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Sábado, 18 de Agosto de 2018
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DAS RAZÕES: SOBRE O PORQUÊ DO NÃO ME CALAR AO SILENCIO DE MIM MESMO

Por Mohammad Jamal.

Palavras são palavras, nada mais que palavras” (Dep. Justo Veríssimo, do Chico Anísio).

Não é incomum para quem escreve ver-se compelido pela necessidade de escrever e de produzir muito e depressa. Sairmos da letargia e, lentamente mirarmos as palavras como se fossem flechas que devam atingir certeiras os alvos cernes das emoções, e que nenhuma delas caia sobre o barro ou a pedra onde não ecoam compreensão e sentimentos.

Sou fróida digitando erudições no Whatsapp!

Para escrever rápido e fluente é preciso termos pensado muito sobre o tema, ter debruçado sobre as ideias inspiradoras, termos levado o assunto ao passeio, ao banheiro, ao barzinho – por quem os frequenta – ao restaurante e até às vezes à casa da namorada. Já dizia E. Delacroix enquanto degustava palavras; “A arte é uma coisa tão ideal e tão fugitiva que as ferramentas nunca são bastante apropriadas nem os meios bastante expeditos”. E isso acontece na literatura tanto quanto na pintura, no cinzelar de uma escultura quanto ao escrever uma partitura musical ou um artigo despretensioso para a mídia que admiramos.

Atanásio quer sair como Destaque na Escola de Samba do Vilela! Imagina?

Algumas pessoas que conheço e que escrevem por impulso, por necessidade, por profissão, começam por carregar montes de papéis, rabiscos e esboços imaginários escritos sobre quase tudo que lhes ofereça uma face plana ou flexível. Eles chamam isso de cobrir sua tela; as tintas que as preenchem são o imaginário das palavras que supõe impregnadas a coerência e harmonia das razões. Essa operação confusa tem por objetivo não se perder nada daquilo que, observem que agora passo a primeira pessoa, intuímos no esboço mentalizado com todos os elementos literários. Mas ainda assim, depois de lerem, relerem, copiarem, seus criadores, compulsivos, ficam cortando, podando, reinserindo e desbastando palavras e os ímpetos das emoções que elas infligirão ou farão refletir àqueles que as lerem. Mesmo que o resultado seja considerado excelente e satisfatório, continuamos abusando do tempo e do talento como se eles fossem algo inexaurível em nossa compulsiva busca pela perfeição.

“Me amarrei” na Cora Coralina: O saber se aprende com os mestres. A sabedoria, só com o corriqueiro da vida.”.

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AGORA É “NÓIS”! PROTAGONISMO OU FIGURAÇÃO? VOCÊ ESCOLHE

Por Mohammad Jamal.

Bem aventurados os autistas.

Vivemos sob um processo moral e ético sociologicamente apenso do relativismo. Coisa que não podemos minimizar com meros eufemismos para um atávico niilismo coletivo ou uma simples derivação da moral social na plenitude da sua informalidade. Nesse caso, os pressupostos da inocência dão lugar à ambiguidade e põe dúvidas sobre velhos comportamentos agora considerados popularescos, quanto do cultivo da honradez; da verdade, da justiça… É tudo muito relativo; um relativismo impositivo e convenientemente direcional.

A Democracia plural. “In alio pediculum, in te ricinum non vides” (Petronius) Tu vês um piolho no outro, mas não um carrapato em si mesmo.

O que representa a verdade para mim; pode não ser verdade para outrem; mas isso não tem importância alguma. A verdade no relativismo é aquilo que eu “percebo” como verdade. E não importam as origens de fatores indutivos que incidem verticalmente do particular para o coletivo. Tudo ocorre independentemente da opinião alheia ou das conclusões obtidas pelos outros sobre o mesmo tema refletido. Claro, neste caso, o relativismo deteriora as relações humanas e conduz a um ambiente de desconfiança mútua; de suspeição permanente; do desagrado ao questionável, ao ambíguo, etc. que alguns relativistas denominam em política, de Democracia plural.

Lá no Sul dizem que morcegos perdem as asas e viram rato! Imagina se não perdesse as asas?

Esse relativismo não é congênito; ele advém dum evolucionismo sociológico; aquele mesmo que também influi na inserção de novas condutas sociais e políticas, novos termos à prosódia e jargão ou, na supressão de outros por caduquice da semasiologia das línguas vivas. Modismos, maneirismos, neologismos… Quase inescapáveis. Tudo num ambiente fugidio das subjetividades, das mentiras quase verdades e das verdades subjetivamente mentirosas. Eu não queria cair no quase inescapável lugar comum; o processo onde assistimos impassíveis a reformatação da nova moral social e a criminalização da ética e seus sucedâneos filosóficos. Isso porque ha nos ares democráticos do país o cheirinho de comida farta, gratuita e fácil para aqueles ditos mais expertos, os penetras simulacros de líderes do povo. Há um clima de Black Friday açulando os impulsos de consumo, um alvoroço nunca visto, como se os alvoroçados entes da política, putas velhas e quengas neófitas estreantes no “brega” eleitoral, um salve-se-quem-puder, um agora-está-fácil, é agora ou nunca, numa ganancia desenfreada ao escancaro do pudor e ao destemor das vítimas eleitoras àqueles mais afoitos que estão colocando até mãe no fazemos-qualquer-negócio um “التجارة” um comerciozinho, um lucrinho… Diria um saudita.  (mais…)

O PRESENTE DE LULA PARA A DIREITA

Imagem: Pedro Ladeira/Folha de São Paulo.

Por Juan Arias, publicado no site do El País/Brasil.

Lula, considerado um dos maiores estrategistas políticos da América Latina, poderia estar dando um grande presente à direita com sua estratégia de impedir, num momento tão crítico para as forças progressistas deste país, a união dos partidos de esquerda. Entrincheirado em sua cela e em seu castelo de onipotência, está desorientando não só o seu partido, o PT, ao qual está desidratando, mas também o resto das forças de esquerda, que pela primeira vez poderiam concorrer unidas nas eleições para frear o ímpeto não só da direita, mas também da extrema direita valentona dos Bolsonaros.

É possível que, perante a impossibilidade de disputar as eleições, impedido pela lei da Ficha Limpa, Lula queira jogar todas as suas fichas em manter a qualquer custo a liderança da esquerda, mesmo que ao preço de condená-la à oposição, deixando o campo livre para as forças conservadoras que já mostraram suas garras e sua vontade de governar. Não que não tenham direito a isso, mas, num país onde a maioria ainda vive na pobreza, onde quase 40 milhões não concluíram o ensino básico e 25 milhões os estudos secundários, num país devorado pela violência, pela desigualdade social, pelos preconceitos raciais e pela corrupção política, é um pecado deixar a nação nas mãos dos conservadores.

A responsabilidade de Lula nesta hora é grande e grave. Ninguém lhe pede que deixe de defender sua inocência, se acreditar nela, mas ao mesmo tempo tampouco pode expor o país a uma crise política com táticas puramente defensivas, que possam envenenar uma eleição já muito convulsionada. Não parece respeitoso com o país agarrar-se a qualquer estratégia, inclusive conúbios pouco republicanos com setores da direita, sacrificando as outras forças de esquerdas para se manter sob os holofotes.

Vivemos submersos numa modernidade, inclusive política, que não tem mais nada a ver com os arroubos de grandeza dos Reis-Sóis, que proclamavam “O Estado sou eu” ou “depois de mim, o dilúvio”. Toda identificação de qualquer força política com o Estado é não só um atraso tresloucado como também um perigo para a própria democracia, que se nutre da seiva de toda a sociedade que é o sujeito e não o objeto da política e da civilização.

É possível que Lula, com sua estratégia do Sansão bíblico de “morra eu com todos os filisteus”, consiga manter vivo o mito de que ele é não só a esquerda, toda a esquerda, mas também todo o país, mesmo que isso signifique colocá-lo à beira do precipício. O popular e carismático ex-sindicalista já deu provas em outros momentos históricos de entrega aos melhores valores deste país, merecendo a estima internacional. Talvez tenha chegado o momento de ele demonstrar grandeza de espírito colocando-se não como única e exclusiva salvaguarda do país, e sim se somando à caravana de todas as forças do progresso, que mais do que nunca precisam estar abraçadas e em uníssono para impedir que continue levantando-se o muro não só das desigualdades sociais, mas também do atraso cultural, da sangria da corrupção e das tentações autoritárias.

É nos momentos cruciais da história que os verdadeiros estadistas se diferenciaram dos charlatães. A receita sempre foi a do próprio sacrifício pessoal em nome do bem comum, como demonstraram os grandes e autênticos guias das sociedades em perigo, de Moisés ao profeta Jesus, de Gandhi a Luther King e Mandela. Lula já se equiparou a todos eles. Tomara que a história possa um dia inscrevê-lo naquele livro de ouro, e não no dos condenados ao esquecimento.

NOSSA INSURGENTE ECOLOGIA SEXUAL

Por Elisabeth Zorgetz.

Tive dez dias de férias, o que me permitiu sair relativamente de um redemoinho de tensões reais e inventadas, prazos, relações interpessoais, horários impossíveis e tudo mais. Sou uma moça contraditoriamente careta e carrego minhas demências moral-romântico-bucólicas por aí. Mas estou vivendo um curioso momento de intensos pensamentos que me atravessam como as cores elétricas e formas absurdas do final de Annihilation. Portanto, aqui estamos para falar sobre um conteúdo socialmente indecente, amplamente inapropriado, e de teor ainda mais descarado que a filosofia aleatória de um filme de ficção científica.

Realmente conheço poucas pessoas que acreditam em sexo. Que acreditam nele como uma atividade com potencial de fortalecer os laços, melhorar nossas vidas, abrir as janelas do espírito, ou mesmo mudar o mundo. Mas todos temos um forte desejo pelo poder enquanto capacidade de afetar algo ou alguém. Nos perguntamos em algum momento da vida: transar menos e com menos pessoas nos torna mais virtuosos do que o contrário? Nossa ética não é medida por esses valores, mas pelo cuidado com o qual as tratamos e nos permitimos ser tratados ou tratadas. Por quanto nos suportamos com honestidade o suficiente para admitirmos quem somos respeitando o restante.

A economia dominante nos faz acreditar na lógica da carência sobre o que é precioso. Isso nos faz acreditar que, se algo é muito bom, como transar com alguém ou se masturbar, devemos evitar, poupar ou enclausurar. Como uma coisa, não uma relação. Tenho apenas dedilhado a economia, mas sou um todo profundo de intuições. Tenho hipóteses que mais sugestões podem proporcionar mais desejo, mais prazer pode produzir mais conexões, maior cobertura emocional, mais amizades e boas relações. Como uma economia holística, uma ecologia sexual coletivista, compartilhando o corpo e os sentidos como uma ação positiva e se opondo firmemente a esta economia de fome, medo e relações apavorantes. Isso me pareceu muito hippie agora, e pensá-lo me faz uma bruta preconceituosa. Também me faz lembrar alguém que alegremente não me perdoaria por usar holismo, coletivismo e ecologia no mesmo texto. O que importa é: esse parágrafo não deve ser encarado como uma orgia naturalista. Longe disso, embora nada contra.

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مع السلامة MA’A AS-SALAMAH

Por Mohammad Jamal.

Há algo de muito sério dentro do processo de seleção. As necessidades da empresa e/ou da instituição são os elementos primordiais perseguidos pelo selecionador de mão de obra. Ela deve ser conduzida por normas e procedimentos criados para a atração de pessoas e deve estar ligada às necessidades e à cultura de cada empresa. Nesses últimos anos, novas abordagens de seleção tomaram conta do mercado de trabalho; refiro-me à metodologia de Seleção por Competências. Essa, por sua vez, tem como foco principal a perspectiva de resultados no cargo e na função, deixando de lado os critérios tradicionais das atribuições e perfis generalistas de personalidades, além de tornar mais ágil e objetivo o processo de seleção com foco único no sucesso que se pretende obter para a empresa através o selecionado. É Regra? É, mas apenas na iniciativa privada e/ou, em raros casos excepcionais, quando ao “selecionar-se” assessor alterego funcional para exercer a parte laboral de gestão executiva para algum incompetente, mas esperto, analfabeto institucional com aspirações políticas futuras, nomeado para cargo público de alguma relevância.

A grande maioria dos profissionais da área de Gestão de pessoas está atenta ao programa que traz uma forma inovadora de seleção, que coloca em desafio os participantes com o objetivo de avaliar o perfil de cada concorrente frente da função que lhe for atribuída, sem concessões de escusas diante inabilidades, incompetência ou falta de talento. Repito, no âmbito da iniciativa privada.

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DAVIDSON E CORONEL: MAIS UM ATENTADO À SIMBOLOGIA COMUNISTA

Foice e martelo espremidos por Coronel e Davidson. A realidade é muita dura para os sonhadores.

Por Emilio Gusmão.

Antes de ser definido como suplente do atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Ângelo Coronel, na disputa por uma vaga no Senado, o comunista Davidson Magalhães já namorava o PSD, partido considerado de direita, ou, de maneira mais compreensiva, de centro- direita.

O partido de Oto Alencar minou a senadora Lidice da Mata pelas beiradas e o primeiro passo foi um bem planejado processo de cooptação do PC do B da Bahia.

Como Davidson buscava manter-se na Câmara dos Deputados, Oto e Coronel lhe ofereceram alguns municípios governados pelo PSD, para que ele pudesse conquistar mais votos e saísse das urnas como titular da vaga, ao invés da suplência conquistada em 2014.

Ideologia às favas, Davidson iniciou pré-campanha em Ibicuí, Gongogi, Camacan e Ibirapitanga.

Dentre os partidos com representantes no Congresso Nacional, o PC do B é o mais rico simbolicamente. Traz consigo a foice, o martelo e toda uma história de lutas heroicas. É também uma cepa do velho partidão (PCB).

Mesmo que tenha defendido a ditadura do proletariado (um erro histórico revelado primeiramente pelo “Relatório Kruschev” em 1956, e destruído no desmoronamento do bloco soviético, em 1989), o Partido Comunista do Brasil tem um passado de grandes exemplos, constatado facilmente na abnegação de vários militantes que dedicaram suas vidas ao combate à iniquidade. Pedro Pomar e Maurício Grabois, fundadores do PC do B, foram assassinados no exercício da luta partidária.

Quem leu biografias de Luiz Carlos Prestes, Carlos Marighella e a autobiografia de Gregório Bezerra*, e ficou tocado pelos exemplos notáveis de obstinação, humildade, honestidade e coerência, pode ter dificuldades para aceitar o comportamento político de Davidson Magalhães, que apesar dos pesares, ainda se considera comunista.

Como presidente do PC do B da Bahia, Davidson ficou calado diante do alijamento da senadora Lídice da Mata da chapa do governador Rui Costa. Calou-se por já ter negociado com Oto e Coronel em seu benefício. O problema é do PSB? É claro que sim. Contudo, o silêncio é mais uma prova do afastamento do PC do B da “luta de classes” (lamentável para um partido comunista). Ignorou a expulsão de Lidice da chapa e aceitou a suplência de um político convencional e aristocrata.

Pode parecer bobagem a citação de referências históricas e ideológicas diante de uma realidade política clientelista e de fisiologismo. No caso em análise não é. O autor do texto não é comunista. Considera-se, apenas, um admirador de algumas personalidades do movimento, e, nesta análise, não consegue se desvincular da questão simbólica.

Por conta dela, Anita Leocádia, filha de Prestes, protestou em 2012 quando o PC do B tentou anular a cassação do mandato do “Cavaleiro da Esperança”, ocorrida no Senado Federal em 1948.

Anita Leocádia chamou o episodio de “oportunismo imoral”.

 

*Os três foram lideranças comunistas exemplares. Não pertenceram ao PC do B.

O AMULETO DE PAI AL-ATOCHÁ!

Por Mohammad Jamal.

(Da série: “Epopeias da Capitania”)

O “homi” já chegou chegando: carnavalesco, espalhafatoso, alegórico, um Joãozinho Trinta e suas fantasias de brilho ofuscantes; como se Cleópatra adentrando ruidosa a Roma ao encontro do seu Marco Antonio ao tempo em que estarrece o mundo incivilizado da Colônia, exibindo luxo e riqueza aos senadores e à louca e desesperada população, em êxtase. O místico afoxé Filhos de Gandhi adentrando a Avenida Sete para socorrer com o “descarrego” os quebrantos dos agônicos soteropolitanos e neobaianizados em suas abadas coloridas.

Alto, bonito, corpulento, trazia um enorme sorriso cinzelado sobre o mármore branco-ofuscante dos dentes alvejados, perfeitos, instalados no semblante vitorioso/conquistador, tipo Alexandre Magno entrando na Pérsia submetida. Tinha em si, o que propositalmente deixava transparecer em evidente marketing pessoal: uma enorme bateria supercarregada muito acima da sua capacidade nominal de volts, a ponto de impregnar a todos à sua volta com o magnetismo e condutiva “eletrostática” arrebatadora que emanava isótropos irradiantes que a todos energizava com simpatias, autoconfiança, esperanças. Uma usina açucareira pronta pra derramar toneladas de glicose às bocas do povo hiperglicêmico, insulinodependente e desassistidos do SUS, um espanto; um Sidenafil em hipotenso! Podia-se dizer que trazia consigo, a tiracolo, o ufanismo meritório dos grandes vencedores, como se portasse o poderoso amuleto de Oxóssi e sua lança fálica vindos diretamente do Gantoir!

E cavalgou assim garboso, impassível e poderoso pelas ruas da decadente cidade, montado a seu cavalo branco, um árabe puro-sangue ricamente ajaezado que pisava cuidadoso, saltando ao desviar-se de montes de merda e lixo aqui e acolá espalhados a esmo. Em vultosa procissão, o povão, loucos e lazarentos, ao seu redor, desesperados, gritava o seu nome “Hão” entre rogos e súplicas lacrimosas. A certa altura do desfile ele estacou seu bagual puro sangue ali, – (ali, é advérbio de lugar e não Ali nome próprio árabe. O nome do cavalo é Bucéfalo, viu?) – bem no meio da praça, acionou os freios de estacionamento do corcel dos emirados e, “amuntado mermo” (em nordestinês), sem apear, promulgou a plenos pulmões a lá Consul Júlio Cesar, o seu Veni, Vidi, Vici: “Quando vi nessa cidade, tanto horror e iniquidade, resolvi tudo acudir*”. O “acudir*” é nosso e, aqui há um perceptível control C, control V, da Ode a Geni; poema musical do Chico Buarque.

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JUDITH, A MOÇA ESTELIONATO. EM LONGOS PARÁGRAFOS METAPSICOLÓGICOS…

Por Mohammad Jamal.

O dia transcorreu soturno, pesado e tedioso, um sepulcro atemporal. Hoje carreguei toneladas de apatia; confrontei rostos banidos da esperança cujos corpos e suas texturas transpareciam personagens extraditados da Divina Comédia. O estupor do medo desenha olhos de barro em seus rostos macilentos. A üzüntü, Dünya… “Kasvetli olmanın nesi mükemmel?”, diria assim vovô, no seu turco carregado de expressionismo linguístico (tristeza, depressão… “O que há de tão grande nesta depressão?”). Tento escapar ileso desse redemoinho de existencialidades sem perdas e danos. A palavra é a ficção de um vazio; um parcel de questionamentos existenciais de onde assisto a moral, essa desavergonhada, entregar-se lasciva à vida de pública da devassidão por trinta moedas de um real, ou muito menos, ou por quase nada… Mixaria.

Lapso, me pego de pé, totalmente despido de pudores, nu no meio daquele quarto/alcova. Que mais poderia eu fazer nesse fim de tarde, quando a escuridão sepulta sem dó o dia ainda agonizante para mim com pesado atraso? Que fazer senão atender ao apelo, apoiar meu corpo suado sobre o corpo daquela mulher de “negócios” esparramada nua; pernas abertas e olhar macilento fitando a impassibilidade da própria apatia que vê estampada no bolor que desenha mapas no teto, nas paredes, na memória? Que fazer senão copular burocraticamente como num tedioso rito processual de agravos restringentes como montam ao povo políticos corruptos? A mulher é só a sombra de um constitutivo abstrato numa ficção de palavras surreais traçadas a pinceladas impressionistas. Salvador Dali não é, nem de longe, o que eu chamaria de o louco daqui. Dali abstraiu-se no surreal; aqui é concretismo existencial.

Havia silêncio no ar e uma única lâmpada no ambiente, tal como se fora enforcada no centro do quarto pendendo no bocal por um fio coberto pelas teias do tempo.  Debilitada e mortiça, sua fraca luminescência tingia os poucos móveis, além da cama e o criado mudo, de um amarelo ictérico como a bile que também me amarelecia fantasmagoricamente as feições a ponto da memória gustativa me fazer sentir amarga a saliva que me brotava sob a língua. E desabei inteiro, inapetente e sem ganas sobre aquele corpo feminino, um serventuário com manchas roxas da lida ali e acolá. Passei em seguida aos movimentos rítmicos ondulares, como se coreografando um funk fúnebre ou réquiem litúrgico para exéquias de uma vagina pós-exumada. Foi quando a vagina exumada, ou melhor, a voz da mulher serventuária, de negócios baratos, deu sinais de vida. Ela fala!

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ENXUGANDO GELO, EU? FALA SÉRIO, VAI.

Por Mohammad Jamal.

Um “pancada” como sou. O psiquiatra Paulo Rebelato, em entrevista para a revista gaúcha Red 32, disse que “o máximo de liberdade que o ser humano pode aspirar é escolher a prisão na qual quer viver.”. Pode-se aceitar esta verdade com pessimismo ou otimismo, mas é impossível refutá-la. A liberdade é uma abstração. Liberdade não é um terno novo ou uma calça velha, azul e desbotada, e sim, nudez total, nenhum comportamento alienante ou disfarce para se vestir. Como eu, voluntariamente desestereotipado e íntegro no comum da minha trivialidade doméstica. Mas ainda assim, um homem literalmente intransparente, desculpem-me pelo forçoso neologismo para acompanharem a minha linha de pensamento crítico auto filosófico. No entanto, em contrapartida, a sociedade não nos deixa sair à rua sem um crachá de identificação pendurado ao pescoço. 

Botocudos ou Cherbongs? Diga-me qual é a sua tribo e, eu lhe direi qual é a sua clausura. São cativeiros bem mais agradáveis do que os ex-Carandirus, Bangus e Papudas da vida: podemos pegar sol, ler livros, receber amigos, comer bons pratos, ouvir música, ou seja, uma cadeia à moda Luís Estevão, Lula, figurões; só que temos que advogar em causa própria e habeas corpus, nem pensar. O casamento pode ser uma prisão. E a maternidade, a pena máxima. Um emprego que rende um gordo salário trancafia você, o impede de chutar o balde e arriscar novos voos. O mesmo se pode dizer de um cargo de chefia. Tudo que lhe dá segurança ao mesmo tempo lhe escraviza, submete e serviliza sob o peso de Contrato irrecorrível e inquebrantável onde o contratante é a sociedade maniqueísta e as carentes fraquezas da sua própria vaidade. A carcereira de você.

Nem andarilho nem sultão. Viver sem laços igualmente pode nos reter e manietar. Você se condena a passar o resto da vida sem experimentar a delícia de uma vida amorosa estável, o conforto de um endereço certo e a imortalidade alcançada através de um filho. Se nem a estabilidade e a instabilidade nos tornam livres, aceitemos que poder escolher a própria prisão já é, em si, uma grande vitória. Nós é que decidimos quando seremos capturados e para onde seremos levados. É uma opção consciente e voluntária. Não nos obrigaram a nada, não nos trancafiaram num sanatório ou num presídio real e concreto, entre quatro paredes.

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EU EXISTO

Por Mohammad Jamal.

Equívoco petulante. (“Die Religion… Sie ist das Opium des Volkes.“). “A religião é o ópio do povo” esta é uma frase muito presente na Introdução da obra, em Alemão “Zur Kritik der Hegelschen Rechtsphilosophie – Einleitung”, Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, de Karl Marx. Alias, não foi, todavia Karl Marx, o primeiro a se utilizar dessa impactante analogia, muito embora se lhe atribuam frequentemente à outorga autoral. Ele, de fato, sintetizou uma ideia que esteve presente em diversas obras literárias e filosóficas de grandes autores do século XVIII.

O Xis da questão. Se nos fixarmos no sentido lato dessa ideia, no seu filosofismo sintético, sua hermenêutica crítica e seu tendencioso antropomorfismo; vamos confrontar à frente, caso tenhamos projetado essa “ideia”, amálgama de doutrina sociológica de concepções heterogêneas, rolando-a ao longo dos séculos XVIII ao XXII, dentro de um torvelinho de equívocos axiomáticos mutagênicos que jamais alcançarão o pretenso sentido de regra geral; as dimensões de “A religião é o ópio do povo” não transcendem os processos sociopolíticos, embora os balizem de alguma forma.

A silagem suplementar está servida! O homem, sua língua, seus costumes, necessidades e anseios coletivos, não diria que evoluem cultural e sociologicamente racionais em sintonia e adequação à sobrevivência e consonância coletiva. Entretanto, percebemos implícita uma indisfarçável ambivalência multipolarizada, instável e imprevisível como as alternâncias das marés nos oceanos, diferente em cada um deles. O homem enquanto elemento de observação sociológica é deslumbrante e admirável conceitualmente nesse instante, mas logo se torna repulsivo e abjeto no momento seguinte. Suas instabilidades humorais, seus impulsos e carências, sua gana pelo abstrato sensorial, sua exagerada autoestima, sua ânsia entre o Borderline e o bipolar o faz (touro de Minos) o Minotauro que afrontou à razão lógica, aqui trato figurativamente a “razão” como sendo a Poseidon, seu álter ego de plantão.

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28 DE JUNHO DE 2018. CONFIDÊNCIAS AO MEU QUERIDO DIÁRIO. FESTEJAR O QUE?

Por Mohammad Jamal.

Aimra’at qunbula (Mulher bomba). Querido diário. Não repare por não te dar Bom Dia. É que hoje é uma daquelas manhãs, do Chico, “Tem dias que a gente se sente/Como quem partiu ou morreu/A gente estancou de repente.”. Pois é, hoje acordei e estanquei de repente pra lá de Bagdá, quiçá em Baquba, Aleppo… Faixa de Gaza… Devastadinha da Silva, raivosa, antropofágica, e não é TPM garanto, não tenho mais hormônios nem idade pra isso. É overdose de homens ruins… Bofes montados sobre uma velha em menopausa.

“caia matano em cima dos homi”. E Agamenilda, é minha secretária do lar e, às vezes, confidente; vêm toda condoída querer me consolar com seus conselhos feministas-sodomitas de usuária e consumidora inveterada de homens de todas as marcas, modelos e anos de IPVA. “_D. Ilhéus, faça como eu, caia matano em cima dos homi, minha neguinha!”.  Sempre reajo com respostas onomatopeicas tipo arre, arg… Ela não entenderia minha adjetivação puritana e ortodoxa de mulher recatada. Estou cansada de homens; eu não sou dessas mulheres comuns, meu querido Diário. Sou uma mulher “maçaneta”, reconheço, mas involuntariamente compelida a essa promiscuidade mundana. Sou levada a isso por mera imposição do sistema que impera sobre os bons partidos. Sou bom partido, por isso, caça e presa fácil para aos “casamentos” por conveniências com figurões financeiramente combalidos, à cata de financiamento a fundos perdidos; os meus. Meus fundos já eram! Estou empobrecida e abandonada, uma indigente à minha própria sorte.

A Inês de, rainha póstuma. Querido Diário. Você conhece a maior parte das estórias da minha vida. Pra você eu não devo repetir catarses existenciais envoltas em arrependimentos e lágrimas tardias. Lembra-se do primeiro homem, do Jorge? O Jorge Figueiredo, aquele português supostamente rico e nobre? Meu primeiro casamento por pressão familiar e conveniências mis. Eu ainda na flor da idade, uma menina virgem pura, casta e inexperiente, oferecida em casamento àquele estranho que vivia de bar em bar e nos bregas das noites do Algarve e da Beira; o Jorge. E tudo por Carta Precatória, “por correspondência”, a Internet daquela época! Não sei se foi por problemas de disfunção erétil, por falta de grana pra viagem longa, por desinteresse por mulher. Más é fato, e você sabe Querido Diário, que ele não deu as caras, não veio! Mandou um representante pra cá tomar conta de mim, ou melhor, dos meus bens, porque continuei sozinha e virgem ardendo em brasas sem que homem algum tocasse sequer num solitário pelinho pubiano meu, minha caranguejeira faminta!

A inesquecível Bubalina, de Níkos Kazantzákis, em “Zorba o grego”. Querido Diário, você sabe que fui para meu segundo casamento virgem, literalmente intocada. Minha Lua de Mel foi lá na Fazenda de papai. Banhos de rio, passeios no mato, etc. Foi lá que pela primeira vez ele brincou de médico comigo! Teria sido ótimo sem aquelas formigas caga-fogo que nos deixaram encalombados. O idiota me deitou sobre o formigueiro e, pra completar, teve um episódio de ejaculação precoce! O fdp me deixou lá pra trás sozinha no meio do mato!

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TRIBUTO AO ESTADISTA WALDIR PIRES

Waldir ao lado de Napoleão

Waldir Pires ao lado do saudoso Napoleão Marques durante um comício realizado em Ilhéus, em 1982. Nesse ano, Waldir foi candidato ao senado federal e perdeu as eleições para Luiz Viana Filho. Nesta imagem do arquivo pessoal de Francisco Silva (filho caçula de Napoleão Marques) aparece um cartaz de Jabes Ribeiro, candidato a Prefeito de Ilhéus em 1982, ano de sua primeira vitória.

Esse artigo foi publicado no dia 19 de fevereiro de 2015.

Em homenagem ao grande Waldir Pires, que faleceu nessa sexta-feira, 22 de junho de 2018, decidimos publicá-lo novamente. 

Por José Henrique Abobreira

Abobreira.

Abobreira.

Conheci pessoalmente o Professor Waldir Pires logo após a decretação da anistia política com o retorno dos exilados ao país, em 1979. Por intermédio de Jabes Ribeiro, fora levado a proferir uma palestra para os estudantes da FESPI, hoje UESC. Saí impressionado com a exposição do professor a respeito da conjuntura e sua análise da estratégia para travar o enfrentamento democrático contras as forças do atraso e das trevas ditatoriais, na Bahia representadas pelo carlismo vivo, atuante e malvado.  Fui conhecê-lo como tribuno ímpar, o maior que conheço até hoje, meses depois, num comício organizado por Carlinhos Pereira, amigo e militante esquerdista do Mr8, na associação 19 de março em Ilhéus, evento em favor da convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte, que contou com a participação das estrelas da oposição encasteladas no velho MDB das lutas populares e democráticas do Brasil. Participaram Waldir Pires, Miguel Arraes e Jorge Hage. Chico Pinto não pode participar, o MDB de Ilhéus avaliava que tiraria votos de Jorge Viana, então deputado federal, na sua base.

Lá pela meia noite, terminado o ato, me dirigi para casa a pé. Já tinha ultrapassado o horário de funcionamento do transporte público, e não percebi a longa distância que percorri, da Avenida Itabuna ao Pontal, matutando o que tinha ouvido dos líderes democráticos. Fiquei impressionado com o discurso de Waldir Pires e ao chegar em casa perdi o sono com as palavras dele martelando nos meus ouvidos. Sim, era preciso reorganizar a Nação Brasileira sob outros moldes políticos, encerrando aquele ciclo ditatorial vigente há vinte anos. Era preciso botar o povo na rua reivindicando uma Assembléia Constituinte e as eleições diretas para presidente da República. E assim tomei Waldir Pires como o meu guia político e decidi mergulhar de cabeça na militância político-partidária com a convicção, baseada no exemplo de Waldir, de que as mudanças só ocorrerão se todos derem um pouco de colaboração na vida pública e na luta política de nossa cidade, do nosso estado e do Brasil.

A campanha de 1986 ao governo do estado da Bahia com Waldir encabeçando a chapa das oposições fora uma campanha cívica e eleitoral memorável. As multidões paravam a comitiva do candidato a governador em todos os rincões do estado. Queriam ouvir uma palavra, uma mensagem de esperança por tempos melhores. No que pude, acompanhei a maioria dos comícios aqui na região. Em Itabuna vi o dia amanhecer na Praça Adami aguardando os principais oradores.  Waldir e Ulysses Guimarães falaram para uma multidão. Em Ilhéus e toda a região não foi diferente, as pessoas choravam de emoção com a fala do DoutorWaldir lembrando as atrocidades praticadas pelo “carlismo” na Bahia.

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A CULPA É DESSE CARA!

Por Mohammad Jamal.

A culpa é desse cara! Epicuro imaginou o sistema filosófico que prega a procura dos prazeres moderados para atingir um estado de tranquilidade e de libertação do medo. Seu pensamento filosófico afirma que o sentido da vida é o prazer, que por sua vez seria o objetivo imediato de cada ação humana. Mas por aqui estão levando tudo muito a sério. Menos, menos por favor. 

Culpa do Rohipnol genérico. A verdade quando dita sem eufemismos, costuma atingir os conformistas; os preguiçosos; aqueles que ainda não se aperceberam que seus sobrenomes foram, na atualidade, solenemente substituídos por uma simples sequência de onze números. Essa verdade também incomoda aqueles que mamam nos úberes fartos dos órgãos públicos, a exemplo da Prefeitura e Câmara, como atributados “líderes do povo”, a despeito da degradação da cidade. Uma piada!

Martinho Lutero com ajudantes de pedreiros. Aí vem os reformistas de “araque” com suas tardias demonstrações de coragem e oportunismo, induzir o estímulo cívico alheio! Claro, se calados, eles seriam menos ridículos em seus proselitismos e retórica barata. Nós, os insurrectos, somos apenas pragmáticos. É racional reconhecer a derrota do SER pelo TER imoral que predomina em todas as representações político-administrativas, com raríssimas exceções, nessa colônia exaurida por demagogos oportunistas alçados como gestores e/ou legisladores em Ilhéus. Isso é fato para nós. Dizer o que a mais?

O teu passado te condena. A antologia política e a casuística resultante constroem os históricos incontestáveis das “práticas” comezinhas, perpetradas sistemática e cinicamente como metodologia do racionalismo programático dos nossos sucessivos políticos citadinos diga-se, trágicos devastadores de esperanças.  A locupletação, as vantagens do poder, a usurpação dos direitos e a malversação dos recursos públicos em benefício próprio ou de grupos em detrimento e dilapidação da nossa colônia, indiferentes ao empobrecimento e à miséria como produto final para maioria da população de carentes. Frases de ordem tais como: “Insurreição, renovação, recuperação, esse é diferente, vamos à luta, vamos tirá-los dai“ soam-nos prosaicas, tolas, utópicas; porquanto inconsistentes e vazias de sentido prático exequível ou minimamente construtivista.

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PARODIANDO O ADMIRÁVEL MUNDO NOVO, (OBRA PRIMA DE ALDOUS LEONARD HUXLEY). VOCÊ LEU?

Por Mohammad Jamal.

Maquiavelismo-oportunismo. Quando o Estado se sobrepõe à vida das pessoas, certo grau de corrupção exerce um efeito benéfico sobre o caráter das mesmas. Mas, apenas quando até determinado ponto, é claro; uma vez que o estado se torne o todo-poderoso e a corrupção oficial também se torne total como assistimos, ambos sufocarão a criação de riquezas, e haverá um empobrecimento generalizado. No final desse processo, será constatada uma desmonetarização aguda da economia, tal como se deu no comunismo e socialismos.

Eu quero mamar. O Brasil, não obstante sua aparente pujança, está chegando a esse estágio, economia e finanças enfraquecidas, governo débil, ordem social vulnerável, justiça lenta, gigantismo dos delitos contra o patrimônio da nação e aceleração da corrupção em todas as frentes delegadas por critérios meramente políticos a agentes incompetentes.  O país agoniza, seu povo sofre e morre de inanição, carentes ante as privações impostas pelo estado via omissões, incompetências, desvios e corrupções praticadas sistematicamente por entes investidos no Estado e dos altíssimos custos para a manutenção dessa máquina pública sequiosa e servil que sustenta luxos e mimos nababescos aos três poderes da nação, cuja conta bancamos em lágrimas secas.

Votos de safra. Mas nossos políticos, especialistas do agronegócio eleitoral, sempre se mostram espertos o suficiente para não necessitar abater sua fonte produtora, matar a galinha dos ovos de ouro, de onde os preciosos zigotos albuminados são pontual e sistematicamente extraídos sem anestésicos; do ovopositor do povo, sem gemidos ou reclamações pontuais.

Cevando o porquinho. Quanto mais a sociedade enriquece, mais se pode extrair dela na forma de impostos. Nesse sentido, o que é bom para os negócios é bom para eles, os políticos corruptos. Nessas circunstâncias, o uso da influência pessoal e do suborno praticados por um ente público no balcão da corrupção para locupletamento pessoal e/ou do seu grupo político pode representar um valioso incremento e prova de eficiência no fortalecimento do capital político concomitantemente à discreta evolução nos negócios e meios circulantes financeiros do país, sem evidências, alardes ou estrelismos que caracterizam os repentinos novos ricos de primeiro mandato.

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A NÊMESE DEVIDA

Por Mohammad Jamal.

Vão “veno”. Há no horizonte político brasileiro, não mais a miragem do abstrato utópico que sempre norteou e iludiu as aspirações da massa nesses últimos trinta anos. Com quase certeza da concretude sonhada, já simulamos próximo o vislumbre previsível do descortinar de situações onde a tão ansiada nêmesis se corporificará impávida e dolorosa sobre realidade sobre nossos representantes políticos, os lordes da Corte de São Saruê onde fazemos figurações humilhantes como bobos da corte. A justa administração de uma retaliação manifestada por um agente apropriado, personificada, nesse caso, por um sujeito horroroso: o eleitor revoltado.

O Gabinete do Dr. Caligari. Dr. Caligari chega com seu assessor, Cesare, a um pequeno vilarejo, Holstenwall, mas poderia ser Ilhéus; numa região quente e úmida, tipo Sul da Bahia; e logo vai à administração palaciana pedir autorização para apresentar o seu show de palavras eufêmicas na feira da cidade, com seu partner, Cesare, o qual assegura estar dormindo a 25 anos. O Show não passa de um tedioso e ambíguo jogo de palavras com as quais submete a complacente assistência à mais ridícula demonstração de humilde subserviência; algo massivo-coletivo entre afásico e autismo idiótico hipnoticamente induzidos. E Quando perguntado sobre o tipo de apresentação que faria ele afirma “Sonambulismo” … Sonambulismo Político.

Dados viciados, cartas marcadas, consultórios, consistórios fechados… O jogo patológico é um transtorno que possui grande impacto na sociedade, responsável por prejuízo social, financeiro e emocional para os indivíduos. Tal transtorno pode ser definido como o comportamento recorrente de apostar em jogos de azar, apesar das consequências negativas, onde a vítima perde o controle do tempo e dinheiro gastos; dos desperdícios, da boa-fé. Legal e compulsoriamente somos forçados a praticar o jogo do “voto cidadão”; expomo-nos tal e qual o dependente químico a essa mazela.

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A ALFACE OCULTA E O NABO EXPOSTO

Por Mohammad Jamal.

Seria Papai Noel? Ah… Aqueles olhos azuis encravados naquele rosto angelical coberto em pele de nenê, rosa avermelhada. Aqueles dentes alvos, facetados em madrepérola, emoldurando sorrisos parcimoniosos. Uma voz profunda que oscilava métrica e tons entre o arpejo bravíssimo maestoso da veemência e o Allegro ma non troppo da coerência harmônica para a conformidade entre seus pares. O cabelo branco imaculados lembrava as neves perenes nos picos do Himalaia, inspirava-nos respeito e admiração! O seu porte físico imponente e elegante lembrava-nos o Encouraçado Potemkin navegando os mares bravios do Atlântico Norte nos corredores do congresso nacional. Sorria, o resgate e a salvação estão a caminho! Mas para a tristeza de todos, pior ainda, dos seus pares, quem poderia imaginar? Esse homem carregava uma enorme alface fálico-ofensiva sob seu elegante vestuário Black tié.  Ele era o homem da alface oculto, e ninguém sabia!

Judas oportuno. Amigos parceiros, inimigos parceiros no crime, inimigos utilitários, ferramentas. Essa é a sequência da lógica instrumental que integra o senso aglutinador que harmoniza parcerias ambivalentes entre indivíduos falso divergentes, mas, no entanto, convergentes nas metas, na maioria das vezes, grosseiras derivações da ética, tripudiada descaradamente. A moral é achacada e corrompida para favorecer a obtenção de bens financeiros e a patrimoniais próprios por meios capitulados como criminosos.

Fala pelos cotovelos. Nada pior que um “amigo” boquirroto, daqueles sem modos ao meter a mão no alheio. Um novo-rico-espalhafatoso e, pra completar, medroso à cana. Como Narciso, ele teme ao ver à própria imagem refletida nas telas da tensão superficial dos líquidos em poças de esgotos; comentada nas reuniões do condomínio; na Feira de Carangola. Tem medo de algemas, treme e se borra todo só de ouvir falar Ministério Público; ainda bem não se falou em pau-de-arara, e ele já vai rasgando o verbo, contando tudo, melando todo mundo, “ate quem nada tem a ver com as suas ruidosas defecadas”. O Tomás de Torquemada ainda que se encontre a léguas de distância da fortaleza carcerária em que está claustrofóbico, detido a pão e água. Más o frouxo e medroso-infrator a essa altura já redigiu voluntariamente seu libelo confessional sem esquecer mínimos detalhes; contou ate sobre aquelas moedas que surrupiou da Caixinha da Abadia, exagerando em minudências desimportantes.

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