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Domingo, 21 de Outubro de 2018
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VIOLÊNCIA? ISTO É SÓ O COMEÇO…

Por Julio Gomes.

Passava de meia noite em Salvador. Após a votação do primeiro turno, ocorrida no domingo, dia 07/10/2018, iniciava-se a madrugada de segunda-feira. Em um bar humilde, localizado próximo ao Dique do Tororó, surge uma discussão entre eleitores do PT e um eleitor de Bolsonaro, que instantes depois se retira para retornar logo em seguida, matando no local o capoeirista Moa do Catendê com 12 facadas, sem chance de defesa.

Porto Alegre, dia 08/10/2018. Uma jovem que usava mochila e bandeira com as cores do Movimento LGBT e camisa com a frase EleNão é interceptada por um grupo de homens e agredida, e em seu corpo é marcada a canivete uma suástica diretamente em sua barriga. Como o símbolo nazista foi marcado de forma invertida, o Delegado registrou a ocorrência disse, cinicamente, que entendeu tratar-se de um “símbolo budista”!

Brasil, primeira semana após a votação do primeiro turno. Dezenas de escolas, universidades e instituições públicas são pichadas com fortes agressões a negros, mulheres e homossexuais, por vezes acompanhadas de símbolos nazistas. Estas agressões repercutem na imprensa, mas de forma bastante modesta.

Moa do Katendê.

Multiplicam-se as agressões e ameaças pessoais, de forma direta e indireta, aos milhares, em todo o Brasil. Alunos falam para professores e pacientes relatam a seus psicólogos que têm sido xingados, ameaçados e agredidos por conta de suas opções sexuais, políticas ou por questões eminentemente pessoais.

Em Ilhéus, um jovem homossexual que trabalha em uma fábrica em seu primeiro emprego ouve ao passar, de um subordinado, que “isso vai acabar, Bolsonaro está chegando”. Sem querer azedar o ambiente de trabalho nem expor-se, o jovem finge que não ouviu e segue lívido, preocupado, sob forte constrangimento.

Bolsonaro é apenas o candidato rumo ao segundo turno, mas os relatos das mais diversas formas de agressão, desde ameaças verbais a homicídio, eclodem em todo o Brasil, prenunciando o que deverá vir a tornar-se cotidiano, caso ele e seu projeto político de sociedade sejam aprovados nas urnas.

As pessoas são, em regra, dissimuladas, sonsas. Temo que todos os atos de violência cometidos até agora sejam somente um prefácio, uma amostra grátis, um cafezinho ante o banquete de violência social que desabará, nas mais diversas formas, inicialmente sobre as pessoas tidas como indesejáveis e, depois, sobre todos os que de alguma forma não concordarem com Bolsonaro e sua linha de conduta política, caso chegue ao poder.

Se você não sabe o que é o fascismo e viver sob uma ditadura, pergunte às pessoas acima, que foram agredidas ou ameaçadas. Elas não viveram o período de 1964 a 1985, da ditadura militar, mas já sabem do sentimento de medo, impotência e terror que aqueles que sofreram tais tipos de violência conhecem perfeitamente, e não esquecerão jamais.

Quem vota em Bolsonaro estará, conscientemente ou não, chancelando todos estes atos de violência já cometidos, e também todos os que vierem depois, quando, definitivamente instalados no poder e com o apoio de parte significativa da polícia, do Poder Judiciário, dos grandes meios de comunicação, e respaldados pelos que votaram no projeto de ódio, poderão, aí sim, mostrar o que é realmente repressão, ameaça e violência, agindo com a certeza da impunidade!

Bem vindo ao primeiro ato do fascismo e da ditadura, ainda no pré poder. Se Bolsonaro realmente for eleito, o pior estará por vir.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

DO ARCAÍSMO CULTURAL E DA HISTÓRIA, DO SEXO DAS COBRAS, DOS PINTAINHOS, DOS ANJOS E NINFAS, DA LIBIDO E DO HOMOEROTISMO

Por Mohammad Jamal.

Longo parágrafo. 

Confessionalmente cabe-me reconhecer que descontando um ou dois problemas emocionais, cresci em circunstâncias seguras e moderadamente confortáveis. Meu irmão mais velho incutiu-me muito cedo o gosto pela leitura fazendo com que a literatura ocupasse boa parte do meu tempo; hoje, amadurecido pela sobreposição dos anos vividos, ela ocupa muito mais; a literatura faz parte da minha vida. As leituras de bons livros escolhidos por meu irmão influíram muito sobre a minha vida na infância e adolescência, tal como ainda influem hoje, quando o tempo tingiu de branco meus cabelos. Foi naquele tempo de garoto que gostava de livros que me reconheci um observador de pessoas, um tipologista autodidata traçador de perfis. Atraiam-me não só os dramas, alegrias e tristezas, mas as pequenas tragédias, os episódios cotidianos, o entendimento dos porquês e como reagia cada pessoa à minha volta às suas alegrias e pequenas tragédias. Algumas explicitamente emotivas oscilavam entre o riso nervoso e as lágrimas, outras, contidas, deglutiam silenciosamente seus problemas, dramas e angústias quase impassivelmente, mas nem assim escapavam da leitura das suas linguagens corporais; coisa que, precocemente, eu já dominara. Eu lia a escrita gestual dos semblantes e dos corpos que falavam idiomas distintos por mímicas singulares. Eu já os traduzira. Na ênfase das palavras e algumas onomatopeias; na audição dos soluços e gemidos, no olhar; eu lia sentimentos os mais diversos e, perfilava-as detalhadamente calçado no entendimento empírico acumulado nos densos conteúdos dos livros que li e me impregnaram a mente. São essas imagens passadas que me permitem devaneios reminiscentes que às vezes compartilho fazendo um contraponto àquele tempo e a modernidade globalizada que o varreu impassível essa percepção para o vazio do esquecimento comum.

Relembrar não é preciso, mas os ecos ainda ressoam: Não vou retroagir muito, isso é lugar comum, cansativamente exaurido em todos os artigos que tratam de reminiscências socioculturais através a história. Estamos carecas desse antagonismo evolutivo monótono e previsível que se arrastou lentamente, retardando a evolução dos costumes e das relações humanas em seu inexorável processo de renovação de velhos paradigmas sociais que obscureciam o concretismo autonômico iluminista, coisa que ainda acena à sociedade moderna em contínuo processo autonomista ainda que crivado por propensões alienistas e singularidades controversas.

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UM VOTO PARA O FUTURO

Por Julio Gomes.

Seria muito fácil, neste momento, fazer um pronunciamento ou texto defendendo este ou aquele candidato(a), ressaltando suas qualidades, acrescentando alguma proposição ou fazendo uma crítica subliminar a seus principais concorrentes. Todas as informações estão abundantemente disponíveis para este fim, e vão desde as propagandas de cada candidato até as análises dos fatos que envolveram a presente disputa eleitoral.

Entretanto, o momento que vivemos talvez necessite de mais do que isto.

O clima de forte tensão que paira no Brasil de hoje é percebido até mesmo por quem odeia política ou tenta se manter o mais distante possível de questões partidárias. E mesmo que a pessoa não pense ou não queira pensar na política, nas eleições e, sobretudo, em suas consequências, é necessariamente levada a isto porque esta tensão está nas famílias, nas Igrejas, nos grupos voltados para o esporte, no trabalho, em todas as relações pessoais. Não se trata mais de perceber pela razão: a percepção vem pelo sentimento, é captada no ar.

De fato, vivemos um momento gravíssimo, talvez único em nossa história como nação.

Por isso, se você ainda não sabe em quem votar, talvez seja mesmo o caso de não votar em ninguém. E se você tem convicção de sua escolha, faça-a e, principalmente, assuma-a, amanhã e nos próximos quatro anos, no mínimo.

Neste domingo, 06 de outubro, dia da votação em primeiro turno das eleições 2018, quando as urnas se abrirem, vá exercer seu direito / dever de votar. Mas não brinque com seu voto, em hipótese alguma.

Porque você tem o direito de votar, mas não de brincar com o seu futuro, nem com o do Brasil, nem com o de seus filhos e – desculpe se lhe pareço egoísta – nem com o meu futuro!

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

MANIFESTAÇÕES DE 29/09: MUITO ALÉM DE BOLSONARO

 Por Julio Gomes.

As manifestações das mulheres contra o candidato a Presidente Jair Bolsonaro, convocadas pelas mídias sociais e que aconteceram no dia 29 de setembro se constituíram em um fenômeno político e sociológico sem precedentes na história do Brasil, por diversas razões.

A forma original e extremamente eficaz como surgiu e organizou as manifestações é o primeiro aspecto a ser ressaltado. Vindas de um grupo de mulheres criado no Facebook há menos de um mês e que hoje alcança mais de 3 milhões de membros, é como se tivesse surgido a partir do nada e, ao mesmo tempo, como se sempre tivesse existido!

A diversidade e o tamanho das manifestações, sobretudo se compreendidos em relação ao pouquíssimo tempo e à quase nenhuma estrutura utilizada nas convocações e nos próprios atos, também são mais do que surpreendentes. E não adiantou a Rede Globo, em seu parcial e tendencioso Jornal Nacional, tentar mostrar imagens de manifestações ocorridas no mesmo dia 29, a favor de Bolsonaro, pois o número de participantes das manifestações contrárias, que segundo estimativas reuniram em torno de um milhão de pessoas em todo o Brasil, foi esmagadoramente superior àqueles presentes em eventos a favor dele.

Manifestação do movimento #Elenão no Largo da Batata em SP.

Entretanto, o que nos parece mais importante ressaltar, neste momento, é que o ato contra Bolsonaro na verdade não foi propriamente contra ele, e nem mesmo contra sua candidatura: Foi uma reação legítima popular contra a tempestade de grosserias, violências, discriminações e agressões que vitimaram milhões de brasileiros e brasileiras ao longo dos últimos meses.

Primeiro porque a sexualidade das pessoas é, em regra, uma questão única e exclusivamente delas. Não cabe ao Estado, nem ao patrão, nem às igrejas, nem a partidos ou grupos ideológicos cercear opções que são eminentemente privadas, e menos ainda agredir e segregar pessoas em função de tais escolhas.

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A BASTARDIA PATRONAL, A TUTELA DESLEIXADA E O ABANDONO DA VENERANDA VULNERÁVEL

Por Mohammad Jamal.

Não como a carne do porco, nem as porcas, claro! Neste prólogo, vou começar citando os suínos e galináceos dos criadouros intensivos e nos criatórios domésticos para consumo da família. Digamos o macro e o microcosmo na cadeia produtiva da proteína animal que tanto necessitam os humanos à sua mesa para seu sustento nutricional e ponderal. Mas a citação que faço direciona-se analogicamente aos aglomerados humanos que formam cidades e megalópoles a exemplo dos pequenos galinheiros e chiqueiros domésticos e às mega pocilgas e gigantescos aviários onde se confinam aos milhares, porcos, frangos e galinhas do agronegócio. Porcos, frangos para corte e galinha poedeiras exigem cuidados intensivos e permanente assistência sanitária! Uma pocilga que não é limpa e lavada diariamente resulta em prejuízo. Porcos e bacorinhos emagrecem e morrem vítimas das zoonoses que se multiplicam cultivadas na imundície da sujeira ao abandono. Do mesmo modo, frangos não engordam; galinhas não põem ovo e pintainhos morrem antes da adolescência, expostos às susceptibilidades que infectam o desleixo pela sujeira, imundície ao leu. Comparativamente, cidades e megalópoles; galináceos; suínos e humanos compartilham semelhante ciclo biológico de suscetibilidades e vulnerabilidades higiênico-medico-sanitárias.

Dante relia suas centúrias admirando “Inferno” urbano aqui do alto da lage? Olhando cá de cima do morro, às vezes a cidade em que vivo me transparece um lugar estranho, soturno, insalubre. Ruas que nos eram familiares mudam de cor e aspecto de uma hora para outra. Olho para as multidões e enxergo a apatia e indiferença para com o ambiente em que se confinam volitivamente. Alheias a tudo, elas passam por mim acotovelando-me impassíveis, formando filas intermináveis para um não sei o quê de saúde, sabe-se lá, se física ou meramente humoral porque esqueceram o que é ter esperanças… Galinhas, frangos, pintos também… E ao vê-los assim, me incutem um sentimento de que estavam ali há centenas de anos; é como se ali houvessem criado raízes em busca do próprio passado soterrado sabe-se lá aonde. Seria por esperança de encontrar uma esperança enterrada a sete palmos?

Platão! Aristóteles! Nero! Calígula!… Roma está em ruinas! Com seus parques e jardins lamacentos, cobertos de ervas daninhas; seus espaços abertos desolados como antigos campos de guerra; os seus postes de eletricidade, sem lâmpadas, obscurecem ainda mais o que já está soturno e sombrio em tenebrosa penumbra; esgotos escorrem pelas guias como veias sangrando exudatos apodrecidos. Grandes outdoors escandalizam a venda de tudo e de prédios suntuosos em suas monstruosidades de concreto, menos a esperança abatida em seu voo de galinha. Esta cidade está como a minha alma; vem-se transformando celeremente num lugar vazio e abandonado. As imundícies das ruas e transversais; o mau cheiro das latas de lixo transbordadas e os restos expostos com larvas de moscas a esmo para o repasto dos urubus, dos ratos, dos cães abandonados. As vias públicas corcundas, cheias de calombos, afundamentos, buracos e crateras, são úlceras, como se vítimas da leishmaniose e peste negra. Nesse quadro de caótica desordem, ainda nos submetemo-nos a apertos e empurrões para embarcar num transporte público característico de ferros-velhos, inconstantes e de destino incerto que fazem de Ilhéus o que ela é. E fico me perguntando se a cidade não está me castigando por contribuir para sua miséria, degradação e abandono pela minha simples presença, apático e indiferente à sua desdita, infelicidade e desventura? O que posso fazer por ela? Gritar? Votar naqueles mesmos? Eu votei!

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DESMATAR VIROU “PATRIMÔNIO CULTURAL” DO BRASIL

Por Maria Tereza Jorge Pádua, publicado em O Eco.

Há alguns dias o sistema agrícola tradicional das comunidades quilombolas do Vale do Ribeira, no sudeste paulista, foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O tal sistema é o “plantio das roças tradicionais que requer o corte de pequena área de vegetação nativa de Mata Atlântica para fazer a roça”. Em bom português isto significa desmatar, ou seja, derrubar árvores e queimar. Verdade é que, no caso, pode se tratar de áreas discretas, mas que ocorre numa das regiões mais desmatadas do Brasil, abrindo um curioso e perigoso precedente num país que pretende lutar contra o desmatamento.

A agricultura de roça e queima

A descrição do cultivo que agora é “patrimônio cultural” oferecida pelos defensores da proposta, no caso do Vale do Ribeira, diz que a floresta é cortada e que “a vegetação  é queimada em forma controlada permitindo que as cinzas fertilizem o solo”. Estas áreas abertas na floresta são cultivadas por períodos de dois a três anos, ou até que o solo não esteja mais tão fértil. Depois o produtor abandona este trecho e a floresta “se regenera”.

Esta forma de agricultura primitiva é praticada por indígenas e quilombolas, mas, também, é usada por populações tradicionais e não tradicionais de outras regiões. Esta forma de agricultura, conhecida como agricultura migratória é, como bem demonstrado, uma das principais causas do desmatamento da Amazônia e de outras florestas tropicais e subtropicais do mundo, junto com a pecuária e a agricultura moderna. A área desmatada cada ano pode, realmente, ser pequena, como se pretende que sejam as dos quilombolas, mas, frequentemente, alcançam de meio hectare a mais de um hectare. Como essa prática, que em geral é realizada por agricultores informais, se repete a cada ano, seu impacto acumulado é muito grande. No Brasil este tipo de agricultura pode estar aumentando. Nos países andino-amazônicos a prática abre enormes frentes de destruição e fogo que se somam aos ocasionados por outros atores.

Esta forma de agricultura era até adequada no caso das populações indígenas originais, com baixa população e muita terra e, sem dúvida, também para os quilombolas do passado que se assimilaram culturalmente aos anteriores. Porém, a sua validade na situação socioeconômica atual é altamente discutível fora dos territórios indígenas. Vários fatos devem ser lembrados: (i) trata-se de uma forma muito ineficiente de agricultura, com baixa produtividade que consolida a pobreza da população que a usa; (ii) requer a destruição de florestas naturais sobre uma extensão muito maior que a que é realmente necessária para alimentar os que a praticam; (iii) requer uso do fogo que, muitas vezes, sai do controle e provoca incêndios florestais; (iv) embora a floresta eliminada possa se “regenerar”, a área desmatada nunca recupera sua riqueza biológica original.

Sob qualquer parâmetro social, econômico ou ecológico, a agricultura de roça e queima deve ser progressivamente transformada em uma das tantas opções de agricultura mais produtivas e estáveis como, diga-se de passagem, usaram os próprios indígenas amazônicos com a prática conhecida como “terra preta”, dentre outras. Para conservar as supostas virtudes das variedades cultivadas pelos quilombolas existem muitas formas de fazê-lo, sem continuar desmatando. Para isso se inventaram os bancos genéticos e a Embrapa, sem dúvida, sabe fazer isso com extraordinária competência. Também se alega que é agricultura orgânica. Tudo bem. No entanto, destruir árvores nativas centenárias, que suportam uma rica e diversificada fauna, para plantar milho e mandioca não é muito “orgânico” e, para ser orgânico, não se precisa abrir roças novas anualmente.

O caso do Vale do Ribeira em São Paulo

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FORA DA DEMOCRACIA NÃO HÁ SALVAÇÃO

Por Julio Gomes.

Cada vez mais tenho a plena convicção de que vivemos em um Estado de exceção, em que as leis, a jurisprudência e as instituições democráticas quase nada valem, e valem cada vez menos. Os fatos ocorridos em razão da disputa pela Presidência da República e, mais recentemente, do pleito eleitoral para Presidente em 2018 consolidam ainda mais este pensamento.

Primeiro tivemos, no ano de 2016, a cassação de uma Presidenta eleita democraticamente pela maioria dos brasileiros. Qual foi seu crime? A pedalada fiscal, que de forma simplificada nada mais é do que deixar de contabilizar um repasse de verbas para um banco ou órgão do governo em um determinado exercício financeiro (em um ano) para contabilizar tal repasse no exercício seguinte (no ano seguinte). Mas não há roubo, nem desvio, pois o dinheiro foi gasto segundo sua destinação orçamentária, só que a despesa foi lançada no exercício seguinte.

Pois bem, com base no artifício fiscal acima se desmoralizou, aviltou e cassou uma presidenta eleita, em um país onde os políticos e gestores pegam as verbas públicas e enfiam em seus bolsos, algo que Dilma jamais fez!

Em seguida, veio a prisão do ex-presidente Lula com base, unicamente, na delação premiada de pessoas que se encontravam presas e ameaçadas de pegar 30 ou 40 anos de cadeia, e a quem era, na prática, oportunizado escapar das penas desde que acusasse ao Lula.

Não houve nenhuma prova material de crime cometido pelo ex-presidente. Não há nos autos do processo prova alguma de que recursos oriundos da Petrobrás, ou de propinas, tenham chegado até Lula. E quanto ao tríplex que a Sentença diz ser a vantagem indevida recebida pelo Lula, era registrado em cartório de imóveis em nome de uma grande construtora, que o vendeu posteriormente sem embaraço algum, porque jamais foi do Lula.

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A DESTRUIÇÃO. TEORIA E PRÁTICA

Por Mohammad Jamal.

Com sua licença! Por favor. Dirijo-me inicialmente àqueles que, ociosos, movidos pela curiosidade, dão-se ao trabalho de ler-me aqui e neste blog. Aqueles que já conhecem a estilística dos meus artigos sabem do onipresente sentido da dúvida com que, precavidamente, me resguardo dos conceitos impositivos e diagnósticos irrecorríveis comuns aos sábios “sociólogos” do nosso cotidiano existencial. Por isso, recorro ao célebre – que não é da TV. – filósofo Sócrates que, humilde, declarou irrestritamente: “Só sei que nada sei, e o fato de saber isso, me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa.”. Continuo aprendo e me surpreendendo com as coisas inimagináveis que me vem ao conhecimento, mas fugindo como dizem os cristãos “como o diabo, da cruz”, das adaptabilidades requeridas.

“A catraca do buzu tá travada pra nóis!”. Numa encruzilhada de três vertentes, duas já foram fechadas ao cidadão brasileiro. Já não podemos optar; perdemos o sagrado direito de escolher, estamos índios para a cidadania. Alguém toca o berrante lá no Planalto Central e, toda a manada do proletariado muge afirmativamente. Somos os bois de tração que aram, gradeiam e carregam o país às costas, para o gáudio exclusivo das “nossas lideranças” ou políticos que “pecuarisam” (desculpem o neologismo) o proletariado nos currais eleitorais com clientelismo oportunista barato.

Reflexologia das massas na betoneira do filosofismo. Diante das diversas vertentes que apontam no sentido de que toda ação ou reação políticosociológica advêm da psique e reflexologia das massas; bate aquela humildade socrática, aí me pego muitas vezes mergulhado por dias em textos, teorias e estudos de pensadores famosos assertivos, portanto, difíceis senão impossíveis de se contraditar.  Às vezes vou até textos mitológicos e às tragédias gregas como Édipo Rei (Sófocles); Electra (Eurípedes), Ésquilo, que foram os dramaturgos de maior importância àquela época, em busca das razões da razão coletiva. Aristóteles concluiu que a vida é o teatro do realismo existencial, a cada cena uma surpresa nos impacta.  Ele concluiu sabiamente, que o espetáculo trágico para se realizar como obra de arte deveria sempre provocar a “Katarsis”, a catarse, isto é, a purgação das emoções dos espectadores. Forçar um reencontro entre a realidade íntima mais oculta com a existencialidade cotidiana e, forçar a harmonização entre as suas gritantes diferenças quase irreconciliáveis. Recorri também aos poemas de Homero e até aos textos bíblicos em busca de respostas para essa tragédia que se abate persistente sobre o proletariado.

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O PODER DE PODER NO REINO DE SÃO SARUÊ

Por Mohammad Jamal.

Imaginários ficcionais: Da serie Ilações sobre o Brasil de hoje passado a sujo.

Um levantamento exclusivo realizado pela Revista Congresso em Foco mostrou que cerca de metade dos deputados e senadores da atual legislatura (2015-2018) responde a algum procedimento investigatório no Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, são 238 parlamentares às voltas com a Justiça no âmbito do STF. Estamos falando apenas dos legisladores, faltando incluir ex-presidentes, ex-governadores, ex-prefeitos, diretores de estatais e de outras instituições no âmbito político federativo. Muitos deles pretendem reeleição, outros almejam retorno ao poder após quatro anos sem mandato; várias centenas de pretendentes novatos também se acotovelam tentando debutar no melhor, mais rentável e lucrativo negócio no Brasil: a política. A caça ao tesouro é brutal e sanguinária. Do cabelo pra baixo é canela! Faz-nos relembrar os Programas Rolaentrando e Tudo Por dinheiro do canal SBT!

A propósito: Há alguns dias tive o privilegio de ouvir numa reunião, à seguinte pérola ou diria diamante, pronunciado por um postulante político profissional de múltiplos mandatos, mas ainda tentando reeleição: “Eu não me pertenço mais. Doei-me de corpo e alma ao povo! Servir e ajudar à sofrida população da minha região é o meu destino. Não sei fazer outra coisa senão trabalhar pelo povo!”. Quanto patriotismo altruísta! Quanta entrega e doação de si por nada em troca! É lindo!

O silencio foi quebrado nos Jardins em Alphaville!

_ Que palhaçada é essa em volta da minha mansão? Sirenes e luzes piscando. Já não se pode jogar golfe em paz no centro de São Paulo? Se continuar assim, vou ter que mudar para minha residência em Dubai. Ananias!… ANANIAS!… Olha aí nas câmeras pra ver o que é isso. Liga pra polícia especial.

Cumprida a determinação, Ananias, após olhar num painel de mais de cem câmeras de segurança, assustado, volta esbaforido com a resposta para o patrão.

O mordomo cearense: _ Doutor, é a polícia!

Bilionário político incomodado.

_ Polícia? Que polícia que nada, eu não pedi nenhuma segurança especial no entorno da mansão… Será que o Damião levou as minhas Yorkshire Mimi e Fifi para passear? Bastava cinco viaturas para a segurança das minhas cadelinhas. Humm… Ananias!… ANANIAS! Olha lá de novo e vê se é polícia mesmo? Se não é aquele japonês pegajoso que mandei encostar? 

Ananias volta às cem câmeras de segurança e retorna correndo, mais esbaforido e assustado ainda. _ Doutor, é polícia mesmo, e tem duas letras douradas nas portas, nos tetos das viaturas e nos coletos pretos que os homens estão vestidos.

_ As letras são PP? (polícia de Político) que está escrito?

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LULA E HADDAD CONTRA O LIBERALISMO TRANSVERTIDO

Por Caio Pinheiro.

Entre opositores e aliados, veladamente ou abertamente, há um consenso em torno do processo persecutório sofrido há décadas pelo presidente Lula. Nem mesmo a precária sentença do juiz Sergio Moro, ratificada por seus amigos desembargadores do TRF-4, foi capaz de apequenar a extraordinária biografia desse nordestino cabra da peste. Ao contrário de seus algozes, Lula não precisa de malabarismo retórico para provar suas realizações. Por isso, decantado o estardalhaço produzido pelo golpe, pesou o efeito comparação e, em função deste, o povo concluiu: no Brasil de Lula vivíamos melhor!

Esse sentimento levaria Lula a ser eleito no primeiro turno, mas o justiçamento transvertido de justiça da “Casa Grande” cuidou de impugnar a vontade popular. Em ato contínuo, os arautos do liberalismo brasileiro e suas marionetes encasteladas no poder judiciário, cuidaram de sepultar um dos mais caros princípios liberais, ou seja, a soberania popular. Enfaticamente defendida por John Locke, filósofo inglês conhecido como o “pai do liberalismo”, uma escolha política soberana funda-se no fato de que um governo só pode ser instituído e/ou destituído pela vontade soberana do povo.

Tomando como fundamento essa premissa, o alijamento de Lula do pleito eleitoral, mesmo com a ONU (Organização das Nações Unidos) manifestando-se contra tal decisão, mostra como nossa democracia está asfixiada pelo arbítrio. Ao usurpar prerrogativas constitucionalmente atribuídas ao poder legislativo, frações do judiciário eliminam os últimos resquícios de democracia e implantam um verdadeiro estado de exceção. São tempos em que uma condenação independe de provas, mas, assenta-se, no caso de alguns réus, na capacidade argumentativa de procuradores e juízes. Daí se quiser entrar na vida pública e não ser perseguido judicialmente só há uma saída: filiar-se ao PSDB!

Mas “o nordestino é, antes de tudo, um forte” e, como prognosticou o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, Lula preso injustamente seria levado a condição de mártir. O que os inimigos do Lulismo não imaginavam é que isso fosse acontecer tão rápido. Lula não virou um zumbi como especulou o articulista político Ricardo Boechat (Band), ao contrário, resiste e rege o processo eleitoral a despeito do cerceamento que lhe é injustamente impetrado.

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PEGA, MATA, ESFOLA

Por Mohammad Jamal.

Pega, mata… Esfola! – O momento político da cidade é crítico, trágico, patético, dramático, burlesco ou o amargo pastelão embalado por contumazes expertises dos seus personagens no cenário parlamentar? Não sei bem o nome da Operação; se Operação Pega-ratos, Operação Corta Prepúcio, acho que é a Operação Prelúdio! Mais uma tentativa de passar rodo e o rastelo na corrupção que se alastre como pandemia no país. Só que lá na frente, passadas as agruras presenciais impostas pelo rito enérgico e a correição da Primeira Instância, eles relaxam, folgam o cinto e, às vezes, ate gozam o usufruto do Capital integralizado acostado aos Ativos financeiros pelas expertises da corrupção. Nos tribunais as Ações que respondem encontram discreta a discreta cortesia, o aplomb e algum fair-play das discussões recursais em absenteísmo do dos réus, a essa altura, com caras untadas em finíssimo óleo de peroba… E por ai vão.

Caolhos míopes, mandriões estagnados – Em Ilhéus não é diferente. Aqui tudo em si assemelha à transliteração do amargor dramático do Nelson Rodrigues mesclado à intuitiva verve prosélita empregada no sentido literal das Críticas à organização e ao funcionamento da sociedade russa da primeira metade do século XIX, examinadas sob a ótica de Nikolai Gogol. O Inspetor Geral; que, alias, serviu de inspiração ao escritor, dramaturgo e diretor teatral, Romualdo Lisboa, para escrever produzir e dirigir a peça: Teodorico, as últimas horas de um prefeito, levada com muito sucesso aqui e em grande parte no Brasil e exterior.  Na obra de Nikolay Gogol, confrontamos as presenças marcantes do sentido e humor satírico com nítido realismo social. Ele sugere reformas sociais e políticas, embora não fosse um político, para a Rússia. Faz observações minuciosas. Aduz magistralmente a criação de personagens exuberantes. Usou metáforas e simbolismos para escapar da censura do governo russo da época e até utilizou formas de prosas não convencionais e fez uso frequente de elementos relacionados ao fantástico em metalinguagem. À semelhança das situações esdrúxulas tais como as que confrontamos no atual momento político ilheense: densamente tosco e irracionalmente equivocado em suas proporcionalidades exageradas em feéricas fantasias baratas do inexequível.

Quibe de moscas – Vendo sonhos! Bolinhos de Esperanças, de anelos, de indulgência, terrenos no céu, e as porras, tudo embalado na mais fina farinha de quimeras. Está aberta a disputa pela caça ao tesouro! Não aquele tesouro do pirata Barba Negra, nem aquele outro que supõem encontrar-se numa das pontas do arco-íris. É coisa muito maior que fica num califado riquíssimo nas terras das mil e uma noites, Brasília e capitais dos estados das terras brasileiras. Captou?  

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O ÂNUS ELOQUENTE E SEUS FLATOS PROGRAMÁTICOS

Por Mohammad Jamal.

Cruz credo. Nunca vou esquecer o horror que congelou minhas glândulas, quando a palavra funesta cicatrizou em meu cérebro vertiginoso. Andei desorientado pelas ruas como um homem com concussão. A cena que assisto teria destruído minha sanidade. Eu estava em pé na porta do Palácio, de onde presenciei estarrecido à terrível cena quando suas hemorroidas explodiram no carro em movimento e se enroscaram na roda traseira do veículo. Ele ficou completamente estripado, deixando para trás uma carcaça vazia, ali sentada no estofamento de pele de canguru do carro. Ate os olhos e o cérebro, ambos se foram com um barulho gutural horrível. Um plóft! Como o sacar duma rolha numa garrafa de vinho.

Incutindo o terror. Acho que já lhes relatei aquele caso do político que ensinou o ânus a falar, ou não? Não, não era do PT não… O abdome dele mexia-se para cima e para baixo e ele peidava palavras em um som borbulhante, denso, estagnado… Um som que dava para cheirar a estilística socialista marxista da retórica. O homem trabalhava com afinco a própria campanha e de mais alguém. Aquilo começou por ser um novo número de ventriloquias onde promessas e atributos personalíssimos eram peidados em praças públicas em promessas inexequíveis e loas factoides exorbitadas a bem candidato. E ia dando certo. O candidato crescia a cada dia nas pesquisas de intenção de voto.

Doa males, o pior. Só que depois um tempo, incompreensivelmente, o eloquente ânus, personagem mais importante do seu marketing político, começou a falar sozinho. O “dono” entrava num diálogo político-ideológico sem script previamente ensaiado e seu ânus, mente agudizada e infamante, respondia às piadas sobre outros políticos e às conjecturas ideológicas com risível e sarcástica ironia. Um ânus controverso, opositivo, crítico e contestador. Uma ameaça ideológica convincente com verve prosélita e incisivamente cooptativa, que peidava frases intelectualmente complexas e difíceis de contestar, começara a se fazer predominar sobre a situação.

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CARTA À JUVENTUDE CRISTÃ

Por Marcos Vinicius Vieira Reis (Marcolino).

Eu nunca saberei o que significa a dor de parto literalmente, no entanto, eu sinto nascer algo que está sendo gerado dentro de mim há meses. Me chamo Marcos Vinicius Vieira Reis, mas me popularizei pelo nome de Marcolino, nome que ainda tento identificar a origem. .

Pois bem, eu quero falar com você que lê essa carta sobre um tema caro, complexo, no entanto fácil de ser entendido. Política e Religião. Espiritualidade e Cidadania.

É necessário abordar alguns conceitos antes d’eu continuar esta carta.

Primeiro. Há anos deixei de ser militante em movimento social, sindical, estudantil e negro. Por motivos de saúde e posteriormente por escolha particular.

Segundo. A mentalidade reducionista: “política é escândalos de corrupção”, ou “apenas eleições periódicas” e/ou “confusões” é fruto da pouca participação cidadã e fomento do analfabetismo político. Política é o equilíbrio do bem viver e bem comum.

Terceiro. Religião é diferente de espiritualidade. Ao menos no meu ponto de ver e viver. Religião cria dogmas e regras, a espiritualidade liberta e traz um estilo de bem viver.

Dito isso, prossigo com esta carta à juventude cristã, parcela etária que componho, agora em um ambiente menos hostil.

Minha adolescência e início da vida adulta foi marcada pela política, como participante ou co-realizador de conferências, seminários, congressos, calouradas, eventos, passeatas, manifestações, protestos, caminhadas, audiências públicas, palestras e outras atividades que me forjaram uma mentalidade: Perceber, analisar, conjecturar, definir conjunturas e contextualizar as nossas vidas social, econômica e política.

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MULHER

Por Mohammad Jamal.

A emasculação no cepo. Pode crer. O mundo sem a mulher? Pode ser? Claro que não. Fico pensando e, quanto mais penso mais concluo pela absoluta incapacidade de coexistirmos sem a onipresença da mulher. Sem sua “química”, sua mágica, sua metafísica, sua alquimia cósmica, seus feitiços. Dá um frio danado na espinha quando imagino um mundo sem a mulher. Um apavoramento indescritível, um vazio inenarrável, um pavor.

O PT voltou? Vige! Dia desses tive um sonho, melhor dizendo, um pesadelo horrível em que me via exausto de caminhar à procura de um rosto feminino e, por mais que procurasse, só encontrava barbados, bigodudos. Só homens; nem uma Nuri, uma ninfa sequer. Acordei suado, agitado, taquicárdico com a minha Nuri, Edimunda, se desvencilhando de mim e gritando ao meu ouvido: _ Me solta Mehmed! Estas me sufocando, me apertando demais… Isso e hora homem! Ainda bem, graças a Deus, era só um pesadelo. Logo abracei suavemente minha musa por trás. O contato com a sua rica “poupança” e suas costas aveludadas, acalmou-me como um passe de mágica, seu calorzinho, seu perfume suave, sua maciez, meu céu! Refeito do susto; dei-lhe um beijo no cangote e, cheio de amor pra dar, lutei pra conciliar o sono outra vez. A contragosto, com algum esforço e tempo, consegui voltar a dormir.

CC? Não. Vejam se não estou correto de pensar assim: O homem faz um esforço desgraçado para ficar rico pra quê? O sujeito quer ficar famoso pra quê? O indivíduo malha, faz exercícios pra quê? A verdade é que a é mulher o mítico objetivo do homem. Tudo que eu quis e quero dizer, é que o homem vive em função da mulher. Vivemos e pensamos em mulher o dia inteiro, a vida inteira. Se a mulher não existisse, o mundo não teria ido pra frente, evoluído. Homem algum iria fazer algo na vida para impressionar outro homem, para conquistar outro sujeito igual a ele, de bigode, peito e sovacos cabeludos, “CC”, chulé e toda sua catinga masculina carregada na testosterona.

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DAS RAZÕES: SOBRE O PORQUÊ DO NÃO ME CALAR AO SILENCIO DE MIM MESMO

Por Mohammad Jamal.

Palavras são palavras, nada mais que palavras” (Dep. Justo Veríssimo, do Chico Anísio).

Não é incomum para quem escreve ver-se compelido pela necessidade de escrever e de produzir muito e depressa. Sairmos da letargia e, lentamente mirarmos as palavras como se fossem flechas que devam atingir certeiras os alvos cernes das emoções, e que nenhuma delas caia sobre o barro ou a pedra onde não ecoam compreensão e sentimentos.

Sou fróida digitando erudições no Whatsapp!

Para escrever rápido e fluente é preciso termos pensado muito sobre o tema, ter debruçado sobre as ideias inspiradoras, termos levado o assunto ao passeio, ao banheiro, ao barzinho – por quem os frequenta – ao restaurante e até às vezes à casa da namorada. Já dizia E. Delacroix enquanto degustava palavras; “A arte é uma coisa tão ideal e tão fugitiva que as ferramentas nunca são bastante apropriadas nem os meios bastante expeditos”. E isso acontece na literatura tanto quanto na pintura, no cinzelar de uma escultura quanto ao escrever uma partitura musical ou um artigo despretensioso para a mídia que admiramos.

Atanásio quer sair como Destaque na Escola de Samba do Vilela! Imagina?

Algumas pessoas que conheço e que escrevem por impulso, por necessidade, por profissão, começam por carregar montes de papéis, rabiscos e esboços imaginários escritos sobre quase tudo que lhes ofereça uma face plana ou flexível. Eles chamam isso de cobrir sua tela; as tintas que as preenchem são o imaginário das palavras que supõe impregnadas a coerência e harmonia das razões. Essa operação confusa tem por objetivo não se perder nada daquilo que, observem que agora passo a primeira pessoa, intuímos no esboço mentalizado com todos os elementos literários. Mas ainda assim, depois de lerem, relerem, copiarem, seus criadores, compulsivos, ficam cortando, podando, reinserindo e desbastando palavras e os ímpetos das emoções que elas infligirão ou farão refletir àqueles que as lerem. Mesmo que o resultado seja considerado excelente e satisfatório, continuamos abusando do tempo e do talento como se eles fossem algo inexaurível em nossa compulsiva busca pela perfeição.

“Me amarrei” na Cora Coralina: O saber se aprende com os mestres. A sabedoria, só com o corriqueiro da vida.”.

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AGORA É “NÓIS”! PROTAGONISMO OU FIGURAÇÃO? VOCÊ ESCOLHE

Por Mohammad Jamal.

Bem aventurados os autistas.

Vivemos sob um processo moral e ético sociologicamente apenso do relativismo. Coisa que não podemos minimizar com meros eufemismos para um atávico niilismo coletivo ou uma simples derivação da moral social na plenitude da sua informalidade. Nesse caso, os pressupostos da inocência dão lugar à ambiguidade e põe dúvidas sobre velhos comportamentos agora considerados popularescos, quanto do cultivo da honradez; da verdade, da justiça… É tudo muito relativo; um relativismo impositivo e convenientemente direcional.

A Democracia plural. “In alio pediculum, in te ricinum non vides” (Petronius) Tu vês um piolho no outro, mas não um carrapato em si mesmo.

O que representa a verdade para mim; pode não ser verdade para outrem; mas isso não tem importância alguma. A verdade no relativismo é aquilo que eu “percebo” como verdade. E não importam as origens de fatores indutivos que incidem verticalmente do particular para o coletivo. Tudo ocorre independentemente da opinião alheia ou das conclusões obtidas pelos outros sobre o mesmo tema refletido. Claro, neste caso, o relativismo deteriora as relações humanas e conduz a um ambiente de desconfiança mútua; de suspeição permanente; do desagrado ao questionável, ao ambíguo, etc. que alguns relativistas denominam em política, de Democracia plural.

Lá no Sul dizem que morcegos perdem as asas e viram rato! Imagina se não perdesse as asas?

Esse relativismo não é congênito; ele advém dum evolucionismo sociológico; aquele mesmo que também influi na inserção de novas condutas sociais e políticas, novos termos à prosódia e jargão ou, na supressão de outros por caduquice da semasiologia das línguas vivas. Modismos, maneirismos, neologismos… Quase inescapáveis. Tudo num ambiente fugidio das subjetividades, das mentiras quase verdades e das verdades subjetivamente mentirosas. Eu não queria cair no quase inescapável lugar comum; o processo onde assistimos impassíveis a reformatação da nova moral social e a criminalização da ética e seus sucedâneos filosóficos. Isso porque ha nos ares democráticos do país o cheirinho de comida farta, gratuita e fácil para aqueles ditos mais expertos, os penetras simulacros de líderes do povo. Há um clima de Black Friday açulando os impulsos de consumo, um alvoroço nunca visto, como se os alvoroçados entes da política, putas velhas e quengas neófitas estreantes no “brega” eleitoral, um salve-se-quem-puder, um agora-está-fácil, é agora ou nunca, numa ganancia desenfreada ao escancaro do pudor e ao destemor das vítimas eleitoras àqueles mais afoitos que estão colocando até mãe no fazemos-qualquer-negócio um “التجارة” um comerciozinho, um lucrinho… Diria um saudita.  (mais…)

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