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Terca-Feira, 21 de Novembro de 2017
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O ABISMO QUE NOS SEPARA

milton-hatoumPor Milton Hatoum/publicado hoje no Estadão

“Trabalhar nós trabalhamos/Porém pra comprar as pérolas/Do pescocinho da moça/Do deputado Fulano”. (Mário de Andrade, Acalanto do seringueiro, em Clã do Jabuti, 1927)

Numa tarde de 2001, quando ainda morava perto do centro da cidade, um homem de uns 50 anos veio ao meu encontro:

“Sou preto, mas não sou ladrão, doutor. Só quero o dinheiro do ônibus”.

Ele havia procurado emprego num supermercado, e queria voltar a sua casa.

Nunca mais esqueci as frases desse brasileiro desempregado, frases que resumem o abismo que separa os pobres (afrodescendentes em sua maioria, mas também mestiços e brancos) da classe média e dos ricos. Claro: há razões históricas que explicam ou esclarecem isso. Quase quatro séculos de escravidão, e mais de um século de uma democracia manca, interrompida por várias ditaduras só poderiam gerar uma sociedade extremamente desigual.

A “democracia” brasileira, ou sua máscara caricata e grotesca, reproduz os privilégios do clientelismo, patrimonialismo, do mandonismo. Quando uma pessoa mais humilde nos chama de “doutor”, parece que todo o passado da escravidão reverbera nessa palavra, que só faz sentido se dirigida aos médicos.

Nosso ar de superioridade e petulância em relação aos pobres, nossa indiferença e desprezo pelos índios e pelos afrodescendentes inviabiliza qualquer projeto verdadeiramente democrático. Uma sociedade e um governo que toleram ou aceitam passivamente o assassinato de 50 mil jovens por ano não podem ser democráticos.

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PERCENTUAL DE NEGROS EM UNIVERSIDADES DOBRA, MAS É INFERIOR AO DE BRANCOS

sala-de-aulaDa Agência Brasil

O percentual de negros no nível superior deu um salto e quase dobrou entre 2005 e 2015.  Em 2005, um ano após a implementação de ações afirmativas, como as cotas, apenas 5,5% dos jovens pretos ou pardos na classificação do IBGE e em idade universitária frequentavam uma faculdade. Em 2015, 12,8% dos negros entre 18 e 24 anos chegaram ao nível superior, segundo pesquisa divulgada hoje (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Comparado com os brancos, no entanto, o número equivale a menos da metade dos jovens brancos com a mesma oportunidade, que eram 26,5% em 2015 e 17,8% em 2005. Os dados foram constatados pela Síntese de Indicadores Sociais – Uma análise das condições de vida da população brasileira. A pesquisa também mostra que os anos de ensino influenciam no salário: quanto maior a escolaridade, maior o rendimento do trabalhador.

De acordo com o IBGE, a dificuldade de acesso dos estudantes negros ao diploma universitário reflete o atraso escolar, maior neste grupo do que no de alunos brancos. Na idade que deveriam estar na faculdade, 53,2% dos negros estão cursando nível fundamental ou médio, ante 29,1% dos brancos.

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INFLAÇÃO CHEGA A 10,4% PARA OS MAIS POBRES

comidaDa Agência Brasil

A inflação para famílias com renda até 2,5 salários mínimos, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1 (IPC-C1), acumulou, em setembro deste ano, taxa de 10,4% no período de 12 meses. A taxa é superior à observada pelo Índice de Preços ao Consumidor Brasil (IPC-BR), que mede a inflação para todas as faixas de renda e acumula aumento de preços de 9,56% em 12 meses.

Apenas no mês de setembro, o IPC-C1 ficou em 0,48%, acima do 0,06% registrado em agosto. Seis das oito classes de despesa que compõem o índice apresentaram alta na taxa. Um dos principais responsáveis foi a alimentação, que passou de uma deflação (queda de preços) de 0,36% em agosto para uma inflação de 0,2% em setembro.

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ÓDIO

verissimoPor Luis Fernando Veríssimo/publicado hoje (25) no jornal O Globo

Não vi a entrevista do Jô com a Dilma, mas, conhecendo o Jô, sei que ele não foi diferente do que é no seu programa: um homem civilizado, sintonizado com seu tempo, que tem suas convicções — muitas vezes críticas ao governo — mas respeita a diversidade de opiniões e o direito dos outros de expressá-las. Que Jô fez uma matéria jornalística importante e correta, não é surpresa. Como não é surpresa, com todo esse vitríolo no ar, a reação furiosa que causou pelo simples fato de ter sido feita.

A deterioração do debate político no Brasil é consequência direta de um antipetismo justificável, dado os desmandos do próprio PT no governo, e de um ódio ao PT que ultrapassa a razão. O antipetismo decorre, em partes iguais, da frustração sincera com as promessas irrealizadas do PT e do oportunismo político de quem ataca o adversário enfraquecido. Já o ódio ao PT existiria mesmo que o PT tivesse sido um grande sucesso e o Brasil fosse hoje, depois de 12 anos de pseudossocialismo no poder, uma Suécia tropical. O antipetismo é consequência, o ódio ao PT é inato. O antipetismo começou com o PT, o ódio ao PT nasceu antes do PT. Está no DNA da classe dominante brasileira, que historicamente derruba, pelas armas se for preciso, toda ameaça ao seu domínio, seja qual for sua sigla.

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POBREZA E DESIGUALDADE

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor Sérgio Ricardo Ribeiro Lima

Relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) publicado em 16/09/2014 aponta que há atualmente 805 milhões de pessoas passando fome no mundo. Segundo o relatório, no caso do Brasil, reduzimos a extrema pobreza (pessoas vivendo com menos de 1 dólar o dia) em 75% e a pobreza (pessoas vivendo com menos de 2 dólares ao dia) em 65% entre 2001 e 2012. Mesmo assim, temos ainda mais de 16 milhões de brasileiros vivendo na pobreza. Em 2013, investimos 35 bilhões de dólares na redução da pobreza.

Por outro lado, analisando nossa carga tributária, temos um sistema profundamente injusto, onde, segundo dados do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) para 2003, famílias com renda até 2 salários mínimos (SM) tinham um compromisso tributário de 48,8% de sua renda com pagamento de impostos, quando em 1996 era de 28,2%. Para o segmento de famílias com mais de 30 SM, segundo o mesmo estudo, o peso dos tributos para 2003 era de 26,3% e em 1996, 17,9%. Enquanto os tributos indiretos (sobre o consumo) em 2003 sobre as famílias com até 2 SM consumiam 45,8% da renda líquida, estes mesmos tributos consumiam apenas 16,4% de sua renda líquida. Com relação à tributação direta (sobre as rendas e o patrimônio), para as famílias com até 2 SM o percentual era de 3,1 de suas rendas e 9,9% da renda das famílias com mais de 30 SM.

Observa-se desses dados que o peso da carga tributária brasileira recai sobre a renda do trabalho e sobre o consumo (tributação indireta). Se se tem em conta que o trabalhador despende toda sua renda em bens de consumo – diga-se, para suprir suas necessidades – percebe-se o comprometimento da mesma com impostos e, assim, a injustiça tributária.

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VÍDEO MOSTRA A VERDADE SOBRE OS LATIFUNDIÁRIOS

O vídeo a seguir foi publicado pelo canal Baixa a Bola Ruralista, no Youtube. Ele mostra algumas verdades sobre a relação entre os latifundiários, suas dinâmicas de produção e o território brasileiro.

Os argumentos são ancorados por dados do IBGE e outras instituições conceituadas. Assista.

OS CUSTOS DA DESIGUALDADE

Krugman_New-articleInline-v2Por Paul Krugman

Artigo publicado em CartaCapital.

Prometi, recentemente, compartilhar algumas preocupações a respeito de um trabalho sobre redistribuição e crescimento de Jonathan D. Ostry, Andrew Berg e Charalambos G. Tsangarides, pesquisadores do Fundo Monetário Internacional. Eles concluem não existir efeito negativo das políticas de redistribuição, ao menos dentro do alcance normal, e muito possivelmente há um efeito positivo da redução de desigualdade.

Acho que posso enunciar minhas preocupações de maneira útil em termos de minha comparação favorita nessas questões: Estados Unidos e França.

Por que essa dupla? Porque falamos de dois países avançados que claramente têm níveis semelhantes de competência tecnológica, mas fizeram opções de política social muito diferentes. Em particular, a França não apenas pratica muito mais redistribuição, como expandiu sua redistribuição ao longo do tempo e limitou o aumento da desigualdade em geral, enquanto os Estados Unidos não o fizeram. 

Como se comparam os destinos dos dois países durante a Nova Era Dourada? O crescimento, na verdade, foi um pouco mais lento na França, embora dificilmente seja a catástrofe que as incessantes más notícias sobre o país poderiam nos fazer esperar. De maneira mais surpreendente, porém, o nível, em oposição ao ritmo de crescimento, do PIB francês per capita é substancialmente menor.

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DOS NATAIS

Poetisa revela os dois lados do Natal.

Poetisa desencobre antíteses do Natal.

Por Ceres Marylise 

Por melhor que seja o vinho, por farto que seja o champagne, o Natal é sempre uma festa nostálgica: se abatem todas as nossas grandezas, acordam todas as nossas fraquezas e há uma dolorosa desorganização dos sentimentos.

Os amigos são os mesmos, mas nos chegam como outros, quase estranhos e, no entanto, mais amigos. Os inimigos, parece, deixam de existir e, no entanto, são apenas esquecidos durante o vinho.

Estranhamente, os mortos parecem tomar lugar à mesa, brindar e participar dos abraços e até mesmo chorar as mesmas lágrimas dos que festejam a vida.  Não consigo me emocionar quando, durante a ceia, vejo tantas pessoas sorrir, em tantos braços tocar e em tantos olhos, olhar. Sangro, pois todo amor com data marcada me fere, todo beijo formal me cega, todo corpo sem calor me lacera, todo amor de encomenda me ensandece.

Tanto maior a festa da cristandade, mais profundo parece ser o abismo em que se perdem os que  disputam restos  de  alimentos com cães e ratos, mais fantástico parece ser o universo dos que têm cheiro de lixo, mais sem rumo é o mundo dos desprezados e necessitados.

Penso em como poderiam ser diferentes os natais, afinal, todos temos direito ao mundo, e ao céu também!

QUERO UM NATAL DIFERENTE

 Quero um Natal diferente

sem ceias extravagantes,

sem muito enfeite custoso,

sem consumismos insanos,

sentir Cristo em cada rosto.

Não quero palavras vãs,

falsos desejos de amor,

de paz e prosperidade.

Quero um Natal diferente

e no coração de todos

sentir Cristo de verdade.

Ceres Marylise é especialista em Linguística (Universidade de Québec/Montreal) e vice-presidenta da Academia de Letras de Itabuna.

A MAIS TERRÍVEL DE NOSSAS HERANÇAS

Escravidão - Debret.

Escravidão – Debret.

Por Darcy Ribeiro, no livro O povo brasileiro – editora Companhia das Letras, 1995. 

Apresado aos quinze anos em sua terra, como se fosse uma caça apanhada numa armadilha, ele era arrastado pelo pombeiro – mercador africano de escravos – para a praia, onde seria resgatado em troca de tabaco, aguardente e bugigangas. Dali partiam em comboios, pescoço atado a pescoço com outros negros, numa corda puxada até o corpo e o tumbeiro. Metido no navio, era deitado no meio de cem outros para ocupar, por meios e meio, o exíguo espaço do seu tamanho, mal comendo, mal cagando ali mesmo, no meio da fedentina mais hedionda. Escapando vivo à travessia, caía no outro mercado, no lado de cá, onde era examinado como um cavalo magro. Avaliado pelos dentes, pela grossura dos tornozelos e nos punhos, era arrematado. Outro comboio, agora de correntes, o levava à terra adentro, ao senhor das minas ou dos açúcares, para viver o destino que lhe havia prescrito a civilização: trabalhar dezoito horas por dia todos os dias do ano. No domingo, podia cultivar uma rocinha, devorar faminto a parca e porca ração de bicho com que restaurava sua capacidade de trabalhar, no dia seguinte, até à exaustão.

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DIVISÃO DOS ELEITORES

Gustavo KruschewskyPor Gustavo Kruschewsky 

Tentar-se-á neste comentário fazer uma dicotomia do perfil de eleitores no Brasil. Não é tão difícil como parece.  Alguém dissera com muita propriedade que “a massa é uma idiota útil”, referindo-se talvez às pessoas que estão vivendo na extrema pobreza. Esta referência aponta seres “humanos” que, nas eleições, demonstram a sua “utilidade”. Só são úteis para outorgar seus votos aos candidatos sedentos para ocupar o “poder político”. Quem são os culpados pela proliferação da massa no Brasil? A resposta é óbvia: São muitas elites estabelecidas no nosso país. A maioria da própria classe “política” é uma delas. Principalmente pela omissão.  Isto é histórico, lamentavelmente!  

Há diferença entre a massa e o povo? O octogenário Carlos Heitor Cony assim se posiciona: “Pode parecer um paradoxo, mas há o povo e há a massa. Povo é o conjunto que inclui pobres e ricos, patrões e empregados, banqueiros e bancários, bons e maus cidadãos. Massa é a pasta informe, de gente marginalizada pelo sistema sócio-econômico vigorante em todos os países, com uma outra pontuação diferente, mas com o eixo comum da injustiça social, em muitos casos, como o nosso, levada aos extremos”. 

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COMO A DESIGUALDADE SOCIAL EXPLICA O VIDEOGAME DE R$ 4 MIL

P$4mil (Fonte: http://blog.br.playstation.com/).

P$4mil (Fonte: http://blog.br.playstation.com/).

Por Leonardo Rossatto Queiroz

Um texto de uma frase no blog do Playstation no Brasil desencadeou uma reação em cadeia nas redes sociais: como é possível que um videogame de 400 dólares nos EUA custe R$ 4 mil no Brasil? Nem mesmo a justificativa padrão dos empresários, de que “os impostos são muito altos no Brasil”, é capaz de justificar um preço que é quase o dobro do preço do concorrente direto.

Para começar, é conveniente fazer um cálculo direto, considerando que o valor do console nos EUA já tem embutido em si uma margem razoável de lucro. São 400 dólares no videogame. Normalmente, o governo cobra uma alíquota de 60% na importação sobre o preço original, elevando o valor do produto para US$ 400 + (60% x US$ 400) = US$ 640. Além disso, podemos inserir, sendo muito generosos, um custo de 10% do valor total do produto, já com impostos para serviços de logística: US$ 640 + (10% x US$ 640) = US$ 704.

Atualizando esse número com uma cotação GENEROSA do dólar, que segue instável no Brasil, temos que o custo final de um Playstation 4 no país deveria ser:

US$ 704 x R$ 2,40 = R$ 1689,60.

Vamos arredondar para R$ 1700,00, com custo de transporte e com os impostos cobrados. E daí constatamos que os R$ 2.300,00 adicionais que a Sony vai cobrar no console são APENAS lucro adicional.

Mas por que isso acontece no Brasil? E por que acontece não apenas com vídeo games, mas com eletrônicos em geral, com carros, com casas, com taxas bancárias, com produtos de supermercado e de todas as demais coisas que o brasileiro consome?

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CAPITALISMO OU SOCIALISMO – IMPORTA A DENOMINAÇÃO?

GustavoPor Gustavo Cezar do Amaral Kruschewsky

Historicamente as classes sociais, em todo globo terrestre, vêm, desde longas datas, tentando “aperfeiçoar” os seus sistemas políticos!  Alguns países vêm adotando o sistema capitalista, outros tantos experimentando e amargando ora o sistema capitalista, ora migrando para o sistema socialista e vice-versa. Já o sistema comunista é na verdade uma utopia! Parece existir apenas na doutrina inaplicada, tendo em vista que se desconhece sociedade organizada com ausência de uma estrutura Estatal. Só, se aconteceu há algum tempo esse fenômeno parecido com o comunismo, em que a participação das pessoas, dos “operários” da época, porque só existiam eles, tomavam as decisões “políticas” sem a presença de um Estado Formal. Porém, existe corrente afirmando no sentido contrário, que muitas pessoas pensam que o sistema comunista nunca foi praticado por alguma sociedade tendo em vista que nenhum grupo de indivíduos que viveram por vontade própria, sob normas comuns, experimentou a ausência de um Estado politicamente organizado.

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