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	<title>BLOG DO GUSMÃO :: Multimídias, polêmica e reflexão &#187; história</title>
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		<title>O &#8220;INCRÍVEL&#8221; PROJETO DO CRISTO &#8220;FATIADO&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 15:28:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Turismo]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[André Rosa]]></category>
		<category><![CDATA[O Cristo fatiado]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Moreira]]></category>

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		<description><![CDATA[Durante uma reunião ocorrida no Colégio Estadual de Ilhéus, no bairro do Malhado, na última sexta-feira (23), o secretário municipal de turismo, Paulo Moreira, apresentou uma idéia surpreendente, completamente inusitada. Falando para professores e alunos, Moreira disse que planeja tirar a estátua do Cristo Redentor das proximidades da Avenida 2 de Julho, para colocá-la em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Durante uma reunião ocorrida no Colégio Estadual de Ilhéus, no bairro do Malhado, na última sexta-feira (23), o secretário municipal de turismo, Paulo Moreira, apresentou uma idéia surpreendente, completamente inusitada.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Falando para professores e alunos, Moreira disse que planeja tirar a estátua do Cristo Redentor das proximidades da Avenida 2 de Julho, para colocá-la em cima do Morro de Pernambuco. Afirmou que há uma técnica capaz de &#8220;fatiar&#8221; a representação de Jesus em várias partes, sem destruí-la.<br />
</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O secretário deixou alunos, professores e demais pessoas que assistiam estupefatas.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Após a saída de Moreira, que não esperou o final do encontro, o professor  e doutor em história, André Rosa, teria feito uma advertência aos estudantes, mais ou menos assim: Tá vendo vocês! Ele deseja fatiar o Cristo! Veio aqui sem saber a importância do monumento, em que contexto foi erguido, ignorando as pessoas que idealizaram a estátua naquele local. Isso deve servir de aviso. Estudem! Caso contrário vocês poderão comandar a secretaria de turismo de Ilhéus.<br />
</span></h4>
]]></content:encoded>
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		<title>AS PLACAS E OS ERROS</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 00:25:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ilhéus]]></category>
		<category><![CDATA[Turismo]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>

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		<description><![CDATA[Nos últimos 30 dias, os principais pontos turísticos de Ilhéus ganharam placas contendo informações e dados históricos que destacam a importância dos locais. Quando bem planejada, a sinalização turística pode prender a atenção do visitante por um tempo maior. Por outro lado, o trabalho dos guias de turismo pode ser enriquecido, uma vez que os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"></p>
<div id="attachment_17511" class="wp-caption alignleft" style="width: 250px"><a href="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2010/07/Placa.jpg" rel="lightbox[17510]"><img class="size-medium wp-image-17511 " title="Placa" src="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2010/07/Placa-300x224.jpg" alt="" width="240" height="179" /></a><p class="wp-caption-text">Essa placa tem a capacidade de desafiar a imaginação.</p></div>
<p>Nos últimos 30 dias, os principais pontos turísticos de Ilhéus ganharam placas contendo informações e dados históricos que destacam a importância dos locais.</p>
<p></span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando bem planejada, a sinalização turística pode prender a atenção do visitante por um tempo maior. Por outro lado, o trabalho dos guias de turismo pode ser enriquecido, uma vez que os painéis servem como equipamento auxiliador nas explicações às pessoas interessadas.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os textos devem surgir através de pesquisas. O objetivo é possibilitar uma relação diferente do visitante com o local, aguçando a curiosidade e induzindo à reflexão.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Pessoas que residem próximas aos pontos precisam ser envolvidas, para que ajam como guardiãs, evitando que o vandalismo destrua o que foi produzido.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tudo deve ser feito com esmero, pois são equipamentos que valorizam a cidade.<br />
</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As placas de Ilhéus deixam a desejar. Visualmente são pouco atrativas e trazem erros grotescos, como dados históricos equivocados e até mesmo problemas de concordância (verbal e nominal), que ferem insistentemente a gramática.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A que foi colocada em frente à Matriz de São Jorge, consta que em 1723,  a igreja foi &#8220;trasladada&#8221; do Alto do Outeiro. Dá a entender que toda a sua estrutura foi transportada de um lugar para outro (incrível!). O que houve na verdade, foi o transporte de algumas obras de arte, sacras, que ficavam na antiga igreja do Outeiro para a matriz.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Segundo informações de membros do governo municipal, as placas com erros serão substituídas. Estaremos atentos!<br />
</span></h4>
]]></content:encoded>
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		<title>MEMÓRIA DO PAÍS AMEAÇADA</title>
		<link>http://www.blogdogusmao.com.br/v1/2010/07/23/um-atentado-a-memoria-do-pais/</link>
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		<pubDate>Fri, 23 Jul 2010 15:27:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mara Thais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>

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		<description><![CDATA[A ANPUH – Associação Nacional de História vem tornar público sua repulsa ao novo código do processo civil (Projeto de Lei nº 166), que tramita no senado federal. O projeto traz um artigo que autoriza a eliminação completa de processos arquivados há mais de cinco anos, “por incineração, destruição mecânica ou por outro meio adequado”. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A ANPUH – Associação Nacional de História vem tornar público sua repulsa ao novo código do processo civil (Projeto de Lei nº 166), que tramita no senado federal. O projeto traz um artigo que autoriza a eliminação completa de processos arquivados há mais de cinco anos, “por incineração, destruição mecânica ou por outro meio adequado”.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A proposta fere os direitos constitucionais de acesso à informação e de produção de prova jurídica, além de ser uma grave ameaça à história do país, uma vez que inexiste sem documentação. Segundo ANPUH, cada documento tem seu valor histórico e interessa ao historiador. Os juízes  ou magistrados não têm formação na área arquivística ou da historiografia, sendo assim, não podem definir se um documento merece ou não ser destruído.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O grande jurista Ruy Barbosa comenteu um grande equívoco ao determinar a destruição dos documentos relacionados ao período da escravidão. Ele queria apagar um período desabonador da nossa história. Infelizmente, sua atitude impossibilitou a pesquisa ampla sobre uma época sombria que até hoje repercute desfavoravelmente no panorama social do país.</span></h4>
]]></content:encoded>
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		<title>GENETON MORAES NETO ENTREVISTA NÉLSON RODRIGUES</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Jul 2010 16:54:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Geneton Moraes Neto]]></category>
		<category><![CDATA[Nélson Rodriguez]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Entrevista importante e fundamental publicada no Observatório da Imprensa. Reproduzida do blog do autor, publicada originalmente em 9/3/2004; realizada em 1/5/1978. As incríveis cenas dos bastidores de um encontro com Nélson Rodrigues, maior dramaturgo brasileiro, pernambucano exilado no Rio, estilista número um da crônica esportiva Meu primeiro, único e último encontro com o gênio Nélson [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Entrevista importante e fundamental publicada no <a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;">Observatório da Imprensa</span></a>.</strong></span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Reproduzida do <a onclick="NovaJanela(this.href);return false;" href="http://www.geneton.com.br/">blog do autor</a>, publicada originalmente em 9/3/2004; realizada em 1/5/1978. </strong></span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a href="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2010/07/Nelson-Rodrigues-Antonio-1.jpg" rel="lightbox[16622]"><img class="alignleft size-medium wp-image-16625" style="border: 1px solid black; margin: 10px;" title="Nelson-Rodrigues---Antonio-" src="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2010/07/Nelson-Rodrigues-Antonio-1-255x300.jpg" alt="" width="204" height="240" /></a>As incríveis cenas dos bastidores de um encontro com Nélson Rodrigues, maior dramaturgo brasileiro, pernambucano exilado no Rio, estilista número um da crônica esportiva</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Meu primeiro, único e último encontro com o gênio Nélson Rodrigues (1912-1980) começou com uma dúvida devastadora: por que diabos ele teria marcado nossa entrevista justamente para a hora de um jogo da seleção brasileira? Não é possível, deve ter havido algum engano – eu pensava com meus botões, enquanto caminhava pelas calçadas do Leme, na beira-mar, no Rio de Janeiro, em direção ao apartamento do homem.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se Nélson Rodrigues escrevia aquelas crônicas geniais sobre futebol no jornal O Globo, é óbvio que ele não iria dar uma entrevista a um forasteiro pernambucano no exato momento em que a seleção brasileira entrava em campo, no Maracanã, com transmissão ao vivo pela TV. Se desse, como é que ele iria escrever sobre o jogo no jornal do dia seguinte? Não, deve ter havido um grande equívoco. É melhor que eu desista. Nélson não iria dar entrevista alguma num momento tão inoportuno. Ou iria?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mergulhado num poço de constrangimento, aperto a campainha. A entrevista tinha sido marcada por telefone. Uma mulher abre a porta. Ao fundo, vejo a imagem de Nélson Rodrigues esparramado numa poltrona. Os pés estão fora dos sapatos. Não faz frio, mas ele veste um suéter sobre a camisa de mangas curtas. Pende na parede da sala uma foto emoldurada de Nélson Rodrigues em companhia de Sônia Braga e de Neville de Almeida – atriz e diretor da versão cinematográfica de A Dama do Lotação.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span id="more-16622"></span>Quando a mulher avisa em voz alta que&#8221;o repórter de Pernambuco&#8221; estava na porta da sala, Nélson ergue os braços, agita as mãos, saúda o ilustre desconhecido com uma exclamação calorosa, como se reencontrasse um amigo de infância:&#8221;Conterrâneo! Conterrâneo!&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O cumprimento efusivo não afasta o temor de que Nélson tenha cometido um pequeno equívoco: ao marcar a entrevista para aquele horário, ele bem que pode ter se esquecido de que a seleção brasileira iria entrar em campo dentro de instantes. A hipótese pode parecer absurda, mas quem sou eu para menosprezar as possíveis excentricidades de nosso herói?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tento uma solução alternativa para escapar de um vexame: digo que posso voltar depois para gravar a entrevista; não quero importuná-lo na hora do jogo. Teatral, Nélson Rodrigues repousa a mão direita sobre o peito, como se sugerisse uma pontada no coração. Olha para a televisão, pede à mulher: &#8220;Tirem o som desse aparelho! Tirem o som desse aparelho! O Brasil me faz mal! O Fluminense me faz mal!&#8221;. A mulher e a irmã de Nélson riem da cena teatral. Hiperbólico, épico, exagerado, o homem é uma fábrica de tiradas dramáticas. Desconfio de que acabo de me transformar em solitário e privilegiadíssimo espectador de um espetáculo teatral chamado Nélson Falcão Rodrigues, encenado pelo próprio autor.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A ordem de Nélson – &#8220;tirem o som desse aparelho!&#8221; – é imediatamente atendida. O aparelho de TV fica mudo. A seleção entra em campo: Leão; Toninho, Oscar, Amaral e Edinho; Batista, Toninho Cerezo e Rivelino; Zé Sérgio, Nunes e Zico. Assim, este forasteiro se vê de repente na condição de coadjuvante de uma cena surrealista: diante de uma TV sem som que transmitia o jogo da seleção brasileira contra o Peru, o autor das mais brilhantes crônicas já escritas sobre o futebol brasileiro simplesmente tira os olhos do vídeo para responder ao interrogatório de um visitante que chegou em hora inconveniente, munido de um gravador e um bloco de anotações. Improvisado como fotógrafo, o também pernambucano Wilson Urquisa vai flagrando, com uma velha Olympus, as poses teatrais de Nélson Rodrigues.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Complexidade shakespeariana</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se houvesse justiça nesta República, uma lei deveria determinar que, depois de Nélson Rodrigues, ninguém deveria escrever sobre futebol no Brasil. Porque é extremamente improvável que um candidato a sucessor consiga igualar o brilho do texto deste pernambucano que passou quase toda a vida exilado no Rio de Janeiro.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A coleção de pérolas rodrigueanas daria para encher uma enciclopédia. Ruy Castro organizou, para a Editora Companhia das Letras, um volume que reúne, sob o título de Flor de Obsessão, as &#8220;mil melhores frases&#8221; do homem. Se quisesse, reuniria três mil, como estas vinte:</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">** &#8220;O brasileiro é um feriado&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">** &#8220;O Brasil é um elefante geográfico. Falta-lhe, porém, um rajá, isto é, um líder que o monte&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">** &#8220;Sou a maior velhice da América Latina. Já me confessei uma múmia, com todos os achaques das múmias&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">** &#8220;Toda oração é linda. Duas mãos postas são sempre tocantes, ainda que rezem pelo vampiro de Dusseldorf&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">** &#8220;O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota&#8221;</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">** &#8220;Na vida, o importante é fracassar&#8221;</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">** &#8220;A Europa é uma burrice aparelhada de museus&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">** &#8220;Hoje, a reportagem de polícia está mais árida do que uma paisagem lunar. O repórter mente pouco, mente cada vez menos&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">** &#8220;Daqui a duzentos anos, os historiadores vão chamar este final de século de&#8221;a mais cínica das épocas&#8221;. O cinismo escorre por toda parte, como a água das paredes infiltradas&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">** &#8220;Sexo é para operário&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">** &#8220;O socialismo ficará como um pesadelo humorístico da História&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">** &#8220;A pior forma de solidão é a companhia de um paulista&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">** &#8220;Suddesenvolvimento não se improvisa. É obra de séculos&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">** &#8220;As grandes convivências estão a um milímetro do tédio&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">** &#8220;Todo tímido é candidato a um crime sexual&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">** &#8220;Todas as vaias são boas, inclusive as más&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">** &#8220;O presidente que deixa o poder passa a ser, automaticamente, um chato&#8221;</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">** &#8220;Não gosto de minha voz. Eu a tenho sob protesto. Há, entre mim e minha voz, uma incompatibilidade irreversível&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">** &#8220;Sou um suburbano. Acho que a vida é mais profunda depois da praça Saenz Peña. O único lugar onde ainda há o suicídio por amor, onde ainda se morre e se mata por amor, é na Zona Norte&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">** &#8220;O adulto não existe. O homem é um menino perene&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Fui testemunha ocular de uma verdade inapelável: Nélson Rodrigues era um cronista tão perfeito que nem precisava ver o jogo. O resultado da partida, as escaramuças dos jogadores, os esquemas táticos, todas essas bobagens não passavam de detalhes secundários aos olhos do gênio. A Nélson Rodrigues, importava a escalação do adjetivo certo na frase certa. Pouco interessava a distribuição de beques ou atacantes no retângulo verde. O relato dessas banalidades é tarefa que cabe aos &#8220;idiotas da objetividade&#8221; – estes pobres seres que só são capazes de enxergar a rala superfície dos fatos.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A missão que Nélson Rodrigues outorgou a si mesmo era outra: traduzir em palavras a dimensão épica da maior paixão brasileira – o futebol. Para que, então, perder tempo com miudezas? Para que ouvir o narrador descrever o jogo na TV? Para que saber os nomes dos jogadores do Peru? Para que saber se o meio-de-campo do Brasil estava ou não estava inspirado?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– Em futebol , o pior cego é o que só vê a bola. A mais sórdida pelada é de uma complexidade shakespeariana. Às vezes, num córner bem ou mal batido, há um toque evidentíssimo do sobrenatural&#8221;, ele escreveu uma vez.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Viva voz</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nélson Rodrigues preferia se ocupar de questões metafísicas – como, por exemplo, a inapetência de nossos escritores brasileiros em tratar do futebol. Numa de suas tiradas clássicas, reclamou:</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– Nossa literatura ignora o futebol – e repito: nossos escritores não sabem cobrar um reles lateral.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A frase é erradamente citada nove a cada dez vezes em que aparece em textos publicados em nossos jornais. Virou lugar-comum dizer que Nélson Rodrigues reclamava de que nossos escritores não sabem nem bater um escanteio. É uma inexatidão. A implicância de Nélson era com literatos incapazes de cobrar um lateral. Mas, a bem da verdade, os que deturpam a queixa de Nélson não estão inteiramente errados: não apareceu ainda um escritor brasileiro capaz de bater um escanteio ou um lateral&#8230;</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Alheio a esta fraqueza nacional, Nélson parece distante da disputa que se desenrola, ali, diante de nós, no vídeo da TV, entre a seleção brasileira e o escrete peruano. Faz ao repórter uma pergunta incrível:&#8221;Quem é o nosso adversário hoje?&#8221;. Informo que é o Peru.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Fique registrado para a posteridade que o maior cronista do futebol brasileiro não precisava necessariamente saber quem era nosso adversário.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando Zico faz um a zero, aos trinta e quatro minutos do primeiro tempo, Nélson interrompe a entrevista para inaugurar, aos brados, uma nova expressão exclamativa:</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– Que coisa beleza! Que coisa beleza!</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Depois, pede à família: &#8220;Pessoal, com licença dos nossos visitantes, vamos fechar essa máquina porque já estou começando a ficar nervoso&#8221;. Aos não iniciados nas sutilezas do dialeto rodrigueano, esclareça-se que &#8220;fechar a máquina&#8221; significa desligar a televisão – o que, aliás, não foi feito. Nélson dispara, então, um julgamento entusiasmado sobre o escrete dirigido por Cláudio Coutinho:</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– Mas esses rapazes são uns gênios! Uns gênios!</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O repórter seria novamente surpreendido. Nélson já perguntara quem era &#8220;nosso adversário&#8221;. Agora, ao ver o replay do gol recém-marcado, toma um susto: &#8220;Mas já houve dois gols?&#8221;. Digo a ele que não: é apenas a repetição do primeiro gol. O placar é um a zero. O gênio da raça concorda com um &#8220;ah, sim!&#8221;. Teria dois outros motivos para vibrar: o mineiro Reinaldo – que entraria no lugar de Nunes – faria dois gols, aos 20 e aos 40 minutos do segundo tempo, para fechar o placar: Brasil 3 x O Peru.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(Corro à banca no dia seguinte para comprar o jornal. O que diabos Nélson Rodrigues teria escrito sobre o jogo que eu não o deixara ver? Eis:</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– Vejam vocês como o futebol é estranho – às vezes maligno e feroz. Mas não quero ter fantasias esplêndidas. O jogo Brasil x Peru, ontem, no Mário Filho, não assustou a gente. Diz o nosso João Saldanha:&#8221;O Brasil fez seu jogo, jogo brasileiro&#8221;. Vocês entendem? Não há mistério. O brasileiro é assim. Quando um de nós se esquece da própria identidade, ganha de qualquer um. Outra coisa formidável: na semana passada, um craque nosso veio me dizer:&#8221;Nélson, é preciso que você não se esqueça: ao cretino fundamental, nem água&#8221;. O jogo foi lindo&#8221;.)</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Penso com meus botões que Nélson não precisou esperar pelo início do jogo para escrever a crônica. Com certeza, despachou o texto para o jornal antes da chegada do repórter intruso. Os &#8220;idiotas da objetividade&#8221; se encarregariam de registrar, nas páginas esportivas, o jogo real. Porque o jogo de Nélson seria lindo de qualquer maneira. E aos cretinos fundamentais? Aos cretinos fundamentais, nem água.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A lista de surpresas nessa tarde no Leme não se esgotaria aí. Quando deu por encerrada a entrevista, Nélson pergunta ao repórter: &#8220;E então, você me achou muito reacionário?&#8221;. Não, claro que não. Em seguida, pega o telefone, liga para a cozinha do Hotel Nacional, identifica-se e faz uma pergunta a um maitre provavelmente atônito:</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– Companheiro, aqui é Nélson Rodrigues. Qual é o prato do dia?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ouve a resposta em silêncio, desliga o telefone. Recolhido ao sossego do lar, no fim de tarde de um feriado, já parcialmente debilitado por doenças que lhe encurtavam o fôlego, Nélson jamais se animaria a ir até o Hotel Nacional para saborear o prato do dia. Mas fez questão de tirar a dúvida com o maitre. Para quê?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As cenas que Nélson Rodrigues protagonizou nesta tarde no Leme já valiam por uma entrevista. Mas o interrogatório ainda iria começar. A fera dispensa ao repórter um tratamento afetuoso: chama-me de &#8220;meu bem&#8221;. Alheio ao eventual cansaço de Nélson, estico a conversa até o limite máximo. Não quero desperdiçar a chance de ouvir de viva voz as tiradas do cronista inigualável. A irmã do gênio é que, delicadamente, interrompe o questionário no instante em que Nélson fez uma pausa para engolir uns comprimidos. Ao autografar o exemplar do livro de crônicas O Reacionário – consultado durante a entrevista – Nélson Rodrigues oferece-me uma dedicatória dúbia: &#8220;A Geneton, amigo doce e truculento – Nélson Falcão Rodrigues&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Diálogo improvável</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quase um quarto de século depois (a entrevista foi gravada no dia 1 de maio de 1978) ouço novamente a fita, releio a transcrição da entrevista. Confirmo que Nélson Rodrigues é um caso raríssimo de escritor que falava como escrevia. Só há outro caso: Gilberto Freyre. Transcritas, as entrevistas dos dois em certos momentos se assemelham aos textos que escreviam, o que é uma façanha: a linguagem falada normalmente é mais pobre que a linguagem escrita. Mas a regra – guardadas as naturais diferenças entre o que se fala e o que se escreve – nem sempre valia para os dois.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A entrevista foi embalada por citações ao livro O Reacionário, lançado por Nélson meses antes. Durante toda a entrevista, Nélson fez, repetidas vezes, citações a histórias e personagens descritos em O Reacionário. De vez em quando, entre uma resposta e outra, ele mudava repentinamente de assunto; parecia afogado em divagações. Chegou a reclamar: &#8220;Eu estou tendo lapsos lamentáveis&#8230;&#8221; Assim, frases de O Reacionário complementam, nesta entrevista, as respostas gravadas por Nélson Rodrigues.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os melhores momentos do diálogo improvável entre Nélson Rodrigues – o gênio que se intitulava &#8220;a flor da obsessão&#8221; – e o repórter intruso.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">***</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando foi que Nélson Rodrigues descobriu que nascera para escrever?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nélson Rodrigues – A coisa é a seguinte: escrever para mim, muito mais do que uma decisão profissional, é um destino. Escrever é o meu destino! Não é um caso de opção. Eu só tinha esta opção, uma vez que nasci assim.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O senhor se considera um escritor por vocação?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – Digo que, no meu caso, eu nem precisava de vocação, porque o negócio era o óbvio – o óbvio ululante! Eu tinha de ser aquilo. Se você chagasse junto de mim e pedisse para eu ter outra profissão, podia até dar dinheiro para que eu tivesse outro destino, não seria absolutamente possível.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O início foi com ficção ou com jornalismo?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – Eu estava no quarto ano primário na Escola Prudente de Morais. Uma dia, a professora – que mandava a gente desenhar e colorir uma vaca de estampa, para que nós, alunos, fizéssemos em torno da vaca toda uma história – disse: &#8220;Olhem aqui: Hoje, vocês vão ter de escrever da próprio cabeça. Agora não é mais sobre a vaca pintada&#8221;. E então deixou que cada um de nós fizesse o seu drama, o seu projeto dramático.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Duas histórias tiveram o primeiro lugar. A do meu adversário era um a história de um daqueles magnatas que davam passeios. Ele descrevia o passeio de um rajá no seu elefante favorito. E pronto. A minha foi inteiramente diferente. Eu fiz a história de uma moça que era uma fera. Quase uma dama do lotação. Um dia, o marido chega em casa mais cedo e, quando empurra assim (imita o gesto de alguém forçando o trinco de uma porta). Entra em casa, segura o amigo traidor e enfia nele uma faca. Eu tive o primeiro lugar e empatamos. O prêmio ao rajá e ao respectivo elefante era uma concessão ao convencional.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isto foi a primeira vez em que eu era ficcionista. Todo o meu futuro está aí. Era a história de uma pobre adúltera que morreu de maneira tão melancólica. O traidor morreu também de maneira melancólica: direi, a bem da verdade, que a minha história causou um horror deliciado. Eu era, para todos os efeitos, um pequeno monstro.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eu comecei com treze anos a trabalhar como jornalista profissional e repórter: esse é o caso. Não teria jeito: eu teria de meter uma bala na cabeça…</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para o senhor – que é considerado um mestre nesse ofício – o que é necessário para retratar, num texto teatral, o mundo desses personagens suburbanos das nossas cidades?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – Em primeiro lugar, o sujeito tem de ser ficcionista. Precisa ser inteiramente sensível ao primeiro chamamento da profissão. Não basta apenas o gosto. Não é apenas uma facilidade, mas um destino (pronuncia em tom dramático esta palavra).</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A inspiração é uma entidade que existe para o senhor?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – O negócio da inspiração é o seguinte: eu considero a inspiração, ao contrário de Valèrie, que só via a máquina individual do ficcionista. Aquilo é uma coisa que o ficcionista apura com o tempo, desenvolve com a experiência.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dentre as peças que escreveu, qual a que o senhor considera como definitiva, como a obra acabada do dramaturgo Nélson Rodrigues?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – O mais importante para mim, até o momento, é o dramaturgo. Volta e meia, me sinto muito perplexo diante de certas manifestações que me induzem ao teatro, embora o teatro tenha um defeito: tenho de vez em quando vontade de fazer certas experiências não teatrais dentro da área de literatura, mas sem ter nada de dramático.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dentre as peças já escritas, qual é a predileta?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – Tenho várias prediletas. Eu diria mesmo que são todas as prediletas. Não tenho prediletas (ri). Todas são favoritas. Já pensei muito em querer discriminar qual a minha melhor peça, mas não sei.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que autores brasileiros de hoje o senhor considera como verdadeiros artistas do teatro?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – Vou pular esta, porque tenho autores que são inimigos meus. Pior do que o inimigo é o amigo. Um autor que é um amigo tem todos os defeitos&#8230;</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O senhor diz sempre que &#8220;a admiração corrompe&#8221;. É o caso?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – É isso, é o caso. A admiração corrompe. O amigo que é o nosso maior torcedor não é o maior coisa nenhuma, porque, ele próprio, não consegue se prender. Então, começa a fazer insinuações e etc…Como eu sinto, evidentemente, o nosso amigo, o inimigo, com a maior facilidade, então eu prefiro o inimigo (ri).</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se o senhor fosse levado a fazer uma hipotética opção entre o teatro e o jornalismo, qual dos dois preferiria?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – O teatro! E não é um problema de qualidade intelectual não&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O jornalismo brasileiro continua padecendo de objetividade? – que o senhor considera uma &#8220;doença grave&#8221;?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – O idiota da objetividade é o jornalista que tem grande fama, todo mundo, quando fala dele, muda de flexão. Mas eu acho o idiota da objetividade um fracasso. Isso num julgamento absoluto. O idiota da objetividade é também um cretino fundamental.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quais foram as causas da ocorrência desse culto à objetividade que, no conceito do senhor, corresponde à falta de emoção?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – Pois é, é esse o negócio (ri de novo). É a falta de complexidade do sujeito que diz só a coisa certa ou aparentemente certa e não vê que todo fato tem uma aura. A verdade é que o fato só, em si mesmo, é uma boa droga. Olhe aí (e mostra a crônica &#8220;A desumanização da manchete&#8221;). O Diário Carioca não pingou uma lágrima sobre o corpo de Getúlio. Era a monstruosa e alienada objetividade. As duas coisas pareciam não ter nenhuma conexão: o fato e a sua cobertura. Estava um povo inteiro a se desgrenhar, a chorar lágrimas de pedra. E a reportagem, sem entranhas, ignorava a pavorosa emoção da população. Outro exemplo seria ainda o assassinato de Kennedy. Na velha imprensa, as manchetes choravam com o leitor. A partir do copydesk, sumiu a emoção de títulos e subtítulos. E que pobre cadáver foi Kennedy na primeira página, por exemplo, do Jornal do Brasil. A manchete humilhava a catástrofe. O mesmo e impessoal tom informativo. Estava lá o cadáver, ainda quente. Uma bala arrancara o seu queixo forte, plástico, vital. Nenhum espanto na manchete. Havia um abismo entre o&#8221;Jornal do Brasil&#8221; e a cara mutilada. Pode-se falar na desumanização da manchete.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A ausência de um ponto de exclamação numa manchete faz falta ao leitor comum?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – Faz. Eu digo o seguinte: na minha infância, havia primeiro o&#8221;Correio da Manhã&#8221;, um jornalaço. E havia A Noite – que vendia muito mais. E era um jornal muito mais amado pelo leitor. A Noite era um jornal amado (acentua a voz, ergue os braços). O sujeito comprava A Noite disposto a ler ou disposto a não ler. Não fazia mal isto. Ler ou não ler era um detalhe insignificante. Mas o povo gostava desse jornal. E esse antigo jornalismo permitia, por exemplo, que você fosse fazer a cobertura de um incêndio e levasse na mão uma casa de pássaro, uma gaiola e metesse a gaiola com um pássaro lá num certo ponto da casa em chamas. E aí o repórter que não era idiota da objetividade dizia que o nosso querido fotógrafo ouviu toda a cantoria do canário. E terminava dizendo: &#8220;Morreu cantando&#8221; (a essa altura, Nélson Rodrigues concede uma entonação teatral a esta frase). O repórter fora cobrir um incêndio. Mas o fogo não matara ninguém. E a mediocridade do sinistro irritara o repórter. Tratou de inventar um passarinho: enquanto o pardieiro era lambido, o pássaro cantava, cantava. Só parou de cantar para morrer.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A história desse canário fez um sucesso tremendo. Um sujeito queria uma vala especial para o canário, o nosso querido canário cantor. Era lindo. O jornalismo de antigamente era mais ou menos assim. Hoje, a reportagem de polícia está mais árida do que uma paisagem lunar. Lemos jornais dominados pelos idiotas da objetividade. A geração criadora de passarinhos parou em Castelar de Carvalho, o autor dessa reportagem sobre o incêndio. Eis o drama: o passarinho foi substituído pela veracidade que, como se sabe, canta muito menos. Daí porque a maioria foge para a televisão. A novela dá de comer à nossa fome de mentira.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que fatos ou situações brasileiras o senhor contemplaria com um ponto de exclamação numa manchete de jornal?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – (pensativo, com olhar distante) Deixe-me ver&#8230; O negócio é o seguinte: houve num desastre uma coisa atroz que foi uma explosão. Morreram seiscentos sujeitos, segundo as manchetes da ocasião. Todo mundo fazia coro&#8230; E outro caso de repórter que não era idiota da objetividade: o sujeito foi fazer a cobertura de um desastre de trem. Geralmente, em desastre de trem, morria gente pra burro. Agora, morre muito menos, não sei por que.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas qual é o fato? Deixe-me ver&#8230; Ah, o suicídio de Getúlio Vargas foi de uma brutalidade incrível. Uma coisa bonita é que foi uma coisa misteriosa, aí é que não entrou objetividade nenhuma. Morreu, então o cara passa a ser um deus. O que é que você pode fazer contra o cara? Deu um tiro no peito, ia ser deposto. E só porque ia ser deposto ele se mata.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Veja só: no princípio da minha infância havia o pacto de morte. Havia sujeitos que se amavam tanto que já não suportavam mais o próprio amor. Então, o que fazia ele? Propunha à pequena o suicídio, um pacto suicida. Rara era a pequena que duvidava. O lindo era a vontade, o encanto com que esse par de amorosos se matava e cumpria o seu destino. Esse é que é o caso.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quer dizer então que na história recente do Brasil o suicídio de Getúlio Vargas seria o último grande fato que mereceria um ponto de exclamação do senhor numa manchete de jornal?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – Olhe: quando eu digo merecer a manchete de jornal&#8230; (interrompe, olha para a televisão, comenta a iminência de um gol da seleção brasileira, distrai-se, retoma a conversa de um ponto anterior). Você compreendeu como é o caso? Antes de certo tempo aí, achavam que era uma coisa gravíssima o sujeito se matar, era uma covardia. E nem ele nem a menina acreditavam que isso fosse um defeito, o defeito de se matar: alguém ter o direito de destruir o próprio amor e o amor do outro. Mas os dois se destruíram. O sujeito achava que era uma maneira de coroar o próprio amor.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Agora, a nossa realidade está realmente muito pobre, muito vazia, sem um certo apelo dramático. Ninguém hoje quer morrer, ninguém quer se suicidar!. Ali o sujeito só queria destruir o amor. E aí a sogra ia cuspir na morte do sujeito que lhe matara a filha.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O senhor lê a chamada imprensa alternativa?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – Alternativa o quê?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A imprensa alternativa, esses novos jornais que têm surgido, o senhor lê</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – Eu leio de vez em quando mas não faço questão, porque jornal é uma coisa inquietante. O jornal não é o jornal do dia, é o jornal da véspera. Há anos não leio um jornal que não seja rigorosamente o jornal da véspera. Só sai o jornal da véspera e nunca o jornal do próprio dia. São fatos da véspera , figuras da véspera. O fato do dia não existe e ou só existe para rádio e as TVs. No passado, a notícia e o fato eram simultâneos. O atropelado acabava de estrebuchar na página do jornal. E assim o marido que matava a mulher e a mulher que matava o marido. Tudo tinha a tensão, a magia, o dramatismo da própria vida. Mas, como hoje só há jornal da véspera, cria-se uma distância entre nós e a notícia, entre nós e o fato, entre nós e a calamidade pública ou privada. Servem-nos a informação envelhecida. Nós, jornalistas, é que estamos mais obsoletos, mais fora de moda do que charleston, do que o tango.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não há nenhum fato do dia&#8230;</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – Pelo menos a gente tem essa impressão. O que nós chamávamos antigamente de furo não existe mais. Todos hoje acham que podem viver sem o furo, ao passo que, no meu tempo, quando eu era garoto, um furo de reportagem era tudo. Era o grande momento da carreira.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Agora, para falar de manchete, outro fato formidável foi o seguinte: antigamente, o Largo do São Francisco era o local próprio para o sujeito se manifestar. E quando havia muitos interessados em se manifestar, havia o diabo, o diabo! Um dia, fizeram uma coisa qualquer com o chefe de polícia. E o chefe de polícia – que era um santo – assinou uma portaria proibindo os estudantes não sei de quê nem ninguém sabe. Tudo que houve foi por conta da falta de bossa, da falta de inteligência dos nossos queridos estudantes. E então os estudantes resolveram fazer um &#8220;enterro&#8221; do chefe de polícia – que era um velho general, sujeito que acreditava em honra, num tempo em que ninguém sabia o que era honra. O general era um santo homem e então achou que aquilo era brincadeira de estudante. E lá foi ele dizendo aos queridos investigadores que não queria machucar ninguém. Nada de bala, nada de punhal, dizia o nosso general. E no dia do &#8220;enterro&#8221;, os estudantes carregavam o caixão, todos levando uma vela acesa. Era uma coisa só, com mil vozes cantando a marcha fúnebre, dando vivas à morte. Dois ou três homens de polícia, furiosos com a questão, simplesmente acharam de matar três estudantes. Aí foi aquela coisa tremenda. Houve então uma manchete, a manchete mortal da imprensa brasileira. Um jornal descobriu uma manchete fantástica (muda a flexão de voz, entusiasmado). A manchete quase derruba a presidência da República, a vice-presidência, o chefe de polícia imediatamente se demitiu, foi embora, não quis mais nada, achando-se culpado. Inventaram uma manchete que até hoje eu gosto de ouvir&#8230;</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Qual foi?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – Era assim: &#8220;Primavera de Sangue&#8221; (pronuncia cada uma das sílabas devagar, como se saboreasse as palavras). A manchete quase derruba o presidente da República, o ministro da Guerra, um negócio terrível. E tudo isso pela beleza que se atribui à manchete. Quero dizer que, se você quiser, com uma frase bem trabalhada, você resolve o caso.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De quando foi essa manchete?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – Eu era garoto, tenho agora sessenta e cinco anos. E foi na altura dos meus dez anos. Agora, eu sei disso tudo pelas informações do pessoal. O cara que fez esta manchete ganhou uma fortuna, quinhentos mil réis. Só o Rockfeller tinha esse dinheiro na ocasião (ri).</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O senhor se interessa por política partidária?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – Eu não sou ninguém para dizer certas coisas, mas o bom no brasileiro é que ele, sem saber de nada, diz coisas horrendas.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quais são os políticos brasileiros que o fascinaram ou fascinam hoje? Existe algum nome que o senhor queira citar?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – (Pausa de alguns minutos, ele está pensando) Num desses momentos, quem é o sujeito? Já começo a ficar amargurado, porque para achar um sujeito, poder dizer um político interessante&#8230; Eu acho que só Napoleão Bonaparte! (ri).</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O senhor já disse que um dos traços do caráter nacional é o fato de que o brasileiro adere a qualquer passeata. Quais seriam os principais traços do nosso caráter nacional?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – O brasileiro é um tipo gozadíssimo. O diabo é que o brasileiro não pode se esforçar muito porque, senão, cai na chanchada trágica. O brasileiro é um sujeito que gosta de fazer farra, é um desses que, em pleno velório, põe a mão na viúva. E a viúva é também um caso sério porque este negócio de viúva vocacional é um fato. Há realmente um repertório sensacional de casos. O que atrapalha o brasileiro é o próprio brasileiro. Que Brasil formidável seria o Brasil se o brasileiro gostasse do brasileiro. Houve um tempo em que nem o Departamento de Pesquisa do Jornal do Brasil sabia quem era o brasileiro. Mas se um sujeito se apresentava como brasileiro, as pessoas de bem respondiam: &#8220;Não te conheço!&#8221;. E muitos duvidavam que o Pão de Açúcar ou o poente do Leblon fossem brasileiros.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Olhe: houve tempo em que a mulher mais séria do mundo, mais digna, mais respeitável se deixava envolver por um poeta, se abandonava por um soneto. Era outra vida. De repente eu fico olhando: era outra vida, outro homem. E havia a figura do bêbado. Hoje, o bêbado é um sujeito que a psicanálise cura depois de quinze anos de tratamento, quando, aliás, a cura já não adianta mais nada. Eu tinha um tio que se enamorou da minha tia Yayá. E se você perguntar &#8220;Qual foi o maior homem que você viu no mundo?&#8221;, eu acho que esse tio está no segundo ou terceiro lugar, porque o desgraçado, ele amava a minha tia Yayá. Ele já não precisava mais beber para estar bêbado, de alto a baixo. E, com isso, fazia uma considerável economia de dinheiro&#8230; Em minha família houve um bêbado indubitável, foi este meu tio Chico. Como sujeito que bebe muito, ele durou pra burro. Morreu com oitenta e tantos anos, sempre bêbado, rigorosamente. Vem desse tio antigo o meu horror ao bêbado. Mas ele me ensinou também uma série de coisas lindas. Por exemplo: o amor. Meu tio Chico me ensinou a amar. Embriagou-se em cada minuto da lua-de-mel. Bebeu antes, durante e depois. Yayá costurava para o casal não morrer de fome. Mas eu, menino, queria amar e ser amado como esse alcoólatra enlouquecido. Era um amor que hoje não existiria. A minha tia Yayá deu graças a Deus que ele tivesse se apagado. Agora ninguém ama mais, eis o que comecei a descobrir desde os treze anos de batalha. Você ponha aí: o meu tio Chico e sua bem amada Yayá. Era um negócio impressionante.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por que é que o senhor diz, desse jeito, que hoje ninguém ama mais?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – Meu bem, se a evidência objetiva e espetacular vale alguma coisa, o homem não ama mais. E não ama mais porque o nosso cenário se povoa de sujeitos que são débeis mentais absolutos. O sujeito já não acredita em amor, pra começo de conversa. Não acredita em amor. O sujeito acha que todo mundo é a mesma coisa, e apesar disto, se diz marxista. É uma coisa esterilizante que há na vida brasileira, sobretudo carioca. O carioca é esse sujeito fascinante só na base dos defeitos que tem. Arranja logo casamento e é uma besta. E todo mundo diz: &#8220;Oh, que coisa, que amor!&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E eu me lembro de uma menina grã-fina mesmo&#8230; Aliás, diga-se de passagem que eu não acredito na existência da grã-fina nem do grã-fino. Dou-lhes este nome. Mas é incrível esse negócio da mulher moderna (fala com a voz arrastada, como se entoasse um lamento). Nunca ela foi tão infeliz e tão pouco feminina. Eu tive um cachorro, o nosso querido Boogie-Woogie, que ficava diante da minha casa amando sua querida cachorra. Ela ficava lá, digníssima, empinada, recebendo as homenagens. Os carros passavam e achavam o cachorro louco. E esse nosso amigo, o cachorro, era muito mais humano que a mulher dos nossos tempos. Elas se meteram a bestas.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O brasileiro continua sendo um &#8220;Narciso às avessas que cospe na própria imagem&#8221;, como o senhor dizia?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – Continua, continua!</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Qual é o remédio para isso?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – O remédio para isso? Nunca. Para isso não há remédio. Veja que o Brasil ganhou três vezes o campeonato mundial. Se ganhou três vezes, e se o brasileiro não fosse o otário que é, estava tudo salvo, tudo salvo. Ganhou três vezes no futebol, feito como esse ninguém teve e não se conhece isso.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O brasileiro tem virtudes. É bom fazer uma ressalva nesses defeitos que digo. Isso o torna extremamente simpático. Aquela volubilidade&#8230; O sujeito ora ama aqui, ora ama ali&#8230; Vai lá pra chegada do trem elétrico, vai arranjando os seus amores que, aliás, duram geralmente vinte e um dias, quando duram. Há pessoas que casam e lá na sacristia estão os convidados fazendo apostas sobre a duração daquele casamento. E você pode ficar sossegado porque aquele casamento está inteiramente liquidado antes do começo. Há amores, entendeu, que o sujeito traz consigo e realmente são sinceros. Mas evidentemente, não existe este amor, porque o nosso querido Brasil&#8230;</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Olhe: em 1958, quando o nosso querido Brasil voltou campeão da Copa, foi o maior futebol que jamais se viu&#8230;</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Diga-se de passagem que eu considero o brasileiro o maior sujeito do mundo. O europeu já está esgotado. O europeu tem na casa dele pires de mil anos. Escadas de mil anos. Tudo é velho pra burro. Já com o brasileiro é inteiramente diferente. É como se ele estivesse sempre há quinze minutos do fato. Um negócio genial.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">(Nélson tinha mudado de assunto; volta ao futebol) Basta o sujeito passar quinze minutos assistindo a um jogo importante desses camaradas. Esses rapazes são uns gênios. Mas o sujeito pensa que isso não é importante e sai, nem liga. Mas quando o negócio vai se transmitir em forma de gorjeta, aí então o brasileiro é um feroz&#8230;</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O senhor diz também que a paisagem dos países desenvolvidos é triste sem imaginação&#8230;</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – É. Como se não bastasse a padronização de caras, corpos, costumes, usos, idéias, valores, há também a estandardização da paisagem. Tudo prodigiosamente igual. É trágica a falta de imaginação da paisagem no país desenvolvido. O desenvolvimento é burro, ao passo que o subdesenvolvimento pode tentar um livre, desesperado, exclusivo projeto de vida.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O diabo é que o Burle Marx, no Brasil, faz o que nem o europeu faria lá. O nosso Burle Marx retira a flor da paisagem. Dizem que o Amazonas é a coisa mais gigantesca do mundo. O nosso Burle Marx só usa uma cor, a verde, e danem-se as outras cores. Fiz esta anotação e ele me disse numa entrevista dele que o teatrólogo Nélson Rodrigues, com certeza, não estava olhando para a paisagem, não viu outra cor, se não a verde. Fui espiar lá e, realmente, o único paisagista do Aterro do Flamengo é o Exército, porque acrescentou, ao Monumento dos Pracinhas, algumas flores, umas dezessete flores. O paisagista foi o ministro da Guerra. O nosso querido Burle Marx, a quem muito admiro, não pôs flores no Aterro, e com a maior tranqüilidade do mundo. Não precisa prestar atenção&#8230; O negócio das cores&#8230; (Nesta altura da conversa, ele ri e confessa: &#8220;Eu estou tendo lapsos lamentáveis&#8230;&#8221;).</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Você sabe o que é o sujeito fazer uma bobagem e negar a verdade? Se ele aceitar o erro, está bem. Agora, quando o sujeito fica impune&#8230; A impunidade faz de um São Francisco de Assis um canalha. Ele comete um ato e ninguém o prende, ninguém o ameaça, sequer.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É este o caso de Burle Marx. Como ele está faturando cada vez mais, não liga por ter feito um jardim onde só existe uma cor e onde não tem uma violeta. Ele está cada vez faturando mais, e mais fiel aos seus erros, porque descobriu que o erro está muito mais perto do êxito. Já falei pra burro, agora você está satisfeito, não é? E vai querer continuar…</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Agora, uma explicação para as causas do rancor e da ironia feroz que o senhor cultiva diante de seus personagens, como por exemplo, &#8220;as verdadeiras grã-finas&#8221;…</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – O que eu acho é que a gente diz &#8220;grã-finas&#8221; sem achar que elas tenham obrigação de agir como grã-finas. E elas não agem como deviam ser. Maria Antonieta podia dizer: &#8220;Ah, eu sou grã-fina&#8230;&#8221;. Por isso, certa vez, o povo estava urrando de fome de fora do palácio e ela disse: &#8220;Se não tem pão, comam brioche&#8221;. Então, a Maria Antonieta é que poderia bradar: &#8220;E, portanto, eu posso dizer que sou grã-fina&#8221;. Ela derrubou um erro, derrubou um regime horrendo. A única grã-fina do mundo é a Maria Antonieta. De então para cá nunca mais vi uma grã-fina. E muito menos uma grã-fina paulista que é gorducha, porque tem dinheiro à beça para comer. E come. Mas não existe. A nossa querida grã-fina precisa de dinheiro. Como precisa de dinheiro, e está furiosa porque não tem, então assume diversas atitudes, como, por exemplo, dizer numa mesa: &#8220;Na minha casa, só as criadas vêem televisão&#8221;. As grã-finas não existem. A única descoberta que eu fiz com as grã-finas foi esta: elas não existem. &#8220;</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E as &#8220;estagiárias de calcanhar sujo&#8221;?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – Já as estagiárias têm uma existência feroz&#8230; (ri, acentua o tom de voz). Sobre nossa querida estagiária, eu vou te dizer o seguinte: é incrível. Meninas que não serviriam para babá nem poderiam entrar num cinema para ver filme francês ou meu próprio filme, a A Dama do Lotação, fazem atitudes que os bocós consideram geniais.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que assombra na estagiária não é a sua graça pessoal, mais discutível, menos discutível, segundo cada caso. O que me assombra são as suas perguntas e repito: são as perguntas que tornam a estagiária um ser tão misterioso e absurdo como certas imagens de aquário. Uma dessas meninas irreais de redação é bem capaz de atropelar um presidente, um rajá, um gangster ou um santo ou, simplesmente, uma dessas velhas internacionais que embarcam em todos os aeroportos. E perguntar: &#8220;Que me diz o senhor, ou a senhora, de Jesus Cristo do Nada Absoluto, do Todo Universal ou da pílula?&#8221;</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Você veja: uma delas foi incumbida de entrevistar um milionário. Ligou para a casa do milionário, disse: &#8220;Eu queria falar com o Dr. Fulano&#8221;. Do outro lado, uma voz responde: &#8220;Dr. Fulano não está passando bem&#8221;. E a menina insiste: &#8220;Então, pergunta a ele se…&#8221;. Desligam e a estagiária disca novamente, não com o dedo, mas com o lápis: &#8220;Eu queria falar com o Dr. Fulano&#8221;. A pessoa diz, desatinada: &#8220;Minha senhora, o Dr. Fulano acaba de ter um enfarte. Enfarte, minha senhora, enfarte. A senhora quer que eu diga mais do que estou dizendo?&#8221;. E a estagiária: &#8220;Vai lá e pergunta a ele o que é que ele acha da pílula. Eu espero&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A família do enfartado toda se descabelando&#8230; o que, aliás, é raro, porque, no nosso tempo, a família chora muito pouco. O inimigo da morte – que é o clínico – dá logo um furioso calmante.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A estagiária então liga novamente. Dá sinal de ocupado. Continuou, com uma obstinação fatalista. E sempre ocupado. Uma hora depois, atendem. Era uma mulher que ou estava gripada ou chorando. A estagiária diz: &#8220;Por obséquio, eu queria falar com o Dr. Fulano&#8221;. Responde a voz feminina: &#8220;O Dr. Fulano acaba de falecer&#8221;. E a estagiária: &#8220;A senhora diz a ele que é só uma perguntinha&#8221;&#8230; e etc.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Agora, há um dado que me parece essencial. As entrevistas das estagiárias têm uma virtude rara: nunca saem. Falo por experiência própria. Quase todos os dias, uma estagiária me caça pelo telefone. E eu falo sobre todos os temas e personalidades. Opinei sobre os Kennedy, João XXIII, o Kaiser, Gandhi. No dia seguinte, abro o jornal e vejo que não saiu uma linha. Mas uma coisa curiosa: não só as estagiárias. Profissionais da melhor qualidade estão seguindo a mesma linha. Posso dizer que a nossa imprensa criou o novo gênero de entrevistas que não serão publicadas nem a tiro.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que é que o Recife significa para o senhor hoje?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – Eu gosto do Recife pra burro. Vim de lá aos cinco anos de idade. Fiquei lá até o ano de 1929. Você veja: me dá pena estar pensando no Recife e nunca ir lá. Tenho, em minha memória profunda, um apelo de pernambucano pelo Recife.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O senhor não pensa em voltar?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – De vez em quando eu faço evocações&#8230; (Um dos textos de O Reacionário traz lembranças da cidade.) Toda a minha infância tem gosto de pitanga e de caju. Pitanga brava e caju de praia. Ainda hoje, quando provo uma pitanga ou um caju contemporâneo, sou arrebatado por um desses movimentos proustianos, por um desses processos regressivos e fatais. E volto a 1913, ao mesmo Recife e ao mesmo Pernambuco. Alguém me levou à praia e não sei se mordi primeiro uma pitanga ou primeiro um caju. Só sei que a pitanga ardida ou o caju amargoso foi a minha primeira relação com o universo. Ali eu começava a existir.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O senhor não volta ao Recife porque tem medo de avião?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – Acho chato viajar de avião, não quero voar, a não ser caso de vida ou morte. Tenho horror às viagens. A partir do Méier, começo a ter saudades do Brasil.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Qual foi a última vez que o senhor esteve no Recife?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">N.R. – Em 1929. Tenho um sadio horror de avião.</span></h4>
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		<title>&#8220;INDEPENDÊNCIA NÃO SE FAZ COM GRITO&#8221;, ENTREVISTA COM O PROFESSOR ARLÉO BARBOSA SOBRE O 2 DE JULHO</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Jul 2010 13:50:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Rádio Gusmão]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[2 DE JULHO]]></category>
		<category><![CDATA[Arléo Barbosa]]></category>

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		<description><![CDATA[Conversamos nesta manhã (sexta-feira/02) com o professor e historiador Carlos Roberto Arléo Barbosa, que nos concedeu uma explicação sucinta e ao mesmo tempo rica, sobre a importância do 2 de julho para a história do Brasil e da Bahia. Arléo desmistifica o 7 de setembro e o grito &#8220;Independência ou Morte&#8221; de D Pedro I. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;">
<div id="attachment_16570" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><span style="color: #000000;"><a href="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2010/07/Arléo+Barbosa.jpg" rel="lightbox[16569]"><img class="size-thumbnail wp-image-16570 " title="Arléo+Barbosa" src="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2010/07/Arléo+Barbosa-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a></span><p class="wp-caption-text">Arléo Barbosa.</p></div>
<p><span style="color: #000000;">Conversamos nesta manhã (sexta-feira/02) com o professor e historiador Carlos Roberto Arléo Barbosa, que nos concedeu uma explicação sucinta e ao mesmo tempo rica, sobre a importância do 2 de julho para a história do Brasil e da Bahia.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Arléo desmistifica o 7 de setembro e o grito &#8220;Independência ou Morte&#8221; de D Pedro I. Segundo ele, o país tornou-se independente através das lutas travadas na Bahia  e não da frase emblemática dita pelo primeiro imperador, &#8220;às margens do Ipiranga&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vale a pena ouvir o significado de algumas personalidades humildes que se transformaram em heróis da nossa história.</span></h4>
<p><span style="color: #000000;"><a href="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2010/06/topo_gusmaopodcast2.jpg" rel="lightbox[16569]"><img class="alignleft size-full wp-image-15987" title="topo_gusmaopodcast2" src="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2010/06/topo_gusmaopodcast2.jpg" alt="" width="279" height="49" /></a></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="280" height="40" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.4shared.com/embed/331477001/6f106ab" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="280" height="40" src="http://www.4shared.com/embed/331477001/6f106ab" allowfullscreen="true"></embed></object></span></p>
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		<title>A ARTE DE PERGUNTAR</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Apr 2010 17:30:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de expressão]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Luiz Cláudio Cunha,  em 7/4/2010, para o Observatório da Imprensa. O jornalista Geneton Moraes Neto, é um gênio da raça. Da raça dos jornalistas. Sua empreitada atual é escarafunchar os subterrâneos da ditadura militar, ouvindo agora a voz sempre silenciosa de alguns de seus principais personagens: os generais. No sábado (3/4), o Globonews Dossiê [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4><span style="color: #000000;">Por Luiz Cláudio Cunha,  em 7/4/2010, para o <a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><strong>Observatório da Imprensa</strong></span></a>.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;">
<div id="attachment_12873" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><span style="color: #000000;"><a href="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2010/04/geneton.jpg" rel="lightbox[12872]"><img class="size-full wp-image-12873" title="geneton" src="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2010/04/geneton.jpg" alt="" width="200" height="131" /></a></span><p class="wp-caption-text">Geneton Moraes Neto.</p></div>
<p><span style="color: #000000;">O jornalista Geneton Moraes Neto, é um gênio da raça. Da raça dos jornalistas. Sua empreitada atual é escarafunchar os subterrâneos da ditadura militar, ouvindo agora a voz sempre silenciosa de alguns de seus principais personagens: os generais.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No sábado (3/4), o Globonews Dossiê de Geneton entrevistou o general Leônidas Pires Gonçalves, ex-comandante do DOI-CODI do I Exército, no Rio de Janeiro, no período mais sangrento do governo Ernesto Geisel.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No sábado (10/4), será a vez do general Newton Cruz, o notório Comandante Militar do Planalto, que em 1984 chicoteava os carros na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, enquanto suas tropas cercavam o Congresso no momento em que o trator governista esmagava em plenário a emenda das Diretas Já.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Fantasias fardadas</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O primeiro impacto foi provocado pela bombástica entrevista de Leônidas, mais conhecido como o primeiro ministro do Exército pós-ditadura, o general nomeado por Tancredo Neves e que se tornou o principal cabo eleitoral e fiador da posse de José Sarney. No Globonews Dossiê, a primeira surpresa é que o entrevistado aparece não como o ministro da democracia, mas como o chefe da repressão da ditadura. Leônidas é identificado, na legenda, como &#8220;chefe do DOI-CODI, 1974-77&#8243;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span id="more-12872"></span>O general falou, com uma fluência inédita e uma sinceridade desconcertante, levantando temas que beiram a fantasia, a leviandade e a arrogância. Desafiou qualquer um a dizer que foi torturado no DOI-CODI que ele comandou durante quase três anos, na fase mais turbulenta do governo Geisel. &#8220;Não houve tortura na minha área&#8221;, garantiu Leônidas.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deve ser um milagre na Terra, porque no mesmo I Exército, comandado pelo general Sylvio Frota entre julho de 1972 e março de 1974, o DOI-CODI carioca era um centro de morte, conforme apurou O Globo. Naquele espaço de 21 meses, contou o jornal, morreram 29 presos nas masmorras da Rua Barão de Mesquita, onde funcionava o centro de torturas do Exército, comandado pelo notório major Adyr Fiúza de Castro, um dos radicais mais temidos da ditadura. Bastou chegar ali e assumir o DOI-CODI carioca, diz o general Leônidas, e a paz dos anjos se instalou.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Confessa que foi dele a idéia de subornar um ex-dirigente do PCdoB, Manoel Jover Telles, que revelou local, dia e hora da reunião do Comitê Central do partido, em dezembro de 1976, em São Paulo. Leônidas diz que entregou uma quantia equivalente a R$ 150 mil à filha do delator, que depois ganhou um emprego na fábrica de armas Rossi, em São Leopoldo, onde hoje vive aposentado. A operação de cerco foi montada pelo chefe do setor de operações do CIE (Centro de Informações do Exército), coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o criador e primeiro chefe do DOI-CODI paulista do II Exército, na Rua Tutóia.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ustra comandou pessoalmente o ataque à casa do PCdoB, num tiroteio que prendeu dirigentes e matou três chefes do partido num entrevero sangrento conhecido como o &#8220;Massacre da Lapa&#8221;. Por coincidência, o coronel Ustra chefiou a tropa de ataque do CIE no mesmo período – 1974-77 – em que o general Leônidas comandava o remanso de paz da Barão de Mesquita. Entre outras fantasias, Leônidas continua acreditando que o jornalista Vladimir Herzog é apenas um &#8220;suicida assustado&#8221; pelo simples fato de ser convocado ao centro de torturas da Tutóia.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Efeitos desastrosos</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que não surpreende, nesta entrevista, é a competência do entrevistador, talvez o melhor perguntador da imprensa brasileira. Aos 54 anos, Geneton Moraes Neto é um repórter discreto, persistente, talentoso e criativo, que tem o faro da notícia e uma habilidade invulgar para fazer as perguntas precisas para as pessoas certas nos momentos mais inesperados, jogando luz sobre a história e dissecando biografias com a precisão de um legista. No seu blog, faz um relato bem-humorado de uma carreira que começou como repórter no Recife, onde nasceu, passou por Paris, onde sobreviveu como camareiro de hotel, motorista e estudante de cinema, e continua agora no Rio, onde é um dos astros mais tímidos da equipe de jornalismo da Rede Globo. Lá foi editor-executivo do Jornal da Globo e do Jornal Nacional, correspondente em Londres, repórter e editor-chefe do Fantástico, até pousar na Globonews como repórter de matérias especiais.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entre uma e outra pauta na TV, Geneton ainda encontra tempo, método e talento para escrever. Já são nove livros, entre 1983 e 2007, que revelam o prazer visceral de um jornalista veterano que exibe o ardor de um repórter iniciante. Ele mesmo se descreve, exibindo a diversidade de quem descobre temas e personagens de velhas histórias renascidas e recontadas com o viço de coisas novas, diferentes e inéditas. Escreve Geneton sobre seu fascínio pelo bom jornalismo e suas peripécias:</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;É a melhor profissão para quem não consegue ser outra coisa na vida. [Tive] a chance de percorrer corredores da morte em prisões de segurança máxima americanas, ruínas de campos de concentração na Alemanha, além de entrevistar três astronautas que pisaram na Lua, duas sobreviventes do naufrágio do Titanic, o co-piloto do avião que jogou a bomba atômica sobre Hiroshima, o produtor de todos os discos dos Beatles, o assassino do líder negro Martin Luther King, o promotor britânico que comandou a condenação dos criminosos nazistas no Tribunal de Nuremberg, o agente secreto britânico que armou um atentado – frustrado – para matar Hitler, o golpista que engendrou o célebre assalto ao trem pagador inglês. Entre trancos e barrancos, o jornalismo pode valer a pena.&#8221;</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E vale mais a pena quando vem pelo cálamo e pelo talento de Geneton, que consegue tornar simples uma dos mais complexos fundamentos do jornalismo: a arte de perguntar.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma pergunta bem formulada, precisa, cirúrgica, não deixa saída ao entrevistado, não permite fuga, não abre desvios. O bom repórter, antes da acuidade para ouvir, deve ter a competência para inquirir. E, neste campo, ninguém é melhor, mais certeiro, mais direto do que Geneton. Seus livros e seus programas na TV valem por um curso completo de jornalismo.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Algo mais doura esta habilidade inata de Geneton. Suas perguntas são objetivas, enxutas, minimalistas. Deve-se desconfiar, sempre, de repórteres que gastam cinco, dez, quinze linhas para formular uma simples pergunta, o que acaba revelando geralmente uma cabeça complicada, enredada, confusa. Os repórteres brasileiros estão cada vez mais prolixos, fluviais, espichados, em perguntas que mais confundem do que explicam.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A receita fica pior quando o repórter atrapalhado resolve emendar duas, três, quatro perguntas numa só. Em jornalismo escrito, é um erro factual. Na telinha da TV, é um erro mortal, porque tem dois efeitos desastrosos. Para o entrevistado, dá a chance dourada de desprezar a pergunta mais incômoda e difícil para escapulir pela resposta mais favorável. Para o telespectador, figura passiva e indefesa diante do que vê e ouve, a barafunda de perguntas em cascatas embaraçam conceitos e embaralham frases.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vale a pena</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A quem ainda não aprendeu que, no jornalismo, o entrevistado é sempre mais importante do que o repórter, a lição de humildade e competência de Geneton Moraes Neto é sempre um alento para quem está disposto a crescer no jornalismo.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem arrogância, Geneton enfrentou o general Leônidas com perguntas precisas que iluminaram a história e conseguiram arrancar o melhor (e o pior) do chefe da repressão política que se orgulha de seu trabalho na ditadura. Preocupado com a edição do programa na TV, Leônidas se apressou em ensinar jornalismo a Geneton: &#8220;Que minhas idéias não sejam suprimidas na edição. Se houver um corte, você me deixa mal&#8221;, avisou o general, esquecido de que o regime que ele defendeu se esmerava em cortes sistemáticos pela censura burra que suprimia idéia e fatos que sempre deixam mal as ditaduras. Geneton não cortou, e ainda assim o general Leônidas ficou muito mal pelas idéias que exprimiu, livremente.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sempre educado, mas incorrigivelmente firme, Geneton questionou a exótica versão do general de que líderes do regime deposto – como Arraes, Brizola, Jango, Prestes – saíram do Brasil, a partir de 1964, &#8220;porque quiseram&#8221;. Leônidas mirou no ex-governador Miguel Arraes:</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– Ele podia ficar em casa.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– Deposto – emendou Geneton.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– E qual é o problema? – admirou-se o general.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– Todo – encerrou Geneton, com a sintética sabedoria que o general, aos 88 anos, ainda não apreendeu. – Não havia condições de exercer a política no Brasil, naquela época, general.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O ex-chefe do DOI-CODI desdenhou toda uma fase de arbítrio e violência, dizendo que o país não teve exilados pelo golpe de 1964, mas apenas ‘fugitivos’.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– Eles que ficassem aqui e enfrentassem a justiça – pregou Leônidas.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">– General, num regime de exceção, a justiça não é confiável – replicou o repórter.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Geneton Moraes Neto, por coisas assim, é uma prova de que, com ele, o jornalismo vale a pena.</span></h4>
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		<title>A ENTREVISTA DO GENERAL LÊONIDAS: &#8220;O EXERCÍCIO CÍVICO DA VIOLÊNCIA&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Apr 2010 14:30:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Imagens]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Ditadura Militar]]></category>
		<category><![CDATA[General Leônidas Pires Gonçalves]]></category>

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		<description><![CDATA[Esse Geneton Moraes Neto é realmente um grande jornalista, que merece admiração de toda a classe. A entrevista que ele fez com o ex-ministro do exército, o general Leônidas Pires Gonçalves, é bombástica, reveladora do perfil político dos homens de farda que dirigiram nosso país por 21 anos. Para quem gosta de História, vale a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse Geneton Moraes Neto é realmente um grande jornalista, que merece admiração de toda a classe.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A entrevista que ele fez com o ex-ministro do exército, o general Leônidas Pires Gonçalves, é bombástica, reveladora do perfil político dos homens de farda que dirigiram nosso país por 21 anos.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para quem gosta de História, vale a pena assistir.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dividida em 6 partes.</span></h4>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<div id="_mcePaste" style="overflow: hidden; position: absolute; left: -10000px; top: 80px; width: 1px; height: 1px;">&lt;object width=&#8221;480&#8243; height=&#8221;385&#8243;&gt;&lt;param name=&#8221;movie&#8221; value=&#8221;http://www.youtube.com/v/92LZTRSZcCg&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;&#8221;&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name=&#8221;allowFullScreen&#8221; value=&#8221;true&#8221;&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name=&#8221;allowscriptaccess&#8221; value=&#8221;always&#8221;&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src=&#8221;http://www.youtube.com/v/92LZTRSZcCg&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;&#8221; type=&#8221;application/x-shockwave-flash&#8221; allowscriptaccess=&#8221;always&#8221; allowfullscreen=&#8221;true&#8221; width=&#8221;480&#8243; height=&#8221;385&#8243;&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object</div>
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<p style="padding-left: 60px;"><span id="more-12877"></span></p>
<p style="padding-left: 60px;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="429" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/xjDj7qqtWNg&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="429" height="344" src="http://www.youtube.com/v/xjDj7qqtWNg&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="padding-left: 60px;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="430" height="345" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Od0qhBulW5w&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="430" height="345" src="http://www.youtube.com/v/Od0qhBulW5w&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="padding-left: 60px;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="429" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/PMSVqN-bqG0&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="429" height="344" src="http://www.youtube.com/v/PMSVqN-bqG0&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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<p style="padding-left: 60px;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="429" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/FWOQRttVdw4&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="429" height="344" src="http://www.youtube.com/v/FWOQRttVdw4&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>SARNEY, UM ÍCONE</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Apr 2010 16:02:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[José Sarney]]></category>

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		<description><![CDATA[Por José Luiz Teixeira para o Terra Magazine. O senador José Sarney não irá mais assumir a Presidência da República, neste domingo, em substituição ao presidente Lula, que embarca para os Estados Unidos, como se cogitava em Brasília. Quem vai ficar no cargo será, mesmo, o vice-presidente José Alencar, segundo confirmou, nesta sexta-feira, 9, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por José Luiz Teixeira para o <a href="http://terramagazine.terra.com.br" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><strong>Terra Magazine</strong></span></a>.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a href="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2009/11/livro-detona-Sarney.png" rel="lightbox[12858]"><img class="alignleft size-full wp-image-5209" style="border: 1px solid black; margin: 10px;" title="livro detona Sarney" src="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2009/11/livro-detona-Sarney.png" alt="" width="200" height="200" /></a>O senador José Sarney não irá mais assumir a Presidência da República, neste domingo, em substituição ao presidente Lula, que embarca para os Estados Unidos, como se cogitava em Brasília.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quem vai ficar no cargo será, mesmo, o vice-presidente José Alencar, segundo confirmou, nesta sexta-feira, 9, a esta coluna sua assessoria.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sarney é o terceiro na ordem de sucessão de Lula. Os dois primeiros são o vice José Alencar, e, em seguida, o presidente da Câmara, Michel Temer.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ambos não queriam assumir interinamente o mais alto posto da República por motivos eleitorais &#8211; pela legislação, perderiam o direito a se candidatar em outubro.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span id="more-12858"></span>Alencar, porém, desistiu de pleitear um novo cargo eletivo e, com isso, não deu o gostinho a Sarney de vestir mais uma vez a faixa presidencial.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para o político maranhense seria apenas uma formalidade a mais, pois no que se refere ao poder propriamente dito ele nunca ficou de fora.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Além dos jaquetões e do tradicional bigode (que escapou ileso de uma recente cirurgia na boca), traz como marca registrada a capacidade de estar, sempre, entre os poderosos.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em 1965, filiou-se à Arena, braço político do regime militar, do qual permaneceu aliado até 1985.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ironia das ironias, nessa data rompeu com o Palácio do Planalto exatamente para voltar ao Palácio do Planalto, carregado nos braços pelo inimigo.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Depois disso, foi importante aliado político de seus sucessores. Como se diz no Maranhão, jamais abandonou a rapadura.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Trata-se de um ícone da política brasileira, com uma capacidade de adaptação camaleônica, e um jogo de cintura de fazer inveja às dançarinas do &#8220;rebolation&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eu jamais poderia imaginar que um dos próceres do regime que prendeu Lula, em 1979, se tornaria anos depois um de seus principais aliados.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ingenuidade minha. A um antigo amigo meu, Sarney e seus pares nunca enganaram.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na época da Guerra Fria, esse amigo costumava alertar a nós, os mais jovens, para que não nos iludíssemos com a classe política brasileira.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dizia que, se os comunistas tomassem o poder no Brasil, Moscou receberia um telegrama no dia seguinte escrito assim:</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;Vencemos. Aguardamos instruções. Assinado: José Sarney, Antonio Carlos Magalhães, Delfim Netto, Paulo Maluf etc&#8221;.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um profeta, aquele amigo.</span></h4>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">José Luiz Teixeira é jornalista. Formado pela Faculdade Cásper Líbero, trabalhou em diversos órgãos de imprensa, entre os quais as rádios Gazeta, Tupi e BBC de Londres, e os jornais O Globo, Folha de S.Paulo e Folha da Tarde.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Fale com José Luiz Teixeira: jl.teixeira@terra.com.br</span></p>
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		<title>&#8220;ELE&#8221; PARTICIPOU DA PRISÃO DE DILMA</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Apr 2010 02:35:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dilma Rousseff]]></category>
		<category><![CDATA[Imagens]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma informação quentíssima, que poucas pessoas em Ilhéus sabem. Reside na cidade um ex-agente do DOI-CODI (destacamento de operações de informações &#8211; centro de operações de defesa interna). Este órgão foi criado para reprimir os &#8220;subversivos&#8221; ao governo militar, entre os anos de 1964 a 1979 (o regime durou até 1985). O ex-integrante do sistema [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a href="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2009/10/dilma-roussef.jpg" rel="lightbox[12691]"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-2957" style="border: 1px solid black; margin: 10px;" title="dilma-roussef" src="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2009/10/dilma-roussef-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Uma informação quentíssima, que poucas pessoas em Ilhéus sabem.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Reside na cidade um ex-agente do DOI-CODI (destacamento de operações de informações &#8211; centro de operações de defesa interna). Este órgão foi criado para reprimir os &#8220;subversivos&#8221; ao governo militar, entre os anos de 1964 a 1979 (o regime durou até 1985).</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O ex-integrante do sistema repressivo afirma ter participado da operação que prendeu a guerrilheira Dilma Roussef em 1970, <span id="more-12691"></span>que fez parte do grupo Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR Palmares).  A candidata de Lula, na época, foi torturada e ficou presa por três anos.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O nobre senhor costuma explicar a este blogueiro que os tempos eram de guerra, ambos (militares ou subversivos) viviam diante do risco de perder a vida a qualquer momento.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O aposentado, hoje, goza dos direitos da lei da anistia, promulgada pelo general João Figueiredo em 1979. Com os seus polpudos proventos de oficial, ele vive a colecionar espécimes do gado bovino, de raças valiosas, que no balado mercado da elite pecuarista nacional, rendem muitos reais.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tranquilo, ele afirma que votará em José Serra, mas, não teme a vitória da mulher que prendeu, nos anos de chumbo da ditadura militar.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Atenção blogosfera e companheiros jornalistas, o Blog do Gusmão não tem autorização para revelar a identidade secreta desta figura importante da história brasileira.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não revelaremos em nenhuma hipótese, nem mesmo sob tortura. Não adianta insistir.<br />
</span></h4>
]]></content:encoded>
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		<title>O PASSADO &#8220;NEBULOSO&#8221; DO PROVÁVEL VICE DE DILMA</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Apr 2010 18:46:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dilma Rousseff]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Imagens]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Jogo do bicho]]></category>
		<category><![CDATA[Michel Temer]]></category>

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		<description><![CDATA[O deputado federal Michel Temer (PMDB) foi secretário de segurança pública de São Paulo, no governo de Luís Antônio Fleury Filho, nomeado após o massacre do Carandiru, em outubro de 1992. Sobre ele, assim escreveu um excelente jornalista: &#8220;Os admiradores e eleitores sabem que, paradoxalmente, ao mesmo tempo em que conteve o crime organizado, foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"></p>
<div id="attachment_12570" class="wp-caption alignright" style="width: 160px"><a href="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2010/04/michel_temer.jpg" rel="lightbox[12569]"><img class="size-thumbnail wp-image-12570" title="michel_temer" src="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2010/04/michel_temer-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Michel Temer</p></div>
<p></span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O deputado federal Michel Temer (PMDB) foi secretário de segurança pública de São Paulo, no governo de Luís Antônio Fleury Filho, nomeado após o massacre do Carandiru, em outubro de 1992. Sobre ele, assim escreveu um excelente jornalista:</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><em><strong><span style="color: #000000;">&#8220;Os admiradores e eleitores sabem que, paradoxalmente, ao mesmo tempo em que conteve o crime organizado, foi a época de melhor coexistência pacífica entre o jogo do bicho e cassinos clandestinos de um lado, e de outro lado o alto comando da polícia. Não se sabe de escândalo em sua gestão, mas não há quem não saiba em São Paulo que o comando da jogatina organizada e o impoluto jurista encarregado de reprimi-Ia se davam às mil maravilhas&#8221;.</span></strong></em></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Palmério Dória, no livro: Honoráveis Bandidos &#8211; Um retrato do Brasil na era Sarney, editora: Geração Editorial.<br />
</span></h4>
]]></content:encoded>
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