Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 36 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.
Nasci em São Paulo, mas moro em Ilhéus desde os seis anos de idade.
Quando cheguei nesta terra, em 1982, apesar de menino, percebi que pouquíssimos se interessavam pelo alvinegro do parque São Jorge. Os times do Rio de Janeiro já eram os de maior preferência.
As informações sobre o dia-a-dia do meu “TIME” eram escassas. Era outra cultura, pouco se falava no futebol paulista por aqui. Foi difícil me adaptar, pois em São Paulo, a pronúncia da palavra “TIMÃO” é tão frequente quanto “bom dia”, “Deus” ou “Nossa Senhora”.
O Globo Esporte Nacional trazia notícias e me deixava saudoso. O menino nem sempre interpretava corretamente, cada jogo decisivo representava a final de um campeonato. Ansioso diante das expectativas, eu me dedicava a uma tarefa complicada para quem nunca teve habilidade com o desenho, decalcar o escudo do Timão, estampado em uma camisa surrada.
Com isso, mantive a minha paixão, o meu amor pelo Sport Club Corinthians Paulista, não me converti, não passei a gostar de nenhum clube do Rio, permaneci “colorido em preto e branco”.