EMÍLIO GUSMÃO

Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 36 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.

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PT

PT VERSUS PT

Guerra declarada no PT de Ilhéus.

O Partido dos Trabalhadores sempre foi rachado, mas em Ilhéus a situação interna piora a cada instante.

Os apoios explícitos à candidatura de Alisson Mendonça e a exoneração de Ednei Mendonça da Direc 6, esquentaram os ânimos no diretório local.

Em conversa com o JBO, a vereadora Carmelita Ângela, esposa de Ednei, acusou o grupo de apoio a Alisson de tentar desestabilizar a candidatura de Josias Gomes à prefeitura. “Eles executam uma forte e desqualificada manobra para nos desestabilizar e isso não vamos permitir”, afirmou.

Carmelita questionou também a manobra que levou à demissão (ainda não oficializada) de Ednei e não jogou a toalha na candidatura de Josias, defendendo a realização de prévias na legenda para decidir sobre o nome do PT que disputará a eleição.

O BLOG DO GUSMÃO NÃO ESQUECE: EM 2004, JOSIAS CONVENCEU ROLAND A DESISTIR DA PREFEITURA

Convencido por Josias em 2004.

A dinâmica da política é capaz de fabricar heróis, antes tidos como vilões.

O médico Roland Lavigne (ex-parlamentar) hoje ataca o deputado federal Josias Gomes (PT), acusando-o de morrer de amores pelo ex-prefeito Jabes Ribeiro.

Em 2004, quando foi candidato a prefeito pelo PSDB, Roland desistiu da candidatura, defendida por uma frente ampla de partidos (PPS, PSDB, PTB, PMN e outros que a memória não recorda).

Faltando 30 dias para a eleição, Roland foi convencido por Josias a desistir da candidatura e apoiar o concorrente do PT, Ruy Carvalho.

Os candidatos a vereador ficaram revoltados com Roland. A presidente do seu partido, Rubia Carvalho, e o falecido vereador, Marcos Paiva, disseram horrores dele. Muitos preferiram Valderico Reis (vitorioso no final) do que o PT.

Até hoje, não se sabe por que Roland abriu mão da disputa. Os motivos reais viraram um segredo indesvendável da história política.

MÁRIO AMORIM DEIXA A PRESIDÊNCIA DO PT

Mário Amorim.

O sindicalista Mário Amorim renunciou à presidência do PT de Ilhéus, na tarde de ontem (segunda, 16).

Segundo informações, ele buscava ter mais autonomia no comando do partido e travava uma constante quebra de braço com Everaldo Anunciação (membro do PT estadual ligado ao deputado federal Josias Gomes).

No último sábado, militantes e pré-candidatos a vereador do PT, ligados ao grupo do vereador Alisson Mendonça, foram impedidos de entrar na sede do partido. As chaves da sala não foram cedidas, irritando profundamente Mário Amorim, que decidiu pela renúncia.

SINDICALISTA CRITICA A PARTICIPAÇÃO DO PT NO GOVERNO NEWTON LIMA

O sindicalista da Força Sindical e militante do PSB, Wagner Bastos, detonou o PT ilheense, neste vídeo gravado na tarde de ontem (quarta, 11), no Cafezinho de Conceição, em frente ao Teatro Municipal.

É o “Small Coffee News” direto do Cafezinho. É só paulada!

CONTRA A HOMOFOBIA, ADEPTOS DA XENOFOBIA

Por Emílio Gusmão

A presença de imigrantes estrangeiros no Sul da Bahia vem de muito tempo. Com a explosão da cacauicultura, no século XIX, milhares chegaram aos montes.

Em Ilhéus, famílias de sobrenomes “gringos” estão completamente inseridas na sociedade, lado a lado com os “Santos” e os “Silva”.

Soub, Hage e Chauí (sírias), Ocké e Chaloub (libanesas), Kaufman (suíço-alemã), Albagli (turca), Kruschewsky (polonesa), além de outras, compõem a vasta árvore genealógica da civilização do cacau.

Apesar da tradição, algumas mentes obnubiladas andam pregando a xenofobia contra os “gringos babacas”.

O preconceito, além de bobo, é inaceitável. Pessoas que lutam aguerridamente contra a homofobia, e por isso são valiosas, de uns tempos pra cá assumiram o discurso xenófobo (incrível!).

O pior de tudo é que são ligadas ao PT, partido de esquerda, pioneiro na luta em defesa das minorias.

Em Ilhéus, o petismo tonto e desinformado assume o combate aos imigrantes, típico do nazifacismo, intrínseco à extrema direita européia.

Meu Deus! Há de se voltar ao ovo, pois tudo está errado.

O PT DE ITABUNA PRECISA DE LULA

Em São Paulo, Marta já era. Vem pra Itabuna Lula!

Em São Paulo, o ex-presidente Lula pôs fim nas pretensões caciquistas da senadora Marta Suplicy.

Ex-prefeita de São Paulo (2001 a 2005), notabilizada pela frase “relaxa e goza”, dita na ocasião do caos aéreo, quando era ministra do turismo (2007), Marta perdeu duas eleições seguidas, na tentativa de retornar à prefeitura.

Lula, inteligente como sempre, percebeu que ela afasta a classe média, e decidiu lançar o ministro da educação, Fernando Haddad. O partido, aos poucos, chegou à mesma conclusão.

Em Itabuna, o cacique petista Geraldo Simões, deputado federal, insiste numa candidatura “insípida, inodora e incolor”. Quer lançar a todo custo, pela segunda vez, a esposa Juçara Feitosa na disputa pelo comando da cidade.

Juçara não vai além do apoio familiar, só agrega em casa. Os demais partidos de esquerda a olham com desconfiança e não estão dispostos a passar por um novo vexame nas urnas.

Enquanto isso, o atual prefeito, Capitão Azevedo (DEM), vai se firmando à direita, com novos apoios, graças à instrumentalização da máquina administrativa.

Diante do petismo itabunense, onde o “dedaço” familiar determina, o “sapo barbudo” faz muita falta.

DIAZEPAN

Gerson: insonia.

O secretário de serviços urbanos de Ilhéus, Gerson Marques (PT), anda insone, não consegue pregar no sono.

Para entrar no governo, o vereador Jailson “Sarney” Nascimento e o seu PMN, notabilizados pelos negócios, exigem o controle da pasta de Gerson, de olhos no cobiçado lixo.

O petista, em processo de tomada de gosto, criando apreço, não esconde a preocupação.

Para voltar à contagem dos carneirinhos, só um comprimido de diazepan, desaconselhável para dramas cujo diagnóstico é o vai e vem da política.

ALISSON VOLTA PARA A CÂMARA. BAHIA OU RAFAEL?

Na marcha contra a corrupção ocorrida ontem (quarta, 23) no centro de Ilhéus, Rafael Benevides, vereador suplente (PP), mandou recados desafiadores ao titular da vaga, Alisson Mendonça, secretário municipal de governo.

Vinte e quatro horas depois, o receptor dos desaforos decidiu retornar à câmara, devolvendo o emissor à condição de “sem mandato”.

A história se encaixa, mas, corre pelas salas do Palácio Paranaguá uma outra versão. Alisson já teria percebido que Jorge Bahia, todo poderoso secretário de planejamento (na realidade de finanças) tem jogado contra ele.

Bahia estaria minando o secretário de governo, promovendo os interesses do deputado federal Josias Gomes (PT), adversário de Alisson entre os companheiros e pretenso candidato a prefeito.

Ouvido pelo Blog do Gusmão, Mendonça negou qualquer tipo de divergência com Jorge Bahia. Admitiu estar com saudades da câmara e externou planos de rearrumar a base do governo.

“RAFAEL BENEVIDES É CONTRADITÓRIO”, AFIRMA PETISTA

Rafael Benevides.

Um petista chateado com as declarações do vereador (suplente) Rafael Benevides, “ex-companheiro”, lembra que em 2008, ele não apoiou a candidatura de Ruy Carvalho, candidato do PT à prefeitura de Ilhéus.

A aliança com Jabes, que indicou o irmão Joabes como vice de Ruy, foi a justificativa.

Na época, Rafael não economizava críticas e se dizia traído. Jabes, na visão dele, era um “leproso” da política.

Hoje, Benevides comete uma grande contradição, ao fazer parte do PP, sigla cujo significado é “jabismo”.

“Antes de criticar, ele deveria rememorar seu passado”, recomenda o petista.

O espaço está aberto para explicações.

UM OBSTÁCULO CHAMADO JORGE BAHIA

Do Palácio Paranaguá ecoam as primeiras divergências entre Jorge Bahia (“primeiro-ministro” do prefeito Newton Lima e quem realmente manda) e petistas de grande envergadura.

Bahia continua determinando absolutamente tudo. O prefeito autoriza e ele desautoriza. Newton se cala.

Numa articulação suicida, o PT, ao entrar de corpo e alma, assumiu os 93% de rejeição do governo e pode se inviabilizar eleitoralmente. Pelo visto, sequer terá o direito de tentar uma reação, já que Jorge Bahia, desprovido de interesse público, não permite.

Newton assina embaixo.

SEJA BEM VINDO “COMPANHEIRO”!

Newton Lima, campeão em desagrado popular (93% de rejeição), agora é do Partido dos Trabalhadores.

Os petistas, corajosos que são, pretendem dar o último refúgio ao prefeito mais incompetente dos últimos 30 anos, tempo que esse blogueiro acompanha a política local.

Na tarde dessa segunda-feira (24), Newton assinou sua filiação ao PT e empossou Ari dos Remédios, na secretaria de assistência social e trabalho; Murilo Brito, secretaria de ações regionais; Alexandre Simões, secretaria de saúde, e Fernando Hughes, na secretaria de administração. Todos são petistas.

Sinceramente, desejamos sorte aos “companheiros” nessa difícil empreitada! A cidade precisa de dias melhores.

Abaixo, uma releitura humorada da solenidade de hoje no Palácio Paranaguá.

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PSB VAI SAIR, PT QUER FICAR

Durante reunião do prefeito Newton Lima com os secretários, na manhã dessa segunda-feira (19), Gerson Marques, cargo de confiança no Paranaguá e petista influente, falando em nome do partido, garantiu apoio total dos “companheiros”, enquanto durar a licença médica do gestor.

Segundo ele, os petistas se reuniram durante o final de semana e decidiram não deixar o governo.

Por outro lado, o partido de Newton Lima, PSB, pretende cortar o “cordão umbilical”.

Nos próximos dias, o sindicalista Bebeto Galvão vai anunciar a retirada da tropa socialista.

CANDIDATURA DE ALISSON CRESCE ENTRE PETISTAS

No último sábado (10), petistas ilheenses se reuniram numa residência do Jardim Savóia, para discutir a candidatura do vereador licenciado, Alisson Mendonça, à prefeitura de Ilhéus.

O deputado federal Geraldo Simões, o empresário Nilton Cruz e representantes de alas mais à esquerda do partido estiveram presentes.

A presença do vereador Paulo Carqueija e do articulista Gerson Marques, ligados ao deputado federal Josias Gomes, realçou o encontro.

As conversas resultaram em algumas definições:

Nilton Cruz, ligado ao deputado estadual Rosemberg Pinto, vai entrar de cabeça na campanha de Alisson.

A possibilidade do PT indicar o vice, numa chapa encabeçada por Jabes, foi descartada, mesmo que Alisson seja o indicado.

Paulo Carqueija e Gerson Marques, totalmente fiéis a Josias, serão a ponte necessária para a unificação do partido.

OS BOMBEIROS DE RUY

Ratá-tá tá tá...

Todas as vezes que o médico Ruy Carvalho, prefeiturável do PRB em Ilhéus, concede uma entrevista, o resultado propiciado por sua metralhadora verbal é um imenso obituário político.

Ele atira para todos os lados, acertando em cheio possíveis aliados.

Recentemente, o cenário do massacre foi um programa da Conquista FM.

O estrago foi tão grande, que logo os dirigentes do partido escalaram bombeiros para apagar o fogo causado pelo líder.

Segundo um experiente petista: “foi assim no PT, e se repete no PRB. Ninguém segura o homem. Ele fala o que dá na telha.

VICE DE JABES NÃO!

JR jamais!

O petista Alisson Mendonça, pré-candidato a prefeito, garantiu ao Blog do Gusmão que o PT de Ilhéus terá candidatura própria ao comando do Palácio Paranaguá em 2012.

Perguntado sobre a possibilidade de ser candidato a vice-prefeito, numa chapa encabeçada por Jabes Ribeiro (PP), Alisson afirmou que a ideia não passa por sua cebeça.

“Se Jabes retornar à prefeitura, nós já sabemos o que vai acontecer. Ele vai governar com o mesmo grupo que comandou Ilhéus por 20 anos. O povo está cansado disso. Vivemos um tempo de otimismo, precisamos de um projeto novo. Voltar ao passado é um retrocesso”.

A aliança com Jabes é defendida por Everaldo Anunciação, membro da executiva estadual do partido, incumbido de unir a base aliada de Wagner pelo estado afora.

UMBIGO COM UMBIGO

Nosso repórter-fotográfico, Maradona Ferreira, flagrou esses dois umbigos (Jaques Wagner e Jabes Ribeiro), quase colados, por volta das 18h de ontem (quinta, 28), no aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus. A conversa durou quase 15 minutos. Uma frase se destacou: "Governador, não tem como fechar com o PT, dentro desse governo".

EXISTE UMA PEDRA NO MEIO DO CAMINHO

Por Carlos Pereira Neto

Não será a amizade do governador com qualquer candidato que irá determinar a eleição local, afinal ele não vota aqui. Ser amigo do governador é bom, facilita os acessos, mas o que conta é a articulação e o diálogo político

Alguns amigos sempre me pedem para que eu faça avaliações sobre as candidaturas a prefeito de Ilhéus em 2012. Respondo que 2012 está perto, mas as eleições estão muito longe e que não tenho o dom da futurologia, porém, diante da insistência dos amigos Gonzaga e Ricardo de Marco, socorro-me nas lições sobre o tempo de Santo Agostinho e caio na tentação.

O extraordinário Bispo de Hipona diz, em síntese, mais ou menos o seguinte: existem três tempos, a lembrança presente das coisas passadas, a visão presente das coisas presentes e a esperança presente das coisas futuras. Ninguém pode afirmar que o futuro já possui existência, ou que o passado subsiste. O passado é memória e o presente é olhado. O que foi realizado e persiste é visto. O que não é feito hoje também é observado. Em 2012 é o governo Newton Lima que será julgado

Teremos o embate de um passado de obras presentes no espaço contra um presente sem obras qualquer para projetar no futuro. Embate concreto de experiências.

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CARQUEIJA ENXERGOU O “PEPINO”

Nos corredores da secretaria de saúde de Ilhéus, e também nas salas, rola um forte comentário sobre a desistência do vereador Paulo Carqueija (PT) em assumir o comando da pasta.

O petista teria percebido que será muito difícil recuperar as contas do SUS municipal. A falta de vontade politica do prefeito Newton Lima também conta.

A secretaria virou uma terra de ninguém. O atual timoneiro, Jorge Arouca, não vê a hora de sair.

Enquanto isso, a picaretagem rola solta. Recentemente, tentaram comprar bengalas para o Núcleo de Atenção Especializada, a R$ 300,00 cada (o valor normal é R$ 80,00). A maracutaia foi descoberta e a compra cancelada.

A MORTE DO PRESIDENTE ITAMAR, OS 80 ANOS DE FHC E A IMPRENSA

Por Emílio Gusmão

O primeiro presidente a despertar a atenção deste blogueiro, quando menino, foi o general João Figueiredo (1979 a 1985), derradeiro do regime militar. Encerrou seu período com todo o peso do fracasso da ditadura em suas costas.

Com José Sarney (1985 a 1990), o primeiro presidente civil após 21 anos dos milicos, não foi muito diferente. Deixou o Palácio do Planalto certo de ser fragorosamente vaiado, após descer a rampa. O contentamento de vê-lo deixar o poder sufocou os gritos de um final ainda mais melancólico.

Fernando Collor (1990 a 1992) colocou a democracia em risco. Fracasso econômico, confisco nas contas bancárias, falência do cinema nacional (fim da Embrafilme), redução do poder aquisitivo dos aposentados (negou o reajuste de 147%), impeachment e por pouco suicídio (Brizola o aconselhou a não seguir o exemplo de Vargas).

Este blogueiro sempre foi um admirador de Leonel Brizola, um nacionalista-trabalhista, maior construtor de escolas da nossa história. Também fui petista, e assim como muitos, acreditava piamente no Plano Real como um golpe para vencer as eleições de 1994. A teoria conspiratória, formulada por Brizola, recebeu a aceitação dos trabalhadores. Vale lembrar a chapa Lula (presidente), Brizola (vice) nas eleições daquele ano.

A história provou o contrário. Hoje é possível analisá-la sem a cegueira partidária e ideológica.

Itamar Franco foi o primeiro presidente, visto por este blogueiro, a deixar o governo com alto índice de aprovação (83%). Lembro que ao tomar posse, fez questão de apresentar diante da imprensa, a sua declaração de bens (outros também o fizeram, mas de maneira protocolar). Determinou ao ministro da previdência, Antônio Brito, o pagamento imediato do reajuste de 147% aos aposentados, negado pelo antecessor.

Itamar criou todas as condições políticas para a implementação do Plano Real. Depois da nomeação de FHC como ministro da fazenda, consciente do acerto, costumava dizer: “eu acredito mais em Fernando Henrique, do que ele em si”.

Em 1993, deu o aval para que FHC (não tem formação em economia) reunisse a equipe de “economistas modernos” para a formulação do Plano Real. Itamar decretou o fim da hiperinflação.

Em novembro de 1993, afastou o amigo de muitos anos e homem de confiança, Henrique Hargreaves, então ministro chefe da casa civil, denunciado na CPI do orçamento, por ter desviado dinheiro público. Provada a inocência, o reconduziu à função.

Devolveu a área da antiga sede da UNE, no Rio de Janeiro, aos estudantes, e comemorou a decisão tomando chope com a direção da entidade, no Lamas (choperia carioca).

Teve condições de aprovar no congresso a emenda da reeleição. Sempre foi contra e manteve a coerência. FHC também era, mas na presidência trabalhou pela aprovação e conseguiu (na época surgiram denúncias sobre compras de votos).

Em 1998, após rejeitar convites de outros partidos, Itamar tentou ser candidato a presidente pelo PMDB (o único que poderia impedir a reeleição de FHC). Os fisiológicos do partido conseguiram atraí-lo, e depois numa convenção suja, desrespeitosa e com momentos de humilhação, lhe aplicaram uma rasteira. O resultado foi comemorado no Palácio do Planalto. FHC, Michel Temer, Jader Barbalho e José Sarney posaram de mãos dadas.

Solteiro, aproveitou muitas oportunidades. Não era adepto do falso moralismo.

No último mês (junho) muitos setores da imprensa comemoraram junto com o PSDB, os oitenta anos de FHC, reverenciado como o “Pai do Real”. A morte do presidente Itamar e sua repercussão, bem como a análise do seu legado político, feita por alguns historiadores nos canais de TV, restauram a verdade e o reconhecimento que lhe é merecido.

Sua morte deixa uma lacuna. Entretanto, propiciou a grande parte da imprensa, desviar a memória do ninho tucano, e refletir sobre o papel do verdadeiro autor político do Plano Real.

VLADIMIR PALMEIRA DEIXA O PT

Vladimir Palmeira.

Vladimir Palmeira decidiu sair do Partido dos Trabalhadores.

Ele foi líder estudantil de grande notabilidade nos anos de chumbo da ditadura militar, deputado federal por dois mandatos (86 e 90, desistiu da câmara por entender que já havia dado a sua contribuição), candidato a governador e a prefeito do Rio de Janeiro.

Em sua carta de desfiliação, Vladimir alega como motivo, o retorno de Delúbio Soares, tesoureiro do mensalão, ao partido.

Leia abaixo o texto em que desiste do PT:

“Ao Diretório Muncipal do PT-R.J.

Meu caro Alberis,

Venho, por meio desta, me desfilar do PT. Não o faço por divergências políticas fundamentais, embora minha carreira minoritária seja de todos conhecida. Sempre me coloquei mais à esquerda da linha oficial, mas nada que, nas circunstâncias brasileiras, me levasse a deixar o partido. No entanto, a volta ao partido de Delúbio Soares, justamente expulso no ano de 2005, me impede de continuar nele. Pela questão moral, pela questão política, pela questão orgânica. Pela questão moral porque é evidente que houve corrupção: Não se pode acreditar que um empresário qualquer começasse a distribuir dinheiro grátis para o partido. Exigiria retribuição, em que esfera fosse. O procurador federal alega que são recursos oriundos de empresas públicas, sendo matéria agora do STF. Mas alguma retribuição seria, ou a ordem do sistema capitalista estaria virada pelo avesso.

Pela questão política porque o PT assumiu um compromisso com a sociedade, quando apareceram as denúncias: o compromisso de punir. E sustentamos que punimos. Punição limitada, na opinião dos petistas do Rio de Janeiro, que por seu DR pediram mais dureza, ao mesmo tempo que apontavam o caminho da Constituinte exclusiva para a reforma política imprescindível. Punição limitada, repito, mas efetiva.

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PETISTAS QUEREM A CABEÇA DE PALOCCI

Na contramão da estratégia traçada pelo ex-presidente Lula, dirigentes e líderes do PT não só querem a saída do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, como já discutem pelo menos dois nomes para substituí-lo. Os ministros Paulo Bernardo (Comunicações) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) despontam como candidatos.

Os favoráveis a saída argumentam que a manutenção de Palocci provoca enorme desgaste ao governo da presidente Dilma e aumenta ainda mais a crise política. Já Lula vê a situação de outra forma, para ele se a os aliados não segurarem Palocci, a oposição não dará sossego.

Mesmo com a proteção do ex-presidente, petistas vem reforçando o coro das cobranças a Palocci, acusado de enriquecimento ilícito e tráfico de influência.  O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), admitiu que a sociedade precisa de mais informações. “O ministro tem de se explicar”, afirmou Maia.

O PT realiza, nessa quinta-feira (2), reunião da Executiva Nacional, em Brasília. O partido deve lavar as mãos: não apoiará o ministro, mas também não pedirá sua cabeça, pelo menos em público.

Informações do Estadão.

O PT ESQUECEU OS TRABALHADORES

Por Mino Carta

A posição da mídia nativa em relação ao Caso Palocci intriga os meus inquietos botões. Há quem claramente pretenda criar confusão. Outros tomam o partido do chefe da Casa Civil. Deste ponto de vista a Veja chega aos píncaros: Palocci em Brasília é o paladino da razão e se puxar seus cadarços vai levitar.

Ocorre que Antonio Palocci tornou-se um caso à parte ao ocupar um cargo determinante como a chefia da Casa Civil, mas com perfil diferente daqueles que o precederam na Presidência de Lula. José Dirceu acabou pregado na cruz. Dilma foi criticada com extrema aspereza inúmeras vezes e sofreu insinuações e acusações descabidas sem conta. A bem da sacrossanta verdade factual, ainda no Ministério da Fazenda o ex-prefeito de Ribeirão Preto deu para ser apreciado pelo chamado establishment e seu instrumento, a mídia nativa.

As ações de Palocci despencaram quando surgiu em cena o caseiro Francenildo, e talvez nada disso ocorresse em outra circunstância, porque aquele entrecho era lenha no fogo da campanha feroz contra a reeleição de Lula. Sabe-se, e não faltam provas a respeito, de que uma contenda surda desenrolava-se dentro do governo entre Palocci e José Dirceu. Consta que o atual chefe da Casa Civil e Dilma não se bicavam durante o segundo mandato de Lula, o qual seria enfim patrocinador do seu retorno à ribalta.

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