EMÍLIO GUSMÃO

Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 34 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Pós-graduando em artes visuais pelo SENAC. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.

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Artigos

DUNGA, ARGENTINA, GLOBO E CIA – A LIÇÃO

Por Marcos Pennha.

Acabou. O Brasil tá fora da Copa do Mundo de Futebol 2010, depois de ser mandado embora pela Holanda, ao ser derrotado por dois a um, de virada. O time ficou tonto, em campo, como se tivesse rodado durante horas no carrossel da laranja mecânica de 1974. A seleção brasileira foi a única que não deu trabalho aos editores de imagem, que produzem aquelas em câmera lenta. A lentidão fora a sua marca. Não foi a toa que o ex-craque holandês Cruyff declarou que não pagaria para assistir a seleção de Dunga.

Dunga (nome de um dos sete anões da ficção) confirmou sua pequenez tão camuflada com as vitórias diante de seleções inexpressivas. Sempre com aparência de zangado, parece incomodar-se com o simples atchim de alguém. Um mestre na grosseria contra os profissionais da imprensa, exceto na entrevista coletiva derradeira. Seu novo comportamento quase beirou o estilo dengoso.

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COLUNA DO TOSTÃO: BRASIL ELIMINADO

Por Tostão.

O Brasil fez o melhor primeiro tempo e o pior segundo tempo da Copa. No primeiro, poderia ter feito mais de um gol. No segundo, quando perdia por 2 a 1, foi todo para frente, e a Holanda teve mais chances de fazer o terceiro, que o Brasil de empatar.

O Brasil, que fez, durante os quatro anos sob o comando de Dunga, um grande numero de gols em jogadas aéreas, levou dois gols nesse tipo de lance.

O Brasil, que procurou, durante quatro anos, um lateral-esquerdo, levou dois gols em jogadas que se iniciaram por esse setor.

O Brasil, que sempre teve um armador pela direita para ajudar Maicon (Elano ou Daniel Alves), nunca teve um armador, pela esquerda, para ajudar Michel Bastos. Desse lado, começaram as duas jogadas dos gols.

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A DOR DE MÃE, O FILHO MORTO E O CACHORRO QUE NÃO PENSA

Por Daniel Thame.

Se uma imagem vale mais do que mil palavras, como diz o chavão, ainda que uma palavra possa também valer mais do que mil imagens, só há uma palavra que talvez traduza a foto de Oziel Aragão: dor.

A dor de uma mãe impotente diante da morte brutal do filho único, um jovem de apenas 18 anos, executado com 20 tiros, na porta de casa.

Quase um tiro para cada ano da breve vida do rapaz.

Como têm sido breves as vidas dos nossos adolescentes e dos nossos jovens, abatidos em pleno vôo pela brutalidade, empurrados pela falta de oportunidades para a estrada invariavelmente de mão única das drogas e da marginalidade.

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COLUNA DO TOSTÃO: FORÇA DA TRADIÇÃO

Por Tostão.

Trouxe dois livros para reler, durante a Copa, nos intervalos entre um jogo e outro, um treino e outro, uma refeição e outra, uma conversa e outra e um devaneio e outro. Desassossego, de Fernando Pessoa, e Veneno Remédio, do ensaísta, músico, compositor, professor de literatura e amante do futebol, José Miguel Wisnik, um dos mais belos sobre este esporte.

Entre as oito seleções classificadas para as quartas-de-final, quatro são sul-americanas, um feito notável e inédito. As quatro podem ir à semifinal. A classificação dos quatro times sul-americanos diminuirá a euforia de parte da imprensa com o futebol europeu, especialmente o inglês.

Os estádios na Inglaterra são tão cheios e tão bons, os gramados tão perfeitos, e a organização das competições tão exemplar, que peladas entre times pequenos parecem grandes jogos.

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QUEM É QUEM NA HISTÓRIA

Por Marcos Pennha.

Diante das diversas abordagens em decorrência dos meus textos aqui publicados, e consequentes comentários, vi-me na obrigação de fazer algumas colocações. Afinal, tenho mais de cinco mil contatos de e-mails de internautas, que tomam conhecimento de tudo que exponho na rede mundial de computadores. Essas pessoas estão espalhadas em toda parte do globo terrestre, não só em Ilhéus; inclusive ilheenses que moram em cidades do exterior. A maioria, para a minha honra e glória, inteligente.

Como se pode constatar, há gente séria, sensata, que não foge do debate sobre o tema recorrente em pauta, o Complexo Porto Sul. Por outro lado, aqueles que correm do campo das ideias. Preferem o ataque pessoal à gente de bem. Isso acontece por falta de aprofundamento (deles) sobre as implicações seríssimas, contra os seres viventes, numa eventual concretização do complexo intermodal, que envolve um terminal privativo de embarque de ferro, um porto público para escoar outros produtos, um aeroporto e uma ferrovia em área protegida por lei de toda ordem, na estrada Ilhéus/ Itacaré.

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FICHA LIMPA, TEORIA E PRÁTICA

Por Gaudêncio Torquato para o site do Estadão.

Nunca foi tão evidente na esfera eleitoral a diferença entre teoria e prática. Em teoria, uma batelada de brasileiros não poderá pleitear mandatos na eleição de outubro próximo em razão da recente decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que candidatos com ficha suja, tanto os condenados por um colegiado antes da sanção da Lei da Ficha Limpa quanto os que vierem a ser condenados depois, estarão impedidos de buscar o voto. Na prática, muitos tentarão driblar a disposição legal, dentre eles os quase 5 mil agentes públicos que o Tribunal de Contas da União (TCU) tornou inelegíveis. Na teoria, o sonho acalentado por brasileiros de todas as classes está prestes a se realizar com a aplicação rigorosa da importante lei encaminhada ao Congresso Nacional com o endosso de 1,6 milhão de assinaturas. Na prática, o sonho poderá não resistir às peripécias de uma turma que, inconformada, dará plantão nos sinuosos corredores da Justiça. A teoria segue a pista fornecida pelo presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski, cuja expressão é firme: “Não temo enxurrada de recursos no STF porque a lei é bastante clara. Dificilmente algum recurso chegará ao Supremo, notadamente agora, em função da chamada repercussão geral.” A prática segue a baliza de outro experiente ministro, ex-presidente do TSE, Marco Aurélio Mello, que garante: “Essa matéria vai bater no Supremo.”

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TELEANÁLISE: A DOR DOS OUTROS E A MORTE COLETIVA DE CIDADES

Por Malu Fontes.

Entre a cobertura onipresente da Copa do Mundo e seus bastidores e a mobilização da população das capitais do nordeste para as comemorações do São João, o telespectador foi surpreendido por uma tragédia traduzida em imagens apocalípticas só comparáveis em dimensão às cenas do terremoto do Haiti e do soterramento dos moradores do Morro do Bumba, em Niterói, no Rio de Janeiro. Pelo menos 17 cidades dos estados de Alagoas e Pernambuco foram quase que completamente destruídas por enchentes desde o início desta semana. Em Branquinha, Alagoas, mais de 90% de toda a estrutura urbana, incluídas residências, ruas e todos os órgãos administrativos, foram destruídas, numa escala jamais vista no Brasil.

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AS MULHERES E O FUTEBOL

Por Maria José Moreno.

Muitas de nós, mulheres, podem dizer categoricamente que odeiam futebol, e, na maioria das vezes, têm motivos para tanto. São os abusados pileques dos companheiros, os palavrões, a algazarra desmedida, gritaria, brigas e confusões frequentes. Algumas até sofrem com violências domésticas após jogos mal-sucedidos. Para essas existe a lei Maria da Penha e agora o disque Mulher – 180 – que é sempre bom divulgar.

Os homens brasileiros parecem mesmo, como nesse comercial que circulou há pouco tempo, uns zumbis. E tem todo tipo de campeonato o ano inteiro, termina um, começa outro, e além de acompanharem seus times do coração, os machos ainda têm que assistir aos grandes jogos e os nem tanto, de outros times – o importante é o futebol. Haja paciência!

Ninguém pode ver uma novelinha ou um bom filme, até o dia do casório tem que ser programado para quando não tem jogo. Quás, quás, quás, diz o velho ditado que tudo demais é sobra.

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ESCLARECIMENTO MULTIMODAL

Por Marcos Pennha.

* Gostaria de externar meus sinceros agradecimentos a este site, por estar dando oportunidade de expressão da verdade sobre temas de relevância. Não fosse esse espaço valioso, diversas pessoas deixariam de tomar conhecimento das conseqüências danosas com a eventual concretização do complexo intermodal na zona norte de Ilhéus. Agradeço, também, às pessoas que manifestam seus pareceres, através de comentários aqui, e-mail e telefone, além de, pessoalmente, quando me encontram na rua. Os agradecimentos, também, são para os que não defendem o meu ideal, mas que debatem no campo das ideias, sem partir para o comportamento baixo, agredindo, levianamente, pessoas de bem.

Pensando em melhorar o nível do debate, com a finalidade de aumentar o número de pessoas conscientes, seguem abaixo mais alguns detalhes e recomendações para a nossa gente:

1.1. Previsão

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COLUNA DO TOSTÃO: BELÍSSIMA VITÓRIA

Por Tostão.

Qual é o comportamento de um atleta antes de um jogo importante? É variável. Cada um tem seu jeito. Garrincha não sabia nem o nome da outra seleção. Eu, pelo contrário, ficava tenso, pensava no jogo e não dormia bem.

No vestiário, antes de entrar em campo, a maioria dos jogadores tem um ritual. Uns beijam a medalhinha dez vezes (não pode ser nove ou 11). Gerson ia para o canto para fumar. Era mais vício que ritual. Pelé deitava e fechava os olhos. Ninguém podia incomodar a fera. Ninguém sabia se ele dormia, sonhava, se pensava no gol que faria ou apenas descansava.

O estádio está lotado, e faz muito menos frio que no primeiro jogo. Vesti tantas roupas, que sinto até calor.

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COLUNA DO TOSTÃO: JOGO DIFÍCIL

Por Tostão.

Costa do Marfim e Portugal têm boas chances de vencer a Coreia do Norte pela diferença de mais de um gol. Por isso, empatar amanhã com a Costa do Marfim é um resultado ruim, perigoso. O Brasil teria de ganhar de Portugal.

A Costa do Marfim é uma seleção alta, forte e com bom sistema defensivo. O bom ataque de Portugal foi totalmente anulado. Por outro lado, o time africano não criou chances de gol. O jogo só poderia terminar em 0 a 0.

A Costa do Marfim atua com quatro defensores, dois volantes, uma linha de três meias e um centroavante. Mas como marcou muito atrás, com nove jogadores em seu campo, esperando Portugal para contra-atacar, o centroavante ficou isolado. Hoje, Drogba inicia a partida. Ele é excepcional nas jogadas aéreas e nas finalizações.

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O COMPLEXO DO POLÍTICO

Por Marcos Pennha.

A Copa do Mundo de Futebol 2010 começou. O brasileiro, com a camisa pintada nas cores do país, já se travestiu de patriota. Utilizando a linguagem africana, a Copa é a ‘jabulani’ da vez. Todavia, em meio ao estridente som das vuvuzelas, não devemos desplugar dos assuntos, de interesse maior, que representam um mundo melhor para todos.

Na quinta-feira, 17 de junho próximo, o Porto Sul será debatido na Câmara de Deputados, em Brasília/ DF. No dia 10 de junho último, aconteceu uma passeata, em Ilhéus, promovida pelos favoráveis a implantação do complexo intermodal porto sul na zona norte da cidade. Não compareci, pelos motivos óbvios conhecidos.

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TELEANÁLISE: A FACE RELATIVA DOS MORTOS

Por Malu Fontes.

Como se sabe, todos os gêneros televisivos e jornalísticos, em temporada de Copa do Mundo de Futebol, curvam-se ao tema da bola. Nesse contexto, é impossível que as informações que passam completamente ao largo disso não fiquem submetidas a um escamoteamento. Mas, mesmo nesse período, em que a impressão que se tem é a de que o controle remoto conduz o telespectador sempre para um mesmo canal (tente passar um dia sem ouvir na TV as palavras vuvuzela, Soweto, Bafana Bafana e uma dúzia de outros termos e tire suas conclusões), tamanha a semelhança das pautas, o gosto pela informação é amigo íntimo de um eterno pendor pelo susto e pela infindável capacidade de surpreender-se.

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ESCLARECENDO: LUTO E MELANCOLIA

Por Gustavo Pestana.

Hoje estaremos discorrendo sobre a diferença entre luto e melancolia, sob a ótica da psicanálise. Nesta condição buscaremos esclarecer também a diferença entre algumas classificações entre as ciências médicas e as de senso comum.

Torna-se interessante ressaltar o que há de comum a este dois quadros clínicos, para depois diferenciá-los. Em ambos o sujeito, perde um objeto de amor, que pode seu um filho, o emprego, um(a) namorada(o), um animal de estimação e etc. Perda da capacidade amar, cessação de interesse pelo mundo, desânimo e inibição de atividades.

Depois de pontuarmos o que há de comum em ambos, discorrermos sobre as diferenças.

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LUANDSON PASSOS REIS, 10 ANOS

Por Daniel Thame.

-Filho, vai ali no mercadinho comprar um pacote de sal…

-Tô indo, mãe…

A frase é banal, repetida incontáveis vezes em lares Brasil afora, mundo afora.

O menino que atende ao pedido da mãe, vai ao mercadinho e se sobrar troco ainda compra uma bala, um doce, um chiclete.

E volta para casa, para quem sabe ganhar um ´obrigado filho´, um beijo carinhoso ou um ´agora pode ir brincar com seus amigos´.

Banalidades.

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POLÍTICOS E PROMESSAS

Por Elias Reis.

“Os candidatos têm seus momentos de euforia nos quais tudo prometem…”

Antigamente se dava muito valor à palavra empenhada. Com assinatura ou sem assinatura, o que valia era o acordo pré-eleitoral, verbal, em que um político dava a um cabo eleitoral. A sua palavra! Tudo aconteceria conforme havia sido combinado. Hoje não é mais o que acontece. Hoje as coisas estão muito diferentes.

Depois que o político é eleito o prometido só é cumprido se for conveniente, financeiramente viável ou possibilitar reais vantagens a quem prometeu. Essa história de honrar a palavra dada é coisa de um passado distante, que convém nem lembrar a fim de afastar a vergonha que os antigos exemplos possam nos causar.

Politicamente, no passado, ainda que houvesse prejuízo, a palavra era mantida. Coisa ética, compromisso firmado que atualmente assume ares de tolice. “colaboradores, militantes, o povo -, somente nos interessa antes da campanha”, afirma alguns neo-políticos. Talvez o senso e inspiração do filósofo Nicolau Maquiavel.

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