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Terca-Feira, 12 de Dezembro de 2017
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VALEC FECHA ESCRITÓRIO EM ILHÉUS

Valeu tira escritório regional de Ilhéus. Imagem:

Valeu tira escritório regional de Ilhéus. Imagem: Elói Corrêa.

Do Pimenta.

A Valec decidiu fechar o escritório regional em Ilhéus. Vai transferir as atividades para a unidade em Jequié, no sudoeste baiano. A empresa federal é responsável pela construção da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), que deverá ligar Figueirópolis (TO) a Ilhéus (BA).

O fechamento da base ilheense resultará na demissão de oito funcionários terceirizados. Os 13 funcionários concursados e gerente regional serão transferidos para o sudoeste baiano.

A unidade movimenta, sozinha, quase R$ 1,5 milhão na economia ilheense e serve como elo institucional com a região e o próprio município sul-baiano, trecho final da ferrovia e onde será construído o Porto Sul, que, pelo projeto, escoará a produção de grãos e minérios transportados pela Fiol.

O processo de transferência de Ilhéus para Jequié deverá ser concluído até 21 de novembro, conforme apurado pelo Pimenta. A base em Ilhéus será fechada depois de sete anos.

A transferência gera desconfiança. O trecho compreendido entre Barra do Rocha e Ilhéus tem 36% do projeto já concluído. Região onde haverá maior demanda até a conclusão das obras. Ao contrário de Jequié e Tanhaçu, por exemplo, onde 86% e 91% das obras estão concluídas, respectivamente.

A empresa alegou redução de despesas, porém tem custo com base administrativa e com o canteiro da terceirizada Alta Engenharia, responsável pelo apoio às desapropriações ao longo do trecho da rodovia. Há quem veja até motivação política na decisão.

RUI COSTA FECHA ACORDO PARA FINANCIAMENTO DO PORTO SUL

Rui Costa em missão internacional. Carlos Prates/ASCOM-Gov-BA

Rui Costa em missão internacional. Carlos Prates/ASCOM-Gov-BA

Na última sexta-feira (1º), durante viagem oficial à China, o governador Rui Costa (PT) assinou contrato com cinco grandes empresas chinesas para o financiamento do Complexo Porto Sul, em Ilhéus. Além das companhias orientais, a Bahia Mineração (Bamin) também é signatária do acordo.

O porto sul vai embarcar o minério de ferro explorado no sudoeste baiano, além de grãos do oeste do estado que vão chegar ao porto pela Ferrovia Oeste-Leste (Fiol), projeto este que também será financiado pelos chineses.

O projeto do porto vai custar R$ 2,7 bilhões aos chineses. O documento assinado ainda estabelece que as empresas e o Eurasian Resources Group, acionista da Bamin, desejam cooperar com o desenvolvimento integral do projeto do porto sul, da ferrovia e da mina Pedra de Ferro.

Em entrevista publicada em sua página pessoal no Facebook, Rui Costa afirmou que o projeto visa ao desenvolvimento da região e de todo o estado da Bahia. Veja o depoimento do governador aqui.

Com informações do A Tarde.

EM BRASÍLIA, BEBETO DEFENDE INVESTIMENTOS NO SUL DA BAHIA

Bebeto participa da Assinatura da Delegação do Aeroporto de Ilhéus e viabiliza avanços para a região. Imagem: Asom Dep. Federal Bebeto

Bebeto participa da Assinatura da Delegação do Aeroporto de Ilhéus e viabiliza avanços para a região. Imagem: Asom Dep. Federal Bebeto

Nessa terça-feira (22), o debutado federal Bebeto Galvão (PSB) se  reuniu em Brasília com o ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil Maurício Quintella. O governador Rui Costa (PT) e outras autoridades da Bahia também participaram do encontro.

A audiência teve como destaque a assinatura da delegação do Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus, para o Governo da Bahia – lembre aqui.

Segundo o deputado, a reunião também tratou de outros assuntos sobre Ilhéus e todo o sul da Bahia. “Foi uma agenda rica em que representei e defendi os interesses da nossa cidade e da região. A conversa com o ministro tratou de temas centrais, entre eles, o desdobramento de um acordo entre o Governo da Bahia e o Ministério dos Transportes sobre a Ferrovia Oeste-Leste, que é uma ferrovia de importante integração econômica e social, além do Porto Sul. Ficou estabelecida uma viagem para a China do ministro Maurício Quintela e do governador Rui Costa para firmar parceria com investidores que irão viabilizar essas importantes obras”.

Bebeto destacou a negociação com os investidores chineses interessados na Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) e o Complexo Porto Sul. “Essa é uma notícia absolutamente interessante para a Bahia, mas sobretudo para a cidade de Ilhéus. O último ponto do intermodal de transportes vai ser a nossa cidade, se integrando à Ferrovia Oeste-Leste e ao próprio Porto Sul. São notícias importantes de uma agenda que é parte do meu compromisso com o desenvolvimento regional, mas sobretudo da nossa cidade”.

O MITO DA IDEIA DO PROGRESSO

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Serra Grande, local próximo de onde será erguido o mega Porto Sul. Foto: Eduardo Paraíso.

 

Suzana destaquePor Suzana Padua/ publicado em ((0)) Eco.

Recentemente, Emilio Gusmão defendeu Mestrado (ESCAS – IPÊ) sobre o “mito do progresso” e a “sedução” que leva a mídia a acreditar e alardear os benefícios de uma obra como o Porto Sul, projetado para a região de Ilhéus, Bahia. Um megaprojeto como esse traz dúvidas de toda sorte, desde as razões escusas que podem alimentar interesses financeiros de alguns, até o porquê de a maioria das pessoas acreditarem que uma grande obra representa muito mais ganhos do que perdas. O histórico de empreendimentos parecidos, cujos resultados foram nefastos para a própria região, mostra impactos socioambientais graves, sendo que alguns nunca nem saíram do papel.

O Porto Sul pode trazer danos irreversíveis para a sociedade local, que se ilude com a ideia de que a obra trará empregos e um desenvolvimento extraordinário, o que é muito mais imaginário do que real, segundo dados de especialistas que estudaram a questão a fundo. Em relação às perdas da natureza local, uma das mais ricas em biodiversidade do planeta, essas serão inimagináveis, tanto no mar quanto em terra, mas isso parece irrelevante para quem defende a obra.

Todavia, meu ponto não é o Porto Sul sobre o qual já escrevi duas matérias em ((o))eco, e sim a reflexão em relação ao que leva o ser humano a almejar algo grandioso como se fosse a melhor forma de se atingir felicidade, sem perceber que a verdadeira riqueza está na vida que nos rodeia.

É nítido o anseio de muitos quererem obter empregos ou enormes riquezas, mesmo que historicamente os bem-sucedidos tenham sido poucos e, em muitos casos, como consequência da exploração de outros seres humanos e da natureza. No caso do próprio sul da Bahia, o exemplo dos cacauicultores e mesmo de outras culturas mostra que o lucro pode ser significativo, mas ficou sempre concentrado em poucos donos de terras, ao mesmo tempo em que a maioria da população vivia indignamente. Alguns conhecedores dessa história, professores na região, como Rui Rocha ou Jorge Chiapetti, entre outros, relatam que a época áurea do cacau colapsou por conta da praga conhecida como “vassoura de bruxa”. Mas Chiapetti aponta que esse não foi o único motivo, pois a lavoura era subsidiada pelo crédito governamental que quando foi interrompido causou grandes impactos na região. Todavia, a memória de riqueza que predomina é dessa época, como se a fartura tivesse sido para todos. Outras atividades, como o turismo, se instalaram depois da baixa do cacau. Hoje, a economia da região se concentra principalmente no setor terciário, ou seja, comércio e serviços. Há pesquisas recentes que mostram aumento do PIB, e por mais que este não represente um indicador de diminuição das desigualdades, o fato é que a economia da região de 1999 a 2009 não esteve estagnada. Mas, a ilusão de que o apogeu foi com o cacau ficou no imaginário popular como um símbolo de um tempo para o qual muitos desejam retornar. A maioria não parece lembrar ou querer lembrar como era verdadeiramente a realidade, cultivando uma imagem fictícia, ao invés de prezarem o que têm hoje.

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PORTO SUL: ENRC DESRESPEITA DIREITOS HUMANOS NO CONGO

Por Ismail Abéde

Ismail AbédeMais uma vez , a ENRC (matriz da BAMIN – Bahia mineração) se vê envolvida em problemas ao redor do mundo. A empresa que foi recebida de braços abertos pelo Governo do Estado da Bahia, além de ter sido processada na alta corte de Londres pela Zamin/Ardila (que reclama não ter recebido US$ 220 Milhões pela venda do projeto pedra de ferro),  agora recebe acusação formal do governo do Reino Unido por não respeitar os direitos humanos nos locais de suas minas no Congo. Entre outras, foi acusada de negar o acesso das comunidades atingidas a água potável.

As comunidades vizinhas à poligonal do porto sul devem estar cientes do tipo de tratamento que teriam caso o porto sul fosse um projeto viável. Ou alguém ainda acredita que em Ilhéus seria diferente?

Não bastando todos os escândalos em andamento no país e a inviabilidade do projeto , o Governo da Bahia ainda diz estar muito disposto a dar andamento no projeto do Porto Sul, tendo uma empresa desse quilate como parceira.

Em sua viagem à China em busca de parceiros para o projeto natimorto, o governador da Bahia, o petista Rui Costa, não deve ter sido muito claro aos incautos chineses em relação à lava-jato, petrolão, “Delcidio-gate” e  as possibilidades crescentes do impeachment da presidente da república e da prisão do ex presidente Lula, ambos do seu partido.

Os candidatos à moradores da papuda crescem diariamente e os chineses vão querer saber quem serão os seus parceiros no projeto do porto sul e nas mãos de quem terão que entregar o seu dinheiro.

 A eles o meu recado- “Quem quiser entrar nessa barca furada, que atire o primeiro bilhão…”

Ilhéus já está com a receita pronta e ainda não se deu conta disso. O dinheiro dos chineses seria bem vindo para investir no turismo, na preservação e divulgação da parte histórica de Ilhéus, no cacau, no chocolate, na pesca artesanal e pequenos agricultores. Chega dessa ideia absurda de porto, que não seria nada além de outro enorme propinoduto inacabado que seria instalado nesse país.

Ismail Abéde é membro da AMORVIJU – Associação dos Moradores da Vila Juerana.

Abaixo, os amigos visitantes do Blog do Gusmão poderão ler reportagens de sites ingleses sobre esse assunto.

http://www.minesandcommunities.org/article.php?a=13298 

A ENRC não respeitou os direitos humanos na República Democrática do Congo, diz defensoria do governo do Reino Unido

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CARMELITA E O DESENVOLVIMENTO “ACHISTA”

Carmelita "achou" o Porto Sul.

Carmelita “achou” o Porto Sul.

emílioPor Emilio Gusmão

No dia 27 de janeiro desse ano, o Jornal Bahia Online publicou um artigo da Professora Carmelita sobre o Porto Sul.

Ao passar os olhos no texto da prefeiturável do PT, confesso que fiquei ansioso, uma vez que o primeiro parágrafo prometia uma aula sobre desenvolvimento econômico.

Normalmente, os leitores procuram ler publicações que lhe tragam mais certezas. Eu, sem querer bancar o diferente, gosto quando um escritor ou pensador ou articulista desafia as minhas convicções e me faz refletir.

Carmelita com uma segurança notável questionou o “achismo” na formulação das ideias. Pensei esperançoso: depois dessa boa provocação ela vai utilizar bons argumentos.

Que lástima! Minha expectativa não foi correspondida.

Carmelita não citou fonte alguma, apenas repetiu a defesa que os representantes do governo estadual fazem do projeto. Não mencionou uma só referência bibliográfica, sequer um dado dos estudos de viabilidade econômica. A Professora fez uso do recurso que condenou, ou seja, foi puro achismo. Fez pior! Afirmou que foram realizadas várias pesquisas, mas indicou, no texto, desconhecimento sobre todas.

Depois de citar alguns lugares-comuns que compõem a visão dos empreendedores – sempre na superfície – Carmelita foi na contramão dos estudos oficiais e relatórios do IBAMA, ao afirmar que o Porto Sul será uma atividade econômica complementar às existentes na região.

Citou a agricultura familiar, dando a entender que o novo terminal portuário não afetará esse setor. Errou feio Professora Carmelita!

Em recente estudo elaborado por mim, constatei que o relatório de vistoria nº13/2012, do IBAMA, identifica impactos negativos na agricultura familiar praticada nas comunidades de Aritaguá e Vila Juerana. “A construção do Porto Sul demandará desapropriações em pequenas propriedades rurais que cultivam cacau, laranja, cajá, banana, cacau, aipim, coco e mangaba. Cento e setenta famílias deverão ser desapropriadas ou perderão seus empregos, segundo declarações da Bahia Mineração durante audiência pública realizada em Uruçuca no dia 28 de maio de 2012, conforme o relatório”.

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FERROVIA SEM PORTO

FIOL E PORTO SUL

O encontro do real com o virtual.

Da ASCOM-Pedro Tavares

Durante sessão da Comissão Especial da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) na manhã desta quarta-feira (25), o deputado estadual e líder do PMDB na Assembleia Legislativa, Pedro Tavares afirmou que vai propor uma audiência pública em Ilhéus para que seja discutida a situação do Porto Sul, que até o momento não saiu do papel.

De acordo com o parlamentar, não existe Ferrovia sem Porto, e Porto sem Ferrovia. “As pessoas estão desinformadas e totalmente desacreditadas, e por conta disso é fundamental expor o que está acontecendo. Só se vê notícias, maquetes e anúncios, mas até agora nada aconteceu. Sem o Porto Sul, a Ferrovia de 1.527 quilômetros de extensão corre o risco de ser concluída e não ter funcionalidade”, disse o deputado.

SAMUEL CELESTINO “JOGA A TOALHA” E ADMITE POSSIBILIDADE DO MINÉRIO DA BAMIN EM ARATU

Samuel Celestino.

Samuel Celestino.

Samuel Celestino, espécie de vedete do jornalismo baiano, já admite a possibilidade do minério de ferro da mina de Caetité ser escoado pelo Porto de Aratu, em Salvador.

Publicamos com exclusividade a disputa judicial entre Zamin e ENRC (sócias da Bamin) na justiça inglesa. Para a nossa surpresa, pela primeira vez Celestino publica algo que coloca o empreendimento no “mar agitado das dúvidas”.

Desconfiamos: fonte bem posicionada do governo estadual abriu os olhos do patrono do Bahia Notícias.

A ENRC não tem caixa e o BNDES, depois de apostar nos projetos mirabolantes de Eike Batista, não vai financiar esse empreendimento.

O minério de ferro despencou. Hoje vale $ 70 a tonelada, antes $ 140. Enquanto isso, o governo do estado tem pressa e as sócias da Bamin querem deixar a empresa e se livrar do projeto.

Aratu é a alternativa menos dispendiosa para os investidores privados.

Leia o texto de Samuel Celestino.

BAMIN “ENGAVETOU” O PORTO SUL

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Do site Mining.com

A Cazaque ENRC (controladora da Bamin) está metida em outro problema. A empresa, mergulhada em casos de corrupção e investigações criminais teve que sair da Bolsa de Londres em 2013 e, agora, volta às manchetes graças a uma ação movida pela Zamin.

Segundo a Zamin a ENRC não efetuou o último pagamento de US$220 milhões pela compra dos jazimentos de minério de ferro da região de Caetité. A Zamin do indiano Agarval Parmod, havia comprado a jazida por apenas US$80 milhões e, em um passe de mágica, a revendeu por US$1 bilhão ao grupo do Cazaquistão ENRC.

Desde então a ENRC batalha para desenvolver a jazida, conseguir as licenças ambientais, a ferrovia e o porto necessários à viabilização do projeto.  Quando tudo parecia estar andando a contento  veio a guerra do minério de ferro. Os preços caíram e, subitamente tudo mudou.

O projeto Pedra de Ferro que era economicamente viável, com o minério de ferro aos US$140/t, deixou de ser muito atrativo e, com isso, vieram os problemas e os atrasos nos pagamentos. O último pagamento de US$220 milhões juntamente com os juros de US$30 milhões estão sendo cobrados judicialmente pela Zamin na corte suprema da Inglaterra.

A ENRC contra ataca e processa a Zamin pela não devolução de US$65 milhões mais juros, de um empréstimo contraído no início da operação de venda.

Fonte: www.geologo.com.br

Ambas as empresas negam as dívidas.

Na realidade a ENRC e a própria Zamin são as novas vítimas da guerra do minério de ferro.

Tanto as operações da Zamin no Amapá como a da ENRC na Bahia passaram a ser antieconômicas  o que leva as empresas a “engavetar” os projetos e buscar desesperadamente por cash.

Se os preços continuarem nesses patamares é possível que os projetos sejam abandonados. 

O SUPOSTO “PROGRESSO” DE ILHÉUS CONTINUA EM QUEDA

Será que vai ter porto sul?

Será que vai ter Porto Sul?

Do Estado de Minas

O preço do minério de ferro rompeu hoje o patamar de US$ 70 a tonelada na China e está cotado em US$ 69,8 a tonelada, queda de 0,3% em relação a ontem, renovando, assim, o valor mais baixo desde junho de 2009.

Apenas no acumulado desta semana o preço caiu US$ 5,7, ou 7,4%. Esse valor segue a referência do insumo com teor de 62%, negociado em Tianjin, na China.

No ano o minério acumula perdas de 48,3%.

PARECER DO IBAMA “SEGURA” LICENÇA DO PORTO SUL

Litoral norte de Ilhéus. Foto: José Nazal.

Litoral norte de Ilhéus. Foto: José Nazal.

Clique aqui para ler o parecer do IBAMA.

Reportagem publicada na edição de ontem (28 de agosto) do Jornal Valor.

Um parecer técnico do Ibama jogou incertezas na reta final do processo de licenciamento do Porto Sul da Bahia, um megacomplexo portuário localizado em Ilhéus, que prevê investimentos de R$ 3 bilhões em dois grandes terminais. O parecer, assinado por nove analistas do órgão federal, conclui que só metade das condicionantes socioambientais estabelecidas na licença prévia foi efetivamente cumprida até agora e coloca em dúvida a liberação para o início das obras.

A primeira licença, atestando a viabilidade ambiental do empreendimento, foi dada no fim de 2012. Ela definiu 14 exigências que precisam ser atendidas para a obtenção da licença de instalação (LI). É esse segundo documento que permite a construção do porto para valer. O governo baiano, responsável pelo projeto, diz já ter cumprido todas as exigências. No mês passado, então, deu entrada no pedido formal de LI ao Ibama. Para os analistas da autarquia, porém, esse trabalho ficou literalmente pela metade.

O parecer, de 18 de agosto, considera que sete condicionantes foram atendidas e três não foram cumpridas. Outras quatro condicionantes teriam avançado apenas “parcialmente”. “No intuito de possibilitar manifestação conclusiva para a emissão da LI”, segundo o relatório de 130 páginas, “recomenda-se que as pendências indicadas ao longo do parecer sejam tratadas pelo empreendedor e encaminhadas ao Ibama para avaliação”. Como afirmam os próprios analistas, não se trata de posição final e muito menos irreversível, mas demonstra que a polêmica em torno do Porto Sul da Bahia ainda está bem longe de acabar.

O empreendimento fica em uma região preservada de Mata Atlântica e com forte apelo turístico. Tem apoio de parte significativa da população local, mas enfrenta a oposição de grupos ambientalistas. A localização do complexo portuária, prevista originalmente para a Ponta da Tulha (ao norte de Ilhéus), teve que mudar devido ao impacto potencial em comunidades indígenas. Diante das pressões, foi para Aritaguá, um estuário ao norte da cidade.

O Porto Sul poderá movimentar até 100 milhões de toneladas no 25º ano de operação. Ele já teve autorização da Secretaria de Portos. Dois terminais vizinhos estão previstos. Um é da Bahia Mineração, que explora minério de ferro no município de Caetité e pretende escoar sua produção pela Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), cujo traçado termina em Ilhéus. A ferrovia está atrasada.

O outro terminal será explorado, em um sistema de condomínio, por empresas selecionadas pelo governo baiano. Pode envolver a movimentação de minério, grãos e até contêineres. Um edital de convocação dos interessados deve sair na próxima semana.

No parecer, os técnicos do Ibama apontam dúvidas sobre o descarte de efluentes e suposto atraso no plano de adequações da infraestrutura no entorno do porto. Também alegam não ter recebido a outorga do direito de uso dos recursos hídricos para o projeto. Aparentemente, são questões que não ameaçam o empreendimento em si, mas podem comprometer os planos de ter obras neste ano.

Eracy Lafuente, coordenador de acompanhamento de políticas de infraestrutura no governo da Bahia, minimiza os problemas no licenciamento e disse ter enviado ontem mesmo respostas ao Ibama. Segundo ele, há documentos não mencionados pelo parecer que já constam dos estudos enviados, como o plano de infraestrutura no entorno e de construção de um novo hospital. “Não estamos pedindo nenhum arrego ou esforço menor. A função do analista ambiental é exigir bastante mesmo do empreendedor, mas já apresentamos o que foi pedido.”

Foram elaborados 38 programas básicos ambientais para atender às condicionantes e obter a LI. “Pode-se exigir um ou outro complemento dos programas. Mas, em linhas gerais, as condicionantes da licença prévia foram atendidas. Nós temos sido absolutamente transparentes na demonstração dos nossos planos”, afirma o coordenador.

PONTA DA TULHA: O ERRO GROSSEIRO DA BAMIN

Parque Estadual Ponta da Tulha. Imagem aérea de José Nazal.

Parque Estadual Ponta da Tulha. Imagem aérea de José Nazal.

Editorial do Blog do Gusmão.

É preciso fazer uma reflexão a respeito do recém-criado Parque Estadual Ponta da Tulha sobre a costa litorânea do Sul da Bahia. Houve um erro que deve ser exposto para que sirva de exemplo histórico.

Em 2007, a Ponta da Tulha foi apontada como área ideal para a construção de um porto de escoamento de minério de ferro. Esse equívoco foi cometido originalmente pela Bahia Mineração, quando elegeu esse local como de seu interesse para construir uma retroárea, onde seria armazenada a “commodity” trazida de Caetité, via mineroduto. A ideia inicial indicava exatamente a região de corais da Ponta da Tulha como local mais indicado para a construção do porto, devido à profundidade. O estudo de impacto ambiental realizado por empresas contratadas pela Bamim omitiu a existência dos recifes de corais.

Essa escolha, supostamente técnica feita pela Bahia Mineração, induziu o Governo do Estado da Bahia a orientar sua política de desenvolvimento logístico para esse local. Posteriormente, os dirigentes estaduais abriram mão do mineroduto e decidiram incorporar essa região no traçado da ferrovia Oeste-Leste. A partir do momento que essa decisão foi tomada, houve uma magnetização ainda maior para o litoral norte de Ilhéus.

Em novembro de 2010, quando o IBAMA constatou o erro técnico grosseiro da Bahia Mineração, surgiu a tentativa de consertá-lo levando o porto para Aritaguá.

Parque Estadual Ponta da Tulha. Imagem: José Nazal.

Ponta da Tulha. Imagem: José Nazal.

Novamente, outro erro está posto. Aritaguá também é uma área sensível, caracterizada pelo cacau cabruca e remanescentes de Mata Atlântica. Mais de 5 mil pessoas vivem na área de influência direta do porto, nos povoados ou distritos de Aritaguá, Castelo novo, Itariri, Valão, Juerana e no Assentamento Bom Gosto.

Essa região é fundamental para a subsistência dessas comunidades. Os estuários e manguezais são provedores de comida (robalo, caranguejo e etc). A qualidade ambiental do Rio Almada é imprescindível para o dia-a-dia de muitas pessoas. O patrimônio costeiro dessa região é fundamental para o turismo de longo prazo, atividade geradora de emprego e que mantém muita gente.

Antes do IBAMA sugerir que a Mata Atlântica da Ponta da Tulha fosse transformada em unidade de conservação, diversas vozes já haviam questionado o empreendimento naquele local. Por sorte ou capacidade técnica do governo brasileiro, o erro grosseiro não aconteceu.

O processo de licenciamento do porto em Aritaguá não passou despercebido pelas mesmas vozes que se levantaram contra a primeira alternativa locacional. Os alertas sobre as consequências sociais e ambientais nocivas à região são de conhecimento das autoridades.

Apesar das evidências contrárias, tudo indica que dessa vez o mais novo equívoco será ignorado. Infelizmente, o exemplo histórico de Ponta da Tulha não faz sentido quando se objetiva privilegiar um setor da economia em detrimento dos outros.

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