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Domingo, 18 de Novembro de 2018
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PREPAREM-SE, POIS AO FINAL DESSE TEXTO, DEFENSORES POR CONVENIÊNCIA NÃO FALTARÃO!

Por Jeremias Santos.

Vamos aos fatos. A menos de 02 anos de se encerrar este governo eu pergunto, o que foi feito até aqui? Qual o legado que o prefeito Mário Alexandre, por quem tenho certo apreço, vai deixar? Muitos dirão: Ah Jeremias, o prefeito já recuperou algumas unidades de saúde que foram deixadas sucateadas pela gestão passada! Fez por obrigação e não por favor ou bondade. Não sou incoerente, mas fui bem atendido recentemente em uma dessas unidades, talvez pela influência e amizade. E a maioria recebe o mesmo tratamento? Ah Jeremias! O prefeito atraiu 15 km de recapeamento asfáltico durante a campanha eleitoral, numa cidade em seus extremos, completamente esburacada. Isso sem falar da qualidade desse asfalto, duvidosa ou mal executada?

Quando se fala com um secretário sobre uma obra relativamente boba, a resposta virou clichê: “Irmão essa obra só se faz com emenda parlamentar oriunda extra município”. Tem secretaria que funciona? Tem sim senhor, mas o governo “tempo de alegria e trabalho” tem a obrigação de executar todas, eu disse todas as promessas de campanha apresentadas no pleito passado. 

Pasmem, mas ouvi dia desses de um secretário de governo, que o prefeito de sorriso largo, encerrará o governo como o melhor dos últimos tempos. Lamento ter que discordar, mas não vejo uma faísca dessa possibilidade. Nesse contexto, funcionou o bom marketing político da campanha do prefeito, souberam vendê-lo. Aliás, ele foi um bom produto a ser vendido. Como é até hoje, com um  sorriso fácil e com palavras doces, dizendo o que as pessoas (miseráveis ignorantes) querem ouvir. Chegou ao poder utilizando-se dos artifícios do que a filosofia chama de Sofismo, fazendo uso da boa retórica.

Prefeito, será que estamos pedindo muito? Seria uma quimera desfrutar do básico, prefeito? Com tantas vias da cidade clamando por uma sonhada pavimentação, por que “bulhufas” vocês depositam tempo e dinheiro na orla sul que nunca termina e até onde foi feita, sequer tem uma drenagem que funcione?

A maioria das prefeituras do país prega a falência em suas contas, mas porque será que o turismo de Itacaré e Porto Seguro funciona? Uma Avenida Soares Lopes jogada às “traças”, quer dizer, aos cavalos, pois convenhamos, o metro quadrado mais caro da cidade virou pasto, isso mesmo, ali nasce um bom capim para alimentar os animais.

A turma do alto escalão  que compõe o governo, mora bem e muito bem obrigado, por isso fica fácil ignorar os problemas que assolam a população.

Os princípios que norteiam a administração pública (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência) devem ser respeitados, porém existem outros princípios que deveriam ser priorizados, respeito, humanidade e sensibilidade. São de graça e contempla quem precisa. Pronto falei!! E que venham as críticas.

P.S. Doutor, o senhor disse que iria cuidar, mas as dores e as feridas só se agravam.

Jeremias Santos é radialista, graduado em administração de empresas e graduando em direito.

COMO É BOM TE VER, FREDDIE MERCURY

Por Julio Gomes.

Nos dias sombrios em que vivemos, nos quais a barbárie parece ter virado moda, a boa educação tornado-se algo indesejável, o fino trato social um anacronismo e o amor ao próximo um grave defeito, faz bem à alma e ao corpo voltarmos às nossas referências de civilização laica e de desejo de progredir em liberdades, tolerância e garantias humanas.

Esse é o sentimento que pode assaltar e permanecer em que assistir ao filme Bohemian Rhapisody, baseado na vida e obra de Freddie Mercury, o eterno líder da banda Queen.

Longe de ser um filme piegas, do tipo feito para exaltar as qualidades de quem já se foi, vemos na fita um Freddie Mercury cheio de paixões e fraquezas, mas capaz de elevar-se acima de seus defeitos, como a dizer-nos que também nós, apesar de todas as nossas imperfeições, também podemos realizar algo de bom e, talvez, de grandioso!

Freddie Mercury.

Freddie Mercury, o protagonista, tem coragem de sê-lo de fato em sua própria vida, deixando fluir seu talento, sua arte, sua vocação plena, que aparecem tão exuberantes quanto sua incontinência em busca de prazeres, que lhe seria fatal em função das contingências da época em que viveu, os anos 80, na qual um diagnóstico de HIV positivo significava uma sentença de morte, pois naquele momento simplesmente não havia drogas medicinais capazes de conter o avanço da AIDS no organismo humano.

Trabalhando, produzindo, indo em busca de ser o que sempre desejou ser, Freddie Mercury deixa para nós, e especialmente para quem viveu os anos 70 e 80, além da beleza, originalidade e energia inesquecíveis de suas músicas, o desejo de reviver uma época em que começávamos a descobrir que era necessário aceitar e conviver com homossexuais; em que se sonhava com um mundo melhor, mais livre e mais solidário; e em que descobríamos em campanhas com USA For Africa (1985) que podíamos e devíamos fazer algo por nossos semelhantes, ao invés de dar-lhes as costas ou indicar-lhes a possibilidade de melhoria por meio de uma meritocracia que, na prática, é total e absolutamente impossível para as massas que passam fome e vivem na miséria física e moral.

Libertário, polêmico, vasto, livre e incrivelmente vocacionado e competente naquilo que fazia: música e arte. Este é o legado de Freddie Mercury e da banda Queen, que podemos revisitar ao assistir ao filme e, quem sabe, descobrir algo de extraordinário em pessoas comuns e falíveis como nós, para que nossa estrela também possa brilhar, apesar de todos os pesares.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

A GRANDE FAMÍLIA SEM CONTROLE DE FILIAÇÃO

Por Mohammad Jamal.

O cofre do banco contém apenas dinheiro; frustra-se quem pensar que lá encontrará riqueza. (Drummond) A competição política, sem regras ou mínimos resquícios de ética, acirra sangrenta a concorrência pelo poder onde todas as “armas” aceitas e validadas, fazem exacerbar a libido e a volúpia pela posse, domínio e “administração” do dinheiro público, ou seja, o poder pelo poder. De todos os fatos da política de campanha, ou seria ‘campana?’ o que mais nos choca são as verdades mitomaníacas de ontem metamorfosearem-se cinicamente para mentiras infames no hoje e no amanhã. Mercê dessa logística e estratégia, podemos asseverar algo que todos abaixo ou paralelos a ela já sabem: Não existe negócio mais rentável que o business político, o coronelismo caudilhista que a tudo pode e a tudo fode indiferentes ao povo.

Não entendo como é que alguns optam por corrupção, onde há tantas maneiras legais de ser desonesto. Tem gente falando mal; tem gente desancando os nossos políticos, aqueles que nem sabemos os nomes porque, em segredo de justiça, foram “supostamente” responsabilizados pela quebra da Petrobras, pela dispersão do dinheiro público em projetos políticos pessoais internacionalmente em países economicamente degradados, classificados em 5ª, 6ª etc. categorias. Tem gente metendo o pau por trás, porque pela frente é impossível fazê-lo. Gente insana em atitudes no mínimo impensadas, injustas e descabidas. Imaginem vocês mais esclarecidos, o que teria acontecido se persistisse os prejuízos ao processo democrático e suas decorrentes gravíssimas sobre as últimas eleições livres ocorridas nos Estados e federação, se ainda continuassem usurpando o maciço provimento financeiro “conquistado” na chamada Roubobrás? Teríamos eleições? Teria sido possível realizar um dos menos custosos processos políticos eleitorais da história do país?

Não é suficiente que façamos o nosso melhor; às vezes temos que fazer o que é preciso. (Churchill). Outrora campanhas políticas de tamanha vultuosidade eram capazes de fazer inveja às eleições Norte americanas disputadas entre os partidos Democrata e Republicano. Com certeza, sem a ajuda providencial da Roubobrás, do BNDES, Caixa, empreiteiras e construtoras famosas subsidiadas pela nossa Petrobrás e BNDES, não teríamos podido usufruir da grandeza do votar e escolher a partir de campanhas eleitorais em Redes Sociais, o sublime privilégio de eleger o um novo presidente que nos encheu de esperanças dada à sua conduta e índole embasada no patriotismo cívico das nossas Forças Armadas e o respeito demonstrado à Constituição e seus princípios democráticos.

Midas morreu tísico de fome, pois a tudo que tocava virava ouro! Com as outrora monstruosas fortunas financeiras extraídas sem critérios via “financiamento público de campanhas”; arrancadas sem anestésicos, sem dó nem piedade das entranhas do Estado à vista do constrangimento dos empobrecidos brasileiros e da execração pela imprensa internacional mundo a fora; quiçá teríamos tido campanhas e eleições bilionárias com alguns milhões em sobras a serem usufruídos a posteriori pelos felizes candidatos financiados, eleitos ou não. A Roubobras teria sido dá hora!… Providencial! Mas “No meio do caminho tinha uma pedra.

Tinha uma pedra no meio do caminho.” (poema do Drummond)… No meio do caminho Tinha o Juiz Moro! Tinha a Lava Jato. 

Assalto ao trem pagador. Nesse cenário caótico do mau compartilhamento das riquezas do Estado; deparamo-nos com o pior: os acusadores de plantão que a tudo que some; desaparece inexplicavelmente, surrupiam ou roubam de fato, atribuem aprioristicamente aos pontuais surrupeios das mãos leves do PT e suas bases! Assim também já é demais! Para nosso espanto e de todos os eleitores, até o Zé, heroico sobrevivente do naufrágio do mensalão, agora também aparece integrando a lista dos beneficiados pelos dividendos pagos pela subsidiária, a Roubobras! Generalizou-se endêmica a roubalheira. Ficou difícil encontrar uma sigla partidária que não tenha se envolvido em primárias maracutáias. Para de acusar assim, gente! Estão distribuindo acusadas como se fossem Bolsas do Governo, quando ninguém viu um centavo sequer desse ativo fixo circulante. Digo isso a propósito da torturante dedução assertiva dita entre muxoxos e língua presa, pelo delicado pedicuro e soprano castratti, Abelardo Jurema, Salão Flor de Lis, lá no Barro Vermelho-Vilela, visto quando lá me fui cortar as unhas dos pés: O Jurema:_ “Seu Mamede, com toda essa montanha de bilhões de Reais roubados pelos ‘Red Post Type’(?) e seus parceiros para custeio superdimensionado das suas campanhas políticas; será que eles não estariam pensando em antecipar a implantação de uma neomonarquia absolutista no Brasil?”.  Tentando escapar ao capítulo das transgressões pré-conceituais, passível de prisão, respondi em Árabe, não traduzido aqui: “انتقل تأثيرها زوج”. Que abusado não? De forma geral, contra a politica petista tenho apenas críticas às más administrações, o pouco ou nenhum zelo pelo dinheiro e patrimônio do estado e, destacadamente, sua imensa e prolífica família com milhares de gerações de componentes, dependentes diretos e indiretos, agregados, afins e simpatizantes dependentes do sustento; casa, comida e roupa lavada, que estão custando os olhos da cara do Estado. 

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POLÍTICA? POR FAVOR, HOJE NÃO. JÁ DEU!

Por Mohammad Jamal.

Pessoas iguais ao Fernando Pessoa? Impossível!

Estava lendo o novo livro do Fernando Pessoa, onde, numa de suas prosas poéticas ele conta que, antigamente, deixava bilhetes, livros e quindins na portaria do prédio de Mário Quintana: ‘Para estar ao lado dele sem pesar com a presença física’. Há outras histórias e poemas interessantes no livro, mas me detive nesta frase porque acho que não pesar aos outros com nossa presença é em certos momentos, um raro estalo de sensibilidade. Para muitas pessoas isso que chamo de ‘um raro estalo de sensibilidade’ tem outro Nome: frescura.

Faz uma denguice aí vai!

Afinal, todos nós gostamos de carinho, todo mundo quer ser visitado e ninguém deveria pesar com sua presença num mundo já tão individualista e solitário. Ah, mas… Pesa!  Até mesmo uma relação íntima exige certos cuidados: Eu bato na porta antes de entrar no quarto do meu filho e na porta de meu próprio quarto, se sei que está ocupado por minha mulher. Eu perguntava para minha mãe se ela estava livre antes de prosseguir com uma conversa por telefone.

As grutas de Petra na alma.

Eu não faço visitas inesperadas a ninguém, a não ser em caso de urgência, mas até minhas urgências cuido para que sejam delicadas. Pessoas não ficam sentadas em seus sofás aguardando a chegada do amigo fiel, o que dirá a do vizinho. Pessoas estão jantando. Pessoas estão preocupadas. Pessoas estão com o seu blusão preferido, aquele meio rasgado, que elas só usam quando ninguém está vendo. Pessoas estão chorando.
Pessoas estão assistindo a seu programa de tevê favorito. Pessoas estão se amando. Pessoas estão recolhidas ao íntimo dos seus ressentimentos e mágoas, e querem estar sós pelo pudor da própria tristeza.

Lázaro? Ah… Ressuscitou!

Algumas pessoas são como gatos machucados mortalmente. Esses felinos, gravemente feridos, são tidos por nós como mortos, defuntos e, por isso, enterrados, cremados ou jogados ao monturo do lixo. E eis que passados alguns dias do seu retiro, despertam do sono hibernal da morte aparente, retornando fantasmagóricos e recuperados à realidade do mundo dos vivos; para surpresa dos que não conhecem os meandros da alma humana e esqueceu-se das sete vidas do gato. 

A terapia do “eu sozinho”.

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ATÉ ONDE IREMOS? VOCÊ É RESPONSÁVEL!

Por Julio Gomes.

Nestes dias que antecedem à votação do segundo turno das eleições presidenciais de 2018 no Brasil e ante a gravidade do que se avizinha, não há como deixar de enfrentar as questões que envolvem este pleito maior e, de forma direta, nosso futuro.

Causa enorme, imensa preocupação o que temos visto por parte de um dos candidatos à Presidência. Declarações tais como “não te estupro porque você não merece”, dirigidas a uma Deputada Federal dentro do Congresso Nacional; “prefiro ter um filho morto em acidente a ter um filho gay”; “o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas” e “acho que nem para procriador eles servem” são provas de uma grosseria e irresponsabilidade inaceitáveis para quem pretende ocupar a Presidência da República.

A semeadura de intolerância e violência feita pelo citado candidato já se encontra dando frutos, mesmo antes do fim das eleições. Ao segurar o tripé de uma câmera em um comício no Acre, simulando o uso de uma metralhadora de grosso calibre, e afirmar que “Vamos fuzilar a petralhada toda aqui do Acre”, avalizou-se os assassinatos de Moa do Catendê, na Bahia; o esfaqueamento de um funcionário de um restaurante em Porto Alegre, e centenas de outros graves atos de agressão, perpetrado sobretudo por apoiadores deste mesmo candidato.

Jair Bolsonaro.

As agressões, dirigidas principalmente contra militantes ou simpatizantes da candidatura oposta, contra negros, gays e minorias sociais, se tornam cada vez mais frequentes, grosseiras e concretas. O medo já começa a se fazer sentir nas pessoas, que passam a esconder suas preferências sexuais, ideológicas e políticas, como se fosse crime externá-las.

A pergunta é: se antes das eleições estamos diante de um quadro assim, o que ocorrerá se o candidato da violência ganhar as eleições? A resposta é dada por ele mesmo, que tem o coronel médico do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, o mais famoso torturador do Brasil, como herói nacional; e que defende abertamente a ditadura como regime ideal para o Brasil.

Não se pode brincar com a possibilidade concreta do retorno do horror que se avizinha. Nós, brasileiros, se escolhermos ao candidato do obscurantismo, da ignorância, do desrespeito, da violência, não poderemos reclamar do que virá depois. E não me venham falar em movimentos do tipo “Fora Presidente”, porque quem ganhar no voto adquirirá o direito de governar, enquanto durar seu mandato.

Quanto a você, eleitor, assuma seu voto e as consequências que dele advém. Se amanhã, após a instalação de um governo baseado na violência e no medo, homossexuais e mulheres forem espancados ou mortos no meio da rua, se pessoas forem arbitrariamente presas e torturadas, se não tivermos mais liberdade de religião, de imprensa, de manifestação, se a sociedade brasileira se desmoronar sob o autoritarismo de um ditador irresponsável e insano, não venha dizer que nada tem a ver com isso: foi você quem colocou a monstruosidade no poder.

Ainda há tempo. Pule fora disso. Talvez você não possa mudar o resultado da eleição como um todo, mas poderá mudar a sua responsabilidade perante a vida, o Brasil, as demais pessoas e diante de sua própria consciência ou, se você assim preferir, diante de Deus.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

MARÃO ATORDOADO E SEM ESPELHO PROCURA MOTIVOS PARA A DERROTA DA MÃE

Sem autocrítica, Marão achou um culpado, o vereador Thadeu Muniz.

 

Por Emilio Gusmão.

Uma entrevista do vereador Thadeu Muniz (PDT), montada por Valderico Junior (proprietário da Gabriela FM), dias antes do 1º turno das eleições deste ano, tem sido utilizada como uma das justificativas para a derrota da deputada estadual Ângela Sousa em seu projeto de reeleição.

Em sua fala, Thadeu Muniz discorreu sobre as acusações do Ministério Público Federal contra Ângela, oriundas da operação “Águia de Haia”. O vereador, que se diz oposição ao prefeito Mário Alexandre, tratou a deputada como sentenciada. Sugeriu algumas vezes que ela desviou dinheiro da educação.

Na opinião do vereador Jerbson Moraes (PSD), aliado e parceiro de Marão nas “horas felizes”, a entrevista tirou três mil votos da deputada.

A entrevista foi um golpe duro (talvez baixo) e demonstra que a Gabriela FM foi novamente instrumentalizada para os objetivos eleitoreiros da família Reis. Foi assim no início deste século, quando Valderico (pai) usou a emissora para conquistar o comando do município.  

Contudo, percebe-se que há supervalorização do estrago. O prefeito não admite seus erros e procura, de maneira atordoada, motivos para aliviar sua culpa. Ângela, por ser mãe, já deve ter lhe perdoado (ou sequer culpou o filho), mesmo assim, Marão tenta acreditar em suas próprias inverdades.

O suposto número de votos perdidos carece de cientificidade, é apenas um chute. A importância do vereador (e sua voz estridente) foi elevada à décima potência. O caos na saúde e a irresponsabilidade do prefeito festeiro, imagens já marcadas em grande parte da população, não são levadas em conta.

Marão teve apenas um questionável acesso de humildade. Na Ilhéus FM, disse que ficou muito tempo no gabinete e perdeu contato com o povo.

Mais uma vez falta com a verdade, pois frequenta pouco o gabinete do Centro Administrativo da Conquista. A quantidade de audiências desmarcadas devido ao não comparecimento do prefeito é marca do comportamento relapso. Dezenas de pessoas saíram descontentes, após serem avisadas minutos antes que Mario “viajou” ou “adoeceu”.

O verdadeiro gabinete está no Condomínio (fechado) Aldeia Atlântica, onde fica a casa do prefeito, que recebe empresários e políticos, a depender da relevância, sempre que possível.

Emilio Gusmão é comunicólogo e editor deste blog.

VIOLÊNCIA? ISTO É SÓ O COMEÇO…

Por Julio Gomes.

Passava de meia noite em Salvador. Após a votação do primeiro turno, ocorrida no domingo, dia 07/10/2018, iniciava-se a madrugada de segunda-feira. Em um bar humilde, localizado próximo ao Dique do Tororó, surge uma discussão entre eleitores do PT e um eleitor de Bolsonaro, que instantes depois se retira para retornar logo em seguida, matando no local o capoeirista Moa do Catendê com 12 facadas, sem chance de defesa.

Porto Alegre, dia 08/10/2018. Uma jovem que usava mochila e bandeira com as cores do Movimento LGBT e camisa com a frase EleNão é interceptada por um grupo de homens e agredida, e em seu corpo é marcada a canivete uma suástica diretamente em sua barriga. Como o símbolo nazista foi marcado de forma invertida, o Delegado registrou a ocorrência disse, cinicamente, que entendeu tratar-se de um “símbolo budista”!

Brasil, primeira semana após a votação do primeiro turno. Dezenas de escolas, universidades e instituições públicas são pichadas com fortes agressões a negros, mulheres e homossexuais, por vezes acompanhadas de símbolos nazistas. Estas agressões repercutem na imprensa, mas de forma bastante modesta.

Moa do Katendê.

Multiplicam-se as agressões e ameaças pessoais, de forma direta e indireta, aos milhares, em todo o Brasil. Alunos falam para professores e pacientes relatam a seus psicólogos que têm sido xingados, ameaçados e agredidos por conta de suas opções sexuais, políticas ou por questões eminentemente pessoais.

Em Ilhéus, um jovem homossexual que trabalha em uma fábrica em seu primeiro emprego ouve ao passar, de um subordinado, que “isso vai acabar, Bolsonaro está chegando”. Sem querer azedar o ambiente de trabalho nem expor-se, o jovem finge que não ouviu e segue lívido, preocupado, sob forte constrangimento.

Bolsonaro é apenas o candidato rumo ao segundo turno, mas os relatos das mais diversas formas de agressão, desde ameaças verbais a homicídio, eclodem em todo o Brasil, prenunciando o que deverá vir a tornar-se cotidiano, caso ele e seu projeto político de sociedade sejam aprovados nas urnas.

As pessoas são, em regra, dissimuladas, sonsas. Temo que todos os atos de violência cometidos até agora sejam somente um prefácio, uma amostra grátis, um cafezinho ante o banquete de violência social que desabará, nas mais diversas formas, inicialmente sobre as pessoas tidas como indesejáveis e, depois, sobre todos os que de alguma forma não concordarem com Bolsonaro e sua linha de conduta política, caso chegue ao poder.

Se você não sabe o que é o fascismo e viver sob uma ditadura, pergunte às pessoas acima, que foram agredidas ou ameaçadas. Elas não viveram o período de 1964 a 1985, da ditadura militar, mas já sabem do sentimento de medo, impotência e terror que aqueles que sofreram tais tipos de violência conhecem perfeitamente, e não esquecerão jamais.

Quem vota em Bolsonaro estará, conscientemente ou não, chancelando todos estes atos de violência já cometidos, e também todos os que vierem depois, quando, definitivamente instalados no poder e com o apoio de parte significativa da polícia, do Poder Judiciário, dos grandes meios de comunicação, e respaldados pelos que votaram no projeto de ódio, poderão, aí sim, mostrar o que é realmente repressão, ameaça e violência, agindo com a certeza da impunidade!

Bem vindo ao primeiro ato do fascismo e da ditadura, ainda no pré poder. Se Bolsonaro realmente for eleito, o pior estará por vir.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

DO ARCAÍSMO CULTURAL E DA HISTÓRIA, DO SEXO DAS COBRAS, DOS PINTAINHOS, DOS ANJOS E NINFAS, DA LIBIDO E DO HOMOEROTISMO

Por Mohammad Jamal.

Longo parágrafo. 

Confessionalmente cabe-me reconhecer que descontando um ou dois problemas emocionais, cresci em circunstâncias seguras e moderadamente confortáveis. Meu irmão mais velho incutiu-me muito cedo o gosto pela leitura fazendo com que a literatura ocupasse boa parte do meu tempo; hoje, amadurecido pela sobreposição dos anos vividos, ela ocupa muito mais; a literatura faz parte da minha vida. As leituras de bons livros escolhidos por meu irmão influíram muito sobre a minha vida na infância e adolescência, tal como ainda influem hoje, quando o tempo tingiu de branco meus cabelos. Foi naquele tempo de garoto que gostava de livros que me reconheci um observador de pessoas, um tipologista autodidata traçador de perfis. Atraiam-me não só os dramas, alegrias e tristezas, mas as pequenas tragédias, os episódios cotidianos, o entendimento dos porquês e como reagia cada pessoa à minha volta às suas alegrias e pequenas tragédias. Algumas explicitamente emotivas oscilavam entre o riso nervoso e as lágrimas, outras, contidas, deglutiam silenciosamente seus problemas, dramas e angústias quase impassivelmente, mas nem assim escapavam da leitura das suas linguagens corporais; coisa que, precocemente, eu já dominara. Eu lia a escrita gestual dos semblantes e dos corpos que falavam idiomas distintos por mímicas singulares. Eu já os traduzira. Na ênfase das palavras e algumas onomatopeias; na audição dos soluços e gemidos, no olhar; eu lia sentimentos os mais diversos e, perfilava-as detalhadamente calçado no entendimento empírico acumulado nos densos conteúdos dos livros que li e me impregnaram a mente. São essas imagens passadas que me permitem devaneios reminiscentes que às vezes compartilho fazendo um contraponto àquele tempo e a modernidade globalizada que o varreu impassível essa percepção para o vazio do esquecimento comum.

Relembrar não é preciso, mas os ecos ainda ressoam: Não vou retroagir muito, isso é lugar comum, cansativamente exaurido em todos os artigos que tratam de reminiscências socioculturais através a história. Estamos carecas desse antagonismo evolutivo monótono e previsível que se arrastou lentamente, retardando a evolução dos costumes e das relações humanas em seu inexorável processo de renovação de velhos paradigmas sociais que obscureciam o concretismo autonômico iluminista, coisa que ainda acena à sociedade moderna em contínuo processo autonomista ainda que crivado por propensões alienistas e singularidades controversas.

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UM VOTO PARA O FUTURO

Por Julio Gomes.

Seria muito fácil, neste momento, fazer um pronunciamento ou texto defendendo este ou aquele candidato(a), ressaltando suas qualidades, acrescentando alguma proposição ou fazendo uma crítica subliminar a seus principais concorrentes. Todas as informações estão abundantemente disponíveis para este fim, e vão desde as propagandas de cada candidato até as análises dos fatos que envolveram a presente disputa eleitoral.

Entretanto, o momento que vivemos talvez necessite de mais do que isto.

O clima de forte tensão que paira no Brasil de hoje é percebido até mesmo por quem odeia política ou tenta se manter o mais distante possível de questões partidárias. E mesmo que a pessoa não pense ou não queira pensar na política, nas eleições e, sobretudo, em suas consequências, é necessariamente levada a isto porque esta tensão está nas famílias, nas Igrejas, nos grupos voltados para o esporte, no trabalho, em todas as relações pessoais. Não se trata mais de perceber pela razão: a percepção vem pelo sentimento, é captada no ar.

De fato, vivemos um momento gravíssimo, talvez único em nossa história como nação.

Por isso, se você ainda não sabe em quem votar, talvez seja mesmo o caso de não votar em ninguém. E se você tem convicção de sua escolha, faça-a e, principalmente, assuma-a, amanhã e nos próximos quatro anos, no mínimo.

Neste domingo, 06 de outubro, dia da votação em primeiro turno das eleições 2018, quando as urnas se abrirem, vá exercer seu direito / dever de votar. Mas não brinque com seu voto, em hipótese alguma.

Porque você tem o direito de votar, mas não de brincar com o seu futuro, nem com o do Brasil, nem com o de seus filhos e – desculpe se lhe pareço egoísta – nem com o meu futuro!

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

MANIFESTAÇÕES DE 29/09: MUITO ALÉM DE BOLSONARO

 Por Julio Gomes.

As manifestações das mulheres contra o candidato a Presidente Jair Bolsonaro, convocadas pelas mídias sociais e que aconteceram no dia 29 de setembro se constituíram em um fenômeno político e sociológico sem precedentes na história do Brasil, por diversas razões.

A forma original e extremamente eficaz como surgiu e organizou as manifestações é o primeiro aspecto a ser ressaltado. Vindas de um grupo de mulheres criado no Facebook há menos de um mês e que hoje alcança mais de 3 milhões de membros, é como se tivesse surgido a partir do nada e, ao mesmo tempo, como se sempre tivesse existido!

A diversidade e o tamanho das manifestações, sobretudo se compreendidos em relação ao pouquíssimo tempo e à quase nenhuma estrutura utilizada nas convocações e nos próprios atos, também são mais do que surpreendentes. E não adiantou a Rede Globo, em seu parcial e tendencioso Jornal Nacional, tentar mostrar imagens de manifestações ocorridas no mesmo dia 29, a favor de Bolsonaro, pois o número de participantes das manifestações contrárias, que segundo estimativas reuniram em torno de um milhão de pessoas em todo o Brasil, foi esmagadoramente superior àqueles presentes em eventos a favor dele.

Manifestação do movimento #Elenão no Largo da Batata em SP.

Entretanto, o que nos parece mais importante ressaltar, neste momento, é que o ato contra Bolsonaro na verdade não foi propriamente contra ele, e nem mesmo contra sua candidatura: Foi uma reação legítima popular contra a tempestade de grosserias, violências, discriminações e agressões que vitimaram milhões de brasileiros e brasileiras ao longo dos últimos meses.

Primeiro porque a sexualidade das pessoas é, em regra, uma questão única e exclusivamente delas. Não cabe ao Estado, nem ao patrão, nem às igrejas, nem a partidos ou grupos ideológicos cercear opções que são eminentemente privadas, e menos ainda agredir e segregar pessoas em função de tais escolhas.

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A BASTARDIA PATRONAL, A TUTELA DESLEIXADA E O ABANDONO DA VENERANDA VULNERÁVEL

Por Mohammad Jamal.

Não como a carne do porco, nem as porcas, claro! Neste prólogo, vou começar citando os suínos e galináceos dos criadouros intensivos e nos criatórios domésticos para consumo da família. Digamos o macro e o microcosmo na cadeia produtiva da proteína animal que tanto necessitam os humanos à sua mesa para seu sustento nutricional e ponderal. Mas a citação que faço direciona-se analogicamente aos aglomerados humanos que formam cidades e megalópoles a exemplo dos pequenos galinheiros e chiqueiros domésticos e às mega pocilgas e gigantescos aviários onde se confinam aos milhares, porcos, frangos e galinhas do agronegócio. Porcos, frangos para corte e galinha poedeiras exigem cuidados intensivos e permanente assistência sanitária! Uma pocilga que não é limpa e lavada diariamente resulta em prejuízo. Porcos e bacorinhos emagrecem e morrem vítimas das zoonoses que se multiplicam cultivadas na imundície da sujeira ao abandono. Do mesmo modo, frangos não engordam; galinhas não põem ovo e pintainhos morrem antes da adolescência, expostos às susceptibilidades que infectam o desleixo pela sujeira, imundície ao leu. Comparativamente, cidades e megalópoles; galináceos; suínos e humanos compartilham semelhante ciclo biológico de suscetibilidades e vulnerabilidades higiênico-medico-sanitárias.

Dante relia suas centúrias admirando “Inferno” urbano aqui do alto da lage? Olhando cá de cima do morro, às vezes a cidade em que vivo me transparece um lugar estranho, soturno, insalubre. Ruas que nos eram familiares mudam de cor e aspecto de uma hora para outra. Olho para as multidões e enxergo a apatia e indiferença para com o ambiente em que se confinam volitivamente. Alheias a tudo, elas passam por mim acotovelando-me impassíveis, formando filas intermináveis para um não sei o quê de saúde, sabe-se lá, se física ou meramente humoral porque esqueceram o que é ter esperanças… Galinhas, frangos, pintos também… E ao vê-los assim, me incutem um sentimento de que estavam ali há centenas de anos; é como se ali houvessem criado raízes em busca do próprio passado soterrado sabe-se lá aonde. Seria por esperança de encontrar uma esperança enterrada a sete palmos?

Platão! Aristóteles! Nero! Calígula!… Roma está em ruinas! Com seus parques e jardins lamacentos, cobertos de ervas daninhas; seus espaços abertos desolados como antigos campos de guerra; os seus postes de eletricidade, sem lâmpadas, obscurecem ainda mais o que já está soturno e sombrio em tenebrosa penumbra; esgotos escorrem pelas guias como veias sangrando exudatos apodrecidos. Grandes outdoors escandalizam a venda de tudo e de prédios suntuosos em suas monstruosidades de concreto, menos a esperança abatida em seu voo de galinha. Esta cidade está como a minha alma; vem-se transformando celeremente num lugar vazio e abandonado. As imundícies das ruas e transversais; o mau cheiro das latas de lixo transbordadas e os restos expostos com larvas de moscas a esmo para o repasto dos urubus, dos ratos, dos cães abandonados. As vias públicas corcundas, cheias de calombos, afundamentos, buracos e crateras, são úlceras, como se vítimas da leishmaniose e peste negra. Nesse quadro de caótica desordem, ainda nos submetemo-nos a apertos e empurrões para embarcar num transporte público característico de ferros-velhos, inconstantes e de destino incerto que fazem de Ilhéus o que ela é. E fico me perguntando se a cidade não está me castigando por contribuir para sua miséria, degradação e abandono pela minha simples presença, apático e indiferente à sua desdita, infelicidade e desventura? O que posso fazer por ela? Gritar? Votar naqueles mesmos? Eu votei!

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DESMATAR VIROU “PATRIMÔNIO CULTURAL” DO BRASIL

Por Maria Tereza Jorge Pádua, publicado em O Eco.

Há alguns dias o sistema agrícola tradicional das comunidades quilombolas do Vale do Ribeira, no sudeste paulista, foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O tal sistema é o “plantio das roças tradicionais que requer o corte de pequena área de vegetação nativa de Mata Atlântica para fazer a roça”. Em bom português isto significa desmatar, ou seja, derrubar árvores e queimar. Verdade é que, no caso, pode se tratar de áreas discretas, mas que ocorre numa das regiões mais desmatadas do Brasil, abrindo um curioso e perigoso precedente num país que pretende lutar contra o desmatamento.

A agricultura de roça e queima

A descrição do cultivo que agora é “patrimônio cultural” oferecida pelos defensores da proposta, no caso do Vale do Ribeira, diz que a floresta é cortada e que “a vegetação  é queimada em forma controlada permitindo que as cinzas fertilizem o solo”. Estas áreas abertas na floresta são cultivadas por períodos de dois a três anos, ou até que o solo não esteja mais tão fértil. Depois o produtor abandona este trecho e a floresta “se regenera”.

Esta forma de agricultura primitiva é praticada por indígenas e quilombolas, mas, também, é usada por populações tradicionais e não tradicionais de outras regiões. Esta forma de agricultura, conhecida como agricultura migratória é, como bem demonstrado, uma das principais causas do desmatamento da Amazônia e de outras florestas tropicais e subtropicais do mundo, junto com a pecuária e a agricultura moderna. A área desmatada cada ano pode, realmente, ser pequena, como se pretende que sejam as dos quilombolas, mas, frequentemente, alcançam de meio hectare a mais de um hectare. Como essa prática, que em geral é realizada por agricultores informais, se repete a cada ano, seu impacto acumulado é muito grande. No Brasil este tipo de agricultura pode estar aumentando. Nos países andino-amazônicos a prática abre enormes frentes de destruição e fogo que se somam aos ocasionados por outros atores.

Esta forma de agricultura era até adequada no caso das populações indígenas originais, com baixa população e muita terra e, sem dúvida, também para os quilombolas do passado que se assimilaram culturalmente aos anteriores. Porém, a sua validade na situação socioeconômica atual é altamente discutível fora dos territórios indígenas. Vários fatos devem ser lembrados: (i) trata-se de uma forma muito ineficiente de agricultura, com baixa produtividade que consolida a pobreza da população que a usa; (ii) requer a destruição de florestas naturais sobre uma extensão muito maior que a que é realmente necessária para alimentar os que a praticam; (iii) requer uso do fogo que, muitas vezes, sai do controle e provoca incêndios florestais; (iv) embora a floresta eliminada possa se “regenerar”, a área desmatada nunca recupera sua riqueza biológica original.

Sob qualquer parâmetro social, econômico ou ecológico, a agricultura de roça e queima deve ser progressivamente transformada em uma das tantas opções de agricultura mais produtivas e estáveis como, diga-se de passagem, usaram os próprios indígenas amazônicos com a prática conhecida como “terra preta”, dentre outras. Para conservar as supostas virtudes das variedades cultivadas pelos quilombolas existem muitas formas de fazê-lo, sem continuar desmatando. Para isso se inventaram os bancos genéticos e a Embrapa, sem dúvida, sabe fazer isso com extraordinária competência. Também se alega que é agricultura orgânica. Tudo bem. No entanto, destruir árvores nativas centenárias, que suportam uma rica e diversificada fauna, para plantar milho e mandioca não é muito “orgânico” e, para ser orgânico, não se precisa abrir roças novas anualmente.

O caso do Vale do Ribeira em São Paulo

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FORA DA DEMOCRACIA NÃO HÁ SALVAÇÃO

Por Julio Gomes.

Cada vez mais tenho a plena convicção de que vivemos em um Estado de exceção, em que as leis, a jurisprudência e as instituições democráticas quase nada valem, e valem cada vez menos. Os fatos ocorridos em razão da disputa pela Presidência da República e, mais recentemente, do pleito eleitoral para Presidente em 2018 consolidam ainda mais este pensamento.

Primeiro tivemos, no ano de 2016, a cassação de uma Presidenta eleita democraticamente pela maioria dos brasileiros. Qual foi seu crime? A pedalada fiscal, que de forma simplificada nada mais é do que deixar de contabilizar um repasse de verbas para um banco ou órgão do governo em um determinado exercício financeiro (em um ano) para contabilizar tal repasse no exercício seguinte (no ano seguinte). Mas não há roubo, nem desvio, pois o dinheiro foi gasto segundo sua destinação orçamentária, só que a despesa foi lançada no exercício seguinte.

Pois bem, com base no artifício fiscal acima se desmoralizou, aviltou e cassou uma presidenta eleita, em um país onde os políticos e gestores pegam as verbas públicas e enfiam em seus bolsos, algo que Dilma jamais fez!

Em seguida, veio a prisão do ex-presidente Lula com base, unicamente, na delação premiada de pessoas que se encontravam presas e ameaçadas de pegar 30 ou 40 anos de cadeia, e a quem era, na prática, oportunizado escapar das penas desde que acusasse ao Lula.

Não houve nenhuma prova material de crime cometido pelo ex-presidente. Não há nos autos do processo prova alguma de que recursos oriundos da Petrobrás, ou de propinas, tenham chegado até Lula. E quanto ao tríplex que a Sentença diz ser a vantagem indevida recebida pelo Lula, era registrado em cartório de imóveis em nome de uma grande construtora, que o vendeu posteriormente sem embaraço algum, porque jamais foi do Lula.

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A DESTRUIÇÃO. TEORIA E PRÁTICA

Por Mohammad Jamal.

Com sua licença! Por favor. Dirijo-me inicialmente àqueles que, ociosos, movidos pela curiosidade, dão-se ao trabalho de ler-me aqui e neste blog. Aqueles que já conhecem a estilística dos meus artigos sabem do onipresente sentido da dúvida com que, precavidamente, me resguardo dos conceitos impositivos e diagnósticos irrecorríveis comuns aos sábios “sociólogos” do nosso cotidiano existencial. Por isso, recorro ao célebre – que não é da TV. – filósofo Sócrates que, humilde, declarou irrestritamente: “Só sei que nada sei, e o fato de saber isso, me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa.”. Continuo aprendo e me surpreendendo com as coisas inimagináveis que me vem ao conhecimento, mas fugindo como dizem os cristãos “como o diabo, da cruz”, das adaptabilidades requeridas.

“A catraca do buzu tá travada pra nóis!”. Numa encruzilhada de três vertentes, duas já foram fechadas ao cidadão brasileiro. Já não podemos optar; perdemos o sagrado direito de escolher, estamos índios para a cidadania. Alguém toca o berrante lá no Planalto Central e, toda a manada do proletariado muge afirmativamente. Somos os bois de tração que aram, gradeiam e carregam o país às costas, para o gáudio exclusivo das “nossas lideranças” ou políticos que “pecuarisam” (desculpem o neologismo) o proletariado nos currais eleitorais com clientelismo oportunista barato.

Reflexologia das massas na betoneira do filosofismo. Diante das diversas vertentes que apontam no sentido de que toda ação ou reação políticosociológica advêm da psique e reflexologia das massas; bate aquela humildade socrática, aí me pego muitas vezes mergulhado por dias em textos, teorias e estudos de pensadores famosos assertivos, portanto, difíceis senão impossíveis de se contraditar.  Às vezes vou até textos mitológicos e às tragédias gregas como Édipo Rei (Sófocles); Electra (Eurípedes), Ésquilo, que foram os dramaturgos de maior importância àquela época, em busca das razões da razão coletiva. Aristóteles concluiu que a vida é o teatro do realismo existencial, a cada cena uma surpresa nos impacta.  Ele concluiu sabiamente, que o espetáculo trágico para se realizar como obra de arte deveria sempre provocar a “Katarsis”, a catarse, isto é, a purgação das emoções dos espectadores. Forçar um reencontro entre a realidade íntima mais oculta com a existencialidade cotidiana e, forçar a harmonização entre as suas gritantes diferenças quase irreconciliáveis. Recorri também aos poemas de Homero e até aos textos bíblicos em busca de respostas para essa tragédia que se abate persistente sobre o proletariado.

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O PODER DE PODER NO REINO DE SÃO SARUÊ

Por Mohammad Jamal.

Imaginários ficcionais: Da serie Ilações sobre o Brasil de hoje passado a sujo.

Um levantamento exclusivo realizado pela Revista Congresso em Foco mostrou que cerca de metade dos deputados e senadores da atual legislatura (2015-2018) responde a algum procedimento investigatório no Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, são 238 parlamentares às voltas com a Justiça no âmbito do STF. Estamos falando apenas dos legisladores, faltando incluir ex-presidentes, ex-governadores, ex-prefeitos, diretores de estatais e de outras instituições no âmbito político federativo. Muitos deles pretendem reeleição, outros almejam retorno ao poder após quatro anos sem mandato; várias centenas de pretendentes novatos também se acotovelam tentando debutar no melhor, mais rentável e lucrativo negócio no Brasil: a política. A caça ao tesouro é brutal e sanguinária. Do cabelo pra baixo é canela! Faz-nos relembrar os Programas Rolaentrando e Tudo Por dinheiro do canal SBT!

A propósito: Há alguns dias tive o privilegio de ouvir numa reunião, à seguinte pérola ou diria diamante, pronunciado por um postulante político profissional de múltiplos mandatos, mas ainda tentando reeleição: “Eu não me pertenço mais. Doei-me de corpo e alma ao povo! Servir e ajudar à sofrida população da minha região é o meu destino. Não sei fazer outra coisa senão trabalhar pelo povo!”. Quanto patriotismo altruísta! Quanta entrega e doação de si por nada em troca! É lindo!

O silencio foi quebrado nos Jardins em Alphaville!

_ Que palhaçada é essa em volta da minha mansão? Sirenes e luzes piscando. Já não se pode jogar golfe em paz no centro de São Paulo? Se continuar assim, vou ter que mudar para minha residência em Dubai. Ananias!… ANANIAS!… Olha aí nas câmeras pra ver o que é isso. Liga pra polícia especial.

Cumprida a determinação, Ananias, após olhar num painel de mais de cem câmeras de segurança, assustado, volta esbaforido com a resposta para o patrão.

O mordomo cearense: _ Doutor, é a polícia!

Bilionário político incomodado.

_ Polícia? Que polícia que nada, eu não pedi nenhuma segurança especial no entorno da mansão… Será que o Damião levou as minhas Yorkshire Mimi e Fifi para passear? Bastava cinco viaturas para a segurança das minhas cadelinhas. Humm… Ananias!… ANANIAS! Olha lá de novo e vê se é polícia mesmo? Se não é aquele japonês pegajoso que mandei encostar? 

Ananias volta às cem câmeras de segurança e retorna correndo, mais esbaforido e assustado ainda. _ Doutor, é polícia mesmo, e tem duas letras douradas nas portas, nos tetos das viaturas e nos coletos pretos que os homens estão vestidos.

_ As letras são PP? (polícia de Político) que está escrito?

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LULA E HADDAD CONTRA O LIBERALISMO TRANSVERTIDO

Por Caio Pinheiro.

Entre opositores e aliados, veladamente ou abertamente, há um consenso em torno do processo persecutório sofrido há décadas pelo presidente Lula. Nem mesmo a precária sentença do juiz Sergio Moro, ratificada por seus amigos desembargadores do TRF-4, foi capaz de apequenar a extraordinária biografia desse nordestino cabra da peste. Ao contrário de seus algozes, Lula não precisa de malabarismo retórico para provar suas realizações. Por isso, decantado o estardalhaço produzido pelo golpe, pesou o efeito comparação e, em função deste, o povo concluiu: no Brasil de Lula vivíamos melhor!

Esse sentimento levaria Lula a ser eleito no primeiro turno, mas o justiçamento transvertido de justiça da “Casa Grande” cuidou de impugnar a vontade popular. Em ato contínuo, os arautos do liberalismo brasileiro e suas marionetes encasteladas no poder judiciário, cuidaram de sepultar um dos mais caros princípios liberais, ou seja, a soberania popular. Enfaticamente defendida por John Locke, filósofo inglês conhecido como o “pai do liberalismo”, uma escolha política soberana funda-se no fato de que um governo só pode ser instituído e/ou destituído pela vontade soberana do povo.

Tomando como fundamento essa premissa, o alijamento de Lula do pleito eleitoral, mesmo com a ONU (Organização das Nações Unidos) manifestando-se contra tal decisão, mostra como nossa democracia está asfixiada pelo arbítrio. Ao usurpar prerrogativas constitucionalmente atribuídas ao poder legislativo, frações do judiciário eliminam os últimos resquícios de democracia e implantam um verdadeiro estado de exceção. São tempos em que uma condenação independe de provas, mas, assenta-se, no caso de alguns réus, na capacidade argumentativa de procuradores e juízes. Daí se quiser entrar na vida pública e não ser perseguido judicialmente só há uma saída: filiar-se ao PSDB!

Mas “o nordestino é, antes de tudo, um forte” e, como prognosticou o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, Lula preso injustamente seria levado a condição de mártir. O que os inimigos do Lulismo não imaginavam é que isso fosse acontecer tão rápido. Lula não virou um zumbi como especulou o articulista político Ricardo Boechat (Band), ao contrário, resiste e rege o processo eleitoral a despeito do cerceamento que lhe é injustamente impetrado.

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