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COMO SERÁ 2012?
Por Carlos Pereira Neto
É comum se dizer que o homem é o chão em que pisa. Mas também se ouve “ele está no mundo da lua” ou “come sardinha e arrota caviar”. Mais sofisticado o aforismo de Ortega e Gasset, “O homem é ele mesmo e as suas circunstâncias”, na sentença fenótipos, genótipos e geografia. Ainda, há os que dizem que o certo “é viver localmente e pensar globalmente”, talvez daí, segundo o meu amigo Al Face, alguns gostem tanto da TV Globo quando de suas conveniências.
Destrinchando as quatro frases, a primeira casa bem com a terceira, pois o homem pensará conforme o meio em que vive, e tenderá a adaptar-se e a usar os meios ao seu alcance. Numa sociedade organizada, idealmente, a posição em que se encontrar na organização social do trabalho lhe dará os contornos de sua consciência. A segunda e a terceira denotam a alienação, aquele que “não é” o que verdadeiramente é. Todos os homens são materialmente alienados. A última frase é um ideal.
Sem entrar nos meandros e complexidades dos processos de alienação, sobretudo nos provenientes da repetição educacional e os da mídia, nas especificidades nacionais e locais, o mundo e o homem são um só, carregamos a memória do tempo e o planeta atual, parte dentro de nós e maior parte de fora nos determinando presente e futuro, quer tenhamos consciência ou não.
DRAMA, MAU GOSTO E DITADORES
Por Malu Fontes
Entre as imagens que marcaram a semana televisiva uma destacou-se: o espetáculo de histeria coletiva jamais visto nos telejornais. O público está acostumado a funerais de papas, ídolos da música, astros da história do cinema e de lideranças políticas de todos os matizes ideológicos. Mas quem já havia visto cenas de multidões histéricas nas ruas, sem precisar sequer estar no espaço físico do funeral, como se viu nas imagens que correram o mundo anunciando a morte do ditador norte-coreano Kim Jong II? Como todas as imagens foram distribuídas no mundo pelo governo coreano, uma das ditaduras mais fechadas do mundo, os telejornais questionam até que ponto a emoção do povo era legítima ou uma espécie de performance coletiva diante das câmeras por medo de represálias por parte dos sucessores do regime.
NU - Se em termos de imagens as caras, caretas, lágrimas e arremedos de catarse dos coreanos dominaram a seara televisiva, quando se trata de fatos, e também em escala internacional, não tem pra ninguém: o tema da vez é Cristina Kirchner, a espevitada presidente da Argentina, a viúva de Nestor, recém reeleita. Enquanto Cristina dava um pulinho no vizinho Uruguai, para participar de uma reunião do Mercosul, 50 militares da Gendarmeria, polícia especial que atua nas fronteiras do país, invadiam a sede da Cablevisión, uma emissora de TV a cabo do grupo Clarín, que faz oposição ao governo Kirchner.
ONDE NASCEU JORGE AMADO?
Por Isaac Albagli
Encarregado de preencher as “fichas” da Academia de Letras de Ilhéus criada em 1958, o seu primeiro secretário, jovem advogado Francolino Neto, aguardou quatro anos para, pessoalmente, colher os dados do acadêmico Jorge Amado. De caneta em punho e após preencher o nome, endereço e filiação do romancista, à época já famoso, fez a pergunta: “Local de nascimento?”. “Pergunte ao meu pai…” - se esquivou Jorge Amado. Na sua carteira de identidade constava a cidade de Itabuna como local do nascimento, mas no fundo ele sabia que havia uma polêmica tanto familiar como “de ordem pública”. Francolino Neto não se fez de rogado e foi até Itajuípe para se encontrar com o fazendeiro João Amado, pai do escritor. O Coronel João não vinha a Ilhéus há muito tempo, pois tinha pavor a vergalho de boi… Diziam as más línguas que o coronel se engraçou com uma mulher casada e acabou tomando uma surra de vergalho de boi. Mas voltemos ao encontro de Dr. Francolino com o Coronel João Amado. Encontraram-se na firma compradora de cacau Wildberg & Cia. e o secretário da Academia foi direto ao assunto. O Coronel João Amado disse então a Francolino: “Jorge nasceu na Fazenda Auricídia que ficava na zona do Repartimento no limite entre os municípios de Itabuna e Itajuípe.”
A maior parte da fazenda pertencia em 1912, ano do nascimento de Jorge, a Itabuna, antiga Tabocas que em 1910 tinha se emancipado de Ilhéus. Mais precisamente no distrito de Ferradas, na época próspero entroncamento de tropeiros. A outra parte da fazenda pertencia ao 7º Distrito de Ilhéus, denominado de Pirangí, mais tarde emancipado e que originou o município de Itajuípe. Dr. Francolino, rápido no raciocínio fez então a pergunta fatal. “E de que lado ficava a sede da fazenda?” João Amado não titubeou: “Ficava em Pirangí”. Francolino deu uma risadinha marota e tascou na “ficha” de Jorge Amado – Local de Nascimento: Ilhéus, Bahia, Brasil. A Lei 807 de 28 de julho de 1910, que criou o município de Itabuna, sancionada pelo então governador Araújo Pinho, não era muito precisa nas indicações dos limites territoriais, principalmente quando não existiam rios ou ribeirões para delimitação com maior precisão.
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A FERROVIA DE INTEGRAÇÃO OESTE-LESTE E A COMUNICAÇÃO SOCIAL
Por Paulo Paiva, editor do blog Acorda Meu Povo.
O drama vivido pela Comunidade Volta do Rio, situada ás margens do rio de Contas, no município de Ubaitaba não é um fato isolado na construção de uma obra do porte da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, que na Bahia, atravessa os ecossistemas ameaçados da Caatinga e da Mata Atlântica, em uma paisagem profundamente marcada pela presença de comunidades tradicionais.
A ética e o exercicio da cidadania, como uma prática educativa, exige sempre, que todos se coloquem no lugar dos atingidos. Esse é um príncipio do sentimento de coletividade, da identidade cultural regional, enfim, da defesa do bem comum.
Existe uma grande necessidade de transparência das informações socioambientais, para que todas as questões que possam vir a acarretar prejuízo ambiental e social, sejam esclarecidas e corretamente avaliadas.
SENTA LÁ, NEGALORA
Por Malu Fontes
As repercussões rasas e descartáveis que sucederam alguns episódios midiáticos recentes ocorridos na Bahia, como o caso mulher ketchup, o projeto de lei que propõe impedir o governo baiano de contratar, com recursos públicos, bandas de pagode cujo repertório seja ofensivo às mulheres, a suposta relação entre os shows promovidos na praia por programas populares de TV e os arrastões realizados em locais próximos à festa e, mais recentemente, o bafafá em torno da estética e da nomenclatura Negalora, adotada por Cláudia Leitte, sob a chancela de Carlinhos Brown, não passam de mais do mesmo, de fumaça sem fogo.
PIN UP - Cláudia Leitte em si já é um fenômeno midiático no mínimo difícil de ser enquadrado. É um produto do business fonográfico, construído passo a passo diante dos holofotes, desde os primeiros passos públicos, como a Lolita da banda Babado Novo. Uma década depois, muito investimento em marketing e um processo poderoso de agenciamento da aparência e da carreira a transformaram em um fenômeno polvo. Pouco se fala do seu talento musical. As informações que saltam aos olhos sobre seu estrelato centram-se nas referências celebratórias à sua beleza e ao seu vigor corporal de uma Barbie contorcionista de palco, à sua força atual de mascate publicitário que só anuncia menos coisas à venda que Ivete Sangalo, à sua imagem de pin up gostosa de calendário.
NO AR, OS ARMENGUES DA COPA
Por Malu Fontes
Enquanto os prazos para as obras de infra-estrutura que o Brasil precisa fazer para não passar vergonha internacional durante a Copa do Mundo começam a ficar estreitinhos, pipocam aqui e ali nos telejornais os sinais de que o famoso jeitinho brasileiro e os acordões que darão vantagens financeiras a poucos e ricos vai fazer a festa. Durante a última semana, os parlamentares apresentaram algumas pérolas que devem tornar a Lei da Copa digerível para a insaciável FIFA, que apresentou ao governo brasileiro trocentas e algumas exigências, da liberação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios à proibição de meia entrada para quem não pode pagar pelos ingressos caros geralmente cobrados nos mundiais de futebol.
Não deixa de ser engraçado que o mundo e os berros ecoantes e onipresentes da televisão trombeteiem cada dia com mais adjetivos medonhos o cigarro convencional ao mesmo tempo em que é tão tolerante, leniente e dócil com o consumo de bebidas alcoólicas, cujos males, na sociedade brasileira, não ficam nada longe daqueles causados pelo cigarro, embora sejam sim males de natureza diferente. Por que a propaganda de cigarro é tão demonizada se a do álcool passeia ostensiva, livre e faceira na programação televisiva e em todas as plataformas em que cabe uma campanha publicitária? Ah, tá: a bebida alcoólica nada tem a ver com o índice de homicídios cometidos no Brasil, com dependência química, com as estatísticas trágicas da violência doméstica e com determinados dados epidemiológicos da saúde pública nacional.
VALEU, DOUTOR SÓCRATES
Por Gustavo Felicíssimo
Acordo nesta manhã de um domingo primaveril, nublado e renitente em Ilhéus, sem praia, portanto, enquanto uma notícia me acerta o fígado como um cruzado certeiro de Éder Jofre. Leio-a e silencio. Leio-a e entendo porque o céu está enegrecido: lutuoso chora a morte de um deus que se disfarçou de homem para dar-nos alegrias dominicais.
Somente um deus extremamente generoso deixaria o conforto do Olimpo, a companhia das ninfas, os banquetes báquicos, para se misturar ao povo e encarnar o que ele tem de melhor a fim de proporcionar-lhe um pouco de diversão, passatempo com altas doses de emoção, anestésicos toques de calcanhar amenizando os efeitos da opressão.
“Morreu o Doutor Sócrates”, diz a notícia do jornal enquanto pela casa emana a voz de Gonzaguinha ampliando a melancolia experimentada. “Não se espante, cante”, diz a canção enquanto o meu coração teima em se pronunciar: “Não, ele não morreu”. Afinal, a morte é um exagero para quem amou a vida, para quem nos braços do povo jamais morrerá.
A CLASSE C CHEGA AO PARAÍSO. FARDADA E COM A TELA DIVIDIDA
Por Malu Fontes
Durante a semana a Rede Globo de Televisão estreou a mensagem de Natal, desta vez estrelada por Roberto Carlos e por literalmente todas as estrelas da casa. E depois de passar um ano reiterando a informação de que a classe C finalmente aportou no paraíso, ou seja, que está experimentando como nunca a condição de consumidora, achou por bem homenageá-la na tradicional mensagem de Natal.
Embora as estrelas da peça institucional ilustrada pela legenda “a gente se liga em você” sejam o elenco da Globo e Roberto, os homenageados, segundo matérias publicadas nos sistemas de crossmídia das organizações Globo, são os brasileiros que desempenham “funções que fazem parte do dia a dia dos brasileiros, reforçando o conceito do novo slogan da emissora”. Tem garçom, taxista, sorveteiro, arrumadeira, babá, empregada, cozinheira, operário, carteiro… Cada um devidamente interpretado por uma estrela global.
AS RESERVAS FLORESTAIS DAS FAZENDAS DE CACAU
Por Paulo Paiva, editor do blog Acorda Meu Povo.
O uso de georreferenciamento é um grande instrumento para o planejamento do uso do solo, e ocupação territorial. Na área florestal, a identificação, demarcação e reconhecimento de áreas remanescentes, no maior detalhe possível, são fundamentais para a formação de mosaicos e corredores ecológicos.
No sul da Bahia, a maior parte dos remanescentes da Mata Atlântica está “oculta” nas fazendas de cacau, a grande área laranja do mapa abaixo. São cerca de 400 mil hectares de lavouras, em tese, onde devemos manter um mínimo de 80.000 hectares de reservas legais.
No entanto, a identificação dessas áreas, necessita de uma ampla conscientização dos produtores de cacau para averbarem as reservas existentes, ou recuperá-las, já que mais de 90% dos proprietários ainda não fizeram isso. Também é fundamental o suporte do governo e dos institutos de pesquisa, para que essas áreas sejam corretamente planejadas.
A BACIADA DAS ALMAS INADIMPLENTES
Por Maulo Fontes
Em contraste com todo o discurso celebratório do jornalismo em torno do crescimento econômico brasileiro e da migração de boa parte da população para degraus mais superiores da pirâmide sócio-econômica, o noticiário econômico vem, também, anunciando um fenômeno dissonante dessa celebração: o alto índice de inadimplência da população brasileira. No Brasil, a inadimplência dos consumidores cresceu 20% em 2010. Trazendo o assunto para a Bahia, segundo dados do comércio, algo em torno de 600 mil pessoas com o nome inserido nos sistemas de proteção ao crédito.
Quem acredita no jogo do contente pode fazer de conta que foi pensando no bem estar de boa parte desse meio milhão de pessoas que a Câmara de Diretores Lojistas de Salvador (CDL) lançou na última semana o I Feirão do Nome Limpo. O evento tem sido, tanto ou mais que um sucesso de público, um sucesso de mídia. Não houve um telejornal que não tenha veiculado matérias sobre o assunto e mais de uma vez. Jornais impressos, emissoras de rádio, blogs, sites, todos agendaram o evento como o mais importante da semana em Salvador, coisa não tão difícil assim, pois, fora os efeitos colaterais da violência urbana, as dores e as delícias do Ba-Vi e os salamaleques de alcova do ex-casal do Executivo Municipal, a cidade anda mesmo, e há tempos, com alguma preguiça de produzir fatos ou discussões relevantes.
SEM PLANEJAMENTO E FISCALIZAÇÃO LOCAL, OBRAS FEDERAIS GERAM MAIS IMPACTOS AMBIENTAIS DO QUE DEVERIAM
Por Paulo Paiva, editor do blog Acorda Meu Povo.
Nos últimos três anos, obras de impacto como o “Gasoduto”, o “Luz para Todos”, a “Rede de Alta Tensão” e a “Ferrovia Oeste-Leste” entraram em fase de implantação, e quando falamos em implantação, estamos dizendo que o meio ambiente está sendo modificado, a floresta está perdendo espaço, os bichos estão morrendo, as árvores tombando e moradias sendo demolidas.
O Sistema Nacional de Meio Ambiente estabelece as obrigações municipais na gestão ambiental, mas, na prática, a maioria dos municípios não se conhecem direito, nem utilizam os instrumentos de gestão ambiental para monitorar a execução de grandes obras.

O BOM SELVAGEM E OS MAUS CIVILIZADOS
Por Malu Fontes
Durante a semana, a televisão mal falou de outra coisa que não fosse a prisão de Nem, o chefe do tráfico na favela carioca da Rocinha. Sim, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, continuou no pau de arara das denúncias, mas como se trata do sétimo ministro com esse roteiro, o telespectador já sabe mais ou menos como esse tipo de novela deve acabar e preferiu migrar com toda a sua atenção para Nem e a Rocinha. Todo o roteiro da prisão de Nem e a seguida operação de invasão dos órgãos de segurança pública do Rio à Rocinha foram Ibope certo, pois desde Tropa de Elite, os filmes, cenas dessa natureza parecem se tratar do episódio 3 do blockbuster de José Padilha.
Para além de toda a cobertura da TV sobre a prisão de Nem, que começou com um episódio mais que novelesco envolvendo um carrão preto ocupado por homens que se diziam do Consulado da República do Congo, descendo às duas da madrugada um morro no Rio de Janeiro, dois detalhes chamaram atenção: o brilho dos cachos encaracolados e negros como a asa da graúna da cabeleira de Nem (que até horas atrás a TV apresentava ao país num retrato de um malandro de cabelo aloirado de tinta), e a reação da imprensa ao telefonema afetuoso que o traficante deu para a mãe assim que chegou à Delegacia da Polícia Federal. Sim, a cabeleira negra e brilhante ao ponto que nenhum umidificador de cachos é capaz de garantir é coisa que só mulheres devem notar, mas, o que dizer do espanto com que Deus e o mundo reagiram ao pedido que o preso fez à mãe para que os filhos (sete, dois deles adotados) não faltassem às aulas apesar do ocorrido?
SAFRA ÚNICA
Por Marina Silva
Temos discutido intensamente a distribuição dos royalties provenientes da exploração de petróleo, mas pouco se fala sobre um dos setores da economia que mais crescem no mundo e no Brasil: a indústria mineral.
A mineração está no seio da construção do nosso país. O ouro do Brasil ajudou a financiar um capítulo importante da história da humanidade: a Revolução Industrial. Roberto Simonsen, em “História Econômica do Brasil”, afirma que a produção de ouro no país entre 1700 e 1770 chegou a ser praticamente igual ao que o resto das Américas produziu entre 1493 e 1850.
Há um novo ciclo de mineração no país: o do minério de ferro. Do ponto de vista ambiental, essa exploração é das mais preocupantes.
O setor tem legislação atrasada e produz grande passivo ambiental. A pressão que a mineração exerce na infraestrutura e a previsão de que a produção triplique nos próximos 20 anos impõem uma reflexão sobre o seu legado.
PORTO SUL NUNCA APRESENTOU ALTERNATIVA LOCACIONAL
Por Paulo Paiva, editor do blog Acorda Meu Povo.
A Bahia tem a maior extensão litorânea do Brasil: 932 quilômetros. Segundo os estudos, existem 150 quilômetros no litoral sul e baixo sul do estado, que possui calado suficiente para a construção do Porto Sul.
No entanto, o planejamento adotado nos leva a crer, ter sido considerado, principalmente, a menor distância e o menor custo operacional, relegando oplanejamento ambiental, e uma visão mais ampla, territorial.

Determinou-se então, que o Porto Sul seria instalado em um dos núcleos centrais da Mata Atlântica, numa área importantíssima, onde se estuda e procura-se respostas para a sua conservação. Mas, enquanto estamos discutindo a prévia licença ambiental, temos todo o direito de questionar, e a sociedade tem o direito de ter pleno acesso a todas as informações.
BAHIA ENTRE OS SÉCULOS XIX E XXI
Por Fábio Feldmann
Como tem sido assinalado, nos últimos trinta anos a sociedade contemporânea se transformou radicalmente, de modo que temos dificuldades em usar “categorias” vigentes até trinta anos atrás para explicar esse mundo em transformação. Até poucos anos, as categorias que utilizávamos como esquerda e direita, capitalismo e socialismo, serviam de guia para que pudéssemos nos inserir na realidade, em que pese o dogmatismo das mesmas.
Hoje, a realidade se apresenta mais complexa, o que, até certo ponto, é positivo. Como usar categorias antigas nestes novos contextos: a China é capitalista? O que permite adjetivar governos como de esquerda ou direita? Defender a descriminalização da droga indica uma postura liberal? Como enquadrar discussões de alta temperatura como o aborto e casamento gay?
Os tempos atuais exigem flexibilidade, uma vez que podemos ser liberais em alguns aspectos e conservadores em outros. Isto fica evidente em muitas discussões do noticiário brasileiro: quem imaginaria, há trinta anos, o PC do B defendendo mudanças conservadoras no debate do CÓDIGO FLORESTAL? O que é uma proposta inovadora e sintonizada com a visão de século XXI para o mundo e o Brasil?
CORRAM COM A MARCHA QUE A POLÍCIA VEM AÍ
Por Malu Fontes
Enquanto mais um ministro passava a semana pendurado no pau de arara das denúncias de corrupção, desta vez no Ministério do Trabalho, o Brasil acompanhava take a take pela TV os movimentos de uma espécie de Malhação real, em versão para adultos e com ares de suspense policial: a peleja travada entre a Polícia Militar de São Paulo e o grupo de estudantes que invadiu a Reitoria da USP após três alunos terem sido levados para uma delegacia por terem sido flagrados fumando maconha no campus. Esse “era” o embate inicial, um conflito interno travado entre uma penca de alunos e a PM.
No entanto, assim que o conflito se estabeleceu e chegou à opinião pública, o caldo entornou. O roteiro foi ficando cada vez mais complexo e non sense, o número de personagens envolvidos foi aumentando literalmente aos milhares a cada dia e papéis de mocinhos, vítimas, heróis, vilões, bárbaros e bandidos foram sendo atribuídos, seguidos de pedido de clemência ou de invocação a um massacre moral ou físico sumário, por tudo o quanto é gente que hoje pode dar sua opinião, seja diante de uma câmera de TV, numa entrevista a um repórter de veículo impresso ou on line, numa rede social ou nos comentários postados sobre a cobertura do assunto nos sites jornalísticos.
PT JOVEM DA BAHIA: GARANTIA DE FUTURO
Por Josias Gomes
É gratificante observar a juventude participando da política. Afinal de contas, é na atividade política onde é possível promover transformações, ou mesmo, encaminhar soluções a problemas do dia a dia da vida nacional e local. Qualquer partido que se preze e que deseje continuar exercendo o seu papel de agente transformador da realidade não pode deixar de estimular a organização interna da juventude. Os jovens representam o sopro permanente da atualização dialética do partido frente à realidade na qual ele (o partido) se inscreve.
Neste sábado, 05, participei, ao lado de companheiros como o ex-ministro José Dirceu, o deputado federal Zezéu Ribeiro, e o presidente estadual do PT, Jonas Paulo, de um dos momentos do II Congresso Estadual da Juventude do PT da Bahia, que termina neste domingo, 06, na cidade de Camaçari. Pelo número de militantes (o mais expressivo do país) e pelo grau de entusiasmo dos jovens petistas no evento, saímos, todos, com a certeza de que o PT baiano não apenas tem passado e presente, mas, também, muito futuro.
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COR DE ROSA PARA QUEM?
Por Malu Fontes
Se até bem pouco tempo o câncer era uma doença cujo nome jamais se ousava pronunciar, a verdade é que hoje se perdeu o medo, se não da doença, pelo menos da palavra. Recentemente, todos os telejornais têm falado e muito da doença. Casos de personalidades e autoridades têm contribuído incessantemente para que o assunto tenha passado a ser abordado sem o tom de estigma que até bem pouco tempo marcava a patologia. No campo da política brasileira, os casos emblemáticos do ex-vice presidente José de Alencar e da presidente Dilma Roussef serviram como última fronteira para a abordagem sem tabus pela imprensa, mesmo porque o câncer que Dilma enfrentou tornou-se, de forma direta e indireta, assunto até mesmo de campanha eleitoral.
Nos últimos meses, os casos do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, do ator Reinaldo Gianecchini e a morte de Steve Jobs ocuparam páginas e páginas, telas e telas na imprensa. Boa parte do mundo, aliás, só descobriu que tinha um pâncreas quando o mago da Apple morreu com um câncer no órgão. Entretanto, foi com o diagnóstico do câncer de laringe do ex-presidente Lula que o assunto foi parar nos assuntos mais citados na imprensa e mais comentado nas redes sociais. Como todo bom assunto que hoje se preza, o diagnóstico do presidente ganhou fertilidade e amplitude máxima de comentários foi mesmo nas redes sociais, onde a censura é frouxa ou inexistente e onde ninguém se sente constrangido de mostrar o pior de si quando se trata de manifestar as paixões e os ódios pessoais.
INFOILHÉUS E OS PROBLEMAS DO NOSSO PÓLO
Por Carlos Mascarenhas
Teremos no período de 03 a 05.11.2011 a realização da Feira de Informática e Tecnologia – INFOILHÉUS 6. Acredito ser este um bom momento para, além de conhecermos novos produtos e serviços e realizarmos negócios e acordos comerciais, discutirmos os problemas que afligem nosso Distrito Industrial e especialmente o nosso Pólo de Informática, e que a cada dia se avolumam. Não vi ainda a programação da INFOILHÉUS, mas acredito que seria muito interessante que tivéssemos um painel de debates com o seguinte tema: O Pólo de Informática de Ilhéus, e o que deveremos fazer para que ele não sucumba de uma vez.
Quero aqui registrar que na INFOILHÉUS 5, realizada no período de 20 a 23.10.2011, recebemos a visita do Governador Wagner. Na oportunidade o R2CPRESS publicou a seguinte nota:
WAGNER GARANTE APOIO AO PÓLO DE INFORMÁTICA DE ILHÉUS
O governador da Bahia, Jaques Wagner, prometeu interceder na agenda de trabalho que visa o fortalecimento do Pólo de Informática de Ilhéus, criado há 15 anos. Ele visitou, no sábado, a Infoilheus 5.0, a Feira de Informática e Tecnologia promovida na cidade, de 20 a 23 deste mês, e conversou com a diretoria do Sindicato das Indústrias do Pólo de Informática de Ilhéus (Sinec), que tem feito várias reivindicações ao Governo do Estado. O governador percorreu todos os 33 estandes da feira e cumprimentou populares. Dois estandes eram do próprio governo, um da Secretaria de Trabalho e Bem Estar Social e outro da Desenbahia.
AUDIÊNCIA PÚBLICA DO PORTO SUL APRESENTA UM TSUNAMI DE IMPACTOS
Por Paulo Paiva, editor do blog Acorda Meu Povo.
A primeira coisa que precisamos separar, antes de falar de uma audiência pública de meio ambiente, é os que defendem o projeto para obtenção de benefícios pessoais, sem preocupar-se com os danos à coletividade, dos que realmente se preocupam com a sua viabilidade.
A mobilização de pessoas e entidades que acompanham o estudo dos impactos ambientais do Porto Sul cresceu muito. O que se percebe logo, é que os princípios democráticos de fiscalização pública, transparência da informação e da liberdade de imprensa, têm garantido maior visibilisade sobre o que está em jogo nesse licenciamento.











