WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia

secom bahia hospital sao jose


impacto cred

transporte ilegal
maio 2017
D S T Q Q S S
« abr    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

:: ‘Artigos’

AJUDA DESINTERESSADA

abobreira-ternoPor José Henrique Abobreira

Nas minhas andanças pelo território da Bahia a serviço do fisco estadual, colhi  muitos “causos” da pequena política. Quase todos seriam dignos de uma crônica de Sebastião Nery, jornalista e escritor, exímio nas artes de narração do folclore político brasileiro. Ele escreveu verdadeiros tratados sobre a sociologia das esperteza e vigarice macunaímicas, amigas íntimas dos políticos deste Brasil varonil (alô, Zé Carlos Jr!).

Pois bem, vamos ao que interessa. Num recanto longínquo do oeste baiano, um prefeito foi eleito com a ajuda de um empreiteiro. Sujeito magnânimo, o empresário fez larga distribuição de recursos para a campanha eleitoral do candidato vencedor. O mecenas das urnas assegurou ao beneficiado que agira de maneira inteiramente desinteressada.

Passada a eleição e confirmada a vitória do beneficiário de tão generoso patrocínio, o empreiteiro se encontrou com o eleito. Solenemente, disse-lhe que ajudara muito na campanha. Também reafirmou que não exigiria nada em troca.

Havia, contudo, pequeno detalhe. De forma gentil e com o tom de quem oferece o paraíso na Terra, ofereceu o próprio filho para o comando da Secretaria da Fazenda no novo governo.

:: LEIA MAIS »

APÓS IMPEACHMENT, PODER NÃO MUDOU SÓ DE MÃOS, MUDOU DE LADO

Temer e Dilma descem rampa do PLanalto. Imagem de outubro de 2015/Ruy Baron-Folhapress.

Temer e Dilma descem rampa do PLanalto. Imagem de outubro de 2015/Ruy Baron-Folhapress.

Por Celso Rocha de Barros/publicado hoje na Folha de S. Paulo

Na última sexta-feira (12) o governo de Michel Temer completou um ano. Com três dias de atraso, desejo aqui um feliz “Dia do Cunha” a todos. Na edição de domingo da Folha dei minha opinião sobre as medidas adotadas pelo governo até agora.

Mas não basta discutir as medidas adotadas por Temer como discutiríamos as de um governo normal. Também precisamos discutir se o governo Temer é um governo normal.

Imagine o seguinte cenário: após o impeachment de Fernando Collor, Itamar Franco assume a presidência e afasta do governo todos os partidos de direita que apoiavam Collor. Depois de expulsar essa turma toda, Itamar monta um ministério só com PT, PDT e PCdoB, os derrotados na campanha presidencial de 1989, e começa a transição para o socialismo.

:: LEIA MAIS »

LULA OSCILA ENTRE “FORTÃO” QUE MANDA PRENDER E “FRAQUINHO” MASSACRADO

Ex-presidente Lula. Imagem: Rahel Patrasso/Xinhua.

Ex-presidente Lula. Imagem: Rahel Patrasso/Xinhua.

Por Elio Gaspari/publicado hoje na Folha de S. Paulo

Só Lula e Sérgio Moro sabem o que acontecerá durante a audiência de Curitiba. Se o depoimento anterior do ex-presidente a um juiz federal de Brasília puder ser tomado como referência, “Nosso Guia” transformará a cena num comício.

Numa audiência em que se tratava da tentativa de obstrução da Justiça para impedir a colaboração de Nestor Cerveró, Lula informou que liderou “as greves mais importantes deste país”, fundou o “mais importante partido de esquerda da América Latina” e “fez a maior política de inclusão social da história deste país”. Enfim, foi “o mais importante presidente da história deste país”.

É improvável que lhe seja franqueado esse passeio, pois em depoimentos anteriores o juiz Moro cortou divagações semelhantes. Ele já chegou a bater boca com a defesa de Lula.

Na semana passada, dizendo-se “massacrado” pelas investigações da Lava Jato e pelo noticiário da imprensa, Lula subiu o tom de sua retórica, levando-a a um patamar inédito. Num evento do PT disse que, “se eles não me prenderem, quem sabe um dia eu mando prender eles por mentir”.

:: LEIA MAIS »

SUAPE: BELO MONTE ESQUECIDA

heitor Scalambrini CostaPor Heitor Scalambrini Costa

Um amigo sulista, ao conhecer mais detalhes das violações socioambientais ocorridas no território do Complexo Industrial Portuário de Suape (CIPS), cunhou a frase utilizada como titulo deste artigo.

Sem dúvida a comparação entre as duas realidades destas mega-obras tem tudo a ver. Refletem a crueldade, perversidade, destruição, truculência, barbaridade, improbidade, desumanidade, indignidade, crime; cometido contra as populações nativas/tradicionais e contra a natureza. O que deve ser ressaltado é o papel do Estado brasileiro; por um lado o governo federal e por outro o governo de Pernambuco, como o grande e maior violador de direitos humanos e da natureza. Sem dúvida, não esquecendo a responsabilidade das empresas

Com relação ao número de trabalhadores envolvidos nestas duas mega obras, a de Suape foi o dobro de Belo Monte. No ápice das obras de Belo Monte, em outubro de 2013, atingiu 25 mil pessoas; e em Suape, entre 2012 e 2013 superou 50 mil pessoas (segunda maior desmobilização de trabalhadores depois da construção de Brasília). O que existe em comum neste caso foi a total falta de planejamento na desmobilização dos trabalhadores finda a parte da construção civil destes empreendimentos.

Diferentemente do que prometiam os governos, a grande maioria dos empregados das construtoras contratadas não eram da região, vinham de toda parte do Brasil. E nada foi feito para realoca-los em outras atividades econômicas. O que gerou, e tem gerado um alto desemprego, resultando em graves problemas nas áreas urbanas dos municípios onde se encontra o Complexo Suape, como a favelização, violência, prostituição, aumento significativo da criminalidade. Além de déficits em áreas como saúde, saneamento, moradia, etc, etc. Nada diferente do que ocorreu em Altamira.

:: LEIA MAIS »

O AGROPOP QUER NOS LEVAR À ALTA IDADE MÉDIA

O deputado Nilson Leitão quer substituir o salário do trabalhador rural por moradia e comida.

O deputado Nilson Leitão quer substituir o salário do trabalhador rural por moradia e comida.

Por Thiago Dias

Na classificação sumária da história, chamamos a época seguinte à queda do império romano de alta idade média, período marcado pelo modo de produção feudal. Do ponto de vista formal, saltamos o feudalismo.  Nosso ponto de partida foi o retrocesso à antiguidade com a barbarização colonizadora. O Brasil fundou-se no escravagismo. Os representantes da aristocracia agropecuária querem preencher a lacuna histórica. Esse ideal missionário ganhou corpo no projeto de lei 6442/16, que trata das regras do trabalho rural.

O projeto propõe a substituição da obrigatoriedade do salário pelo fornecimento de comida e moradia. Numa relação de trabalho desse nível, inauguraríamos o feudalismo-escravagista. Nele, o agropop poderia extrair o melhor do material humano disponível no campo, tratando o trabalhador como vassalo ou escravo, a depender das conveniências. É significativo que a Coordenação Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo tenha se manifestado pela rejeição integral do projeto, assim como a Procuradoria-Geral do Ministério Público do Trabalho.

:: LEIA MAIS »

O AMIGO DE PTS

rodrigo melosPor Rodrigo Melo

Ontem lembrei dessa história do meu amigo PTS num boteco da cidade. Faz uns dez ou quinze anos. Sentado numa mesa, olhou pro lado e viu esse sujeito sozinho.

– cara, desculpe falar, mas você é a cara dum amigo meu – PTS falou.
– legal – o cara respondeu e seguiu a bicar o seu chope.
– porra, sério mesmo. Basta olhar pra você e ver o cara. Quase idênticos. E, olha, não sou gay nem nada, apenas fiquei impressionado com a semelhança de vocês.
– tudo bem.

Cinco minutos se passaram, o cara já devia estar pensando em outro troço qualquer, quando PTS virou-se novamente, e mandou:

– puta que pariu, velho, me perdoe, mas vá parecer assim lá na casa do caralho!
– vem cá, meu querido, agora fiquei curioso, quem afinal é esse seu amigo?

Aí PTS olhou pra ele cheio de pose e falou:

– Belchior.

:: LEIA MAIS »

SOLTURA DE GENU FOI ENORME DERROTA PARA A FORÇA-TAREFA DA LAVA JATO

Ministro Gilmar Mendes. Imagem: Carlos Humberto.

Ministro Gilmar Mendes. Imagem: Carlos Humberto.

Por Elio Gaspari/publicado ontem na Folha de S. Paulo

O ministro Gilmar Mendes sabia do que estava falando e o que se articulava no Supremo Tribunal Federal quando disse, em fevereiro, que “temos um encontro marcado com essas alongadas prisões de Curitiba”.

O encontro deu-se na última quarta-feira, e a Segunda Turma da corte, aquela que cuida da Lava Jato, soltou o ex-tesoureiro do Partido Progressista, doutor João Cláudio Genu, preso preventivamente em Curitiba desde maio de 2016.

Em dezembro, ele havia sido condenado pelo juiz Sergio Moro a oito anos e oito meses por corrupção passiva.

Genu tem uma biografia notável. Antes de chegar a tesoureiro do PP, foi assessor do falecido deputado José Janene, o grão-mestre que ensinou o PT a operar com Alberto Youssef. Freguês no escândalo do mensalão, Genu salvou-se com uma prescrição.

:: LEIA MAIS »

GREVES, NÃO IMPORTA A DIMENSÃO, JUSTIFICAM-SE PELO SIMBOLISMO

janio de freitasPor Janio de Freitas/publicado hoje (27) na Folha de S. Paulo

“Governo Temer” é só uma expressão da preguiça mental aliada a defeitos muito piores. Trata-se, na verdade, da aberração Temer. Jamais –portanto nem na venenosa fase de Roberto Campos como ideólogo e artífice da ditadura– este país de desatinos viveu, em tão pouco tempo, um assalto tão violento e extenso a direitos de mais de quatro quintos da sua população e às potencialidades do próprio país.

Mesmo na Síria atual, nem toda em guerra, algumas coisas melhoram. Os países são composições tão complexas e contraditórias que, neles, nunca tudo segue na mesma direção. Foi o caso inegável da ditadura militar. É o caso deste transe que permite a Henrique Meirelles, Michel Temer e aos economistas do lucro fácil a comemoração, como no mês passado, de uns quantos números aparentemente consagratórios, mas já de volta à realidade torpe.

Nem poderia ser diferente. O que Meirelles tem a oferecer e a subserviência Temer subscreve, ambos a título de combate à crise, é um país manietado, com a vitalidade reprimida, aprisionado na desinteligência de um teto obrigatório de gastos que, no entanto, para baixo vai até à imoralidade de cortar gastos da educação e da saúde.

:: LEIA MAIS »

O PAPEL DA ESQUERDA DIANTE DOS LIMITES E DESAFIOS DA LAVA JATO

Diego britoPor Diego Brito

Parafraseando Shakespeare na tragédia “Hamlet”, podemos dizer que há algo de podre na república do Brasil. Os recentes fatos, com o rebuliço político e econômico que vivenciamos, nos levaram a concluir que vivemos em uma falácia há muito tempo, como dizem os mais antigos, desde que o mundo é mundo. A Operação Lava Jato trouxe à tona esquemas de corrupção que mantinham o modus operandi da nossa república desde os governos militares e se perpetuaram até os dias atuais. Rechaçada por uns, sobretudo, com o discurso de parcialidade, que faz com que um determinado partido, o Partido dos Trabalhadores, no poder por 13 anos, e sua principal figura pública hoje, o ex-presidente Lula, sejam perseguidos pelas investigações. A operação, por outro lado, ganha status de salvadora da nação, por aqueles que acreditam que a corrupção é o freio de mão que empaca nosso país em direção ao desenvolvimento, à igualdade social e à efetiva emancipação política. O que ambos os lados não podem negar é que a Operação Lava Jato é um marco. Para o bem ou para o mal, marcou a história política do nosso país, levando alguns historiadores a apontarem com o fim da Nova República, período da História do Brasil que se seguiu ao fim do regime militar, caracterizado por uma “pseudo” ampla democratização política e estabilização econômica.

Vejamos bem, acredito que nem tanto nem tão pouco. Inegavelmente, os governos brasileiros foram/são marcados por uma relação promíscua entre o público e o privado. Com os governos neoliberais que marcam a recente história do nosso país, intensificou-se a presença das grandes corporações produtivas e financeiras na definição dos atos do Estado, fazendo com que as questões políticas passassem a ser dominadas pela economia. Tal sangria dos interesses coletivos junto ao fortalecimento dos interesses de grandes empresários é mantida à base de negociatas escusas, um verdadeiro saldão de deputados, senadores, ministros e etc. A liquidação moral é digna de promoções da Ricardo Eletro, Casas Bahia e empresas afins. “O gerente pirou”.

:: LEIA MAIS »

“MITO DO GESTOR” EMPOBRECERÁ DEBATE NAS ELEIÇÕES DE 2018

Paulo BarretoPor Paulo Barreto/publicado no O Eco

“Eu não sou um político. Sou um gestor”. Esse é um dos chavões de alguns dos novos políticos que querem se diferenciar do lamaçal da política brasileira. Embutido nele está a ideia de que o gestor é eficiente e objetivo – a gestão tem a resposta certa. Eu acreditava no mito do gestor como a solução definitiva dos problemas. Porém, ao fazer mestrado na Universidade de Yale aprendi que mais importante do que os métodos de gestão, são os valores que orientam as decisões. Precisamos discutir que valores devem orientar o Brasil. Conto aqui como desmistifiquei o mito do gestor e o que aprendi sobre valores.

No curso de economia da gestão de recursos naturais“, aprendi a estimar custos e benefícios de projetos. Porém, é inviável estimar em termos monetários todos os custos e benefícios. Por exemplo, podemos estimar que uma hidrelétrica gerará “x” milhões de receita. Mas é impossível estimar o valor das “y” espécies que serão extintas pelo alagamento de um ecossistema único e do sofrimento dos índios que terão seus cemitérios alagados e das pessoas que serão deslocadas. O curso “métodos quantitativos para tomada de decisão” foi mais iluminador do que a economia. Aprendi técnicas que permitem organizar e comparar muitas variáveis além das financeiras. No caso da hidrelétrica, eu poderia comparar “x” de receita gerada, as perdas de “x” espécies extintas, “y” pessoas a serem deslocadas, “z” cemitérios e terras indígenas inundados. Mas os programas e cálculos matemáticos não decidem a relevância dessas variáveis. Eles criam um meio para o gestor revelar suas preferências, seus valores. O gestor decidirá se constrói ou não a hidrelétrica que alaga as terras indígenas, extingue espécies e desloca pessoas.

:: LEIA MAIS »

CUIDAR DE ILHÉUS É NÃO DAR VEZ AO “JEITINHO”

Lodo de CPA, resíduo da fabricação de asfalto, dispensado no solo.

Lodo de CPA, resíduo da fabricação de asfalto, dispensado no solo (à esquerda).

Editorial do Blog do Gusmão

O embargo temporário da usina de asfalto do município repercutiu muito. Há opiniões divergentes, mas, a maioria manifesta solidariedade à decisão da Superintendência do Meio Ambiente de Ilhéus. Outras defendem o velho “jeitinho”, mesmo contra a legislação ambiental.

Esse debate tem uma dimensão prática inegável. O despejo do lodo de CAP (cimento afasto de petróleo) na área da usina já havia contaminado o solo de modo irreversível, dano mais grave registrado no local. A contaminação também atingiu águas superficiais e, no futuro, poderia alcançar o lençol freático (águas subterrâneas). Estamos falando de uma área próxima do manancial do Iguape, que abastece 70% da população do município. Não acreditamos que o povo de Ilhéus tenha se esquecido da crise hídrica de 2015/2016.

A preocupação com os impactos da fabricação de asfalto não é um capricho ilheense. Pesquisadores de vários lugares abordam o tema. Destacamos trabalho desenvolvido pelas pesquisadoras Kátia Fagnani, Maria Ribas, Márcia Fagundes-Klen e Márcia Veit, que elaboraram estudo de caso no Paraná. Os resultados estão disponíveis no artigo “Diagnóstico de uma usina de asfalto visando a implantação de um Sistema de Gestão Ambiental com base na norma ABNT NBR ISO 14001“, publicado na Revista Unisinos (mai/ago. 2009). Destacamos abaixo sugestões que a operadora da usina de Ilhéus pode incorporar.

Entre outros pontos que justificaram o embargo, a Superintendência de Meio Ambiente citou o caráter preventivo da decisão. Caso o lençol freático viesse a ser contaminado, o município não teria recursos para realizar a custosa descontaminação. As pesquisadoras citadas endossam essa perspectiva. “É constatado que ao longo dos anos o custo da prevenção é menor do que o da correção de acidentes, seja de ordem ambiental, tecnológico ou ocupacional”, escreveram.

No caso do Paraná, à época do estudo, a fabricante tinha apenas a licença ambiental prévia. Faltava-lhe atender requisitos para o licenciamento de operação. Em Ilhéus, até o embargo temporário, a CMA operou a usina sem licenciamento ambiental. Isso feriu o Código de Meio Ambiente do Município, especialmente o artigo 238. A licença, que deveria ser a garantia mínima do cumprimento das regras ambientais, foi ignorada pela empresa e pelo governo anterior.

A pesquisa desenvolvida no sul do país simulou etapas iniciais da implantação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA). Para isso, elaborou-se diagnóstico ambiental da usina, com o levantamento dos impactos ambientais. O estudo pode ser um ponto de partida para a análise da melhor forma de adequação da usina ilheense. Como explicam as pesquisadoras, o SGA é um aliado de quem busca o controle dos seus processos e impactos ambientais. Ele identifica os maiores danos e define as melhores soluções.

Por exemplo: como já dito, na operação da usina de Ilhéus, o dano ambiental mais grave foi a contaminação irreversível do solo. Para evitar esse tipo de prejuízo à natureza, as pesquisadoras recomendam a impermeabilização dos espaços onde os materiais são processados e armazenados. Além do cimento asfalto de petróleo (CAP), isso vale também para o armazenamento e a dispensa de recipientes de óleos.

A pesquisa também aponta uma série de medidas para reduzir os impactos do lançamento de gases na atmosfera e dos ruídos das máquinas, além dos cuidados com a saúde dos trabalhadores. O artigo completo está aqui.

Por fim, convidamos os visitantes do blog a refletir sobre a decisão da Superintendência do Meio Ambiente, considerando especialmente o dever de cuidar de Ilhéus.

O respeito às leis é o fundamento da civilidade. Chamamos a constituição de um país de carta fundamental porque sobre ela se constrói um projeto de civilização. No projeto da sociedade brasileira estabelecido pela Constituição Federal de 1988, os constituintes dedicaram o artigo 225 ao meio ambiente: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

O artigo é claro, mas vale destacar um ponto. A obrigação de proteger o meio ambiente é atribuída diretamente aos gestores públicos. Trata-se de um comando. Quando um gestor público não cumpre esse dever, ele ignora a ordem constitucional e, portanto, rompe com o projeto de civilização.

O cumprimento irrestrito das leis não é mero capricho. Ainda mais quando o que está em jogo é o cuidado com o meio ambiente. Nesse caso, além da sociedade atual, a legislação considera as futuras gerações. Isso porque não existe responsabilidade coletiva maior do que a preservação das condições de vida no planeta. Foi a consciência desse sentido de dever que orientou a decisão do órgão ambiental de Ilhéus.

NA DEGRADAÇÃO COLETIVA NÃO HÁ REDENÇÃO MORAL PARA O PT

wilson-gomes-destPor Wilson Gomes

Vou dizer de outro modo, na esperança de ser melhor compreendido: amigos, entendam, não vai haver reabilitação moral do PT para a o opinião popular. Não importam os fatos, as imagens públicas predominantes do PT, de Dilma e de Lula estão irremediavelmente comprometidas. Não há redenção política possível, mesmo que (o que não é o caso) a revelação dos Esquemas das Empreiteiras provassem que todos os que conspiraram contra Dilma e todos os detratores de Lula constituem a mais desprezível escumalha política nacional. Para a percepção pública dominante, que pode não ser sofisticada mas tem lá a sua lógica, o PT é o objeto simbólico que condensa e representa “tudo o que de errado há na política”.

E não adianta insistir que os antipetistas do sistema político são uma escória abjeta, atestada e certificada pela exibição dos porões da Odebrecht. Acreditem, quanto mais se remexer no lodo político, mostrando toda sorte de animais que vivem dele, mais cresce a rejeição ao PT, por mais paradoxal que isso lhes possa parecer. Para vocês, o PT, Dilma e Lula foram VÍTIMAS do conluio de sistema político degradado. Para a percepção pública, hoje, o PT, Dilma e Lula SÃO o sistema político brasileiro em sua natureza mais degradada. Queriam que as pessoas odeiem Serra, Aécio e Eduardo Cunha? Pois bem, as pessoas estão desprezando de coração Serra, Aécio e Eduardo Cunha, mas isso não diminuiu, antes, aumentou, o ódio ao PT. Lamento ser eu a lhes dizer que puxar Serra, Aécio e Cunha para baixo não está erguendo o PT. Nem vai. O telejornal diz que Serra recebeu milhões de uma empreiteira, mas as pessoas gritam “fora PT”.

:: LEIA MAIS »

UM SINAL PARA O LULISMO

O jornalista Paulo Henrique Amorim e o ex-presidente Lula.

O jornalista Paulo Henrique Amorim e o ex-presidente Lula.

Por Thiago Dias

Manhã de sábado (15), um amigo ex-petista pergunta no WhatsApp:

– PHA [Paulo Henrique Amorim] criticou Lula. O que achou?

Respondi que não tinha visto a crítica, e fui ver. O comentário que se segue é a tentativa de resposta para a pergunta sobre o vídeo do jornalista conhecido por seu alinhamento com o PT.

“A relação do ex-presidente Lula com os donos da Odebrecht pode não ser ilegal, mas não é ética, não é republicana, não é digna de um líder popular”, afirma Paulo Henrique Amorim. Para ele, as delações revelaram que o líder do PT manteve “relação promíscua” com os empresários baianos.

O vídeo tem um valor pedagógico diretamente ligado ao seu autor, porque abre caminho para a crítica dentro do lulismo. É um sinal do militante da informação para a militância das redes.

:: LEIA MAIS »

O PT E O TRIUNFO DA RAZÃO CÍNICA

César Benjamin.

César Benjamin.

O carioca César Benjamin, 62 anos, participou da luta armada contra o regime militar. Fez parte do MR-8 e foi preso em 1971, aos 17 anos. A ditadura o expulsou do país. Exilou-se na Suécia, onde o irmão Cid Benjamin já havia sido acolhido como exilado político. Voltou ao Brasil em 1978, após a anistia. Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e integrou o seu Diretório Nacional. Em 1989, coordenou a campanha de Lula a presidente da República. Deixou o partido seis anos depois. Também militou no Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Atualmente é secretário de Educação da Prefeitura do Rio de Janeiro. Em paralelo à vida política, consolidou trajetória intelectual sólida.

Em 2003, no auge da euforia com o início do primeiro governo Lula, César Benjamin escreveu que o PT estava morrendo. No texto publicado na edição oitenta da revista Caros Amigos, disse que o partido já havia deixado tudo o que lhe dava autenticidade, em troca de um projeto de poder.

Quatorze anos depois, quando a imprensa noticia que PMDB, PSDB e PT se uniram pela “sobrevivência política em 2018”, a releitura daquele artigo revela o quão acertada foi a análise de César Benjamin. Leia abaixo.

O triunfo da razão cínica

Por César Benjamin

A crise do PT é a mais profunda crise da esquerda brasileira. para o bem e para o mal, foi o PT a vanguarda política da nossa esquerda nos últimos vinte anos.

O Partido dos Trabalhadores está morrendo. Nele não resta mais nenhum espírito transformador, nenhuma autenticidade, nenhum impulso vital. Não tem princípios a defender. Não tem mais referências sobre coisa alguma, pois suas posições históricas – sobre a previdência, os transgênicos, a política econômica, o FMI ou qualquer outro assunto – estão sempre prontas a ser sacrificadas no balcão em que se fazem as negociações do momento.

O PT não tem, nem pretende mais ter, projeto de sociedade. Tem apenas projeto de poder. Essa volúpia desenfreada, sem ideal, cria o ambiente propício ao cinismo e à corrupção crescentes, a que estamos assistindo, pois a melhor maneira de se manter em cima é copiar os poderosos e se aliar a eles. Hoje, o militante de que o PT precisa, o que é valorizado pela direção, é o carreirista obcecado pelo sucesso rápido e a trajetória meteórica, disposto a dizer amém, pronto a desmentir amanhã, por qualquer pretexto, aquilo que defendia até hoje.

Os que construíram o partido e não se corromperam nele não têm mais lugar. Tornaram-se um estorvo. São enxovalhados. Estão sendo substituídos por filiados pela Internet e por gente arrebanhada pelos esquemas políticos tradicionais. Esquemas caros, como se sabe, pois esvaziados da militância voluntária que impulsionou o partido quando ele era jovem. Para financiar essa operação e esse novo modo de ser, é cada vez mais tênue, no andar de cima, a separação entre política e negócios. Candidatos a deputado, até ontem meros assalariados, falam abertamente em levantar 10 ou 20 milhões de reais para suas campanhas, sabe-se lá de que forma. Candidatos a cargos mais altos aventuram-se em todos os tabuleiros. São as regras do jogo. Não há mais pudor. Todos caminham nus pelos salões.

Valores esquecidos

O PT tornou-se uma via de ascensão individual para a afluência material e o poder. Multiplicam-se as pessoas que se tornam subitamente importantes e que se sentem, assim, sem ter história nem biografia, sem ter passado nem futuro. Pobres de espírito, sempre ocupados nas articulações do momento – para a próxima convenção, a próxima nomeação ou a próxima eleição -, não leem um livro, não se dedicam a conhecer bem assunto nenhum, não são solidários às dificuldades do povo brasileiro, não pretendem ser fiéis a uma ideia de nação. Suas lealdades se esgotam nos limites do grupo de interesse a que estão vinculados. Valores como humildade, perseverança e ideal estão definitivamente fora de moda. Tudo agora é cálculo. Liberado para florescer, o oportunismo tem pressa. Tempo é poder. Tempo é dinheiro. A crise do PT é a mais profunda crise da esquerda brasileira. Para o bem e para o mal, foi o PT a vanguarda política da nossa esquerda nos últimos vinte anos, e dentro dele foi vanguarda a Articulação. Além de perseguir com coerência uma estratégia política e controlar com competência os principais aparatos de poder, ela propunha a toda a esquerda uma forma de luta estratégica, que, uma vez vitoriosa, seria capaz de abrir um período novo de ação política em nosso país: a eleição de Lula à presidência. Participávamos de múltiplas iniciativas militantes no cotidiano, e a cada quatro anos renovávamos nossa esperança em uma possibilidade especial, a de colocar Lula lá.

:: LEIA MAIS »

ERROS SEM CONTA

Presidente Michel Temer. Imagem: Dida Sampaio/Estadão.

Presidente Michel Temer. Imagem: Dida Sampaio/Estadão.

Por Janio de Freitas/publicado ontem na Folha S. Paulo

Apesar de tudo, ainda é do Congresso que vem alguma defesa do interesse público. A recusa à aprovação apressada e leviana da “reforma” da Previdência, como pretendida pelo governo, deparou-se com erros perturbadores no projeto comandado por Henrique Meirelles.

Fora do Congresso, mas também nele, outros erros foram identificados como comprometedores das previsões oficiais e das perspectivas econômicas apregoadas. Bem a propósito, fracassada a previsão de que o crescimento retornaria ainda em 2016, Meirelles anunciou-o para o final de março. Abril está aí, e nem parece que o ministro da Fazenda está.

O governo encerrou a semana corrigindo o rombo previsto para 2018: a estimativa de R$ 79 bilhões sobe, em um pulo só, para R$ 129 bilhões. Pouco antes, o governo decidira, em “atenção ao Congresso”, rever a regra de transição dos já pagadores de Previdência para novas e mais duras possibilidades de aposentadoria.

A regra inicial foi uma das cinco recusas do Congresso, sobre as quais o governo passou da exigência persistente à dócil reconsideração. O jornalista José Paulo Kupfer –presença constante no que de melhor se publica sobre economia brasileira– dá a explicação para a virada atribuída a negociações: “pelo menos em parte”, o recuo do governo tem como “objetivo corrigir erros de avaliação política” e “proposições técnicas mal costuradas, que levariam a distorções na aplicação das novas regras”.

Coisas assim: pessoas de mesma idade e mesmo tempo de contribuição, mas nascidas um pouco antes ou um pouco depois das novas regras, se aposentariam com menos cinco anos ou com mais 20 de contribuição, para receber o mesmo. Além de erro técnico, soma de doidice e violência. Mas Meirelles não erra sozinho.

:: LEIA MAIS »

REFORMAS DO GOVERNO TEMER SÓ INTERESSAM AO CAPITAL, AFIRMA PROFESSOR DA UESC

Professor Sérgio Ricardo Ribeiro Lima.

Professor Sérgio Ricardo Ribeiro Lima.

Sérgio Ricardo Ribeiro Lima é professor e pesquisador do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). O seu trabalho não se limita aos muros da academia. Estudioso dos principais temas da economia atual, participa frequentemente de debates públicos organizados por diversas entidades. Também atua no Centro de Análise de Conjuntura Econômica e Social (CACES), projeto de extensão que elabora boletins socioeconômicos trimestrais sobre Ilhéus e Itabuna. Além do mais, sempre que a economia se impõe no noticiário, colabora com o debate na imprensa. Desde o ano de 2014 publica os seus artigos no Blog do Gusmão.

Nesse domingo, voltou a contribuir com a sua interpretação para os principais temas econômicos do Brasil. Dessa vez, apresentou análise ampla sobre as reformas comandadas pelo governo Michel Temer. Leia abaixo.

Ajuste Fiscal, reforma da previdência, reforma trabalhista e terceirização: quais os impactos sobre a classe trabalhadora?

Por Sérgio Ricardo Ribeiro Lima

Nas últimas semanas muito tem se ouvido falar sobre estas reformas; mais recentemente, a da previdência e a da terceirização. Esta última (PL 4330/04 ou Lei da Terceirização) já aprovada pela Câmara dos Deputados no dia 22 de março.

As reformas

Entendemos que as reformas da previdência, trabalhista e a terceirização vêm como suporte para o programa de ajuste fiscal. Se o ajuste fiscal propõe desafogar as contas públicas para que o Estado possa continuar dando sustentação à economia, como aludimos acima, as demais reformas vêm também não apenas para desonerar o Estado, mas fundamentalmente as empresas, principalmente as grandes corporações, pois são estas que têm poder de interferência na política econômica.

Faremos um tratamento breve das quatro reformas, apontando seus aspectos principais.

O ajuste fiscal

A PEC 241/2016 (depois mudada para PEC 055/2016) estabelece um novo regime fiscal para o país. Portanto, o objetivo do ajuste fiscal é impor limites às despesas primárias, que são as despesas com serviços públicos prestados à sociedade (pessoal, custeio, investimento, bem-estar), deduzidas as despesas financeiras (juros e amortizações das dívidas, por exemplo).

Portanto, o ajuste fiscal implica numa nova meta fiscal a partir de 2016. A justificativa do governo é que houve um crescimento descontrolado das despesas primárias num ritmo maior que o crescimento do PIB.

Fica claro, no entanto, que o foco da nova meta é a contenção das despesas primárias, aquelas justamente  necessárias à população. Assim sendo, fica fora do ajuste fiscal as despesas financeiras da União – aquelas contraídas mediante empréstimos às instituições financeiras e bancárias – que consomem, aproximadamente, 45% do orçamento geral da União (ver Auditoria Cidadã da Dívida na internet).

A crise econômico-financeira que estourou em 2008, implicou na sustentação e aumento do crédito para a sociedade (investimento e consumo), como também (como consequência deste), em queda na arrecadação.

Por dentro do ajuste

O novo regime fiscal se traduz no fato de que o governo acaba com a vinculação das despesas às receitas (as receitas podem aumentar sem que as despesas aumentem, independente do crescimento da economia, do crescimento da população e das necessidades de mais e novos serviços). Ou seja, as despesas estarão atreladas ao índice da inflação por 20 anos.

:: LEIA MAIS »



WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia