EMÍLIO GUSMÃO

Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 34 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Pós-graduando em artes visuais pelo SENAC. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.

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Sandro Andrade

setembro 2010
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história

O “INCRÍVEL” PROJETO DO CRISTO “FATIADO”

Durante uma reunião ocorrida no Colégio Estadual de Ilhéus, no bairro do Malhado, na última sexta-feira (23), o secretário municipal de turismo, Paulo Moreira, apresentou uma idéia surpreendente, completamente inusitada.

Falando para professores e alunos, Moreira disse que planeja tirar a estátua do Cristo Redentor das proximidades da Avenida 2 de Julho, para colocá-la em cima do Morro de Pernambuco. Afirmou que há uma técnica capaz de “fatiar” a representação de Jesus em várias partes, sem destruí-la.

O secretário deixou alunos, professores e demais pessoas que assistiam estupefatas.

Após a saída de Moreira, que não esperou o final do encontro, o professor  e doutor em história, André Rosa, teria feito uma advertência aos estudantes, mais ou menos assim: Tá vendo vocês! Ele deseja fatiar o Cristo! Veio aqui sem saber a importância do monumento, em que contexto foi erguido, ignorando as pessoas que idealizaram a estátua naquele local. Isso deve servir de aviso. Estudem! Caso contrário vocês poderão comandar a secretaria de turismo de Ilhéus.

AS PLACAS E OS ERROS

Essa placa tem a capacidade de desafiar a imaginação.

Nos últimos 30 dias, os principais pontos turísticos de Ilhéus ganharam placas contendo informações e dados históricos que destacam a importância dos locais.

Quando bem planejada, a sinalização turística pode prender a atenção do visitante por um tempo maior. Por outro lado, o trabalho dos guias de turismo pode ser enriquecido, uma vez que os painéis servem como equipamento auxiliador nas explicações às pessoas interessadas.

Os textos devem surgir através de pesquisas. O objetivo é possibilitar uma relação diferente do visitante com o local, aguçando a curiosidade e induzindo à reflexão.

Pessoas que residem próximas aos pontos precisam ser envolvidas, para que ajam como guardiãs, evitando que o vandalismo destrua o que foi produzido.

Tudo deve ser feito com esmero, pois são equipamentos que valorizam a cidade.

As placas de Ilhéus deixam a desejar. Visualmente são pouco atrativas e trazem erros grotescos, como dados históricos equivocados e até mesmo problemas de concordância (verbal e nominal), que ferem insistentemente a gramática.

A que foi colocada em frente à Matriz de São Jorge, consta que em 1723,  a igreja foi “trasladada” do Alto do Outeiro. Dá a entender que toda a sua estrutura foi transportada de um lugar para outro (incrível!). O que houve na verdade, foi o transporte de algumas obras de arte, sacras, que ficavam na antiga igreja do Outeiro para a matriz.

Segundo informações de membros do governo municipal, as placas com erros serão substituídas. Estaremos atentos!

MEMÓRIA DO PAÍS AMEAÇADA

A ANPUH – Associação Nacional de História vem tornar público sua repulsa ao novo código do processo civil (Projeto de Lei nº 166), que tramita no senado federal. O projeto traz um artigo que autoriza a eliminação completa de processos arquivados há mais de cinco anos, “por incineração, destruição mecânica ou por outro meio adequado”.

A proposta fere os direitos constitucionais de acesso à informação e de produção de prova jurídica, além de ser uma grave ameaça à história do país, uma vez que inexiste sem documentação. Segundo ANPUH, cada documento tem seu valor histórico e interessa ao historiador. Os juízes  ou magistrados não têm formação na área arquivística ou da historiografia, sendo assim, não podem definir se um documento merece ou não ser destruído.

O grande jurista Ruy Barbosa comenteu um grande equívoco ao determinar a destruição dos documentos relacionados ao período da escravidão. Ele queria apagar um período desabonador da nossa história. Infelizmente, sua atitude impossibilitou a pesquisa ampla sobre uma época sombria que até hoje repercute desfavoravelmente no panorama social do país.

GENETON MORAES NETO ENTREVISTA NÉLSON RODRIGUES

Entrevista importante e fundamental publicada no Observatório da Imprensa.

Reproduzida do blog do autor, publicada originalmente em 9/3/2004; realizada em 1/5/1978.

As incríveis cenas dos bastidores de um encontro com Nélson Rodrigues, maior dramaturgo brasileiro, pernambucano exilado no Rio, estilista número um da crônica esportiva

Meu primeiro, único e último encontro com o gênio Nélson Rodrigues (1912-1980) começou com uma dúvida devastadora: por que diabos ele teria marcado nossa entrevista justamente para a hora de um jogo da seleção brasileira? Não é possível, deve ter havido algum engano – eu pensava com meus botões, enquanto caminhava pelas calçadas do Leme, na beira-mar, no Rio de Janeiro, em direção ao apartamento do homem.

Se Nélson Rodrigues escrevia aquelas crônicas geniais sobre futebol no jornal O Globo, é óbvio que ele não iria dar uma entrevista a um forasteiro pernambucano no exato momento em que a seleção brasileira entrava em campo, no Maracanã, com transmissão ao vivo pela TV. Se desse, como é que ele iria escrever sobre o jogo no jornal do dia seguinte? Não, deve ter havido um grande equívoco. É melhor que eu desista. Nélson não iria dar entrevista alguma num momento tão inoportuno. Ou iria?

Mergulhado num poço de constrangimento, aperto a campainha. A entrevista tinha sido marcada por telefone. Uma mulher abre a porta. Ao fundo, vejo a imagem de Nélson Rodrigues esparramado numa poltrona. Os pés estão fora dos sapatos. Não faz frio, mas ele veste um suéter sobre a camisa de mangas curtas. Pende na parede da sala uma foto emoldurada de Nélson Rodrigues em companhia de Sônia Braga e de Neville de Almeida – atriz e diretor da versão cinematográfica de A Dama do Lotação.

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“INDEPENDÊNCIA NÃO SE FAZ COM GRITO”, ENTREVISTA COM O PROFESSOR ARLÉO BARBOSA SOBRE O 2 DE JULHO

Arléo Barbosa.

Conversamos nesta manhã (sexta-feira/02) com o professor e historiador Carlos Roberto Arléo Barbosa, que nos concedeu uma explicação sucinta e ao mesmo tempo rica, sobre a importância do 2 de julho para a história do Brasil e da Bahia.

Arléo desmistifica o 7 de setembro e o grito “Independência ou Morte” de D Pedro I. Segundo ele, o país tornou-se independente através das lutas travadas na Bahia  e não da frase emblemática dita pelo primeiro imperador, “às margens do Ipiranga”.

Vale a pena ouvir o significado de algumas personalidades humildes que se transformaram em heróis da nossa história.

A ARTE DE PERGUNTAR

Por Luiz Cláudio Cunha,  em 7/4/2010, para o Observatório da Imprensa.

Geneton Moraes Neto.

O jornalista Geneton Moraes Neto, é um gênio da raça. Da raça dos jornalistas. Sua empreitada atual é escarafunchar os subterrâneos da ditadura militar, ouvindo agora a voz sempre silenciosa de alguns de seus principais personagens: os generais.

No sábado (3/4), o Globonews Dossiê de Geneton entrevistou o general Leônidas Pires Gonçalves, ex-comandante do DOI-CODI do I Exército, no Rio de Janeiro, no período mais sangrento do governo Ernesto Geisel.

No sábado (10/4), será a vez do general Newton Cruz, o notório Comandante Militar do Planalto, que em 1984 chicoteava os carros na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, enquanto suas tropas cercavam o Congresso no momento em que o trator governista esmagava em plenário a emenda das Diretas Já.

Fantasias fardadas

O primeiro impacto foi provocado pela bombástica entrevista de Leônidas, mais conhecido como o primeiro ministro do Exército pós-ditadura, o general nomeado por Tancredo Neves e que se tornou o principal cabo eleitoral e fiador da posse de José Sarney. No Globonews Dossiê, a primeira surpresa é que o entrevistado aparece não como o ministro da democracia, mas como o chefe da repressão da ditadura. Leônidas é identificado, na legenda, como “chefe do DOI-CODI, 1974-77″.

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A ENTREVISTA DO GENERAL LÊONIDAS: “O EXERCÍCIO CÍVICO DA VIOLÊNCIA”

Esse Geneton Moraes Neto é realmente um grande jornalista, que merece admiração de toda a classe.

A entrevista que ele fez com o ex-ministro do exército, o general Leônidas Pires Gonçalves, é bombástica, reveladora do perfil político dos homens de farda que dirigiram nosso país por 21 anos.

Para quem gosta de História, vale a pena assistir.

Dividida em 6 partes.

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SARNEY, UM ÍCONE

Por José Luiz Teixeira para o Terra Magazine.

O senador José Sarney não irá mais assumir a Presidência da República, neste domingo, em substituição ao presidente Lula, que embarca para os Estados Unidos, como se cogitava em Brasília.

Quem vai ficar no cargo será, mesmo, o vice-presidente José Alencar, segundo confirmou, nesta sexta-feira, 9, a esta coluna sua assessoria.

Sarney é o terceiro na ordem de sucessão de Lula. Os dois primeiros são o vice José Alencar, e, em seguida, o presidente da Câmara, Michel Temer.

Ambos não queriam assumir interinamente o mais alto posto da República por motivos eleitorais – pela legislação, perderiam o direito a se candidatar em outubro.

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“ELE” PARTICIPOU DA PRISÃO DE DILMA

Uma informação quentíssima, que poucas pessoas em Ilhéus sabem.

Reside na cidade um ex-agente do DOI-CODI (destacamento de operações de informações – centro de operações de defesa interna). Este órgão foi criado para reprimir os “subversivos” ao governo militar, entre os anos de 1964 a 1979 (o regime durou até 1985).

O ex-integrante do sistema repressivo afirma ter participado da operação que prendeu a guerrilheira Dilma Roussef em 1970, >| Leia a matéria completa »

O PASSADO “NEBULOSO” DO PROVÁVEL VICE DE DILMA

Michel Temer

O deputado federal Michel Temer (PMDB) foi secretário de segurança pública de São Paulo, no governo de Luís Antônio Fleury Filho, nomeado após o massacre do Carandiru, em outubro de 1992. Sobre ele, assim escreveu um excelente jornalista:

“Os admiradores e eleitores sabem que, paradoxalmente, ao mesmo tempo em que conteve o crime organizado, foi a época de melhor coexistência pacífica entre o jogo do bicho e cassinos clandestinos de um lado, e de outro lado o alto comando da polícia. Não se sabe de escândalo em sua gestão, mas não há quem não saiba em São Paulo que o comando da jogatina organizada e o impoluto jurista encarregado de reprimi-Ia se davam às mil maravilhas”.

Palmério Dória, no livro: Honoráveis Bandidos – Um retrato do Brasil na era Sarney, editora: Geração Editorial.

ARMANDO NOGUEIRA, UM SEDUTOR IRRESISTÍVEL

Com a morte, os erros dos que se foram, muitas vezes são esquecidos.

O texto abaixo merece atenção pela sinceridade de quem escreveu.

Por Eliakim Araújo.

Como jornalista, Armando Nogueira foi um excelente poeta e um prosista de texto refinado. Entrou no jornalismo da TV Globo em 1966, quando o golpe militar estava ainda fresquinho, e lá ficou até 1990, quando o novo presidente, Fernando Collor, convenceu Roberto Marinho a promover Alberico Souza Cruz ao posto máximo do jornalismo global, não que tivesse qualquer objeção a Armando, simplesmente porque precisava premiar o amigo Alberico que teve participação decisiva na edição do debate presidencial e ainda palpitou nos programas especiais que transformaram Collor no indômito “caçador de marajás”.

Armando não foi demitido, pior que isso, sofreu uma “capitis diminutio”. Foi “promovido” a assessor especial da presidência, o que a plebe chama carinhosamente de “aspone”. Dedicou-se então ao jornalismo esportivo, onde, aí sim, foi um verdadeiro mestre da palavra escrita e falada. Fui revê-lo anos mais tarde apresentando um programa de esportes num dos inúmeros canais a cabo da Globo.

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ELE JÁ FOI SEGURANÇA DE LULA

E-mail enviado pelo meu fraterno companheiro Alfredo Morais Filho.

Caro amigo.
Recordei… em meus devaneios, que na primeira visita de LULA à Ilhéus, quando da disputa contra Collor (1989), abandonei o trabalho na EMBRATEL e fui esperá-lo no aeroporto.
A carreata foi até á Praça do Correio onde de cima da carroceria do PT móvel (Pick up gurgel do ELIEZER), fez um comício. Ao chegar, tinha terminado e deparei com o casal LULA e D. MARINA, embarcados em um Monza tendo ao volante NELSOM SIMÕES, cercados por uma multidão que queria carregar o carro! O único segurança, o LUIZÃO, tentava em vão demover a multidão emocionada. Passei a cuidar do lado esquerdo do veículo e LUIZÃO da direita. Abrimos um funil e o Nelson saiu em disparada.

COM MUITO ORGULHO , EU JÁ FUI SEGURANÇA DE LULA!!!!

QUE “CARNAVALZINHO” FULEIRO!

Moro em Ilhéus desde 1982, e de lá pra cá, nunca vi um carnaval tão fuleiro como o deste ano. É um simulacro! Falta tudo: atrações, alegria, bom humor, rei momo, rainha, prefeito. Para mim é um total desrespeito com a nossa cidade.

O carnaval de Ilhéus vem sendo descaracterizado desde o início da década de oitenta. Esse problema aconteceu por toda a Bahia, depois que o trio elétrico se tornou um elemento massificador e único, assumindo a posição de símbolo maior da folia baiana.

Por aqui, percebe-se que os danos foram muito piores. Onde estão os blocos de arrasto (Tengão, A Zorra, Arrastão, Só o Amor Constrói, Cachambi, 56, Os Sonecas, Bloco dos 30). As Escolas de Samba onde estão?

Perdemos até os bailes do Clube Social, que hoje, permanece decrépito, abandonado pela “nova elite emergente” que só enxerga o Iate Clube.

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OS CRIMINOSOS TROTES ESTUDANTIS

Por Rizzatto Nunes para o Terra Magazine.

Conforme já tive oportunidade de relatar nesta coluna, consta que o trote estudantil nasceu nas Universidades européias na Idade Média. Tendo em vista o terrível baixo nível de higiene da época, por razões profiláticas, isto é, para evitar doenças e sua proliferação, raspava-se a cabeça dos alunos ingressantes (os calouros) e muitas vezes queimava-se suas roupas. Essas questões, inicialmente higiênicas, muito provavelmente influenciadas pelo grau de selvageria reinante, já no século XIV, nas Universidades de Bolonha, Paris e Heidelberg, haviam se transformado em rituais bárbaros claramente sadomasoquistas: Os veteranos arrancavam pelos e cabelos dos calouros, que muitas vezes eram obrigados a ingerir urina e comer excrementos. (Fatos observados em Faculdades de Medicina no Brasil do Século XX!).

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ONDE ESTÁ A ESQUERDA?

Por Mino Carta, para a revista Carta Capital.

Às vésperas da votação do Supremo Tribunal Federal que se decidiu pela extradição do ex-terrorista italiano Cesare Battisti, cinco deputados petistas visitaram José Antonio Toffoli, recém-nomeado ministro do STF. Na qualidade de advogado-geral da União, ele já se manifestara contra a extradição e os visitantes pretendiam convencê-lo a votar na sua nova função, a despeito do claro, inevitável impedimento precipitado pelo pronunciamento anterior. Toffoli não cedeu.

Figurava entre os cinco petistas o deputado José Eduardo Cardozo, aquele que o ministro da Justiça, Tarso Genro, queria em seu lugar quando da sua iminente desincompatibilização, primeiro passo da candidatura ao governo de seu estado, o Rio Grande do Sul. Até terça 2, Genro insistiu a favor de Cardozo. Na quarta, o presidente Lula preferiu-lhe o secretário-executivo do ministério, Luiz Paulo Barreto.

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MUSEU DA PIEDADE ATRAI MUITOS VISITANTES

Texto de Jonildo Glória.

Mobiliário antigo, exposto no Museu da Piedade.

Um dos pontos turísticos mais visitados na cidade de Ilhéus é o Museu da Piedade. Situado na Rua Madre Thais, 197 – Alto da Piedade, faz parte do Conjunto Arquitetônico do Instituto Nossa Senhora da Piedade, uma tradicional instituição educacional dirigida pelas Irmãs Ursulinas, radicadas em Ilhéus desde 1916.

O Museu da Piedade tem a missão de revelar a história regional, ao reunir tesouros que guardados na memória, representações dos séculos XIX e XX na Região Sul da Bahia, tornou-se um pólo de visitação turística pela sua arquitetura neo-gótica, única na região.

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