Porto Sul
PROFESSORES DA UESC APONTAM FALHAS NO EIA/RIMA DO PORTO SUL
Por Paulo Paiva, editor do blog Acorda Meu Povo.
Professores e pós-graduados da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC, ligados ao Departamento de Ciências Agrárias e ao Programa de Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente -PRODEMA, protocolaram no IBAMA documento com dúvidas, considerações e questionamentos a respeito do Estudo de Impacto Ambiental, e de seu respectivo relatório público, o RIMA, elaborados pelas empresas consultoras Hydros e Orienta.
As observações foram encaminhadas dentro do prazo regulamentar pós-audiência pública, em nome de Célio Costa Pinto e Mariana Graciosa Pereira, respectivamente, Presidente e Secretária Executiva da Audiência Pública do Porto Sul, realizada em Ilhéus em 29 de outubro de 2010, e foi subscrito pelos doutores Gil Marcelo Reuss, Francisco de Paula Fernandes, José Adolfo de Almeida Neto e Daniel Mauro Souza Lemos.

Os estudos da Hydros e Orienta apresentados pela Bahia Mineração ao IBAMA são alvo de 38 questionamentos técnicos, envolvendo o termo de referência, o diagnóstico das comunidades, a localização, implantação e a operação do empreendimento. A argumentação confronta as informações existentes com as exigências da legislação ambiental e as avaliações técnicas realizadas pelos próprios especialistas da UESC.
COMEÇOU. MAS ONDE VAI ACABAR?
Da revista Exame – 16 de novembro de 2011
O IBAMA tem em mãos, desde fim de outubro, os argumentos pró e contra a construção de um porto em Aritaguá, uma área de preservação de Mata Atlântica na cidade baiana de Ilhéus.
Essa é a segunda proposta para erguer um porto destinado a servir à futura Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), tocada pela Valec, estatal ligada ao Ministério dos Transportes.
A estrada, ligando o interior de Tocantins ao litoral da Bahia, deverá escoar minério e produtos agrícolas.
Uma proposta de fazer o terminal em outro local no mesmo município foi vetada por questões ambientais há um ano.
Dependendo da decisão do IBAMA, a ser anunciada em abril de 2012, trechos da ferrovia que já estão sendo construídos correm o risco de ser refeitos. Com isso, 660 milhões de reais seriam desperdiçados.
O erro, dizem especialistas, foi começar a obra do interior para o litoral. O primeiro passo numa ferrovia de carga é garantir o porto. O TCU bloqueou o repasse de recursos até que se ache uma saída.
O trecho de Ilhéus a Caetité não recebeu licença do IBAMA. Desde novembro de 2010 há uma tentativa da Valec de achar uma nova saída para o mar.
PORTO SUL NUNCA APRESENTOU ALTERNATIVA LOCACIONAL
Por Paulo Paiva, editor do blog Acorda Meu Povo.
A Bahia tem a maior extensão litorânea do Brasil: 932 quilômetros. Segundo os estudos, existem 150 quilômetros no litoral sul e baixo sul do estado, que possui calado suficiente para a construção do Porto Sul.
No entanto, o planejamento adotado nos leva a crer, ter sido considerado, principalmente, a menor distância e o menor custo operacional, relegando oplanejamento ambiental, e uma visão mais ampla, territorial.

Determinou-se então, que o Porto Sul seria instalado em um dos núcleos centrais da Mata Atlântica, numa área importantíssima, onde se estuda e procura-se respostas para a sua conservação. Mas, enquanto estamos discutindo a prévia licença ambiental, temos todo o direito de questionar, e a sociedade tem o direito de ter pleno acesso a todas as informações.
O CEMITÉRIO DA BAMIN
RUI ROCHA NO DIÁRIO DE ILHÉUS E NO AGORA
Vale a pena comprar as edições deste final de semana dos jornais Agora e Diário de Ilhéus.
Os dois impressos trazem explicações do professor e ambientalista, Rui Rocha (Instituto Floresta Viva), sobre os impactos não mitigáveis e irreversíveis do projeto Porto Sul, ao meio ambiente e à economia regional.
Os 10 km de erosão que o Porto da Bamin vai causar no litoral norte (um novo São Miguel!) não passam despercebidos.
Diversos factóides relacionados ao Porto Sul são desmistificados.
RECONHECIMENTO AO TRABALHO FEITO COM PRAZER
A audiência pública sobre o Porto Sul foi um passo importante para o avanço das medidas necessárias para o início das obras. Os blogs e sites de Ilhéus fizeram excelentes coberturas. Dentre eles o Blog do Gusmão arrasou. Muita competência. Domínio total da tecnologia, fotos, transmissão ao vivo, uso intenso das redes sociais, transmissão por Ipad. Gusmão vai se afirmando a cada dia como um profissional de primeira e ele tem posição ( inclusive discordo de suas posições em relação ao porto). Tem personalidade. Não é insípido, inodoro e incolor. É factual com posição.
Palavras de Carlos Pereira Neto ( literato, advogado e professor da UESC) no facebook.
MINÉRIO DE FERRO: VAMOS DEIXAR O CHUTE DE LADO, É NECESSÁRIO LER O EIA
A composição e a forma do minério de ferro que poderá ser exportado pelo Porto Sul, está detalhada no EIA, tomo I, pag. 5-20.
A publicação de informações equivocadas, na blogosfera, prejudica a credibilidade dos blogs. Antes de informar os visitantes, é necessário ler e estudar.
A BAMIN deveria explicar com mais profundidade o seu projeto, aos veículos de comunicação que lhe são favoráveis. Alguns publicam equívocos crassos, e a mineradora é cúmplice disso quando não explica à opinião pública. O objetivo é enganar?
A legenda das fotos abaixo foi copiada do Estudo de Impacto Ambiental apresentado pelo governo do estado, e admite que o minério será arrastado pelo ar.

"Do ponto de vista do manuseio do minério desse minério de ferro, cabe destacar alguns dados de projetos relativos às suas características físicas: - Granulometria: 97% < 0,15 mm; - Peso específico aparente: 2,10 a 2,80 t/m3; - Umidade máxima: 8%; - Ângulo de repouso em pilha: 37 a 40º; - Ângulo de acomodação em correia: 20º; - Abrasividade: Baixa; - Dificuldade de escoamento: Elevada. Essas características resultam em possibilidade de arraste eólico desse minério, quer seja quando disposto em pilhas, quer seja quando em processo de movimentação (empilhamento, recuperação, disposição no porão dos navios), o que justifica a adoção das ações de controle identificadas ao longo deste texto e detalhadas no contexto do PBA".
GOVERNO E ONGS DIVERGEM SOBRE PORTO SUL
Do Valor Econômico
A Rede Sul, grupo de organizações contrárias à instalação de um complexo portuário no município de Ilhéus (BA), vai contestar oficialmente amanhã uma série de informações contidas no Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) concluído há pouco mais de um mês pelo governo baiano. Em audiência pública da qual participarão representantes do Ibama, a rede de associações espera convencer o órgão ambiental a propor um novo estudo, que considere outra localidade para o empreendimento, orçado em R$ 2,4 bilhões.
Elaborado em 2007, o projeto Porto Sul prevê a integração do ancoradouro com a Ferrovia Oeste-Leste, formando um complexo multimodal que poderá contar ainda com um aeroporto. A estrada de ferro, orçada em R$ 6 bilhões e já em obras, sairá de Figueirópolis (TO), seguindo Bahia adentro por 1.500 quilômetros até Ilhéus. Administrada pela estatal Valec, sua principal vocação será o transporte de minério de ferro e soja, porém o governo baiano também fala em etanol, clínquer e carvão.
ENCONTRO DE ATINGIDOS PELA BAMIN ALERTA SOBRE IMPACTOS DO PORTO SUL
O primeiro dia do Encontro de Atingidos pela BAMIN, realizado ontem na Vila Juerana, em Ilhéus, reuniu cerca de 150 pessoas das comunidades afetadas pela construção das obras da Bahia Mineração (BAMIN). O objetivo da reunião, que continuará nesta sexta-feira, é ajudar as comunidades a entender a dimensão dos impactos socioambientais que a exploração do minério de ferro em Caetité, a construção do Complexo Intermodal Porto Sul e da Ferrovia Oeste-Leste (FIOL) terão sobre as regiões oeste, sul e sudoeste da Bahia. Os participantes se preparam para a Audiência Pública do projeto que acontecerá no sábado, dia 29, às 14h, no Centro de Convenções de Ilhéus.
Com apoio de organizações civis como Cáritas, Articulação São Francisco Vivo, CEAS (Centro de Estudos e Ação Social), CPT (Comissão Pastoral da Terra) e CESE (Coordenadoria Ecumênica de Serviços), representantes dos municípios de Barra do Rocha, Banco Central, Ubatã, Ubaitaba, Caetité, Pindaí, Aurelino Leal, Anurí, Bom Jesus da Lapa, Lagoa Real e Brumado ouviram ontem as palestras ministradas por Rui Rocha, do Instituto Floresta Viva; Joaci Cunha, do Centro de Estudos e Ação Social e Sander Prates, da Comissão Pastoral da Terra.
“GOVERNO ESCONDE PONTOS NEGATIVOS DO PORTO SUL”
O radialista Gil Gomes entrevistou, na manhã de ontem (quarta-feira, 26), Antônio Eduardo Citron, representante do Conselho das Cidades.
Citron destacou pontos do Relatório de Impacto de Meio Ambiente (RIMA) do complexo Porto Sul, questionou a realocação dos moradores da área, citou um estudo da UFRJ, que aponta aumento populacional de 200 mil pessoas em Ilhéus e região, e condenou a omissão do governo sobre pontos negativos da obra.
Confira a esclarecedora entrevista de Antônio Citron.
AUDIÊNCIA PÚBLICA PORTO SUL (3): TUDO É MUITO GRANDE, MENOS A FLORESTA
Por Paulo Paiva, editor do blog Acorda Meu Povo.
Como o relatório de Impacto Ambiental nos mostra, tudo é muito grande no projeto Porto Sul, e os impactos também, envolvendo uma alta complexidade ecológica e socioambiental que não dominamos em sabedoria. Uma complexidade que o tempo apressado não permite aprofundar os riscos, e nem mesmo o diálogo com os atores envolvidos consegue fluir adequadamente.
Tudo é grande em números também para o meio ambiente, como está no RIMA que será apresentado dia 29 de outubro. O desmatamento previsto atinge quase dois mil hectares, o recuo da praia sob a Mata Alta de Restinga da Fazenda Juerana e Condomínio Jóia do Atlântico alcançará até cem metros em dez ou quinze anos, o impacto sobre o estoque pesqueiro é inimaginável, sobretudo durante os longos, e possivelmente, intermináveis anos de obras, etc.
Indaguei aos consultores e ao Secretário de Meio Ambiente do Estado, sobre uma questão central que preocupa a todos: os riscos e probabilidades de contaminação e poluição com o minério de ferro. Aproveitei para recordar a reunião de março de 2010, no Sindicato Rural de Ilhéus, quando o presidente da Associação Brasileira dos Cacauicultores, Henrique Almeida, ao ser informado pela VALEC que os vagões viriam abertos, dizia não acreditar, que em pleno século XXI, ainda não existisse uma tecnologia para fechar vagões de minério.
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ENCONTRO DOS ATINGIDOS PELA BAMIN
A Vila Juerana, em Ilhéus, receberá, durante os dias 27 e 29 de outubro, o Encontro de Atingidos pela Bamin.
O evento reunirá representantes das comunidades atingidas pela construção da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) e o Porto Sul, Ministério Público Federal e Estadual e entidades ambientalistas.
Durante o evento, serão discutidas denúncias envolvendo a mineração, o significado dessa atividade e a organização e processos de lutas do povo.
Serão três dias de aprofundamento de como esses grandes projetos atingem as populações locais e as estratégias necessárias para enfrentamento do problema, já que nem o Estado, nem a Bahia Mineração, levam em consideração as mobilizações populares que rejeitam os empreendimentos.
Confira abaixo a programação do Encontro de Atingidos pela Bamin.
SOCORRO COMENTA TEXTO DE MIRINHO
Socorro Mendonça, ativista social e ambientalista, decidiu comentar o artigo de Aldicemiro Duarte (Mirinho), coordenador do COESO, publicado no Pimenta.
Não é um embate pessoal. Trata-se de uma discussão, respeitosa e bem fundamentada, que gira em torno de opiniões divergentes sobre o Porto Sul.
Vale a pena conferir. O texto em fonte preta é de Mirinho. As partes em vermelho pertencem a Socorro.
PORTO SUL E CIDADANIA
O PORTO SUL É UM ENGANO!
A definição do Porto Sul não somente como um empreendimento de logística, mas como uma política de Estado, é provavelmente um dos maiores acertos do governo Jaques Wagner. Deste porto, muito já se falou e se tem falado, como de sua importância para facilitar o escoamento de diversos produtos, por meio da conexão com a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), projetando-se uma movimentação de cargas de 75 milhões de toneladas por ano. Anunciam-se mais de 4 mil empregos diretos na construção e operação e outros tantos indiretos (três vezes mais), além de um incremento na receita tributária de Ilhéus, e é sabido que os benefícios ultrapassarão as fronteiras ilheenses, criando um efeito virtuoso de amplitude regional. Mas o porto é, sem sombra de dúvida, muito mais do que isso.
Na realidade, de acordo com o EIA, os empregos gerados (MOD – Mão de obra + MOI – Mão de obra indireta) são 2030 empregos no pico da obra por apenas 3 meses, pois no trimestre seguinte este número cai para 1570 empregos. Confiram na página 14 do RIMA.
Não se pode pensar no Porto Sul olhando para os empreendimentos do passado, quando a execução se dava de qualquer maneira, sem preocupação com os impactos ambientais e sociais. A maturidade democrática e o processo de fortalecimento institucional que o Brasil vive tornam necessária e bem-vinda toda discussão, e o debate favorece a construção de modelos não somente economicamente positivos, mas também socialmente justos e ambientalmente responsáveis. Este é o tripé da sustentabilidade que anda de mãos dadas com a democracia.
A definição de sustentabilidade está correta. No entanto, a prática não tem sido justa e não será ambientalmente responsável, ainda que seja economicamente viável. Portanto é INSUSTENTAVEL!
Um empreendimento que tem 86 impactos negativos e apresenta como cuidados, programas de monitoramento, é no mínimo uma piada! As condicionantes da FIOL, sequer foram cumpridas, por isso a obra foi embargada. Entretanto, nós sabemos que continuam desrespeitando a tudo e a todos. Temos como exemplo, a visita feita por prepostos da Valec, na Vila de Campinhos, quando os moradores receberam um aviso “saiam para outro lugar, pois o trator irá passar por cima das suas residências”.
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O ‘X’ DA QUESTÃO
Por Marcos Pennha
O povo brasileiro anda piripicado da vida – como se diz popularmente – com as frequentes notícias de indícios de atos de corrupção. O pior é que hoje, no país democrático que vivemos, temos o direito apenas de tomar conhecimento, e pronto. Não se ver nada concluído. Tudo termina caindo no esquecimento. Ninguém é preso, nem tampouco condenado a devolver o que subtraiu do erário. Os larápios ficam a debochar da gente brasileira simples.
A corrupção parece que já faz parte da cultura brasileira como são o futebol e o carnaval. Nota-se que os governos não têm a mínima preocupação com a eficiente gerência dos negócios públicos como fazem os administradores da iniciativa privada. O dinheiro público é gasto aleatoriamente sem planejamento, ao bel prazer de alguns poucos privilegiados.
Veja, por exemplo, o que acontece com a nossa princesinha do sul da Bahia Ilhéus, que viveu a época áurea do cacau. Sua arrecadação de impostos, nesse período, foi extraordinária. Pode-se dizer que a capital baiana e outras regiões beneficiaram-se com a pujança das cidades da região cacaueira, em especial Ilhéus.
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A BAMIN E O PREÇO DO CAMARÃO
Pescadores do litoral norte de Ilhéus estão boquiabertos com a BAMIN.
Ontem (quarta, 19), no Colégio Modelo, durante a apresentação do Relatório de Impacto Ambiental do Porto Sul, aos conselheiros das unidades de conservação, um pesquisador contratado pela mineradora soltou uma “pérola”.
Segundo ele, a construção da estrutura portuária só vai prejudicar a pesca de arrasto, cujos peixes não têm valor comercial.
Os pescadores atentos perguntaram: “e o camarão?”
Daí em diante, tudo que foi dito pelos apresentadores caiu em total descrédito.
O secretário estadual de meio ambiente, Eugênio Spengler, fazia parte da mesa.
ATINGIDOS PELA FERROVIA OESTE-LESTE
O outro lado do progresso, que sem pedir licença, “corta” a vida das pessoas.
RUI ROCHA: “MUITOS PROBLEMAS NOVOS SURGIRÃO COM O PORTO SUL”
O professor Rui Barbosa da Rocha, 45 anos, é um homem tranquilo de hábitos simples. Sua cordialidade e polidez são traços característicos de sua personalidade.
Sempre compreensivo, costuma dizer: “o homem como ser humano é intocável”, frase que demonstra seu humanismo cristão, ligado ao protestantismo da Igreja Batista Lindinópolis.
Esse engenheiro agrônomo, mestre em desenvolvimento e agricultura pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, fugiu à regra dos acadêmicos escondidos nos ambientes confortáveis das universidades. Professor da UESC, Rui decidiu lutar contra um projeto do governo baiano, que se for implantado, vai causar diversos problemas ao Sul da Bahia. Mesmo discreto, naturalmente assumiu a liderança do movimento contrário, e por isso, constantemente é vítima de calúnias e leviandades. Mesmo assim, jamais respondeu com agressões. É um homem do conhecimento, do debate civilizado. Suas explicações, sempre lúcidas, ultrapassam a barreira da ignorância e estremecem os argumentos nada confiáveis de muitos defensores do projeto.
Nessa entrevista ao Blog do Gusmão, Rui Rocha esclarece pontos obscuros do projeto Porto Sul, munido de um prêmio recente concedido pela UNESCO, por sua luta em defesa da Mata Atlântica.
BG- A secretária da Casa Civil, Eva Chiavon, fala que o Relatório de Impacto Ambiental do Porto Sul, no que diz respeito à geração de empregos, segue exemplos de sucesso, de outros portos já construídos. Você concorda com essa comparação feita pela secretária?
RR- Eu não concordo. As experiências que temos com esses portos de escoamento de minério de ferro não geram desenvolvimento como o governo tem dito. A estrutura portuária e ferroviária presta basicamente aos interesses de um setor, que é o mineral. Ele não transforma a economia regional, como se diz, de um porto de uso múltiplo, que vai alavancar muitos negócios e indústrias. Isso não acontece. Um exemplo mais claro disso é o Porto de Itaqui no Maranhão, que já tem algum tempo funcionando, com a super ferrovia de Carajás, que traz minério de ferro de Marabá, região Sul do Pará. Essa região não se industrializou. Poderíamos imaginar que toda a estrutura produtiva da Amazônia, em torno dessa logística, poderia fazer e atrair pra essa região uma base industrial. Isso não aconteceu.
Um exemplo mais claro disso é o Porto de Itaqui no Maranhão, que já tem algum tempo funcionando, com a super ferrovia de Carajás, que traz minério de ferro de Marabá, região Sul do Pará. Essa região não se industrializou.
BG- Eraci Lafuentes, assessor da Casa Civil, afirma que as políticas de compensação ambiental serão prioridades do governo do estado. Ele também garante que as famílias do assentamento Bom Gosto (situado na área destinada ao Porto) serão reassentadas para melhor. Dá para confiar?
RR- Primeiro, temos que imaginar o que o Estado está fazendo para melhorar as condições de vida da população do Sul Bahia. Acreditar que o governo vai fazer uma série de coisas no futuro, quando o porto vier, nos deixa numa situação muito vulnerável. A sociedade regional tem que solicitar do governo uma ação imediata de qualificação dessa região. Temos vários investimentos, super necessários, colocados o tempo todo na ordem do dia, nos jornais e nos rádios. Os investimentos que a nossa região precisa, não devem ser associados ao porto, devem ser associados ao passivo que a região já tem, de 40 ou 50 anos. Precisamos melhorar a rodovia Ilhéus-Itabuna, os sistemas de educação e de saúde são precários e a nova ponte Ilhéus-Pontal, prometida há muito tempo, não se vê nenhum passo nessa direção. Precisamos da qualificação urbana de Ilhéus e das outras cidades da região cacaueira e também do saneamento básico. Esses investimentos, que são obrigação do estado, deveriam estar sendo feitos agora, ou ontem, ou anteontem.
BG- Isto significa que o Porto, com os novos moradores que aqui chegarão, vai aumentar a demanda por serviços públicos?
RR- Exatamente. Temos um conjunto de necessidades que não foram atendidas até hoje, e o porto e a ferrovia, por tudo que vão acarretar com a expectativa de novos empregos, e o grande fluxo migratório que será gerado, vão exercer uma forte pressão na cidade. Muitos problemas novos surgirão com o porto. E os problemas velhos que não foram resolvidos ainda? Não podemos receber essa mensagem, de que um paraíso vai descer sobre Ilhéus, com o Porto, na medida em que hoje, não temos provas contundentes de que o governo vai fazer a sua parte, ou já fez a sua parte.
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RECONHECIMENTO TARDIO, MAIS DO QUE MERECIDO
“Creio, sem querer ser piegas, que o dom de amar é a maior virtude que o ser humano pode ter. Não falo do eros ( muito bom por sinal!), mas do àgape e do fides.
A solidariedade é componente essencial deste dedicar-se ao próximo. Minha amiga Socorro Mendonça tem em si o dom do amor. Discordo de algumas de suas posições. Sou favorável ao Porto Sul, mas acho que a luta travada por ela e seus corregilionários deve ser levada a sério e seus pontos de vista ouvidos. O diálogo é fundamental no jogo democrático. Socorro é uma baita cidadã! Te Amo, Help!”
Carlos Pereira Neto, professor da UESC e advogado, no facebook.
IMPRENSA DE ILHÉUS NÃO CEDE ESPAÇO AOS AMBIENTALISTAS
Uma nota da coluna Tempo Presente, do Jornal A Tarde, publicada ontem (quarta, 12), com questionamentos à Rede Sul da Bahia Justo e Sustentável, repercutiu em alguns blogs da região.
O professor e ambientalista, Rui Rocha, manteve contato com o jornalista responsável (Levi Vasconcelos), para dar explicações, já publicadas na edição dessa quinta (13). Leia.
“Sobre a nota Os inimigos do Porto Sul, ontem publicada, o professor Rui Rocha, da UESC, esclarece que a organização Sul da Bahia Justo e Sustentável congrega todas as ONGs ambientalistas que lutam contra a implantação do Porto Sul (ele é do instituto Floresta Viva) por achar que há alternativas bem melhores para a região de Ilhéus. Também que procura a imprensa do Sul, a exemplo do jornalista Ancelmo Góis, de O Globo (e não da Veja online, como publicamos), por dificuldades de acesso à imprensa ilheense.
Por fim que o site da organização é restrito a associados, daí a dificuldade de acesso”.
AGONIA NO ELEVADOR
Na manhã de ontem (segunda, 10), oito estudantes de agronomia, da UESC, ficaram presos no elevador da câmara de vereadores de Ilhéus, durante a apresentação do RIMA do Porto Sul.
O susto demorou quase 40 minutos, e se não fosse a ajuda de alguns funcionários do legislativo, poderia ter sido muito pior.
Por muito pouco, três secretários estaduais, presentes no evento, não entraram na arapuca. O elevador suporta apenas 5 pessoas, mas não dispõe de nenhum aviso sobre a lotação.
Não custa lembrar: o Palácio Teodolino Ferreira teve sua reforma concluída em 2010.
Coisas de Jailson “Sarney” Nascimento e Dinho Gás.
A DAMA DE FERRO DO PORTO SUL

Eva Chiavon lembra, pelo menos um pouco, a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher. Foto: José Nazal.
O Blog do Gusmão entrevistou na manhã de ontem (segunda, 10) a secretária estadual da Casa Civil, Eva Chiavon.
Lugar tenente do governador Jaques Wagner, a secretária se destaca por fazer uma defesa intransigente do projeto da empresa Bahia Mineração.
Enfática, ela impõe: “o Porto Sul não tem volta, está consolidado”. A frase, pronunciada durante a apresentação do relatório de impacto ambiental, na câmara de vereadores de Ilhéus, denota ponto final e impossibilidade de diálogo com os grupos contrários ao empreendimento. Subentende que o IBAMA concederá, sem sombra de dúvida, a tão sonhada licença reivindicada pelo governo do estado.
Na pauta da entrevista com Eva Chiavon, alguns questionamentos que só este modesto blog tem coragem pra fazer.
A mineração, no estado do Pará, é fortíssima. Apesar da riqueza, os indicadores sociais são terríveis. Na Bahia esse modelo será diferente?
O governo defende arduamente a exportação de commodities, mas a lei Kandir, nessa atividade econômica, retirou dos estados grande parte do que deveria ser arrecadado com o ICMS.
Segundo o RIMA, o porto público e o terminal privado serão construídos “simultaneamente”. O estado já tem orçamento para essa obra?
Na Bahia, as políticas de compensação ambiental, normalmente, não saem do papel. Com o Porto Sul será diferente?
Ouça a entrevista.
GOVERNO DO ESTADO APRESENTA RIMA DO PORTO SUL

O governo do estado apresenta, na manhã dessa segunda-feira (10), o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) do Porto Sul, na câmara de vereadores de Ilhéus. Participam da apresentação Eva Chiavon, secretária estadual da Casa Civil, Carlos Costas, secretário estadual de Indústria Naval e Portuária, o presidente da Bamin, José Francisco Viveiros e o prefeito de Ilhéus, Newton Lima. O evento é promocional, ou seja, uma defesa contundente do projeto, onde os segmentos questionadores não poderão encaminhar perguntas.
















