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Quarta-Feira, 13 de Dezembro de 2017
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JASIEL MARTINS: DOS BRAÇOS DO POVO DO PONTAL AO PARANAGUÁ

A foto histórica mostra João Lyro (terno escuro), Jasiel Martins (terno claro) e José Leite de Souza (em pé). Não identificamos as mulheres.

Por José Henrique Abobreira.

Na política, Bá, também conhecido como Jasiel Martins, fazia o estilo populista. Tinha um senso aguçado para identificar o momento oportuno de postular posições. Talvez por isso, ao decidir, incentivado por amigos e pelo pequeno núcleo dirigente do MDB, a se tornar candidato a vereador, tenha optado pela filiação àquela legenda. Assim, fugiu da lógica de procurar abrigo no partido dominante na política do Brasil, da Bahia e de Ilhéus: a ARENA, braço político da ditadura militar.

Todavia, Bá, comerciante bem-sucedido, recebeu de comandantes militares o conselho de desistir daquela ligação ao campo oposicionista. Fez ouvidos moucos para a orientação dos milicos e seguiu a própria intuição, pois já notava que teria maior espaço de manobra política no MDB.

A escolha também foi um aceno às suas futuras bases políticas no Pontal. Bá captou um sentimento de independência muito difundido entre os pontalenses, uma vontade de garantir representação política para o bairro e mais autonomia em relação às coisas da cidade. Isso vinha de longe, como um pensamento coletivo manifestado desde os primórdios da antiga vila de pescadores. Com as figuras da ARENA literalmente ligadas ao Centro e à direita da baía do Pontal, Bá imaginou que a candidatura oposicionista lograria melhor êxito.

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COLUNA DECOLORES: PAWLO CIDADE

O secretário de Cultura Pawlo Cidade.

Por Luiz Castro.

Logo que assumi o cargo de Diretor Administrativo e Financeiro da Fundação Cultural de Ilhéus, na gestão de Raymundo Pacheco Sá Barretto, em 1993, passei a conhecer o mundo da cultura Ilheense (escritores, compositores, cantores, teatrólogos, dançarina(o)s e intelectuais).

Naquela época a Cultura era comandada pelo saudoso Pedro Matos, que desenvolveu um trabalho incansável em prol da cultura local e regional, coadjuvado por vários colaboradores, a exemplo do saudoso Équio Reis, Paulo Rosário, Bruno Susmaga, Romualdo Lisboa, Zé Delmo, Pawlo Cidade, entre outros que foram fazer sucesso na Bahia e na Globo.

Como Pawlo Cidade é pedagogo, pós-graduado em metodologia da educação ambiental, dramaturgo e produtor cultural, o Presidente Sá Barretto conseguiu junto ao Prefeito AO que PC ficasse à disposição da FUNDACI, passando, portanto, a fazer parte da equipe de projetos culturais junto com Márcia Tavares. Essa turma estava sob o comando da saudosa Maria Loureiro. Daí em diante o Pawlo Cidade veio desenvolvendo seus projetos, visando incentivar a cultura local em todos os seus segmentos.

Não foi surpresa quando soube que o Prefeito Marão o convidou para comandar a pasta da cultura do Município, vez que o mesmo possui um currículo invejável e seria uma ingratidão para nós Ilheense o Prefeito optar por outra pessoa de outras bandas e que não tinha nenhum conhecimento sobre nossas necessidades culturais, como aconteceu no governo anterior.

Portanto, sinto-me feliz com a indicação desse Ilheense que sempre se dedicou à causa cultural. Sem nenhum alarde, foi conquistando seu espaço, lançando suas obras literárias, executando seus projetos, escrevendo peças culturais, participando ativamente da Academia de Letras de Ilhéus e recentemente fora eleito para o Conselho Estadual de Cultura da Bahia.

Parabéns Marão!

Parabéns Ilhéus!

Parabéns Pawlo Cidade!

Luiz Castro é bacharel em Administração de Empresas.

O LULÔMETRO ESTÁ DE VOLTA

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Por Bernardo Mello Franco/Folha de S. Paulo.

Uma vitória de Lula pode derrubar a Bolsa e levar o dólar a R$ 4. A estimativa foi divulgada pela corretora XP, que disse ter ouvido 211 investidores. É a volta do terrorismo de mercado, que sempre tenta ditar o resultado das eleições.

Em 1989, o presidente da Fiesp anunciou que 800 mil empresários deixariam o país se Lula fosse eleito. A frase facilitou a vitória de Fernando Collor, que confiscou a poupança e deixou a economia em frangalhos.

Em 2002, o Goldman Sachs lançou o “lulômetro” e projetou um câmbio nas alturas. O megainvestidor George Soros disse que o Brasil teria que escolher entre o tucano José Serra e o caos. O petista assumiu com o dólar a R$ 3,52 e voltou para São Bernardo com a cotação a R$ 1,66.

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MEMÓRIA ESTILHAÇADA: A POENTE JUSTIÇA DO TRABALHO E OS MISERÁVEIS DE MÁ-FÉ

Autoras.

Por Elisabeth Zorgetz e Maíza Ferreira.

Em 1953, o desembargador do trabalho Antônio Cruz Vieira forma-se em Direito e no caminhar de sua trajetória profissional, exatos dez anos depois, toma posse como juiz presidente da Junta de Conciliação e Julgamento (JCJ), assumindo a jurisdição de Ilhéus. A Junta de Ilhéus teve sua primeira audiência no dia 30 de março de 1964, véspera do golpe empresarial-militar. Apesar da instalação de uma ditadura, a Junta de Ilhéus sobreviveu e manteve-se funcionando com a orientação de seu presidente, o juiz Vieira, que ocupará o cargo até setembro de 1972. Seria a aurora de um tempo de muitos desafios para o magistrado, tal qual para a iniciante Justiça do Trabalho no país e para os trabalhadores. No entanto, de alguma forma, esse entrelace não se esvaiu em décadas perdidas, surpreendentemente. Regionalmente, a justiça do trabalho possuía feições próprias, à distinção do STF, estes colocados como guardiões da ordem constitucional e das liberdades civis. Para os juízes trabalhistas, a jurisdição se ocupava da proteção dos direitos trabalhistas e ao exercício de um poder normativo, e muitos deles resistiram agarrados a tais poderes quando os militares buscaram estender às garras sobre as relações de trabalho.

A nível local, o juiz Vieira também teria a dupla tarefa de adaptação e resistência às duras relações impostas pela “lei do cacau”. Na literatura amadiana, os coronéis geriam um universo patriarcal no qual a lei do cacau permitia que dominassem suas famílias e agregados, dominando a dinâmica política através de um sistema eleitoral corrompido no âmbito do município e controlavam a vida econômica por intermédio da posse da terra, acumuladas numa panaceia de herança, violência e fraude fundiária, o caxixe. Uma terra onde ainda imperava a servidão por dívida e trabalhador não sabia o que era pausar para o almoço. Poderíamos ignorar o lirismo do autor se as fontes que servem à história regional não confirmassem o relatado, embora com expressiva complexidade e processos diversos de resistência. O acesso à Justiça do Trabalho foi um deles, e o apelo à via institucional não se encerra em si mesmo.

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JABES NÃO VAI TER VIDA FÁCIL NA VOTAÇÃO DAS CONTAS DE 2016

O ex-prefeito Jabes Ribeiro. Imagem: Emílio Gusmão.

Por Thiago Dias.

No último dia 16, o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) reprovou as contas de 2016 da Prefeitura de Ilhéus e exigiu que o ex-prefeito Jabes Ribeiro (PP) pague mais de dois milhões de reais aos cofres públicos. Cabe recurso, e JR avisou que vai recorrer – lembre aqui.

A prevalecer a lógica, para que o recurso do ex-prefeito produza mudanças significativas no humor hermenêutico do TCM, a primeira decisão da corte deverá ser revisada substancialmente.

O conselheiro Paolo Marconi, relator das contas no TCM, viu motivo para encaminhar representação contra o ex-prefeito ao Ministério Público do Estado da Bahia, com o propósito de se investigar a suposta prática de crime contra o erário e de eventual ato de improbidade administrativa.

O posicionamento do tribunal colocou Ribeiro em apuros diante da expectativa da apreciação das contas de 2016 pela Câmara de Vereadores de Ilhéus. É um ingrediente negativo a mais numa receita que já não se anunciava favorável ao ex-prefeito.

Diferente das votações anteriores, quando JR comandava a prefeitura, o cenário para a apreciação das suas contas agora é muito adverso. Basta lembrar que o governo do prefeito Mário Alexandre (PSD), adversário do grupo político de Jabes, tem uma base ampla no Legislativo. Além disso, o atual presidente da Câmara, Lukas Paiva (PSB), ganhou força na cena política com dura oposição ao jabismo. 

Hoje também falta expectativa de poder em torno do ex-prefeito. Isso é normal no ocaso de uma carreira política longa, sobretudo depois de um índice de reprovação que bateu a marca de 80 por cento no fim do quarto mandato de JR.

Thiago Dias é repórter do Blog do Gusmão desde 2013.

A FALA DO POVO ABRE ALAS PARA BOLSONARO

Bolsonaro encarna o espírito do tempo.

Por Thiago Dias.

Ficou no passado o contexto político em que a eleição a presidente de um sujeito como Jair Messias Bolsonaro (PSC) soaria absurda, algo sem sentido e extremamente improvável. Os sinais disso são fartos e brotam sobretudo da linguagem cotidiana, porque Messias fala a língua do povo.

Com a autoridade conferida pelo status de deputado com mais votos no fabuloso estado fluminense, o parlamentar tem um discurso afinado com sentenças caras ao espírito do tempo.

Duas frases populares nos ajudam a exemplificar esse processo de identificação entre Messias e seus seguidores. A primeira – “Bandido bom é bandido morto!” – é a mais popular. A segunda – “Direitos humanos para humanos direitos!” – não fica muito atrás.

É essa presença na linguagem cotidiana, como médium do espírito do tempo, que dá potencial de vitória a Jair Bolsonaro.

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SALÃO VASCÃO, O TEMPLO DA DIVERSÃO MASCULINA NO PONTAL

Vista do Salão Vascão diante da Baía do Pontal.

Por José Henrique Abobreira.

Inicialmente, o salão de bilhar Vascão de seo Caetano da sinuca, como era conhecido, funcionava no início da rua Coronel Pessoa, perto da rua da Frente do Pontal. Formava o triângulo icônico do segmento de entretenimento do bairro, colado com o afamado bar Copacabana e suas mesas com sombreiros na calçada debruçados sobre a visão esplendorosa da magnífica baía do Pontal, onde era servida a melhor caipirinha, jamais vista nas redondezas. Na frente do Salão Vascão funcionava, também, o não menos famoso Arouca”s Bar, de seo Osmar Arouca, onde, além das brejas nevadas, era servida a batida de maracujá Apolo XI, tradicional drinque de sabor inimitável aqui nas bandas pontalenses.

Essa artéria sempre possuiu a vocação para o comércio e o entretenimento: a padaria de Pepeu e seu irmão Bá, o picolé de Favilla, o mercadinho de Vavá “Cabeça da Moda”, o picolé e sorveteria Rico, de Ricardinho e dona Caçula, as lojas de seo Adelino e seo Marcílio, o armazém de piaçava de Miguel Papagaio e dos irmãos Macedo, a leiteria Savien e o Clube Social do Pontal. Todos funcionavam ali, no “centro” do bairro.

Voltemos ao nosso Salão Vascão. Numa segunda-feira perdida na memória de quatro décadas, Zé Caetano amanheceu de mau-humor. O Vasco da Gama, time de sua paixão, perdera de 2×0 para o Flamengo, o clube que ele mais odiava. Abriu o salão respondendo de cara amarrada a saudação de bom dia dos vizinhos e passantes – “Oi homi”, era sua costumeira resposta. Em pouco tempo, o salão se enchia dos fregueses habituais que, naquele dia, apareceram mais para encher o saco de Caetano com a resenha da derrota do Vasco. Edir “Pé de pato”, Ozinho e Tivéio, filhos de seo João dos Cocos, Manoel Chita, Capenga massagista, Zequinha Calhau e seu irmão Maraka, Zé Bacalhau, toda uma horda a perturbar o juízo de seo Caetano.

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O DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA: UMA VISÃO PARA ALÉM DA COR

Por Caio Pinheiro.

Para além de uma referência à morte do líder Negro Zumbi dos Palmares, personagem fundamental nas lutas contra o sistema escravocrata brasileiro, o dia da “Consciência Negra” (20 de novembro) nos convida para uma reflexão acerca dos limites e possibilidades de “ser negro” num país onde o racismo, além de ser camuflado pelo mito da “democracia racial” – segundo o qual, negros e brancos vivem harmoniosamente e com iguais condições de ascensão socioeconômica -, é estruturalizante das relações sociais.

Embora tenhamos, na última década, avançado significativamente no combate ao racismo, não podemos negar a existência de diques étnico-raciais que agem em desfavor dos afro-brasileiros. Lugares sociais de maior visibilidade, prestígio e poder ainda são cerceados aos negros em pleno século XXI. Ainda que muitos tentem silenciar, negar ou obscurecer, marcadores fenotípicos são veladamente utilizados como mecanismos de barragem à ascensão social de negros e negras.

Estruturalmente, o Brasil, país que possui a segunda maior população negra do mundo, produziu, ao longo da sua história, um amálgama de relações sociais marcadas pela extrema desigualdade entre os grupos étnico-raciais. Historicamente, a população negra foi relegada ao ostracismo social, sendo submetida aos efeitos perversos do racismo e da discriminação socioeconômica, respondendo aos mais degradantes índices de desenvolvimento humano.

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COLUNA DECOLORES: ILHÉUS, MINHA VIDA

Imagem da região central de Ilhéus/José Nazal.

Por Luiz Castro.

O escritor Jorge Amado afirmou  por ocasião do seu pronunciamento ao receber o título de cidadão Ilheense em 1997 que Ilhéus é “a terra da sua vida”. O mesmo eu afirmo de todo coração: Ilhéus é a razão da minha vida. Aqui nasci, nasceram minha esposa e filha, que fazem parte do meu patrimônio familiar e espiritual.

A cada dia vejo nossa Ilhéus mais jovial, encantadora e deslumbrante. Tudo é bonito, tudo é belo, tudo é encantador.

Sei perfeitamente das necessidades reais que a cidade tem, porém, o Supremo Arquiteto do Universo, ao idealizar as cidades, deixou nossa Ilhéus por última para ser esculpida com mais beleza.

Vejo que a cidade está precisando de carinho por parte de seus filhos, no sentido de cada um fazer algo por ela. Lembro-me daquela brilhante frase que John Kennedy um dia falou: “Não perguntes o que a tua pátria pode fazer por ti. Pergunta o que tu podes fazer por ela.”

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A ILHÉUS FUTURISTA DOS MEUS NETOS

José Henrique Abobreira escreve sobre a Ilhéus da juventude dos seus netos.

Por José Henrique Abobreira.

Tenho três netinhos: Antonio Henrique, de 3 anos de idade, Ana Beatriz, com três meses de vida, e Gabriela, nascida há treze dias. Eles deram um novo sentido de vida para toda a família. Aos avós, em especial, deram a alegria e a motivação que nos reforçam a vontade de prolongar a nossa existência e, assim, acompanharmos a infância deles, o seu crescimento e desenvolvimento intelectual.

Também desejamos que os três cresçam numa Ilhéus mais organizada, com muitas oportunidades para a sua geração. Em breve, por exemplo, o município poderá abrir uma maternidade equipada com UTI Neonatal e todos os recursos para que as mamães ilheenses possam ter as suas crianças de forma segura. Isso evitaria a necessidade de deslocamento para Itabuna, onde há melhores condições de medicina obstétrica. Fico “pê” da vida, arretado mesmo, ao ver os registros de meus netos como paridos em Itabuna.

Em 2034, quando a cidade vai comemorar os 500 anos da fundação da Capitania de São Jorge dos Ilhéus, quero que ela esteja muito melhor. Com a experiência de vida que possuo, compreendo que o tempo histórico para mudanças profundas nesta nossa cidade, 17 anos, é muito curto. Porém, temos que nos esforçar para darmos um salto de qualidade.

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OS CANÁRIOS CLASSEMEDIANOS E SUA ENCEFALOPATIA POLÍTICA

Por Caio Pinheiro.

Perplexidade, passividade e medo, são três das inúmeras adjetivações passíveis de qualificar o comportamento da sociedade brasileira frente os descalabros do governo Temer. Embora seja fácil ouvir gritos de indignação vindos dos mais variados setores da sociedade, é complexo entender por que essas vozes indignadas não se transfiguram em ações efetivas no campo da luta política.

Acometidas por uma espécie de “encefalopatia política”, frações expressivas da classe média vociferam discursos de ódio ritmados pela batuta midiática. Fingem não ver o agigantamento das iniquidades sociais; como se o fato do Brasil voltar a integrar o mapa da fome não fosse uma questão de nação, mas, sim, de CLASSE social.

Sobram provas do ataque criminoso ao estado democrático de direito. Corporações do poder judiciário instrumentalizam normas excepcionais em nome do justiçamento e não da justiça. Por mais que atenda aos nossos anseios por justiça, é um equívoco aplaudirmos a conduta parcial de procuradores e juízes, pois, amanhã, qualquer um de nós poderá ser vítima do justiçamento sem ter a quem recorrer. É a velha máxima: o judiciário fiscaliza a sociedade, mas quem fiscaliza o judiciário?

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JOSÉ FERNANDES DE ARAÚJO, UM GRANDE HOMEM PÚBLICO DO PONTAL

José Fernandes (camisa listrada), em 1988, ao lado dos colegas vereadores Hamilton Andrade e Ana Margarida. Imagem do acervo do Blog Catucadas, de José Nazal.

José Fernandes (camisa listrada), em 1988, ao lado dos colegas vereadores Hamilton Andrade e Ana Margarida. Imagem do acervo do Blog Catucadas, de José Nazal.

Por José Henrique Abobreira.

José Henrique AbobreiraTia Alice – assim a chamávamos -, proprietária de uma pequena venda instalada na antiga rua do Mata Calado, nos contava que tinha vindo dos lados da cidade de Alagoinhas. Ainda no início da década de 1960, trabalhava com a família como pequena agricultora na zona rural daquela cidade situada no nordeste da Bahia. Fugira das dificuldades da vida no campo, o trabalho na enxada de sol a sol, plantando alimentos de subsistência e lutando contra a inclemência climática. Viera tentar a sorte em Ilhéus, cidade maior e de economia pujante, repleta de oportunidades para quem se dispusesse a trabalhar e levar uma vida mais tranquila. A fama do cacau e das suas riquezas chegara até os rincões onde dona Alice mourejava a terra inóspita. Trouxe consigo o sobrinho Zé Fernandes, ainda moço, que a ajudou a fundar o pequeno estabelecimento comercial, e a auxiliava no balcão da venda, tipo de comércio bem comum no bairro do Pontal naquela época.  Na sua vizinhança, mourejavam naquele ramo os vendeiros Antonio Faislon e seu irmão Amaro, Milton Farias, Pedro Dobre, dona Cassi e seo Pereira.

Ali começou o nosso conhecimento familiar. Morávamos naquela mesma rua, comprávamos na venda de dona Alice. Zé logo formou uma amizade sólida com o meu pai, Eronildes Abobreira.

Zé Fernandes, moço ativo, inteligente, jeitoso e muito educado no relacionamento com as pessoas, tinha uma visão arrojada e futurista. Logo percebeu que, para avançar na cidade grande, precisaria, primeiro, de um trabalho regular, além de estudar com afinco e ser guindado ao lugar merecido na escala social, trabalhador esforçado que era.

Antenado, fez um curso para atuar no comércio. Fez também boas amizades, com um grande círculo de amigos. Não demorou a conquistar um emprego na Telesul, primeira companhia telefônica da região. Convidado pelo senhor Elias Mattos, chefe da companhia, logo se destacou na excelência no atendimento e arrojo no trabalho.

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