EMÍLIO GUSMÃO

Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 36 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.

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Artigos

CÓDIGO FLORESTAL: A ANISTIA GOLPISTA

Artigo de Paulo Paiva, editor do blog Acorda Meu Povo.

O relatório de Aldo Rebelo aprovado pelo Congresso Nacional quer anistiar todos os que desmataram as Áreas de Preservação Permanente até o ano de 2008, também aqueles pequenos produtores de até 04 módulos rurais que desmataram suas Reservas Legais.

Isto derruba a legislação, desfigura o IBAMA, queima as resoluções do conselho Nacional de Meio Ambiente e afoga a Lei de Crimes Ambientais.

Isto significa dizer que o Congresso determinou ao IBAMA e à Polícia Federal para anular todos os seus processos contra crimes ambientais, inclusive os cometidos por 12 deputados e 03 senadores, livrando-os de milhões em multas.

Todos os que desafiaram a lei estão livres. Poderiam ser outros investigados da polícia federal como traficantes de drogas ou os corruptos, mas dessa vez, são os que desrespeitaram o código florestal e a Lei de Crimes Ambientais.

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OS GAYS E A BÍBLIA

Por que fingir ignorar que o amor exige união e querer que essa união permaneça à margem da lei? No matrimônio são os noivos os verdadeiros ministros. E não o padre, como muitos imaginam. Pode a teologia negar a essencial sacramentalidade da união de duas pessoas que se amam, ainda que do mesmo sexo?

Por Frei Betto

É no mínimo surpreendente constatar as pressões sobre o Senado para evitar a lei que criminaliza a homofobia. Sofrem de amnésia os que insistem em segregar, discriminar, satanizar e condenar os casais homoafetivos. No tempo de Jesus, os segregados eram os pagãos, os doentes, os que exerciam determinadas atividades profissionais, como açougueiros e fiscais de renda. Com todos esses Jesus teve uma atitude inclusiva. Mais tarde, vitimizaram indígenas, negros, hereges e judeus. Hoje, homossexuais, muçulmanos e migrantes pobres (incluídas as “pessoas diferenciadas”…).

Relações entre pessoas do mesmo sexo ainda são ilegais em mais de 80 nações. Em alguns países islâmicos elas são punidas com castigos físicos ou pena de morte (Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Nigéria etc). No 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 2008, 27 países-membros da União Europeia assinaram resolução à ONU pela “despenalização universal da homossexualidade”.

A Igreja Católica deu um pequeno passo adiante ao incluir no seu catecismo a exigência de se evitar qualquer discriminação a homossexuais. No entanto, silenciam as autoridades eclesiásticas quando se trata de se pronunciar contra a homofobia. E, no entanto, se escutou sua discordância à decisão do STF ao aprovar o direito de união civil dos homoafetivos.

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O QUE RESTOU DO PASSADO?

Por Josevandro Nascimento

Revendo o Diário de Ilhéus, edição de sábado, dia 14, consta um artigo de Luiz Castro, denominado Cruzada do Bem pelo Bem. Peço permissão ao amigo “decolores” para um rápido comentário sobre as suas palavras, tecendo considerações sobre a sua narrativa, auspiciosa e, sem dúvida, de interesse para uma reflexão.

Começamos reafirmando a importância da Cruzada do Bem pelo Bem, que somos, inclusive, sócio benemérito, pela bondade de dois grandes nomes que deixaram  marcas de sua inegável colaboração: D. Antoninha e Eris Carlos de Andrade.

Sem dúvida, a Cruzada que conseguiu sobreviver as tempestades do tempo, teve mais sorte que outras instituições que já pereceram, tem um papel de destaque na filantropia social de nossa terra. Meu tio Eris,  de saudosa memória, juntamente com outros nomes que por ali passaram na sua diretoria, como Vandeco, foram abnegados colaboradores daquela instituição.

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O CASEIRO, O MINISTRO E SEUS DINHEIROS

Por Malu Fontes

Dois pesos e duas medidas. Assim é, e ainda será por muito tempo, a assimetria das consequências públicas a serem enfrentadas, de um lado, por aqueles cujo estatuto na vida os situa em condições privilegiadas e, de outro, por aqueles que habitam os andares de baixo da pirâmide social. O caso do enriquecimento brusco e vertiginoso do ministro da Casa Civil de Dilma Roussef, Antônio Palocci, é um caso típico de que, perante a hipocrisia social e política, os poderosos não apenas são poupados de explicar suas trajetórias suspeitas como ainda podem arriscar uns passos numa coreografia retórica permeada de arrogância do tipo ‘enriqueci em quatro anos porque fui ministro da Fazenda e ex-ministro vale muito no mercado’. E quem há de duvidar? Já caseiros e ex-caseiros não valem nada e a história do piauiense Francenildo Costa, todinha encontrável em qualquer busca no Google, está inscrita na crônica dos escândalos políticos brasileiros para sustentar essa tese.

GAROTAS – Durante os quatro últimos anos, quando exercia o mandato de deputado federal pelo PT de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda do Governo Lula, saído praticamente pelos fundos da pasta em 2006, após o então caseiro de uma mansão de Brasília (Francenildo) afirmar que por mais de dez vezes o vira freqüentar a casa junto com lobistas, políticos, empresários e garotas de programa, em torno de malas de dinheiro, negociações político-econômicas e uísque a go go, ganhou uma dinheirama e tanto. O assunto chegou, primeiro, na manchete da Folha de S. Paulo de domingo passado e, ao longo da semana, espalhou-se por todos os telejornais. As evidências dão conta da multiplicação do patrimônio do ministro Palocci, em apenas quatro anos, em 20 vezes, em relação ao que declarara ao candidatar-se a deputado. Praticamente em cash, já que efetuou o pagamento em apenas duas vezes, Palocci adquiriu durante o mandato um apartamento de R$ 6,6 milhões e um escritório por cerca de R$ 850 mil.

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“NÓS PEGA O PEIXE”

Por Muniz Sodré

A diferença entre fato social e acontecimento jornalístico (ou “notícia”) pode ser muito relevante na observação da imprensa, em especial quando se busca a correta apreensão sensível do que está por trás das manchetes. É certo que a notícia – a mercadoria principal da atividade jornalística nos últimos dois séculos – vem sendo bastante modificada, em suas definições profissionais clássicas, pela diversificação dos interesses e dos públicos característicos da internet. Ainda assim, o horizonte cognitivo do jornalismo – melhor, do bom jornalismo – é o conhecimento do fato.

No fato, os acontecimentos estão simultaneamente relacionados, como se fossem um “estado de coisas”, ou seja, uma conexão entre pessoas ou entre objetos. Assim, o que acontece no jornal (o relato de um caso ou “notícia”) é tornado possível pela existência desses “estados”, que se evidenciam à lógica do observador. Nesta linha de raciocínio, são os fatos que tornam as proposições verdadeiras ou falsas.

A informação jornalística parte de objetos primariamente tidos como factuais, para obter, por intermédio do caso-acontecimento-notícia, alguma clareza sobre o fato sócio-histórico. Não raro, notícias editorialmente diferentes pertencem ao mesmo campo cognitivo do fato social.

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TRANSPARÊNCIA PÚBLICA

Artigo de Paulo Paiva, editor do blog Acorda Meu Povo.

Nós já comentamos nesse blog o problema de cronograma em obras na cidade de Ilhéus, onde algumas intervenções urbanas enfretam seguidas paralizações e demoram muito para serem concluídas, prejudicando o dia a dia dos cidadãos.

Na primeira oportunidade, abordamos a reforma da Ponte Ilhéus-Pontal em A Reforma Intolerante, uma obra que se arrastou por quase um ano, e que veio ser concluída na alta estação, imobilizando a cidade.

Relutamos em voltar ao mesmo assunto, mas não dá para buscar respostas diante de uma obra que perdura por 14 meses, e que vem causando insatisfação, e nenhuma satisfação vem sem dada a população sobre os motivos das paralizações e das dificuldades na conclusão desse serviço.

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POR UMA DEDICATÓRIA DE FERREIRA GULLAR

Por Gustavo Felicíssimo

Há tempos precisava ir a São Paulo, mas adiava e adiava a viagem pelos simples fatos de não gostar muito de grandes deslocamentos e por preferir a cadeira na varanda de casa e o sorriso de minha filha que poltrona de avião. Calmamente esperei algum tempo até surgir a ocasião em que pudesse transformar necessidade em oportunidade. Foi quando soube que Ferreira Gullar autografaria seu livro mais recente, Em Alguma Parte Alguma, em uma livraria da capital paulista.

Solitário, em noite chuvosa, comprei via internet a bendita passagem e me hospedei na casa de um primo que me auxiliou nos deslocamentos por aquela cidade em constante frenesi. Compromissos cumpridos em prazo recorde para na data anunciada poder estar lá, na fila, entre amigos e fãs do maior poeta brasileiro vivo, à espera de uma dedicatória na folha de rosto do novo compêndio de poemas, e outra, em um livro que trago comigo como se fosse troféu, uma das raridades da minha modesta biblioteca, um exemplar da primeira edição do hoje clássico Poema Sujo.

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BARBA, BIGODE E ABISMOS

Por Malu Fontes

Na esfera local, o fato de o governador Jaques Wagner ter vendido a uma marca de lâminas de barbear os pelos da barba e do bigode que cultivava há 30 anos obteve muito mais destaque no noticiário não apenas televisivo, mas de todas as outras mídias, do que a greve e o impasse em torno dela envolvendo os professores das universidades estaduais e o mesmo governo do barbeado em questão. E é preciso admitir que se vive em um tempo em que é assim que as coisas se movem. Ou seja, quem quer saber de milhares de alunos sem aula, de professores parados e de suas pautas de reivindicação, e, menos ainda, de que o mesmo petismo que sempre amou uma assembléia e paralisação de qualquer ‘catiguria’ agora corta o salário dos professores em greve se o governante é tão bem intencionado que sacrifica os cabelos da cara por R$ 500 mil em nome da nobreza da causa da educação? Sim, para quem não sabe, o cachê pago pelas barbas do governador irá, centavo a centavo, para o campo da educação na Bahia.

COISAS FEIAS – Na mesma semana desse feito publicitário e de marketing pessoal e político sem precedentes na história desse estado, o telespectador acordou na segunda-feira ainda sob o efeito (e por que será que repórteres de rádio e TV, aqui e alhures nunca sabem que sob não pode nunca ser sobre?) do estômago embrulhado com as imagens de mais uma das matérias denúncias do Fantástico, desta vez sobre coisas inacreditáveis que ocorrem quando o assunto é merenda escolar Brasil afora.

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O GRAU MAIS ALTO DA CAPACIDADE HUMANA

Por Romualdo Lisboa

Imagem do espetáculo "O Inspetor Geral - sai o prefeito, entra o vice", produzido pelo Teatro Popular de Ilhéus, que estréia hoje (sexta, 13) no SESI/São Paulo.

Em meados de 2007, Ilhéus, cidade do Sul da Bahia, passava por um momento histórico bastante incomum: o povo saiu às ruas para exigir a renúncia do Prefeito, que implantou “um mar de lama” na máquina administrativa municipal. O que esse fato tem a ver com um grupo de teatro? É que no final de 2006, o Teatro Popular de Ilhéus estreou um espetáculo que ganhou os bairros, distritos,  espaços culturais, associações de moradores, Igrejas, terreiros de candomblé… Teodorico Majestade – as últimas horas de um Prefeito foi uma exigência do público que frequenta a Casa dos Artistas – sede do grupo e espaço cultural de grande importância para o movimento artístico da região. A montagem nasceu de uma necessidade urgente de dialogar com a sociedade sobre seu papel diante dos fatos que estampavam as primeiras páginas dos jornais.

Mas, para além do discurso político, do enfrentamento de problemas sociais o Teatro Popular de Ilhéus traz em seu Teodorico uma postura estética que privilegia a cultura popular em suas manifestações, ressaltando o protagonismo das comunidades afastadas do “Centro”, mas que formam os “outros centros”. E foi de bairro em bairro, de apresentações seguidas de debates sobre cidadania, que um movimento foi tomando conta das ruas, chegou à Câmara de Vereadores e inflamou uma cidade a dizer não à corrupção. E o Prefeito foi afastado.

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O DEUS DE JAILSON É O DIABO FANTASIADO DE ANJO

O vereador Jailson “Sarney” Nascimento só gosta de ser alisado pela imprensa. Ele só admite elogios e detesta críticas.

Quando presidia a câmara de vereadores (2009 a 2010), os veículos de comunicação que recebiam anúncios oficiais do legislativo, eram impedidos de tecer qualquer crítica a ele. Quem teve a coragem (a exemplo deste blog) foi retirado da lista.

Durante entrevista ao radialista Gil Gomes na manhã desta sexta-feira (13), Jailson, de maneira indireta e redundante, afirmou que este blog tem “uma coisa pessoal contra minha pessoa” e que não tem credibilidade.

Jailson é mais um político despreparado, que não sabe separar o público do pessoal. Este blog não conhece o cidadão Jailson Nascimento, pai, ex-taxista e administrador de fazendas. Nós conhecemos apenas o vereador e homem público. Nossas críticas em nenhum momento questionaram a pessoa, e sim, o político que é amigo e padrinho da enfermeira e ex-secretária de saúde, que deixou 8 milhões de reais em dívidas na secretaria de saúde de Ilhéus.

Criticamos a farra de passagens e aluguéis suspeitos na secretaria, tudo denunciado ao ministério público federal e constatado em auditorias do DENASUS e da SESAB.

Criticamos o presidente da câmara que teve suas contas rejeitadas pelo TCM, acusado de ter falsificado documentos, e informamos que o PSOL pediu o seu indiciamento no Ministério Público Estadual.

Divulgamos que a comissão sindicante responsável pela apuração de possíveis irregularidades no setor de transportes, da secretaria de saúde, chegou à conclusão que 90% das compras de peças para veículos eram efetuadas em lojas de parentes de Jailson.

Jailson é um pequeno ditador que gosta de ter a imprensa na mão. Quando não consegue, ao invés de usar do direito de resposta, prefere processar em série, na tentativa de calar pelo bolso. Até a finada lei de imprensa, derrubada pelo STF, ele tentou usar contra este modesto e corajoso blog.

Jailson acha que o Deus dele, apenas dele, vai iluminar a cabeça deste blogueiro, pra acabar com o suposto “mal” pregado contra sua pessoa.

Jailson! Não use o nome de Deus em vão! Nós conhecemos os efeitos nocivos da corrupção na vida do cidadão comum. Sabemos que o desvio do dinheiro público gera miséria e violência. Esse Deus que você invoca é o diabo fantasiado de anjo.

Se a sua natureza, nervosa e de pavio curto, não suporta o convívio com a imprensa livre e independente, recomendamos que saia da vida pública.

Ouça as chorumelas de Jailson no programa Alerta Geral.

 

 

OSAMA E OBAMA

Por Frei Betto

Estranho que a CIA, ao declarar que assassinou Osama Bin Laden, não tenha exibido o corpo, como fez à sobeja com outro “troféu de caça”: Ernesto Che Guevara.

Bin Laden saiu da vida para entrar na história. Até aí, nada de novo. A história, da qual poucos têm memória, está repleta de bandidos e terroristas, cujos nomes e feitos quase ninguém lembra. Os mais conhecidos são o rei Herodes; Torquemada, o grande inquisidor; a rainha Vitória, a maior traficante de drogas de todos os tempos, que promoveu, na China, a Guerra do Ópio; Hitler; o presidente Truman, que atirou bombas atômicas sobre as populações de Hiroshima e Nagasaki; e Stálin.

O perigo é que Osama passe da história ao mito, e de mito a mártir. Sua morte não deveria merecer mais do que uma nota nas páginas interiores dos jornais. No entanto, como os EUA são um país necrófilo, que se nutre de vítimas de suas guerras, Obama transforma Osama num ícone do mal, atiçando o imaginário de todos aqueles que, por alguma razão, odeiam o imperialismo estadunidense.

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O GOVERNO DO ESTADO E A GREVE NAS UNIVERSIDADES – A NOTA PAGA DO GOVERNO

Por Ruy Medeiros

A direita está exultante e satisfeita com o Governo Jacques Wagner: participa do Governo e procedimentos deste são aqueles recomendados por partidários do reacionarismo. No entanto, parte da direita diz o contrário daquilo que pensa, por evidente disputa de espaço na sociedade.

É o atual caso da greve nas universidades. O que o governo tem feito em relação à greve é exatamente o que os anteriores governadores faziam.

A introdução acima vem por conta do “informe publicitário” – e não passa disso – veiculado pelo Governo do Estado da Bahia em relação à greve de estudantes e professores das universidades baianas: UESB, UESC, UEFS e UNEB.

Ao invés da verdade, a nota do Governo publicada nos meios de comunicação de massa formalmente traz números, que lhe seriam favoráveis, mas não diz o que se encontra atrás desses, nem o que eles significam.

Vejamos:

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INTERPRETAÇÕES SOBRE A CENSURA E UM DESABAFO

O facão da censura e a bomba da liberdade.

O Blog do Gusmão agradece à direção do Sindicato dos Radialistas de Ilhéus por ter ficado calada, num silêncio omisso e conivente, na ocasião em que sofremos censura do judiciário. Entre este blog e a direção do sindicato há uma incompatibilidade. A diretoria do STERT vive à sombra do poder, abrigada na “casa” do poder, enquanto este blog é um veículo periférico, quase marginal, mas que se respeita. Sendo assim, o silêncio da cúpula do STERT nos ajudou.

Este humilde blog agradece também o silêncio covarde da Associação Brasileira de Imprensa (ABI/Sul da Bahia), que não emitiu sequer uma linha em defesa da liberdade de imprensa, na ocasião em que fomos amordaçados. Aliás, para que serve a ABI? Quando sua direção é mudada, no ato de posse, normalmente é realizada uma cerimônia na Academia de Letras de Ilhéus, “ilustrada” com palestras de vedetes do jornalismo, a exemplo de Samuel Celestino, acompanhadas de salgadinhos gordurosos.  Todos vão de terno (com naftalina), e fica só nisso. Muita pompa e pouca substância. Diante de tanta mediocridade, o silêncio nos fez bem.

Na imprensa grapiúna há muito estrelismo e pouca solidariedade. Por outro lado, o dinheiro de secretários que fazem mal à cidade, altera consideravelmente as pautas das precárias redações. Diante da censura, o silêncio dos microfones, a falta de tinta de alguns impressos e o desgaste de teclados que fazem sala aos poderosos, são providenciais, fazem bem aos políticos corruptos.

Este espaço não está cantando vitória. Apenas desabafa. O secretário Carlos Freitas, que nós chamamos de “imoralidade pública”, tem dinheiro fácil e farto para pagar advogados caros, dispostos a produzir processos repetitivos, e em série. Não ficaremos surpresos, caso outra censura apareça de repente, de outro juiz, ou quem sabe do mesmo. Entretanto, estaremos vigilantes, atentos aos prazos para buscar no Tribunal de Justiça da Bahia, a lucidez do judiciário. De forma alguma, ficaremos mudos e inertes com as decisões desfavoráveis da primeira instância.

Este blog respeita as leis, não tem medo de processos e está disposto a lutar, com todas as suas forças, contra a censura do judiciário.

SE VOCÊ QUEBRAR AS MINHAS PERNAS, EU VOU APRENDER A VOAR

No fundo reconheço-me como uma simplória na política, porque acreditava na ética de um Governo comandado por ex-sindicalista do Partido do Trabalhadores, que gosta de se vangloriar de ter sido um dia “vidraça”. Não me dei conta que, quem um dia foi telhado, adquiriu a enorme habilidade de se esconder e esquivar das pedradas.

Por Tânia Torreão Sá

Não sei ordenar nenhum discurso, senão, aquele que expõe o lugar de onde falo, e, por conta disso, fico me reiterando, reiterando, reiterando.

Talvez, aja assim, porque meu orixá é velho. Sou toda Nanã, sou toda ranzinza. Tão ranzinza que há pouco, batia o pé e insistia que o respeito à legalidade, praticada por nós docentes, desde o início desse movimento de greve unificada, seria suficiente para comover os nossos inimigos, a ponto de fazê-los retornar a mesa de negociação.

No fundo reconheço-me como uma simplória na política, porque acreditava na ética de um Governo comandado por ex-sindicalista do Partido do Trabalhadores, que gosta de se vangloriar de ter sido um dia “vidraça”. Não me dei conta que, quem um dia foi telhado, adquiriu a enorme habilidade de se esconder e esquivar das pedradas. Não me dei conta, também, que as figuras que estão hoje ao lado do novo Imperador de uma Bahia sem lei, não são mais educadores ou sequer proletários. Estão rendidos, petrificados pelo poder que o olhar da Medusa (o poder) desfere. Em nosso movimento, esses são aliens.

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BRONQUEADO COM O ESTILISTA DA POLÍCIA MILITAR

Por Gustavo Felicíssimo

A caminho do Principado Ilhéus, passando por uma antiga ponte, notei como o Cachoeira estava cheio neste outono chuvoso e de cores pálidas. O céu cinzento e o marrom das águas revolvidas contrastavam com a leveza do vôo de algumas garças, quando ao longe percebi uma policial militar fazendo o itinerário contrário ao meu. Em princípio, chamou-me a atenção o fato de ser uma jovem aparentemente muito bonita e de corpo atlético, provavelmente esculpido em alguma academia de ginástica, apesar dele, obviamente, estar encoberto por uma desinteressante farda marrom cocô.

À medida que nos aproximamos constatei que era mesmo muito bonita. Não pude deixar de notar seus olhos verdes e os cabelos loiros, estes devidamente escondidos sob uma boina de cor idêntica à farda. Ela falava ao telefone celular e sorria ostentando lábios tão belos que mais pareciam emoldurar seu sorriso, deixando à mostra um discreto aparelho ortodôntico. Encantado, cantarolei um trecho de Garota de Ipanema: Olha que coisa mais linda/ mais cheia de graça/ é ela menina/ que vem e que passa… Mas a garota nem percebeu.

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A DANÇA DA MORTE

Por Malu Fontes

Na semana em que as festas globalizadas em torno da Beatificação do Papa João Paulo II e do casamento real britânico ainda estavam com suas imagens frescas na retina dos telespectadores, eis que uma bomba sacode o mundo, extrapolando o impacto do ocidente rumo ao oriente e aos seus pedaços mais temidos pelas potências do mundo. O governo Barack Obama, finalmente, por volta da meia noite de domingo, deu cabo a uma caçada do seu país que já durava quase 10 anos: matou Osama Bin Laden, desarmado, segundo se anunciou, enfiando-lhe um tiro à queima-roupana cabeça,, e em um lugar improvável em se tratando do terrorista mais procurado do mundo. O satã contemporâneo do ocidente estava onde menos se esperava. No sacrossanto espaço do lar, ao lado de filho e mulher e a pouquíssimos metros de uma base militar no Paquistão, a quem os Estados Unidos vêm dando generosos nacos de dólares para combater o terrorismo.

Para quem se acostumou, na ultima década, a ouvir relatos associando Osama Bin Laden a montanhas longínquas e inabitáveis do Paquistão e a cavernas do Afeganistão, o desfecho da caçada foi meio anticlímax. Para além da execução em si do homem apontado como o arquiteto dos atentados de 11 de setembro (2011), um marco histórico que redefiniu os modos de se estar no mundo, o aspecto da cobertura telejornalística que mais chamou atenção, pelo inusitado do fato, foram as imagens da população dos Estados Unidos, de norte a sul do país, e sobretudo em Nova York e em Washington, dançando nas ruas, cantando, comemorando vestida e pintada com as cores da bandeira, a morte de Bin Laden. Há de se convir que não é coisa muito normal assistir na TV, e não sob a forma de ficção, mas de realidade, uma festa cívica no país mais poderoso do mundo para celebrar o assassinato de um único homem. Parecia a comemoração de uma vitória bélica sobre uma outra nação e não sobre um único indivíduo.

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A IMBECILIDADE SEM LIMITES

Por Gustavo Felicíssimo

No momento, infelizmente, a música baiana está impregnada tanto por imbecis quanto por uma mídia indulgente, comparsas no processo de insanidade e imbecilização do povo, irmanados que estão por laços sanguíneos indissociáveis.

 

Duplo sentido é uma figura de linguagem na qual uma frase ou expressão pode ser entendida de duas maneiras distintas, com a intenção de provocar humor ou ironia. Tal recurso há muito tempo vem sendo utilizado na música brasileira, em alguns momentos com grande maestria, como fez Chico Buarque durante a ditadura, desafiando a (des) inteligência da censura. Um bom exemplo é Apesar de você, uma canção de protesto com mensagens subliminares contra o presidente Médici.

É bem verdade que Chico enviou a letra ao órgão crente de que ela seria vetada, mas como foi liberada, lançou-se um compacto com Apesar de você de um lado e Desalento de outro. Em uma semana cem mil cópias foram vendidas e a música já era adotada como hino de resistência aos militares quando um jornal publicou uma nota dizendo que o “você”, na verdade, era o general Médici. A música foi proibida de ser executada e todos os compactos recolhidos e queimados.

Nos dias de hoje, talvez pela falta de um inimigo público declarado, apesar de tantos estarem por aí vestidos em pele de carneirinhos, esse tipo de letra está descambando (se já não descambou) para a pornografia e total exploração da alienação do povo.

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O SENADOR E O BÚLINGUE

Por Malu Fontes

Demorou, mas finalmente apareceu um senador com óleo de peroba o suficiente para dizer diante das câmeras de TV que os nobres parlamentares não suportam mais os sofrimentos que lhes são impingidos pela imprensa brasileira. Textualmente, e com pronúncia adaptada ao accent da boa Língua Portuguesa, não se sabe se por inabilidade verbal ou para agradar os puristas da Língua que vivem esperneando com o uso de termos em inglês na linguagem cotidiana e lhes surrupiar uns votinhos, o senador Roberto Requião, do Paraná, queixou-se na TV de que não aguenta mais o ‘búlingue’ (sic) que ele e seus colegas de vida política sofrem por parte da imprensa.

No início da semana, o senador, ao ser questionado por um repórter sobre as razões pelas quais, em nome da necessidade de redução dos gastos públicos no país, não abre mão da pensão vitalícia de R$ 24 mil que recebe por ter sido governador do Paraná, teve um ataque de fúria: perguntou ao jornalista se este estava pensando em apanhar, arrancou o gravador de suas mãos e levou para seu gabinete. Só o devolveu após apagar a gravação do chip. Numa estratégia meio enviesada de se fazer um novo jornalismo à moda do Senado, Requião postou todo o conteúdo da entrevista em seu site, fato que usou como argumento a seu favor. Disse que só tomou o gravador e apagou o conteúdo antes de devolver porque não confia nas versões da imprensa sobre suas falas e não queria que suas declarações fossem editadas e adulteradas. Contumaz em indelicadezas, Requião argumentou no dia seguinte que agiu assim porque perdeu a paciência com o bullying que sofre de uma imprensa que faz perguntas encomendadas: “Temos que acabar com o abuso, o búllingue (sic) que sofremos, não só eu, mas meus colegas e a sociedade brasileira, nas mãos de uma imprensa provocadora e irresponsável”. Isso não foi dito por um ator em um programa de humor, mas por um senador da República, com veiculação na edição de terça-feira do Jornal Nacional.

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INFORMAÇÃO PARA CONTRAPOR A MENTIRA

O clamor popular, historicamente, nem sempre está próximo da verdade. Basta analisar o resultado de muitas eleições e o desempenho dos eleitos. Essa afirmação não contesta a democracia, e sim, a aceitação de “projetos” a partir de propagandas mentirosas.

Pessoas que respeito sonham com a instalação de várias siderúrgicas em Ilhéus.

A falta de informação, somada à natureza de certas convicções (prisões), impede figuras inteligentes de enxergar a um passo à frente.

A lógica do “é necessário pra agora” permanece rígida diante de fatos inquestionáveis.

O modelo industrial convencional não é capaz de garantir o bem-estar das populações pelo mundo afora. O exemplo abaixo merece destaque.

“A siderurgia brasileira destruiu o Vale do Rio Doce. Para a recuperação de uma pequena parte, se estima que vai custar mais de 1 bilhão de dólares. Muitas das empresas que arruinaram o Rio Doce não existem mais, são de 80 anos atrás. Então, quem acaba pagando a conta é o cidadão comum”. Rubens Ricupero (clique aqui).

Um argumento como esse, normalmente se defronta com respostas tacanhas, do tipo “paisagem não enche barriga”. O problema é que a maioria das comunidades vítimas de problemas ambientais pensa diferente.

Neste caso, para romper as barreiras da ignorância, só resta um caminho. Levar informação às pessoas, a partir de exemplos muito próximos. Mostrar que o caminho proposto pelo governo do estado para o Sul da Bahia, guarda pelo país afora, casos diversos de muita destruição e impactos negativos ao meio ambiente, acompanhados da exploração de uma classe trabalhadora pouco qualificada (clique aqui).

As autoridades garantem que os projetos relacionados ao minério de ferro têm grande aceitação entre os grapiúnas, sobretudo os ilheenses.

O número grandioso de “equivocados” sugere ausência quase absoluta de informação honesta. Poucas são as pessoas dispostas a acabar com essa cortina de fumaça. Alguns abnegados, como este blog, insistem diante de surdos, e de uma ressonância insatisfatória, que esbarra no acesso restrito à internet e sua banda larga.

O clamor popular, historicamente, nem sempre está próximo da verdade. Basta analisar o resultado de muitas eleições e o desempenho dos eleitos. Essa afirmação não contesta a democracia, e sim, a aceitação de “projetos” a partir de propagandas mentirosas.

Os enganados carecem de boa informação. Lamentavelmente poucos falam a verdade simples, capaz de esclarecer.

DIA DO TRABALHO E O PARTIDO DA CONTRADIÇÃO

Por Frederico Cabala

Creio que o grande dilema enfrentado pelo segundo partido de maior força no Brasil, o Partido dos Trabalhadores, seja a ausência de um diálogo com seu passado, eufemismo que pode ser traduzido em incoerência e desrespeito com o próprio trajeto histórico.

O PT é filho das greves fabris e carrega no nome a causa trabalhista. Mas, como advertiu Chico Buarque, em A Banda: “para o meu desencanto o que era doce acabou”.

O Partido que outrora chamava atenção pelas paralisações generalizadas e pelo movimento sindical é o mesmo que, atualmente, corta salários e proíbe reivindicações quando professores de universidades estaduais legitimamente decidem se manifestar em face das determinações do governo.

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DEBATE SOBRE ECONOMIA CRIATIVA DO MINC

Por Fabrício Kc

Participei na terça, 26 de abril, do segundo encontro do Fórum de Políticas Culturais 2011, uma série de debates com gestores da atual gestão do Ministério da Cultura, realizada aqui em Salvador e promovida pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e pela Representação Regional do MinC na Bahia. A participação é aberta à comunidade. O Fórum acontece até novembro de 2011 e vai trazer a Salvador nomes como Antônio Grassi (presidente da Funarte), Sérgio Mamberti, Marcelo Dantas, além da própria ministra de Estado da Cultura, Ana Buarque de Hollanda.

O primeiro encontro trouxe a Secretária de Cidadania e Diversidade Cultural, Marta Porto. Ontem foi a vez de Cláudia Leitão, Secretária de Economia Criativa do MinC.

Cláudia Leitão fez uma explanação sobre conceitos, modelos e metas acerca da economia criativa, termo que designa e abrange todas as atividades de diversos setores e segmentos que movimentam as economias que se interrelacionam com o setor cultural. A secretária mostrou grande conhecimento conceitual e técnico, e mencionou tendências e experiências internacionais de políticas públicas culturais voltadas para a dinamização de economias sustentáveis.

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O CACAU DO SUL DA BAHIA

Por Paulo Paiva

O chocolate é um produto globalizado há bastante tempo, mas a sua história pouco reconhece a importância dos agricultores do sul da Bahia, e nós mesmos, ainda precisamos de muita conscientização para não desistirmos do cacau e de suas possibilidades. 

Temos grande mérito não apenas pelo que já fomos no seu mercado, mas pelo que devemos ser. Nós criamos o boon dessa lavoura com uma monocultura que nasceu ecológica, imitando a floresta. Depois, ela migrou para outras terras da Venezuela, Porto Príncipe, Equador, Gana, Nigéria, Indonesia, Malásia e Costa do Marfim. Mas em nenhum desses lugares o cacau agregou tanto valor para a ecologia e a biodiversidade como no sul da Bahia.

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