Lula informou que liderou “as greves mais importantes deste país”, fundou o “mais importante partido de esquerda da América Latina” e “fez a maior política de inclusão social da história deste país”. Enfim, foi “o mais importante presidente da história deste país”.

É improvável que lhe seja franqueado esse passeio, pois em depoimentos anteriores o juiz Moro cortou divagações semelhantes. Ele já chegou a bater boca com a defesa de Lula.

Na semana passada, dizendo-se “massacrado” pelas investigações da Lava Jato e pelo noticiário da imprensa, Lula subiu o tom de sua retórica, levando-a a um patamar inédito. Num evento do PT disse que, “se eles não me prenderem, quem sabe um dia eu mando prender eles por mentir”.

:: LEIA MAIS »

SUAPE: BELO MONTE ESQUECIDA

heitor Scalambrini CostaPor Heitor Scalambrini Costa

Um amigo sulista, ao conhecer mais detalhes das violações socioambientais ocorridas no território do Complexo Industrial Portuário de Suape (CIPS), cunhou a frase utilizada como titulo deste artigo.

Sem dúvida a comparação entre as duas realidades destas mega-obras tem tudo a ver. Refletem a crueldade, perversidade, destruição, truculência, barbaridade, improbidade, desumanidade, indignidade, crime; cometido contra as populações nativas/tradicionais e contra a natureza. O que deve ser ressaltado é o papel do Estado brasileiro; por um lado o governo federal e por outro o governo de Pernambuco, como o grande e maior violador de direitos humanos e da natureza. Sem dúvida, não esquecendo a responsabilidade das empresas

Com relação ao número de trabalhadores envolvidos nestas duas mega obras, a de Suape foi o dobro de Belo Monte. No ápice das obras de Belo Monte, em outubro de 2013, atingiu 25 mil pessoas; e em Suape, entre 2012 e 2013 superou 50 mil pessoas (segunda maior desmobilização de trabalhadores depois da construção de Brasília). O que existe em comum neste caso foi a total falta de planejamento na desmobilização dos trabalhadores finda a parte da construção civil destes empreendimentos.

Diferentemente do que prometiam os governos, a grande maioria dos empregados das construtoras contratadas não eram da região, vinham de toda parte do Brasil. E nada foi feito para realoca-los em outras atividades econômicas. O que gerou, e tem gerado um alto desemprego, resultando em graves problemas nas áreas urbanas dos municípios onde se encontra o Complexo Suape, como a favelização, violência, prostituição, aumento significativo da criminalidade. Além de déficits em áreas como saúde, saneamento, moradia, etc, etc. Nada diferente do que ocorreu em Altamira.

:: LEIA MAIS »

O AGROPOP QUER NOS LEVAR À ALTA IDADE MÉDIA

O deputado Nilson Leitão quer substituir o salário do trabalhador rural por moradia e comida.

O deputado Nilson Leitão quer substituir o salário do trabalhador rural por moradia e comida.

Por Thiago Dias

Na classificação sumária da história, chamamos a época seguinte à queda do império romano de alta idade média, período marcado pelo modo de produção feudal. Do ponto de vista formal, saltamos o feudalismo.  Nosso ponto de partida foi o retrocesso à antiguidade com a barbarização colonizadora. O Brasil fundou-se no escravagismo. Os representantes da aristocracia agropecuária querem preencher a lacuna histórica. Esse ideal missionário ganhou corpo no projeto de lei 6442/16, que trata das regras do trabalho rural.

O projeto propõe a substituição da obrigatoriedade do salário pelo fornecimento de comida e moradia. Numa relação de trabalho desse nível, inauguraríamos o feudalismo-escravagista. Nele, o agropop poderia extrair o melhor do material humano disponível no campo, tratando o trabalhador como vassalo ou escravo, a depender das conveniências. É significativo que a Coordenação Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo tenha se manifestado pela rejeição integral do projeto, assim como a Procuradoria-Geral do Ministério Público do Trabalho.

:: LEIA MAIS »

O AMIGO DE PTS

rodrigo melosPor Rodrigo Melo

Ontem lembrei dessa história do meu amigo PTS num boteco da cidade. Faz uns dez ou quinze anos. Sentado numa mesa, olhou pro lado e viu esse sujeito sozinho.

– cara, desculpe falar, mas você é a cara dum amigo meu – PTS falou.
– legal – o cara respondeu e seguiu a bicar o seu chope.
– porra, sério mesmo. Basta olhar pra você e ver o cara. Quase idênticos. E, olha, não sou gay nem nada, apenas fiquei impressionado com a semelhança de vocês.
– tudo bem.

Cinco minutos se passaram, o cara já devia estar pensando em outro troço qualquer, quando PTS virou-se novamente, e mandou:

– puta que pariu, velho, me perdoe, mas vá parecer assim lá na casa do caralho!
– vem cá, meu querido, agora fiquei curioso, quem afinal é esse seu amigo?

Aí PTS olhou pra ele cheio de pose e falou:

– Belchior.

:: LEIA MAIS »

SOLTURA DE GENU FOI ENORME DERROTA PARA A FORÇA-TAREFA DA LAVA JATO

Ministro Gilmar Mendes. Imagem: Carlos Humberto.

Ministro Gilmar Mendes. Imagem: Carlos Humberto.

Por Elio Gaspari/publicado ontem na Folha de S. Paulo

O ministro Gilmar Mendes sabia do que estava falando e o que se articulava no Supremo Tribunal Federal quando disse, em fevereiro, que “temos um encontro marcado com essas alongadas prisões de Curitiba”.

O encontro deu-se na última quarta-feira, e a Segunda Turma da corte, aquela que cuida da Lava Jato, soltou o ex-tesoureiro do Partido Progressista, doutor João Cláudio Genu, preso preventivamente em Curitiba desde maio de 2016.

Em dezembro, ele havia sido condenado pelo juiz Sergio Moro a oito anos e oito meses por corrupção passiva.

Genu tem uma biografia notável. Antes de chegar a tesoureiro do PP, foi assessor do falecido deputado José Janene, o grão-mestre que ensinou o PT a operar com Alberto Youssef. Freguês no escândalo do mensalão, Genu salvou-se com uma prescrição.

:: LEIA MAIS »

GREVES, NÃO IMPORTA A DIMENSÃO, JUSTIFICAM-SE PELO SIMBOLISMO

janio de freitasPor Janio de Freitas/publicado hoje (27) na Folha de S. Paulo

“Governo Temer” é só uma expressão da preguiça mental aliada a defeitos muito piores. Trata-se, na verdade, da aberração Temer. Jamais –portanto nem na venenosa fase de Roberto Campos como ideólogo e artífice da ditadura– este país de desatinos viveu, em tão pouco tempo, um assalto tão violento e extenso a direitos de mais de quatro quintos da sua população e às potencialidades do próprio país.

Mesmo na Síria atual, nem toda em guerra, algumas coisas melhoram. Os países são composições tão complexas e contraditórias que, neles, nunca tudo segue na mesma direção. Foi o caso inegável da ditadura militar. É o caso deste transe que permite a Henrique Meirelles, Michel Temer e aos economistas do lucro fácil a comemoração, como no mês passado, de uns quantos números aparentemente consagratórios, mas já de volta à realidade torpe.

Nem poderia ser diferente. O que Meirelles tem a oferecer e a subserviência Temer subscreve, ambos a título de combate à crise, é um país manietado, com a vitalidade reprimida, aprisionado na desinteligência de um teto obrigatório de gastos que, no entanto, para baixo vai até à imoralidade de cortar gastos da educação e da saúde.

:: LEIA MAIS »

O PAPEL DA ESQUERDA DIANTE DOS LIMITES E DESAFIOS DA LAVA JATO

Diego britoPor Diego Brito

Parafraseando Shakespeare na tragédia “Hamlet”, podemos dizer que há algo de podre na república do Brasil. Os recentes fatos, com o rebuliço político e econômico que vivenciamos, nos levaram a concluir que vivemos em uma falácia há muito tempo, como dizem os mais antigos, desde que o mundo é mundo. A Operação Lava Jato trouxe à tona esquemas de corrupção que mantinham o modus operandi da nossa república desde os governos militares e se perpetuaram até os dias atuais. Rechaçada por uns, sobretudo, com o discurso de parcialidade, que faz com que um determinado partido, o Partido dos Trabalhadores, no poder por 13 anos, e sua principal figura pública hoje, o ex-presidente Lula, sejam perseguidos pelas investigações. A operação, por outro lado, ganha status de salvadora da nação, por aqueles que acreditam que a corrupção é o freio de mão que empaca nosso país em direção ao desenvolvimento, à igualdade social e à efetiva emancipação política. O que ambos os lados não podem negar é que a Operação Lava Jato é um marco. Para o bem ou para o mal, marcou a história política do nosso país, levando alguns historiadores a apontarem com o fim da Nova República, período da História do Brasil que se seguiu ao fim do regime militar, caracterizado por uma “pseudo” ampla democratização política e estabilização econômica.

Vejamos bem, acredito que nem tanto nem tão pouco. Inegavelmente, os governos brasileiros foram/são marcados por uma relação promíscua entre o público e o privado. Com os governos neoliberais que marcam a recente história do nosso país, intensificou-se a presença das grandes corporações produtivas e financeiras na definição dos atos do Estado, fazendo com que as questões políticas passassem a ser dominadas pela economia. Tal sangria dos interesses coletivos junto ao fortalecimento dos interesses de grandes empresários é mantida à base de negociatas escusas, um verdadeiro saldão de deputados, senadores, ministros e etc. A liquidação moral é digna de promoções da Ricardo Eletro, Casas Bahia e empresas afins. “O gerente pirou”.

:: LEIA MAIS »

“MITO DO GESTOR” EMPOBRECERÁ DEBATE NAS ELEIÇÕES DE 2018

Paulo BarretoPor Paulo Barreto/publicado no O Eco

“Eu não sou um político. Sou um gestor”. Esse é um dos chavões de alguns dos novos políticos que querem se diferenciar do lamaçal da política brasileira. Embutido nele está a ideia de que o gestor é eficiente e objetivo – a gestão tem a resposta certa. Eu acreditava no mito do gestor como a solução definitiva dos problemas. Porém, ao fazer mestrado na Universidade de Yale aprendi que mais importante do que os métodos de gestão, são os valores que orientam as decisões. Precisamos discutir que valores devem orientar o Brasil. Conto aqui como desmistifiquei o mito do gestor e o que aprendi sobre valores.

No curso de economia da gestão de recursos naturais“, aprendi a estimar custos e benefícios de projetos. Porém, é inviável estimar em termos monetários todos os custos e benefícios. Por exemplo, podemos estimar que uma hidrelétrica gerará “x” milhões de receita. Mas é impossível estimar o valor das “y” espécies que serão extintas pelo alagamento de um ecossistema único e do sofrimento dos índios que terão seus cemitérios alagados e das pessoas que serão deslocadas. O curso “métodos quantitativos para tomada de decisão” foi mais iluminador do que a economia. Aprendi técnicas que permitem organizar e comparar muitas variáveis além das financeiras. No caso da hidrelétrica, eu poderia comparar “x” de receita gerada, as perdas de “x” espécies extintas, “y” pessoas a serem deslocadas, “z” cemitérios e terras indígenas inundados. Mas os programas e cálculos matemáticos não decidem a relevância dessas variáveis. Eles criam um meio para o gestor revelar suas preferências, seus valores. O gestor decidirá se constrói ou não a hidrelétrica que alaga as terras indígenas, extingue espécies e desloca pessoas.

:: LEIA MAIS »

CUIDAR DE ILHÉUS É NÃO DAR VEZ AO “JEITINHO”

Lodo de CPA, resíduo da fabricação de asfalto, dispensado no solo.

Lodo de CPA, resíduo da fabricação de asfalto, dispensado no solo (à esquerda).

Editorial do Blog do Gusmão

O embargo temporário da usina de asfalto do município repercutiu muito. Há opiniões divergentes, mas, a maioria manifesta solidariedade à decisão da Superintendência do Meio Ambiente de Ilhéus. Outras defendem o velho “jeitinho”, mesmo contra a legislação ambiental.

Esse debate tem uma dimensão prática inegável. O despejo do lodo de CAP (cimento afasto de petróleo) na área da usina já havia contaminado o solo de modo irreversível, dano mais grave registrado no local. A contaminação também atingiu águas superficiais e, no futuro, poderia alcançar o lençol freático (águas subterrâneas). Estamos falando de uma área próxima do manancial do Iguape, que abastece 70% da população do município. Não acreditamos que o povo de Ilhéus tenha se esquecido da crise hídrica de 2015/2016.

A preocupação com os impactos da fabricação de asfalto não é um capricho ilheense. Pesquisadores de vários lugares abordam o tema. Destacamos trabalho desenvolvido pelas pesquisadoras Kátia Fagnani, Maria Ribas, Márcia Fagundes-Klen e Márcia Veit, que elaboraram estudo de caso no Paraná. Os resultados estão disponíveis no artigo “Diagnóstico de uma usina de asfalto visando a implantação de um Sistema de Gestão Ambiental com base na norma ABNT NBR ISO 14001“, publicado na Revista Unisinos (mai/ago. 2009). Destacamos abaixo sugestões que a operadora da usina de Ilhéus pode incorporar.

Entre outros pontos que justificaram o embargo, a Superintendência de Meio Ambiente citou o caráter preventivo da decisão. Caso o lençol freático viesse a ser contaminado, o município não teria recursos para realizar a custosa descontaminação. As pesquisadoras citadas endossam essa perspectiva. “É constatado que ao longo dos anos o custo da prevenção é menor do que o da correção de acidentes, seja de ordem ambiental, tecnológico ou ocupacional”, escreveram.

No caso do Paraná, à época do estudo, a fabricante tinha apenas a licença ambiental prévia. Faltava-lhe atender requisitos para o licenciamento de operação. Em Ilhéus, até o embargo temporário, a CMA operou a usina sem licenciamento ambiental. Isso feriu o Código de Meio Ambiente do Município, especialmente o artigo 238. A licença, que deveria ser a garantia mínima do cumprimento das regras ambientais, foi ignorada pela empresa e pelo governo anterior.

A pesquisa desenvolvida no sul do país simulou etapas iniciais da implantação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA). Para isso, elaborou-se diagnóstico ambiental da usina, com o levantamento dos impactos ambientais. O estudo pode ser um ponto de partida para a análise da melhor forma de adequação da usina ilheense. Como explicam as pesquisadoras, o SGA é um aliado de quem busca o controle dos seus processos e impactos ambientais. Ele identifica os maiores danos e define as melhores soluções.

Por exemplo: como já dito, na operação da usina de Ilhéus, o dano ambiental mais grave foi a contaminação irreversível do solo. Para evitar esse tipo de prejuízo à natureza, as pesquisadoras recomendam a impermeabilização dos espaços onde os materiais são processados e armazenados. Além do cimento asfalto de petróleo (CAP), isso vale também para o armazenamento e a dispensa de recipientes de óleos.

A pesquisa também aponta uma série de medidas para reduzir os impactos do lançamento de gases na atmosfera e dos ruídos das máquinas, além dos cuidados com a saúde dos trabalhadores. O artigo completo está aqui.

Por fim, convidamos os visitantes do blog a refletir sobre a decisão da Superintendência do Meio Ambiente, considerando especialmente o dever de cuidar de Ilhéus.

O respeito às leis é o fundamento da civilidade. Chamamos a constituição de um país de carta fundamental porque sobre ela se constrói um projeto de civilização. No projeto da sociedade brasileira estabelecido pela Constituição Federal de 1988, os constituintes dedicaram o artigo 225 ao meio ambiente: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

O artigo é claro, mas vale destacar um ponto. A obrigação de proteger o meio ambiente é atribuída diretamente aos gestores públicos. Trata-se de um comando. Quando um gestor público não cumpre esse dever, ele ignora a ordem constitucional e, portanto, rompe com o projeto de civilização.

O cumprimento irrestrito das leis não é mero capricho. Ainda mais quando o que está em jogo é o cuidado com o meio ambiente. Nesse caso, além da sociedade atual, a legislação considera as futuras gerações. Isso porque não existe responsabilidade coletiva maior do que a preservação das condições de vida no planeta. Foi a consciência desse sentido de dever que orientou a decisão do órgão ambiental de Ilhéus.



WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia