EMÍLIO GUSMÃO

Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 36 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.

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Minério de ferro

EM SEPETIBA O MINÉRIO DE FERRO SÓ TROUXE DESTRUIÇÃO

A comunidade que vive nas proximidades da Baía de Sepetiba, zona oeste do estado do Rio de Janeiro, tem mil motivos para reclamar da Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), recentemente construída.

A dragagem realizada na Baía tem prejudicado os pescadores, gerando grande insatisfação.

Tem líder comunitário contrário à empresa, vivendo escondido, sob ameaça de morte.

Trata-se de mais um péssimo exemplo do modelo de desenvolvimento defendido pelos adoradores da empresa do Cazaquistão, camuflada de BAMIN.

Veja.

O QUE SERÁ QUE SERÁ

“O que será que me dá
Que me bole por dentro
O que será que me dá?
Que brota à flor da pele
O que será que me dá?
E que me sobe às faces
E me faz corar
E que me salta aos olhos
A me atraiçoar
E que me aperta o peito
E me faz confessar …”

Por Marcos Pennha.

Hoje, amanheci em estado de graça. Aliás, isso não me é mais novidade, visto que esse é o meu natural. Acordei e a primeira coisa que fiz, literalmente, foi abrir os olhos. Ouvindo a música “O que será que será”, na voz do nosso estimado Bituca, o impagável Milton Nascimento, pus-me a refletir sobre os diversos fatos acontecidos em especial na cidade em que vivo, nossa majestosa Ilhéus.

“… O que não tem mais jeito de dissimular

E que nem é direito ninguém recusar

E que me faz mendigo

Me faz suplicar …”

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), é um especialista no uso do “promessômetro” (utilizando a expressão da nossa querida Marina Silva/ PV). Há alguns dias, na abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa, ele teve a cara de pau de conclamar aos deputados, a sociedade civil e a imprensa para se mobilizarem em prol do porto sul. Ora, governador, tá pensando que em Ilhéus só tem trouxa? O governo ainda não apresentou o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente, Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) a fim de que se realize a audiência pública. Ou será que o governador tá pedindo pelo amor de Deus pelo terminal de uso privativo para exportação de ferro da Bahia Mineração (BAMIN), que teve recentemente sua licença prévia negada pelo IBAMA? Algum dos assessores do governador tem que lhe explicar a diferença entre o porto público do dito terminal. Eu sugeriria o nome do talentoso jornalista Daniel Thame, o qual nutro admiração por seus escritos, embora nem sempre concorde com suas ideias. O problema é que Daniel nunca comparece nos eventos ligados a esse assunto. Posso afirmar isso com segurança, pois estive na maioria deles, às vezes até sem ser convidado. Por outro lado, tem que se levar em consideração que Daniel é um fã confesso de Wagner e Lula. Ele, que hoje vive como um bon vivant, fumando charuto cubano e tudo, tem lá seus motivos.

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COMO É QUE É JOSIAS?

Metaforicamente avaliando, o Porto Sul é uma charrete que tem o governador Jaques Wagner como cocheiro. Pensando dessa forma, é natural que todos queiram passear, mesmo sem saber o destino.

Na última quarta-feira (23), o deputado federal Josias Gomes (PT) participou de um evento sobre turismo, promovido pela Câmara da Costa do Cacau, no Hotel Transamérica, na Ilha de Comandatuba (Una).

Josias, normalmente bem informado, neste dia decepcionou. Admitiu que nada conhece sobre turismo, e, ao ser questionado sobre o Porto Sul, fez uma defesa apaixonada, desprovida de qualquer razão. Na intenção de  agradar a todos, chegou a dizer que o porto de exportação de minério de ferro vai envolver os turistas.

Muitos participantes ficaram sem entender nada.

EDITORIAL: ESSA LUTA NÃO É DE TODOS NÓS

O debate sobre o Porto Sul, protagonizado por quem o defende,  acontece à margem da lucidez, com discursos, textos e argumentos apaixonados, que escondem a verdade.


O jornalista Daniel Thame, profissional capaz de articular vocábulos com perfeição e arte, está desinformado, não sabe o que diz (clique aqui) quando de maneira apaixonada, defende o discurso do governador Jaques Wagner (o insensato timoneiro do complexo intermodal).

Ao classificar o Porto Sul como um empreendimento adequado ao desenvolvimento sustentável, Daniel ignora o conceito, demonstra não estar preparado para discutir o tema.

Estes são os princípios da sustentabilidade:

1- Integração entre conservação e desenvolvimento;

2- Satisfação das necessidades básicas humanas;

3- Alcance da equidade e justiça social;

4- Autodeterminação social e diversidade cultural;

5- Preservação ecológica.

Um parecer técnico emitido pelo IBAMA, em novembro de 2010, aponta falhas grotescas no projeto da empresa do Cazaquistão, camuflada com o nome BAMIN. Dentre elas, há uma constatação de que a área de 70 hectares, situada em Ponta da Tulha, onde a empresa deseja construir o  terminal privativo, é composta por Mata Atlântica, em estágios médio e avançado de regeneração.

De acordo com a lei 11.428/06, no artigo 14: A supressão de vegetação primária e secundária, do Bioma Mata Atlântica, no estágio avançado de regeneração, somente poderá ser autorizada em caso de utilidade pública.

O projeto da empresa do Cazaquistão não pode ser considerado sustentável, uma vez que não pretende conservar a Mata Atlântica, e sim, devastar 70 ha.

Não é de utilidade pública, já que pertence a um modelo econômico que privilegia a concentração de renda, através da mera exportação de uma commodity, riqueza que sairá do Brasil sem valor agregado.

Os dólares arrecadados com a extração do minério de ferro (da mina de Caetité) ficarão nas mãos de poucos, sendo assim, o projeto não promoverá equidade social. Sobre commodities e concentração de renda, vale a pena assistir a entrevista do editor da revista The Economist (clique aqui).

O nível de empregabilidade será baixo, pois na fase de operação do Porto, a empresa Cazaque afirma que vai gerar apenas 450 empregos. As redes de atacado: Makro, Atacadão, Maxxi e GBarbosa, juntas, vão gerar uma quantidade bem maior de vagas.

O relatório do IBAMA é contundente ao alertar sobre a expectativa ludibriosa que o projeto exerce na população: “por outro lado, a expectativa de geração de empregos vem influenciando, sobremaneira, o grau de aceitação do empreendimento por parte da população. Neste sentido, torna-se necessário que a população local seja informada sobre as reais possibilidades de contratação de mão de obra (quantitativo, qualificação necessária, duração da obra, postos temporários e permanentes, etc)”.

O debate sobre o Porto Sul, protagonizado por quem o defende,  acontece à margem da lucidez, com discursos, textos e argumentos apaixonados, que escondem a verdade.

O governador Jaques Wagner tem consciência de que se comprometeu com um projeto repleto de erros, ofensivo à legislação que ele mesmo ajudou a redigir (lei de proteção à mata atlântica).

É inadmissível que Jaques Wagner, uma liderança política consubstanciada na luta pela democracia, e no confronto direto  ao “carlismo”, e todo mal que ele representou, encaminhe este debate para o sensacionalismo.

Quais são as “forças ocultas” contrárias?

Ao invés de criar inimigos imaginários, não seria melhor explicar o projeto e expor todas as implicações que começam a surgir?

Por que a empresa do Cazaquistão e o governo do estado consideram a divulgação do parecer técnico do IBAMA, uma ação temerária?

Informações de interesse público que deveriam ser levadas à população, são encaradas como documentos ultra-secretos.

Manter as pessoas fora da discussão lúcida, através de apelos sensacionalistas, não é, e nunca será, um componente da “revolução democrática” que Jaques Wagner tanto apregoa.

Sobre Daniel Thame, merecedor do meu respeito, penso que não lhe é digno o título “desinformado útil”.

PORTO SUL, DEGRADAÇÃO AMBIENTAL E MISTIFICAÇÃO

Antes de eleger um porto como salvador da pátria, é preciso que assumamos a nossa responsabilidade em relação ao passado e, principalmente, frente ao futuro.


Por Fabrício Kc

Sobre o debate

Todos nós estamos de acordo sobre os fins, mas discordamos quanto aos meios.

Todos nós buscamos uma solução, mas não uma solução qualquer. Afinal, nosso país é uma potência rica mas cheia de pobreza, e nós somos pobres com ele. Num país com uma História como a nossa sempre haverá – em debates como esse – aproveitadores de todos os lados, cujas atitudes, por si só, poderiam explicar a atual conjuntura de nossa sociedade tão doente (incluindo aí tanto os falsos ambientalistas quanto os políticos e empresários irresponsáveis e corruptos). Dirijo-me, contudo, àqueles que querem debater com sinceridade – e estou convencido de que não somos poucos.

Particularmente, não sou favorável à construção do Porto Sul, considerando a forma como está proposto o projeto. Contudo, o meu intuito – antes de defender a minha posição que não pode estar isenta do risco de equívocos – é colaborar para a ampliação do debate.

Uma sociedade e uma região como a nossa – que quer e precisa renascer – não pode prescindir de uma preocupação elementar com a clareza e o discernimento. Aliás, as injustiças sociais (e, logo, ambientais) contra as quais nos levantamos, têm sua origem, muitas vezes, na falta de conhecimento, de ideias claras e de aprofundamento das discussões e reflexões que resultam em ações sustentáveis ou não e, não raro, irreversíveis.

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DILMA, O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA

Por Marcos Pennha.

A presidenta da República Dilma Rousseff fez seu primeiro pronunciamento em cadeia de rádio e TV, dia 10 de fevereiro último. Cada vez mais, ela dá demonstração de que é totalmente diferente de seu antecessor e correligionário do Partido dos Trabalhadores (PT), Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma é acadêmica e, portanto, decide sempre sob o olhar técnico, pouco se importando com o querer exacerbado de ser popular. Na sua fala, enfatizou que investirá mais na Educação. O caminho é por aí mesmo. A pessoa esclarecida não é enganada facilmente com sorrisinhos, apertos de mão e abraços dissimulados, combinados com discursos movidos por retórica e eloquência. Sem contar que a tendência mundial é a de que todos devem qualificar-se, profissionalmente, para ganhar o salário digno.

Um dia antes do pronunciamento, o governo anunciou o corte de R$ 50 bilhões do orçamento, com a finalidade de fazer frente ao salário mínimo de R$ 545, segundo o ministro da Fazenda Guido Mantega. O pré-requisito do economês diz que, para maximizar o lucro, quando não é possível o aumento da receita, deve-se cortar os custos. A presidenta, certamente, terá que pagar o pato da festança da “quitação da dívida externa”, promovida por Lula, que resultou no aumento da dívida interna.

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COMUNICADO OFICIAL DO IBAMA SOBRE O PORTO SUL E PORTO DA BAMIN

A assessoria de comunicação do IBAMA enviou na manhã desta quarta-feira (9), este e-mail ao Blog do Gusmão, onde informa a situação dos processos de licenciamento do Porto Sul, de responsabilidade do governo estadual, e do Porto da empresa Bahia MIneração.

Abaixo o contéudo na íntegra do e-mail.


Sobre PORTO SUL (porto público)

1) O empreendedor do Porto Sul não apresentou até o momento o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental-EIA/RIMA.

2) O Termo de Referência para elaboração do estudo foi emitido pelo Ibama há mais de um ano.

3) O Ibama aguarda a apresentação do Eia/Rima para dar sequência ao processo de licenciamento ambiental.

Sobre o PORTO BAMIN (porto privado)

1) Recebeu o EIA/Rima.

2) O Ibama solicitou ao empreendedor que apresente novas alternativas locacionais.

3) O Ibama está aguardando a apresentação da proposta.

Assessoria de Comunicação Social do Ibama.

O Blog do Gusmão precisa saber:

Por que o superintendente do IBAMA na Bahia, Célio Costa Pinto, não mencionou à Coluna Tempo Presente, do jornal A Tarde, que o IBAMA pediu “novos estudos de alternativas locacionais” ?

Estaria Célio Costa Pinto submetido a algum tipo de pressão?

DEU NA GLOBO NEWS: REPRESENTANTES DE 40 ONGS DISCUTEM PROJETO DO PORTO SUL

Do site da Globo News

A obra para construção do Complexo Porto Sul provoca polêmica em Ilhéus, litoral sul da Bahia. A área onde está prevista a construção é reconhecida pela Unesco como reserva de biosfera da Mata Atlântica.

O empreendimento, que conta com recursos do PAC, prevê a criação de uma logística para o escoamento de minério de ferro. À frente do empreendimento está uma empresa do Cazaquistão. Diante da polêmica que a construção vem gerando, ambientalistas, técnicos e advogados se reuniram para discutir o projeto.

Veja a reportagem.


BAMIN ATORDOADA

Os diretores da empresa Bahia Mineração estão atordoados. Eles sabem que desde  o início o projeto não foi bem recebido pelo IBAMA. Entretanto, difundem uma onda de informações “positivas”, para sufocar a dúvida que pode tomar conta da opinião pública.

Vale destacar que o governo do estado e também o federal estão retendo informações importantes. Na verdade, busca-se manter a população fora do debate, para que prevaleçam os interesses da empresa.

Até quem é a favor do projeto deve exigir informações. Não devemos aceitar que só a “cúpula” saiba o que está rolando.

Na última sexta (04), 3 funcionários da BAMIN estiveram no Makena Resort, onde pediram acesso à praia. Equipados com aparelhos de medição, eles procuraram um ponto onde duas correntes marítimas  se encontram. Depois de um tempo, os pesquisadores da BAMIN disseram que o  local fica em frente ao hotel.

Porque a BAMIN não acalma essa dúvida. Já que o porto será construído na Tulha, o que ela quer encontrar no Makena Resort?

Será que os rapazes fardados pescavam vermelho-dentão, peixe que deixará de existir no litoral norte, caso o porto saia do papel? (veja o RIMA).

O Blog do Gusmão mantém a notícia de que o IBAMA negou à Bahia Mineração, a licença de construção do porto em Ponta da Tulha (clique aqui).

Nesta semana traremos mais informações sobre o assunto. É só aguardar.

MINÉRIO DE FERRO. QUAIS OS PERIGOS DE UMA ECONOMIA BASEADA NA EXPORTAÇÃO DE COMMODITIES?

O editor-chefe da revista The Economist, a maior e mais importante revista de economia do planeta, conversa sobre a sustentabilidade do crescimento econômico brasileiro no cenário globalizado.

Nesta entrevista à Globonews, John Micklethwait alerta que uma economia baseada na exportação de commodities (soja, petróleo, minério de ferro e etc.) geralmente não faz grandes avanços. Ele cita o exemplo do mundo árabe, onde a riqueza oriunda da exploração do petróleo ficou nas mãos de uma minoria rica. “Se pegar petróleo e não transformar em nada, outra pessoa ficará com boa parte do valor agregado”.

A discussão sobre commodities é pertinente ao Sul da Bahia, onde os governos estadual e federal querem destruir uma extensa área de mata atlântica, para construir um complexo intermodal (ferrovia, porto e aeroporto). O empreendimento logístico facilitará a exportação de minério de ferro, cuja maior interessada é uma empresa do Cazaquistão, fantasiada com o nome Bahia Mineração.

Veja a entrevista, que trata também de outros assuntos.

ARTISTAS DIZEM NÃO AO PORTO SUL

Paula Lavigne, empresária do cantor e compositor Caetano Veloso, reuniu em sua casa, em Salvador, alguns artistas de expressão nacional dispostos a lutar contra a implantação do Porto Sul, no litoral norte de Ilhéus.

O encontro aconteceu terça-feira (02) e contou com a presença da cantora Vanessa da Mata, dos atores Lázaro Ramos e Luís Miranda, e das atrizes Taís Araújo, Mariana Ximenes, Fernanda Torres, Emanuele Araújo, Vera Zimerman, Edvana Carvalho e Paula Bulamarqui.

Será elaborada uma campanha com objetivo de exigir a anulação do projeto do complexo intermodal, que prevê a construção de uma ferrovia e  de um porto de exportação de minério de ferro entre Ilhéus e Itacaré. Na opinião dos artistas, a implantação do empreendimento destruirá a Mata Atlântica no Sul da Bahia.

EM PRIMEIRA MÃO: IBAMA NEGA LICENÇA AO PORTO DA BAMIN

O Blog do Gusmão, com exclusividade, obteve a informação de que a Diretoria de Licenciamento do IBAMA negou a licença ambiental para a construção do porto de exportação de minério de ferro, da empresa Bahia Mineração (Bamin).

Fontes confiáveis deste blog, residentes em Brasília, tiveram acesso à notícia através de membros da alta cúpula do IBAMA. A ministra do meio ambiente, Izabella Teixeira, já tem conhecimento da decisão.

O projeto analisado seria construído no distrito de Ponta da Tulha (Ilhéus), numa área protegida pela legislação ambiental e tombada pela UNESCO, como posto avançado da reserva da biosfera da Mata Atlântica.

A proposta é uma afronta à lei de proteção da Mata Atlântica, uma vez que ameaçaria várias espécies da fauna e da flora, em risco de extinção.

A Diretoria de Licenciamento do IBAMA solicitou aos proponentes outro projeto, que indique outro local para a construção.

A TARDE DEIXA CAETANO VELOSO CHATEADO

Caetano: desapontado com A Tarde.

Em contato com o Blog do Gusmão na tarde  de ontem (terca-feira/25), Jorge Velloso, assessor de imprensa do cantor e compositor, Caetano Veloso, afirmou que a atitude do jornal A Tarde deixou o ícone da MPB chateado.

No último domingo (23), uma coluna de Caetano, com críticas à construção da Ferrovia Oeste-Leste e Porto da BAMIN, foi publicada apenas nos exemplares que circularam em Salvador. A mesma edição distribuída no Sul da Bahia trouxe outra matéria no lugar da coluna.

Segundo Jorge Velloso, Caetano escreve para o jornal O Globo. Neste caso, há uma parceria com A Tarde, que compra colunas do jornal carioca.

Ambientalistas contrários ao Porto Sul informaram que a BAMIN é um dos patrocinadores do caderno de sustentabilidade do jornal A Tarde.

PORTO SUL: “A PIOR CONCEPÇÃO DO PIOR PROJETO”

Amílcar Baiardi.

Entrevistamos Amílcar Baiardi, professor dr. da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (clique aqui), mais um pesquisador de postura extremamente crítica ao Porto Sul.

Baiardi afirma que a idéia do Governo do Estado e da BAMIN é “a pior concepção do pior projeto”, uma vez que desrespeita as vocações naturais do Sul da Bahia, e impõe um complexo intermodal voltado apenas para exportação de minério de ferro, matéria-prima que sairá do estado sem valor agregado.

Para ele, o potencial que o estado tem, relacionado ao minério de ferro, não deve ser ignorado. Entretanto, há várias alternativas que possibilitariam a exploração dessa riqueza, sem necessariamente destruir as potencialidades inerentes a esta região.

Ouça a entrevista.


PROCURADOR DO MPF EXPLICA IRREGULARIDADES DO PORTO SUL

Neste vídeo, o procurador federal Eduardo Hage, do ministério público federal, explica algumas das inúmeras irregularidades do projeto Porto Sul.

Hage afirma que segundo a legislação, a derrubada de áreas de mata atlântica só é permitida se for para viabilizar questões de interesse público. No caso do porto de exportação de minério de ferro da BAMIN, a destruição atenderia “meramente” interesses privados.

As imagens foram gravadas no dia 17 de junho deste ano, durante audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília.

ELEIÇÃO MANIPULADA NO CONSELHO DA APA

Diretor da Bamin orienta funcionário da SEMA. Foto Mary Berbert.

A Associação de Moradores de Vila Juerana acusa um membro da secretaria estadual de meio ambiente (SEMA), de manipular a primeira eleição do conselho gestor da APA em favor da Bahia Mineração (BAMIN).

O objetivo era deixar entidades contrárias ao Porto Sul sem representatividade no conselho. Regras foram alteradas no dia da eleição, favorecendo a inserção de grupos favoráveis ao projeto da mineradora.

Um diretor da BAMIN, conhecido com Marcelo, teria sido visto dando ordens aos funcionários da SEMA.

Leia a carta de repúdio da Associação de Vila Juerana.

A Ass.de Moradores de Vila Juerana-Amorviju, vem através da presente tornar público a sua indignação pela forma arbitraria que o Sr. Paulo Novaes ,Coordenador de Unidades de conservação da SEMA , conduziu a primeira eleição oficial do Conselho Gestor da APA da Lagoa encantada e Rio Almada, para deixar de fora do conselho entidades que são contrarias a instalação de projeto de Minério de ferro da Bamin – Bahia Mineração.

Vamos aos fatos:

O governo do estado da Bahia, através do seu Secretário de Meio Ambiente, Sr. Eugenio , assinou um edital em que estavam as regras para inscrição, e eleição oficial do Conselho Gestor da Apa da Lagoa encantada e Rio Almada. Nesse edital estavam datas, documentos, tipos e quantidade de entidades que poderiam concorrer as vagas permitidas no conselho.

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O RELATÓRIO DESCONHECIDO E A MARGINALIZAÇÃO DOS AMBIENTALISTAS

Os defensores da instalação do porto de minério de ferro da BAMIN ignoram o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) realizado pela mineradora, que identifica diversos prejuízos ao meio ambiente, caso o projeto saia do papel.

A imprensa simpática também demonstra completo desconhecimento dos estudos. Esse fato compromete a boa qualidade do jornalismo praticado.

Ao invés de debater, a imprensa simpática intensifica um processo de “marginalização” dos ambientalistas perante a opinião pública.

O Blog do Gusmão, de agora em diante, pretende fundamentar a discussão com o olhar atento no relatório, para tentar impedir que o “achismo” e o preconceito continuem prevalecendo.

Leia abaixo, a descrição dos impactos negativos da construção do retroporto da BAMIN. O texto foi retirado da página 36 do RIMA, documento que pode ser visualizado no final dessa postagem.

Perda de Área de Vegetação Nativa

Este impacto será ocasionado pela remoção da vegetação, atividade necessária para a implantação do Retroporto. A intervenção será em 70ha de Mata Atlântica, onde há a denominada Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas, considerada uma das mais ricas do mundo em termos de número de espécies vegetais por hectare. Essa floresta faz parte do Corredor Central da Mata Atlântica.

As principais consequências da remoção total da vegetação são a redução do tamanho populacional e a perda de nutrientes do ecossistema. O desaparecimento de indivíduos é um impacto mais significativo quando consideradas as espécies endêmicas, raras ou ameaçadas de extinção, sendo que na área há dez espécies que se enquadram em uma dessas categorias.

A perda de área de vegetação e a remoção de indivíduos é um impacto negativo, de grande magnitude e importância, sendo, portanto, muito significativo.

Medidas Recomendadas: limitar a retirada de vegetação apenas ao necessário; não remover, sempre que possível, as árvores localizadas fora da Área Diretamente Afetada (ADA) que caiam em decorrência de ações da natureza, para evitar a perda de nutrientes e a exposição do solo; resgatar as espécies com algum status de ameaça na ADA; fazer a reposição florestal; criar uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) na mata próxima ao empreendimento.

Programas Ambientais Associados: Supressão da Vegetação, Conservação da Flora; Monitoramento da Flora e Reposição Florestal.

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PESQUISADOR AFIRMA: “O COMPLEXO INTERMODAL É UM PROJETO ATRASADO, DO SÉCULO XIX”

Francisco Teixeira. Imagem: Mary Berbert.

Segundo o economista, pesquisador e professor doutor da UFBA, Francisco Teixeira, o complexo intermodal é uma idéia ligada à Revolução Industrial,  um modelo desenvolvimentista atrasado, típico do século XIX.

Segundo ele, o fato da população local ser favorável ao Porto Sul, tem justificativa, uma vez que recentemente, o Sul da Bahia viveu um processo de decadência econômica. Entretanto, Teixeira afirma que as pessoas estão carentes de informação, pois existem alternativas possíveis e melhores.

Ouça a entrevista do professor e faça sua reflexão.



http://www.adm.ufba.br/teixeira/

PENDURICALHOS

Por Marcos Pennha.

É, minha gente, caiu o número de moradores em Ilhéus. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ilhéus, que já beirou a casa dos 250 mil, hoje, tem aproximadamente 182 mil habitantes. Os motivos da queda são inúmeros. Muita gente foi embora. Muitos morreram e muitos deixaram de nascer. Tudo, podes crer, por culpa das sucessivas más administrações municipais. Simples assim, como diz uma operadora de telefonia celular.

Quem partiu para outros centros, foi porque não encontrou emprego. Quem partiu dessa para melhor, foi naturalmente, incidentalmente (se é que isso é possível) ou por desgosto em face de tanto desmando ao longo do tempo. Por fim, diga-me se há tesão no sujeito com tudo lhe acontecendo a contragosto? Daí a baixa no número de gente produzindo bebê, sacou aí?

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AMBIENTALISTAS EXPLICAM O “NÃO AO PORTO SUL”

Neste vídeo produzido pela Rede Sul da Bahia Justo e Sustentável, dirigido pelo jornalista e documentarista Paulo Paiva, representantes de organizações não governamentais explicam porque são contrários à construção do complexo intermodal, e do porto de exportação de minério de ferro da BAMIN.

Trata-se de um vídeo que faz um apelo à lucidez. Uma defesa veemente da sustentabilidade.

SECRETÁRIO DE PORTOS DA BAHIA REDUZIU O PORTO SUL A UMA GUERRA DE TORCIDAS

Por Rui Rocha.

Nem nos jogos de futebol as partidas são decididas por número de torcedores.

O secretário de Portos da Bahia reduziu o projeto Porto Sul a um jogo de torcidas, aonde o time com maior claque deve por isso ganhar, omitindo as questões de natureza técnica e legal que ainda persistem neste mega projeto da Bahia Mineração. O melhor seria apontar os reais problemas, já estudados por técnicos do setor ambiental e jurídico, e quais as soluções possíveis, além dos reais impactos e benefícios de Ilhéus e região, até agora pouco analisados. A gestão de um projeto desta magnitude não pode ser tratado levianamente, mas o que estamos assistindo por parte da BAMIN e pelo governo baiano é exatamente isso.

O secretário afirmou ao Jornal A Tarde que o Porto Sul, ao norte de Ilhéus, é questionado apenas por uma minoria e que os impactos ambientais serão minimizados. Já o vice presidente da BAMIN, o Sr. Clóvis Torres, depois de propagar na TV que os pescadores serão beneficiados pelo porto, afirmou ao mesmo jornal que os impactos ambientais serão mínimos.

Leio com perplexidade os argumentos do Sr. Roberto Benjamin e do vice presidente da BAMIN e compreendo que ele, como engenheiro e secretário de estado, comete um erro gravíssimo ao insinuar que este projeto deve ser tratado de forma plebiscitária – maioria versus minoria. Nem em jogo de futebol as partidas são decididas por número de torcedores em estádios. Assunto desta magnitude – o Porto Sul – deveria ser tratado primeiro por especialistas nas áreas de conhecimento que o projeto se propõe a intervir.

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DILMA PROPÕE MUDANÇAS NO SETOR DE MINERAÇÃO

Ontem (sexta-feira/22) durante um evento em Belo Horizonte, a candidata à presidência Dilma Rousseff (PT) propôs mudanças no setor de mineração, combate ao desmatamento, mais repasses de recursos para os municípios e crédito para agricultores.

Para a petista, não é certo o Brasil exportar minério de ferro e importar produtos siderúrgicos, portanto, ela defende que os recursos naturais do país, permaneçam aqui. Dessa forma, como fica o projeto do porto da BAMIN, que deseja exportar minério de ferro para a China?

A candidata comentou também sobre a agressão ao seu adversário José Serra (PSDB), comparando com o episódio em que foi jogado um balão de festa cheio de água contra sua comitiva, em Curitiba.

Abaixo, confira trechos do discurso de Dilma.

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