Daniel Thame
A BAHIA NÃO PRECISA DE MÁRTIRES
Por Daniel Thame.
O assassinato do secretario de Economia Solidária de Camamu, Fabrício Matogrosso, exige uma posição rigorosa do governador Jaques Wagner no sentido de se promover uma apuração rápida e eficiente, que leve aos que atiraram e eventualmente aos que mandaram atirar.
Os cinco tiros que mataram Fabrício tem todas as características de um crime de mando, hipótese reforçada pela conhecida atuação dele em favor de assentados e agricultores familiares na região do Baixo Sul da Bahia; embora também se trabalhe com a possibilidade de uma reles briga de trânsito, o que torna o crime ainda mais tolo.
Uma atuação que certamente gerou descontentamento a muita gente, que ainda se julga nos tempos do coronelismo, da truculência e impunidade.
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FUNDAÇÃO NACIONAL DOS INSENSATOS
Por Daniel Thame.
A culpa pelo conflito entre supostos índios tupinambás e pequenos produtores rurais, que se instalou na região da Serra do Padeiro em Buerarema e ameaça se estender a áreas rurais de Ilhéus e Una pode ser debitada única e exclusivamente na FUNAI, a Fundação Nacional do Índio.
Que, no caso em questão, pode ser chamada da Fundação Nacional dos Insensatos.
A partir de um inacreditável relatório elaborado por técnicos da FUNAI, conferindo aos tupinambás uma extensa área de 35 mil hectares nos três municípios sulbaianos, o que era apenas reivindicação se transformou numa espécie de lei, pelo menos para os supostos índios;
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DEUS PERDOA. O TRÁFICO NÃO!
Por Daniel Thame.
Danilo Mota Silva, morador do bairro Jardim Primavera, na periferia de Itabuna, imaginou ter encontrado na religião o caminho de volta que muitos tentam e não conseguem encontrar.
Aos 19 anos, colocara um ponto final numa adolescência marcada pelo consumo de drogas, essa praga de dimensões bíblicas que mergulha tantas e tantas pessoas, a maioria jovens, num abismo profundo.
Danilo estava freqüentando uma igreja evangélica e recompondo o círculo de amizades. Seus planos incluíam um curso superior e um trabalho decente, além de constituir família.
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POLÍTICA TAMBÉM É CULTURA
Por Daniel Thame.
Um político que estava em plena campanha chegou a uma cidadezinha, subiu em um caixote e começou seu discurso:
- Compatriotas, companheiros, amigos! Nos encontramos aqui convocados, reunidos ou ajuntados para debater, tratar ou discutir um tópico, tema ou assunto, o qual é transcendente, importante ou de vida ou morte. O tópico, tema ou assunto que hoje nos convoca, reúne ou ajunta, é minha postulação, aspiração ou candidatura à Prefeitura deste Município.
De repente, uma pessoa do público pergunta:
- Escute aqui, por que o senhor utiliza sempre três palavras para dizer a mesma coisa?
PROCURADO
Por Daniel Thame.
A morte, especialmente a morte trágica, tem o dom de sepultar junto com o corpo físico os defeitos de algumas pessoas.
É como se a dor do instante final tivesse uma espécie de condão redentor, capaz de transformar em pó maldades e pecados cometidos em vida.
Esse não era -e pode-se afirmar aqui com absoluta certeza- de Eliane Almeida de Oliveira, a Liu.
Liu era essencialmente uma pessoa boa, batalhadora, que irradiava simpatia e que ajudava, sem esperar nada em troca, as pessoas que enfrentavam dificuldades.
Era, enfim, uma mulher a quem os parentes e amigos admiravam e sentiam-se felizes quando desfrutavam de sua presença.
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PAR PERFEITO
Por Daniel Thame.
Depois de dois relacionamentos mal sucedidos, Eliane Almeida de Oliveira era, enfim, o que se poderia chamar, sem o risco dos exageros da paixão, de uma mulher feliz.
Encontrara o amor de sua vida, o que nestes tempos conturbados, equivale a achar na rua um bilhete premiado de loteria.
Aos 42 anos, o caminho de Eliane, então funcionária da Santa Casa de Misericórdia de Itabuna e dona de uma empresa de telemensagens (dessas que abarcam de aniversários a casamentos, passando por formaturas, promoções no emprego e outras datas especiais), cruzou com o de Francisco Paulo Lins da Silva, o Chico, de 46 anos.
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UM REVÓLVER PARA A NOIVA
Por Daniel Thame.
Maria da Silva (nome fictício) tinha todos os motivos do mundo para estar feliz. Na terça-feira de sol, por volta das 8 horas da manhã, seguia tranqüila para o trabalho, num hospital no centro de Itabuna.
Mas não era o trabalho, ainda que um trabalho que ajuda a salvar vidas, que fazia de Maria uma mulher feliz.
Era a concretização de um sonho: o casamento, marcado para o dia seguinte, com aquele que Maria considera sua cara-metade, o seu par perfeito num mundo de tantas uniões imperfeitas.
Nesse misto de expectativa e divagação, Maria caminhava pelas ruas que dão acesso ao hospital.
RETRATO MAGNIFICO DE UMA CIVILIZAÇÃO
Por Daniel Thame.
A história da chamada Civilização Cacaueira, onde opulência e decadência não são apenas uma rima, envolve personagens e fatos que soariam inverossímeis até na ficção. Mas são incrivelmente reais.
Pouquíssimas regiões no planeta pularam da riqueza extrema para a pobreza franciscana em tão curto espaço de tempo, assistindo, impotente, ao ouro que tudo permitia se transformar no pó que nada valia.
O salto (no abismo) da riqueza para a pobreza, provocado pela vassoura-de-bruxa, que mudou radicalmente a vida de milhares de pessoas, dos mais ricos aos mais pobres, tornou-se uma espécie de tabu no Sul da Bahia, como algo a ser esquecido.
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DONA ZILDA, QUEM DIRIA, FOI MORRER/VIVER NO HAITI
Por Daniel Thame.
O Haiti, que ocupa metade da ilha de Hispaniola, no paradisíaco mar do Caribe, nasceu como nação há cerca de 200 anos, destinada a ser um exemplo para o mundo.
Uma república forjada na luta de escravos libertos, num tempo em que a escravidão, aberta ou disfarçada, ainda era regra no continente e que outras ilhas e ilhotas ao seu redor ainda penavam como colônias dos países da Europa, antes de serem submetidas a ditaduras brutais.
Dona Zilda Arns, uma catarinense de fala suave e de gestos comedidos, criada na parte rica do Brasil desigual, nasceu para servir, para ser a estrada que pavimenta o acesso de milhares, talvez milhões, de pessoas à inclusão social.
Uma mulher assentada na fé católica, mas que entendeu que a fé necessita estar aliada à ação para quem pretende fazer valer a mensagem de Deus. E que, lançadas as bases da Pastoral da Criança, desenvolveu um trabalho que atingiu todas as partes do Brasil e foi adotado em outros países do mundo.
O CACAU É UM SHOW. PARA ELES…
Por Daniel Thame.
O cacau, essa planta quase mítica que fincou raízes no Sul da Bahia, forjou uma civilização, fez brotar cidades com feições de metrópoles, gerou riquezas incalculáveis e nas últimas décadas foi abatido por uma doença terrível que atende pelo nome de vassoura-de-bruxa; virou enredo de escola de samba no carnaval de São Paulo.
Com o tema “o Cacau é Show”, durante cerca de uma hora, a história do cacau e a delícia que dele se produz, o chocolate, serão exibidos para todo o Brasil (o desfile é transmitido ao vivo para todo o Brasil), na música e nas coreografias da Escola de Samba Rosas de Ouro, uma das principais agremiações do carnaval paulista, daquelas que sempre entram na passarela para disputar o título.
A letra de autoria do carnavalesco Jorge Freitas, conta a história do cacau desde os maias e os astecas, quando foi considerado o manjar dos deuses, o fascínio que o chocolate despertou na nobreza européia e as delícias de um produto apontado como rei entre os presentes que traduzem o sentimento paixão.
A PENINSULA DO PARAÍSO
Por Daniel Thame.
A luz da lua cheia se estende sobre o mar, como um tapete dourado a dar boas vindas aos visitantes.
A licença poética faz todo o sentido para se referir à praia de Saquaira, um dos muitos recantos ao longo da Península de Maraú, que se tornou mais acessível a partir da inauguração da estrada que liga Itacaré a Camamu.
Agora, são “apenas” 40 quilômetros de estrada de terra, até atingir praias como Algodões, Taipu de Fora, Barra Grande e a já citada Saquaira.
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NEM PEDRAS NEM CANHÕES
Por Daniel Thame.
No mundo real, Golias sempre massacra Davi. Pela força econômica, pelo poderio bélico, pelo domínio tecnológico.
Com seus canhões de verdade e de simbologia.
Todos eles capazes de provocar destruição e/ou exclusão.
Entra ano, sai ano, as esperanças se renovam, mas os Golias continuam massacrando os Davis.
Todos eles capazes de provocar destruição e/ou exclusão.





















