EMÍLIO GUSMÃO

Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 36 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.

Para enviar emails a Emílio Gusmão clique aqui.


EXPEDIENTE:

Layout:
Jamile Ocké
Sistema:
Marcelo Guerra
Fotografia:
Sandro Andrade

Rui Rocha

RUI ROCHA NO DIÁRIO DE ILHÉUS E NO AGORA

Vale a pena comprar as edições deste final de semana dos jornais Agora e Diário de Ilhéus.

Os dois impressos trazem explicações do professor e ambientalista, Rui Rocha (Instituto Floresta Viva), sobre os impactos não mitigáveis e irreversíveis do projeto Porto Sul, ao meio ambiente e à economia regional.

Os 10 km de erosão que o Porto da Bamin vai causar no litoral norte (um novo São Miguel!) não passam despercebidos.

Diversos factóides relacionados ao Porto Sul são desmistificados.

RUI ROCHA: “MUITOS PROBLEMAS NOVOS SURGIRÃO COM O PORTO SUL”

O professor Rui Barbosa da Rocha, 45 anos, é um homem tranquilo de hábitos simples. Sua cordialidade e polidez são traços característicos de sua personalidade.

Sempre compreensivo, costuma dizer: “o homem como ser humano é intocável”, frase que demonstra seu humanismo cristão, ligado ao protestantismo da Igreja Batista Lindinópolis.

Esse engenheiro agrônomo, mestre em desenvolvimento e agricultura pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, fugiu à regra dos acadêmicos escondidos nos ambientes confortáveis das universidades. Professor da UESC, Rui decidiu lutar contra um projeto do governo baiano, que se for implantado, vai causar diversos problemas ao Sul da Bahia. Mesmo discreto, naturalmente assumiu a liderança do movimento contrário, e por isso, constantemente é vítima de calúnias e leviandades. Mesmo assim, jamais respondeu com agressões. É um homem do conhecimento, do debate civilizado. Suas explicações, sempre lúcidas, ultrapassam a barreira da ignorância e estremecem os argumentos nada confiáveis de muitos defensores do projeto.

Nessa entrevista ao Blog do Gusmão, Rui Rocha esclarece pontos obscuros do projeto Porto Sul, munido de um prêmio recente concedido pela UNESCO, por sua luta em defesa da Mata Atlântica.

Rui Rocha com o troféu Muriqui, concedido pela UNESCO no dia 06 de outubro desse ano, em São Paulo.

BG- A secretária da Casa Civil, Eva Chiavon, fala que o Relatório de Impacto Ambiental do Porto Sul, no que diz respeito à geração de empregos, segue exemplos de sucesso, de outros portos já construídos. Você concorda com essa comparação feita pela secretária?

RR- Eu não concordo. As experiências que temos com esses portos de escoamento de minério de ferro não geram desenvolvimento como o governo tem dito. A estrutura portuária e ferroviária presta basicamente aos interesses de um setor, que é o mineral. Ele não transforma a economia regional, como se diz, de um porto de uso múltiplo, que vai alavancar muitos negócios e indústrias. Isso não acontece. Um exemplo mais claro disso é o Porto de Itaqui no Maranhão, que já tem algum tempo funcionando, com a super ferrovia de Carajás, que traz minério de ferro de Marabá, região Sul do Pará. Essa região não se industrializou. Poderíamos imaginar que toda a estrutura produtiva da Amazônia, em torno dessa logística, poderia fazer e atrair pra essa região uma base industrial. Isso não aconteceu.

Um exemplo mais claro disso é o Porto de Itaqui no Maranhão, que já tem algum tempo funcionando, com a super ferrovia de Carajás, que traz minério de ferro de Marabá, região Sul do Pará. Essa região não se industrializou.

BG- Eraci Lafuentes, assessor da Casa Civil, afirma que as políticas de compensação ambiental serão prioridades do governo do estado. Ele também garante que as famílias do assentamento Bom Gosto (situado na área destinada ao Porto) serão reassentadas para melhor. Dá para confiar?

RR- Primeiro, temos que imaginar o que o Estado está fazendo para melhorar as condições de vida da população do Sul Bahia. Acreditar que o governo vai fazer uma série de coisas no futuro, quando o porto vier, nos deixa numa situação muito vulnerável. A sociedade regional tem que solicitar do governo uma ação imediata de qualificação dessa região. Temos vários investimentos, super necessários, colocados o tempo todo na ordem do dia, nos jornais e nos rádios. Os investimentos que a nossa região precisa, não devem ser associados ao porto, devem ser associados ao passivo que a região já tem, de 40 ou 50 anos. Precisamos melhorar a rodovia Ilhéus-Itabuna, os sistemas de educação e de saúde são precários e a nova ponte Ilhéus-Pontal, prometida há muito tempo, não se vê nenhum passo nessa direção. Precisamos da qualificação urbana de Ilhéus e das outras cidades da região cacaueira e também do saneamento básico. Esses investimentos, que são obrigação do estado, deveriam estar sendo feitos agora, ou ontem, ou anteontem.

BG- Isto significa que o Porto, com os novos moradores que aqui chegarão, vai aumentar a demanda por serviços públicos?

RR- Exatamente. Temos um conjunto de necessidades que não foram atendidas até hoje, e o porto e a ferrovia, por tudo que vão acarretar com a expectativa de novos empregos, e o grande fluxo migratório que será gerado, vão exercer uma forte pressão na cidade. Muitos problemas novos surgirão com o porto. E os problemas velhos que não foram resolvidos ainda? Não podemos receber essa mensagem, de que um paraíso vai descer sobre Ilhéus, com o Porto, na medida em que hoje, não temos provas contundentes de que o governo vai fazer a sua parte, ou já fez a sua parte.

>| Leia a matéria completa »

IMPRENSA DE ILHÉUS NÃO CEDE ESPAÇO AOS AMBIENTALISTAS

Uma nota da coluna Tempo Presente, do Jornal A Tarde, publicada ontem (quarta, 12), com questionamentos à Rede Sul da Bahia Justo e Sustentável, repercutiu em alguns blogs da região.

O professor e ambientalista, Rui Rocha, manteve contato com o jornalista responsável (Levi Vasconcelos), para dar explicações, já publicadas na edição dessa quinta (13). Leia.

“Sobre a nota Os inimigos do Porto Sul, ontem publicada, o professor Rui Rocha, da UESC, esclarece que a organização Sul da Bahia Justo e Sustentável congrega todas as ONGs ambientalistas que lutam contra a implantação do Porto Sul (ele é do instituto Floresta Viva) por achar que há alternativas bem melhores para a região de Ilhéus. Também que procura a imprensa do Sul, a exemplo do jornalista Ancelmo Góis, de O Globo (e não da Veja online, como publicamos), por dificuldades de acesso à imprensa ilheense.

Por fim que o site da organização é restrito a associados, daí a dificuldade de acesso”. 

BEL “QUEIMADO” DO VILELA SÓ QUER APARECER

Um ambientalista corajoso, que desafia o senso comum, pode levantar “a guia” de um vereador “queimadíssimo” em sua comunidade?

Em Ilhéus isto é mais do que possível.

Bel do Vilela quando sugere uma moção de repúdio ao professor Rui Rocha, busca subir no picadeiro da fama, para tentar amenizar o desgaste do seu mandato pífio.

Recentemente, o ministério público estadual investigou um caso de nepotismo cruzado envolvendo a esposa do vereador, que usufruía de um cargo na prefeitura. Com a investigação, o prefeito Newton Lima foi obrigado a exonerá-la. O fato pegou mal na base do parlamentar, que agora deseja aparecer às custas do projeto Porto Sul.

O Dr. Bonfá, advogado sexagenário que todos os dias comenta os acontecimentos políticos de Ilhéus, no programa de Gil Gomes (Rádio Santa Cruz), explica o alto nível de conhecimento de Bel do Vilela sobre o assunto.

Ouça e dê boas risadas.

 

 

 

A ENTREVISTA DE RUI ROCHA NO PROGRAMA DO JÔ

Nesta entrevista, o professor Rui Rocha, diretor do Instituto Floresta Viva, comenta a situação da Mata Atlântica, por sinal, em franca recuperação e com o desmatamento estagnado.

Ruy fala sobre o Porto Sul, projeto que não se encaixa no perfil do Sul da Bahia, por ameaçar a rica biodiversidade e as vocações naturais da região.

O bate-papo foi direcionado a quem não vive diariamente o ritmo incessante do debate. É evidente que para as pessoas da região, muitos dos tópicos abordados já foram explicitados e discutidos, porém, o restante do país pouco conhece do assunto.

Além do mais, a entrevista seguiu o controle do tempo, sendo impossível a produção de um tratado detalhado. Quando Rui Rocha tentou explicar a atual situação do projeto, previsto agora para Aritaguá, o apresentador o interrompeu para saber se já havia contratos assinados.

Rui caminhou no seu ritmo habitual, sempre cortês, sem citar nomes e fazer ataques diretos a ninguém. Ao contrário de muitos adeptos da empresa do Cazaquistão, que trilham sempre a superficialidade, fazem uso de rótulos, acusações descabidas e preconceituosas.

Rui falou sobre a pelotização, intenção velada dos empreendedores, mas não teve tempo de criticar as “intenções siderúrgicas” de alguns grupos, a exemplo do Votorantim.

Confira a entrevista e deixe sua opinião.

COSTA RICA: O MODELO IDEAL PARA O SUL DA BAHIA

Costa Rica.

Costa Rica, pequeno país da América Central, possui diversas semelhanças com o Sul da Bahia. São fatores em comum relacionados à natureza, extensão territorial e litorânea, clima e vegetação.

O pequeno país – com indicadores sociais bem melhores que os nossos – soube desenvolver-se economicamente, sem se distanciar da sustentabilidade (integração entre conservação e desenvolvimento; satisfação das necessidades básicas humanas; alcance da equidade e justiça social; autodeterminação social e diversidade cultural e preservação ecológica).

Rui Rocha, presidente do Instituto Floresta Viva e professor da UESC, esteve na Costa Rica, numa missão oficial apoiada pelo governo da Bahia e SEBRAE. Nessa entrevista, concedida ao radialista Gil Gomes (programa Alerta Geral, Rádio Santa Cruz), no dia 29 de outubro,  ele defende o modelo adotado na Costa Rica como a alternativa ideal para o Sul da Bahia.

Vale a pena ouvir.

SECRETÁRIO DE PORTOS DA BAHIA REDUZIU O PORTO SUL A UMA GUERRA DE TORCIDAS

Por Rui Rocha.

Nem nos jogos de futebol as partidas são decididas por número de torcedores.

O secretário de Portos da Bahia reduziu o projeto Porto Sul a um jogo de torcidas, aonde o time com maior claque deve por isso ganhar, omitindo as questões de natureza técnica e legal que ainda persistem neste mega projeto da Bahia Mineração. O melhor seria apontar os reais problemas, já estudados por técnicos do setor ambiental e jurídico, e quais as soluções possíveis, além dos reais impactos e benefícios de Ilhéus e região, até agora pouco analisados. A gestão de um projeto desta magnitude não pode ser tratado levianamente, mas o que estamos assistindo por parte da BAMIN e pelo governo baiano é exatamente isso.

O secretário afirmou ao Jornal A Tarde que o Porto Sul, ao norte de Ilhéus, é questionado apenas por uma minoria e que os impactos ambientais serão minimizados. Já o vice presidente da BAMIN, o Sr. Clóvis Torres, depois de propagar na TV que os pescadores serão beneficiados pelo porto, afirmou ao mesmo jornal que os impactos ambientais serão mínimos.

Leio com perplexidade os argumentos do Sr. Roberto Benjamin e do vice presidente da BAMIN e compreendo que ele, como engenheiro e secretário de estado, comete um erro gravíssimo ao insinuar que este projeto deve ser tratado de forma plebiscitária – maioria versus minoria. Nem em jogo de futebol as partidas são decididas por número de torcedores em estádios. Assunto desta magnitude – o Porto Sul – deveria ser tratado primeiro por especialistas nas áreas de conhecimento que o projeto se propõe a intervir.

>| Leia a matéria completa »

QUESTÕES SOBRE O TREM BALA E O PORTO SUL

Artigo do professor Rui Rocha para a revista Eco.

A revista Exame de setembro coloca, em título gigantesco: quem precisa do Trem Bala? A pergunta, aparentemente ingênua, põe o dedo na ferida em um tema tão caro à mídia – as debilidades da infraestrutura brasileira. A revista, conhecida por executivos e empresários, se coloca do lado de Maria dos Anjos, uma empregada doméstica que pega três ônibus para chegar ao trabalho, acordando as 4 horas da manhã, para chegar as 7 horas no bairro do Jardins. No final, o artigo questiona: para que uma obra como o trem bala, ao custo de 40 bilhões de reais, se as necessidades por transporte público, saneamento básico e moradia nas grandes cidades são tão gritantes?

Todos os dias lemos matérias na imprensa questionando a falta de investimentos em infra-estrutura, com ênfase em logística, no Brasil. Na Bahia, o custo do escoamento de commodities como soja e ferro, prejudicado por falta de ferrovias e portos, está sempre em destaque. De um modo aparentemente sábio, os Governos de Lula, Dilma e Jaques Wagner, os três irmãos de fé desta eleição aqui na Bahia, anunciam que a ferrovia Oeste Leste e o Porto Privativo da BAMIN farão um par perfeito, com investimentos previstos de quase 7,5 bilhões de reais, e ainda vão gerar dezenas de milhares de empregos.

>| Leia a matéria completa »

LUTA CONTRA A DESTRUIÇÃO DA LAGOA ENCANTADA SERÁ VENCIDA NA JUSTIÇA, GARANTE RUI ROCHA

Rui Rocha.

Entrevistamos nesta segunda-feira (24), o professor Rui Rocha, engenheiro agrônomo, mestre em meio ambiente e secretário executivo do Instituto Floresta Viva, entidade que se opõe corajosamente à construção do Porto da Bamin, projeto que pretende desmatar uma grande extensão de Mata Atlântica, que pertence a APA da Lagoa Encantada, área protegida pela legislação ambiental.

Principais destaques:

O encontro com a ministra do meio ambiente Isabela Teixeira.

A postura equivocada do governo de Ilhéus.

O apoio da rede Globo à causa ambientalista.

O projeto, caso seja implementado, vai gerar problemas muito graves na região.

Ouça na Rádio Gusmão.


PARA ONDE VAI O LULA E O BRASIL? O FERRO SUBSIDIADO PARA A CHINA PELA FERROVIA OESTE LESTE

Por Rui Rocha.

Lula esteve em Ilhéus no dia 26 de março, sexta feira passada. O prato principal era o Gasoduto, ou Gasene, uma obra que conduzirá gás natural da região Sudeste para a Bahia, passando por muitos municípios da região cacaueira. Mas, o que mais chamou a atenção do ato político foi o edital para a Ferrovia Oeste Leste, no meio de um sistema que se convencionou chamar Porto Sul.

As 17 horas Lula chegou, junto com políticos como Geddel, Cézar Borges, Dilma e mesmo o prefeito de Ilhéus, que falaram na abertura do evento. Não mais do que hum mil pessoas estavam no Centro de Convenções, muitos dos quais curiosos, querendo ver o presidente. Lula estava visivelmente cansado por uma agenda pesada de inaugurações e anúncios de obras, nem sempre sinalizadoras de sustentabilidade.  A ferrovia Oeste Leste é uma destas obras que acontecem cheias de polêmicas e perguntas não respondidas. Vai terminar aonde ? Vai transportar o que ? Quais os impactos sobre Ilhéus e região ? E o porto da BAMIN, é ou não o fim de linha da ferrovia ? Como se combina turismo com porto de minério de ferro ?

Foi-se o tempo que Ilhéus tinha uma ferrovia que atendia a sua própria economia, a do cacau. Agora, segundo a Valec, empresa estatal responsável pela obra, 90 % da sua carga será  do minério de ferro da Bahia Mineração, aquela empresa que pertence a Zamin Ferrous, do Pramod Agarval e Cia. Isso faz lembrar o livro de Eduardo Galeano – As Veias Abertas da América Latina. Uma empresa estrangeira explora nossos recursos minerais e a exporta, com o mínimo de beneficiamento, para clientes chineses, que industrializarão o aço e outros produtos finais com tecnologia embutida, para o Brasil. Nós exportamos a matéria prima e compramos produtos transformados. Para não ficar só nisso, vamos comprometer o nosso litoral norte, tão apreciado por centenas de milhares de pessoas que visitam Ilhéus todo o ano.

>| Leia a matéria completa »

LÍDER GREVE DA PM
Carga Pesada






Funk do valentão.
Categorias
AJAX Calendar
fevereiro 2012
D S T Q Q S S
« jan    
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
26272829  

wordpress stats plugin