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Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017
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JABES NÃO VAI TER VIDA FÁCIL NA VOTAÇÃO DAS CONTAS DE 2016

O ex-prefeito Jabes Ribeiro. Imagem: Emílio Gusmão.

Por Thiago Dias.

No último dia 16, o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) reprovou as contas de 2016 da Prefeitura de Ilhéus e exigiu que o ex-prefeito Jabes Ribeiro (PP) pague mais de dois milhões de reais aos cofres públicos. Cabe recurso, e JR avisou que vai recorrer – lembre aqui.

A prevalecer a lógica, para que o recurso do ex-prefeito produza mudanças significativas no humor hermenêutico do TCM, a primeira decisão da corte deverá ser revisada substancialmente.

O conselheiro Paolo Marconi, relator das contas no TCM, viu motivo para encaminhar representação contra o ex-prefeito ao Ministério Público do Estado da Bahia, com o propósito de se investigar a suposta prática de crime contra o erário e de eventual ato de improbidade administrativa.

O posicionamento do tribunal colocou Ribeiro em apuros diante da expectativa da apreciação das contas de 2016 pela Câmara de Vereadores de Ilhéus. É um ingrediente negativo a mais numa receita que já não se anunciava favorável ao ex-prefeito.

Diferente das votações anteriores, quando JR comandava a prefeitura, o cenário para a apreciação das suas contas agora é muito adverso. Basta lembrar que o governo do prefeito Mário Alexandre (PSD), adversário do grupo político de Jabes, tem uma base ampla no Legislativo. Além disso, o atual presidente da Câmara, Lukas Paiva (PSB), ganhou força na cena política com dura oposição ao jabismo. 

Hoje também falta expectativa de poder em torno do ex-prefeito. Isso é normal no ocaso de uma carreira política longa, sobretudo depois de um índice de reprovação que bateu a marca de 80 por cento no fim do quarto mandato de JR.

Thiago Dias é repórter do Blog do Gusmão desde 2013.

A FALA DO POVO ABRE ALAS PARA BOLSONARO

Bolsonaro encarna o espírito do tempo.

Por Thiago Dias.

Ficou no passado o contexto político em que a eleição a presidente de um sujeito como Jair Messias Bolsonaro (PSC) soaria absurda, algo sem sentido e extremamente improvável. Os sinais disso são fartos e brotam sobretudo da linguagem cotidiana, porque Messias fala a língua do povo.

Com a autoridade conferida pelo status de deputado com mais votos no fabuloso estado fluminense, o parlamentar tem um discurso afinado com sentenças caras ao espírito do tempo.

Duas frases populares nos ajudam a exemplificar esse processo de identificação entre Messias e seus seguidores. A primeira – “Bandido bom é bandido morto!” – é a mais popular. A segunda – “Direitos humanos para humanos direitos!” – não fica muito atrás.

É essa presença na linguagem cotidiana, como médium do espírito do tempo, que dá potencial de vitória a Jair Bolsonaro.

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JOESLEY NEGOCIA ÁUDIOS ESCONDIDOS EM TROCA DE IMPUNIDADE

Joesley tem uma carga na manga. Um blefe?. Imagem: Folhapress.

Joesley tem uma carga na manga. Um blefe?. Imagem: Folhapress.

Por Thiago Dias

O empresário Joesley Batista, corrupto confesso, entregou-se ontem (10) à Polícia Federal. Segundo a repórter Daniela Lima, editora da coluna Painel, da Folha de S. Paulo, o maior produtor de proteína do mundo tem uma carta na manga.

Guardou-a para a segunda rodada de negociação com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Joesley diz que tem gravações inéditas escondidas em algum lugar fora do Brasil. Porém, afirma que só vai entregá-las se os termos generosos do seu acordo de delação premiada forem mantidos.

Ele quer a impunidade penal, o passe-livre da corrupção. Funciona assim. O sujeito enriquece com a ajuda de agentes públicos corruptos. Admite tudo isso à PGR e lista, entre os que corrompeu, o presidente da República e seus antecessores no cargo, além da gentalha ministerial.

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DEFESA DE JAMIL PODE REVERTER CASSAÇÃO DO MANDATO NA JUSTIÇA

Vereador Jamil Ocké.

Vereador Jamil Ocké.

Por Thiago Dias

Ontem (8), o presidente da Câmara de Vereadores de Ilhéus, Lukas Paiva (PSB), acolheu parecer que recomenda a cassação do mandato do vereador Jamil Ocké (PP).

A decisão foi monocrática, ou seja, o presidente não a submeteu ao plenário nem à mesa diretora.

Conforme o parecer do procurador jurídico da Câmara, Daniel Mendes Mendonça, a perda do mandato se justifica pelo afastamento de mais de 120 dias do vereador, que está preso desde o último dia 21 de março.

É muito provável que a defesa de Jamil Ocké recorra à Justiça para anular a decisão do presidente da Câmara.

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LAÇOS E FITAS

Governador Rui Costa. Imagem: Secom/GOVBA.

Governador Rui Costa. Imagem: Secom/GOVBA.

Por Thiago Dias

Em pouco mais de um mês, o governador Rui Costa (PT) fez pelo menos quatro visitas ao sul da Bahia. Nelas, participou dos aniversários de Ilhéus, de Itabuna, de Una e do prefeito Fernando Gomes (DEM), além de marcar presença no festival do chocolate.

Títulos, convênios e projetos animaram os trabalhos. Se os planos da administração estadual finalmente emplacarem, Rui vai poder usar o sul do estado como uma das vitrines da sua gestão.

A obra da nova ponte Ilhéus-Pontal, por exemplo, vai ficar bem na foto para as eleições de 2018, caso avance no ritmo esperado. Afinal, enquanto estreita laços com o sul da Bahia, é bom que o governador também garanta inaugurações para cortar as fitas.

Thiago Dias é repórter do Blog do Gusmão.

PROXIMIDADE COM TEMER É “BARRIL”

ACM Neto deve calcular preço político do apoio a Temer.

ACM Neto deve calcular preço político do apoio a Temer.

Por Thiago Dias

O léxico baiano consagrou a expressão “barril” como sinônimo de problemão. Não conheço o contexto semântico que engendrou o significado. Mas sei, por exemplo, que também podemos chamar um lugar perigoso ou ruim de “barriado” e seremos compreendidos na maior parte da Bahia.

Do ponto de vista político, é exatamente nesse lugar, nesse “barril”, que estão os avalistas da manutenção de Michel Temer na Presidência da República.

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UMA TRISTEZA SEM COMOÇÃO

Imagem: Wikipedia.

Imagem: Wikipedia.

Por Thiago Dias

Presenteei um amigo com um livro de entrevistas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A coletânea remete ao líder de greve dos estertores da ditadura civil-militar. Traz um autógrafo muito parecido com o de Lula. “É dele!”, atestou o cara do sebo onde comprei o exemplar. Palavra de mercador.

Lula é reconhecido por muitos como o melhor presidente que o Brasil já teve. Estou entre esses. Porém, não deixo de reconhecer as limitações do homem por trás do ídolo.

Quando assumiu a Presidência da República, Lula já era um ex-líder de greve. Conscientemente, a maior liderança popular do Brasil se afastou da própria origem.

O ponto de separação irreparável entre o líder de greve e o presidente separou também o homem da autoconsciência sobre o seu papel num país tão desigual.

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QUEDA DE TEMER PODE FACILITAR REFORMAS

Presidente Michel Temer. Imagem: Dida Sampaio/Estadão.

Presidente Michel Temer. Imagem: Dida Sampaio/Estadão.

Por Thiago Dias

Entre aliados do presidente Michel Temer (PMDB) circula a ideia de que, nessa altura, ele é o maior obstáculo ao avanço das reformas trabalhista e previdenciária. A sua saída daria lugar a alguém identificado com os projetos, como o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

A ideia não é nova. O ministro da Fazenda disse em maio que, mesmo com a eventual queda de Temer, permaneceria no governo. Estávamos no auge do impacto das gravações de Joesley Batista. Henrique Meirelles acenou ao mercado como o fiador das reformas, haja o que houver.

O mercado – esse ente sem rosto – cobra o tripé reformista. A emenda constitucional que congelou os gastos públicos foi a primeira perna. As outras duas são justamente as reformas em curso. Há pressa, porque o tempo reformador pode não sobreviver às eleições de 2018. Didático, o próprio Temer costuma dizer que não se preocupa com votos.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é um dos aliados que defendem a renúncia do presidente. Aconselhou o gesto “nobre” ao peemedebista em tom professoral, por meio de uma carta.

FHC talvez não entenda a situação de Temer. Ao que parece, o príncipe nunca teve medo de ser preso. Poderia ter, caso os procuradores da Lava Jato se interessassem pelo que disse Emílio Odebrecht sobre a existência de caixa dois há pelo menos trinta anos.

Thiago Dias é repórter do Blog do Gusmão desde 2013.

RUAS NÃO MOSTRAM FORÇA PARA DEPOR TEMER

Presidente Michel Temer. Imagem: Dida Sampaio/Estadão.

Presidente Michel Temer. Imagem: Dida Sampaio/Estadão.

Por Thiago Dias

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou ontem (26) o presidente Michel Temer (PMDB) por corrupção passiva. A denúncia considera o episódio vexatório em que o então assessor especial de Temer, Rodrigo Rocha Loures, entrou para a história como o “homem da mala”.

As gravações de Joesley Batista e da Polícia Federal poderiam ser o combustível para aquecer os protestos contra o presidente. Mas o que se vê nas ruas é calmaria. Como diz aquela música da banda Skank, a nossa indignação mais se parece com “uma mosca sem asas, que não ultrapassa as janelas das nossas casas”.

Para avançar no Supremo Tribunal Federal, a denúncia de Janot precisa de 342 votos na Câmara dos Deputados. Diferente do cenário que antecedeu o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a oposição do momento não marcha com o embalo de grandes atos públicos. No ambiente atual, a pressão sobre os parlamentares parece muito menor. Além do mais, sem o menor pudor, o discurso de Temer e do seu ministro da Justiça vende aos aliados a promessa de proteção contra a Lava Jato.

Nesse clima de embotamento, as ruas não mostram força para depor o peemedebista. A greve geral da próxima sexta-feira (30) poderá ser a última oportunidade para virar o jogo e pressionar a Câmara a afastar Temer.

Thiago Dias é repórter do Blog do Gusmão.

O DOGMA COMO PRISÃO DA IDOLATRIA

Os ex-presidentes Lula e Dilma no congresso do PT. Imagem: G1.

Os ex-presidentes Lula e Dilma no congresso do PT. Imagem: G1.

Por Thiago Dias

Um dogma vigora até a ruptura da convenção sobre a qual se sustenta. Isso os dogmas têm em comum com os ídolos. Ambos duram tanto quanto o sistema de valores e crenças que os mantêm. Dogmas e ídolos compartilham outra característica. Devem ser incontestáveis, porque a contestação ameaça as convenções.

Dogmática e idolatria se misturam na política. A depender das circunstâncias, podem ser motores da mobilização popular. Na maioria das vezes, servem para deixar as coisas como estão.

Tomemos o exemplo do Partido dos Trabalhadores. Justifico a escolha: parte significativa da esquerda brasileira vê no ex-presidente Lula a única figura capaz de conter o avanço de nomes como o do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) na corrida presidencial. Eis um dogma diante do ídolo.

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O AGROPOP QUER NOS LEVAR À ALTA IDADE MÉDIA

O deputado Nilson Leitão quer substituir o salário do trabalhador rural por moradia e comida.

O deputado Nilson Leitão quer substituir o salário do trabalhador rural por moradia e comida.

Por Thiago Dias

Na classificação sumária da história, chamamos a época seguinte à queda do império romano de alta idade média, período marcado pelo modo de produção feudal. Do ponto de vista formal, saltamos o feudalismo.  Nosso ponto de partida foi o retrocesso à antiguidade com a barbarização colonizadora. O Brasil fundou-se no escravagismo. Os representantes da aristocracia agropecuária querem preencher a lacuna histórica. Esse ideal missionário ganhou corpo no projeto de lei 6442/16, que trata das regras do trabalho rural.

O projeto propõe a substituição da obrigatoriedade do salário pelo fornecimento de comida e moradia. Numa relação de trabalho desse nível, inauguraríamos o feudalismo-escravagista. Nele, o agropop poderia extrair o melhor do material humano disponível no campo, tratando o trabalhador como vassalo ou escravo, a depender das conveniências. É significativo que a Coordenação Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo tenha se manifestado pela rejeição integral do projeto, assim como a Procuradoria-Geral do Ministério Público do Trabalho.

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UM SINAL PARA O LULISMO

O jornalista Paulo Henrique Amorim e o ex-presidente Lula.

O jornalista Paulo Henrique Amorim e o ex-presidente Lula.

Por Thiago Dias

Manhã de sábado (15), um amigo ex-petista pergunta no WhatsApp:

– PHA [Paulo Henrique Amorim] criticou Lula. O que achou?

Respondi que não tinha visto a crítica, e fui ver. O comentário que se segue é a tentativa de resposta para a pergunta sobre o vídeo do jornalista conhecido por seu alinhamento com o PT.

“A relação do ex-presidente Lula com os donos da Odebrecht pode não ser ilegal, mas não é ética, não é republicana, não é digna de um líder popular”, afirma Paulo Henrique Amorim. Para ele, as delações revelaram que o líder do PT manteve “relação promíscua” com os empresários baianos.

O vídeo tem um valor pedagógico diretamente ligado ao seu autor, porque abre caminho para a crítica dentro do lulismo. É um sinal do militante da informação para a militância das redes.

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