Artigos
O “SOFT” GOLPE DE MAIO
Se quase nada pode esperar dos evangélicos, qual será a base de apoio dessa Rede Sustentabilidade, que quer reapresentar Marina Silva?
Por José Eli da Veiga
É falso que o eleitorado de Marina Silva seja muito evangélico. Menos de 15% de seus quase 20 milhões de votos no primeiro turno de 2010 foram de evangélicos.
Tão somente um décimo do conjunto do eleitorado evangélico optou por Marina, enquanto mais de um terço votou em Dilma, quase outro terço em Serra e um sétimo invalidou o voto. Marina teve mais apoio nas minorias ateia e espírita do que em qualquer das outras cinco divisões por crença.
Isso só surpreende quem ignora que o grosso do voto evangélico é orientado por lideranças das mais pragmáticas. Sempre de olho em boquinhas no governo seguinte, bispos e pastores mostram-se tarimbados pelegos ao negociar com os favoritos ao segundo turno.
Em 2010, os calculistas Serra e Dilma violentaram suas próprias convicções sobre causas libertárias e igualitárias para barganhar votos evangélicos. Nada houve de fortuito, portanto, no fato de a atual base governista ter feito o diabo para viabilizar o controle evangélico da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, pois o Ministério da Pesca é merreca como retribuição ao forte apoio desse nicho com 22% do eleitorado total.
A SABEDORIA ESTÁ MATANDO AS PESSOAS
Este é um trechinho de uma canção que escrevi há alguns anos atrás, chamada Metamorfose dos instintos. Na época, eu tinha acabado de ler “O elogio da loucura” de Erasmo de Roterdã, ou melhor, Desidério Erasmo. Essa obra é fantástica. Foi muito divertido aprender máximas tão coerentes como esta, que acabei usando numa canção.
Nesta semana, Desidério apareceu de novo, na coluna “Blogs do Além”, da revistaCartaCapital. No falso blog, Erasmo reclamava da infelicidade. Como são infelizes aqueles que sabem demais. Como são! Saber demais, de tudo um pouco, do pouco um tudo é um tiro no escuro. Uma escolha quase santa e terrível. Quase heroica e desnecessária.
As pessoas que conhecem as coisas ou buscam esse conhecimento o dia inteiro realmente são chatas e infelizes. Eu, muitas vezes, sou chatíssimo. Às vezes não me suporto em minha lenga-lenga de definir verbetes, traçar teias de aranhas de possíveis e impossíveis correlações, só para depois o ar de “eu sei…” pairar pelo ar como uma baforada densa de um fumante denso. Intensa enquanto dura. Evidente, mesmo invisível.
Os caras que ficam indignados com um pênalti anulado se indignam menos do que os caras que ficam indignados com a complexa estética de Kant. É simples. É certo. É real e faz sentido. Outro dia me lembrei de uma discussão com um amigo sobre o que seria pecado, na visão cristã de pecado. A gente acabou concordando o seguinte: peca menos aquele que não sabe que peca!
>| Leia a matéria completa »
SOBRE A PURGAÇÃO DAS VERDADES INDIGESTAS
Por Mohammad Jamal
Desde criança, e já faz um bom tempo que fui criança, ouço as mais diversas reflexões sobre o tema culpabilidade. Dentre elas, a campeã das repetidas e surradas menções axiomáticas sobre a culpa é “quem cala consente”! É impressionante a atemporalidade em que sobrevive imune a provectude e faz viajar no tempo a mais antiga forma de expressão ao ato confessional: o silêncio. Um sobrevivente refratário à morte sociológica, indiferente a todos os meios de comunicação.
Não é incomum Imaginarmos que todo aquele se cala ante uma afirmação acusatória não só assume a inculpabilidade e suas decorrentes, como também delega aos supostos poderes do tempo, a tarefa erosiva de desgastar ao esquecimento os perjúrios e as maquinações dos logros praticados. Algumas máculas nodosamente menos escuras são, são susceptíveis a uma boa ensaboada e alvejantes fortes; entretanto, outras são maculosamente fortes, refratárias a tudo e, indeléveis como as manchas do vitiligo; pra toda a vida.
Ao reflexionar sobre um recente fato jornalístico ocorrido aqui mesmo, neste blog; vieram-me à mente os exemplares velhos jogos de memória, tipo jogo da velha; jogo dos sete erros; cartas enigmáticas; palavras cruzadas, charadas, etc.; não por acaso, mas por razões analógicas. Explico: Vimos uma simples cerimônia de leitura coletiva a que poderíamos chamar de apuração de débitos, ou de lavação de roupa suja, ou tomada de contas a público, transformar-se em desafiador libelo, mercê das sutis singularidades da língua Portuguesa. Tendo a arguta maestria redacional e leveza acuradas do articulista Marcos Penha com sua admirável alquimia jornalística em bravo editorial, transmutar-se para concorrida disputa midiático jornalística desta semana. Isso com maciça torcida do povo que vibrou e apoiou em uníssono o seu atleta editorialista Marcos Penha contra o adversário governamental Jabes. Uma partida que nada tinha a ver com ‘morte súbita’, mas que transcorreu como se o fosse.
É fato que a vitória foi por W.O., mas a dislalia silenciosa em que se recolheu murcho o adversário Jabes, equivaleu uma vitória por goleada de razões e pertinências, sem faltas ou impedimentos.
>| Leia a matéria completa »
ABSURDO JURÁSSICO
Por Renato Maurício Prado
Faz sentido um time ser eliminado de uma competição tão importante, como a Libertadores, por causa de erros crassos (e flagrantes!) do juiz e de seus auxiliares? Na partida em que o Boca Juniors se classificou às quartas-de-final do torneio, houve um pênalti escandaloso não marcado a favor do Corinthians e um gol dos brasileiros absurdamente anulado (de Romarinho).
Vi ainda outra penalidade máxima (em Emerson, no segundo tempo) e achei mal invalidado também o segundo gol de Paulinho. Mas em relação a estes até admito que pode haver outra interpretação. Nos dois primeiros, não.
Tivesse o quarto árbitro uma TV em sua mesa, a mão do argentino na bola teria sido marcada e o gol de Romarinho, validado. Os lances foram cristalinos no “replay”. E as duas jogadas pararam em seguida, o que permitiria a intervenção tecnológica.
O tamanho do prejuízo corintiano causado pelos erros é enorme. E não me venham dizer que não influenciariam no resultado, pois tanto o pênalti quanto o primeiro gol anulado aconteceram antes do belo gol (sem querer!) de Riquelme para o Boca. Ou seja, aos 24 minutos do primeiro tempo, o Corinthians já teria os 2 a 0 que necessitava.
É absurdo, injusto e revoltante que o futebol continue a conviver com esse tipo de lambança, somente por não querer abandonar a pré-história em que se encontra e ingressar na era digital em que praticamente tudo se vê. Quando a Fifa e os velhinhos da International Board se darão conta disso?
CARLOS AMARILLA NÃO PREJUDICOU APENAS O CORINTHIANS. ÁRBITROS COMO ELE PREJUDICAM O FUTEBOL
O apresentador Jorge Kajuru insiste na tese de que a desonestidade prevalece no futebol.
Kajuru muitas vezes se notabiliza pelo exagero, entretanto, admito que essa afirmação do polêmico jornalista contribuiu para o fim da minha ingenuidade em relação ao esporte.
Ontem à noite, o Corinthians foi roubado no Pacaembu, na presença de 38 mil torcedores, frente ao Boca Juniors da Argentina.
O árbitro paraguaio Carlos Amarilla não deu um pênalti claríssimo no 1º tempo, a favor do Corinthians, quando Martin (29) do Boca cortou uma jogada de Emerson Sheik com a mão. Minutos depois, o auxiliar Rodney Aquino (filho de Ubaldo Aquino, árbitro que prejudicou o Palmeiras na libertadores de 2001) anulou um gol “legalíssimo” de Romarinho.
No 2º tempo, Sanchez Mino (30) do Boca empurrou Emerson Sheik dentro da pequena área. Carlos Amarilla mais uma vez negou o pênalti.
O amigo visitante pode conferir os erros aqui, comentados pelo ex-árbitro Carlos Simon (do canal Fox Sports).
Até mesmo a imprensa Argentina concordou que os erros favoreceram o Boca (veja aqui).
Muitos torcedores de times adversários costumam celebrar os erros da arbitragem. A turma do contra não vê que esse tipo de infortúnio ao rival prejudica, na verdade, o futebol como um todo. Tira a credibilidade de um esporte que nos alivia a rotina, gera alegria, torna meninos pobres ricos, une pais, mães e filhos, além de reunir amigos.
Futebol é prazer que alivia o sofrimento, está no mesmo patamar do sexo, é amor, arte e identidade.
Quando um árbitro prejudica um time intencionalmente, ele se transforma num inimigo, impede os pouquíssimos espasmos de prazer que o futebol oferece à vida.
A derrota tem que acontecer na bola, jamais na base da desonestidade.
Continuarei torcedor, amante do futebol e sujeito aos sarros. Não posso abrir mão desse prazer que se renova em cada grande jogada.
Domingo tem Corinthians e Santos na final do Paulistão. Seremos Campeões! Na libertadores torcerei pelo Atlético Mineiro (Galo). Por aqui, desejo um milagre: a recuperação do Colo-Colo na 2ª divisão do campeonato baiano.
Caso as minhas expectativas saiam frustradas, que sejam na bola, no jogo ruim dos meus times, nos erros táticos ou até no azar. Nunca e de forma alguma nos erros intencionais de árbitros bandidos.
Emílio Gusmão.
A VIDA É PRA VIVER, NÃO PRA MORRER DE BOMBA
Por Malu Fontes
O que começou com uma fotografia quase engraçadinha em tempos de exposição da intimidade nas redes sociais avançou para boatos e desmentidos de morte e, independentemente do desfecho, terminará com o cantor Netinho tendo a vida, ou pelo menos seus hábitos de vida, reformulados por imposição da sua própria biologia, que deu um basta ao que os moderninhos chamam de body building (não está satisfeito com o seu corpo? Construa outro).
Ao postar em seu Instagram fotos na UTI de um hospital em Salvador, uma delas quase sorrindo como se estivesse brincando de posição fetal e outra de uma bolsa de soro, dizendo que estava achando aquilo um saco, pois funciona a 220V, Netinho certamente estava longe de imaginar que poucos dias depois teria um prognóstico tão próximo da morte. As fotos cessaram, sua saúde foi degringolando dia após dia de internação e os nomes das coisas só começaram a ser dados quando a família o embarcou numa UTI aérea para o Hospital Sírio-Libanês na última quinta-feira e o entregou à equipe multidisciplinar do médico Roberto Kalil, o que equivale, em termos de saúde no Brasil, a embarcar para uma espécie de Castelo de Caras hospitalar, se houvesse alguma equivalência disso em termos clínicos.
Nos quase 20 dias em que Netinho permaneceu internado em Salvador um detalhe mereceu atenção. De foto postada pelo próprio em rede social a manchete desmentindo os boatos sobre sua morte, a imprensa local falou de tudo. Menos do que as ruas falavam. Netinho sentira uma dor, Netinho teria tumores benignos no fígado, Netinho piorara e até Netinho morrera. Sim, mas o que levara a tudo isso? A resposta era um tabu, embora só para a e na imprensa. Ganha um pirulito fluorescente quem estiver lendo este texto e já não tivesse pronunciado ou ouvido nos últimos dias o nome da causa originária do adoecimento do cantor antes de o Fantástico de domingo ter pronunciado as palavras tabu que a imprensa não ousava citar, mas há muito estavam na boca do povo: esteróides, anabolizantes, hormônios e que tais. Bomba, no popular, o que fez magicamente o magrinho Ernesto ir se transformando no malhadão Netinho. À custa de um fígado e, até agora, sabe-se, de quase muito mais.
>| Leia a matéria completa »
CARTA AO JABES RIBEIRO
Por Marcos Pennha
Ilhéus, 13 de maio de 2013
Bom dia, boa tarde, boa noite, Jabes Souza Ribeiro. Aqui é o simples escrivão da população. Não se trata, tão somente, de rima, e sim de algumas verdades, as quais a nossa gente ilheense gostaria muito de falar contigo, escritas por Marcos Pennha, que, por acaso, esse cara sou eu. Marcos Pennha nunca pediu dinheiro, emprego ou qualquer favorecimento particular para ele, ou para outra pessoa, a nenhum político. Quem procede dessa maneira, tá credenciado a exigir que o detentor de mandato cumpra com suas obrigações perante aos ilustres cidadãos, consumidores, consequentemente, contribuintes da escorchante carga tributária imposta em nosso Brasil varonil.
Em primeiro lugar, desculpe-nos por te chamar, simplesmente, de Jabes e de você. Não encare como desrespeito. É que estamos falando com o cidadão, não necessariamente com o prefeito.
Peço, de antemão, que não me confunda com aqueles que passam em Ilhéus, 24 h diárias, ‘batendo’ em ti até você liberar o ‘fazmerrir’. Esse pessoal traveste-se de defensor da nossa humilde gente ilheense; porém, na verdade, não passam de apaixonados por ti, Jabes. Note que há até quem exiba, com orgulho, a tua foto, quando jovem, sem óculos e com cabeleira. O que querem é ser você. Ou melhor, desejam, ardentemente, sentarem na tua cadeira palaciana. Contudo, nessa situação, não é possível; senão, sentarão no teu colo. Ha, ha, ha, ha, ha, …
Brincadeira à parte, é deprimente ver certos políticos – os quais você, inteligentemente, arremessou-lhes na oposição – jogando ‘inocentes’ úteis contra quem eles elegeram como inimigos. Você, Jabes, há muitos anos na política, sabe muito bem que existem os políticos inescrupulosos, que costumam a usar os pseudo profissionais da comunicação, como se usa papel higiênico. É notório que esses ‘profissionais’ permitem-se a esse desrespeito próprio, e, tal qual o papel higiênico, quando não estão no rolo, estão na m … É o dia-a-dia de quem amealha migalhas em troca de fazer a defesa dos que só se interessam pelas causas meramente particulares.
Você, também, Jabes, é sabedor de que, em nossa pujante região sul da Bahia, existem inúmeros profissionais da comunicação respeitáveis. Só para exemplificar, citamos dois das duas maiores cidades dessa rica região: Gil Gomes, de Ilhéus, e Ramiro Aquino, de Itabuna.
Você, Jabes, está cumprindo o quarto mandato. Pela lei eleitoral vigente, você foi escolhido para governar, de novo, a bela Ilhéus. Milhares de pessoas entoaram o “Volta, Jabes. Volta, meu prefeito”. Você disse, na campanha, que era o mais preparado, o único experiente, capaz de tirar a cidade do caos em que se encontrava – e que ainda se encontra. Esse mesmo povo pensava que a coisa seria mudada assim num toque de mágica, com o simples espalhar do pó de pirlimpimpim. Por isso essa pressão sobre ti, entendeu?
MORREU TRABALHANDO
Por Mohammad Jamal
A perplexidade da morte continua sendo um dos fatores intrínsecos na alma e inconsciente coletivos. Por mais que reafirmemos os nossos potenciais de resistência e resignação, a nossa passividade ante essa grande incógnita ceifadora dos seres vivos é muitas vezes abalada. Há evidentemente, situações de persistência e cronicidade no sofrimento físico em que somos acometidos à iminência da fatídica inevitabilidade, por uma sutil passividade faz-nos transparecer sentimentos de grata resignação, tolerabilidade e ate aceitação aos dogmáticos enigmas da morte.
Desde a sua mais primitiva origem o homem extasia-se hirto, num misto de temor e intensa curiosidade pelos desdobramentos e decorrentes da morte; inferências as mais variadas, de fundo étnico; teológico religioso, cientificista; espirituais, quântica e metafísica, em busca das respostas às suas inquietações literalmente existenciais.
É racionalmente inegável afirmar que existem aqueles que demonstram coragem ou destemor diante da morte; mas, no geral, é na morte dos outros e nunca a sua própria. Esse colóquio preambular com que inicio esse artigo, se faz necessário diante do respeito que tenho por todos aqueles que me leem aqui no Blog do Gusmão.
A morte ainda persistirá por muitos anos entre nós, os seres vivos, como algo indescritível, mítico e tabu; muito mais que a própria concepção da vida. Falo isso porque vi hoje de pertinho, último suspiro de um velho conhecido. Digo velho conhecido porque é comum termos com ele o convívio rotineiro e pontual há mais de cinco anos, aliás, desde o período do findo mandato do Nilton Baía e agora, mais frequentemente, no governo Jabes, às manhãs, tardes e noites; dias úteis, domingos, feriados e dias santos, com inglesa pontualmente. Ele se foi de entre os trabalhadores mais pontuais e exemplares. Jamais faltou ao trabalho um dia sequer. Era entre os primeiros a chegar à faina e entre os últimos a sair horas após o longo expediente diário.
PELA AMPLIAÇÃO DA MAIORIDADE MORAL
Eliane Brum
Eu acredito na indignação. É dela e do espanto que vêm a vontade de construir um mundo que faça mais sentido, um em que se possa viver sem matar ou morrer. Por isso, diante de um assassinato consumado em São Paulo por um adolescente a três dias de completar 18 anos, minha proposta é de nos indignarmos bastante. Não para aumentar o rigor da lei para adolescentes, mas para aumentar nosso rigor ao exigir que a lei seja cumprida pelos governantes que querem aumentar o rigor da lei. Se eu acreditasse por um segundo que aumentar os anos de internação ou reduzir a maioridade penal diminuiria a violência, estaria fazendo campanha neste momento. Mas a realidade mostra que a violência alcança essa proporção porque o Estado falha – e a sociedade se indigna pouco. Ou só se indigna aos espasmos, quando um crime acontece. Se vivemos com essa violência é porque convivemos com pouco espanto e ainda menos indignação com a violência sistemática e cotidiana cometida contra crianças e adolescentes, no descumprimento da Constituição em seus princípios mais básicos. Se tivessem voz, os adolescentes que queremos encarcerar com ainda mais rigor e por mais tempo exigiriam – de nós, como sociedade, e daqueles que nos governam pelo voto – maioridade moral.
Se é de crime que se trata, vamos falar de crime. E para isso vale a pena citar um documento da Fundação Abrinq bastante completo, que reúne os estudos mais recentes sobre o tema. Mais de 8.600 crianças e adolescentes foram assassinados no Brasil em 2010, segundo o Mapa da Violência. Vou repetir: mais de 8.600. Esse número coloca o Brasil na quarta posição entre os 99 países com as maiores taxas de homicídio de crianças e adolescentes de 0 a 19 anos. Em 2012, mais de 120 mil crianças e adolescentes foram vítimas de maus tratos e agressões segundo o relatório dos atendimentos no Disque 100. Deste total de casos, 68% sofreram negligência, 49,20% violência psicológica, 46,70% violência física, 29,20% violência sexual e 8,60% exploração do trabalho infantil. Menos de 3% dos suspeitos de terem cometido violência contra crianças e adolescentes tinham entre 12 e 18 anos incompletos, conforme levantamento feito entre janeiro e agosto de 2011. Quem comete violência contra crianças e adolescentes são os adultos.
Será que o assassinato de mais de 8.600 crianças e adolescentes e os maus tratos de mais de 120 mil não valem a nossa indignação?
Diante desse massacre persistente e cotidiano, talvez se pudesse esperar um alto índice de violência por parte de crianças e adolescentes. E a sensação da maioria da população, talvez os mesmos que clamam por redução da maioridade penal, é que há muitos adolescentes assassinos entre nós. É como se aquele que matou Victor Hugo Deppman na noite de 9 de abril fosse legião. Não é. Do total de adolescentes em conflito com a lei em 2011 no Brasil, 8,4% cometeram homicídios. A maioria dos delitos é roubo, seguido por tráfico. Quase metade do total de adolescentes infratores realizaram o primeiro ato infracional entre os 15 e os 17 anos, conforme uma pesquisa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). E, adivinhe: a maioria abandonou a escola (ou foi abandonado por ela) aos 14 anos, entre a quinta e a sexta séries. E quase 90% não completou o ensino fundamental.
Será que não há algo para pensar aí, uma relação explícita? Não são a escola – como lugar concreto e simbólico – e a educação – como garantia de acesso ao conhecimento, a um desejo que vá além do consumo e também a formas não violentas de se relacionar com o outro – os principais espaços de dignidade, desenvolvimento e inclusão na infância e na adolescência?
>| Leia a matéria completa »
PAGANDO PRA VER
Por Mohammad Jamal
Não sei o que está acontecendo conosco, meus amigos. Aliás, esse estado peculiar, misto de melancolia e decepção, não é treita pra recebermos afagos e reconforto, não; quase todo povo está assim, com cara de quem comeu, não gostou e ainda por cima está em profusa diarreia existencial, claro. Há um depressivo ar de derrotismo pintado com as cores da irreversibilidade estampado no rosto de cada cidadão de Ilhéus. Estamos todos apriápicos (*), literalmente broxados refratários a todos os falsos estimulantes made in Paraguai que nos lançam ao cocho a partir das janelas intercomunicantes do Palácio e da Casa do Polvo (eu escrevi “polvo” mesmo) a realeza e a burguesia político legislativa de Ilhéus.
Contaminem-nos com o estado de espírito de vocês, que estão por cima, por favor! Nós também queremos entrar nesse clima, mas parece-nos exclusivo à elite política e rudemente excludente ao povão.
Estamos fartos de só levar fumo grosso. Sentimo-nos como aquela moça do interior que cédula, confiou nas promessas daquele caixeiro viajante que mora na capital e vendia política falaciosa. Veemente em sua voz de arauto, ele a convidou para ver uma coisa linda e pequena que escondia atrás de uma caixa de urna eletrônica! Não era pequena nem linda. Assim que ela viu de perto que aquilo que supunha era, na verdade, feia, grande e grossa, deu-se mal. Ele deixou suas marcas; fez-lhe o mau à sua pudicícia e virgindade. E logo, escorregadio como enguia, escafede-se estrada afora quando convocado a assumir o “estrago” que praticou.
Estaria todo o nosso povo coletivamente acometido pela síndrome de Penélope? Arre égua! Há, com certeza, alguma similaridade com os dramas vividos pela casta e fidelíssima Penélope a açular-nos a mísera existencialidade proletária. Enquanto lança-se ao mar cercado dos seus guerreiros para supostamente combater monstros e deuses míticos; conquistando reinos e terras, Ulisses deixa vulnerável a pobre Penélope à mercê dos tarados assediadores da corte, que a pretendiam na cama e no trono! E ela, resistiva no resguardo da sua ameaçada e instável castidade; com tatos faunos e efebos lúbricos “armados” à sua volta; compromete-se retórica em político eufemismo, ceder aos arroubos dos seus assediadores tão logo consiga terminar de tricotar do pulôver para Ulisses, o qual “destricota” – o neologismo é nosso – pontualmente à noite, para adiar o que já se insinuava como inescapável e inadiável à inevitabilidade. É assim que Ilhéus está sobrevivendo à iminência de ser tragada pelo sumidouro que a drena a exaustão dos seus últimos recursos.
>| Leia a matéria completa »
VERDADE BANDIDA
Por Marcos Pennha
A notícia que Valderico Reis, ex-prefeito de Ilhéus, foi preso causou um rebuliço danado na cidade.
Depois, em nota divulgada na imprensa, o advogado do suposto preso declarou que não foi verdade o divulgado, afirmando que Valderico, na cerimônia de casamento do seu filho Júnior, teve um mal súbito.
O advogado aposentado Dr. Bonfá ligou para o programa diário Verdade Bendita, apresentado por Demmys Dorea na Conquista FM, na segunda-feira, 6 de maio. Ele explicou o caso, confirmando que não se tratou de prisão e que o citado ex-prefeito teve, mesmo, um mal súbito.
A seguir, a versão do Dr. Bonfá:
O normal é que o sujeito sinta-se mal, e chame o médico. Nesse caso, uma situação atípica. O ex-prefeito, vendo três sujeitos, perguntou a um dos convidados do casamento: “Quem são aqueles?” O convidado respondeu que se tratava de médicos. Vardé inquiriu: “Mas assim vestidos com os coletes pretos à prova de bala?” Fez a pergunta e daí … o famigerado mal súbito, forma sofisticada para expressar o desmaio. Um dos supostos médicos disse: “Vamos levá-lo para o hospital. A ambulância do SAMU tá aí fora”.
Ao transportar o paciente, que estava muito impaciente antes do desmaio, os supostos médicos introduziram-lhe na malfadada ambulância, que, por sinal, era diferente das convencionais. Toda na cor preta, e não vermelha.
Devido a longa distância da igreja para o dito hospital e excesso de automóveis na estrada, houve a demora de três horas para chegar ao destino. Daí o súbito mal entendido. Vardé esteve PRESO, sim, no trânsito. Sacaram aí o equívoco?
Bom, todo mundo sabe que o médico, não sendo veterinário, faz indagações ao paciente. Confira a seguir o diálogo.
>| Leia a matéria completa »
REVERÊNCIA
Por Marcos Pennha
Madrugada de 2 de maio, exatamente às 4 h, levanto e corro para o meu escritório particular. Essa é a vantagem de ter o local de trabalho em casa, porque você já acorda na lida. Com sofreguidão, lembrei de que o meu pai e mestre maior, Genésio, completaria 89 anos de existência nesse plano terrestre, HOJE. Mas o PAI, Criador de tudo e de todos, mandou chamar-lhe para outro plano, outra missão. Em 2 de fevereiro, dia de Iemanjá, Genésio partiu. Portanto, três meses, sem a sua presença física.
Cada vez que digito alguma ideia para jogar “no ar”, o faço com uma música de fundo, que se passa no meu inconsciente. A música alimenta a alma. Para falar de meu pai, teria várias músicas que versam sobre pai e amigo. Conscientemente, escolhi “Meu querido, meu velho, meu amigo”, de Roberto Carlos.
“Esses seus cabelos brancos, bonitos, esse olhar cansado, profundo
me dizendo coisas, num grito, me ensinando tanto do mundo …
Genésio foi um pai herói. Passou por diversas situações de agruras, sempre pensando na sua família, que inclui seis filhos. A família era a sua bandeira. Mesmo trabalhando longe, a aproximadamente 250 km de distância, em Eunápolis, sempre vinha a Ilhéus, todo fim de semana, só para acompanhar a vida dos filhos, porque, segundo antiga propaganda de uma pomada para massagear o local machucado, “NÃO BASTA SER PAI. TEM QUE PARTICIPAR”. A conversa amena, o conselho, a ação, ou mesmo com a voz áspera. O objetivo, um só: Dar o melhor de si para os seus. Isso é o AMOR!

Na foto de Gidelzo Silva, os senhores (da esquerda para a direita): Genésio, Álvaro, Diniz e Zeca, no jipe dos Ex-Combatentes, em desfile de 7 de Setembro, ano 2011, na avenida Soares Lopes, em Ilhéus/ BA.
E esses passos lentos, de agora, caminhando sempre comigo,
já correram tanto na vida,
Meu querido, meu velho, meu amigo …
SITUAÇÃO OLIGOFRÊNICA
Por José Eli da Veiga
Catastrofismos motivados por previsões exageradas a respeito das possíveis consequências das três piores barbeiragens ecológicas globais – aquecimento, perda de biodiversidade e zonas oceânicas mortas por excesso de nitrogênio – são induzidos pelo abuso da noção “ponto da virada” (“tipping point”): um instante crítico de mudança que, embora pequeno, surte efeito extraordinário. Essa é a versão dominante, popularizada por Malcolm Gladwell, da “NewYorker”, autor de best-seller com esse título lançado em 2000.
Remando contra tão poderosa maré, um dos mais importantes periódicos científicos do mundo – o PNAS – dedicou à questão um número especial de 2009 no qual o jargão “tipping points” foi substituído por “tipping elements” (vol. 106, nº 49). Porém, foi só no ano passado que a confusão começou a ser realmente desfeita, em circunstanciado balanço sobre o emprego dessa noção nas páginas da “Nature” (vol. 486, 07/06/12), por 16 pesquisadores que optaram pela expressão “mudança de estado” (“state shift”).
Na contramão do senso comum, não existe nos sistemas biológicos algo que possa ser definido como “estabilidade” ou “equilíbrio”. Seus comportamentos são sempre instáveis e em desequilíbrio, mesmo que as variações em determinado período possam ser percebidas como desvios em relação a uma média, o que costuma levar à errônea inferência de que tal média seria um ponto de equilíbrio.
Nesse tipo de dinâmica, a maior preocupação se refere às mudanças de um estado para outro que podem ser causadas pelo chamado efeito de “limiar” (“threshold”): quando um processo incremental e cumulativo atinge um momento crítico no qual a mudança de estado é abrupta, levando a outro patamar (ou média de desvios) fora da faixa das flutuações observáveis no estado anterior.
>| Leia a matéria completa »
ENTRE ESTUPROS E CHACINAS, O BRASIL QUER FICAR BEM NA FITA
Por Malu Fontes
A violência do Brasil estampou-se nas manchetes do mundo há poucas semanas, quando uma turista americana entrou em uma van em um dos principais cartões-postais do país, o bairro de Copacabana, acreditando estar em segurança usando o transporte público do Rio de Janeiro. O percurso foi desviado, os demais passageiros foram obrigados a descer e a moça foi estuprada coletivamente por um bando de bárbaros que comandavam o veículo, clandestino. Bastou que, diante do caso, a imprensa internacional lembrasse que este era o país que sediaria a Copa das Confederações, a Copa do Mundo e as Olimpíadas para que a polícia do Rio se virasse nos 30 e desse conta de apresentar os criminosos em dois tempos.
Que a imprensa internacional esbugalhe os olhos diante de fatos dessa natureza, qual a surpresa? A barbárie nas grandes cidades brasileiras assombra aqui e lá fora. Chacinas, gente queimada viva, ondas de explosão de caixas de banco, saidinhas bancárias, sequestros relâmpago e taxas de homicídio que parecem genocídio. Diante da violência de qualquer grande metrópole brasileira, Bagdá e a Faixa de Gaza são dúplex no reino da paz.
No entanto, o que se torna quase tão inacreditável quanto a perpetração dessa violência em si é a reação de boa parte da população brasileira e de lideranças políticas diante da repercussão internacional. Quem já não leu nos jornais ou ouviu na TV declarações do tipo: “Ah, isso é péssimo para a imagem do Brasil lá fora, na véspera da Copa”. Como? A violência é um horror é para os brasileiros, que, sem estarem em uma guerra, vivem num país onde não podem sair às ruas certos de que voltarão vivos.
>| Leia a matéria completa »
ESTE É UM ASSUNTO POLÊMICO
Por Mohammad Jamal
Este é um assunto polêmico; como também sou polêmico e, muitas vezes incompreendido nas sacadas perpetradas por aqui, então vamos fundo, direto ao assunto. Ressalvando: Não tenho “três” como afirmou possuir um erudito vereador, em plenário. Mas tenho “dois” que valem por seis.
Gosto de ler e, de fato, leio muito e de tudo que me vem aos olhos. Confesso que me divirto demais ao ler sobre alguns assuntos nas mídias jornalísticas, blogs e sites. No que tange às abordagens cotidianas é impossível estabelecer no imenso caleidoscópio de prosódias, maneirismos linguísticos, jargões, dialéticas e ate mesmo sintaxe, um estilo coincidente entre os diversos articulistas, senão quando tratam sobre a política e seus representantes numa linguagem domada entre métodos esquemáticos básicos numa didática supostamente jornalística e metodologicamente contida à pedagogia temática, à qual me confesso total ignorante.
Seria o esquemático das cinco inquirições? O que? Quando? Onde? Quem? Como? Por quê? Alguns professores de comunicação afirmam que, para ser considerado de “qualidade” (?), o texto precisa ser consistente (?). Isso significa, em essência, “esgotar” o assunto abordado, estando oferecendo ao leitor o máximo possível de informações relacionadas ao tema. Mesmo quando lugar comum e à exaustão repetitiva do leitor? Sei não.
Em minha opinião, devemos ser menos diagnósticos e mais críticos em nossos comentários e artigos. O articulista deve fugir à fleuma da impessoalidade analítica que beira a relativização dos fatos, e deixar-se, a exemplo do emocional fisiológico evidente e predominante na massa, levar-se pela emoção do contraditório, do desafeto, do dolo moral, do ofensivo e pernicioso praticado por representantes do povo coletivizado aos feudos dos cartéis dos políticos no poder.
Essa coisa esquemática, metodológica, formal e didaticamente jornalística (sic) já não atende aos clamores do povo numa era sociologicamente liberalista, permissiva e moralmente reformista a bem da burguesia classicista cartelizada; um tempo de – lavou? Está novo! – Será que vamos ser obrigados a reconquistar um novo iluminismo construtivista em pleno século XXI? Então vamos lá, mãos à obra, pois estamos atrasados.
PRA FRENTE, ILHÉUS!
Por Marcos Pennha
Outro dia, ouvi o Doutor Bonfá (Personagem que participa do Programa Verdade Bem Dita, apresentado por Demmys Dorea, diariamente, de meio dia a 1 e meia da tarde, na Conquista FM 105,9) dizer que Ilhéus encontra-se estagnada. Ao lado sul da cidade, existe a questão da demarcação de terras indígenas. Enquanto na zona norte, a querela, criada pelo governo estadual, para a implantação do terminal de uso privativo (tup) para exportação exclusiva do minério de ferro vindo de Caetité/ BA. O empreendimento é uma Parceria Público/ Privada (PPP) entre governo e um grupo de mineração da Índia. Enquanto não dirimir essas dúvidas, não haverá empresário propenso a investir nessas áreas. Conclusão: Ilhéus parada. Ao sul, por causa dos índios. Ao norte, por culpa dos indianos.
Agora, apareceu outro fator de estagnação, que é a Câmara Municipal e o imbróglio para a formação das comissões. Houve uma eleição anulada, por conta de uma ação impetrada pela bancada de oposição, alegando que o resultado da eleição primeira não respeitou a proporcionalidade, sendo que nenhum dos opositores candidatou-se.
Semana passada, quarta-feira (24), por determinação da Justiça, outra eleição. Tudo ia muito bem, acontecendo tranquilamente, com as candidaturas sempre de dois vereadores do bloco de sustentação do governo e um da oposição. Até que chegou o momento da escolha dos componentes da Comissão de Legislação, Justiça e Redação Final. Foram colocadas as candidaturas de professor Alzimário Belmonte (PP), Tarcísio Paixão (PSD) e Cosme Araújo (PDT), mais Gilmar Sodré (PMN). Foi criada uma celeuma, porque, pela lógica, claro que o vereador vice-líder da oposição, Cosme, ficaria de fora, pois o governo possui maioria na Casa. Os oposicionistas retiraram seus nomes das comissões eleitas e abandonaram o plenário, prometendo entrar na Justiça, de novo.
Gilmar Sodré apresentou-se como oposição. Pela questão partidária, ele é oposicionista, sim, junto com os outros dois do PMN (partido agora extinto, por ter fundido com o PPS e formado o Mobilização Democrática/ MD), James Costa e Lukas Paiva. O PMN, nas últimas eleições, compôs a coligação da candidata a prefeita professora Carmelita Ângela (PT), então vereadora.
Na prática, porém, só Lukas comporta-se como opositor. Gilmar e James, com o argumento de que foi eleito pelo povo, não declaram que é situação, nem oposição. Ambos votaram a favor do projeto, apresentado pelo governo, de mudança do regime celetista para estatutário. Também, acompanhando os vereadores da bancada governista, não aprovaram a fala da presidente da Associação dos Professores Profissionais de Ilhéus (APPI), Enilda Mendonça, antes da votação. Bom lembrar desse fato.
Não é a primeira vez que Liquinha, como é chamado o Gilmar, funciona como curinga na Câmara. Há quem diga: “Esse cara é do baralho!”. Em 13 de dezembro de 2006, Liquinha foi o suspeito de ter melado a eleição, já dada como certa, do então vereador Alcides Kruschewsky para presidente da Câmara. No apagar das luzes, Alisson Mendonça (PT) foi eleito pelo placar de 7X6. À época eram 13 vereadores. Hoje, 19.
O mencionado vereador é pequeno na estatura, porém grande em participação especial como pivô de articulações, em que não se sabe o que o povo ganha com isso. Recentemente, ele compareceu no encontro de partidários do PSDB na vizinha cidade Itabuna, que contou com a presença do deputado federal Jutahy Jr. e do deputado estadual Augusto Castro, presidente da sigla naquele município. O comentário é que Liquinha articula o seu ingresso no partido de Jutahy, já que a lei eleitoral permite a mudança, em caso do eleito pertencer a um partido extinto.
Essa jogada do vereador, que envolve controlar o partido em Ilhéus, ainda segundo o zumzumzum dos bastidores, tem a chancela do grupo jabista (É desse jeito que chamam o seguidor do prefeito Jabes Ribeiro/ PP). Rola também, à boca miúda, a conversa de que a livraria da família de Liquinha – Ele não se intitula dono da empresa – é fornecedora da prefeitura. Esse povo fala demais, mesmo não tendo o longo bico do tucano. Veja que dizem até que a tal livraria fornece cesta básica, pode? Inclusive, contam uma piada onde o eleitor pergunta ao vereador: “A cesta é grande ou pequena, vossa excelência?” E ele responde: “É um cestão. Cestão ferrados”.
O BLOG DO GUSMÃO RECOMENDA: A MULHER DO PRÓXIMO
Há muitos iludidos certos de que fazem grande jornalismo.
Essa foi a constatação deste editor ao concluir a leitura de “A Mulher do Próximo”, de Gay Talese, uma reportagem “pra valer” em que pouquíssimos seriam capazes de chegar.
O autor, uma das referências do “New Jornalism”, choca os que têm certeza do passado mais careta (noção infantil).
Cuidadoso trabalho de pesquisa, cujo estilo mistura elementos da produção literária, a obra expõe o furor sexual da sociedade norte-americana antes da explosão da AIDS (final da década de 70).
Mulheres reais são expostas por segredos íntimos desvendados (na prática). O macho “dono da fêmea” fica vergonhosamente nu diante da liberdade feminina, sedenta por saciar desejos sexuais tão comuns (porém ignorados) quanto os dos homens.
O livro relata a coragem dos primeiros editores da indústria pornográfica e a intensa luta que travaram – contra o fundamentalismo religioso e moral – para fazer valer um dos princípios da 1ª emenda da constituição ianque (liberdade de expressão).
A vida de prazeres de Hugh Hefner (fundador da Revista Playboy) é descrita pelo olhar objetivo e encantado de Talese (eu queria estar no lugar dele).
A capa de uma sociedade supostamente puritana cai nos relatos das casas de swing e de seitas onde a permissividade era comum.
‘O paraíso da carne” (definição de John Updike) é objeto de investigação jornalística. O autor expõe seus entrevistados com surpreendente realismo (e concordância).
Há também um breve acerto de contas, quando o próprio Talese se mostra.
O livro é muito bom, excitante, um tijolo na testa dos preconceitos.
“Numa noite de domingo, quando voltavam ao campus num ônibus da Greyhound, na sequência de uma troca de beijos e carícias cada vez mais apaixonados no veículo escuro, ele instou-a a fazer uma felação nele ali mesmo, sob um cobertor. Ela ficou surpresa com o pedido e mais ainda com a própria disposição de ceder ao desejo dele sem relutância ou constragimento, tão ansiosa estava no momento para agradar-lhe, bem como excitada pela idéia de executar aquele ato nas costas dos outros passageiros. Quando abaixou a cabeça e pôs o pênis de Hugh na boca, sentiu não somente amor por ele, mas também o despertar intenso de sua própria libertação”.
Trecho do livro A Mulher do Próximo. Uma crônica da permissividade americana antes da era da Aids, do escritor norte-americano Gay Talese.
O QUE FOI QUE EU FIZ?
Por Marcos Pennha
* O feed-back proporcionado pelos leitores dos artigos que escrevo é algo sensacional. A cada edição, aumenta o número de pessoas que interage comigo, através de comentários no post, e-mail e pessoalmente. Por esse motivo, sinto-me na obrigação de publicar o retorno, pois é de grande valia para todo cidadão, que se preocupa com a solução, ou minoração, dos problemas recorrentes na sociedade.
Conforme já declarei noutra oportunidade, aqui quem escreve é o cidadão, utilizando técnicas do jornalismo e linguagem adequada. Em verdade, sou um interlocutor espontâneo da população, a qual faço parte. O que escrevo é queixa da gente humilde, que não se sente em condições de ecoar suas reclamações relacionadas aos agentes públicos eleitos, através do voto popular. É dever nosso mencionar falhas, bem como cobrar providências daqueles que são subsidiados pelo dinheiro oriundo dos recursos públicos.
Assim procedemos de maneira respeitosa, falando diretamente com as partes envolvidas, sem rodeios, sem indiretas, nem chacotas. É desse jeito que se faz o jornalismo sério, priorizando a ética, o respeito aos leitores e também às partes mencionadas no processo. Às vezes, claro, utilizamos o bom humor. Entretanto, o fazemos com classe, sem agressão a ninguém. Dessa forma, o leitor vê a situação descontraidamente, melhorando o seu poder de análise.
É natural que cobremos seriedade do poder legislativo. Afinal, as prerrogativas, desse poder, são apresentar emendas para que se tornem leis integrantes da Lei Orgânica do Município (LOM), e FISCALIZAR o EXECUTIVO. O que nós, cidadãos, queremos é que tenhamos um legislativo operante, de verdade, nas suas atribuições, em especial no quesito fiscalização do executivo, apontando irregularidades e, principalmente apresentando alternativas de solução, tornando-se propositivo.
Declaro que não tenho nada de pessoal contra nenhum vereador. Reiteradamente, digo que não sou algoz da Câmara Municipal de Ilhéus, nem daqueles que fazem oposição ao governo.
O que fiz no artigo Radiografia Geral foi uma exposição de fatos históricos, não análise política. Quem cursou um bom primário, como eu tive essa sorte, interpretou bem o texto. Análise política trabalha com projeção baseada em conjecturas, hipóteses. Não houve nada de ofensivo às partes citadas no artigo.
>| Leia a matéria completa »
NOSSA ILHÉUS, NOSSO SÃO JOÃO
Por Marcos Pennha
“A fogueira está queimando em homenagem a São João …” “Com a filha de João, Antônio ia se casar. Mas Pedro fugiu com a noiva, na hora de ir pro altar …” “Olha pro céu, meu amor. Vê como ele está lindo. Olha praquele balão multicor. Como no céu vai sumindo …
Esses são trechos de algumas canções, que fizeram sucesso no São João de outras épocas. A música tem a capacidade de levar a gente ao passado, trazendo os bons momentos ao presente.
Lembro-me bem das boas festas juninas dos anos 70, 80 e 90. Tudo começava na semana do Santo Antônio com as reuniões religiosas nas casas até o dia 13 de junho, quando se comemorava o cognominado santo casamenteiro. No dia 29 de junho, o São Pedro, padroeiro das viúvas, que antigamente se trajavam de preto em sinal de luto.
Todavia, o grande prestigiado, mesmo, era o São João. Eta, festança boa! No passado, nem tanto distante, esse evento era uma manifestação familiar. Não que, hoje, não seja. É que, tá mais comercial. Tenho saudade daquele fulejo junino em toda Ilhéus, especialmente no nobre bairro Pontal, onde vivi infância e parte da juventude.
As ruas ornamentadas com as coloridas bandeirolas. As fogueiras, as quais eram construídas até por crianças, que saíam à cata de lenha. As iguarias típicas: amendoins torrados e cozidos, milhos cozidos e assados, bolos de diversos sabores, etc. Delícias preparadas pelas famílias. À noite, era aquele movimento de gente batendo nas portas, perguntando: “São João passou por aqui?” Bom aquele divertimento das quadrilhas (não essas formadas pelos malfeitores). Damas e cavalheiros naquela dança típica gostosa. Cavalheiros, trajando camisa xadrez e calça remendadas, usando chapéu de palha. Damas, com vestido rodado, quadriculado, exibindo a feição maquiada, com pintinhas na bochecha, batons nos lábios, realce nas sombracelhas e cabelo dividido ao meio, preso cada parte por um acessório chamado “maria chiquinha”.
MAIORIDADE PENAL – OU SUA VIDA NÃO VALE UMA BALA
Por Walmir Rosário







