Por 6 votos a 5, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem (quarta-feira, 23) que a Lei da Ficha Limpa não deveria ter sido aplicada às eleições do ano passado.
O imbróglio do julgamento da Lei da Ficha Limpa pode acabar em breve. Hoje, às 16h, toma posse no Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, o novo ministro indicado pela presidente Dilma Rousseff.
A “constitucionalidade” da ficha limpa foi debatida ontem (22/09), por mais de 4 horas, pelos ministros do STF (sistema tribunal federal). Porém, a decisão foi adiada para hoje (23) e o resultado final irá determinar se os 242 corruptos barrados pela lei, poderão se eleger dentro de duas semanas.
Estou cada vez mais satisfeito com o resultado do que escrevo internet afora, notadamente aqui neste importante site. No artigo “Lula, esquemas e sucessão” (Veja aqui), li, vi e ouvi comentários. Fiquei surpreso ao ser informado de que Lula foi aposentado por tempo de serviço, e não por mutilação do dedo mindinho, de acordo com o conhecimento geral – Aposentou-se cedo, hein, danado!?. Notem o quanto eu ganho escrevendo. Tenho a plena convicção de que não sou conhecedor de tudo e todos. É bom quando alguém vem e traz, à tona, fatos desconhecidos da maioria das pessoas. Meu objetivo é promover o debate sadio, muito embora aconteça de eu ser mal interpretado por aqueles que destoam, apresentando argumentos totalmente fora do contexto.
1. Ontem ocorreu a cerimônia de posse dos membros da Academia Paulista de Letras Jurídicas, com coquetel e salgadinhos.
Nunca foi tão evidente na esfera eleitoral a diferença entre teoria e prática. Em teoria, uma batelada de brasileiros não poderá pleitear mandatos na eleição de outubro próximo em razão da recente decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que candidatos com ficha suja, tanto os condenados por um colegiado antes da sanção da Lei da Ficha Limpa quanto os que vierem a ser condenados depois, estarão impedidos de buscar o voto. Na prática, muitos tentarão driblar a disposição legal, dentre eles os quase 5 mil agentes públicos que o Tribunal de Contas da União (TCU) tornou inelegíveis. Na teoria, o sonho acalentado por brasileiros de todas as classes está prestes a se realizar com a aplicação rigorosa da importante lei encaminhada ao Congresso Nacional com o endosso de 1,6 milhão de assinaturas. Na prática, o sonho poderá não resistir às peripécias de uma turma que, inconformada, dará plantão nos sinuosos corredores da Justiça. A teoria segue a pista fornecida pelo presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski, cuja expressão é firme: “Não temo enxurrada de recursos no STF porque a lei é bastante clara. Dificilmente algum recurso chegará ao Supremo, notadamente agora, em função da chamada repercussão geral.” A prática segue a baliza de outro experiente ministro, ex-presidente do TSE, Marco Aurélio Mello, que garante: “Essa matéria vai bater no Supremo.”O deputado federal Geraldo Simões (PT) terá problemas para conseguir a reeleição. Muitos dão a sua vitória como certa, porém, a lei que exige “ficha limpa” (nenhuma condenação em colegiados de juízes) como requisito básico para o registro da candidatura, tudo indica, pegou o petista no contrapé.