Carlos Drummond de Andrade
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE RECITA: PROCURA DA POESIA
“Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata”.
Procura da Poesia
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
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CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE RECITA: MORTE DO LEITEIRO
“Há no país uma legenda, que ladrão se mata com tiro.”
“No ladrilho já sereno escorre uma coisa espessa que é leite, sangue… não sei.”
Mais um grande poema de Carlos Drummond de Andrade que a Rádio Gusmão disponibiliza aos seus visitantes, recitado pelo próprio poeta.
Ouça e leia.
Duração: 3 minutos.
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Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.
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DRUMMOND: “OH! SEJAMOS PORNOGRÁFICOS”
O livro Brejo das Almas, publicado em 1934, do Itabirano Carlos Drummond de Andrade, não era considerado importante, dentre os melhores do poeta.
De uns tempos para cá, muitos estudiosos redobraram a atenção sobre a obra, passando a rediscuti-la e valorizá-la.
Este blogueiro, ousadamente, decidiu recitar “Em Face dos Últimos Acontecimentos”, poema notável, parte do livro. A gravação não ficou muito boa (feita no celular).
Se possível ouça e leia.
Em face dos últimos acontecimentos
Oh! sejamos pornográficos
(docemente pornográficos).
Por que seremos mais castos
Que o nosso avô português?
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CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE RECITA: CASO DO VESTIDO
Nesta gravação de 1978, da Philips, o “Itabirano” Carlos Drummond de Andrade recita o poema “Caso do Vestido”.
Mais uma preciosidade do Blog do Gusmão aos seus visitantes.









