EMÍLIO GUSMÃO

Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 36 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.

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Artigos

A PRINCESA, OS TABLÓIDES E OS CAVALOS

Por Malu Fontes

Em tempos de velhas e novas guerras, catástrofes naturais no mundo e avalanches diárias de violência na TV doméstica, nada mais recomendável para o olhar saturado do telespectador do que voltar aos arquétipos imemoriais dos contos de fadas e consumir doses diárias de emoção alheia, de um tipo ao mesmo tempo novelesco e real: um casamento de princesa que, no mundo inteiro, anuncia-se em contagem regressiva. Quando, no próximo sábado, o príncipe inglês William e a plebeia Catherine Elizabeth Middleton trocarem alianças e pactos de amor eterno na Abadia de Westminster, em Londres, no mesmo lugar onde há 30 anos casaram-se Diana e Charles (pais do noivo), nada menos que 2,5 bilhões de telespectadores em todo o mundo estarão de olhos vidrados na tela. E, estranhamente, cada telespectador saberá mais detalhes da vida privada do casal do que sabe sobre sua própria família.

Sedenta de novos personagens para encher os olhos da audiência, a TV do mundo rendeu-se aos encantos de Kate Middleton desde que o noivado com o príncipe inglês foi anunciado oficialmente ao mundo e ela foi entronizada como o mais novo ícone fashion, embalada em um wrap dress azul (vestido envelope) e ostentando um anel de diamantes e safira do acervo da falecida sogra. Desde então, e num crescendo à proporção que o casamento aproximava-se, o casal principesco foi ocupando com a força de um tsunami todos os espaços midiáticos, dos jornais impressos regionais do interior do Brasil aos sites de moda mais antenados de Tóquio, passando por generosos espaços no francês Le Figaro, que na última quarta-feira inseria um caderno especial dedicado ao casal real. Blasè como exige o comportamento francês, o jornal falava da moça a pretexto de abordar curiosidades dos ingleses, e não dos franceses, claro, sobre a moça. Ah, tá.

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PORTO SUL: ARITAGUÁ NÃO É ALTERNATIVA LOCACIONAL

Por Paulo Paiva

O anuncio de Aritaguá como alternativa do porto é um retrocesso perigoso, pois indica claramente que os técnicos do IBAMA, ao analisarem o projeto isoladamente, tende agora ao licenciamento, ainda que repleto de condicionantes, por considerarem resolvidos os principais impasses, os corais da Ponta da Tulha e o desmatamento, já que no trecho de Aritaguá, a vegetação é menos densa.

A APA da Lagoa Encantada e do Rio Almada deve ser respeitada como a lei determina. Ela é uma área de proteção ambiental reconhecida em todos os níveis, e um espaço destinado por políticas públicas anteriores para atividades de conservação, turismo sustentável e empreendimentos de baixo impacto ambiental.

Portanto, a alternativa locacional do Porto Sul apresentada pelo governo, também dentro da APA, não pode ser considerada porque continua a ilegalidade. Não podemos esquecer que essa licença determina a localização de uma geração de empreendimentos que irão desmatar, não sendo possível realizar uma análise isolada, sem um planejamento da ocupação em médio e longo prazo, visualizando o complexo de industriais que pretendem se instalar nos arredores dessa localização porto ferroviária.

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SEM TERRAS NA BAHIA: DIÁLOGO DO GOVERNO IRRITA NOSTÁLGICOS DO AUTORITARISMO

Por Josias Gomes

Parte da chamada Grande Imprensa parece considerar que o tratamento a ser dispensado aos movimentos sociais tenha que continuar sendo o da repressão. Neste sentido, pouca diferença há entre esses setores da imprensa e os mais empedernidos defensores do autoritarismo no tratamento a ser dado às reivindicações populares.

Trabalhadores do Movimento Sem Terra, acampados na Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária da Bahia estão sendo atendidos pelo governo baiano em suas necessidades mínimas de alimentação e higiene. Bastou isso para que esse setor da Imprensa investisse contra o governo Jacques Wagner, em ataques furibundos.

Primeiro deixar claro o meu apoio à resolução do governo da Bahia, que, mais uma vez, resolveu amparar com medidas humanitárias o Movimento Sem Terras. Por mais que persista certa nostalgia dos tempos da repressão pura e simples aos movimentos de trabalhadores, o Brasil consolidou o regime democrático, sem retrocessos possíveis.

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CONSELHO PARA QUEM PEDE

Por Robinson Almeida

Diz um adágio do povo: “água e conselho se dá a quem pede”. Sobre o acesso a água é demais conhecido o pedido e há um exitoso programa do governo, o Água para Todos, em execução. Sobre conselho, uso o trocadilho para falar da regulamentação do Conselho Estadual de Comunicação Social, em tramitação na Assembléia Legislativa.

Os Deputados Estaduais aprovaram na Constituição baiana, em 1989, o artigo 277, §2º, que diz: “O Conselho de Comunicação Social, que formulará a política de comunicação social do Estado, terá sua competência e composição estabelecidas em lei”. Portanto, o pedido do Conselho é antigo.

De lá pra cá muita coisa mudou. Presenciamos a uma revolução tecnológica que alterou definitivamente a maneira de comunicação entre as pessoas em todo mundo. O computador, o celular, a câmera e a TV, ou estamos falando da mesma coisa, ditam a era digital. A internet revolucionou a forma de produção e consumo da informação.

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UNS POUCOS OPORTUNOS E MUITOS OPORTUNISTAS

Por Malu Fontes

A culpa é do Congresso Nacional. É dos filmes violentos. É dos jogos de vídeo game que fazem crianças e adolescentes divertirem-se com a morte. É do computador. É da Internet. É da impunidade no Brasil. É da indústria bélica. É da omissão dos poderes públicos. É da corrupção. É da falta de segurança nas escolas. É da falta de valores. É da família que não dá limites. É do bullying. É da religião. É da falta de religião, é do ateísmo, do fundamentalismo, da fé, da falta de fé, da novela das nove, da sociedade de consumo e da Rede Globo. Todas essas explicações oportunistas foram durante esta semana, lidas, ouvidas em algum programa de televisão, algum veículo de imprensa, uma conversa social ou postadas em timelines de redes sociais e tinham o mesmo objeto: o massacre de Realengo, no Rio de Janeiro.

Auto-convencidas de sua certeza diagnóstica, as pessoas usaram as redes sociais durante a semana como um megafone do senso comum, onde atribuíam a (ir)responsabilidade desse tipo de evento até mesmo à imprensa, pois, se esta fosse censurada, argumentavam, os violentos não cometeriam crimes, pela certeza prévia de que seus atos não teriam repercussão. E eis o diagnóstico mais enviesado de todos, entre os ouvidos: “a Rede Globo realizou o sonho de Wellington, pois ele conseguiu o que queria: ficar famoso”. Ah, tá. A Globo deve ter inventado o rapaz e ensaiado seu desatino no Projac. E o resto da imprensa, inclusive a internacional, foi atrás?

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WELINGTON MENEZES: PSICOSE, NEUROSE OU PERVERSÃO

Por Gustavo Pestana

Publiquei aqui no blog um artigo sobre o que seria uma psicopatia, conhecida como perversão pela psicanálise, pois nos meios de comunicação foi explorada a possibilidade de Wellington Menezes, assassino dos estudantes da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo (Rio de Janeiro), está dentro dessa estrutura clinica.

Eu tenho analisado este caso sobre uma ótica psicológica, e mediante a psicologia social, psicanálise e psicopatologia cheguei as seguintes conclusões.

Primeira.  Ele possivelmente não seria um neurótico. A neurose é a estrutura clinica mais predominante no mundo. Sabe aquela pessoa que fica na dúvida entre comprar uma coxinha e um quibe, entre uma cor  para a casa nova (neurose obsessiva), ou é dramática, tudo faz “escândalo”(neurose histérica ), ou tem inúmeros medos (neurose fóbica). O que acontece com nós neuróticos é o que “Outro”(termo de psicanálise que se refere à sociedade e nossos mestres, mentores), nos impede de agir na sociedade, pois negociamos com as leis. Para a psicanálise esse impedimento ocorre devido ao Supereu.

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GOVERNO ESTUDA NOVA LOCALIZAÇÃO PARA O PORTO DA BAMIM

Por Paulo Paiva

O IBAMA solicitou a Bahia Mineração – BAMIN, um estudo de alternativa locacional, desaconselhando categoricamente a construção de um porto na região da Ponta da Tulha. Mas o anuncio de uma nova área de estudo está sendo interpretada pela empresa e pelo movimento local Pró-Porto Sul, como um manobra para garantir o seu licenciamento. Prova dessa estratégia é a declaração da empresa de que seria estudada uma nova localização, mas, desde que o IBAMA apontasse a opção mais viável.

Os jornalistas que defendem o projeto já complementaram essa ideia de manobra ao publicarem suas conclusões: Porto Sul será construído em Aritaguá ! Pode até ser, mas não é verdadeira essa notícia. O que foi pedido ao órgão foram novos estudos de viabilidade, e são esses estudos que serão avaliados para a emissão de uma licença de instalação. Não cabe ao órgão licenciador informar “a localização mais viável”, e sim, ao empreendedor.

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PSICOPATIA

Por Gustavo Pestana

Um psicopata se diverte com o sofrimento alheio, não sentido culpa em suas ações. O único arrependimento é de não ter feito um crime bem feito. Normalmente não consegue controlar seus impulsos e pouco aprende com seus erros. Em relacionamentos amorosos não gosta de compromisso, normalmente é insensível e visto como uma pessoa extremamente fria. Não podemos rotular as pessoas que não choram ou nunca aparentam tristeza como vítimas da psicopatia. Os psicopatas costumam ter inúmeras desculpas para seus descuidos, em geral culpando outras pessoas.  Alguns estudos sugerem que na sociedade há inúmeros psicopatas ocupando funções hierárquicas altas em empresas, na política, nos negócios ou nas artes.

Para a psicanálise, o psicopata é classificado como perverso, onde sua origem está na negação da castração, pelo sujeito. É como se ele nunca tivesse passado pela castração. Nesse plano, a reinvidicação pelo “direito” não tem fim e não respeita leis e interdições – o agente simbólico fica, assim atado, e sem ação efetiva que possibilite ao sujeito suportar a falta imposta pelo real. Estamos, aqui, no domínio da perversão. Dentre as perversões estão os fetichismo, o exibicionismo, a pedofilia o sado masoquismo etc.. 

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A DISPUTA TERRITORIAL ILHÉUS-ITABUNA

Por Paulo Paiva

Uma revisão dos limites territoriais do grande município de Ilhéus deveria ser enxergada como um projeto mais amplo, motivado pela correção de um traçado muito antigo e que não corresponde mais a realidade que vivemos hoje.

É difícil acreditar, por exemplo, que Inema, distante 80 quilômetros da sede do município, seja um distrito de Ilhéus. Se alguém chegar em Ilhéus perguntando onde fica Inema, vamos ter que responder o seguinte: Se dirija até Itabuna, pegue a BR 101 até o entroncamento da cidade de Itajuípe, depois que passar por Itajuípe, siga outra rodovia até o município de Coaraci, e chegando lá, pode perguntar a qualquer um, que você estará pertinho, e lá todo mundo sabe onde fica.

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BOLSONARO E A COVA RASA

Por Malu Fontes

O deputado federal Jair Bolsonaro é um personagem recorrente da direita galhofeira nacional. Desde que ingressou na vida parlamentar, Bolsonaro nunca atravessou um mandato, ou um ano sequer, sem aparecer nos jornais e telejornais defendendo algo de muito grosso calibre ou de muito baixo calão. A defesa da pena de morte e da tortura como método são alguns dos temas mais delicados do repertório parlamentar e corriqueiro de Bolsonaro.

A sorte de quem até hoje sabia que ele não passava de um surtado com mandato era o alívio de saber, também, que quase ninguém Brasil afora sabia da existência do deputado. O diabo é que, desta vez, por ter pegado carona na fama de Preta Gil e do CQC de Marcelo Tas, Bolsonaro ficou famoso nacionalmente. E fazendo exatamente o que lhe faz experimentar orgasmos múltiplos: ofendendo e discriminando. Desta vez os alvos foram os negros e os homossexuais.

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ALUNOS DA UESC AVALIAM A EROTIZAÇÃO INFANTIL NA PUBLICIDADE

“Erotização e Infância: as Duas Faces da Publicidade” é o título do artigo escrito pelos alunos Alice Lacerda Pio Flores, José Nunes de Oliveira Júnior, Maria Eduarda Viana Santos e Suellen Souza Teixeira, do curso de Comunicação Social – Rádio e TV, da  UESC.

O artigo está publicado na Anagrama: “Revista Científica Interdisciplinar da Graduação”, da Universidade de São Paulo – USP.

Os alunos, orientados pela Professora Sylvia Teixeira, elaboraram uma análise comparativa entre duas peças publicitárias que têm o mesmo público-alvo, e observaram como essas diferentes abordagens geram respostas diversas. Os produtos anunciados em ambas são produtos infantis, roupas e acessórios.

No artigo, os estudantes se propõem a mostrar como se dá o fenômeno da erotização infantil nas peças publicitárias, como ela se relaciona com o gênero, quais os elementos utilizados para explicitar/camuflar essa intenção.

Como a erotização infantil influencia na mudança do público-alvo, qual é a sua influência na formação identitária das crianças que consomem esse tipo de publicidade, são temas abordados no artigo.

Confira o artigo na íntegra.

A REVOLUÇÃO É ÍNTIMA, SÓCIO-AMBIENTAL E COLABORATIVA

Por Fabrício KC

Quais são hoje em dia os caminhos e os meios para alcançar a revolução universal que poderia redistribuir e gerenciar melhor os recursos humanos, os recursos naturais, os mercados comerciais e as riquezas espirituais?

Sim, o termo é revolução – e tudo o que essa palavra invoca hoje deve ser rechaçado ou aceito, desde que assumamos que a vida mesma é revolução e o conservadorismo – que defende o status quo – defende a utopia total, pois supõe a imobilização da história.

Outra consideração sobre a palavra: revolução não se restringe mais a substituição de grupos de poder, nem deve ser pensada só em termos nacional nem continental, ou mesmo ocidental ou oriental – mas sim Universal e Local.

A revolução é íntima, sócio-ambiental, limpa e colaborativa – e tal processo está em curso.

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SE A JUSTIÇA DEIXAR, GERALDO É O CANDIDATO

Por Walmir Rosário

Nos últimos dias Itabuna passou a ser o centro das atenções dos possíveis “prefeituráveis”. Constantemente, em eventos públicos e privados, lá estavam desfilando garbosamente políticos de todos os matizes e agremiações partidárias, com a desenvoltura de sempre, cumprimentando pessoas, distribuindo sorrisos, amabilidades nem sempre gratuitas.

Mas, enfim, é esse o comportamento do político que pretende agradar a pessoas ou grupos, além de apresentar um comportamento politicamente correto. Melhor demonstração de procedimento republicano, para usar uma palavra em moda, não existe. Circular de mesa em mesa, perguntar por pessoas, mesmo as indesejáveis, faz parte desse protocolo.

São nessas apresentações e aparecimentos públicos que o candidato, ou muitos deles dão uma pista de qual o caminho pretendem seguir. Nesse périplo, também ficam conhecidos os correligionários, camaradas, companheiros ou simples coligados. Claro, eles fazem parte do séquito e buscam um lugar ao sol, ou melhor, na futura chapa. É a lei que rege a política.

Leia o texto completo.

A TESE DA VIZINHANÇA

Por Malu Fontes

Pouco acostumado a grandes operações policiais, como as empreendidas há mais de uma semana, em Salvador, na região do Nordeste de Amaralina e depois no Calabar e Alto das Pombas, o telejornalismo local deu sinais de que poderia, ou poderá, incorrer em erros capazes de gerar consequências e riscos para os moradores. Se em um primeiro momento as operações coordenadas pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia podem dar aos moradores desses bairros e à opinião pública uma idéia de alívio a ser celebrado contra o até então domínio do poder do tráfico, a exemplo do que vem ocorrendo no Rio de Janeiro com a implantação, em vários morros, das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), em Salvador a banda ainda está tocando muito diferente de lá e não é exagero afirmar que nada há de concreto a se comemorar.

CATIVEIRO – Embora, desde o início, a operação policial realizada no complexo de bairros localizados na região do Nordeste de Amaralina (compreendendo as áreas de Santa Cruz, Chapada do Rio Vermelho, Vale das Pedrinhas e o próprio Nordeste) tenha sido anunciada como pontual, com duração de apenas um fim de semana, o fato é que, diante dos moradores, as emissoras de televisão comportaram-se no primeiro dia como se todas as forças de apoio institucional do Estado tivessem desembarcado de mala e cuia nesses bairros. Na primeira manhã de uma operação com data para acabar, as câmeras, microfones e repórteres esquadrinhavam moradores como se todos já pudessem ser abertamente tratados como membros de um cativeiro libertados para sempre pelas forças de bem e de paz do Estado.

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MAIORIA NA CÂMARA E MODELO DE GESTÃO PÚBLICA


Por Gustavo Kruschewsky

Muitos municípios estão repletos de “líderes políticos” que dão péssimos exemplos reiteradamente. Não só no município, mas, no manejo da “política” estadual e de âmbito federal, convive-se com o já consagrado “Instituto” da “Maioria na Câmara”. De grande aceitação no meio palaciano e cantada em prosa e verso pelo povo desde priscas eras. Esta velha prática pode causar um efeito profundamente  deletério para a sociedade. É uma ingerência que encerra ou exprime mandamento entre as duas casas, ou seja, de parte maior de edis que compõem o legislativo em conluio com o “senhor” prefeito do município.

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O CACAU E O MINÉRIO DE FERRO

Por Paulo Paiva

O traçado projetado para a Ferrovia Leste-Oeste atinge em cheio as fazendas de cacau do Sul da Bahia (200 propriedades), mas só agora, depois de denúncias de invasão de propriedade e corte arbitrário de cacaueiros por topógrafos, a VALEC ouve os cacauicultores em uma reunião no Sindicato Rural de Ilhéus. A reunião foi conduzida pelo engenheiro Neville Chamberlain Barbosa da Silva, representante do governo nessa penosa missão de nos convencer que o projeto é benéfico para a região.

O encontro repetiu o que vem acontecendo toda vez que o projeto de exportar minério de ferro pelo Sul da Bahia é apresentado: muita tensão, dúvidas e interrogações.

Não é nada fácil defender a ferrovia. O Sr. Neville Barbosa, homem distinto e educado, que enfrenta pressões de todos os lados em reuniões, normalmente, muito conturbadas; algumas vezes, parece acuado diante de tantos protestos. Mas ele, sem fugir das preocupações ambientais, encontra forças para defender que essa região demonstrou ao longo de sua história, que também é vocacionada para as ferrovias e portos, além do cacau e do turismo.

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PESSOAS COM DEFICIENCIA: QUANTOS SOMOS?

Por Ângela Góes

São vários municípios, pelo país afora, que têm aprovado leis municipalis para realizar censo das pessoas com deficiência. São leis que criam o Programa Censo-Inclusão.

Essa lei municipal prevê que a Prefeitura faça periodicamente um levantamento sócio-econômico da população com deficiência na sua cidade. O objetivo é levantar informações detalhadas do segmento, para que possam ser elaboradas políticas públicas específicas voltadas à inclusão destas pessoas.

O dado estatístico ao qual se tem acesso é o Censo IBGE, realizado por amostragem de dez em dez anos, de modo que não há um número confiável e atualizado para que os governos municipais possam trabalhar com eficiência, ojetivando atender esse segmento da população. As entidades que representam as pessoas com deficiência, insistem na pergunta: quantos somos?

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O SENHOR DA GUERRA GOSTA DE CRIANÇAS

Por Malu Fontes

Mais por dor de cotovelo, causada pelos elogios feitos pelo presidente dos Estados Unidos ao Brasil após oito anos de gestão de Lula, e menos por acreditar que palavras nesse tipo de visita a um país amiguinho devem mesmo ser mais assertivas do que foram, a oposição ao Governo Lula/Dilma bem que tentou desqualificar a passagem de Barack Obama pelo Brasil. Alguns veículos de imprensa de plumagem alinhada ao tucanato, ainda inconformados com a derrota nas urnas e agora assistindo o esfacelamento da oposição com a criação de um novo partido de apoio a Dilma, o PSD, chegaram a escrever em suas páginas que a vinda de Obama não passou de uma visita familiar de lazer no fim de semana com direito a filhas, mulher, sogra, comadre e que tais.

É verdade que a desqualificação da visita e das falas de Obama em seus discursos oficiais no Brasil foi um fenômeno muito mais explorado nos grandes veículos de imprensa escrita.  A televisão brasileira e seu telejornalismo, sobretudo a TV aberta, não é boba nem nada nem tem tempo a perder quando há diante das lentes um espetáculo e tanto, ou seja, a visita do presidente da nação mais rica e poderosa do mundo e todos os salamaleques que o rodeiam, ainda por cima tratando-se de Barack Obama, cujo carisma e potencial midiático vão além do poderio dos Estados Unidos. A TV tratou-o como um rei entre súditos e deu-lhe todo o espaço possível e mais algum.

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VIVA A SOCIEDADE ALTERNATIVA

Por Marcos Pennha

A chuva cai torrencialmente, às vezes, deixando transparecer que não dará trégua. Quem mora em local seguro, por enquanto, tá tranquilo. O problema fica mais para quem reside nos altos. O perigo passado por esses moradores só é lembrado quando vem o toró.

Em Ilhéus, os cidadãos questionam onde e como estão aplicados os R$ 10 milhões repassados ao governo municipal, em 2010, pelo governo federal, quando Geddel Vieira Lima ainda ocupava a titularidade da pasta da Integração Nacional. Eis aí a questão. O povo brasileiro ainda engatinha na lição de democracia. Veja que alguns dos “fichas sujas” retornaram ao Congresso Nacional.

Votar é apenas um passo na caminhada do bom cidadão. E a gente brasileira não consegue fazer isso com eficiência. Os fatos comprovam. A sociedade civil precisa envolver-se mais na cobrança aos eleitos. Não é fácil, pois todos estão muito ocupados com seus problemas pessoais, sabemos disso; mas é extremamente necessário que se tome conhecimento e aja contra os maus políticos.

A falta de envolvimento da sociedade nas ações de governantes e parlamentares resulta em aumento do ônus à própria sociedade. Ilhéus, por exemplo, sofre com os desmandos nos diversos setores. Em que pé estão as investigações nas secretarias de Ação Social e Saúde? Houve investigação da Controladoria Geral da União (CGU) e da Polícia Federal, em 2008, com fortes suspeitas de malversação de verba pública, e até agora nada de resultados definitivos. Em que pese o indiciamento de algumas figuras públicas, todo mundo permanece calado, mudo. Os representantes legítimos do povo, os vereadores, não cumprem, à risca, seus deveres como fiscalizadores incisivos do executivo. Representantes de Lions, Rotary, Maçonaria, CDL, Associação Comercial assistem a tudo, passivamente. O Ministério Público (MP) tem que ser provocado para agir.

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SOMOS QUASE OS MESMOS E VIVEMOS COMO OS ANCESTRAIS

Por Malu Fontes

As notícias que chegam diariamente via televisão, jornais e internet sobre o admirável mundo novo da ciência e da tecnologia embalam o sonho de que a civilização, sobretudo a que habita os países mais ricos do mundo, estão prestes a habitar uma civilização que controlará a natureza graças aos mecanismos sofisticados de uma revolução científica sem precedentes que são anunciados todos os dias. No entanto, o poder da ciência é tão real quanto mítico e basta um dar de ombros da natureza, através de uma placa tectônica que sustenta uma das nações mais ricas e tecnológicas do mundo, o Japão, para ver o mundo civilizado comportando-se com o mesmo terror que deve ter sido experimentado pelos ancestrais diante dos dilúvios bíblicos creditados à ira divina.

O Japão, a nação que até um par de dias atrás era a segunda mais rica do mundo e acabou de descer um degrau, empurrada pela China, assombra o mundo há uma semana com uma catástrofe de consequências jamais vistas e cuja fórmula tem como ingredientes básicos os quatro elementos essenciais da natureza: água, terra, fogo e ar. O país amanheceu rico, orgulhoso de ser não apenas a terceira economia do mundo, mas o de ser o grande exportador de tecnologia de ponta, super bem sucedido no uso da energia nuclear, com quase 60 usinas nucleares em funcionamento, além de ser o mais bem preparado do mundo para lidar com terremotos. O Japão que anoiteceu foi um outro país, com parte de seu território destroçado, com vastas regiões devastadas, cidades transformadas  em ondas gigantescas de lama e entulho formadas por casas destruídas flutuantes, carros, barcos, pontes, árvores.

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ANDERSON, BAIANO, FÁBIO OU FABIANO?

Era uma vez um jovem que saiu de Ilhéus para ganhar a vida como ator, Brasil afora. Anos depois, retorna sem que ninguém tenha a certeza de que se trata dele mesmo ou uma de suas personagens.

Por Marcos Pennha

Era uma vez um jovem que saiu de Ilhéus para ganhar a vida como ator, Brasil afora. Anos depois, retorna sem que ninguém tenha a certeza de que se trata dele mesmo ou uma de suas personagens. O ator Fábio Lago esteve como garoto-propaganda da empresa do Cazaquistão, exportadora de ferro. Na sua declaração, explicando a condição de ícone do ‘complexo’, afirma que a empresa “poderia ter sido Bamin, Bavocê, Baeles”. Se não houvesse a conclusão dessa frase, o imaginário popular concluiria assim: “… desde que rolasse o dindim”. O resultado é que, quando a estrela da mineradora de ferro leu o script no ar, dizendo que a arapuca formada atrairia peixes, beneficiando aos pescadores, pareceu que se tratava do intrépido Anderson, do humorístico SOS Emergência (programa dominical exibido pela TV Globo em 2010). Não é o que consta no Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), apresentado pela Biodinâmica Engenharia e Meio Ambiente Ltda (contratada da empresa interessada em exportar ferro). Não precisa ser ambientalista para saber que a construção do terminal de uso privativo (tup) para exportação de ferro, juntamente com sua retroárea, mudaria completamente o curso da água do mar, afastando os peixes e, consequentemente, os barcos e pescadores.

Um grupo coeso, porta-voz do complexo, articulou a vinda do astro global nascido em Ilhéus. Pelo uso excessivo da expressão “se for da vontade de meu povo”, ficou implícito que o bom ator estava travestido de político. Político gosta dessa onda de fazer “pelo meu povo”. Fábio, que já se encontra longe de Ilhéus há anos, deve ter-se contaminado pelo dito grupo ou por seu irmão militante petista.

É louvável o envolvimento de Fábio Lago nessa questão do complexo porto sul, pois diz respeito ao futuro de toda região sul da Bahia, em especial Ilhéus. Afinal, ele não se cansa de afirmar que ama essa terra. É necessário, no entanto, que ele amplie seu leque de informações, ouvindo a opinião de gente versada nos diversos temas: ambientais, sociais, geográficos, etc. Humildade não lhe faltará, principalmente porque, ao dar ouvidos tão somente a políticos e seus serviçais, o talentoso artista corre o risco de ser confundido com o atrapalhado Fabiano (o traído da novela global Caras & Bocas, lembra?).

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HORAS DE ESPERA SALTANDO POCINHAS

Por Malu Fontes

O marketing tem, sim, o poder de matar ou fazer explodir positivamente um jeito de se fazer Carnaval em Salvador. O debate é velho, mas não mais velho que a repetição das mesmas imagens, dos mesmos enquadramentos que, durante uma semana, se vê, com raras exceções, em todas as emissoras locais de TV.

Algumas dessas emissoras reivindicam para si e suas crias um protagonismo maior do que o da própria festa em si. E quando acha-se que já se viu tudo o que poderia haver de pior, eis que alguma transmissão vai ao ar para provar que tudo sempre pode piorar. Este ano a piora foi o caso da mocinha Lola Melnick (ucraniana, dizem), uma espécie de cover estéril da recém-falecida condessa Carola Scarpa (que Deus a tenha!). A curvilínea calipígia foi enviada pela emissora de Sílvio Santos para matar de vergonha os profissionais locais do jornalismo da TV Aratu, retransmissora do SBT em Salvador.

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