Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 36 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.
A juíza Maria Cristina de Brito determinou que o Flamengo deposite, em juízo, a pensão para Bruno Samudio, filho de Eliza Samudio que também seria do goleiro Bruno Souza. De acordo com a justiça, o benefício será de 17,5% do salário do goleiro. Maria Cristina decidiu, ainda, que o laboratório responsável pelo exame de DNA da criança envie o resultado à justiça.
Até aí tudo bem, se o contrato de Bruno não estivesse suspenso e, consequentemente, o mesmo recebesse salário. O procurador-geral do Flamengo, Rafael de Piro disse que vai entrar com uma petição para explicar esta situação à justiça. Ércio Quaresma, advogado do jogador, confirmou a versão apresentada pelo clube carioca.
Como diz o ditado popular, o filho é de Bruno e da “torcida do Flamengo”.
Há duas semanas, desde que os holandeses encerraram o sonho do hexa, o Brasil acompanha mesmerizado uma história que se fosse novela exigiria uma exagerada dose de imaginação de seu autor.
O provável assassinado, com requintes de perversidade, da jovem Elisa Samudio, colocou no olho do furacão o goleiro do time mais popular do Brasil, campeão brasileiro e candidato a uma milionária transferência para o Exterior e a um lugar na Seleção Brasileira que vai disputar a Copa do Mundo de 2014.
O destino, feito uma jabulani tresloucada, fez uma curva imponderável e Bruno saltou da glória à tragédia, do pódio iluminado a uma cela obscura.
A julgar pelo que a polícia apurou, mesmo que não tenha sido diretamente responsável, ele teve participação ativa na trama que resultou num crime que chocou o país.