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Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
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UMBUZADA NO NATAL E SEXO CASUAL COM HORA MARCADA!

Por Mohammad Jamal.

O mingau rançoso. Hoje é um daqueles dias atípicos em que agente não tem vontade de sair da cama nem pra cagar. Não é um dia, é um borrão qualquer. A Aleia está uma bosta. Já nem podemos sair de bicicleta porque em todas direções que se vá podemos morrer tragado por um buracão, uma cratera, um tsunami de esgotos, cair num precipício. Além de tudo, pra complicar, o governador Rui resolver fazer obras na urbe! A aldeia está com suas três principais avenidas interditadas para as meias solas asfálticas a toque de caixa. Pra piorar, em qualquer encruzilhada que se vá passar tem engarrafamentos e um montão de despachos e ebós! Pra quem fazem tantos rogos e maus augúrios?

Salvador Dali, Demóstenes, James Joyce, Victor Hugo, Richard Wagner, também eram loucos, pancada mesmo! Estou num daqueles dias de tédio existencial, quando batem ideias esdrúxulas, esquisitices políticas, desabafos anárquicos, “Não há nada tão estúpido como a inteligência orgulhosa de si mesma.” (Michail Bakunin), uma tertúlia de maldades e desagravos, decorrências daquilo comemos com ovo nos últimos vinte anos. Talvez por isso a vontade atávica de embarcar para Curitiba num ônibus cheio, lotado; chegando lá, embarco em num luxuoso transporte coletivo que rodam por lá, e vou ate à Unidade Prisional da Polícia Federal curitibana. Lá, grito a plenos pulmões o desagravo que sai das minhas entranhas revoltosas: Lula! Lula cala a boca! Você não faz mais milagres! Leve, alma lavada, volto feliz para a aldeia onde ainda degusto em júbilo minha farofa de ovo.

Sexo casual com hora marcada. Por falar em ovo, ainda em sonambúlica pachorra de ontem, como se diz aqui no Nordeste, madornando, senti um certo desconforto “nas partes”, uma angústia opressiva, constritiva embora ainda suportável. Era a Edimunda, minha nega, me apalpando por baixo do cobertor! Eu: oi nega, é tu? E foi assim hoje acordei cedinho hoje, vendo a Edimunda se vestindo, se arrumando toda pra ir ao comércio. Curioso, arrisquei:

_ Onde você pensa que vai, meu xodó? Assim toda gostosa!

Ela: _ Homi! Eu vou comprar umbu pra decoração de natal e entrada do Ano Novo! Nada de economia; vou trazer uns três litros!

Babaganuche, Tabule, fatuche. Falafel, Zatah! Umbu? Allahu Akbar. … Umbu? Fiquei meditativo, curioso para entender o porquê da relação entre essa fruta da caatinga, o umbu, e as festas natalinas e de Ano novo.  Será que a minha criloira pirou de vez? (Edmunda deu um blond no resto dos cabelos) Tá que nem uma finlandesa.  Da penúltima vez ela deu de fazer um tal de “relaxamento”. Passou um tsunami no cocó, que levou quase tudo; uma péla geral, os cabelos da Edmunda pediram demissão… Foram-se quase todos os fios duma égua, sem aviso prévio.

Umbu no Natal e Ano Novo hum (muxoxo)? Seria Frango com papo recheado com farofa de umbu? E os caroços? Se eu engolir um vai entupir a saída. Detesto umbu.

Edmunda nasceu lá em Andiroba, no meio da caatinga, onde se come umbu ate em velório. Alguém me disse que a Edmunda foi criada com umbu, rapadura e farinha de guerra! Talvez por isso que ela tem aqueles dois umbuzões atrás. Adoro os umbuzões dela. Não passo sem eles; são tão aconchegantes!

To be or not to be, that is the question Caca! Pra que tanto umbu? Três litros! Natal? Ano Novo? Umbu? Inquietações, dúvidas; tantos questionamentos a me varrerem os pensamentos! Umbu?  Será que ela está pegando frete com o vendedor de umbu? Acho que não; ela não dorme enquanto eu não chego lá! É paixão mesmo.

Umbus… Que merda é essa? Contudo, num reflexo pavloviano, balancei meus umbus íntegros e virei pro canto pra mais uma soneca enquanto aguardo Edmunda voltar das compras. Não sou o Macunaíma, mas ninguém é de ferro. Ócio…

Acordei aí pelas dezesseis horas. Logo que abri os olhos topo com aqueles dois umbuzões encarando-me de frente. Edmunda agachada, meio recurvada pra frente, naquela posição de tiro, arrumava um enorme galho de árvore que ela havia enfiado num pote velho cheio de areia. Ela dependurava umas bolinhas de colorido metálico espelhado, em rosa, azul, verde. Tudo muito brilhoso no galho meio murcho, mas ainda verde e cheio de algodões simulacros de neve, neve dos SUS.

Fiquei ali parado admirando em silêncio a silhueta de formas curvilíneas e rotundas que me faz passar noites insones em fainas de serões voluntários e prazerosos. Ah!

Assédio na tora. Levantei-me de mansinho e fui achegando por trás. Dei-lhe um beijo no cangote, cheirei aquele perfume lascivo enquanto a enlaçava já meio interessado, pela cintura. Besta, perguntei no mais erudito Baianês:  Chegou minha nega? Tava roxinho de saudade!

Só aí ela foi me mostrar que os inefáveis umbus já estavam ali mesmo, encapados com papel metalizado colorido, decorando a nossa “Árvore de Natal” como os caros bulbos de vidro nas árvores de gente bem. Também tinha anéis e tampinhas de refrigerantes, representando estrelas e luas. Como pingente, lá na pontinha da nossa árvore, ela havia colocado um enorme pimentão vermelho. Admirado, fiquei mais enternecido ainda quando ela apertando-me contra o coração escondido atrás daqueles dois mamilos macios; disse-me em tom carente e dengoso:

O Presente de Vênus. Neguinho! Este ano a coisa tá preta aqui em casa. Eu economizei pra comprar uma camisa do Coríntias pra te dar no Natal, mas não consegui. Mas não vai passar em branco não. Teu presente vai ser singelo, mas cheio de amor: Vou amarrar uma fita vermelha no meu pescoço para dependurar o Cartão de Natal com dedicatória e, vou deitar em cima dessa manta ao pé da nossa Árvore de Natal pra me dar do jeito que vim ao mundo pra você. Tomara que te agrade!

Ainda meio atônito, senti que algo grande e alegre mexeu em mim.  Sem saber o que dizer ante a iminência de tão delicioso presente; balbuciei:

_ Claro que vou gostar meu pastel de sonhos! Lembra que foi o mesmo presente que recebi ano passado? Continua ótimo, só mudou a fitinha pra vermelha; ano passado foi azul. E os umbus? Sobrou algum?

Ela: _ Sobrou dois, dos grandes! Quer comer agora meu bem?

Ah! Essa fome que não me abandona. Aqui em casa é Natal o ano todo.

Com licença. Vocês não são servidos não! Claro que não.

_ Quero sim xodó! “Tô ino”!

Falei de início que detestava umbu. Pois é… Só aqueles verdinhos, bem azedos, que não como nem no brete, sou bagual tchê!

Mohammad Jamal é colunista do Blog do Gusmão.

A GRANDE FAMÍLIA SEM CONTROLE DE FILIAÇÃO

Por Mohammad Jamal.

O cofre do banco contém apenas dinheiro; frustra-se quem pensar que lá encontrará riqueza. (Drummond) A competição política, sem regras ou mínimos resquícios de ética, acirra sangrenta a concorrência pelo poder onde todas as “armas” aceitas e validadas, fazem exacerbar a libido e a volúpia pela posse, domínio e “administração” do dinheiro público, ou seja, o poder pelo poder. De todos os fatos da política de campanha, ou seria ‘campana?’ o que mais nos choca são as verdades mitomaníacas de ontem metamorfosearem-se cinicamente para mentiras infames no hoje e no amanhã. Mercê dessa logística e estratégia, podemos asseverar algo que todos abaixo ou paralelos a ela já sabem: Não existe negócio mais rentável que o business político, o coronelismo caudilhista que a tudo pode e a tudo fode indiferentes ao povo.

Não entendo como é que alguns optam por corrupção, onde há tantas maneiras legais de ser desonesto. Tem gente falando mal; tem gente desancando os nossos políticos, aqueles que nem sabemos os nomes porque, em segredo de justiça, foram “supostamente” responsabilizados pela quebra da Petrobras, pela dispersão do dinheiro público em projetos políticos pessoais internacionalmente em países economicamente degradados, classificados em 5ª, 6ª etc. categorias. Tem gente metendo o pau por trás, porque pela frente é impossível fazê-lo. Gente insana em atitudes no mínimo impensadas, injustas e descabidas. Imaginem vocês mais esclarecidos, o que teria acontecido se persistisse os prejuízos ao processo democrático e suas decorrentes gravíssimas sobre as últimas eleições livres ocorridas nos Estados e federação, se ainda continuassem usurpando o maciço provimento financeiro “conquistado” na chamada Roubobrás? Teríamos eleições? Teria sido possível realizar um dos menos custosos processos políticos eleitorais da história do país?

Não é suficiente que façamos o nosso melhor; às vezes temos que fazer o que é preciso. (Churchill). Outrora campanhas políticas de tamanha vultuosidade eram capazes de fazer inveja às eleições Norte americanas disputadas entre os partidos Democrata e Republicano. Com certeza, sem a ajuda providencial da Roubobrás, do BNDES, Caixa, empreiteiras e construtoras famosas subsidiadas pela nossa Petrobrás e BNDES, não teríamos podido usufruir da grandeza do votar e escolher a partir de campanhas eleitorais em Redes Sociais, o sublime privilégio de eleger o um novo presidente que nos encheu de esperanças dada à sua conduta e índole embasada no patriotismo cívico das nossas Forças Armadas e o respeito demonstrado à Constituição e seus princípios democráticos.

Midas morreu tísico de fome, pois a tudo que tocava virava ouro! Com as outrora monstruosas fortunas financeiras extraídas sem critérios via “financiamento público de campanhas”; arrancadas sem anestésicos, sem dó nem piedade das entranhas do Estado à vista do constrangimento dos empobrecidos brasileiros e da execração pela imprensa internacional mundo a fora; quiçá teríamos tido campanhas e eleições bilionárias com alguns milhões em sobras a serem usufruídos a posteriori pelos felizes candidatos financiados, eleitos ou não. A Roubobras teria sido dá hora!… Providencial! Mas “No meio do caminho tinha uma pedra.

Tinha uma pedra no meio do caminho.” (poema do Drummond)… No meio do caminho Tinha o Juiz Moro! Tinha a Lava Jato. 

Assalto ao trem pagador. Nesse cenário caótico do mau compartilhamento das riquezas do Estado; deparamo-nos com o pior: os acusadores de plantão que a tudo que some; desaparece inexplicavelmente, surrupiam ou roubam de fato, atribuem aprioristicamente aos pontuais surrupeios das mãos leves do PT e suas bases! Assim também já é demais! Para nosso espanto e de todos os eleitores, até o Zé, heroico sobrevivente do naufrágio do mensalão, agora também aparece integrando a lista dos beneficiados pelos dividendos pagos pela subsidiária, a Roubobras! Generalizou-se endêmica a roubalheira. Ficou difícil encontrar uma sigla partidária que não tenha se envolvido em primárias maracutáias. Para de acusar assim, gente! Estão distribuindo acusadas como se fossem Bolsas do Governo, quando ninguém viu um centavo sequer desse ativo fixo circulante. Digo isso a propósito da torturante dedução assertiva dita entre muxoxos e língua presa, pelo delicado pedicuro e soprano castratti, Abelardo Jurema, Salão Flor de Lis, lá no Barro Vermelho-Vilela, visto quando lá me fui cortar as unhas dos pés: O Jurema:_ “Seu Mamede, com toda essa montanha de bilhões de Reais roubados pelos ‘Red Post Type’(?) e seus parceiros para custeio superdimensionado das suas campanhas políticas; será que eles não estariam pensando em antecipar a implantação de uma neomonarquia absolutista no Brasil?”.  Tentando escapar ao capítulo das transgressões pré-conceituais, passível de prisão, respondi em Árabe, não traduzido aqui: “انتقل تأثيرها زوج”. Que abusado não? De forma geral, contra a politica petista tenho apenas críticas às más administrações, o pouco ou nenhum zelo pelo dinheiro e patrimônio do estado e, destacadamente, sua imensa e prolífica família com milhares de gerações de componentes, dependentes diretos e indiretos, agregados, afins e simpatizantes dependentes do sustento; casa, comida e roupa lavada, que estão custando os olhos da cara do Estado. 

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POLÍTICA? POR FAVOR, HOJE NÃO. JÁ DEU!

Por Mohammad Jamal.

Pessoas iguais ao Fernando Pessoa? Impossível!

Estava lendo o novo livro do Fernando Pessoa, onde, numa de suas prosas poéticas ele conta que, antigamente, deixava bilhetes, livros e quindins na portaria do prédio de Mário Quintana: ‘Para estar ao lado dele sem pesar com a presença física’. Há outras histórias e poemas interessantes no livro, mas me detive nesta frase porque acho que não pesar aos outros com nossa presença é em certos momentos, um raro estalo de sensibilidade. Para muitas pessoas isso que chamo de ‘um raro estalo de sensibilidade’ tem outro Nome: frescura.

Faz uma denguice aí vai!

Afinal, todos nós gostamos de carinho, todo mundo quer ser visitado e ninguém deveria pesar com sua presença num mundo já tão individualista e solitário. Ah, mas… Pesa!  Até mesmo uma relação íntima exige certos cuidados: Eu bato na porta antes de entrar no quarto do meu filho e na porta de meu próprio quarto, se sei que está ocupado por minha mulher. Eu perguntava para minha mãe se ela estava livre antes de prosseguir com uma conversa por telefone.

As grutas de Petra na alma.

Eu não faço visitas inesperadas a ninguém, a não ser em caso de urgência, mas até minhas urgências cuido para que sejam delicadas. Pessoas não ficam sentadas em seus sofás aguardando a chegada do amigo fiel, o que dirá a do vizinho. Pessoas estão jantando. Pessoas estão preocupadas. Pessoas estão com o seu blusão preferido, aquele meio rasgado, que elas só usam quando ninguém está vendo. Pessoas estão chorando.
Pessoas estão assistindo a seu programa de tevê favorito. Pessoas estão se amando. Pessoas estão recolhidas ao íntimo dos seus ressentimentos e mágoas, e querem estar sós pelo pudor da própria tristeza.

Lázaro? Ah… Ressuscitou!

Algumas pessoas são como gatos machucados mortalmente. Esses felinos, gravemente feridos, são tidos por nós como mortos, defuntos e, por isso, enterrados, cremados ou jogados ao monturo do lixo. E eis que passados alguns dias do seu retiro, despertam do sono hibernal da morte aparente, retornando fantasmagóricos e recuperados à realidade do mundo dos vivos; para surpresa dos que não conhecem os meandros da alma humana e esqueceu-se das sete vidas do gato. 

A terapia do “eu sozinho”.

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DO ARCAÍSMO CULTURAL E DA HISTÓRIA, DO SEXO DAS COBRAS, DOS PINTAINHOS, DOS ANJOS E NINFAS, DA LIBIDO E DO HOMOEROTISMO

Por Mohammad Jamal.

Longo parágrafo. 

Confessionalmente cabe-me reconhecer que descontando um ou dois problemas emocionais, cresci em circunstâncias seguras e moderadamente confortáveis. Meu irmão mais velho incutiu-me muito cedo o gosto pela leitura fazendo com que a literatura ocupasse boa parte do meu tempo; hoje, amadurecido pela sobreposição dos anos vividos, ela ocupa muito mais; a literatura faz parte da minha vida. As leituras de bons livros escolhidos por meu irmão influíram muito sobre a minha vida na infância e adolescência, tal como ainda influem hoje, quando o tempo tingiu de branco meus cabelos. Foi naquele tempo de garoto que gostava de livros que me reconheci um observador de pessoas, um tipologista autodidata traçador de perfis. Atraiam-me não só os dramas, alegrias e tristezas, mas as pequenas tragédias, os episódios cotidianos, o entendimento dos porquês e como reagia cada pessoa à minha volta às suas alegrias e pequenas tragédias. Algumas explicitamente emotivas oscilavam entre o riso nervoso e as lágrimas, outras, contidas, deglutiam silenciosamente seus problemas, dramas e angústias quase impassivelmente, mas nem assim escapavam da leitura das suas linguagens corporais; coisa que, precocemente, eu já dominara. Eu lia a escrita gestual dos semblantes e dos corpos que falavam idiomas distintos por mímicas singulares. Eu já os traduzira. Na ênfase das palavras e algumas onomatopeias; na audição dos soluços e gemidos, no olhar; eu lia sentimentos os mais diversos e, perfilava-as detalhadamente calçado no entendimento empírico acumulado nos densos conteúdos dos livros que li e me impregnaram a mente. São essas imagens passadas que me permitem devaneios reminiscentes que às vezes compartilho fazendo um contraponto àquele tempo e a modernidade globalizada que o varreu impassível essa percepção para o vazio do esquecimento comum.

Relembrar não é preciso, mas os ecos ainda ressoam: Não vou retroagir muito, isso é lugar comum, cansativamente exaurido em todos os artigos que tratam de reminiscências socioculturais através a história. Estamos carecas desse antagonismo evolutivo monótono e previsível que se arrastou lentamente, retardando a evolução dos costumes e das relações humanas em seu inexorável processo de renovação de velhos paradigmas sociais que obscureciam o concretismo autonômico iluminista, coisa que ainda acena à sociedade moderna em contínuo processo autonomista ainda que crivado por propensões alienistas e singularidades controversas.

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A BASTARDIA PATRONAL, A TUTELA DESLEIXADA E O ABANDONO DA VENERANDA VULNERÁVEL

Por Mohammad Jamal.

Não como a carne do porco, nem as porcas, claro! Neste prólogo, vou começar citando os suínos e galináceos dos criadouros intensivos e nos criatórios domésticos para consumo da família. Digamos o macro e o microcosmo na cadeia produtiva da proteína animal que tanto necessitam os humanos à sua mesa para seu sustento nutricional e ponderal. Mas a citação que faço direciona-se analogicamente aos aglomerados humanos que formam cidades e megalópoles a exemplo dos pequenos galinheiros e chiqueiros domésticos e às mega pocilgas e gigantescos aviários onde se confinam aos milhares, porcos, frangos e galinhas do agronegócio. Porcos, frangos para corte e galinha poedeiras exigem cuidados intensivos e permanente assistência sanitária! Uma pocilga que não é limpa e lavada diariamente resulta em prejuízo. Porcos e bacorinhos emagrecem e morrem vítimas das zoonoses que se multiplicam cultivadas na imundície da sujeira ao abandono. Do mesmo modo, frangos não engordam; galinhas não põem ovo e pintainhos morrem antes da adolescência, expostos às susceptibilidades que infectam o desleixo pela sujeira, imundície ao leu. Comparativamente, cidades e megalópoles; galináceos; suínos e humanos compartilham semelhante ciclo biológico de suscetibilidades e vulnerabilidades higiênico-medico-sanitárias.

Dante relia suas centúrias admirando “Inferno” urbano aqui do alto da lage? Olhando cá de cima do morro, às vezes a cidade em que vivo me transparece um lugar estranho, soturno, insalubre. Ruas que nos eram familiares mudam de cor e aspecto de uma hora para outra. Olho para as multidões e enxergo a apatia e indiferença para com o ambiente em que se confinam volitivamente. Alheias a tudo, elas passam por mim acotovelando-me impassíveis, formando filas intermináveis para um não sei o quê de saúde, sabe-se lá, se física ou meramente humoral porque esqueceram o que é ter esperanças… Galinhas, frangos, pintos também… E ao vê-los assim, me incutem um sentimento de que estavam ali há centenas de anos; é como se ali houvessem criado raízes em busca do próprio passado soterrado sabe-se lá aonde. Seria por esperança de encontrar uma esperança enterrada a sete palmos?

Platão! Aristóteles! Nero! Calígula!… Roma está em ruinas! Com seus parques e jardins lamacentos, cobertos de ervas daninhas; seus espaços abertos desolados como antigos campos de guerra; os seus postes de eletricidade, sem lâmpadas, obscurecem ainda mais o que já está soturno e sombrio em tenebrosa penumbra; esgotos escorrem pelas guias como veias sangrando exudatos apodrecidos. Grandes outdoors escandalizam a venda de tudo e de prédios suntuosos em suas monstruosidades de concreto, menos a esperança abatida em seu voo de galinha. Esta cidade está como a minha alma; vem-se transformando celeremente num lugar vazio e abandonado. As imundícies das ruas e transversais; o mau cheiro das latas de lixo transbordadas e os restos expostos com larvas de moscas a esmo para o repasto dos urubus, dos ratos, dos cães abandonados. As vias públicas corcundas, cheias de calombos, afundamentos, buracos e crateras, são úlceras, como se vítimas da leishmaniose e peste negra. Nesse quadro de caótica desordem, ainda nos submetemo-nos a apertos e empurrões para embarcar num transporte público característico de ferros-velhos, inconstantes e de destino incerto que fazem de Ilhéus o que ela é. E fico me perguntando se a cidade não está me castigando por contribuir para sua miséria, degradação e abandono pela minha simples presença, apático e indiferente à sua desdita, infelicidade e desventura? O que posso fazer por ela? Gritar? Votar naqueles mesmos? Eu votei!

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A DESTRUIÇÃO. TEORIA E PRÁTICA

Por Mohammad Jamal.

Com sua licença! Por favor. Dirijo-me inicialmente àqueles que, ociosos, movidos pela curiosidade, dão-se ao trabalho de ler-me aqui e neste blog. Aqueles que já conhecem a estilística dos meus artigos sabem do onipresente sentido da dúvida com que, precavidamente, me resguardo dos conceitos impositivos e diagnósticos irrecorríveis comuns aos sábios “sociólogos” do nosso cotidiano existencial. Por isso, recorro ao célebre – que não é da TV. – filósofo Sócrates que, humilde, declarou irrestritamente: “Só sei que nada sei, e o fato de saber isso, me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa.”. Continuo aprendo e me surpreendendo com as coisas inimagináveis que me vem ao conhecimento, mas fugindo como dizem os cristãos “como o diabo, da cruz”, das adaptabilidades requeridas.

“A catraca do buzu tá travada pra nóis!”. Numa encruzilhada de três vertentes, duas já foram fechadas ao cidadão brasileiro. Já não podemos optar; perdemos o sagrado direito de escolher, estamos índios para a cidadania. Alguém toca o berrante lá no Planalto Central e, toda a manada do proletariado muge afirmativamente. Somos os bois de tração que aram, gradeiam e carregam o país às costas, para o gáudio exclusivo das “nossas lideranças” ou políticos que “pecuarisam” (desculpem o neologismo) o proletariado nos currais eleitorais com clientelismo oportunista barato.

Reflexologia das massas na betoneira do filosofismo. Diante das diversas vertentes que apontam no sentido de que toda ação ou reação políticosociológica advêm da psique e reflexologia das massas; bate aquela humildade socrática, aí me pego muitas vezes mergulhado por dias em textos, teorias e estudos de pensadores famosos assertivos, portanto, difíceis senão impossíveis de se contraditar.  Às vezes vou até textos mitológicos e às tragédias gregas como Édipo Rei (Sófocles); Electra (Eurípedes), Ésquilo, que foram os dramaturgos de maior importância àquela época, em busca das razões da razão coletiva. Aristóteles concluiu que a vida é o teatro do realismo existencial, a cada cena uma surpresa nos impacta.  Ele concluiu sabiamente, que o espetáculo trágico para se realizar como obra de arte deveria sempre provocar a “Katarsis”, a catarse, isto é, a purgação das emoções dos espectadores. Forçar um reencontro entre a realidade íntima mais oculta com a existencialidade cotidiana e, forçar a harmonização entre as suas gritantes diferenças quase irreconciliáveis. Recorri também aos poemas de Homero e até aos textos bíblicos em busca de respostas para essa tragédia que se abate persistente sobre o proletariado.

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O PODER DE PODER NO REINO DE SÃO SARUÊ

Por Mohammad Jamal.

Imaginários ficcionais: Da serie Ilações sobre o Brasil de hoje passado a sujo.

Um levantamento exclusivo realizado pela Revista Congresso em Foco mostrou que cerca de metade dos deputados e senadores da atual legislatura (2015-2018) responde a algum procedimento investigatório no Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, são 238 parlamentares às voltas com a Justiça no âmbito do STF. Estamos falando apenas dos legisladores, faltando incluir ex-presidentes, ex-governadores, ex-prefeitos, diretores de estatais e de outras instituições no âmbito político federativo. Muitos deles pretendem reeleição, outros almejam retorno ao poder após quatro anos sem mandato; várias centenas de pretendentes novatos também se acotovelam tentando debutar no melhor, mais rentável e lucrativo negócio no Brasil: a política. A caça ao tesouro é brutal e sanguinária. Do cabelo pra baixo é canela! Faz-nos relembrar os Programas Rolaentrando e Tudo Por dinheiro do canal SBT!

A propósito: Há alguns dias tive o privilegio de ouvir numa reunião, à seguinte pérola ou diria diamante, pronunciado por um postulante político profissional de múltiplos mandatos, mas ainda tentando reeleição: “Eu não me pertenço mais. Doei-me de corpo e alma ao povo! Servir e ajudar à sofrida população da minha região é o meu destino. Não sei fazer outra coisa senão trabalhar pelo povo!”. Quanto patriotismo altruísta! Quanta entrega e doação de si por nada em troca! É lindo!

O silencio foi quebrado nos Jardins em Alphaville!

_ Que palhaçada é essa em volta da minha mansão? Sirenes e luzes piscando. Já não se pode jogar golfe em paz no centro de São Paulo? Se continuar assim, vou ter que mudar para minha residência em Dubai. Ananias!… ANANIAS!… Olha aí nas câmeras pra ver o que é isso. Liga pra polícia especial.

Cumprida a determinação, Ananias, após olhar num painel de mais de cem câmeras de segurança, assustado, volta esbaforido com a resposta para o patrão.

O mordomo cearense: _ Doutor, é a polícia!

Bilionário político incomodado.

_ Polícia? Que polícia que nada, eu não pedi nenhuma segurança especial no entorno da mansão… Será que o Damião levou as minhas Yorkshire Mimi e Fifi para passear? Bastava cinco viaturas para a segurança das minhas cadelinhas. Humm… Ananias!… ANANIAS! Olha lá de novo e vê se é polícia mesmo? Se não é aquele japonês pegajoso que mandei encostar? 

Ananias volta às cem câmeras de segurança e retorna correndo, mais esbaforido e assustado ainda. _ Doutor, é polícia mesmo, e tem duas letras douradas nas portas, nos tetos das viaturas e nos coletos pretos que os homens estão vestidos.

_ As letras são PP? (polícia de Político) que está escrito?

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PEGA, MATA, ESFOLA

Por Mohammad Jamal.

Pega, mata… Esfola! – O momento político da cidade é crítico, trágico, patético, dramático, burlesco ou o amargo pastelão embalado por contumazes expertises dos seus personagens no cenário parlamentar? Não sei bem o nome da Operação; se Operação Pega-ratos, Operação Corta Prepúcio, acho que é a Operação Prelúdio! Mais uma tentativa de passar rodo e o rastelo na corrupção que se alastre como pandemia no país. Só que lá na frente, passadas as agruras presenciais impostas pelo rito enérgico e a correição da Primeira Instância, eles relaxam, folgam o cinto e, às vezes, ate gozam o usufruto do Capital integralizado acostado aos Ativos financeiros pelas expertises da corrupção. Nos tribunais as Ações que respondem encontram discreta a discreta cortesia, o aplomb e algum fair-play das discussões recursais em absenteísmo do dos réus, a essa altura, com caras untadas em finíssimo óleo de peroba… E por ai vão.

Caolhos míopes, mandriões estagnados – Em Ilhéus não é diferente. Aqui tudo em si assemelha à transliteração do amargor dramático do Nelson Rodrigues mesclado à intuitiva verve prosélita empregada no sentido literal das Críticas à organização e ao funcionamento da sociedade russa da primeira metade do século XIX, examinadas sob a ótica de Nikolai Gogol. O Inspetor Geral; que, alias, serviu de inspiração ao escritor, dramaturgo e diretor teatral, Romualdo Lisboa, para escrever produzir e dirigir a peça: Teodorico, as últimas horas de um prefeito, levada com muito sucesso aqui e em grande parte no Brasil e exterior.  Na obra de Nikolay Gogol, confrontamos as presenças marcantes do sentido e humor satírico com nítido realismo social. Ele sugere reformas sociais e políticas, embora não fosse um político, para a Rússia. Faz observações minuciosas. Aduz magistralmente a criação de personagens exuberantes. Usou metáforas e simbolismos para escapar da censura do governo russo da época e até utilizou formas de prosas não convencionais e fez uso frequente de elementos relacionados ao fantástico em metalinguagem. À semelhança das situações esdrúxulas tais como as que confrontamos no atual momento político ilheense: densamente tosco e irracionalmente equivocado em suas proporcionalidades exageradas em feéricas fantasias baratas do inexequível.

Quibe de moscas – Vendo sonhos! Bolinhos de Esperanças, de anelos, de indulgência, terrenos no céu, e as porras, tudo embalado na mais fina farinha de quimeras. Está aberta a disputa pela caça ao tesouro! Não aquele tesouro do pirata Barba Negra, nem aquele outro que supõem encontrar-se numa das pontas do arco-íris. É coisa muito maior que fica num califado riquíssimo nas terras das mil e uma noites, Brasília e capitais dos estados das terras brasileiras. Captou?  

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O ÂNUS ELOQUENTE E SEUS FLATOS PROGRAMÁTICOS

Por Mohammad Jamal.

Cruz credo. Nunca vou esquecer o horror que congelou minhas glândulas, quando a palavra funesta cicatrizou em meu cérebro vertiginoso. Andei desorientado pelas ruas como um homem com concussão. A cena que assisto teria destruído minha sanidade. Eu estava em pé na porta do Palácio, de onde presenciei estarrecido à terrível cena quando suas hemorroidas explodiram no carro em movimento e se enroscaram na roda traseira do veículo. Ele ficou completamente estripado, deixando para trás uma carcaça vazia, ali sentada no estofamento de pele de canguru do carro. Ate os olhos e o cérebro, ambos se foram com um barulho gutural horrível. Um plóft! Como o sacar duma rolha numa garrafa de vinho.

Incutindo o terror. Acho que já lhes relatei aquele caso do político que ensinou o ânus a falar, ou não? Não, não era do PT não… O abdome dele mexia-se para cima e para baixo e ele peidava palavras em um som borbulhante, denso, estagnado… Um som que dava para cheirar a estilística socialista marxista da retórica. O homem trabalhava com afinco a própria campanha e de mais alguém. Aquilo começou por ser um novo número de ventriloquias onde promessas e atributos personalíssimos eram peidados em praças públicas em promessas inexequíveis e loas factoides exorbitadas a bem candidato. E ia dando certo. O candidato crescia a cada dia nas pesquisas de intenção de voto.

Doa males, o pior. Só que depois um tempo, incompreensivelmente, o eloquente ânus, personagem mais importante do seu marketing político, começou a falar sozinho. O “dono” entrava num diálogo político-ideológico sem script previamente ensaiado e seu ânus, mente agudizada e infamante, respondia às piadas sobre outros políticos e às conjecturas ideológicas com risível e sarcástica ironia. Um ânus controverso, opositivo, crítico e contestador. Uma ameaça ideológica convincente com verve prosélita e incisivamente cooptativa, que peidava frases intelectualmente complexas e difíceis de contestar, começara a se fazer predominar sobre a situação.

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MULHER

Por Mohammad Jamal.

A emasculação no cepo. Pode crer. O mundo sem a mulher? Pode ser? Claro que não. Fico pensando e, quanto mais penso mais concluo pela absoluta incapacidade de coexistirmos sem a onipresença da mulher. Sem sua “química”, sua mágica, sua metafísica, sua alquimia cósmica, seus feitiços. Dá um frio danado na espinha quando imagino um mundo sem a mulher. Um apavoramento indescritível, um vazio inenarrável, um pavor.

O PT voltou? Vige! Dia desses tive um sonho, melhor dizendo, um pesadelo horrível em que me via exausto de caminhar à procura de um rosto feminino e, por mais que procurasse, só encontrava barbados, bigodudos. Só homens; nem uma Nuri, uma ninfa sequer. Acordei suado, agitado, taquicárdico com a minha Nuri, Edimunda, se desvencilhando de mim e gritando ao meu ouvido: _ Me solta Mehmed! Estas me sufocando, me apertando demais… Isso e hora homem! Ainda bem, graças a Deus, era só um pesadelo. Logo abracei suavemente minha musa por trás. O contato com a sua rica “poupança” e suas costas aveludadas, acalmou-me como um passe de mágica, seu calorzinho, seu perfume suave, sua maciez, meu céu! Refeito do susto; dei-lhe um beijo no cangote e, cheio de amor pra dar, lutei pra conciliar o sono outra vez. A contragosto, com algum esforço e tempo, consegui voltar a dormir.

CC? Não. Vejam se não estou correto de pensar assim: O homem faz um esforço desgraçado para ficar rico pra quê? O sujeito quer ficar famoso pra quê? O indivíduo malha, faz exercícios pra quê? A verdade é que a é mulher o mítico objetivo do homem. Tudo que eu quis e quero dizer, é que o homem vive em função da mulher. Vivemos e pensamos em mulher o dia inteiro, a vida inteira. Se a mulher não existisse, o mundo não teria ido pra frente, evoluído. Homem algum iria fazer algo na vida para impressionar outro homem, para conquistar outro sujeito igual a ele, de bigode, peito e sovacos cabeludos, “CC”, chulé e toda sua catinga masculina carregada na testosterona.

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DAS RAZÕES: SOBRE O PORQUÊ DO NÃO ME CALAR AO SILENCIO DE MIM MESMO

Por Mohammad Jamal.

Palavras são palavras, nada mais que palavras” (Dep. Justo Veríssimo, do Chico Anísio).

Não é incomum para quem escreve ver-se compelido pela necessidade de escrever e de produzir muito e depressa. Sairmos da letargia e, lentamente mirarmos as palavras como se fossem flechas que devam atingir certeiras os alvos cernes das emoções, e que nenhuma delas caia sobre o barro ou a pedra onde não ecoam compreensão e sentimentos.

Sou fróida digitando erudições no Whatsapp!

Para escrever rápido e fluente é preciso termos pensado muito sobre o tema, ter debruçado sobre as ideias inspiradoras, termos levado o assunto ao passeio, ao banheiro, ao barzinho – por quem os frequenta – ao restaurante e até às vezes à casa da namorada. Já dizia E. Delacroix enquanto degustava palavras; “A arte é uma coisa tão ideal e tão fugitiva que as ferramentas nunca são bastante apropriadas nem os meios bastante expeditos”. E isso acontece na literatura tanto quanto na pintura, no cinzelar de uma escultura quanto ao escrever uma partitura musical ou um artigo despretensioso para a mídia que admiramos.

Atanásio quer sair como Destaque na Escola de Samba do Vilela! Imagina?

Algumas pessoas que conheço e que escrevem por impulso, por necessidade, por profissão, começam por carregar montes de papéis, rabiscos e esboços imaginários escritos sobre quase tudo que lhes ofereça uma face plana ou flexível. Eles chamam isso de cobrir sua tela; as tintas que as preenchem são o imaginário das palavras que supõe impregnadas a coerência e harmonia das razões. Essa operação confusa tem por objetivo não se perder nada daquilo que, observem que agora passo a primeira pessoa, intuímos no esboço mentalizado com todos os elementos literários. Mas ainda assim, depois de lerem, relerem, copiarem, seus criadores, compulsivos, ficam cortando, podando, reinserindo e desbastando palavras e os ímpetos das emoções que elas infligirão ou farão refletir àqueles que as lerem. Mesmo que o resultado seja considerado excelente e satisfatório, continuamos abusando do tempo e do talento como se eles fossem algo inexaurível em nossa compulsiva busca pela perfeição.

“Me amarrei” na Cora Coralina: O saber se aprende com os mestres. A sabedoria, só com o corriqueiro da vida.”.

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AGORA É “NÓIS”! PROTAGONISMO OU FIGURAÇÃO? VOCÊ ESCOLHE

Por Mohammad Jamal.

Bem aventurados os autistas.

Vivemos sob um processo moral e ético sociologicamente apenso do relativismo. Coisa que não podemos minimizar com meros eufemismos para um atávico niilismo coletivo ou uma simples derivação da moral social na plenitude da sua informalidade. Nesse caso, os pressupostos da inocência dão lugar à ambiguidade e põe dúvidas sobre velhos comportamentos agora considerados popularescos, quanto do cultivo da honradez; da verdade, da justiça… É tudo muito relativo; um relativismo impositivo e convenientemente direcional.

A Democracia plural. “In alio pediculum, in te ricinum non vides” (Petronius) Tu vês um piolho no outro, mas não um carrapato em si mesmo.

O que representa a verdade para mim; pode não ser verdade para outrem; mas isso não tem importância alguma. A verdade no relativismo é aquilo que eu “percebo” como verdade. E não importam as origens de fatores indutivos que incidem verticalmente do particular para o coletivo. Tudo ocorre independentemente da opinião alheia ou das conclusões obtidas pelos outros sobre o mesmo tema refletido. Claro, neste caso, o relativismo deteriora as relações humanas e conduz a um ambiente de desconfiança mútua; de suspeição permanente; do desagrado ao questionável, ao ambíguo, etc. que alguns relativistas denominam em política, de Democracia plural.

Lá no Sul dizem que morcegos perdem as asas e viram rato! Imagina se não perdesse as asas?

Esse relativismo não é congênito; ele advém dum evolucionismo sociológico; aquele mesmo que também influi na inserção de novas condutas sociais e políticas, novos termos à prosódia e jargão ou, na supressão de outros por caduquice da semasiologia das línguas vivas. Modismos, maneirismos, neologismos… Quase inescapáveis. Tudo num ambiente fugidio das subjetividades, das mentiras quase verdades e das verdades subjetivamente mentirosas. Eu não queria cair no quase inescapável lugar comum; o processo onde assistimos impassíveis a reformatação da nova moral social e a criminalização da ética e seus sucedâneos filosóficos. Isso porque ha nos ares democráticos do país o cheirinho de comida farta, gratuita e fácil para aqueles ditos mais expertos, os penetras simulacros de líderes do povo. Há um clima de Black Friday açulando os impulsos de consumo, um alvoroço nunca visto, como se os alvoroçados entes da política, putas velhas e quengas neófitas estreantes no “brega” eleitoral, um salve-se-quem-puder, um agora-está-fácil, é agora ou nunca, numa ganancia desenfreada ao escancaro do pudor e ao destemor das vítimas eleitoras àqueles mais afoitos que estão colocando até mãe no fazemos-qualquer-negócio um “التجارة” um comerciozinho, um lucrinho… Diria um saudita.  (mais…)

O AMULETO DE PAI AL-ATOCHÁ!

Por Mohammad Jamal.

(Da série: “Epopeias da Capitania”)

O “homi” já chegou chegando: carnavalesco, espalhafatoso, alegórico, um Joãozinho Trinta e suas fantasias de brilho ofuscantes; como se Cleópatra adentrando ruidosa a Roma ao encontro do seu Marco Antonio ao tempo em que estarrece o mundo incivilizado da Colônia, exibindo luxo e riqueza aos senadores e à louca e desesperada população, em êxtase. O místico afoxé Filhos de Gandhi adentrando a Avenida Sete para socorrer com o “descarrego” os quebrantos dos agônicos soteropolitanos e neobaianizados em suas abadas coloridas.

Alto, bonito, corpulento, trazia um enorme sorriso cinzelado sobre o mármore branco-ofuscante dos dentes alvejados, perfeitos, instalados no semblante vitorioso/conquistador, tipo Alexandre Magno entrando na Pérsia submetida. Tinha em si, o que propositalmente deixava transparecer em evidente marketing pessoal: uma enorme bateria supercarregada muito acima da sua capacidade nominal de volts, a ponto de impregnar a todos à sua volta com o magnetismo e condutiva “eletrostática” arrebatadora que emanava isótropos irradiantes que a todos energizava com simpatias, autoconfiança, esperanças. Uma usina açucareira pronta pra derramar toneladas de glicose às bocas do povo hiperglicêmico, insulinodependente e desassistidos do SUS, um espanto; um Sidenafil em hipotenso! Podia-se dizer que trazia consigo, a tiracolo, o ufanismo meritório dos grandes vencedores, como se portasse o poderoso amuleto de Oxóssi e sua lança fálica vindos diretamente do Gantoir!

E cavalgou assim garboso, impassível e poderoso pelas ruas da decadente cidade, montado a seu cavalo branco, um árabe puro-sangue ricamente ajaezado que pisava cuidadoso, saltando ao desviar-se de montes de merda e lixo aqui e acolá espalhados a esmo. Em vultosa procissão, o povão, loucos e lazarentos, ao seu redor, desesperados, gritava o seu nome “Hão” entre rogos e súplicas lacrimosas. A certa altura do desfile ele estacou seu bagual puro sangue ali, – (ali, é advérbio de lugar e não Ali nome próprio árabe. O nome do cavalo é Bucéfalo, viu?) – bem no meio da praça, acionou os freios de estacionamento do corcel dos emirados e, “amuntado mermo” (em nordestinês), sem apear, promulgou a plenos pulmões a lá Consul Júlio Cesar, o seu Veni, Vidi, Vici: “Quando vi nessa cidade, tanto horror e iniquidade, resolvi tudo acudir*”. O “acudir*” é nosso e, aqui há um perceptível control C, control V, da Ode a Geni; poema musical do Chico Buarque.

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JUDITH, A MOÇA ESTELIONATO. EM LONGOS PARÁGRAFOS METAPSICOLÓGICOS…

Por Mohammad Jamal.

O dia transcorreu soturno, pesado e tedioso, um sepulcro atemporal. Hoje carreguei toneladas de apatia; confrontei rostos banidos da esperança cujos corpos e suas texturas transpareciam personagens extraditados da Divina Comédia. O estupor do medo desenha olhos de barro em seus rostos macilentos. A üzüntü, Dünya… “Kasvetli olmanın nesi mükemmel?”, diria assim vovô, no seu turco carregado de expressionismo linguístico (tristeza, depressão… “O que há de tão grande nesta depressão?”). Tento escapar ileso desse redemoinho de existencialidades sem perdas e danos. A palavra é a ficção de um vazio; um parcel de questionamentos existenciais de onde assisto a moral, essa desavergonhada, entregar-se lasciva à vida de pública da devassidão por trinta moedas de um real, ou muito menos, ou por quase nada… Mixaria.

Lapso, me pego de pé, totalmente despido de pudores, nu no meio daquele quarto/alcova. Que mais poderia eu fazer nesse fim de tarde, quando a escuridão sepulta sem dó o dia ainda agonizante para mim com pesado atraso? Que fazer senão atender ao apelo, apoiar meu corpo suado sobre o corpo daquela mulher de “negócios” esparramada nua; pernas abertas e olhar macilento fitando a impassibilidade da própria apatia que vê estampada no bolor que desenha mapas no teto, nas paredes, na memória? Que fazer senão copular burocraticamente como num tedioso rito processual de agravos restringentes como montam ao povo políticos corruptos? A mulher é só a sombra de um constitutivo abstrato numa ficção de palavras surreais traçadas a pinceladas impressionistas. Salvador Dali não é, nem de longe, o que eu chamaria de o louco daqui. Dali abstraiu-se no surreal; aqui é concretismo existencial.

Havia silêncio no ar e uma única lâmpada no ambiente, tal como se fora enforcada no centro do quarto pendendo no bocal por um fio coberto pelas teias do tempo.  Debilitada e mortiça, sua fraca luminescência tingia os poucos móveis, além da cama e o criado mudo, de um amarelo ictérico como a bile que também me amarelecia fantasmagoricamente as feições a ponto da memória gustativa me fazer sentir amarga a saliva que me brotava sob a língua. E desabei inteiro, inapetente e sem ganas sobre aquele corpo feminino, um serventuário com manchas roxas da lida ali e acolá. Passei em seguida aos movimentos rítmicos ondulares, como se coreografando um funk fúnebre ou réquiem litúrgico para exéquias de uma vagina pós-exumada. Foi quando a vagina exumada, ou melhor, a voz da mulher serventuária, de negócios baratos, deu sinais de vida. Ela fala!

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ENXUGANDO GELO, EU? FALA SÉRIO, VAI.

Por Mohammad Jamal.

Um “pancada” como sou. O psiquiatra Paulo Rebelato, em entrevista para a revista gaúcha Red 32, disse que “o máximo de liberdade que o ser humano pode aspirar é escolher a prisão na qual quer viver.”. Pode-se aceitar esta verdade com pessimismo ou otimismo, mas é impossível refutá-la. A liberdade é uma abstração. Liberdade não é um terno novo ou uma calça velha, azul e desbotada, e sim, nudez total, nenhum comportamento alienante ou disfarce para se vestir. Como eu, voluntariamente desestereotipado e íntegro no comum da minha trivialidade doméstica. Mas ainda assim, um homem literalmente intransparente, desculpem-me pelo forçoso neologismo para acompanharem a minha linha de pensamento crítico auto filosófico. No entanto, em contrapartida, a sociedade não nos deixa sair à rua sem um crachá de identificação pendurado ao pescoço. 

Botocudos ou Cherbongs? Diga-me qual é a sua tribo e, eu lhe direi qual é a sua clausura. São cativeiros bem mais agradáveis do que os ex-Carandirus, Bangus e Papudas da vida: podemos pegar sol, ler livros, receber amigos, comer bons pratos, ouvir música, ou seja, uma cadeia à moda Luís Estevão, Lula, figurões; só que temos que advogar em causa própria e habeas corpus, nem pensar. O casamento pode ser uma prisão. E a maternidade, a pena máxima. Um emprego que rende um gordo salário trancafia você, o impede de chutar o balde e arriscar novos voos. O mesmo se pode dizer de um cargo de chefia. Tudo que lhe dá segurança ao mesmo tempo lhe escraviza, submete e serviliza sob o peso de Contrato irrecorrível e inquebrantável onde o contratante é a sociedade maniqueísta e as carentes fraquezas da sua própria vaidade. A carcereira de você.

Nem andarilho nem sultão. Viver sem laços igualmente pode nos reter e manietar. Você se condena a passar o resto da vida sem experimentar a delícia de uma vida amorosa estável, o conforto de um endereço certo e a imortalidade alcançada através de um filho. Se nem a estabilidade e a instabilidade nos tornam livres, aceitemos que poder escolher a própria prisão já é, em si, uma grande vitória. Nós é que decidimos quando seremos capturados e para onde seremos levados. É uma opção consciente e voluntária. Não nos obrigaram a nada, não nos trancafiaram num sanatório ou num presídio real e concreto, entre quatro paredes.

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EU EXISTO

Por Mohammad Jamal.

Equívoco petulante. (“Die Religion… Sie ist das Opium des Volkes.“). “A religião é o ópio do povo” esta é uma frase muito presente na Introdução da obra, em Alemão “Zur Kritik der Hegelschen Rechtsphilosophie – Einleitung”, Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, de Karl Marx. Alias, não foi, todavia Karl Marx, o primeiro a se utilizar dessa impactante analogia, muito embora se lhe atribuam frequentemente à outorga autoral. Ele, de fato, sintetizou uma ideia que esteve presente em diversas obras literárias e filosóficas de grandes autores do século XVIII.

O Xis da questão. Se nos fixarmos no sentido lato dessa ideia, no seu filosofismo sintético, sua hermenêutica crítica e seu tendencioso antropomorfismo; vamos confrontar à frente, caso tenhamos projetado essa “ideia”, amálgama de doutrina sociológica de concepções heterogêneas, rolando-a ao longo dos séculos XVIII ao XXII, dentro de um torvelinho de equívocos axiomáticos mutagênicos que jamais alcançarão o pretenso sentido de regra geral; as dimensões de “A religião é o ópio do povo” não transcendem os processos sociopolíticos, embora os balizem de alguma forma.

A silagem suplementar está servida! O homem, sua língua, seus costumes, necessidades e anseios coletivos, não diria que evoluem cultural e sociologicamente racionais em sintonia e adequação à sobrevivência e consonância coletiva. Entretanto, percebemos implícita uma indisfarçável ambivalência multipolarizada, instável e imprevisível como as alternâncias das marés nos oceanos, diferente em cada um deles. O homem enquanto elemento de observação sociológica é deslumbrante e admirável conceitualmente nesse instante, mas logo se torna repulsivo e abjeto no momento seguinte. Suas instabilidades humorais, seus impulsos e carências, sua gana pelo abstrato sensorial, sua exagerada autoestima, sua ânsia entre o Borderline e o bipolar o faz (touro de Minos) o Minotauro que afrontou à razão lógica, aqui trato figurativamente a “razão” como sendo a Poseidon, seu álter ego de plantão.

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