história
O BLOG DO GUSMÃO NÃO ESQUECE: EM 2004, JOSIAS CONVENCEU ROLAND A DESISTIR DA PREFEITURA
A dinâmica da política é capaz de fabricar heróis, antes tidos como vilões.
O médico Roland Lavigne (ex-parlamentar) hoje ataca o deputado federal Josias Gomes (PT), acusando-o de morrer de amores pelo ex-prefeito Jabes Ribeiro.
Em 2004, quando foi candidato a prefeito pelo PSDB, Roland desistiu da candidatura, defendida por uma frente ampla de partidos (PPS, PSDB, PTB, PMN e outros que a memória não recorda).
Faltando 30 dias para a eleição, Roland foi convencido por Josias a desistir da candidatura e apoiar o concorrente do PT, Ruy Carvalho.
Os candidatos a vereador ficaram revoltados com Roland. A presidente do seu partido, Rubia Carvalho, e o falecido vereador, Marcos Paiva, disseram horrores dele. Muitos preferiram Valderico Reis (vitorioso no final) do que o PT.
Até hoje, não se sabe por que Roland abriu mão da disputa. Os motivos reais viraram um segredo indesvendável da história política.
ILHÉUS: A MESMA AGENDA DESDE 1954
O texto abaixo foi publicado no antigo jornal Diário da Tarde em 21 de dezembro de 1954. Observe que os anseios e problemas de Ilhéus, da época, se encaixam perfeitamente na agenda atual da cidade.
Contribuição de Elizabeth Cerqueira Lima via Maria do Socorro Mendonça.
“Cacau Society
A cidade de Ilhéus, dia a dia vem apresentando em suas ruas mais centrais fisionomias novas de pedintes que se transladam para cá na esperança de encontrarem melhores dias.
O espetáculo da mendicância nas ruas além de desagradável é a prova evidente da miséria que caminha ao nosso lado. Concluindo-se que enquanto há miséria não há civilização perfeita, é mister que todos aqueles que possam viver em foros de gente civilizada, antes de mais nada procurem resolver com a sua parcela o problema dos esmoleres, dos famintos ou daqueles que se arrastam pelo chão.
Se cada cidade cuidar dos seus mendigos a mendicância fatalmente desaparecerá; e Ilhéus, que muito tem falado, mas nada a respeito tem feito, ao lado de seus problemas mais premente, como o do porto, ou da ponte, deve enfrentar com maior razão o problema da mendicância, oferecendo proteção aos mendigos que aqui estão, evitando que numa terra tão rica exista gente tão pobre”.
Confira a nota publicada no Diário da Tarde.
ONDE NASCEU JORGE AMADO?
Por Isaac Albagli
Encarregado de preencher as “fichas” da Academia de Letras de Ilhéus criada em 1958, o seu primeiro secretário, jovem advogado Francolino Neto, aguardou quatro anos para, pessoalmente, colher os dados do acadêmico Jorge Amado. De caneta em punho e após preencher o nome, endereço e filiação do romancista, à época já famoso, fez a pergunta: “Local de nascimento?”. “Pergunte ao meu pai…” - se esquivou Jorge Amado. Na sua carteira de identidade constava a cidade de Itabuna como local do nascimento, mas no fundo ele sabia que havia uma polêmica tanto familiar como “de ordem pública”. Francolino Neto não se fez de rogado e foi até Itajuípe para se encontrar com o fazendeiro João Amado, pai do escritor. O Coronel João não vinha a Ilhéus há muito tempo, pois tinha pavor a vergalho de boi… Diziam as más línguas que o coronel se engraçou com uma mulher casada e acabou tomando uma surra de vergalho de boi. Mas voltemos ao encontro de Dr. Francolino com o Coronel João Amado. Encontraram-se na firma compradora de cacau Wildberg & Cia. e o secretário da Academia foi direto ao assunto. O Coronel João Amado disse então a Francolino: “Jorge nasceu na Fazenda Auricídia que ficava na zona do Repartimento no limite entre os municípios de Itabuna e Itajuípe.”
A maior parte da fazenda pertencia em 1912, ano do nascimento de Jorge, a Itabuna, antiga Tabocas que em 1910 tinha se emancipado de Ilhéus. Mais precisamente no distrito de Ferradas, na época próspero entroncamento de tropeiros. A outra parte da fazenda pertencia ao 7º Distrito de Ilhéus, denominado de Pirangí, mais tarde emancipado e que originou o município de Itajuípe. Dr. Francolino, rápido no raciocínio fez então a pergunta fatal. “E de que lado ficava a sede da fazenda?” João Amado não titubeou: “Ficava em Pirangí”. Francolino deu uma risadinha marota e tascou na “ficha” de Jorge Amado – Local de Nascimento: Ilhéus, Bahia, Brasil. A Lei 807 de 28 de julho de 1910, que criou o município de Itabuna, sancionada pelo então governador Araújo Pinho, não era muito precisa nas indicações dos limites territoriais, principalmente quando não existiam rios ou ribeirões para delimitação com maior precisão.
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HOMENAGEM AOS 100 ANOS DE CARLOS MARIGHELLA
“Os que assumem a grave responsabilidade de combater pelo interesse de todos tornam-se símbolos e constituem patrimônio coletivo. Carlos Marighella deu a vida pelos oprimidos, os excluídos, os sedentos de justiça. Ao fazê-lo, transcendeu a sua própria opção partidária e se projetou na posteridade como voz dos que não se conformam com a iniqüidade social”.
Antonio Candido.
Hoje, dia 05 de dezembro de 2011, a história nos lembra os 100 anos de um verdadeiro herói do povo brasileiro, assassinado no dia 04 de novembro 1969. Um homem e “mulato baiano”, indignado, inquieto, que escreveu: “É preciso não ter medo, é preciso ter a coragem de dizer”.
Carlos Marighella dedicou toda a sua vida ao combate à injustiça social. É certo que tenha cometido erros, como qualquer ser humano, porém, nunca perdeu a coerência de herói. Ao saber das atrocidades cometidas por Stalin (seu ídolo e referência obrigatória aos comunistas), após a divulgação do relatório Krushev em 1956, chorou copiosamente de decepção e constrangimento.
Vivemos uma época em que as lutas pelas causas coletivas estão cedendo lugar aos interesses pessoais. Ler sobre a vida de Marighella nos possibilita uma reflexão profunda, que vai de encontro a esta tendência.
Abaixo, texto do site www.carlos.marighella.nom.br.
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O BLOG DO GUSMÃO NÃO ESQUECE: “JABES TROUXE INÚMEROS PREJUÍZOS PARA ILHÉUS”
“Se o governo Newton tem enfrentado dificuldades elas foram decorrentes da má administração de Jabes, que trouxe inúmeros prejuízos para Ilhéus. Hoje estamos apenas consertando os desmandos deixados por ele”
Palavras do vereador Alcides Kruschewsky (PSB), ao JBO, em junho desse ano, sobre a gestão do ex-prefeito Jabes Ribeiro. Hoje, o parlamentar constrói uma aliança com JR, o favorito. As conversas entre ambos são frequentes.
A MORTE DO PRESIDENTE ITAMAR, OS 80 ANOS DE FHC E A IMPRENSA
Por Emílio Gusmão
O primeiro presidente a despertar a atenção deste blogueiro, quando menino, foi o general João Figueiredo (1979 a 1985), derradeiro do regime militar. Encerrou seu período com todo o peso do fracasso da ditadura em suas costas.
Com José Sarney (1985 a 1990), o primeiro presidente civil após 21 anos dos milicos, não foi muito diferente. Deixou o Palácio do Planalto certo de ser fragorosamente vaiado, após descer a rampa. O contentamento de vê-lo deixar o poder sufocou os gritos de um final ainda mais melancólico.
Fernando Collor (1990 a 1992) colocou a democracia em risco. Fracasso econômico, confisco nas contas bancárias, falência do cinema nacional (fim da Embrafilme), redução do poder aquisitivo dos aposentados (negou o reajuste de 147%), impeachment e por pouco suicídio (Brizola o aconselhou a não seguir o exemplo de Vargas).
Este blogueiro sempre foi um admirador de Leonel Brizola, um nacionalista-trabalhista, maior construtor de escolas da nossa história. Também fui petista, e assim como muitos, acreditava piamente no Plano Real como um golpe para vencer as eleições de 1994. A teoria conspiratória, formulada por Brizola, recebeu a aceitação dos trabalhadores. Vale lembrar a chapa Lula (presidente), Brizola (vice) nas eleições daquele ano.
A história provou o contrário. Hoje é possível analisá-la sem a cegueira partidária e ideológica.
Itamar Franco foi o primeiro presidente, visto por este blogueiro, a deixar o governo com alto índice de aprovação (83%). Lembro que ao tomar posse, fez questão de apresentar diante da imprensa, a sua declaração de bens (outros também o fizeram, mas de maneira protocolar). Determinou ao ministro da previdência, Antônio Brito, o pagamento imediato do reajuste de 147% aos aposentados, negado pelo antecessor.
Itamar criou todas as condições políticas para a implementação do Plano Real. Depois da nomeação de FHC como ministro da fazenda, consciente do acerto, costumava dizer: “eu acredito mais em Fernando Henrique, do que ele em si”.
Em 1993, deu o aval para que FHC (não tem formação em economia) reunisse a equipe de “economistas modernos” para a formulação do Plano Real. Itamar decretou o fim da hiperinflação.
Em novembro de 1993, afastou o amigo de muitos anos e homem de confiança, Henrique Hargreaves, então ministro chefe da casa civil, denunciado na CPI do orçamento, por ter desviado dinheiro público. Provada a inocência, o reconduziu à função.
Devolveu a área da antiga sede da UNE, no Rio de Janeiro, aos estudantes, e comemorou a decisão tomando chope com a direção da entidade, no Lamas (choperia carioca).
Teve condições de aprovar no congresso a emenda da reeleição. Sempre foi contra e manteve a coerência. FHC também era, mas na presidência trabalhou pela aprovação e conseguiu (na época surgiram denúncias sobre compras de votos).
Em 1998, após rejeitar convites de outros partidos, Itamar tentou ser candidato a presidente pelo PMDB (o único que poderia impedir a reeleição de FHC). Os fisiológicos do partido conseguiram atraí-lo, e depois numa convenção suja, desrespeitosa e com momentos de humilhação, lhe aplicaram uma rasteira. O resultado foi comemorado no Palácio do Planalto. FHC, Michel Temer, Jader Barbalho e José Sarney posaram de mãos dadas.
Solteiro, aproveitou muitas oportunidades. Não era adepto do falso moralismo.
No último mês (junho) muitos setores da imprensa comemoraram junto com o PSDB, os oitenta anos de FHC, reverenciado como o “Pai do Real”. A morte do presidente Itamar e sua repercussão, bem como a análise do seu legado político, feita por alguns historiadores nos canais de TV, restauram a verdade e o reconhecimento que lhe é merecido.
Sua morte deixa uma lacuna. Entretanto, propiciou a grande parte da imprensa, desviar a memória do ninho tucano, e refletir sobre o papel do verdadeiro autor político do Plano Real.
ILHÉUS 130 ANOS DE CIDADE: O MARQUÊS DE PARANAGUÁ SÓ FEZ ASSINAR
Na tarde desta terça-feira (28), o Blog do Gusmão teve o prazer de entrevistar, por telefone, o professor e historiador Arléo Barbosa. O assunto principal foi a história do cenário político ilheense, há 130 anos, que propiciou a elevação da vila de São Jorge dos Ilhéus à categoria de cidade.
Arléo falou sobre a importância da cacauicultura e das principais personalidades políticas da época, dentre elas o Marques de Paranaguá, figura bastante homenageada, nome do principal calçadão e do prédio histórico onde funciona a prefeitura.
Em tempos de péssima administração, fizemos uma pergunta difícil, pedimos ao historiador que identificasse o melhor prefeito da história de Ilhéus. Os dias atuais também foram analisados.
Ouça a entrevista.
NEWTON LIMA NÃO CUIDA DO PALÁCIO

Os prédios antigos de Ilhéus emitem sinais nítidos de abandono e falta de zelo. Até mesmo o suntuoso Palácio Paranaguá, sede da prefeitura e símbolo da opulência que caracterizou a cidade nos bons tempos, começa a apresentar indícios de ruínas. O sempre atento Correia Neles, blogueiro que não para de fiscalizar as ações do governo municipal, tirou algumas fotos que provam o descaso com um dos ícones do nosso patrimônio histórico, arquitetônico e cultural.
Clique aqui.
SOBRE PORCOS, HOMENS E A UNIVERSIDADE PÚBLICA NA BAHIA
Por Roque Pinto
Era uma vez uma fazenda em que os animais eram submetidos a um patrão egoísta e brutal. Após um levante, estes animais expulsaram o dono do lugar e instituíram, sob o comando dos porcos Napoleão e Bola de Neve, um regime que se pretendia solidário e igualitário. Com o passar dos anos, Napoleão trama um golpe contra Bola de Neve, expulsa-o da fazenda e instaura uma ditadura tão malévola, corrupta e bestial que alguns animais anelavam pelo tempo em que a Granja Solar era tocada pelo cruel Sr. Jones.
De fato, na obra “A Revolução dos Bichos” (Animal Farm), de George Orwell, não tardou mais do que seis anos para que o porco Napoleão, que já ocupava a casa do Sr. Jones, passasse a beber álcool, deturpar e violar sistematicamente os sete mandamentos do “animalismo”, ocupar a cama e vestir as roupas do seu ex-dono, andar sobre duas patas e, explorando à total exaustão os demais animais, negociar a produção da fazenda com os humanos em benefício próprio.
A tinta de Orwell versa sobre a Revolução Bolchevique de 1917 e sua degeneração na ditadura de Stálin. É uma fábula que, para além de retratar de forma alegórica uma circunstância histórica específica, trata mais abstratamente dos processos de dominação que advêm do poder formal, independentemente da coloração ideológica que o emoldura.
ILHÉUS SUJA E ABANDONADA. A CULPA É DE CARLOS FREITAS
Se Newton Lima não exonerar Carlos Freitas, sua administração será enterrada na impopularidade, graças à incompetência reinante.
O Blog Correia Neles fez imagens da cidade, que nos enchem de vergonha. Clique aqui.
ISTO É PELÉ!
Por Mara Thais.
Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, dispensa apresentação, visto que é o brasileiro mais conhecido mundialmente. O ícone do futebol que nunca perde a majestade, completa hoje (23/10), 70 anos.
Como ele definiu: “Pelé é coisa de Deus, é difícil explicar, não vai nascer mais”. Eu, cidadã brasileira e apaixonada por futebol, em 21 anos tenho que concordar: Ele ultrapassa qualquer explicação lógica, não conheço outro atleta com quem possa compará-lo, os números impressionam, o seu talento, a luta para conseguir vencer o preconceito. Edson não é mito apenas pela história de “Pelé”, a carreira profissional aliada à vida pessoal revela o que há de humano no semideus que Pelé se tornou.
Para esclarecer porque ele é o melhor jogador do mundo, vamos aos fatos: Pelé disputou 1.363 jogos e marcou 1.284 gols, o que faz com que o número de gols ultrapasse a quantidade de partidas em diversos anos. O atleta foi cinco vezes campeão do mundo: três vezes pela seleção brasileira e duas pelo Santos, conquistou dois mundiais interclubes, foi bicampeão da Libertadores, pentacampeão da Taça Brasil, duas vezes tricampeão paulista. E, não para por aí: é o maior artilheiro em uma temporada (127 gols em 1959), da seleção brasileira (95 gols) e do campeonato paulista (11 vezes).
A impressionante habilidade com os DOIS pés, somada ao ser humano fora do gramado, conferiu ao rei diversos prêmios e honrarias oferecidas por vários países… Isto é Pelé!
DARWICH: O PREFEITO HONESTO E AUSTERO QUE NÃO SE PREOCUPAVA COM A POPULARIDADE
Conversamos com o professor e historiador Arléo Barbosa, que fez uma síntese do período em que Edmon Darwich comandou a prefeitura de Ilhéus (1971 a 1973).
O ex-prefeito faleceu na noite de ontem (quarta-feira/22).
Segundo Arléo, Darwich foi um administrador austero, não preocupado em gastar para agradar.
Ouça a entrevista.
O “INCRÍVEL” PROJETO DO CRISTO “FATIADO”
Durante uma reunião ocorrida no Colégio Estadual de Ilhéus, no bairro do Malhado, na última sexta-feira (23), o secretário municipal de turismo, Paulo Moreira, apresentou uma idéia surpreendente, completamente inusitada.
Falando para professores e alunos, Moreira disse que planeja tirar a estátua do Cristo Redentor das proximidades da Avenida 2 de Julho, para colocá-la em cima do Morro de Pernambuco. Afirmou que há uma técnica capaz de “fatiar” a representação de Jesus em várias partes, sem destruí-la.
O secretário deixou alunos, professores e demais pessoas que assistiam estupefatas.
Após a saída de Moreira, que não esperou o final do encontro, o professor e doutor em história, André Rosa, teria feito uma advertência aos estudantes, mais ou menos assim: Tá vendo vocês! Ele deseja fatiar o Cristo! Veio aqui sem saber a importância do monumento, em que contexto foi erguido, ignorando as pessoas que idealizaram a estátua naquele local. Isso deve servir de aviso. Estudem! Caso contrário vocês poderão comandar a secretaria de turismo de Ilhéus.
AS PLACAS E OS ERROS
Nos últimos 30 dias, os principais pontos turísticos de Ilhéus ganharam placas contendo informações e dados históricos que destacam a importância dos locais.
Quando bem planejada, a sinalização turística pode prender a atenção do visitante por um tempo maior. Por outro lado, o trabalho dos guias de turismo pode ser enriquecido, uma vez que os painéis servem como equipamento auxiliador nas explicações às pessoas interessadas.
Os textos devem surgir através de pesquisas. O objetivo é possibilitar uma relação diferente do visitante com o local, aguçando a curiosidade e induzindo à reflexão.
Pessoas que residem próximas aos pontos precisam ser envolvidas, para que ajam como guardiãs, evitando que o vandalismo destrua o que foi produzido.
Tudo deve ser feito com esmero, pois são equipamentos que valorizam a cidade.
As placas de Ilhéus deixam a desejar. Visualmente são pouco atrativas e trazem erros grotescos, como dados históricos equivocados e até mesmo problemas de concordância (verbal e nominal), que ferem insistentemente a gramática.
A que foi colocada em frente à Matriz de São Jorge, consta que em 1723, a igreja foi “trasladada” do Alto do Outeiro. Dá a entender que toda a sua estrutura foi transportada de um lugar para outro (incrível!). O que houve na verdade, foi o transporte de algumas obras de arte, sacras, que ficavam na antiga igreja do Outeiro para a matriz.
Segundo informações de membros do governo municipal, as placas com erros serão substituídas. Estaremos atentos!
MEMÓRIA DO PAÍS AMEAÇADA
A ANPUH – Associação Nacional de História vem tornar público sua repulsa ao novo código do processo civil (Projeto de Lei nº 166), que tramita no senado federal. O projeto traz um artigo que autoriza a eliminação completa de processos arquivados há mais de cinco anos, “por incineração, destruição mecânica ou por outro meio adequado”.
A proposta fere os direitos constitucionais de acesso à informação e de produção de prova jurídica, além de ser uma grave ameaça à história do país, uma vez que inexiste sem documentação. Segundo ANPUH, cada documento tem seu valor histórico e interessa ao historiador. Os juízes ou magistrados não têm formação na área arquivística ou da historiografia, sendo assim, não podem definir se um documento merece ou não ser destruído.
O grande jurista Ruy Barbosa comenteu um grande equívoco ao determinar a destruição dos documentos relacionados ao período da escravidão. Ele queria apagar um período desabonador da nossa história. Infelizmente, sua atitude impossibilitou a pesquisa ampla sobre uma época sombria que até hoje repercute desfavoravelmente no panorama social do país.
GENETON MORAES NETO ENTREVISTA NÉLSON RODRIGUES
Entrevista importante e fundamental publicada no Observatório da Imprensa.
Reproduzida do blog do autor, publicada originalmente em 9/3/2004; realizada em 1/5/1978.
As incríveis cenas dos bastidores de um encontro com Nélson Rodrigues, maior dramaturgo brasileiro, pernambucano exilado no Rio, estilista número um da crônica esportiva
Meu primeiro, único e último encontro com o gênio Nélson Rodrigues (1912-1980) começou com uma dúvida devastadora: por que diabos ele teria marcado nossa entrevista justamente para a hora de um jogo da seleção brasileira? Não é possível, deve ter havido algum engano – eu pensava com meus botões, enquanto caminhava pelas calçadas do Leme, na beira-mar, no Rio de Janeiro, em direção ao apartamento do homem.
Se Nélson Rodrigues escrevia aquelas crônicas geniais sobre futebol no jornal O Globo, é óbvio que ele não iria dar uma entrevista a um forasteiro pernambucano no exato momento em que a seleção brasileira entrava em campo, no Maracanã, com transmissão ao vivo pela TV. Se desse, como é que ele iria escrever sobre o jogo no jornal do dia seguinte? Não, deve ter havido um grande equívoco. É melhor que eu desista. Nélson não iria dar entrevista alguma num momento tão inoportuno. Ou iria?
Mergulhado num poço de constrangimento, aperto a campainha. A entrevista tinha sido marcada por telefone. Uma mulher abre a porta. Ao fundo, vejo a imagem de Nélson Rodrigues esparramado numa poltrona. Os pés estão fora dos sapatos. Não faz frio, mas ele veste um suéter sobre a camisa de mangas curtas. Pende na parede da sala uma foto emoldurada de Nélson Rodrigues em companhia de Sônia Braga e de Neville de Almeida – atriz e diretor da versão cinematográfica de A Dama do Lotação.
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“INDEPENDÊNCIA NÃO SE FAZ COM GRITO”, ENTREVISTA COM O PROFESSOR ARLÉO BARBOSA SOBRE O 2 DE JULHO
Conversamos nesta manhã (sexta-feira/02) com o professor e historiador Carlos Roberto Arléo Barbosa, que nos concedeu uma explicação sucinta e ao mesmo tempo rica, sobre a importância do 2 de julho para a história do Brasil e da Bahia.
Arléo desmistifica o 7 de setembro e o grito “Independência ou Morte” de D Pedro I. Segundo ele, o país tornou-se independente através das lutas travadas na Bahia e não da frase emblemática dita pelo primeiro imperador, “às margens do Ipiranga”.
Vale a pena ouvir o significado de algumas personalidades humildes que se transformaram em heróis da nossa história.
A ARTE DE PERGUNTAR
Por Luiz Cláudio Cunha, em 7/4/2010, para o Observatório da Imprensa.
O jornalista Geneton Moraes Neto, é um gênio da raça. Da raça dos jornalistas. Sua empreitada atual é escarafunchar os subterrâneos da ditadura militar, ouvindo agora a voz sempre silenciosa de alguns de seus principais personagens: os generais.
No sábado (3/4), o Globonews Dossiê de Geneton entrevistou o general Leônidas Pires Gonçalves, ex-comandante do DOI-CODI do I Exército, no Rio de Janeiro, no período mais sangrento do governo Ernesto Geisel.
No sábado (10/4), será a vez do general Newton Cruz, o notório Comandante Militar do Planalto, que em 1984 chicoteava os carros na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, enquanto suas tropas cercavam o Congresso no momento em que o trator governista esmagava em plenário a emenda das Diretas Já.
Fantasias fardadas
O primeiro impacto foi provocado pela bombástica entrevista de Leônidas, mais conhecido como o primeiro ministro do Exército pós-ditadura, o general nomeado por Tancredo Neves e que se tornou o principal cabo eleitoral e fiador da posse de José Sarney. No Globonews Dossiê, a primeira surpresa é que o entrevistado aparece não como o ministro da democracia, mas como o chefe da repressão da ditadura. Leônidas é identificado, na legenda, como “chefe do DOI-CODI, 1974-77″.
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A ENTREVISTA DO GENERAL LÊONIDAS: “O EXERCÍCIO CÍVICO DA VIOLÊNCIA”
Esse Geneton Moraes Neto é realmente um grande jornalista, que merece admiração de toda a classe.
A entrevista que ele fez com o ex-ministro do exército, o general Leônidas Pires Gonçalves, é bombástica, reveladora do perfil político dos homens de farda que dirigiram nosso país por 21 anos.
Para quem gosta de História, vale a pena assistir.
Dividida em 6 partes.




















