EMÍLIO GUSMÃO

Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 36 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.

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EXPEDIENTE:

Layout:
Jamile Ocké
Sistema:
Marcelo Guerra
Fotografia:
Sandro Andrade

Desenvolvimento sustentável

CONVITE DO BISPO MAURO MONTAGNOLLI

Hoje (17), às 19h30m, no auditório da Catedral de São Sebastião, o Bispo de Ilhéus, Dom Mauro Montagnolli, promove encontro para falar sobre a Campanha da Fraternidade 2011, cujo tema é: Fraternidade e Vida no Planeta.

Todos estão convidados.

A REFLEXÃO DO DESENVOLVIMENTO

Por Paulo Paiva

O carnaval acabou, e desembocamos na quaresma, período de quarenta dias que antecedem aressureição de nosso senhor Jesus Cristo. É tempo de reflexão, e ela vem em boa hora, pois o país precisa refazer uma previsão de receitas superdimensionada para o progresso rápido, e o sul da Bahiaprecisa entender o maior pacote de promessas de sua história.

Boa hora que trás a Campanha da Fraternidade com o tema Fraternidade e a Vida do Planeta, uma reflexão que está no centro das questões do desenvolvimento nacional e regional.Se o sul da Bahia ficou tanto tempo esquecido, vivendo na “autônoma ditadura social do cacau”, ganhou do outro lado da moeda, uma inédita preservação de riquezas, tornou-se relíquia territorial, que agora vê-se redescoberta por gregos e troianos, e é colocada na trilha das ambições do progresso nacional. Assim vem atraindo todo tipo de investimentos, de industrias, tornou-se alvo de grandes especulações em todas as áreas, e podemos até dizer que o Sul da Bahia ”está virando moda”.

É justamente nessa hora de tantos olhos sobre nós, que devemos se conhecer e pensar nosso destino com a benção da reflexão sobre o desenvolvimento fraterno, e cuidadoso com o planeta . Reflexão que o Bispo Dom Mauro Montagnoli nos chama com encontro marcado no próximo domingo na Catedral de São Sebastião.De uma coisa já sabemos: o sul da Bahia está encontrando a porta de saida da crise economica com suas próprias pernas, e prova disso são os investimentos privados no comércio, habitação e rede hoteleira, os milhares de turistas, etc. Mas existem muitas ideias vindas de fora que precisamos entender, e não são apenas ideias, são também interesses que precisamos conhecer a fundo.

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CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2011

A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lança nesta quarta-feira (09) a nova Campanha da Fraternidade, que, em 2011, terá como tema “Fraternidade e Vida no Planeta”.  

O objetivo é incentivar discussões em torno das causas do aquecimento global e as atividades humanas, discutir o atual modelo energético do país, denunciar desmatamento e queimadas, debater o agronegócio e o atual modelo de desenvolvimento. A CNBB também pretende fazer alertas para o risco de escassez de água no mundo.

Esta é a 47ª edição da campanha, criada em 1964.

PROGRESSO

Compreensivelmente, parte da população local defende a construção do porto e da siderúrgica. O projeto trará desenvolvimento para a cidade e o entorno. Mas, antes de sonhar com os benefícios do progresso, aconselho os interessados a entrarem em contato com a Prefeitura do Rio de Janeiro.

Por Fernanda Torres

O MODELO em cera do casal de Australopithecus afarensis na savana ancestral da África faz parte da minha agenda obrigatória sempre que vou a Nova York. Ele está no National History Museum e foi criado a partir de pegadas perpetuadas na cinza vulcânica da planície de Laetoli, na Tanzânia, 3,6 milhões de anos atrás.

O par não está caçando ou fugindo; macho e fêmea passeiam abraçados, namoram enquanto contemplam o horizonte.

Na minha última visita, encontrei um jovem amigo assim que saí do museu. Ele andava interessado no estudo do cristianismo e, quando citei meus Australopithecus de estimação, o moço me cortou dizendo que não acreditava em Darwin. Uma barreira invisível se ergueu entre nós.

O belo rapaz defendia a tese de que não viemos dos macacos. O homem seria destinado a ser homem desde a sua criação e o triunfo da maldade humana seria a prova de que a evolução jamais existiu. “Não evoluímos”, dizia ele.

Eu argumentei que o julgamento moral não faz parte, a priori, da mãe natureza. A teoria da evolução não é promessa de uma linha reta em direção ao bem, ao bom e ao belo. Elefantes diminuem se privados de comida; teclados estapafúrdios, eternizados nos nossos computadores, foram desenhados justamente para ralentar o ritmo da digitação nas antigas máquinas de escrever que engastalhavam com toques rápidos. No fim, foi cada um para o seu lado sem dar crédito ao pensamento do outro.

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DEBATE SOBRE O PORTO SUL: AÇÃO ILHÉUS X COESO

A presidente da Associação Ação Ilhéus, Socorro Mendonça, através da internet, trava uma batalha de idéias contra Aldicemiro Duarte (Mirinho),  coordenador do COESO (Comitê de Entidades Sociais em Defesa dos Interesses de Ilhéus e Região), grupo que apóia a empresa Bahia Mineração.

Este blog, que em outras ocasiões defendeu idéias de Mirinho sobre outros assuntos, não pode deixar de admitir que Socorro deu um banho de informação e conhecimento no coordenador do COESO.

O artigo escrito por  Mirinho: “A miopia pede óculos. Ou… as forças ocultas e os interesses travestidos”, em defesa do Porto Sul, foi totalmente desconstruído, deixando evidente que o autor apelou para o senso comum e a desinformação.

Leia você mesmo e tire suas conclusões.

Mirinho

Propagam que o cacau e o turismo não podem conviver com o complexo logístico e as indústrias que ele irá atrair. Argumento míope e falso.

Socorro.

Míope é quem não enxerga riqueza na natureza que temos e quem afirma que a cacauicultura foi dizimada. Falso é quem desrespeita as gerações futuras mesmo sendo responsável por trazer ao mundo, alguns Seres Humanos, que comporão essa geração. Cacau será afetado diretamente pela Ferrovia passando pelas Fazendas e ainda com a monília sendo trazida pelos trilhos (você sabe o que é isso?). A ferrovia não ligará o Atlântico ao Pacífico? Estude um pouco sobre isso. Quanto ao Turismo, nenhum Porto que escoa Minério de Ferro foi apresentado ainda como sendo benchmarking de convivência com o Turismo. Aponte um no mundo! Conhecemos Portos que destroem vidas com doenças da poeira. Veja alguns vídeos com a realidade da qual falamos:

1 – http://www.youtube.com/watch?v=ScAn5zLWL7s

2 – http://www.youtube.com/watch?v=g9xODXqNqKw

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ÂNGELA VOLTOU ATRÁS

A deputada estadual Ângela Sousa voltou atrás. Agora ela também integra a comissão especial da Assembléia Legislativa, que vai discutir a implantação do Porto Sul. Ângela se negou a assinar o requerimento que criou a comissão. Com certeza, ela percebeu que abriria mão de bons holofotes. Por e-mail, a deputada enviou esta fotografia, auxiliada por um texto que não identifica os outros parlamentares. Seria mais interessante que tivesse enviado apenas a sua imagem.

POLÍTICOS PAULISTAS APÓIAM COMISSÃO DO PORTO SUL

Augusto Castro

O deputado estadual Augusto Castro (PSDB) recebeu apoio de políticos paulistas para criar uma comissão especial na assembléia legislativa, incumbida de discutir o projeto do Porto Sul.

Fábio Feldmann (PV-SP) soube do requerimento do baiano por meio da mídia e ficou interessado nos trabalhos (futuros) da Comissão.

Feldmann foi deputado federal e milita em defesa do meio ambiente desde os anos 70.

O deputado tucano também foi parabenizado por Bruno Covas (PSDB-SP), secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

EDITORIAL: ESSA LUTA NÃO É DE TODOS NÓS

O debate sobre o Porto Sul, protagonizado por quem o defende,  acontece à margem da lucidez, com discursos, textos e argumentos apaixonados, que escondem a verdade.


O jornalista Daniel Thame, profissional capaz de articular vocábulos com perfeição e arte, está desinformado, não sabe o que diz (clique aqui) quando de maneira apaixonada, defende o discurso do governador Jaques Wagner (o insensato timoneiro do complexo intermodal).

Ao classificar o Porto Sul como um empreendimento adequado ao desenvolvimento sustentável, Daniel ignora o conceito, demonstra não estar preparado para discutir o tema.

Estes são os princípios da sustentabilidade:

1- Integração entre conservação e desenvolvimento;

2- Satisfação das necessidades básicas humanas;

3- Alcance da equidade e justiça social;

4- Autodeterminação social e diversidade cultural;

5- Preservação ecológica.

Um parecer técnico emitido pelo IBAMA, em novembro de 2010, aponta falhas grotescas no projeto da empresa do Cazaquistão, camuflada com o nome BAMIN. Dentre elas, há uma constatação de que a área de 70 hectares, situada em Ponta da Tulha, onde a empresa deseja construir o  terminal privativo, é composta por Mata Atlântica, em estágios médio e avançado de regeneração.

De acordo com a lei 11.428/06, no artigo 14: A supressão de vegetação primária e secundária, do Bioma Mata Atlântica, no estágio avançado de regeneração, somente poderá ser autorizada em caso de utilidade pública.

O projeto da empresa do Cazaquistão não pode ser considerado sustentável, uma vez que não pretende conservar a Mata Atlântica, e sim, devastar 70 ha.

Não é de utilidade pública, já que pertence a um modelo econômico que privilegia a concentração de renda, através da mera exportação de uma commodity, riqueza que sairá do Brasil sem valor agregado.

Os dólares arrecadados com a extração do minério de ferro (da mina de Caetité) ficarão nas mãos de poucos, sendo assim, o projeto não promoverá equidade social. Sobre commodities e concentração de renda, vale a pena assistir a entrevista do editor da revista The Economist (clique aqui).

O nível de empregabilidade será baixo, pois na fase de operação do Porto, a empresa Cazaque afirma que vai gerar apenas 450 empregos. As redes de atacado: Makro, Atacadão, Maxxi e GBarbosa, juntas, vão gerar uma quantidade bem maior de vagas.

O relatório do IBAMA é contundente ao alertar sobre a expectativa ludibriosa que o projeto exerce na população: “por outro lado, a expectativa de geração de empregos vem influenciando, sobremaneira, o grau de aceitação do empreendimento por parte da população. Neste sentido, torna-se necessário que a população local seja informada sobre as reais possibilidades de contratação de mão de obra (quantitativo, qualificação necessária, duração da obra, postos temporários e permanentes, etc)”.

O debate sobre o Porto Sul, protagonizado por quem o defende,  acontece à margem da lucidez, com discursos, textos e argumentos apaixonados, que escondem a verdade.

O governador Jaques Wagner tem consciência de que se comprometeu com um projeto repleto de erros, ofensivo à legislação que ele mesmo ajudou a redigir (lei de proteção à mata atlântica).

É inadmissível que Jaques Wagner, uma liderança política consubstanciada na luta pela democracia, e no confronto direto  ao “carlismo”, e todo mal que ele representou, encaminhe este debate para o sensacionalismo.

Quais são as “forças ocultas” contrárias?

Ao invés de criar inimigos imaginários, não seria melhor explicar o projeto e expor todas as implicações que começam a surgir?

Por que a empresa do Cazaquistão e o governo do estado consideram a divulgação do parecer técnico do IBAMA, uma ação temerária?

Informações de interesse público que deveriam ser levadas à população, são encaradas como documentos ultra-secretos.

Manter as pessoas fora da discussão lúcida, através de apelos sensacionalistas, não é, e nunca será, um componente da “revolução democrática” que Jaques Wagner tanto apregoa.

Sobre Daniel Thame, merecedor do meu respeito, penso que não lhe é digno o título “desinformado útil”.

PORTO SUL, DEGRADAÇÃO AMBIENTAL E MISTIFICAÇÃO

Antes de eleger um porto como salvador da pátria, é preciso que assumamos a nossa responsabilidade em relação ao passado e, principalmente, frente ao futuro.


Por Fabrício Kc

Sobre o debate

Todos nós estamos de acordo sobre os fins, mas discordamos quanto aos meios.

Todos nós buscamos uma solução, mas não uma solução qualquer. Afinal, nosso país é uma potência rica mas cheia de pobreza, e nós somos pobres com ele. Num país com uma História como a nossa sempre haverá – em debates como esse – aproveitadores de todos os lados, cujas atitudes, por si só, poderiam explicar a atual conjuntura de nossa sociedade tão doente (incluindo aí tanto os falsos ambientalistas quanto os políticos e empresários irresponsáveis e corruptos). Dirijo-me, contudo, àqueles que querem debater com sinceridade – e estou convencido de que não somos poucos.

Particularmente, não sou favorável à construção do Porto Sul, considerando a forma como está proposto o projeto. Contudo, o meu intuito – antes de defender a minha posição que não pode estar isenta do risco de equívocos – é colaborar para a ampliação do debate.

Uma sociedade e uma região como a nossa – que quer e precisa renascer – não pode prescindir de uma preocupação elementar com a clareza e o discernimento. Aliás, as injustiças sociais (e, logo, ambientais) contra as quais nos levantamos, têm sua origem, muitas vezes, na falta de conhecimento, de ideias claras e de aprofundamento das discussões e reflexões que resultam em ações sustentáveis ou não e, não raro, irreversíveis.

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CAETANO VOLTA A CRITICAR O PORTO SUL

Coluna de Caetano Veloso publicada ontem (domingo/06) em O Globo.

Na Bahia faz-se força para evitar a construção do Porto Sul, com sua ferrovia e seu pátio de minérios. Sou pelo desenvolvimento e por Dilma, torço pela economia brasileira, mas amo demais a Mata Atlântica ao redor de Ilhéus.

Minha posição pessoal referente à questão dos direitos autorais é idêntica à que atribuí a Jorge Mautner no domingo passado: ninguém toca em nem um centavo dos meus direitos. Um amigo me escreveu da Bahia dizendo que eu usei Mautner como as Forças de Defesa de Israel usam escudos humanos palestinos. Claro que meu amigo anda em ambiente de esquerda: quando fala em escudos humanos palestinos não pensa sequer que extremistas muçulmanos possam fazer uso do expediente — tem que ser a força israelense. Mas talvez ele quisesse dizer que minha posição, que deveria estar lhe parecendo pró-internetetes, coincide com a direita. Bem, não dá para decifrar o que ou quem é esquerda ou direita nessa discussão complicada. O Creative Commons é tido como comunismo cibernético. Não é. Mas há um inglês, radical na mesma linha, que assim se caracteriza. E a complicação da discussão pode ser medida pelo fato de que outro amigo meu, também baiano, me escreveu e, parece que supondo que eu estou com os letristas mineiros e com o Aldir, acusa quem defende os direitos autorais contra a troca livre na internet de “neofobia”.

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LIXO RURAL RECICLADO EM ILHÉUS GERA EMPREGO E RENDA

Do A Região:

O reaproveitamento dos recursos materiais já existentes e a utilização da mão-de-obra local foram fundamentais para o sucesso do projeto de reciclagem implantado pela Prefeitura de Ilhéus desde o ano passado.

A iniciativa beneficia as comunidades de Inema e Pimenteira, na zona rural. Além de dar solução final adequada aos resíduos sólidos, o projeto vem mudando a realidade dos moradores, gerando emprego e renda para a população.

Com a necessidade de atender à crescente demanda de produção de lixo na zona rural, a secretaria municipal de Governo e Assuntos Estratégicos propôs a criação de um projeto que solucionasse o recolhimento e a destinação final do lixo.

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DESIGUALDADE E BEM-ESTAR

Desenvolvimento econômico a qualquer custo gera bem-estar? Riqueza significa bem-estar? Abaixo, eis um excelente texto para tirar algumas mentes das trevas, da enganação e do senso comum.

Por André Lara Resende, para o Valor.

1 – O crescimento sempre foi o objetivo da política econômica. A teoria associa o crescimento ao aumento da renda e ao aumento do bem-estar. Até muito recentemente, utilizar o crescimento como o objetivo primordial de uma economia bem administrada não merecia maiores explicações. O aumento da renda nacional estava de tal forma associado a uma vida melhor que não era preciso introduzir indicadores de bem-estar entre os objetivos da política econômica. Se a economia crescesse e a renda aumentasse, todos os demais indicadores de bem-estar acompanhariam. Tão alta era a correlação entre o crescimento e o aumento de bem-estar que não se perdia grande coisa ao simplificar a análise e definir o crescimento como o objetivo da política econômica. Como crescimento econômico é um conceito simples e as estatísticas da renda nacional estão disponíveis, é uma grande vantagem, tanto teórica como empírica, utilizar o crescimento como a variável-objetivo da teoria e da política econômica.

Diante da evidência de que o estrago da atividade econômica sobre o planeta se aproxima do limite do tolerável, a identificação do crescimento econômico com o aumento do bem-estar tornou-se obrigatoriamente questionável.

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O PORTO SUL E A INGLATERRA DO SÉCULO XIX

"O modelo de desenvolvimento da revolução industrial, típico da Inglaterra no século XIX, não deve ser encarado como um modelo a ser seguido pelos países que buscam o crescimento econômico. Cada país tem as suas características, peculiaridades e matrizes energéticas, muitas vezes capazes de gerar riqueza sem destruição". Francisco Teixeira (à esquerda), economista, prof Dr. da UFBA, durante o seminário “Estratégia de Desenvolvimento para o Sul da Bahia: realidade e vocações”, que ocorre hoje (10), na UESC.

ESTRATÉGIAS PARA O DESENVOLVIMENTO EM DISCUSSÃO NA UESC

A Rede Sul da Bahia Justa e Sustentável iniciou agora há pouco (08:30) na UESC, o seminário: “Estratégia de Desenvolvimento para o Sul da Bahia: realidade e vocações”. A primeira mesa redonda (já iniciada) discute o tema "o desenvolvimento dos territórios no baixo Sul e do litoral Sul da Bahia: a rota da sustentabilidade, perspectivas e vicissitudes", com os palestrantes: Amilcar Baiardi (UFRB), Francisco Teixeira (UFBA) e Márcio Cataia (UNICAMP). Mediador: Rui Rocha (UESC/IFV). Na imagem acima, da esquerda para a direita: o professor Rui Rocha, a vice-reitora Adélia Pinheiro e o professor Jorge Chiapetti.

SEMINÁRIO “ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO PARA O SUL DA BAHIA: REALIDADE E VOCAÇÕES”

A Rede Sul Bahia, mobilização de ONGs com o objetivo de apoiar e estimular iniciativas de desenvolvimento para o sul baiano, baseado na sustentabilidade, convida todos para participar do seminário “Estratégia de Desenvolvimento para o Sul da Bahia: realidade e vocações”.

O evento, que acontecerá amanhã (sexta-feira/ 10), a partir das 08:00 horas, na universidade estadual de Santa Cruz (UESC), em Ilhéus, visa estabelecer um debate a respeito de um projeto de desenvolvimento regional, social e econômico e sustentável para a região.

Abaixo, confira a programação.

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AMBIENTALISTAS EXPLICAM O “NÃO AO PORTO SUL”

Neste vídeo produzido pela Rede Sul da Bahia Justo e Sustentável, dirigido pelo jornalista e documentarista Paulo Paiva, representantes de organizações não governamentais explicam porque são contrários à construção do complexo intermodal, e do porto de exportação de minério de ferro da BAMIN.

Trata-se de um vídeo que faz um apelo à lucidez. Uma defesa veemente da sustentabilidade.

DILMA E A NATUREZA MERECEM DESCANSO

Por Rui Rocha.

A história é conhecida por todos: os ciclos do pau brasil e da cana de açúcar começaram na Capitania de Ilhéus, litoral Sul da Bahia. Depois vieram os desmatamentos para as pastagens, roçados de mandioca, a exploração do garimpo nos sertões, a extração de madeiras, a caça indiscriminada, tudo junto com a escravidão e depois o trabalho mal remunerado, que explicam muito do atual quadro social e ambiental no Brasil.Passaram-se alguns séculos e o país continuou atrasado em relação ao mundo ocidental, que marchou movido pela revolução científica e industrial. Nós fechamos o século XIX como um imenso produtor de matérias primas – café, cacau, borracha e cana de açúcar, com muita miséria e latifúndios pelo país. Assim, adotamos no século XX uma ordem imperativa de industrialização e urbanização acelerada. Crescemos durante décadas a taxas de 8 a 10 % ao ano, até 1980, feito somente conquistado pela China dos últimos anos.

Este fenômeno só ampliou em doses cavalares os nossos problemas sociais e ambientais, com o crescimento desordenado de cidades e a ocupação irregular de matas ciliares e encostas de morros. Riachos e rios converteram-se em esgotos a céu aberto, como o Tietê, em São Paulo, ou o Rio Vermelho, em Salvador. Favelas passaram a ser uma marca de todas as nossas cidades médias e grandes. Em algumas cidades maiores, a poluição atmosférica mata centenas de pessoas todos os anos. Os brasileiros, mesmo trabalhando mais do que muitos povos da terra, herdaram ambientes insalubres para viver, sem vida cultural e com escolas marcadas pela violência e pouco aprendizado. A Mata Atlântica, uma das maiores e mais ricas florestas tropicais do mundo, quase acabou.

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COSTA RICA: O MODELO IDEAL PARA O SUL DA BAHIA

Costa Rica.

Costa Rica, pequeno país da América Central, possui diversas semelhanças com o Sul da Bahia. São fatores em comum relacionados à natureza, extensão territorial e litorânea, clima e vegetação.

O pequeno país – com indicadores sociais bem melhores que os nossos – soube desenvolver-se economicamente, sem se distanciar da sustentabilidade (integração entre conservação e desenvolvimento; satisfação das necessidades básicas humanas; alcance da equidade e justiça social; autodeterminação social e diversidade cultural e preservação ecológica).

Rui Rocha, presidente do Instituto Floresta Viva e professor da UESC, esteve na Costa Rica, numa missão oficial apoiada pelo governo da Bahia e SEBRAE. Nessa entrevista, concedida ao radialista Gil Gomes (programa Alerta Geral, Rádio Santa Cruz), no dia 29 de outubro,  ele defende o modelo adotado na Costa Rica como a alternativa ideal para o Sul da Bahia.

Vale a pena ouvir.

REDE DE ONGS QUESTIONA LICENÇAS PARA O PORTO SUL

A Rede Sul Bahia, por meio do grupo ambientalista da Bahia (GAMBA), entregou ontem (sexta-feira/12) ao IBAMA uma lista de questionamentos sobre pontos não esclarecidos ou não analisados nas licenças prévias do complexo intermodal porto sul.

O primeiro pedido de esclarecimento refere-se à discussão territorial. Para Fernando Furriela, advogado das ONGs, há diversas falhas do ponto de vista técnico. O estudo apresentado pela própria secretaria do meio ambiente da Bahia confirma que a Ponta da Tulha, em Ilhéus, é a alternativa menos recomendada para a implantação de um terminal portuário, haja vista seu alto grau de conservação ambiental e sua total inserção em área de unidade de conservação (APA Lagoa Encantada e Rio Almada).

Furriela lembra que há ainda a necessidade de unificação dos licenciamentos ambientais. Hoje tanto a ferrovia leste-oeste (FIOL) quanto o terminal de uso privado (TUP) Ponta da Tulha encontram-se em processos distintos de licenciamento. O terceiro ponto é o esclarecimento sobre o projeto de construção de um porto privado, em benefício da empresa Bahia Mineração, em plena área de proteção ambiental (APA). Para o advogado, há conflito com o propósito da APA. “O próprio Prodetur e Plano Diretor da prefeitura de Ilhéus apontam a vocação turística e pesqueira da região, sem contar os inúmeros recifes de corais da região que serão afetados”, diz.

As ONGs solicitaram respostas aos questionamentos dentro de um prazo de 10 dias. Medidas judiciais cabíveis, como uma ação civil pública para suspender o processo de licença do complexo e respeito à constituição, já estão sendo avaliadas.

VISITA DE DILMA A ITACARÉ INCENTIVA ALERTA SOBRE PORTO SUL

Com informações de A Tarde Online.

Se Dilma Rousseff gostou do paraíso ecológico ao longo da estrada Ilhéus-Itacaré, sua escolha para o descanso pós eleitoral, e quiser voltar para curtir novas férias, precisa ficar atenta para o projeto de construção do Porto Sul na região.

Sonho do governo do Estado alimentado por financiamento do programa de aceleração do crescimento (PAC), cuja maternidade foi dada a Dilma por Lula, o novo porto de Ilhéus é considerado por moradores e empresários locais como uma intervenção de alto dano ambiental para o local que abriga Áreas de Proteção, extensa Mata Atlântica, lagoas com jacarés, lindas praias, desova de tartaruga e turismo intenso.

Os recursos naturais foram conferidos de perto pela presidente eleita, desde quarta-feira, quando chegou à mansão de alto luxo do empresáriopaulista João Paiva, localizada na Praia do Patizeiro, ao norte de Ilhéus e a 20 km de Itacaré. “Pronto, ela já conhece o lugar e espero que veja o absurdo que é instalar um porto aqui. Iria destruir toda essa harmonia ambiental”, comenta Mary Berbert de Castro, moradora local e militante da ONG ambientalista Ação Ilhéus. “Se Dilma gostou, deve querer voltar, por isso tem que impedir a construção do Porto Sul”, completa. Em Ilhéus, já existe o Porto do Malhado, em baixa capacidade de recepcionar grandes navios.

A instalação do novo porto no local também enfrenta resistência de proprietários de terras na região, a exemplo da família Marinho, controladora da Globo, e do presidente da Natura, Guilherme Leal, que concorreu como vice da candidata derrotada à Presidência Marina Silva.

O próprio João Paiva, dono da casa onde Dilma está, tinha intensão de construir um resort no lugar da mansão, mas desistiu após resistência da comunidade, que o convenceu da importância natural da região.

O FIM DAS BALEIAS?

Na atualidade existem apenas 300 baleias francas do atlântico norte e 99% das baleias azuis já foram eliminadas. Estes majestosos gigantes estão ameaçadas de extinção e seu caso está sendo usado como exemplo repetidamente. Mas na realidade, um terço de todas as formas de vida no planeta estão à beira da extinção.

O mundo natural está sendo esmagado pela atividade humana, poluição e exploração. Mas existe um plano para salvá-lo – um acordo mundial para criar, financiar e implementar áreas protegidas cobrindo 20% das nossas terras e mares até 2020. Agora mesmo, 193 governos estão reunidos no Japão para enfrentar esta crise. Clique aqui para assinar a petição que será entregue diretamente para a reunião, que terminará no sábado (30).

A avaaz é uma rede de campanhas globais de 5,6 milhões de pessoas que se mobiliza para garantir que os valores e visões da sociedade civil global influenciem questões políticas internacionais. (“Avaaz” significa “voz” e “canção” em várias línguas).

REDE DE ASSOCIAÇÕES DE SERRA GRANDE LANÇA MANIFESTO PELA SUSTENTABILIDADE

“Questionamo-nos por nossa responsabilidade diante daqueles que nos estão próximos e para com toda pessoa que surge à nossa frente. E hoje, especialmente, qual o cuidado que precisamos cultivar para preservar a vida ameaçada e garantir a vitalidade da mãe terra?”

Leonardo Boff

Este texto constitui uma reflexão analítica referente ao posicionamento estratégico dos governos estadual e federal com referência ao Pólo Intermodal Porto Sul na ocasião da visita à Universidade Estadual de Santa Cruz- UESC, no dia 09 de setembro de 2010.

A apresentação citada acima, realizada pelos Srs. Spengler e Benjamin, secretários de Meio Ambiente e Extraordinário de Indústria Naval e Portuária do Estado da Bahia, respectivamente, denota uma evidente mobilização do Estado em defesa do Projeto Porto Sul, não levando em consideração qualquer reflexão consciente sobre o momento histórico da humanidade, os novos paradigmas ambientais e os direitos humanos.

O Sr. Spengler, com 20 anos de experiência no setor do Meio Ambiente, falou de variáveis ambientais/realidade socioambiental, descentralização, maximização do desenvolvimento econômico, potenciação do desenvolvimento, apoio às atividades tradicionais, divulgação destas propostas na Copa do Mundo… Para nós, porém, ficou claro que a sua fala entusiasta defende, na verdade, um caminho dirigido ao desenvolvimento ilimitado, conceito ultrapassado e diametralmente oposto ao conceito original de SUSTENTABILIDADE.

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