Matérias com a tag ‘Complexo Intermodal’
SOCORRO COMENTA TEXTO DE MIRINHO
Socorro Mendonça, ativista social e ambientalista, decidiu comentar o artigo de Aldicemiro Duarte (Mirinho), coordenador do COESO, publicado no Pimenta.
Não é um embate pessoal. Trata-se de uma discussão, respeitosa e bem fundamentada, que gira em torno de opiniões divergentes sobre o Porto Sul.
Vale a pena conferir. O texto em fonte preta é de Mirinho. As partes em vermelho pertencem a Socorro.
PORTO SUL E CIDADANIA
O PORTO SUL É UM ENGANO!
A definição do Porto Sul não somente como um empreendimento de logística, mas como uma política de Estado, é provavelmente um dos maiores acertos do governo Jaques Wagner. Deste porto, muito já se falou e se tem falado, como de sua importância para facilitar o escoamento de diversos produtos, por meio da conexão com a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), projetando-se uma movimentação de cargas de 75 milhões de toneladas por ano. Anunciam-se mais de 4 mil empregos diretos na construção e operação e outros tantos indiretos (três vezes mais), além de um incremento na receita tributária de Ilhéus, e é sabido que os benefícios ultrapassarão as fronteiras ilheenses, criando um efeito virtuoso de amplitude regional. Mas o porto é, sem sombra de dúvida, muito mais do que isso.
Na realidade, de acordo com o EIA, os empregos gerados (MOD – Mão de obra + MOI – Mão de obra indireta) são 2030 empregos no pico da obra por apenas 3 meses, pois no trimestre seguinte este número cai para 1570 empregos. Confiram na página 14 do RIMA.
Não se pode pensar no Porto Sul olhando para os empreendimentos do passado, quando a execução se dava de qualquer maneira, sem preocupação com os impactos ambientais e sociais. A maturidade democrática e o processo de fortalecimento institucional que o Brasil vive tornam necessária e bem-vinda toda discussão, e o debate favorece a construção de modelos não somente economicamente positivos, mas também socialmente justos e ambientalmente responsáveis. Este é o tripé da sustentabilidade que anda de mãos dadas com a democracia.
A definição de sustentabilidade está correta. No entanto, a prática não tem sido justa e não será ambientalmente responsável, ainda que seja economicamente viável. Portanto é INSUSTENTAVEL!
Um empreendimento que tem 86 impactos negativos e apresenta como cuidados, programas de monitoramento, é no mínimo uma piada! As condicionantes da FIOL, sequer foram cumpridas, por isso a obra foi embargada. Entretanto, nós sabemos que continuam desrespeitando a tudo e a todos. Temos como exemplo, a visita feita por prepostos da Valec, na Vila de Campinhos, quando os moradores receberam um aviso “saiam para outro lugar, pois o trator irá passar por cima das suas residências”.
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RUI ROCHA: “MUITOS PROBLEMAS NOVOS SURGIRÃO COM O PORTO SUL”
O professor Rui Barbosa da Rocha, 45 anos, é um homem tranquilo de hábitos simples. Sua cordialidade e polidez são traços característicos de sua personalidade.
Sempre compreensivo, costuma dizer: “o homem como ser humano é intocável”, frase que demonstra seu humanismo cristão, ligado ao protestantismo da Igreja Batista Lindinópolis.
Esse engenheiro agrônomo, mestre em desenvolvimento e agricultura pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, fugiu à regra dos acadêmicos escondidos nos ambientes confortáveis das universidades. Professor da UESC, Rui decidiu lutar contra um projeto do governo baiano, que se for implantado, vai causar diversos problemas ao Sul da Bahia. Mesmo discreto, naturalmente assumiu a liderança do movimento contrário, e por isso, constantemente é vítima de calúnias e leviandades. Mesmo assim, jamais respondeu com agressões. É um homem do conhecimento, do debate civilizado. Suas explicações, sempre lúcidas, ultrapassam a barreira da ignorância e estremecem os argumentos nada confiáveis de muitos defensores do projeto.
Nessa entrevista ao Blog do Gusmão, Rui Rocha esclarece pontos obscuros do projeto Porto Sul, munido de um prêmio recente concedido pela UNESCO, por sua luta em defesa da Mata Atlântica.
BG- A secretária da Casa Civil, Eva Chiavon, fala que o Relatório de Impacto Ambiental do Porto Sul, no que diz respeito à geração de empregos, segue exemplos de sucesso, de outros portos já construídos. Você concorda com essa comparação feita pela secretária?
RR- Eu não concordo. As experiências que temos com esses portos de escoamento de minério de ferro não geram desenvolvimento como o governo tem dito. A estrutura portuária e ferroviária presta basicamente aos interesses de um setor, que é o mineral. Ele não transforma a economia regional, como se diz, de um porto de uso múltiplo, que vai alavancar muitos negócios e indústrias. Isso não acontece. Um exemplo mais claro disso é o Porto de Itaqui no Maranhão, que já tem algum tempo funcionando, com a super ferrovia de Carajás, que traz minério de ferro de Marabá, região Sul do Pará. Essa região não se industrializou. Poderíamos imaginar que toda a estrutura produtiva da Amazônia, em torno dessa logística, poderia fazer e atrair pra essa região uma base industrial. Isso não aconteceu.
Um exemplo mais claro disso é o Porto de Itaqui no Maranhão, que já tem algum tempo funcionando, com a super ferrovia de Carajás, que traz minério de ferro de Marabá, região Sul do Pará. Essa região não se industrializou.
BG- Eraci Lafuentes, assessor da Casa Civil, afirma que as políticas de compensação ambiental serão prioridades do governo do estado. Ele também garante que as famílias do assentamento Bom Gosto (situado na área destinada ao Porto) serão reassentadas para melhor. Dá para confiar?
RR- Primeiro, temos que imaginar o que o Estado está fazendo para melhorar as condições de vida da população do Sul Bahia. Acreditar que o governo vai fazer uma série de coisas no futuro, quando o porto vier, nos deixa numa situação muito vulnerável. A sociedade regional tem que solicitar do governo uma ação imediata de qualificação dessa região. Temos vários investimentos, super necessários, colocados o tempo todo na ordem do dia, nos jornais e nos rádios. Os investimentos que a nossa região precisa, não devem ser associados ao porto, devem ser associados ao passivo que a região já tem, de 40 ou 50 anos. Precisamos melhorar a rodovia Ilhéus-Itabuna, os sistemas de educação e de saúde são precários e a nova ponte Ilhéus-Pontal, prometida há muito tempo, não se vê nenhum passo nessa direção. Precisamos da qualificação urbana de Ilhéus e das outras cidades da região cacaueira e também do saneamento básico. Esses investimentos, que são obrigação do estado, deveriam estar sendo feitos agora, ou ontem, ou anteontem.
BG- Isto significa que o Porto, com os novos moradores que aqui chegarão, vai aumentar a demanda por serviços públicos?
RR- Exatamente. Temos um conjunto de necessidades que não foram atendidas até hoje, e o porto e a ferrovia, por tudo que vão acarretar com a expectativa de novos empregos, e o grande fluxo migratório que será gerado, vão exercer uma forte pressão na cidade. Muitos problemas novos surgirão com o porto. E os problemas velhos que não foram resolvidos ainda? Não podemos receber essa mensagem, de que um paraíso vai descer sobre Ilhéus, com o Porto, na medida em que hoje, não temos provas contundentes de que o governo vai fazer a sua parte, ou já fez a sua parte.
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A DAMA DE FERRO DO PORTO SUL

Eva Chiavon lembra, pelo menos um pouco, a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher. Foto: José Nazal.
O Blog do Gusmão entrevistou na manhã de ontem (segunda, 10) a secretária estadual da Casa Civil, Eva Chiavon.
Lugar tenente do governador Jaques Wagner, a secretária se destaca por fazer uma defesa intransigente do projeto da empresa Bahia Mineração.
Enfática, ela impõe: “o Porto Sul não tem volta, está consolidado”. A frase, pronunciada durante a apresentação do relatório de impacto ambiental, na câmara de vereadores de Ilhéus, denota ponto final e impossibilidade de diálogo com os grupos contrários ao empreendimento. Subentende que o IBAMA concederá, sem sombra de dúvida, a tão sonhada licença reivindicada pelo governo do estado.
Na pauta da entrevista com Eva Chiavon, alguns questionamentos que só este modesto blog tem coragem pra fazer.
A mineração, no estado do Pará, é fortíssima. Apesar da riqueza, os indicadores sociais são terríveis. Na Bahia esse modelo será diferente?
O governo defende arduamente a exportação de commodities, mas a lei Kandir, nessa atividade econômica, retirou dos estados grande parte do que deveria ser arrecadado com o ICMS.
Segundo o RIMA, o porto público e o terminal privado serão construídos “simultaneamente”. O estado já tem orçamento para essa obra?
Na Bahia, as políticas de compensação ambiental, normalmente, não saem do papel. Com o Porto Sul será diferente?
Ouça a entrevista.
AEROPORTO NOVO SÓ DAQUI A 5 ANOS
Cada vez mais o projeto do complexo intermodal (porto, aeroporto e ferrovia) se distancia do mundo real, mergulhando no espaço abstrato das idéias.
O Porto Sul não ainda não tem localização definida. A Ferrovia Oeste-Leste, recentemente, foi vítima de um corte orçamentário do governo federal, que retirou recursos do trecho Ilhéus-Caetité. Agora, a INFRAERO acaba de sinalizar que o novo aeroporto só ficará pronto daqui a 5 anos (2016).
A informação foi passada à deputada estadual Ângela Sousa, que comunicou a má notícia durante entrevista ao radialista Gil Gomes.
Ouça.
PEQUENOS AGRICULTORES DO ITARIRI DIZEM NÃO À BAMIN
Vídeo do site R2cpress.
Para ler a matéria completa, clique aqui.
RUI ROCHA NO PROGRAMA DO JÔ
O ambientalista Rui Rocha, professor da UESC e diretor do Instituto Floresta Viva, será um dos entrevistados do Programa do Jô, desta segunda-feira (16).
Rui Rocha vai falar sobre o polêmico projeto Porto Sul, que prevê a construção de um complexo portuário no sul da Bahia para escoamento de minério de ferro, explorado por uma empresa do Cazaquistão (Bamin). Contrário ao projeto, o ambientalista vai explicar como a construção pode prejudicar e devastar a natureza da região.
O Programa do Jô começa depois do jornal da Globo (01h00).
Comentário bem humorado.
Atenção pessoas que vendem chumbinho (veneno proibido). Este blog recomenda que os vendedores, a partir de hoje, procurem investigar se os interessados recebem mídia da Bamin. Qualquer sinal suspeito indica um risco alto de suicídio. Todo cuidado é pouco!
JOÃO CAVALCANTI E O BAIXO NÍVEL
O geólogo, empresário e ricaço, João Cavalcanti, baixou o nível da discussão sobre o complexo intermodal.
Entrevistado pelo jornal Sudoeste da Bahia, na edição de 08 de maio, Cavalcanti afirmou que os ambientalistas são “babacas” e “cheiradores de maconha que impedem o progresso”.
O empresário, responsável pela descoberta da mina de ferro em Caetité, e que depois conseguiu vendê-la para a empresa do Cazaquistão (Bamin), disse que falta ao Ministério Público Federal e a “esses ambientalistas, responsabilidade social com o povo”.
As palavras de Cavalcanti foram questionadas por Jorge Gomes, membro do Modera (Movimento Pela Despoluição e Conservação do Rio do Antonio). O ambientalista disse que o géologo usou de baixo nível, foi preconceituoso e genérico. “Não senti seriedade na argumentação do empresário. Ele deveria ter explicado os benefícios da ferrovia e rebater com dados e fatos a posição contrária defendida pelos ambientalistas. Ele teria se saído melhor se tivesse mostrado os impactos positivos frente aos negativos”, concluiu Jorge Gomes.
Depois que o governo do estado mudou a localização do Porto da Bamin para Aritaguá, a baixaria impregnou o discurso de alguns desenvolvimentistas.
MPF MOVE AÇÃO CONTRA A FIOL
O Ministério Público Federal (MPF), de Ilhéus/ BA, propôs ação civil pública, com pedido de liminar para suspensão imediata de todas as ações relativas à construção do subtrecho Barreiras/ Ilhéus da Ferrovia de Integração Oeste Leste (FIOL), contra a Valec Engenharia Construções e Ferrovias S/A, concessionária de outorga de construção, uso e gozo da ferrovia.
O MPF entende que as obras não devem continuar, pelo menos, enquanto os procedimentos de licenciamento ambiental do Porto Sul e do terminal de uso privativo (tup) da BAMIN sejam concluídos. Os procuradores federais Flávia Arruti e Eduardo El Hage declaram que o MPF não se opõe a construção da ferrovia ou mesmo a utilização dessa alternativa de transporte moderna e econômica.
A medida visa evitar a malversação dos recursos públicos federais. Principalmente, depois da notícia de que o presidente da Valec, José Francisco das Neves, o Juquinha, e outros executivos da empresa foram acusados de terem superfaturado obras da ferrovia Norte Sul, segundo o relatório de peritos criminais da Polícia Federal (clique aqui). Além disso, o terminal e o porto público não possuem licença ambiental, nem sequer localização definitiva, visto que o IBAMA não concedeu licença prévia para a construção dos dois empreendimentos no distrito de Ponta da Tulha, conforme a intenção dos empreendedores.
A FIOL pretende transportar grãos e minérios no trajeto que se inicia em Figueirópolis (TO), atravessando os estados de Goiás e Bahia, tendo seu termino em Ilhéus. A obra da FIOL, de acordo com informação do Tribunal de Contas da União (TCU), está orçada em R$ 4,5 bilhões. Mesmo sem a definição do local de instalação do terminal e do porto público.
PORTO SUL “MERECE DISCUSSÃO MAIS AMPLA”
O Bispo da diocese de Ilhéus, Dom Mauro Montagnoli, afirmou ao radialista Gil Gomes, na manhã desta sexta-feira (01), que o mega projeto do Porto Sul ainda não foi discutido de maneira ampla com a sociedade ilheense.
Ele explicou que a Igreja Católica não é contra o desenvolvimento, mas ressaltou uma reflexão propiciada pela Campanha da Fraternidade de 2011: “para que haja o verdadeiro progresso é preciso respeitar a sustentabilidade”.
Dom Mauro também defendeu o escoamento do minério de ferro da mina de Caetité através do porto de Aratu.
Ouça a entrevista do Bispo à Rádio Santa Cruz.
CONTRADIÇÕES DO PROJETO DA BAMIN
Gil Gomes, o único radialista de Ilhéus que abre espaço às pessoas contrárias ao Porto Sul, convidou este blogueiro para falar sobre o parecer técnico do IBAMA, divulgado com exclusividade neste espaço (clique aqui).
Na oportunidade, divulgamos alguns erros do projeto da BAMIN, apontados no parecer, que é taxativo quando recomenda que a licença de construção do empreendimento, não seja concedida para Ponta da Tulha. Falamos também sobre a importância da causa ambiental.
A entrevista foi ao ar no programa Alerta Geral desta terça-feira (22).
UM BRAÇO DE MANOBRA CHAMADO “MINA DE TALENTOS”
A empresa do Cazaquistão (BAMIN) sabe que seu projeto tem problemas técnicos graves e sérias implicações que vão de encontro à legislação ambiental.
A mineradora aposta em duas frentes: o poder político do governador Jaques Wagner, que pode tratorar o parecer técnico desfavorável do IBAMA (clique aqui), e a grande aceitação do projeto junto à população “desinformada” de Ilhéus.
Para reforçar a segunda frente, a empresa cazaque criou o “Mina de Talentos”, um programa de capacitação de mão-de-obra, direcionado a um empreendimento não licenciado, que não tem sequer data para começar.
Além do mais, não se deve pensar em porto, sem ferrovia. A construção do trecho Ilhéus/Caetité, da ferrovia Oeste-Leste, pode durar no mínimo 3 anos. Vale lembrar que o traçado não foi definido e o IBAMA ainda não concedeu a licença de construção.
Outro impasse que atrasa a colocação dos trilhos, diz respeito ao fato de que a localização precisa do porto da BAMIN ainda não foi definida. Resumindo: a rota da ferrovia depende do local onde o terminal portuário será construído.
Levando em consideração essas informações, uma pergunta fica latente. Por que a empresa cazaque deseja capacitar “antecipadamente” milhares de pessoas?
Este blog desconfia que a mineradora pretende, na verdade, formar mais militantes simpáticos ao seu projeto. O objetivo é aumentar a expectativa na população.
A BAMIN quer transformar pessoas honestas, ansiosas por um emprego, em massa de manobra para pressionar os governos estadual e federal.
Quando Hitler começou a perder a II Guerra Mundial, Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista, intensificou a publicidade, convocando os alemães para o esforço total.
A campanha da BAMIN em torno do “Mina de Talentos” guarda semelhanças sutis com a prática nazifacista: “propaganda e mobilização no momento da derrota”.
EXCLUSIVO: BLOG DO GUSMÃO DIVULGA O PARECER TÉCNICO DO IBAMA QUE DISSE NÃO À BAMIN
De acordo com os documentos apresentados, esta equipe entende que não deve ser concedida licença prévia para o empreendimento no local proposto e sugere que a área de Floresta Atlântica sob foco, por sua relevância ambiental, seja transformada em Unidade de Conservação.
No dia 03 de fevereiro deste ano, o Blog do Gusmão publicou com exclusividade a informação de que o IBAMA negou a licença ambiental à empresa do Cazaquistão (BAMIN).
A mineradora deseja erguer um porto de exportação de minério de ferro no distrito de Ponta da Tulha, em Ilhéus.
A informação caiu como uma bomba na opinião pública regional, sendo logo refutada pela BAMIN, que mais uma vez utilizou da mentira para ludibriar a população de Ilhéus.
A mineradora cazaque utiliza mecanismos de propaganda nazifacista para enganar o povo, veiculando através de intensa publicidade que o seu projeto é sustentável, respeita o meio ambiente e vai gerar muitos empregos.
Felizmente, o governo federal possui em sua estrutura o IBAMA. Seus técnicos altamente especializados, admitidos através de concurso público, não se deixam levar por influências perniciosas de empresas que procuram comprar a consciência do povo através de promessas falsas.
No dia 8 de novembro de 2010, cinco analistas ambientais que estiveram na região de Ponta da Tulha, e que analisaram minuciosamente todo o projeto da empresa cazaque, chegaram à conclusão de que a licença não deve ser concedida para o local.
O parecer técnico chega às seguintes conclusões:
Diante da análise exposta neste parecer, e considerando:
que a análise de alternativas locacionais apresentada no EIA não apresentou metodologia adequada e com a profundidade necessária, desconsiderando aspectos relevantes relacionados ao meio biótico;
que a instalação do Terminal Portuário da Ponta da Tulha no local proposto acarretará na supressão de 70 ha de Floresta Atlântica em estágios médio e avançado de regeneração;
que esta área de mata apresenta uma rica e preservada fauna associada, dependente dos recursos florestais, com altos índices de espécies ameaçadas e de endemismo, além de espécies não descritas para a região;
que a avaliação de impactos detectou todos os impactos negativos para fauna como “muito significativos”;
que a instalação do empreendimento no local proposto causara impactos de grande monta e não avaliados na sua totalidade sobre a sub-bacia do Rio do Mangue e de sua planície de inundação.
que existem recifes com a presença de corais classificados como importantes e com boas condições de vitalidade na ADA (área diretamente afetada) e AID (área de influência direta) do empreendimento e que os impactos identificados não são mitigáveis;
que a instalação do Terminal Portuário da Ponta da Tulha no local proposto deverá preceder a instalação do Porto Sul, cujos impactos não foram avaliados e que necessitaria supressão de uma área ainda maior de Floresta Atlântica;
que podem existir na região, alternativas locacionais menos impactantes do ponto de vista ambiental, sem a necessidade de supressão de um importante remanescente preservador de Floresta Atlântica e sem a presença de recifes de corais na ADA (área diretamente afetada) e na AID (área de influência direta) do empreendimento;
que a ADA é composta em 94,68% de sua área por Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas em estágio médio e avançado de regeneração, e que, de acordo com a lei nº11.428/06:
Artigo 11. O corte e a supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração do bioma Mata Atlântica ficam vedados quando: I- a vegetação: a) abrigar espécies da flora e da fauna silvestres ameaçadas de extinção, em território nacional ou âmbito estadual, assim declaradas pela União ou pelos Estados, e a intervenção ou o parcelamento puserem em risco sobrevivência dessas espécies;
Artigo 14. A supressão de vegetação primária e secundária no estágio avançado de regeneração somente poderá ser autorizada em caso de utilidade pública, sendo que a vegetação secundária em estagio médio de regeneração poderá ser suprimida nos casos de utilidade pública e interesse social, em todos os casos devidamente caracterizados e motivados em procedimento administrativo próprio, quando inexistir alternativa técnica e locacional ao empreendimento proposto, ressalvado o disposto inciso I do art. 30 e nos 1º e 2º art. 31 desta Lei.
De acordo com os documentos apresentados, esta equipe entende que não deve ser concedida licença prévia para o empreendimento no local proposto e sugere que a área de Floresta Atlântica sob foco, por sua relevância ambiental, seja transformada em Unidade de Conservação.
Ressalta-se, ainda, que esta equipe entende que o empreendimento traria benefícios sócio-econômicos para o município de Ilhéus, não sendo contrária a instalação do empreendimento no município, mas sim na área atualmente proposta. Diante disto, deve haver uma melhor avaliação de alternativas locacionais para a instalação do empreendimento.
À consideração superior,
Daniel Santos Pinho, Elizabeth Eriko Uema, Fabiola Nunes Derossi, Fernando Dantas Campello, Leandro Hartleben Cordeiro.
O Blog do Gusmão entende que a desinformação tomou conta do debate. A propaganda enganosa da BAMIN está prevalecendo diante da verdade e do conhecimento técnico.
Recomendamos aos nossos estimados visitantes que leiam o parecer do IBAMA (dividido em 4 partes), e não se permitam sucumbir a esta grande falácia que é o projeto Porto Sul.
Parecer técnico ibama 186.2010 1ª parte
PROGRESSO
Compreensivelmente, parte da população local defende a construção do porto e da siderúrgica. O projeto trará desenvolvimento para a cidade e o entorno. Mas, antes de sonhar com os benefícios do progresso, aconselho os interessados a entrarem em contato com a Prefeitura do Rio de Janeiro.
Por Fernanda Torres
O MODELO em cera do casal de Australopithecus afarensis na savana ancestral da África faz parte da minha agenda obrigatória sempre que vou a Nova York. Ele está no National History Museum e foi criado a partir de pegadas perpetuadas na cinza vulcânica da planície de Laetoli, na Tanzânia, 3,6 milhões de anos atrás.
O par não está caçando ou fugindo; macho e fêmea passeiam abraçados, namoram enquanto contemplam o horizonte.
Na minha última visita, encontrei um jovem amigo assim que saí do museu. Ele andava interessado no estudo do cristianismo e, quando citei meus Australopithecus de estimação, o moço me cortou dizendo que não acreditava em Darwin. Uma barreira invisível se ergueu entre nós.
O belo rapaz defendia a tese de que não viemos dos macacos. O homem seria destinado a ser homem desde a sua criação e o triunfo da maldade humana seria a prova de que a evolução jamais existiu. “Não evoluímos”, dizia ele.
Eu argumentei que o julgamento moral não faz parte, a priori, da mãe natureza. A teoria da evolução não é promessa de uma linha reta em direção ao bem, ao bom e ao belo. Elefantes diminuem se privados de comida; teclados estapafúrdios, eternizados nos nossos computadores, foram desenhados justamente para ralentar o ritmo da digitação nas antigas máquinas de escrever que engastalhavam com toques rápidos. No fim, foi cada um para o seu lado sem dar crédito ao pensamento do outro.
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DEBATE SOBRE O PORTO SUL: AÇÃO ILHÉUS X COESO
A presidente da Associação Ação Ilhéus, Socorro Mendonça, através da internet, trava uma batalha de idéias contra Aldicemiro Duarte (Mirinho), coordenador do COESO (Comitê de Entidades Sociais em Defesa dos Interesses de Ilhéus e Região), grupo que apóia a empresa Bahia Mineração.
Este blog, que em outras ocasiões defendeu idéias de Mirinho sobre outros assuntos, não pode deixar de admitir que Socorro deu um banho de informação e conhecimento no coordenador do COESO.
O artigo escrito por Mirinho: “A miopia pede óculos. Ou… as forças ocultas e os interesses travestidos”, em defesa do Porto Sul, foi totalmente desconstruído, deixando evidente que o autor apelou para o senso comum e a desinformação.
Leia você mesmo e tire suas conclusões.
Mirinho
Propagam que o cacau e o turismo não podem conviver com o complexo logístico e as indústrias que ele irá atrair. Argumento míope e falso.
Socorro.
Míope é quem não enxerga riqueza na natureza que temos e quem afirma que a cacauicultura foi dizimada. Falso é quem desrespeita as gerações futuras mesmo sendo responsável por trazer ao mundo, alguns Seres Humanos, que comporão essa geração. Cacau será afetado diretamente pela Ferrovia passando pelas Fazendas e ainda com a monília sendo trazida pelos trilhos (você sabe o que é isso?). A ferrovia não ligará o Atlântico ao Pacífico? Estude um pouco sobre isso. Quanto ao Turismo, nenhum Porto que escoa Minério de Ferro foi apresentado ainda como sendo benchmarking de convivência com o Turismo. Aponte um no mundo! Conhecemos Portos que destroem vidas com doenças da poeira. Veja alguns vídeos com a realidade da qual falamos:
1 – http://www.youtube.com/watch?v=ScAn5zLWL7s
2 – http://www.youtube.com/watch?v=g9xODXqNqKw
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COMO É QUE É JOSIAS?
Metaforicamente avaliando, o Porto Sul é uma charrete que tem o governador Jaques Wagner como cocheiro. Pensando dessa forma, é natural que todos queiram passear, mesmo sem saber o destino.
Na última quarta-feira (23), o deputado federal Josias Gomes (PT) participou de um evento sobre turismo, promovido pela Câmara da Costa do Cacau, no Hotel Transamérica, na Ilha de Comandatuba (Una).
Josias, normalmente bem informado, neste dia decepcionou. Admitiu que nada conhece sobre turismo, e, ao ser questionado sobre o Porto Sul, fez uma defesa apaixonada, desprovida de qualquer razão. Na intenção de agradar a todos, chegou a dizer que o porto de exportação de minério de ferro vai envolver os turistas.
Muitos participantes ficaram sem entender nada.
A DEPUTADA DOS HOLOFOTES
A deputada estadual Ângela Sousa (PSC) se recusou a assinar o requerimento que criou uma comissão especial para discutir o Porto Sul na Assembléia Legislativa.
Recentemente, a parlamentar foi escolhida para presidir a comissão de infra-estrutura. Ela acha que essa instância (onde ela terá holofotes) é o lugar ideal para a discussão.
Mesmo assim, a comissão especial foi criada, tendo como idealizador o deputado estadual Augusto Castro (PSDB). A proposta quer discutir com profundidade o tema, ouvindo todas as partes envolvidas, prós e contras.
Ângela, por ciúmes, ficará à margem dos debates, já que na comissão especial ela não terá tanta visibilidade.
DEU NA GLOBO NEWS: REPRESENTANTES DE 40 ONGS DISCUTEM PROJETO DO PORTO SUL
Do site da Globo News
A obra para construção do Complexo Porto Sul provoca polêmica em Ilhéus, litoral sul da Bahia. A área onde está prevista a construção é reconhecida pela Unesco como reserva de biosfera da Mata Atlântica.
O empreendimento, que conta com recursos do PAC, prevê a criação de uma logística para o escoamento de minério de ferro. À frente do empreendimento está uma empresa do Cazaquistão. Diante da polêmica que a construção vem gerando, ambientalistas, técnicos e advogados se reuniram para discutir o projeto.
Veja a reportagem.



















