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	<title>BLOG DO GUSMÃO :: Multimídias, polêmica e reflexão &#187; Malu Fontes</title>
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		<title>JOÃO E O ‘METRÔZINHO’ DA ALEGRIA</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 10:00:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andrei Sansil</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Malu Fontes A pouquíssimos dias do Carnaval e com a cidade em plena alta temporada turística de verão, com múltiplas festas e ensaios a cada esquina, paradoxalmente Salvador poucas vezes esteve tão feia, mal cuidada e pouco receptiva para os milhares de turistas que recebe. A infra-estrutura da orla, antes acusada de estar mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Por Malu Fontes</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a href="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/2009/10/05/a-vida-sexual-da-perereca/malu-fontes/" rel="attachment wp-att-2929"><img class="alignleft  wp-image-2929" style="border-image: initial; border-width: 1px; border-color: black; border-style: solid; margin: 10px;" title="malu fontes" src="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2009/10/malu-fontes-150x150.jpg" alt="" width="135" height="135" /></a>A pouquíssimos dias do Carnaval e com a cidade em plena alta temporada turística de verão, com múltiplas festas e ensaios a cada esquina, paradoxalmente Salvador poucas vezes esteve tão feia, mal cuidada e pouco receptiva para os milhares de turistas que recebe. A infra-estrutura da orla, antes acusada de estar mais para uma estética favelizada, desandou de vez após a derrubada de todas as estruturas que ofereciam algum serviço aos banhistas nas praias sem que absolutamente nada tenha sido colocado no lugar. </span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As emissoras locais de televisão não cansam de mostrar, a cada matéria que veiculam sobre as praias em Salvador, os níveis de improviso que hoje imperam na orla. Se as velhas barracas de praia eram acusadas de serem feias, sujas e poluentes, agora a coisa está tão medonha quanto. Ou pior. O que se vê, para além de mesas de plástico encardidas, sombreiros puídos e lanches preparados e servidos em circunstâncias que fazem o diabo revolver as vísceras, são toneladas de lixo espalhadas por todas as praias de Salvador, enfeiando até mesmo um dos principais cartões postais da cidade, a praia do Porto da Barra, onde até um riacho de esgoto recentemente fez companhia ao lixo na areia. Sem falar no lixo jogado ao mar que se acumula no fundo da água. </span></h4>
<p><span id="more-63719"></span></p>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>UM CONSULADO</strong> - Simultaneamente à feiúra vista na cidade, seja a olho nu ou através das matérias que diariamente a imprensa impressa e televisiva veicula, um fenômeno político chama atenção: a decadência da gestão do prefeito João Henrique Carneiro, um saltador de partidos políticos que em seu segundo mandato resolveu abrir mão oficiosamente do cargo e se transformar em um dublê de muito mau gosto. </span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O dar de ombros do prefeito é tamanho que há muito deixou de dar entrevistas sobre os problemas da cidade e quando aparece é com factóides que merecem mais ovos que os atirados contra o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, quando da ida à missa pelo aniversário de 458 anos da cidade de São Paulo. Recentemente o prefeito faz-de-conta resolveu fazer um barulhinho na imprensa com uma iniciativa risível se ele não fosse tão desprovido de graça: escreveu uma carta a Hillary Clinton, secretária de estado dos Estados Unidos no Governo Barack Obama pedindo nada menos que um consulado dos Estados Unidos em Salvador. Se isso não é factóide, o que seria? Enquanto isso, os serviços públicos mais básicos, como assistência à saúde, limpeza urbana, transportes e educação parecem estar sob colapso e o prefeito finge não ter nada a ver com isso. Quando a imprensa questiona o caos, o prefeito escala seus subalternos doublês para dizer asneiras solenemente.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> A desaparição do prefeito das questões graves e feias que a cidade enfrente é tão absoluta que ele sequer se deu à obrigação de cumprir um dos compromissos mais formais do mandato: abrir os trabalhos da Câmara de Vereadores para 2012 na última quarta-feira. Uma Câmara, aliás, composta de tantos ausentes quanto o próprio prefeito. Uma vereadora que atende pelo nome fofo de ‘Tia&#8217; Eron, apontada como a mais ausente da legislatura, preferiu, no dia da reabertura, tomar um cafezinho esperto na sala destinada a esse fim, quem sabe para testar o poder de ressurreição física da cafeína para o trabalho. </span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Outra vereadora famosa, Léo Kret, esteve ausente, mas por um motivo que seu eleitorado deve considerar razoável: está confinada num trio elétrico onde se encena o primeiro reality show genuinamente baiano. Para quem não viu o Trio Reality, na TV Aratu/SBT, recomendam-se nervos estéticos fortes. Especula-se, inclusive, que a equipe de produção do programa tem de trabalhar mais que dobrado, pois se 10% do que a vereadora do sexo masculino diz no reality for ao ar, o mandato da moça-moço vai para as cucuias por falta de decoro. E vale lembrar que, para perder um mandato de vereança em Salvador por falta de decoro, a indecorosidade deve ser do arco da velha. Diz-se também que para além e aquém de Léo Kret, as estripulias sexuais cometidas (e jamais mostradas, por conta do horário) pelo povo do Trio Reality fazem a casa do BBB parecer o Castelo Ratimbum.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> <strong>GATALHO</strong> - Quanto ao prefeito e sua indisfarçável decisão de cruzar braços e pernas quanto aos problemas da cidade muito antes do fim do seu mandato, sua última aparição digna de registro se deu em um vídeo singelo que há uma semana circula nas redes sociais, mostrando-o animadérrimo com a mulher recém-conquistada, Mrs. Paraíso, formando um trenzinho, ou melhor, um metrozinho da alegria (para não perder a piada com o inacabável metrô de Salvador) para lá de constrangedor ao som de uma trilha sonora que, para a população, tem tudo a ver com os personagens envolvidos na dancinha: ao som de um dos hits de Cláudia Leite cujo versinho singelo entoa “safado, cachorro, sem-vergonha”, o prefeito e a consorte Paraíso encenavam um animado trenzinho bailante no Festival de Verão na semana passada. Sim, prefeito, a imagem é uma preciosidade, sobretudo levando em conta seu novo figurino, composto por camisas justérrimas, algo meio slim, no melhor do melhor da linha ‘gatalho’.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Enquanto isso, a TV exibe e repete trocentas vezes por dia campanhas publicitárias institucionais da Prefeitura de Salvador, com um refrão cínico dando conta de que, durante a gestão atual, essa mesma, a de João versão Paraíso no trenzinho, dá para ver o que mudou na cidade. Para melhor, claro. Um chefe de Executivo municipal que leva a terceira capital do país para a decadência que Carneiro levou deveria ser proibido por lei de mentir publicitariamente em anúncios dando conta das qualidades de sua gestão. Que mudança, cara pálida? Que as coisas mudaram, mudaram, mas para pior. Recomenda-se ao prefeito um luau com a nova primeira dama no Terminal Marítimo de Plataforma, onde há uma semana uma equipe da TV Bahia foi surpreendida com um roubo. Enquanto jornalistas da emissora gravavam uma matéria sobre a insegurança, a decadência e a completa falta de estrutura do lugar, o motoboy que leva a fita para a emissora com o material gravado teve o capacete roubado. Dá pra ver que mudou, né? Se isso é estar na melhor, pô, o que é estar na pior, né Salvador? </span></p>
<p><strong><span style="color: #000000;"> Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA.</span></strong></h4>
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		<title>PINHEIRINHO E O ALÇAPÃO DE POBRES</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 09:45:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andrei Sansil</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Malu Fontes No mês em que a cidade de São Paulo comemorou 458 anos, as cenas vistas na TV associadas à mais rica metrópole brasileira não foram de festa. As imagens vinculadas a São Paulo em janeiro, nos telejornais, foram as dos rotos e esfarrapados em confronto com a Polícia na Cracolândia, região Central [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Por Malu Fontes</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a href="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/2009/10/05/a-vida-sexual-da-perereca/malu-fontes/" rel="attachment wp-att-2929"><img class="alignleft  wp-image-2929" style="border-image: initial; border-width: 1px; border-color: black; border-style: solid; margin: 10px;" title="malu fontes" src="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2009/10/malu-fontes-150x150.jpg" alt="" width="120" height="120" /></a>No mês em que a cidade de São Paulo comemorou 458 anos, as cenas vistas na TV associadas à mais rica metrópole brasileira não foram de festa. As imagens vinculadas a São Paulo em janeiro, nos telejornais, foram as dos rotos e esfarrapados em confronto com a Polícia na Cracolândia, região Central da cidade, e as cenas de guerrilha urbana de milhares de famílias na favela de Pinheirinho, na Grande São Paulo, embora já em São José dos Campos. Sim, também houve imagens da chuva de ovos atirados contra o prefeito, Gilberto Kassab, na ida à missa de aniversário da cidade.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pinheirinho abrigava cerca de 6.000 pessoas em um terreno de 1,3 milhão de metros quadrados, pertencente à massa falida de Naji Najas e invadida em 2004. Independemente das questões de justiça e injustiça que podem ser invocadas em relação à decisão judicial de reintegrar a posse do terreno, expulsando os moradores e destruindo absolutamente todas as moradias, três aspectos chamaram àtenção na cobertura telejornalística durante a semana. Uma delas é repetida à exaustação sempre que uma calamidade atinge contingentes populacionais pobres no Brasil, o que equivale a dizer que é algo rotineiro nas manchetes jornalísticas: o que acontece com o exército de gente pobre 24h após as hecatombes que acontecem em suas vidas?</span></h4>
<p><span id="more-62523"></span></p>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>CUSPIDOS</strong> - Onde estão, hoje, os desabrigados do Morro do Bumba, em Niterói (RJ), dos deslizamentos da região serrana, também no estado do Rio, das enchentes do ano passado em Alagoas, das dezenas de favelas coincidentemente incendiadas em São Paulo ao longo de 2010 e 2011? Do mesmo modo, onde estarão no futuro as seis mil pessoas expulsas de Pinheirinho, sem tempo de sequer pegar roupas e documentos? Levando-se em conta as multidões de pobres que praticamente todos os meses são notícia na condição de vítimas de contingências, a maioria delas vinculadas à sua condição sócio-econômica, associada ao crônico desmando político no país, tem-se a impressão que o Brasil dispõe de um alçapão para fazer desaparecer os pobres que são cuspidos ainda mais radicalmente da fronteira mínima da dignidade em que vivem quando são vítimas de uma tragédia.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No telejornalismo, o roteiro é o mesmo: o contingente de desamparados é mostrado, as lideranças políticas são entrevistadas e garantias do poder público são dadas, anunciando que toda a assistência será dada às vítimas. O telespectador já sabe que isso não é verdade. Pouquíssimos dias depois é como se essas pessoas  desaparecessem por mágica, no tal alçapão de pobres, e são substituídas logo a seguir nas manchetes por outro grupo em situação ainda pior. No episódio de Pinheirinho, um segundo aspecto a chamar àtenção, e que também costuma se repetir em casos semelhantes de desocupação por ordem judicial e força policial, são as razões que levam o poder público a permitir ou fazer vista grossa à formação de um bairro durante oito anos e, quando milhares de pessoas estão com suas vidas aparentemente estruturadas, arranca-se do chão em menos de 24 horas tudo o que foi permitido em quase uma década.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>MULHERES RICAS</strong> - Por fim, tanto quanto a pancadaria entre moradores e policiais na favela e no entorno de Pinheirinho, sooaram mais que cínicas as declarações de representantes do poder público aos repórteres de TV diante das acusações dos moradores de que a Polícia derrubou as casas com todos os móveis dentro, não permitindo que os donos retirassem seus pertences. Os argumentos dados à imprensa para que isso possa ter acontecido fazem as Mulheres Ricas soarem como samaritanas humanitárias da Cruz Vermelha: foi oferecida a todos os moradores a possibilidade de lacrar e etiquetar todos os seus móveis e dar um endereço para onde se queria que eles fossem enviados por um serviço da Prefeitura de São José dos Campos. Se não pediram o serviço nem deram o endereço de entrega&#8230;  Ah, tá! Certamente disponibilizariam um depósito privado e cuidadoso de móveis, talvez localizado nas cercanias de Alphaville, com garantias anti-cupim e anti-ferrugem.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se fosse mesmo real a oferta desse serviço tão cuidadoso de etiquetagem e depósito oferecido pela Prefeitura para os pertences existentes dentro da casa dos expulsos, por que, então, a mesma Prefeitura deixaria milhares de pessoas, incluindo velhos, crianças e doentes amontoados em abrigos insalubres, improvisados em escolas públicas cheias de cocô de pombo e sem condições de higiene? E milhares de pessoas abrigadas por um padre numa igreja sem estrutura de banheiros, cozinha e vazos sanitários?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>CACHORRO</strong> - Esse país ou esse mundo andam mesmo muito estranhos. Uma população fica revoltada e quer pena de morte para uma histérica que agride um cachorro, uma prefeitura oferece etiquetagem mentirosa de móveis para milhares de pessoas que têm suas casas destruídas pela Polícia e, ao mesmo tempo, ninguém parece se importar com gente apanhando e morrendo na rua de qualquer metrópole e muito menos com famílias que perdem tudo e são obrigadas a viver como formigas, esmagadas umas sobre as outras em depósitos improvisados de gente.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA.</span></strong></h4>
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		<title>A POLÍCIA NO PROJAC</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 09:45:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andrei Sansil</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Big Brother Brasil 12]]></category>
		<category><![CDATA[Globo]]></category>
		<category><![CDATA[Luiza no Canadá]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Malu Fontes Nem bem estreou e o Big Brother Brasil 12 já chegou dizendo a que veio: convocou todo o país para falar de um suposto estupro na tal casa e todo mundo atendeu à convocação, a imprensa junto, é claro. Há uma semana que não se fala em outra coisa no País. Daniel [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Por Malu Fontes</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a href="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/2009/10/05/a-vida-sexual-da-perereca/malu-fontes/" rel="attachment wp-att-2929"><img class="alignleft  wp-image-2929" style="border-image: initial; border-width: 1px; border-color: black; border-style: solid; margin: 10px;" title="malu fontes" src="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2009/10/malu-fontes-150x150.jpg" alt="" width="120" height="120" /></a>Nem bem estreou e o Big Brother Brasil 12 já chegou dizendo a que veio: convocou todo o país para falar de um suposto estupro na tal casa e todo mundo atendeu à convocação, a imprensa junto, é claro. Há uma semana que não se fala em outra coisa no País. Daniel estuprou ou não estuprou Monique? Pouco importa saber quem é um ou outro. Basta saber que são BBBs para que aquilo que um fez com o outro, ou contra o outro, passe a ter relevância nacional. Quiçá, internacional, visto que o formato BBB é globalizado, vale lembrar.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Para se chegar a essa convocação  atendida majoritariamente por uma sociedade inteira, não se pode perder de vista, mais do que o assunto em si, a força desprogramada e incontrolável do fenômeno que já atende pelo nome de informação compulsória ou jornalismo compulsório. O fenômeno consiste no seguinte: mesmo que um determinado leitor não tenha absolutamente nenhum interesse num tipo específico de notícia, geralmente relacionada ao mundo das celebridades, ele saberá dessa notícia.</span></h4>
<p><span id="more-61892"></span></p>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>MORTO</strong>- Exemplos claros de notícias compulsórias: seja você quem for, se nas últimas semanas não tiver lido ou ouvido nada sobre o estupro do BBB, Luiza no Canadá e sobre Michel Teló, muito cuidado. Beslique-se, pois você deve estar morto. A consequência imediata da noticia compulsória é transformar o país num Fla-Flu, num Ba-Vi: uns são mortalmente contra o personagem objeto da notícia, outros doentiamente a favor e uma dúzia de silenciosos querem se mostrar intelectualmete superiores por se acreditarem fora do estádio apenas por ficarem rondando-o de soslaio na porta taxando os outros de imbecis.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> Se houve estupro ou não na casa do BBB, exibido pela Globo apenas para os telespectadores que têm TV por assinatura e compraram o Big Brother 12 pay per view, a emissora, a Polícia, a Justiça e os envolvidos que deem ao episódio o tratamento que a lei determina. Estupro é crime e até onde de sabe o Código Penal não é flexível para contextualizações como o fato de ambos estarem trêbados com a anuência e estímulo de uma atração televisiva e do ato ter acontecido diante de trocentas câmeras. Embora Boninho, o eterno diretor do programa tenha insinuado queixas à lei que enquadra o estupro, considerando-a como &#8220;muito ampla&#8221;, o fato é que estupro é estupro e não há meio termo.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para além do que quer que seja que tenha ocorrido nas barbas da Globo e de sua tipificação ou não como crime, impressionou a flora e a fauna que vieram a público &#8216;enriquecer&#8217; o debate. De &#8216;blogueiros progressistas&#8217; que aproveitaram o coito global para puxar o saco do patrão atual e lavar mágoas com os Marinho, pedindo que o Governo Dilma cassasse imediatamente a concessão da Rede Globo como emissora de TV até empresários e agentes dos dois personagens envolvidos trocando acusações moralistas, racistas e sexistas, nenhum nicho de protestantes deixou de dar seu depoimento nas redes sociais desde o imbróglio do edredon.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>POVO NEGRO</strong> - Sim, a repercussão se tornou maior que o fato e por mais que no dia do ocorrido Pedro Bial tenha resumido o que pode ter sido um crime sexual com um &#8220;o amor é lindo” e tenha explicado ao público a expulsão do acusado de estupro com um vago &#8220;comportamento inadequado&#8221;, durma-se a Globo e os patrocinadores do BBB com um barulho desses feito pela fauna e flora na web. Quem quiser que acredite que os principais patrocinadores do programa fiquem extamente tranquilos com sua imagem junto ao público tendo investido mais de 100 milhões de reais e vendo suas marcas associadas a estupro. A emissora, por sua vez, teve um consolo e tanto. Se antes do &#8216;estupro&#8217; a audiência do BBB 12 patinava na faixa dos 20 pontos, a pior de todas as edições, após o sexo supostamente não consentido o Ibope registrou um crescimento de 80% na audiência, que passou dos 36 pontos. Na fauna e flora já há o nicho que garante que o estupro foi forçado para inflar a audiência e que Daniel não passa de um vendido traidor do povo negro.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> E já convocando o diabo para refestelar-se nos detalhes, vale lembrar que, tendo sido estupro de vulnerável, abuso sexual ou relação sexual consentida, é fato que, dado o estado de perturbação alcoólica do casal, jamais cogitou-se convidar a camisinha para meter-se sob o fatídico edredon. Aliado a isso sabe-se que fazer sexo sem proteção com um parceiro que nunca se viu na vida e cuja responsabilidade com o par é zero, sempre pode acabar, no mínimo, em duas roubadas: na contaminação por uma DST (Doença Sexualmente Transmissível) dessas que se tem que carregar para sempre, Aids incluída, ou numa gravidez indesejada.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>ABORTO</strong> - Como perguntar não ofende, vale uma interrogação:  se foi mesmo estupro e a moça tivesse ficado grávida, o público, em se tratando do BBB, seria convocado a participar da decisão a ser tomada sobre o destino do feto? Sim, pois em caso de estupro o direito de abortar é assegurado por lei no Brasil. E as igrejas, evangélicas e católicas, já que agora são todas amigas do tipo unha&amp;cutícula com a Globo, iriam todas se manifestar contra a opção do aborto,  como fizeram durante a campanha eleitoral? Ou quem sabe Boninho, o eterno diretor do programa, poderia encampar o nascimento do rebento para, uma vez nascido, mantê-lo para sempre aprisionado na &#8216;Casa&#8217; e inaugurar outro reality na linha Truman Show?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Outra pergunta cabível em tempos de estupro transmitido ao vivo por pay per view: que tal nas próximas edições do BBB chamar o consultor e comentarista da Globo, Rodrigo Pimentel, para ensinar aos brothers e sisters como fazer para tomar todas e não correr o risco de estuprar nem ser estuprado na &#8216;Casa&#8217; do Projac? Se ele vai até para a Rodoviária do Tietê no Natal ensinar aos nordestinos como não descuidarem-se das mochilas de costas para não atrair ladrão e às ruas para ensinar como as mulheres devem proteger a bolsa ao carregá-las&#8230; Convoca o Rodrigo Pimentel, Bial.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA. </span></strong></h4>
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		<title>DISPERSA,  CRACOLÂNDIA, QUE AS ELEIÇÕES VÊM AÍ</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 09:39:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andrei Sansil</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Telejornais]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Malu Fontes Depois de cerca de duas décadas tolerando ou fingindo não ver a multiplicação de usuários de crack e de outras drogas em seu centro, a cidade de São Paulo resolveu enfrentar o exército de morimbundos da cracolândia de uma hora para a outra e de uma maneira pouco eficente. E pelo andar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Por Malu Fontes</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a href="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/2009/10/05/a-vida-sexual-da-perereca/malu-fontes/" rel="attachment wp-att-2929"><img class="alignleft  wp-image-2929" style="border-image: initial; border-width: 1px; border-color: black; border-style: solid; margin: 10px;" title="malu fontes" src="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2009/10/malu-fontes-150x150.jpg" alt="" width="120" height="120" /></a>Depois de cerca de duas décadas tolerando ou fingindo não ver a multiplicação de usuários de crack e de outras drogas em seu centro, a cidade de São Paulo resolveu enfrentar o exército de morimbundos da cracolândia de uma hora para a outra e de uma maneira pouco eficente. E pelo andar da carrugem e do tamanho do barulho que se viu nos telejornais nas últimas semanas sobre o assunto, o enfrentamento continua não dando muito certo. Ao invés de prender os traficantes que abastecem a região e de oferecer tratamento para os zumbis humanos que circulam por lá, o que se fez foi tão somente deflagrar uma operação de dispersão dos chapados.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ninguém em sã consciência e sem hipocrisia pode discordar de que o Centro de São Paulo há muito tempo vem requerendo alguma ação política, sanitária, de segurança pública e preferencialmente várias ações dessa natureza coordenadas para impedir que um pedaço urbano do país continuasse a viver sob um sistema de exceção quanto ao tráfico e ao uso de drogas. Ou seja, embora o trafico de drogas seja crime e seja, inclusive, responsável por um percentual gigantesco da população carcerária brasileira, na Cracolândia o tráfico é, há anos, praticado 24 horas por dia, sob a vista omissa de todas as autoridades, de todas as esferas.</span></h4>
<p><span id="more-61188"></span></p>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>FESTA DO CACHIMBO</strong> – No entanto, um dado importante e que parece não caber na cobertura dos telejornais acerca da ação da polícia na Cracolândia é a grande coincidência que há entre o fato de se ter adotado agora a tal dispersão dos usuários de drogas do local e a proximidade das eleições. Sim, as eleições para prefeito se aproximam e três personagens protagonistas da sucessão paulistana dariam um rim para poderem anunciar primeiro para os eleitores algo do tipo: quem acabou com a festa do cachimbo fui eu. Para Geraldo Alckmin, o atual governador do Estado de S. Paulo, do PSDB e Gilberto Kassab, o atual prefeito da cidade, do PSD, chegar às vésperas das eleições sem uma solução, maquidada e superficial que seja, para a Cracolândia, equivale a colocar azeitona na candidatura de Fernado Haddad, a carta do PT, de Lula, Dilma e de quem mais reza pela cartilha do grupo para o cargo de prefeito de São Paulo.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Diante da iminência de que o Governo Federal planejava, através do Ministério da Saúde, uma ação para implantar na Cracolândia, com o objetivo de turbinar o nome de Haddad como candidato à Prefeitura, o governador e o prefeito atuais precisavam correr, não necessariamente juntos, já que têm interesses diferentes no processo eleitoral, para não correrem o risco de deixar no eleitorado a impressão de omissão, caso o ministro Alexandre Padilha anunciasse antes algum plano para os usuários.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A pressa de Alkmin e Kassab foi tanta que a coisa se transformou numa tradução do dito popular segundo o qual o apressado come cru. Movidos pela astúcia de sair na frente do Governo Federal, fosse como fosse, as autoridades paulistanas colocaram de uma maneira desordenada a polícia na rua, sem nenhuma estratégia sobre o que fazer com os dispersos no momento seguinte, já que não tinha para onde encaminhá-los nem como tratá-los, dado o volume do grupo e o nível de complexidade do vício em crack. Sequer esperaram a inauguração do abrigo que estava sendo preparado pela Prefeitura para acolher os usuários, oferecendo-lhes tratamento, assistência social, psicológica e psiquiátrica durante o processo de abstinência e de ressocialização. A previsão de inauguração era a primeira semana de fevereiro. Agora, o carro já foi para a frente dos bois.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>FRACASSO</strong> - Embora a TV não consiga mostrar e contar ao telespectador todos os detalhes envolvendo a operação na Cracolândia, os jornais impressos vêm contando todos os dias detalhes do arco da velha sobre os bastidores da ação, o que explica o considerado fracasso da medida. A venda de drogas na região continua a ocorrer, quem quis se internar não achou vaga no serviço público e boa parte não deixou de consumir, traficar ou viver na rua. Simplesmente o contingente se dispersou pelos bairros da imediações, o que mais arranhou a imagem dos governantes junto à população. Uma solução mesmo que mediana para o problema continua longe. De concreta mesmo, uma evidência: a medida foi tomada agora e desse modo apenas por conta das eleições para a Prefeitura de São Paulo, porque três partidos estavam um com medo de o outro fazer algo antes para ficar bem na fita com o eleitorado.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA.</span></strong></h4>
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		<title>ÁGUA MINERAL PARA MALTÊS E LAMA PARA GENTE</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Jan 2012 09:45:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andrei Sansil</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Malu Fontes Quem tem muito dinheiro, obviamente pode gastá-lo como quiser e, claro, comportar-se como bem quiser e ninguém tem, em tese, nada a ver com isso. Entretanto, quando esse quem decide que vai fazer essas duas coisas em relação ao seu próprio e rico dinheiro em público, ou seja, gastá-lo e comportar-se perante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Por Malu Fontes</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a href="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/2009/10/05/a-vida-sexual-da-perereca/malu-fontes/" rel="attachment wp-att-2929"><img class="alignleft  wp-image-2929" style="border-image: initial; border-width: 1px; border-color: black; border-style: solid; margin: 10px;" title="malu fontes" src="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2009/10/malu-fontes-150x150.jpg" alt="" width="120" height="120" /></a>Quem tem muito dinheiro, obviamente pode gastá-lo como quiser e, claro, comportar-se como bem quiser e ninguém tem, em tese, nada a ver com isso. Entretanto, quando esse quem decide que vai fazer essas duas coisas em relação ao seu próprio e rico dinheiro em público, ou seja, gastá-lo e comportar-se perante um país inteiro, que potencialmente poderá espiar cenas explícitas de exibicionismo econômico e de consumismo, então não poderá reclamar dos julgamentos que certamente espocarão na mesma velocidade da iluminação dos tubos catódicos da TV.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E é esse tipo de julgamento que vem acontecendo na imprensa, nas páginas de comentários de blogs e sites e nas redes sociais desde a estreia, na semana passada, do reality show da Band, Mulheres Ricas. O programa entrou na ar na última segunda-feira  para ocupar o horário durante a temporada de férias do CQC. A atração reúne cinco mulheres milionárias, seja por herança de família, fruto de trabalho ou por cama, traduzida, neste caso, como casamento, claro. A socialite carioca ‘ai que loucura’ Narcisa Tamborindeguy, a ex-sem terra, capa de Playbloy e atual piloto de Fórmula Truck e rica Débora Rodrigues, a joalheira Lydia Sayeg, a arquiteta Brunete Fraccarolli e a empresária e apresentadora de TV Val Marchiori estão no ar para mostrar ao país como é viver sem limite no cartão de crédito.</span></h4>
<p><span id="more-60563"></span></p>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>TRAVESTI</strong> - De saída, se há algo obrigatório quando se vê, analisa ou critica qualquer programa de televisão é não perder a ideia de contexto e de conjunto do fluxo televisivo, do que é o veículo TV e do gênero com o qual determinada atração televisiva dialoga e que veio antes dela. Embora, no Brasil, o gênero reality tenha se consolidado com o Big Brother Brasil, da Globo, que esta semana estreia a sua 12ª edição, o SBT bem que tentou sair na frente com sua Casa dos Artistas. Num paralelo não só com o BBB, mas com a Casa dos Artistas, A Fazenda e coisas que tais, as moiçolas ricas da Band saíram perdendo de goleada na estreia.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não se fala de audiência, claro, que ninguém de bom senso vai comparar a audiência e o faturamento turbinados de um BBB com os 4 pontos e alguma coisa marcados na estreia de Mulheres Ricas. Fala-se de justificativa para tamanha exposição para quem já tem tanto dinheiro, do potencial empatia com o público e do elemento mais delicado de todos na TV: espontaneidade ou, pelo menos, representação com naturalidade. Para quem achava o povo do BBB esquisito, artificial, que experimente 5 minutos diante do repertório de Val, Brunete e Lygia, diante das quais Narcisa e Debora parecem cool e os BBBs parecem atores capazes de interpretar Hamlet. Algumas das muheres ricas da Band são tão over e caricatas que parecem estar imitando um travesti sem talento num palco.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>GUILHOTINA</strong> - Como não arregalar os olhos diante de uma uma velhota coberta de botox e surtada ao ponto de exigir ser fotografada para a capa de uma revista segurando uma Barbie, ambas vestidas e maquiadas à imagem e semelhança uma da outra? A tal, com sua autoridade de arquiteta, alfineta diante da casa de Debora Rodrigues, pintada de azul turquesa, que o único jeito para a casa melhorar de aspecto seria a demolição. Sim, mas o que diz seu próprio espelho de Dona Brunete, diante daquele rosto esculpido de silicone e botox e do seu cabelão de Barbie? Um espelho sensato sugeriria a ressurreição da guilhotina de Maria Antonieta para, quem sabe, com algum esforço, tentar aproveitar o que sobrasse ao sul do pescoço com um transplante de cara.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O povo que nunca gostou de livro mas tem uma atração fatal pela pretensão de parecer ilustrado poderá aproveitar mulheres ricas para fazer um curso intensivo de filosofia by Chanel. Sim, depois que a rasize abusou de mandar correntes por e-mail com textos que Pessoa, Veríssimo, Jabor e Borges nunca escreveram e depois que não-leitores de Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu resolveram assassiná-los diariamente no Facebook e no Twitter, agora é a vez do povo da TV transformar Chanel em filósofa. Quer uma frase feita sobre elegância? Diga-se qualquer merda, coloque na boca de um personagem e diga que é de Chanel. Até Maria Adelaide Amaral foi longe para promover sua minissérie sobre Dercy Gonçalves. Para ela, Dercy e Chanel tinham a mesma classe, o mesmo brilho e a mesma filosofia de vida. Ah, tá. Val Marchiori and friends não abrem a boca sem citar uma máxima atribuída a Chanel.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>PORNOGRAFIA</strong> – Entretanto, o melhor personagem da estreia de Mulheres Ricas não fazia parte do elenco. Era um coadjuvante: o jornalista e escritor Guilherme Fiuza, colunista da revista Época e autor de vários livros. Meio sizudo e sempre mal humorado em seus comentários sobre os mal feitos do governo, soa hilário ele achar tudo tao bem feito no comportamento da mulher, a rica e ‘rafinada’(sic) Narcisa. Sim, na estreia de Mulheres Ricas, o seríssimo Guilherme Fiuza lembrou ao país que, indepedentemente do dinheiro do ser amado, sim, o amor parece continuar muito cego.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Outra coisa que deu para aprender com o programa, usando a estratégia de ver TV no fluxo, ou seja, zapeando e confrontando cada cena, programa ou notícia com o contexto do país, foi a extensão do significado do termo pornografia social. Tem coisa mais pornográfica do que ver uma rica mostrando que sua cachorra maltês só toma água mineral, e em taça de cristal, enquanto, logo após, o telejornal da mesma emissora e todos os demais concorrentes mostram milhares de brasileiros desabrigados, afogados, sem socorro, gente literalmente atolada na lama, com casa e família juntas, em avalanches de enchentes diante das quais o país não investe um centavo em prevenção? Vá convencer uma criança pobre que não é melhor ser cachorro de madame&#8230; Ah, em tempo: no dia 10 estreia o primeiro reality da TV baiana. Oito pessoas confinadas dentro de um trio elétrio, o Trio Reality, na TV Aratu/SBT. Diz-se que o elenco será formado por semi-famosos que ficaram no meio caminho rumo ao estrelato da Axé Music. Oremos </span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA.</span></strong></h4>
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		<title>OS ESTRESSADOS E AS VÍTIMAS</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jan 2012 10:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andrei Sansil</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Malu Fontes]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<description><![CDATA[Por Malu Fontes Pelos telejornais, chega todos os dias, para a maioria dos brasileiros, apenas um pequeno balanço dos desmandos que ocorrem nos bastidores do poder. Sabe-se que o que chega a se transformar em falas, imagens e documentação na televisão, e na imprensa de modo geral, é tão somente uma crosta superficial, fruto, quase [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Por Malu Fontes</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a href="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/2009/10/05/a-vida-sexual-da-perereca/malu-fontes/" rel="attachment wp-att-2929"><img class="alignleft  wp-image-2929" style="border-image: initial; border-width: 1px; border-color: black; border-style: solid; margin: 10px;" title="malu fontes" src="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2009/10/malu-fontes-150x150.jpg" alt="" width="116" height="116" /></a>Pelos telejornais, chega todos os dias, para a maioria dos brasileiros, apenas um pequeno balanço dos desmandos que ocorrem nos bastidores do poder. Sabe-se que o que chega a se transformar em falas, imagens e documentação na televisão, e na imprensa de modo geral, é tão somente uma crosta superficial, fruto, quase sempre, da insatisfação de alguém envolvido em um esquema de desvio de recursos ou beneficiamento ilícito. Por alguma razão, um dos atores sociais do imbróglio sente-se prejudicado e resolve jogar no ventilador. Dificilmente há uma semana em que não seja veiculada nos telejornais uma denúncia de ‘mal feito’ envolvendo algum órgão público.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>DESONESTO</strong> - Do mesmo modo, a cada ano sucedem-se na tela imagens apocalípticas de sucessivas tragédias brasileiras, todas elas, de algum modo, representando, sim, as consequências avessadas da corrupção, do desvio de dinheiro público, da omissão dos governantes. Se a TV noticia a cada final de ano ou em todos os pós-feriado uma montanha de corpos mortos e feridos no trânsito, se as retrospectivas noticiosas a cada ano dão conta de milhares de assassinatos, assaltos e latrocínios, se o número de crianças e jovens analfabetos é vergonhoso, o que está no fundo da explicação para isso tudo senão o fato de que, quem tem poder para começar a mudar as coisas, privilegiar a ascensão da vida financeira privada, sob os cofres públicos?</span></h4>
<p><span id="more-60055"></span></p>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entre as maiores tragédias vistas pelo Brasil em 2011, uma representou tudo o que poderia haver de pior, mais feio, mais trágico, desonesto e nojento na gestão pública dos problemas brasileiros: a tragédia causada pelas chuvas e suas consequências na região serrana do Rio de Janeiro, envolvendo sete municípios, entre eles os turísticos Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo. Foram mais de 900 mortos e 35 mil desabrigados. Há famílias que até hoje nunca encontraram os corpos de seus entes queridos.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como sempre ocorre no Brasil, assim que o episódio trágico ocorreu, a cobertura foi plena, absoluta, geral e irrestrita. Transmitiam imagem até de dentro dos ouvidos das crianças resgatadas cobertas de lama. Manifestações de solidariedade de todo o país e até do mundo chegavam, eram bem vindas e emocionavam, comoviam e mobilizavam o país inteiro, diante da TV, como sempre. Um ano depois, no entanto, a tragédia parece apenas ter sido engessada, tornou-se seca como a lama quando a água evaporou, apenas por osmose, pelo efeito do tempo e da natureza. No entanto, dos milhões que foram destinados pelos órgãos públicos para remediar o impacto trágico na vida dos sobreviventes, pouco se sabe e, desse pouco, o que se sabe é muito ruim.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>VIUVEZ</strong> - Um ano depois, milhares de desabrigados continuam com suas vidas praticamente em suspenso, no fio da navalha da inviabilidade cotidiana. Durante a semana, um desabrigado cuja mulher morreu, perdeu a casa inteira, com absolutamente tudo o que havia dentro e que até hoje lida com os traumas de um filho pequeno que foi arrastado por quatro quilômetros pela hecatombe de lama, água, correnteza, paus, pedras, restos de casa, corpos e animais, denunciava chorando a cegueira indefinível das autoridades burocráticas do município: para poder ser beneficiado com ajuda para a reconstrução da casa é preciso oficializar a viuvez. Para oficializar a viuvez, no entanto, é obrigatória a apresentação de todos os documentos do casamento, dos comprovantes da união e dos documentos pessoais da morta. Mas como, se tudo foi levado pela enxurrada? Há um ano ele trava esse diálogo de surdo com a burocracia imposta pelas autoridades que dizem que, sem isso, nada podem fazer para ajudá-lo nem aos seus filhos órfãos.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que traduz, no entanto, a tragédia moral brasileira que norteia as relações do poder com a sociedade são as denúncias de desvio da quase totalidade dos recursos destinados pelos órgãos competentes para a reconstrução da cidade. Prefeitos, vereadores, secretários municiais, empresários da área de construção civil e que tais uniram-se em um complô não para devolver, o mais rápido possível, um pouco da dignidade perdida pelas pessoas que perderam suas famílias, seu trabalho, suas casas e seus objetos adquiridos ao longo de uma vida. Juntaram-se para desviar dinheiro. Prefeitos da região já foram cassados, uma CPI já foi criada na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro para investigar os culpados e o montante desviado.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>BOLSOS</strong> - Na imprensa nacional, seja nos jornais ou na televisão, pouco se fala e mostra sobre o quão despedaçadas ainda estão as vidas dos sobreviventes, alguns vivendo até hoje como zumbis, duas ou três vezes vítimas. Primeiro, vítimas da falta de planejamento urbano de prefeituras populistas omissas que tudo permitem, até construir sobre cursos de rios e em cima de pedras. Depois, vítimas do imponderável que foi a precipitação pluviométrica recorde no período tão curto e numa região de solo tão específico. E, finalmente, o imperdoável do imperdoável: vítimas de gestores que desviam dinheiro público destinado para reconstruir as cidades e parte da vida das pessoas para cortar caminho rumo ao enriquecimento. Um dos prefeitos da região, meses após a tragédia, foi espairecer em Paris. Argumentou que estava estressado. A questão mais grave desse país é que as vítimas se estressam muito pouco. Já seus governantes, vivem fugindo para paraísos que o dinheiro alheio pode pagar para desestressar-se dessa prática tão cansativa que é pensar tanto em como encher mais rápido os próprios bolsos.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA. </span></strong></h4>
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		<title>DRAMA, MAU GOSTO E DITADORES</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 10:00:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andrei Sansil</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Malu Fontes]]></category>
		<category><![CDATA[Cristina Kirchner]]></category>
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		<description><![CDATA[Por Malu Fontes Entre as imagens que marcaram a semana televisiva uma destacou-se: o espetáculo de histeria coletiva jamais visto nos telejornais. O público está acostumado a funerais de papas, ídolos da música, astros da história do cinema e de lideranças políticas de todos os matizes ideológicos. Mas quem já havia visto cenas de multidões [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Por Malu Fontes</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a href="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/2009/10/05/a-vida-sexual-da-perereca/malu-fontes/" rel="attachment wp-att-2929"><img class="alignleft  wp-image-2929" style="border-image: initial; border-width: 1px; border-color: black; border-style: solid; margin: 10px;" title="malu fontes" src="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2009/10/malu-fontes-150x150.jpg" alt="" width="120" height="120" /></a>Entre as imagens que marcaram a semana televisiva uma destacou-se: o espetáculo de histeria coletiva jamais visto nos telejornais. O público está acostumado a funerais de papas, ídolos da música, astros da história do cinema e de lideranças políticas de todos os matizes ideológicos. Mas quem já havia visto cenas de multidões histéricas nas ruas, sem precisar sequer estar no espaço físico do funeral, como se viu nas imagens que correram o mundo anunciando a morte do ditador norte-coreano Kim Jong II? Como todas as imagens foram distribuídas no mundo pelo governo coreano, uma das ditaduras mais fechadas do mundo, os telejornais questionam até que ponto a emoção do povo era legítima ou uma espécie de performance coletiva diante das câmeras por medo de represálias por parte dos sucessores do regime.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>NU</strong> - Se em termos de imagens as caras, caretas, lágrimas e arremedos de catarse dos coreanos dominaram a seara televisiva, quando se trata de fatos, e também em escala internacional, não tem pra ninguém: o tema da vez é Cristina Kirchner, a espevitada presidente da Argentina, a viúva de Nestor, recém reeleita. Enquanto Cristina dava um pulinho no vizinho Uruguai, para participar de uma reunião do Mercosul, 50 militares da Gendarmeria, polícia especial que atua nas fronteiras do país, invadiam a sede da Cablevisión, uma emissora de TV a cabo do grupo Clarín, que faz oposição ao governo Kirchner.</span></h4>
<p><span id="more-59537"></span></p>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O fato é que, mesmo que a presidente argentina jure sobre o túmulo do marido morto que nada tem a ver com a incursão fora de moda da Gendarmeria, quem há de acreditar que não há um dedinho do desejo da Casa Rosada na invasão? E como se fosse pouco, enquanto debatia pendengas econômicas com seus colegas do cone sul, Cristina teve de lidar com uma notícia trágica, essa tragicíssima, a ponto de, como num bom drama argentino, lhe fazer tombar semi-desmaiada: seu subsecretário de Comércio Exterior, Iván Heyn, 34 anos, unha e cutícula com seus filhos, foi encontrado enforcado no quarto do hotel onde estava hospedada a cúpula argentina. O Clarín noticiou que o corpo foi encontrado nu, pendurado em um cabide.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>REFRESCO</strong> - Independentemente das razoabilidades e dos anacronismos que nortearam a invasão da emissora de TV por militares argentinos, a cena com as imagens na sede da Cablevisión foram do tipo de provocar enjoo em quem sabe o que a relação militares versus imprensa representa para a Argentina e para o mundo. Nas portas de 2012 e em um mundo onde até as empedernidas ditaduras árabes tiveram seus pés de ferro irreversivelmente avariados, ver a presidente argentina reivindicar para seu governo o monopólio de papel jornal como forma de trazer a imprensa que lhe faz oposição em rédea curta soa, no mínimo, como uma vilania política de muito mau gosto e sem lugar no tempo. Quem não vê nada demais nisso, que faça um exercício imaginário e pense em Dilma Roussef querendo fazer algo parecido com a mídia impressa brasileira ou em algum braço armado do estado brasileiro invadindo uma emissora de TV. Milico na redação dos outros não deve parecer refresco. E não é.   </span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Embora os dois episódios, a histeria popular em imagens distribuída às emissoras de TV de todo o mundo pelo governo coreano, e a invasão da emissora de TV pelos militares argentinos, pareçam não guardar absolutamente nada em comum entre si, em ambos se vê a importância e a força da imagem, seja para ditaduras que se assumem como tal, seja para governos que se reivindicam democráticos e estão no poder pela legitimidade das urnas. Se, como desconfiam os telejornais do ocidente, a histeria dos coreanos é um produto do medo dos súditos de não parecem emocionados sempre que uma câmera de TV a serviço da ditadura é ligada, isso pode ser traduzido como o valor que a imagem tem, mesmo para as ditaduras mais radicais e fechadas do mundo.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>OVO</strong> - Do mesmo modo, os modos de relacionamento que o governo argentino vem construindo com a imprensa que lhe faz oposição não querem dizer outra coisa senão revelar a vontade da democrata e republicana Senhora Kirchner de deter o maior controle possível sobre o que dizem e mostram dela os meios de comunicação. Se, na Coreia, o medo do ditador pode ter obrigado o povo a chorar de modo convulsivo, mesmo sem querer, na Argentina a presidente democraticamente eleita quer, do mesmo modo, impor o que o seu respectivo povo pode saber ou não a respeito de sua gestão. Nos dois casos, o ovo da serpente dos ditadores e seu poder controlador está sob as imagens e as notícias, mesmo se tratando de países, pessoas e eventos tão diferentes.   </span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA.</span></strong></h4>
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		<title>SENTA LÁ, NEGALORA</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2011 10:20:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andrei Sansil</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Malu Fontes As repercussões rasas e descartáveis que sucederam alguns episódios midiáticos recentes ocorridos na Bahia, como o caso mulher ketchup, o projeto de lei que propõe impedir o governo baiano de contratar, com recursos públicos, bandas de pagode cujo repertório seja ofensivo às mulheres, a suposta relação entre os shows promovidos na praia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Por Malu Fontes</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a href="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/2009/10/05/a-vida-sexual-da-perereca/malu-fontes/" rel="attachment wp-att-2929"><img class="alignleft  wp-image-2929" style="border-image: initial; border-width: 1px; border-color: black; border-style: solid; margin: 10px;" title="malu fontes" src="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2009/10/malu-fontes-150x150.jpg" alt="" width="122" height="122" /></a>As repercussões rasas e descartáveis que sucederam alguns episódios midiáticos recentes ocorridos na Bahia, como o caso mulher ketchup, o projeto de lei que propõe impedir o governo baiano de contratar, com recursos públicos, bandas de pagode cujo repertório seja ofensivo às mulheres, a suposta relação entre os shows promovidos na praia por programas populares de TV e os arrastões realizados em locais próximos à festa e, mais recentemente, o bafafá em torno da estética e da nomenclatura Negalora, adotada por Cláudia Leitte, sob a chancela de Carlinhos Brown, não passam de mais do mesmo, de fumaça sem fogo.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>PIN UP</strong> - Cláudia Leitte em si já é um fenômeno midiático no mínimo difícil de ser enquadrado. É um produto do business fonográfico, construído passo a passo diante dos holofotes, desde os primeiros passos públicos, como a Lolita da banda Babado Novo. Uma década depois, muito investimento em marketing e um processo poderoso de agenciamento da aparência e da carreira a transformaram em um fenômeno polvo. Pouco se fala do seu talento musical. As informações que saltam aos olhos sobre seu estrelato centram-se nas referências celebratórias à sua beleza e ao seu vigor corporal de uma Barbie contorcionista de palco, à sua força atual de mascate publicitário que só anuncia menos coisas à venda que Ivete Sangalo, à sua imagem de <em>pin up</em> gostosa de calendário.</span></h4>
<p><span id="more-58846"></span></p>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao mesmo tempo, a cada entrevista, ela própria ressalta com tintas fortes os valores tradicionais da maternidade, da família e da religião. Numa frase sim e na outra também cita a família, Deus, Jesus e a fé. Quando se trata de valores morais, chega a resvalar no conservadorismo, ou pelo menos assim é interpretada. Já chegou a ser execrada nas redes sociais por grupos gays, que a acusavam de homofobia por ter dito numa entrevista que preferia que seu filho fosse macho. Nos últimos dias, Cláudia Leitte voltou a ser alvo de uma saraivada de críticas por ter se transformado na personagem Negalora, batizada por Carlinhos Brown.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>NEGUINHA</strong> - Com outdoors espalhados por toda Salvador estampando fotos em que a cantora aparece mesclada, com um lado do rosto loiro e outro negro, batizando um show acústico e a gravação de um DVD batizados de Negalora, Cláudia Leitte meteu a imagem na cumbuca da reação irritada das diferentes tendências do movimento negro. Se os termômetros adotados para avaliar a reação da opinião pública forem as redes sociais, a ideia que se tem é a de que o neologismo tornado alcunha de Cláudia por Brown para o show foi usado como combustível para reacender a ira do movimento gay pelas declarações do passado, agora acrescidas de reações raivosas de quem acha um desrespeito à cultura e à música negra esse tipo de mimetização de cantoras brancas que adotam o mantra ‘eu sou neguinha’.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>ARQUIBANCADA -</strong> Vale ressaltar, no entanto, que a reação contra Cláudia Leitte deve esconder mais restrições estéticas do que parece fazer crer a superfície das falas. Para bom entendedor, é claro que o barulho não se trata apenas de uma condenação ao fato de se tratar de uma branca invocando referências negras, e sim a um não reconhecimento, na performance da cantora, por boa parte do público que se afina à musicalidade afro, dessas referências reivindicadas pela Negalora. Se o nome do que cobram da moça é talento, que digam. No entanto, em tempos de politicamente correto, além de temer dar nome às coisas, soa muito mais ‘do bem’ aliar-se em defesa de causas políticas e sociais. Não demora e aparece um ação judicial mandando a moça limpar a maquiagem do lado negro da foto. </span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não fosse isso, então, o que explica o fato de Daniela Mercury, e nem faz tanto tempo assim, ter se autodenominado como a neguinha mais branquinha da Bahia, na época em que O Canto da Cidade tornou-se praticamente o hino de Salvador? Se houve reação semelhante, onde está registrada a repercussão disso? O fato é que, sobretudo em Salvador, há diante de Ivete Sangalo, Cláudia Leitte e Daniela Mercury um público de súditos que se comporta como uma arquibancada do Ba-Vi. E nessa guerra de torcidas, Daniela Mercury é que fica melhor na fita quando se trata dos gays e dos defensores da preservação da cultura negra.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>SENTA</strong> - Mas, independentemente das razões que legitimam a aceitação da neguinha de Daniela e a reação à Negalora de Cláudia Leitte, não deixa de ser irônica a ira do tipo purpurina de alguns diante de embates dessa natureza. Há falas na imprensa e sobretudo em artigos e pontos de vista em circulação nas redes sociais que, se lida desatentamente, fazem acreditar que há fronteiras culturais da boa e da má música, da legítima e da ilegítima e que devem ser respeitadas como sei, como se a geléia geral da indústria cultural e da cultura de massa há décadas já não tivesse passado um trator por cima de quaisquer filtros autorizadores quando a questão é dizer quem pode ou não pode cantar isso ou aquilo, assim e assado.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Onde está essa pureza cultural com fronteiras que não podem ser ultrapassadas sob o risco de o infrator ser acusado de compurscar e macular áreas intocáveis e sacralizadas dessa e daquela cultura? É tudo pastiche e assim será. No chão da arte, o restinho de sagrado que resta é o talento de poucos, coisa que importa cada vez a menos gente. Se há quem acredite numa ainda pureza cultural que autoriza uns e cospe em outros, Senta lá, Cláudia.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA.</span></strong></h4>
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		<title>NO AR, OS ARMENGUES DA COPA</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2011 09:30:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andrei Sansil</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Malu Fontes Enquanto os prazos para as obras de infra-estrutura que o Brasil precisa fazer para não passar vergonha internacional durante a Copa do Mundo começam a ficar estreitinhos, pipocam aqui e ali nos telejornais os sinais de que o famoso jeitinho brasileiro e os acordões que darão vantagens financeiras a poucos e ricos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Por Malu Fontes</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a href="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/2009/10/05/a-vida-sexual-da-perereca/malu-fontes/" rel="attachment wp-att-2929"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-2929" style="border-width: 1px; border-color: black; border-style: solid; margin: 10px;" title="malu fontes" src="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2009/10/malu-fontes-150x150.jpg" alt="" width="120" height="120" /></a>Enquanto os prazos para as obras de infra-estrutura que o Brasil precisa fazer para não passar vergonha internacional durante a Copa do Mundo começam a ficar estreitinhos, pipocam aqui e ali nos telejornais os sinais de que o famoso jeitinho brasileiro e os acordões que darão vantagens financeiras a poucos e ricos vai fazer a festa. Durante a última semana, os parlamentares apresentaram algumas pérolas que devem tornar a Lei da Copa digerível para a insaciável FIFA, que apresentou ao governo brasileiro trocentas e algumas exigências, da liberação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios à proibição de meia entrada para quem não pode pagar pelos ingressos caros geralmente cobrados nos mundiais de futebol.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não deixa de ser engraçado que o mundo e os berros ecoantes e onipresentes da televisão trombeteiem cada dia com mais adjetivos medonhos o cigarro convencional ao mesmo tempo em que é tão tolerante, leniente e dócil com o consumo de bebidas alcoólicas, cujos males, na sociedade brasileira, não ficam nada longe daqueles causados pelo cigarro, embora sejam sim males de natureza diferente. Por que a propaganda de cigarro é tão demonizada se a do álcool passeia ostensiva, livre e faceira na programação televisiva e em todas as plataformas em que cabe uma campanha publicitária? Ah, tá: a bebida alcoólica nada tem a ver com o índice de homicídios cometidos no Brasil, com dependência química, com as estatísticas trágicas da violência doméstica e com determinados dados epidemiológicos da saúde pública nacional.</span></h4>
<p><span id="more-58068"></span></p>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>FADAS E DUENDES -</strong> A julgar pelo espaço glamouroso que o consumo de álcool ocupa na televisão e no imaginário da boa sociedade brasileira, em contraponto com o cigarro amaldiçoado pelos corretos e limpinhos, não é de se estranhar que uma das principais exigências da FIFA para a Copa no Brasil esteja prestes a ser concedida com tapete vermelho no Congresso, nas agências publicitárias e, sobretudo, sob aplausos da poderosa indústria nacional de cervejas. A expectativa é a de que, talvez ainda nesta semana, o Congresso aprove a Lei Geral da Copa não apenas autorizando a venda e o consumo de bebida alcoólica nos estádios durante o mundial, mas, espertamente, estendendo essa liberação a todo e qualquer campeonato nacional, onde a prática vem sendo combatida em função dos índices de violência registrados nos estádios.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Diante do menor questionamento de que pode ser arriscado liberar a venda de álcool nos estádios, o otimista relator da Lei, o deputado Vicente Carvalho (PT-SP), foi de uma sensatez comovente para quem acredita em fadas, duendes e que tais e sobretudo na ressurreição da cordialidade do torcedor nos estádios: “Nós temos de apostar na civilização. O mundo inteiro pratica isso. Alguns estados brasileiros praticam isso. É só você ser mais duro na fiscalização e na penalização de quem cometer excessos”. Sim, todos os brasileiros, em cujas capitais dezenas de pessoas são assassinadas a cada fim de semana, não só acreditam na civilização como muito mais na fiscalização e na penalização. Não, ninguém acreditou jamais que o consumo de bebidas alcoólicas ficasse proibido nos estádios brasileiros na Copa do Mundo, mas a razão para isso não era nenhuma aposta da sociedade em civilização ou no rigor do Estado para vigiar ou punir excessos. A coisa tem outro nome e não custa nada dar nome às coisas: o lobby da indústria de bebidas e sua força junto à FIFA jamais seria derrotado.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>TOALHA</strong><strong> </strong> - A liberação da bebida nos estádios é só lado mais business dos acordões que ainda se darão em torno da Copa. O diabo mora é nos armengues que ainda serão anunciados e estes deverão ser muitos. Instâncias do governo praticamente já jogaram a toalha de que vão armengar como podem as obras nos aeroportos das capitais nas quais haverá jogos. A admissão de que as coisas não serão feitas se traduz em outra forma de declaração: as empresas privadas de aviação vão poder usar as bases aéreas militares para coletar e despejar seus passageiros. Se os aeroportos já não têm estrutura, imaginem-se multidões de brasileiros e gringos embarcando e desembarcando em bases militares jamais preparadas para esse tipo de fluxo&#8230;</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para não perder o caráter paternalista nacional e ao mesmo tempo não agredir tanto os bolsos furiosos e famintos da FIFA, ao invés de meia-entrada para TODOS os estudantes e idosos, como inicialmente defendia o governo brasileiro, a relatoria da Lei Geral da Copa achou uma saidinha: o texto prevê a destinação de um lote fechado e inalterável de 300 mil ingressos, incluindo todos os jogos, custando a metade do preço e já categorizados como “Cota Social”.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>CAMPEÕES DO PASSADO</strong><strong> </strong>- Sim, as cotas chegaram à Copa. Além dos estudantes e dos idosos, os índios e os beneficiários dos programas sociais do governo, como o Bolsa Família, também terão o direito de disputar a tapa esses 300 mil ingressos da Cota Social, cujo valor unitário não deverá ficar abaixo de 50 reais. E ainda há um mimo empurrado de última hora na Lei Geral da Copa, embora qualquer pessoa sensata se pergunte o que tal benefício tem a ver com uma legislação que deveria ser específica para um mundial de futebol. Foi incluída no projeto, de última hora, a criação de um prêmio de 100 mil reais para os campeões das copas de 1958, 1962 e 1970, além de um auxílio financeiro mensal para jogadores da seleção no passado e que hoje vivem com dificuldades financeiras. Embora os jornais tenham anunciado na última semana que o Brasil parou de crescer, parece que, em tempos de oba-oba, o delírio de alguns representantes do povo de pedir esmola com o chapéu dos outros vai de vento em popa.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA. </span></strong></h4>
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		<title>A CLASSE C CHEGA AO PARAÍSO. FARDADA E COM A TELA DIVIDIDA</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2011 10:23:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andrei Sansil</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Malu Fontes Durante a semana a Rede Globo de Televisão estreou a mensagem de Natal, desta vez estrelada por Roberto Carlos e por literalmente todas as estrelas da casa. E depois de passar um ano reiterando a informação de que a classe C finalmente aportou no paraíso, ou seja, que está experimentando como nunca [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Por Malu Fontes</span></strong></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><a href="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/2009/10/05/a-vida-sexual-da-perereca/malu-fontes/" rel="attachment wp-att-2929"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-2929" style="border-width: 1px; border-color: black; border-style: solid; margin: 10px;" title="malu fontes" src="http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/2009/10/malu-fontes-150x150.jpg" alt="" width="120" height="120" /></a>Durante a semana a Rede Globo de Televisão estreou a mensagem de Natal, desta vez estrelada por Roberto Carlos e por literalmente todas as estrelas da casa. E depois de passar um ano reiterando a informação de que a classe C finalmente aportou no paraíso, ou seja, que está experimentando como nunca a condição de consumidora, achou por bem homenageá-la na tradicional mensagem de Natal.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Embora as estrelas da peça institucional ilustrada pela legenda “a gente se liga em você” sejam o elenco da Globo e Roberto, os homenageados, segundo matérias publicadas nos sistemas de crossmídia das organizações Globo, são os brasileiros que desempenham “funções que fazem parte do dia a dia dos brasileiros, reforçando o conceito do novo slogan da emissora”. Tem garçom, taxista, sorveteiro, arrumadeira, babá, empregada, cozinheira, operário, carteiro&#8230; Cada um devidamente interpretado por uma estrela global.</span></h4>
<p><span id="more-57213"></span></p>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>LOURICE</strong> - Devidamente interpretada por alguns dos mais altos salários da casa, como Xuxa, Faustão, Angélica, Luciano Huck, William Bonner, Renato Aragão, Ana Maria Braga e outros, a classe C é a grande homenageada da campanha global. Mas como a ironia parece ter vida própria e muito de um voluntarismo que parece escorrer como água sujinha embaixo dos tapetes nobres, a homenagem, apesar de esteticamente irretocável, deixou escapulir o quanto o tal paraíso da classe C, mesmo com um tantinho a mais de consumo, ainda conserva um ‘quezão’ de permanência na senzala.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na vinheta, sob o som de Roberto Carlos cantando a clássica global “Um novo tempo” e tendo como coro as estrelas globais, um detalhe mimoso pode até passar despercebido para a maioria dos telespectadores, mas está lá, nítido. Na mansão faustosa do Projac, onde se dão os últimos retoques para uma festa de Natal típica das classes AAA, a classe C está felicíssima, mas está onde sempre esteve: trabalhando, fardada e servindo, mesmo na noite de Natal e mesmo que dentro da farda de uma babá, de uma cozinheira, de uma arrumadeira, esteja a loirice de Xuxa, Ana Maria Braga e Angélica. Crianças felizes dos donos da festa refestelam-se numa sala confortabilíssima e saltitam em jardins. E os filhos dos empregados, simultaneamente, por onde estariam e em que Natal?</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>ROUNDS</strong> - Não foi à toa que a Globo transformou a classe C em protagonista de sua vinheta de fim de ano, dividindo o estrelato com o rei Roberto Carlos e a nata do elenco da emissora, mesmo que, talvez por uma questão de princípios e fidelidade à cultura do sinhozinho, ela tenha aparecido na peça engessada no lugar onde sempre esteve, servindo a quem pode pagar por isso em seus feriados sagrados e sem seus dias de ócio. Cada vez mais a audiência da TV aberta se pulveriza, deixando diante das emissoras mais comerciais aqueles que têm menos opções estéticas ou menos traquejo tecnológico para migrar para a Internet e as redes sociais, por exemplo. A reação dessa briga desenfreada entre as emissoras pela conquista da fidelidade da audiência da classe C tem rounds tanto sutis quanto grotescos.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se em esfera nacional as sutilezas para a conquista da classe C se dá com a vinheta da Globo transformando Xuxa em babá, Bonner em carteiro e Angélica em arrumadeira (e todos na mesma casa, servindo à mesma família top A em seu dia mágico de Natal), em escala local a coisa fica muito mais feia quando se trata de disputar a audiência dos novos ingressos no paraíso do consumo, por quem a publicidade hoje baba para vender iogurte. Quem vive em Salvador e tem estômago para escavar no dia a dia as sutilezas da briga por audiência, a penúltima sexta-feira é tema que rende uma dissertação de mestrado. Convocado para realizar uma micareta no estúdio da TV Record durante o programa “Se Liga Bocão”, Xanddy e seu Harmonia do Samba não economizaram em quebradeiras para o público que lotava o espaço.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>ARROCHA</strong> - Como a vida é real e de viés e a Record BA dispõe de um helicóptero que atende pelo nome de Águia Dourada e viva dando uma de Urubu Eletrônico, sobrevoando corpos recém mutilados por acidentes onde quer que aconteçam em Salvador, eis que ocorre, enquanto o programa estava no ar e enquanto o marido de Carla Perez rebolava, um acidente de trânsito de grandes proporções na periferia de Salvador, envolvendo dois ônibus numa colisão frontal e mais de 10 pessoas feridas, um motorista em estado grave. Enquanto isso, a TV Bahia, retransmissora da Globo, que todos os dias tem que retirar da cartola uma atração musical que pode não ter nada a ver com qualidade (muito pelo contrário) para não ser massacrada pela audiência da Record durante o telejornal do meio dia, havia escalado um trio do Arrocha, a mais perfeita tradução da música brega romântica hoje em Salvador, para enfrentar a micareta do concorrente.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O acidente e o espetáculo trágico que os dois fenômenos representavam simultaneamente para um público sedento de sangue, morte e violência acabou inaugurando um momento íntimo na TV baiana e quem sabe na TV brasileira. Para potencializar sua audiência, quem sabe duplicá-la e ainda dá um chega pra lá nos arrocheiros da TV Bahia que cantavam ao mesmo tempo no estúdio concorrente, a emissora não pestanejou: ofereceu à classe C, a mais nova habitante do paraíso e o sonho de consumo dos publicitários que anunciam na TV, uma atração dupla e simultânea. A Record Bahia, ou seja, a TV Itapoã, dividiu a tela da TV em duas. De um lado o carnaval total, com Xanddy cantando a plenos pulmões, rebolando com seu balé semi-erótico enquanto a platéia no estúdio delirava. Na outra metade, o urubu eletrônico sobrevoava a tragédia no trânsito, mostrando Bombeiros e Samu retirando vítimas sangrando das ferragens. Diante da cena, não se pode esperar outra coisa. No próximo acidente, ao invés da tela dividida as emissoras poderiam inovar mais uma vez: levar a micareta para o local do acidente. Assim, o paraíso vai à tragédia e oferece as duas juntas à classe C no sofá.</span></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA. </span></strong></h4>
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