WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia
Quarta-Feira, 21 de Fevereiro de 2018
cenoe faculdade madre thais

NO CARNAVAL DOS PATOS, OS TUIUTIS DIZEM: MEU PAPO É VERMELHO E NÃO AMARELO!

Por Caio Pinheiro.

Dizem que historiador é um eterno saudosista; adora se referenciar pelo passado, enquanto o resto dos mortais tende a pensar sempre no amanhã, sem muito apego às reminiscências como forma de compreender o presente e projetar amanhãs mais justos quando se pensa na dignidade da vida humana em sociedade.

Embora não seja muito receptivo aos alaridos carnavalescos, reconheço a magia da maior festa de rua do mundo. O carnaval tem a capacidade de nos fazer pensar que de fato vivemos em uma democracia. Mesmo para olhos experimentados na detecção de iniquidades sociais, a euforia provocada pela catarse carnavalesca ergue um nevoeiro capaz de esconder as mais nítidas desigualdades.

Sei que pensar assim tem me rendido em vários espaços a alcunha de chato; mas creio que isso decorra do fato de muitos dos meus patrícios não suportarem sair do lugar comum, seja por comodismo ou estratégia. Enquanto isso, a mídia corporativa continua comemorando.   Basta ver como facilmente foram invertidas as prioridades editoriais no carnaval, mesmo diante de tempestades impactando o mundo político, econômico e social.

A farra do auxílio-moradia pago aos impolutos juízes que possuem casa própria nas localidades onde trabalham e/ou o inacreditável pronunciamento do diretor da Polícia Federal, Fernando Segovia, dizendo que a PF deve pedir o arquivamento do inquérito que investiga o presidente Michel Temer – suspeito de beneficiar a empresa Rodrimar através de um decreto que prorroga contratos de concessão no porto de Santos -, são alguns dos episódios desconhecidos ou desconsiderados pela cidadania brasileira que desfrutava em cores e imagens globais da artificialidade democrática carnavalesca.

(mais…)

CATARSE DIANTE DA TELA NÃO DERRUBA PRESIDENTE

Ala dos fantoches no desfile da Paraíso Tuiuti.

Por Thiago Dias.

Não acredito que a TV Globo seja um problema para o povo brasileiro. Na verdade, vejo na emissora um espaço importante para o discurso liberal. Ela dá lugar a vozes que costumam ser silenciadas ou menosprezadas em outros canais abertos, como as dos movimentos identitários. À sua maneira, abre brechas valiosas para o movimento negro, o feminismo, a causa LGBT e para ativistas que defendem a descriminalização do consumo de drogas.

Dito isso, o óbvio não passa despercebido: o liberalismo do canal é mais acentuado quando o assunto é economia e gestão pública. Aí ele é liberal até os ossos.

Quando o assunto é economia, o jornalismo global não quer saber de debate. A visão é única e não tolera vozes dissonantes. Foi essa convicção econômica que levou a família Marinho a apoiar os militares em 1964 e a “solução” Temer em 2016. Quando aumentou a artilharia contra o presidente, o fez porque imaginou que o peemedebista não teria força política para conduzir “as reformas de que o país precisa”. É isso que o canal anuncia toda vez que fala da “desfiguração” da reforma da Previdência, com as concessões do governo para viabilizar o avanço da proposta no Congresso.

(mais…)

NA BAHIA, O POVO DIZ O QUE QUER DA POLÍTICA

Por Josias Gomes.

Termina o Carnaval, na Bahia e no Brasil, em meio ao qual as sombras que rondam a política brasileira pairaram ameaçadoras. O povo aproveitou a folia para expor veementemente sua insatisfação com os rumos do país.

Blocos, escolas de samba, grupos de foliões, expressões carnavalescas de diversos estados, de Norte a Sul do país, por suas alegorias, enredos, dizeres, marchinhas e fantasias reverberaram toda a insatisfação popular com o canhestro e ilegítimo governo federal, do momento.

No balanço desses dias, vai ser muito difícil encontrar algum exemplo de político que tenha testado sua popularidade, peito aberto, caminhando em meio ao povo, sem aparato de segurança, que tenha se saído bem.

Na Bahia, porém, há um belo exemplo de político de bem com o povo, no caso, o governador Rui Costa, do PT, que termina por redimir a própria política, sugerindo que o povo pode não estar propriamente insatisfeito com ela (a política).

Desde a Lavagem do Senhor do Bonfim, onde os possíveis candidatos costumam testar suas chances com o povo, especialmente em ano eleitoral, que é notável a diferença entre o tratamento popular dispensado a Rui Costa e o que é dedicado a seus adversários.

Nesse ritmo, o clima que rondou a presença do governador foi, todo o tempo, de muita alegria, com Rui sempre aplaudido, por onde quer que caminhasse, desde o ato ecumênico que marcou o início do cortejo, até o seu final.

Na oportunidade, o povo soteropolitano, irmanado com gente vinda de toda a Bahia, e do país, não deixou margem a qualquer dúvida sobre o acerto das decisões do atual governo baiano no campo da mobilidade urbana, da saúde e da educação, exemplos para todo o país.

(mais…)

ENTRE GIGANTES CIDADÃOS, LOBOS E ZUMBIS MIDIÁTICOS: EIS A REFORMA DA PREVIDÊNCIA!

Por Caio Pinheiro.

Amordaçar, encarcerar, silenciar e resignar são verbos que representam os fins objetivados pelos que hoje governam o Brasil. Neste contexto, não são raros os analistas políticos interessados em saber aonde foram parar os cidadãos que, no contexto das manifestações de junho de 2013, tomaram as ruas de todo país.

A expressão metafórica de um “povo-gigante” que havia acordado não trouxe apenas medo à classe político, mas, acima de qualquer avaliação, representava a transfiguração da indignação popular em ações na arena política. Era como se uma tempestade de esperança fosse apagar as chamas da imoralidade, que há tempos convertia em cinzas o sonho de uma nação mais justa, inclusiva e democrática.

Entretanto, transcorridos cinco anos desse surto de democracia participativa, vemos que tudo não passou de um prognóstico feito através de uma leitura precipitada daquela realidade. Independemente das nossas preferências político-ideológicas é fácil constatar o quanto nossa indignação foi condicionada pelo malabarismo retórico dos grandes veículos de comunicação, interessados em garantir sua parte do espólio.

Vieram, então, novas mobilizações de rua, porém, com um viés político, mas claro. Cidadãos vestidos de verde e amarelo reuniram-se em torno do pato da FIESP pelo Brasil afora. Mobilizados por movimentos como MBL (Movimento Brasil Livre) e o Vem pra Rua, membros da classe média se autoproclamavam apolíticos; todavia, jamais se preocuparam em questionar quem financiava a estrutura custosa dos seus atos.

O ódio assumira dimensões de total despudor. De um lado, a mídia corporativa cumpriu seu papel, enquanto nós, cidadãos, aprendemos rapidamente a nos odiar, criando abismos intransponíveis que nos segregam enquanto povo, inviabilizando o diálogo entre os diferentes, base fundante de qualquer sistema democrático.

(mais…)

OBRA DO METRÔ SEGREGA BAIRROS E DESTRÓI JARDIM DE BURLE MARX EM SALVADOR

O traçado do metrô pode impactar sua vizinhança de diferentes modos. Pode ser um berro estridente na paisagem, como na capital baiana. Ou, para comparar com uma cidade de topografia parecida, uma fina e precisa costura urbana – como no Porto, em Portugal. Ilustração: João Brizzi.

Por Francesco Perrota-Bosch/publicado no portal da revista Piauí.

Por princípio, linhas de metrô são criadas para conectar diferentes áreas da cidade. Isso parece óbvio. Contudo, não se menospreze a capacidade de um mau projeto: um sistema de transporte público de massa sobre trilhos também pode segregar localidades. Parece ser o caso da linha 2 do metrô de Salvador, cujas estações estão sendo inauguradas desde dezembro de 2016.

O próprio uso do termo metrô já é questionável: a linha transcorre sempre sobre o solo e com trechos em elevação. Desenrola-se no eixo leste-oeste da cidade, ligando a linha 1 do sistema metroviário e a região central com o aeroporto e a cidade de Lauro de Freitas. Para tanto, grande parte do percurso ocupa o trecho entre as pistas rodoviárias da chamada avenida Paralela. Não era um mero canteiro central. Era um parque linear com cerca de 17 quilômetros de extensão e 60 metros de largura em média, com espécies nativas selecionadas pelo maior paisagista brasileiro, Roberto Burle Marx. Mesmo estando entre as vias expressas da avenida mais movimentada de Salvador, tal corredor verde conectava ecossistemas que sobrevivem em meio à ocupação soteropolitana – desde as dunas remanescentes até lagoas circundadas por densa vegetação arbórea. O novo metrô destruiu o eixo central de um sistema natural tão diverso quanto frágil.

“Salvador tem uma topografia muito delicada”, já dizia João Filgueiras Lima, o Lelé (1931-2014), fundamental arquiteto com forte atuação na capital baiana: nas décadas de 70 e 80, capitaneou a Companhia de Renovação Urbana de Salvador e a Fábrica de Equipamentos Comunitários, onde desenvolveu as excepcionais passarelas urbanas sobre grandes avenidas, os pontos de ônibus, os bancos, os muros de contenção de encostas e canalização de riachos, as escadas de estrutura modular para escoamento subterrâneo das águas nos morros, e muitas escolas. Em suma, no desenho de infraestruturas urbanas e equipamentos públicos, o arquiteto fazia intervenções em Salvador respeitando o relevo – com suas colinas de média altura frequentemente ocupadas com casas – e os trechos cada vez mais raros de vegetação remanescente. Ao passo que Lelé projetava respeitando a capital baiana, o novo metrô é plenamente brutal.

Enquanto muitos presenciavam o desastre (hoje, irremediável) para a cidade, poucas vozes se levantaram de modo tão esclarecedor como a do antropólogo e escritor baiano Antonio Risério: “Salvador assiste hoje àquele que é o maior crime urbanístico contra a cidade, desde que Thomé de Sousa comandou sua construção no ano de 1549. E não vejo ninguém bater na mesa. Nem sequer reclamar. […] o mais grave nem é a destruição do verde. É que teremos uma ferrovia murada. Olhem no mapa. A Avenida Paralela passa justamente entre os bairros pobres do miolo da cidade e os bairros privilegiados da beira do mar. Com o muro, a cidade ficará irremediavelmente apartada. Teremos o nosso muro da vergonha. […] A segregação será oficializada – e por um governo que faz de conta que é de esquerda”, escreveu, em referência às administrações do PT no estado. A percepção do metrô como um muro é correta e visível a qualquer pessoa que vá a Salvador. Seu potencial de segregação de classes sociais é tão evidente quanto. Mas cabe entender as razões para tal opção de linha metroviária – construída dentro do PAC Mobilidade Urbana para cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 – e quais seriam as alternativas. 

(mais…)

O JUDICIÁRIO RESOLVEU SER RÉU

Por Elio Gaspari/publicado hoje no jornal O Globo.

O juiz Marcelo Bretas resolveu passar de símbolo da faxina das roubalheiras do Rio de Janeiro a ícone dos penduricalhos do Judiciário. Contrariando uma resolução do Conselho Nacional de Justiça e respondendo a um questionamento da Ouvidoria da Justiça Federal, cobrou num tribunal o seu auxílio-moradia e o de sua mulher, também juíza.

Bretas sempre morou no Rio, e o casal obteve um penduricalho de R$ 8.600 mensais. Num cálculo grosseiro, para pagar uma quantia dessas à Viúva, uma pequena empresa que pague impostos pelo regime de lucro presumido precisa faturar R$ 5 mil por dia.

Bretas não é o único juiz ou promotor beneficiado pelo penduricalho. A desembargadora Marianna Fux, dona de dois apartamentos no Leblon, também recebe auxílio-moradia. Seu pai, o ministro Luiz Fux, reteve por três anos no Supremo Tribunal Federal o processo que contesta a legalidade do mimo classista.

Quando as repórteres Daniela Lima e Julia Chaib revelaram a bizarrice de Bretas, ele se explicou com a ironia dos poderosos: “Pois é, tenho esse ‘estranho’ hábito. Sempre que penso ter direito a algo eu vou à Justiça e peço. Talvez devesse ficar chorando num canto, ou pegar escondido ou à força. Mas, como tenho medo de merecer algum castigo, peço na Justiça o meu direito.”

(mais…)

MINISTROS PELA METADE

Por Heitor Scalambrini Costa.

O forte de Pernambuco não é oferecer bons ministros ao Ministério de Minas e Energia (para outros ministérios deixo você decidir). Nos últimos 20 anos dois políticos do Estado figuraram como ministros desta pasta, tão estratégica e importante para o país. Este ministério, como outros, tem sido usado como “moeda de troca” na politicagem da chamada “governança”. Já foi feudo do PFL/DEM, depois do PMDB, e com passagem do PT. Pessoas sem nenhum vínculo com a área, e sem conhecimento de causa tem sido nomeadas.

Ministro, entre março de 2001 e março de 2002, em plena crise do desabastecimento de energia, quem não se lembra de José Jorge (DEM-PE). Um verdadeiro fantoche. Em pleno gozo, na cadeira de ministro, se sujeitou a que uma outra pessoa, comandasse as ações do Ministério, o então Chefe da Casa Civil da época (atual presidente da Petrobras), Pedro Parente. Virou chacota para a grande imprensa do país. Além de imporem, com o apagão elétrico da era FHC, um prejuízo de R$ 45,2 bilhões, segundo relatório aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

(mais…)

WILSON GOMES: DÉJÀ VU “COLLORIDO”

Por Wilson Gomes.

Eu lembro a festa que foi o dia 17 de dezembro de 1989. Collor acabara de derrotar nas urnas a ameaça comunista representada por Lula. “Eles não vão mudar as cores da bandeira do Brasil!”, berrava o recém-eleito, o mesmo que berrara durante a campanha. “A nossa bandeira é verde e amarela!” berravam os “colloridos” (chamavam-se assim) nas ruas. Lembro de bandeirolas e ruas pintadas de auriverde como se fosse final da Copa e o Brasil tivesse vencido os vermelhos, os vagabundos, os arruaceiros do PT.

Está acontecendo o mesmo diante dos meus olhos no Twitter e no Facebook neste 24 de janeiro de 2018. Nas ruas, não, que Salvador não é Curitiba nem Porto Alegre. Mas a celebração é a mesma, com os mesmo temas e termos. A sensação de déjà vu é dominante.

Wilson Gomes é professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Texto publicado no Facebook do autor.

KENNEDY ALENCAR SOBRE O JULGAMENTO DE LULA: “O CERTO SERIA A ABSOLVIÇÃO”

Por Kennedy Alencar/publicado no blog do autor.

Os três desembargadores que julgarão o recurso de Lula terão desafio inédito na Lava Jato, porque analisarão sentença extremamente contestada por boa parte dos juristas e advogados _situação diferente de outras condenações de Moro que chegaram a Porto Alegre.

Há margem jurídica para absolvição, o que não é o comum nas sentenças que saem de Curitiba. As sentenças de Moro normalmente chegam redondas a Porto Alegre e são confirmadas na sua grande maioria pelos três desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sediado em Porto Alegre. Agora, os três desembargadores receberam uma bola quadrada.

Advogados criminalistas apontam fragilidades na sentença de Moro, como inversão do ônus da prova, condenação por fato que não consta da denúncia e incapacidade de provar a ligação entre a reforma no apartamento com três contratos da OAS com a Petrobras.

(mais…)

ANTONIO RISÉRIO: O NEOFEMINISMO É REACIONÁRIO

Por Antonio Risério/publicado na edição desta semana da revista Época.

O manifesto das 100 francesas, estrelado por Catherine Deneuve, explodiu como uma bomba arrasa-quarteirão no meio do arraial neofeminista norte-americano, com seus discursos e posturas reacionários, primando pelo obscurantismo repressivo. Não era para menos. Este neofeminismo é uma degeneração grotesca do feminismo original da contracultura, na década de 1960, cujo libertarismo espalhou-se então pelo mundo. E sob o signo da “revolução sexual”, que hoje horroriza o neofeminismo puritano, fundado no combate ao desejo e na repulsa ao sexo.

É impressionante a degringolada. E justamente nos Estados Unidos, que nos deu a linha de frente do feminismo revolucionário daquela época, com Betty Friedan, Gloria Steinem, Germaine Greer, etc. Mas é como ensina a poesia de T. S. Eliot: “nossos princípios nunca sabem de nossos fins”. O que foi libertário, na contracultura, agora se congela em puritanismo pétreo. Em aversão ao corpo, aos jogos amorosos, à exuberância narcísica, aos prazeres sexuais. Enfim, o revolucionarismo multicolorido acabou gerando seu avesso: o reacionarismo mais cinzento.

(mais…)

WILSON GOMES: “NENHUM ATO DE RACISMO PUBLICADO PODE FICAR IMPUNE”

O jornalista William Waack.

Por Wilson Gomes.

Pode lhes parecer curioso, mas eu não preciso decidir se William Waack é ou não racista para achar que foi justamente punido pela opinião pública e justamente demitido por seu empregador.

Glória Maria disse que o conhece há anos e que ele não é racista. O próprio Waack invoca a própria história para advogar em favor do fato de não ser racista. Não tenho boa razão para discordar de quem o conhece nem desprezo o que a história de alguém diz sobre ele. É possível que não seja racista mesmo, pelo menos segundo a definição de racismo que ele adotou para si.

Faz tempo já que em Ética (falo da disciplina da Filosofia) alguém distinguiu entre moral de caráter e moral de atitude. Há quem busque julgar o caráter das pessoas, em geral a partir do conjunto das ações por elas praticadas: quem pratica constantemente o mal, deve ser mau. Este seria o seu “caráter”, a sua disposição moral estável. E tem quem acha que o julgamento moral mais confiável é sobre a ação, de forma que sujeitos maus podem praticar ações moralmente boas e vice-versa. O importante são as ações em si, condenáveis ou louváveis, e não o que elas dizem sobre o caráter de quem as praticou, que é um caminho muito mais complicado do que parece.

(mais…)

CIRO GOMES É MALUCO?

O ex-ministro Ciro Gomes. Imagem: Cynthia Vanzella.

Por Celso Rocha Barros/publicado hoje (14) na Folha de S. Paulo.

Certo, depois da entrevista de Jair Bolsonaro para a Folha na quinta passada, o sarrafo para se dizer que alguém falou besteira em entrevista subiu. Mas, enfim, pelo padrão vigente até quarta-feira, Ciro Gomes fala muita besteira em entrevista. Tem alguma coisa que não funciona na cabeça de Ciro e o faz, uma ou duas vezes por ano, perder 50 pontos de QI bem na hora em que devia estar explicando para o grande público por que votar nele seria uma boa ideia. Ou é isso ou Ciro tem um gêmeo burro que de vez em quando pula na frente dos microfones e fala besteira sobre o papel que sua mulher vai ter no seu governo, ou sobre dar tiro nos outros. Se for a segunda explicação, não vai ter jeito, o PDT vai ter que mandar matar esse cara.

Falando em PDT: depois que saiu do PSDB, Ciro fez uma grande peregrinação por pequenas legendas de esquerda, em geral ajudando-as a tornarem-se menos pequenas enquanto o abrigaram. Agora está no PDT, que parece finalmente disposto a deixar de ser só o partido do Brizola, posição difícil de manter depois que Brizola, enfim, morreu.

Para se consolidar como opção de esquerda, Ciro tem adotado um discurso bem mais à esquerda do que seria normal para alguém com sua trajetória.

Talvez dê certo. A viabilidade eleitoral de Ciro só vai começar a ser medida quando Lula for impedido de concorrer pela Justiça. O discurso à esquerda de Ciro procura atrair os lulistas que ficarão sem candidato.

(mais…)

A FOTO DE LULA PODERÁ ESTAR NA URNA

Por Elio Gaspari/publicado hoje na Folha de S. Paulo.

Qualquer previsão para o resultado do julgamento de Lula no TRF-4, marcado para o próximo dia 24, será apenas um palpite. No entanto, quem conhece o assunto assegura que, pelo andar da carruagem, a fotografia de Lula estará na urna eletrônica em outubro. Isso poderá acontecer mesmo tomando-se o mais duro dos resultados, 3 a 0 pela condenação, acompanhando-se o voto do relator. Os recursos aos tribunais de Brasília postergarão o fim do processo, e Lula poderá receber votos, mesmo tendo sido condenado na segunda instância. Esse não é um palpite, é o frio diagnóstico de pessoa capacitada a fazê-lo.

Admitindo-se que Lula seja derrotado, o jogo termina. Se ele ganhar, continua, à espera do resultado de seus recursos, que terminarão no Supremo Tribunal Federal. Nesse caso os 11 ministros do STF estarão diante de uma situação histórica: suspender o mandato de um cidadão que teve em torno de 50 milhões de votos e fez uma campanha apresentando-se como vítima.

Em junho do ano passado o Tribunal Superior Eleitoral decidiu por quatro votos contra três pela improcedência das ações que pediam a cassação da chapa Dilma-Temer. Quem viu o relatório demolidor do ministro Herman Benjamin ficou com a impressão de que o presidente da corte, ministro Gilmar Mendes, formou um bloco decidido a não balançar o coreto das autoridades, pois o que estava no pano verde era a deposição de Michel Temer.

(mais…)

FICHA QUASE SUJA: FERNANDO PODE, LULA NÃO?

Vitória de Fernando Gomes contra a Lei da Ficha Limpa ilustra a trilha de incertezas em que o eventual impedimento de Lula nos lançaria.

Por Thiago Dias.

Condenado em decisão colegiado do Tribunal de Contas da União (TCU), Fernando Gomes  (sem partido) conquistou em 2016 o seu quinto mandato de prefeito de Itabuna e deu uma banana para a Lei da Ficha Limpa. A vitória do veterano abriu um período de dúvidas sobre o destino da política itabunense. A novela ganhou novo capítulo no último dia 18, quando o Tribunal Superior Eleitoral manteve Gomes no comando da prefeitura, por meio da decisão monocrática da ministra Rosa Weber.

Conforme a Lei Complementar nº 135/2010, que ampliou os casos de inelegibilidade, o cidadão perde o direito de disputar cargo político eletivo caso sofra condenação judicial transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado. A ampliação da abrangência da lei incidiu justamente nos casos em que os réus foram condenados em decisões colegiadas, mas, tinham ainda o direito de recorrer às instâncias superiores. Fernando Gomes estava nesse time, contudo, como atesta a decisão da ministra Rosa Weber, sua ficha não era tão suja assim.

Em Itabuna, por enquanto, prevalece a vontade da maioria dos eleitores contra as idas e vindas do sistema jurídico.

No próximo dia 24, em Porto Alegre, os três magistrados da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região vão julgar o recurso da defesa do ex-presidente Lula no caso do triplex. Se a condenação proferida pelo juiz Sergio Moro for confirmada, Lula será enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Mesmo nessa hipótese, ele ainda teria direito a recursos, como o teve Fernando Gomes.

A expectativa em torno da inelegibilidade de Lula deve considerar essas possíveis idas e vindas do Judiciário. Como impedi-lo de disputar as eleições pela via judicial, se o mesmo sistema jurídico garante a possibilidade de sanar os vícios que o tornariam inelegível?

A mesma expectativa deve levar em conta também a possibilidade de termos uma disputa presidencial sem aquele que lidera todas pesquisas de intenções de voto.

São esses cenários possíveis que põem em cheque a constitucionalidade da Lei da Ficha limpa, pois as suas sanções causam grande impacto na democracia quando antecipam punições graves contra réus que poderão provar inocência ao fim dos seus processos na Justiça.

Esses mesmos cenários levam muita gente a questionar quão precário seria o resultado das eleições de 2018 com a sombra de um Lula impedido. 

Thiago Dias é repórter e articulista do Blog do Gusmão desde 2013.

CESAR BENJAMIN E AS MÁXIMAS DA ESQUERDA

Por Cesar Benjamin.

De vez em quando ainda passo a vista em debates da esquerda. Não sei se choro ou se rio.

“´É importante aumentar as nossas forças e isolar o adversário.”

“Devemos nos juntar no momento adequado.”

“Precisamos adotar a tática correta.”

“Queremos unidade na diversidade.”

“Queremos diversidade na unidade.”

“Não aceitamos reducionismos.”

“É preciso avançar, mantendo a cautela.”

Há, também, as previsões de longuíssimo prazo, quando todos estaremos mais do que mortos.

Por aí seguem os que não têm nada a dizer. Que são muitos. Ou quase todos. Sempre com ares de profundidade.

Durante décadas, redigi e entreguei à esquerda muitas dezenas, talvez algumas centenas, de textos que são a antítese disso, sem reivindicar autoria. Análises precisas. Com acertos e erros, mas precisas. Como tais, passíveis de refutação (as platitudes, por definição, não podem ser refutadas).

Essa fase da minha vida passou. A única autocrítica que tenho a fazer é a de ter esperado tempo demais. Fui paciente demais, leal demais, desapegado demais, crédulo demais. Passou.

Cesar Benjamin é secretário municipal de Educação do Rio de Janeiro, jornalista e editor. Participou da luta armada contra a ditadura militar no Brasil. Texto publicado no Facebook.

A SOARES LOPES NÃO DEVE SER PISTA DE ESPORTES PARA SEMPRE

Avenida Soares Lopes. Imagem: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

Por Thiago Dias.

Um amigo me deu o argumento do título. Segundo ele, a cidade precisa repensar a ocupação da Avenida Soares Lopes, cartão postal de Ilhéus. Na sua opinião, a mudança deve começar pela recuperação dos espaços de esporte e de lazer dos arredores, sobretudo da pista de corrida que se estende paralela às pistas asfaltadas.

Uma vez recuperada, a pista de corrida poderá servir também aos praticantes de outros esportes, como ciclistas e skatistas, desde que a restauração amplie a sua largura e use material adequado na composição do piso.

Ao ler isto, o (a) caro (a) leitor (a) provavelmente pensa que “esse é um cenário ideal”. E eu digo: desconfio dos mundos ideais, porém, a política carece deles. Quero dizer que a cidade ideal é inalcançável, mas isso não nos impede de caminhar em sua direção.

Nessa Soares Lopes ideal, esportistas não precisam disputar espaço com carros e motos, porque a cidade destinou uma pista para eles. Isso parece mesmo inalcançável?

Sei que esse não é um problema prioritário para a vida virtuosa em Ilhéus. A maioria dos ilheenses está muito mais preocupada com a falta de médicos nos postos de saúde e de segurança nas ruas. Eu também, contudo, não podemos admitir que o problema seja eterno, especialmente nesses dias dramáticos para quem precisa transitar na cidade. Daí a importância de, pelo menos, constatar que o problema existe, para um dia nos ver com ele. Não precisa ser assim para sempre.

Thiago Dias é repórter do Blog do Gusmão desde 2013.

Página 1 de 1031...Última »