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	<title>BLOG DO GUSMÃO :: Multimídias, polêmica e reflexão &#187; Ferreira Gullar</title>
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		<title>ENTREVISTA COM O POETA FERREIRA GULLAR: &#8220;O LULA É UM FARSANTE&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Jun 2010 19:26:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma Rousseff]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Entrevista do poeta Ferreira Gullar à Folha Ilustrada. Data 02/06/2010. Prestes a completar 80 anos, Ferreira Gullar prepara livro inédito de poesia Por Marco Rodrigo Almeida enviado especial a São Francisco Xavier. &#8220;Não me sinto com 80 anos. O calendário é que fala isso. Mas não tenho essa idade&#8221;, diz, sério, o poeta Ferreira Gullar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entrevista do poeta Ferreira Gullar à Folha Ilustrada. Data 02/06/2010.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Prestes a completar 80 anos, Ferreira Gullar prepara livro inédito de poesia</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por Marco Rodrigo Almeida enviado especial a São Francisco Xavier.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"></p>
<div id="attachment_15604" class="wp-caption aligncenter" style="width: 395px"><a href="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2010/06/Ferreira-Gullar.jpeg" rel="lightbox[15602]"><img class="size-full wp-image-15604 " title="Ferreira Gullar" src="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2010/06/Ferreira-Gullar.jpeg" alt="" width="385" height="272" /></a><p class="wp-caption-text">O poeta brasileiro Ferreira Gullar, que venceu a edição 2010 do prêmio Camões.</p></div>
<p>&#8220;Não me sinto com 80 anos. O calendário é que fala isso. Mas não tenho essa idade&#8221;, diz, sério, o poeta Ferreira Gullar quando o assunto é seu próximo aniversário, em 10 de setembro.</p>
<p></span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A tranquilidade associada à velhice, realmente, não se aplica a ele, como sabem os leitores de sua coluna na Ilustrada.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Gullar, que lança em setembro um livro inédito de poesia, &#8220;Em Alguma Parte Alguma&#8221;, preserva intacto há mais de 50 anos o espírito crítico que faz dele um dos principais, e mais controversos, pensadores do país.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No domingo, um dia antes de ganhar o Prêmio Camões, o principal da língua portuguesa, ele participou do Festival da Mantiqueira, em São Francisco Xavier.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Logo após o debate, recebeu a Folha.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na entrevista, fala sobre governo Lula, o comunismo, eleições presidenciais, criação poética, drogas e sexo.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Leia a íntegra:</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Folha &#8211; Por sua história política, muita gente estranha o senhor ser um dos principais críticos do Lula.</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ferreira Gullar &#8211; Não é que seja um crítico ferrenho, tento ser objetivo. Eu me preocupo com o futuro do meu país. O Lula é um farsante, não merece confiança. Não entendemos o que ele faz.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como abraçar o Ahmadinejad [presidente do Irã], de um regime que é uma ditadura teocrática, que realizou uma eleição fraudada. O povo protestou contra o resultado e o Lula disse que aquilo é choro de perdedor, como se fosse uma partida de futebol.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E o povo tá na rua, sendo reprimido, gente morrendo. Por que um presidente brasileiro vai dar apoio a um governo desse? Não entendo o interesse do Lula lá. Por que reatou relações com a Coreia do Norte? A Coreia é um regime atrasado, o povo morre de fome, muito atrasado. O povo com fome e o governo fazendo bombas. Não entendo o Lula. É um governo para enganar as pessoas.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><span id="more-15602"></span>O senhor já declarou admirar o presidente Barack Obama. O que achou quando ele disse que Lula é o &#8220;cara&#8221;?</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isso foi uma brincadeira. O fato de o Lula ser um operário que chegou aonde chegou desperta a simpatia das pessoas. Mas ele não quis dizer que o Lula é o &#8220;cara&#8221; do mundo. É uma bobagem, é provincianismo brasileiro ficar dando atenção a isso.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quero saber é do destino do país. Não quero saber de piada, mas o que vai acontecer com nossa democracia.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Outra grande bobagem é o Marco Aurélio Garcia [assessor da Presidência] querer impedir a exibição de filme americano na TV a cabo. Alguém tem que falar para ele que já estamos em 2010. É muito atraso.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">O senhor ainda se considera de esquerda?</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa coisa de direita e esquerda é bastante discutível. Quem é de esquerda hoje? O Lula é de esquerda? Não me faça rir. Eu nunca tive medo de pensar por mim mesmo. Não fico preso a uma verdade indiscutível.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Outro dia li na internet uns jornalistas falando que quem foi de esquerda e não é mais se vendeu. Parece o fundamentalismo islâmico. A verdade indiscutível, quem ficar contra é traidor.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Arrepende-se de ter sido filiado ao Partido Comunista na década de 1960?</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eu aprendi na minha luta política, no preço que paguei no exílio, a ter uma visão diferente do marxismo que não tenho medo de expressar. O marxismo foi uma atitude correta e digna diante do capitalismo selvagem do século 19. Surgiu como uma alternativa contra aquela coisa inaceitável. Mas a projeção da sociedade futura, com a ditadura do proletariado, é um sonho equivocado.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na minha experiência, durante a queda de Salvador Allende [(1908-1973) presidente chileno, deposto por um golpe militar], eu vi a extrema esquerda e o Partido Socialista de Allende trabalharem a favor do golpe, pensando que estavam sendo mais de esquerda do que todo mundo. Na verdade, colaboraram com a CIA para derrubar Allende.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O marxismo tem uma visão política generosa, mas equivocada</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">O senhor, então, também se equivocou?</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eu também cometi muitos erros na época [anos 60]. A fúria fundamentalista só conduz ao erro. Queria me sacrificar pelos interesses do país, mas não basta ter razão para estar certo.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tem que ter lucidez, resolver com a cabeça e com a inteligência.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando me convidaram para participar da luta armada, eu disse a eles: mas nós vamos derrotar sozinhos o Exército, a Marinha e a Aeronáutica?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tem que ter lucidez. Eu não vou chamar o Mike Tyson para lutar boxe comigo. Eu o chamo para discutir poesia, que aí ele tá ferrado.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">E quanto às eleições, quais são suas expectativas?</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Marina Silva é uma excelente pessoa, dá um conteúdo ético para a disputa eleitoral. É preciso alguém com a estatura dela, com a pureza dela num país onde a corrupção impera. Mas a chance de ela ganhar é pouca.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eu espero que a Dilma não ganhe. Se ganhar, nós corremos o risco de ter 20 anos de PT no governo, o que seria um desastre nacional.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Vai então votar no Serra?</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vou. Pelo que sei, ele fez um ótimo governo em São Paulo. Não conheço nenhuma acusação de que seja corrupto ou safado. Foi excelente ministro da Saúde. Se não votar nele, vou votar em quem?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Como definiria o novo livro?</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Todos os meu livros são diferentes. Neste ["Em Alguma Parte Alguma"] predomina uma certa relação entre ordem e desordem. Eu escrevi no limite da ordem, ou seja, no limite da desordem.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A maneira de fazer os poemas foi diferente, mais desordenada.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Comecei a escrever sem saber o que iria acontecer, sem planejar nada, sem preconceber. A poesia foi para mim uma grande aventura.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao contrário dos outros livros, em que os poemas já nasciam quase prontos, já que ficava sempre refletindo e elaborando antes de escrever. Já hoje começo sem saber o que vai acontecer.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tanto que o primeiro poema, que abre o livro, tem o nome &#8220;Fica o Não Dito por Dito&#8221;. Eu tô dizendo que, já que não posso dizer o que quero dizer, faz de conta que eu disse.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">E qual é a sensação quando o senhor encontra o verso?</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ah, dá muita felicidade. Os poetas têm mania de dizer que escrever poesia é um sofrimento. Pode ser pra eles, para mim é uma alegria.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;O Poema Sujo&#8221;, que escrevi no exílio, nasceu de um &#8220;transe&#8221;, um &#8220;barato&#8221; que durou por cinco meses. Sentia-me impelido a escrever.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">No final do &#8220;Poema Sujo&#8221; está um dos seus mais famosos versos, &#8220;a cidade está no homem/quase como a árvore voa/no pássaro que a deixa&#8221;.</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para você ver como a poesia é uma coisa totalmente sem lógica, certo dia eu acordei lembrando de uma frase que tinha lido do Hegel [filósofo alemão, (1870-1831)] citada por Lênin [líder soviético, (1870-1924)]: &#8220;na frase o ramo da árvore estão o universal e o particular&#8221;. Parei pra pensar: a árvore é o universal, é o todo, e o ramo é parte dela, então é o particular. Essa frase me fez escrever o final do &#8220;Poema Sujo&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eu posso arrancar o ramo da árvore, mas a árvore continua nele. Como São Luís, no Maranhão, está em mim mesmo quando estava em Buenos Aires. Aí entrei no &#8220;barato&#8221;. Quando é que o Hegel imaginou que a frase dele ia fazer um poeta brasileiro terminar um poema escrito em Buenos Aires? (risos)</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">O senhor fala em &#8220;transe&#8221;, &#8220;barato&#8221;, sensações geralmente associadas às drogas. Já experimentou alguma?</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma vez, quando tinha 15 anos, um amigo me chamou para fumar uma diamba, que é como chamam a maconha em São Luís. Dei uma tragada e senti um gosto de mato velho. Achei uma porcaria, nunca mais experimentei.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tem gente que compara o estado de criação com o &#8220;transe&#8221; da droga</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É bobagem dizer que as drogas ajudam na criação. Ela é outro tipo de &#8220;transe&#8221;, que requer lucidez. Sem isso é impossível criar.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Durante a criação, você está, por um lado, livre da lógica rudimentar e, ao mesmo tempo, muito lúcido. Você está altamente emocionado, mas tem uma outra lucidez, que não é a da lógica pura e simples.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A lucidez costuma ser também um remédio contra o sofrimento em muitos de seus poemas, como &#8220;A Alegria&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando escrevi esse poema estava no máximo do sofrimento, exilado em Buenos Aires. Não sabia o que fazer da minha vida. Comecei a valorizar o sofrimento. Pensei: &#8216;&#8221;sou um herói do sofrimento, um novo Cristo?&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas quando você está numa situação sem saída, resta sempre a poesia. Aí escrevi: &#8220;O sofrimento não tem nenhum valor&#8221;. Não quero saber do sofrimento, quero é felicidade. Não gosto de fazer lamúrias. Detesto o passado.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma vez, discuti feio com a Cláudia [Ahimsa, companheira de Gullar há 15 anos]. Fiquei sozinho em casa, cheio de razão e triste pra cacete. Então, pra que querer ter sempre razão? Não quero ter razão, quero é ser feliz.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Como é iniciar um relacionamento depois dos 60 anos?</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não tem muita diferença não, do ponto de vista de relacionamento em si. Você se apaixona e começa um romance. Eu tinha 64 no inicio e ela tinha 30 anos. Relacionamento é interesse um pelo outro. Hoje sou uma pessoa mais tolerante, mais reflexiva, tento compreender melhor o outro. Tento não me achar o dono da verdade. Já me enganei tantas vezes na vida que posso estar enganado de novo.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">E como fica a relação sexual durante a fase de maturidade?</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">[Risos] Eu acho que você se torna mais refinado, menos vulgar. Acho sexo uma coisa maravilhosa, mas não fico pensando muito nisso. Penso mais sobre arte, política. Sexo eu não penso, eu faço.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas também não acho que seja o mais importante da vida, que o cara tenha que comer 300 mulheres. Legal é ter afeto, ter carinho.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">O senhor falou sobre vulgaridade. Acha que o mundo está mais vulgar?</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Acho que sim. A vulgaridade tomou conta das coisas. As pessoas devem achar que é um escândalo o que falo. Devem achar que estou velho e tal.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas essa ideia de que ir contra o que é tradicional é bom é uma besteira. Olhe a própria arte contemporânea. Quer ser diferente de tudo, não respeita norma nenhuma. Mas a vida é inventada, cara. Se não houvesse norma a civilização não existiria. É só isso.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um quadro do Monet, do Picasso, é uma coisa elaborada, um produto que vem de quadros anteriores. O significado está na linguagem, se acabar com a linguagem não tem significado.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Hoje tem gente que pensa que o século 19 era atrasado porque as mulheres se vestiam da cabeça aos pés, não mostravam nenhuma parte do corpo. Hoje a mulher está de fio dental mostrando a bunda na praia. Isso é ser mais avançado do que ser elegante? Hoje é mais avançado mostrar a bunda? Para mim isso é mais primário, mais escroto. Perde todo o mistério da mulher. É muito mais legal, rico, sensual, erótico e poético se comover com o pé da moça.</span></h4>
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		<title>FERREIRA GULLAR RECITA: NOTÍCIA DA MORTE DE ALBERTO DA SILVA</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Jan 2010 20:16:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Ferreira Gullar]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Rádio Gusmão]]></category>

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		<description><![CDATA[Na Bienal de Cultura promovida pela UNE, em 2001, no Rio de Janeiro, presenciei o poeta Ferreira Gullar dando uma sonora bronca no presidente da UNE, Wadson Ribeiro, que numa sessão onde se debatia a formação dos CUCAS (centros universitários de cultura e arte), pregou a &#8220;instrumentalização&#8221; da arte como um mecanismo para viabilizar o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a href="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2010/01/ferreira_gullar.jpg" rel="lightbox[9269]"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9270" style="border: 1px solid black; margin: 10px;" title="ferreira_gullar" src="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2010/01/ferreira_gullar-150x150.jpg" alt="" width="105" height="105" /></a>Na Bienal de Cultura promovida pela UNE, em 2001, no Rio de Janeiro, presenciei o poeta Ferreira Gullar dando uma sonora bronca no presidente da UNE, Wadson Ribeiro, que numa sessão onde se debatia a formação dos CUCAS (centros universitários de cultura e arte), pregou a &#8220;instrumentalização&#8221; da arte como um mecanismo para viabilizar o engajamento político dos jovens.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Chateado, o poeta considerou mais ou menos assim: Que papo é esse? Instrumentalizar a arte? Por acaso estamos falando de um objeto? Não estou entendendo nada! Do que vocês estão falando realmente?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta gravação foi realizada em 1979, extraída do CD Antologia Poética, de Ferreira Gullar.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ouça o poema &#8220;Notícia da Morte de Alberto da Silva&#8221;, recitado por seu autor.<br />
</span></h4>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="400" height="30" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.humyo.com/E/9691173-2562375561" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="400" height="30" src="http://www.humyo.com/E/9691173-2562375561"></embed></object></p>
<h4><span style="color: #000000;">Eis aqui o morto<br />
chegado a bom porto</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Eis aqui o morto<br />
como um rei deposto</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Eis aqui o morto<br />
com seu terno curto</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Eis aqui o morto<br />
com seu corpo duro</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Eis aqui o morto<br />
enfim no seguro</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;"><span id="more-9269"></span>II</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">De barba feita, cabelo penteado<br />
jamais esteve tão bem arrumado</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">De camisa nova, gravata borboleta<br />
parece até que vai para uma festa</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">No rosto calmo, um leve sorriso<br />
nem parece aquele mais-morto-que-vivo</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Imóvel e rijo assim como o vês<br />
parece que nunca esteve tão feliz</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">III</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Morava no Méier desde menino<br />
Seu grande sonho era tocar violino</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Fez o curso primário numa escola pública<br />
quanto ao secundário resta muita dúvida</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Aos treze anos já estava empregado<br />
num escritório da rua do Senado</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Quando o pai morreu criou os irmãos<br />
Sempre foi um homem de bom coração</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Começou contínuo e acabou funcionário<br />
Sempre eficiente e cumpridor do horário</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Gostou de Nezinha, de cabelos longos,<br />
que um dia sumiu com um tal de Raimundo</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Gostou de Esmeralda uma de olhos pretos<br />
Ela nunca soube desse amor secreto</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Endoidou de fato por Laura Marlene<br />
que dormiu com todos menos com ele</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Casou com Luísa, que morava longe,<br />
não tinha olhos pretos nem cabelos longos</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Apesar de tudo, foi bom pai de família<br />
sua casa tinha uma boa mobília</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Conversava pouco mas foi bom marido<br />
Comprou televisão e um rádio transístor</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Não foi carinhoso com a mulher e a filha<br />
mas deixou para elas um seguro de vida</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Morreu de repente ao chegar em casa<br />
ainda com o terno puído que usava</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Não saiu notícia em jornal algum<br />
Foi apenas a morte de um homem comum</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">E porque ninguém noticiou o fato<br />
Fazemos aqui este breve relato</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">IV</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Não foi nada de mais, claro, o que aconteceu:<br />
apenas um homem, igual aos outros, que morreu</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Que nos importa agora se quando menino<br />
O seu grande sonho foi tocar violino?</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Que nos importa agora quando o vamos enterrar<br />
se ele não teve sequer tempo de namorar?</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Que nos importa agora quando tudo está findo<br />
se um dia ele achou que o mar estava lindo?</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Que nos importa agora se algum dia ele quis<br />
Conhecer Nova York, Londres ou Paris?</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Que nos importa agora se na mente confusa<br />
ele às vezes pensava que a vida era injusta?</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Agora está completo, já nada lhe falta:<br />
nem Paris nem Londres nem os olhos de Esmeralda</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">V</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Mas é preciso dizer que ele foi como um fio<br />
d’água que não chegou a ser rio</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Refletiu no seu curso o laranjal dourado<br />
sem que nada desse ouro lhe fosse dado</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Refletiu na sua pele o céu azul de outubro<br />
e as esplendentes ruínas do crepúsculo</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">E agora, quando se vai perder no mar imenso,<br />
tudo isso, nele, virou rigidez e silêncio:</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">toda palavra dita, toda palavra ouvida<br />
todo riso adiado ou esperança escondida</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">toda fúria guardada, todo gesto detido<br />
o orgulho humilhado, o carinho contido</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">o violino sonhado, as nuvens, a espuma<br />
das nebulosas, a bomba nuclear<br />
agora nele são coisa alguma</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">VI</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Mas no fim do relato é preciso dizer<br />
que esse morto não teve tempo de viver</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Na verdade vendeu-se, não como Fausto, ao Cão:<br />
vendeu sua vida aos seus irmãos</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Na verdade vendeu-a, não como Fausto, a prazo:<br />
vendeu-a à vista, ou melhor, deu-a adiantado</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Na verdade vendeu-a, não como Fausto, caro:<br />
vendeu-a barato e, mais, não lhe pagaram</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">VII</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Enfim este é o morto<br />
agora homem completo:<br />
só carne e esqueleto</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Enfim este é o morto<br />
totalmente presente:<br />
unha, cabelo, dente</span></h4>
<h4><span style="color: #000000;">Enfim este é o morto:<br />
um anônimo brasileiro<br />
do Rio de Janeiro<br />
de quem nesta oportunidade<br />
damos notícia à cidade.</span></h4>
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