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Domingo, 18 de Novembro de 2018
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GOVERNO DO ESTADO INVESTE NA PRODUÇÃO DE CACAU ALIADA À CONSERVAÇÃO DA MATA ATLÂNTICA

A cultura do “cacau cabruca” ajuda a manter em pé várias espécies de árvores nativas da Mata Atlântica. Foto: Portal Sul da Bahia.

O Governo do Estado lançou nesta quinta-feira, 8, em parceria com Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira – CEPLAC/MAPA, o Plano Operacional para o Cacau e Chocolate da Bahia 2018 – 2022. O lançamento aconteceu na sede regional da Ceplac, em Ilhéus, e contou com as presenças do vice-governador João Leão e dos secretários Jeronimo Rodrigues (Desenvolvimento Rural), José Alves (Turismo), e Geraldo Reis (Meio Ambiente).

O projeto, que atenderá cerca de 20 mil agricultores, prevê o desenvolvimento de ações estratégicas que permitirão elevar, em cinco anos, a produção de cacau na Bahia para 240 mil toneladas/ano até 2022, a consolidar a fabricação de chocolates finos, com certificado de origem no Sul da Bahia, através da instalação de 20 agroindústrias.

As ações incluem abertura de linha de crédito específica para a lavoura cacaueira, subsídios para produção de mudas e insumos, criação e indicação geográfica da produção do cacau, preservação da Mata Atlântica, prospecção de novos mercados, capacitação profissional, regularização fundiária e ambiental, difusão tecnológica, assistência técnica e extensão rural (ATER), capacitação, educação, gestão e empreendedorismo e infraestrutura rural. Os investimentos do Governo do Estado no plano devem atingir R$ 80 milhões.

Emprego, renda e inclusão social

Jerônimo Rodrigues, secretário de Desenvolvimento Rural, afirmou que ao incentivar o aumento da produção, a diversificação e a agroindústria, o governo estadual alavanca a inclusão social de assentados, indígenas, quilombolas e agricultores familiares, com foco na sustentabilidade: “O resgate do cacau, que também passa por investimentos em tecnologia, infraestrutura, somado a obras de infraestrutura, permitirá a retomada do desenvolvimento regional”.

Serão atendidos agricultores de 114 municípios nos territórios Litoral Sul, Médio Rio das Contas e Baixo Sul.

 “O cacau tem uma grande importância da conservação da Mata Nativa e estamos incentivando a produção do cacau cabruca, que concilia a atividade econômica com o respeito à natureza”, disse o secretário de Meio Ambiente, Geraldo Reis.

Vice-governador da Bahia, João Leão (centro da foto), exibe a autorização de início do Plano Operacional para o Cacau e Chocolate da Bahia 2018 – 2022.

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DESMATAR VIROU “PATRIMÔNIO CULTURAL” DO BRASIL

Por Maria Tereza Jorge Pádua, publicado em O Eco.

Há alguns dias o sistema agrícola tradicional das comunidades quilombolas do Vale do Ribeira, no sudeste paulista, foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O tal sistema é o “plantio das roças tradicionais que requer o corte de pequena área de vegetação nativa de Mata Atlântica para fazer a roça”. Em bom português isto significa desmatar, ou seja, derrubar árvores e queimar. Verdade é que, no caso, pode se tratar de áreas discretas, mas que ocorre numa das regiões mais desmatadas do Brasil, abrindo um curioso e perigoso precedente num país que pretende lutar contra o desmatamento.

A agricultura de roça e queima

A descrição do cultivo que agora é “patrimônio cultural” oferecida pelos defensores da proposta, no caso do Vale do Ribeira, diz que a floresta é cortada e que “a vegetação  é queimada em forma controlada permitindo que as cinzas fertilizem o solo”. Estas áreas abertas na floresta são cultivadas por períodos de dois a três anos, ou até que o solo não esteja mais tão fértil. Depois o produtor abandona este trecho e a floresta “se regenera”.

Esta forma de agricultura primitiva é praticada por indígenas e quilombolas, mas, também, é usada por populações tradicionais e não tradicionais de outras regiões. Esta forma de agricultura, conhecida como agricultura migratória é, como bem demonstrado, uma das principais causas do desmatamento da Amazônia e de outras florestas tropicais e subtropicais do mundo, junto com a pecuária e a agricultura moderna. A área desmatada cada ano pode, realmente, ser pequena, como se pretende que sejam as dos quilombolas, mas, frequentemente, alcançam de meio hectare a mais de um hectare. Como essa prática, que em geral é realizada por agricultores informais, se repete a cada ano, seu impacto acumulado é muito grande. No Brasil este tipo de agricultura pode estar aumentando. Nos países andino-amazônicos a prática abre enormes frentes de destruição e fogo que se somam aos ocasionados por outros atores.

Esta forma de agricultura era até adequada no caso das populações indígenas originais, com baixa população e muita terra e, sem dúvida, também para os quilombolas do passado que se assimilaram culturalmente aos anteriores. Porém, a sua validade na situação socioeconômica atual é altamente discutível fora dos territórios indígenas. Vários fatos devem ser lembrados: (i) trata-se de uma forma muito ineficiente de agricultura, com baixa produtividade que consolida a pobreza da população que a usa; (ii) requer a destruição de florestas naturais sobre uma extensão muito maior que a que é realmente necessária para alimentar os que a praticam; (iii) requer uso do fogo que, muitas vezes, sai do controle e provoca incêndios florestais; (iv) embora a floresta eliminada possa se “regenerar”, a área desmatada nunca recupera sua riqueza biológica original.

Sob qualquer parâmetro social, econômico ou ecológico, a agricultura de roça e queima deve ser progressivamente transformada em uma das tantas opções de agricultura mais produtivas e estáveis como, diga-se de passagem, usaram os próprios indígenas amazônicos com a prática conhecida como “terra preta”, dentre outras. Para conservar as supostas virtudes das variedades cultivadas pelos quilombolas existem muitas formas de fazê-lo, sem continuar desmatando. Para isso se inventaram os bancos genéticos e a Embrapa, sem dúvida, sabe fazer isso com extraordinária competência. Também se alega que é agricultura orgânica. Tudo bem. No entanto, destruir árvores nativas centenárias, que suportam uma rica e diversificada fauna, para plantar milho e mandioca não é muito “orgânico” e, para ser orgânico, não se precisa abrir roças novas anualmente.

O caso do Vale do Ribeira em São Paulo

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MATA ATLÂNTICA: MPS DE 15 ESTADOS INICIAM OPERAÇÃO DE COMBATE AO DESMATAMENTO

No período de 2015 a 2016, a Bahia perdeu 12.288 ha conforme mapeamento da ONG SOS Mata Atlântica divulgado em maio de 2017. Nesse triste cenário de perda de biodiversidade (riqueza natural, econômica e cultural) foi constatado que a região sul da Bahia é campeã em desmatamento.

Unidades do Ministério Público de 15 estados brasileiros lançaram na manhã desta segunda-feira, 10, uma operação nacional com o objetivo de identificar desmatamentos em áreas de Mata Atlântica, punir os responsáveis e cobrar a reparação dos danos. A ‘Operação Nacional Mata Atlântica em Pé’, que conta com a participação de polícias ambientais e órgãos públicos da área, é realizada pelos MPs do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí e do Ceará.

Na Bahia, as ações começaram pela região de Porto Seguro e outras áreas do bioma serão contempladas ao longo da operação. Estão em campo equipes do MP baiano, servidores e promotores de Justiça, policiais da Companhia Independente de Polícia de Proteção Ambiental (CIPPA) e agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

O bioma da Mata Atlântica está presente em 17 estados brasileiros e cobre (em sua extensão original) cerca de 13% do território nacional, onde vivem aproximadamente 140 milhões de pessoas, que dependem das múltiplas funções ambientais da Mata Atlântica. Apesar disso, continuam ocorrendo desmatamentos em toda a sua extensão.

A iniciativa busca a proteção e a recuperação do bioma a partir da identificação das áreas degradadas nos últimos anos e dos responsáveis pelas agressões, para cobrar a reparação dos danos e outras medidas compensatórias. Com duração prevista para até a quarta-feira, 12 (exceto em Minas Gerais e no Ceará, onde as ações se estenderão por um dia a mais), os trabalhos de fiscalização serão conduzidos e coordenados por equipes formadas por representantes dos Ministérios Públicos e órgãos públicos ambientais de cada estado participante, a partir da organização e planejamento idealizados pelo Ministério Público do Estado do Paraná.

Os resultados da operação serão apresentados no início da tarde do dia 13.

Projetos como o Porto Sul e a Fiol, defendidos pelo Governo da Bahia, ameaçam remanescentes importantes da floresta litorânea brasileira no sul da Bahia.

A RESERVA DE ITACARÉ E O CAMINHO DA SUPERAÇÃO

Primos registram encontro com a Árvore Sagrada, o pequi verdadeiro de 550 anos da Reserva de Itacaré. Imagem: Cacilda Drummond.

Reportagem: Thiago Dias.

Em 1988, o ecólogo Norman Myers, pesquisador da Universidade Oxford, definiu o conceito ecológico de hotspot (ponto quente). Segundo ele, para um bioma merecer a alcunha deve atender dois requisitos: ter mais de 1.500 espécies endêmicas de flora (árvores, plantas) e ter perdido pelo menos ¾ da vegetação original.

O Brasil tem dois territórios com essa dualidade entre o esplendor da vida e o perigo da destruição total: a Mata Atlântica e o Cerrado. Estima-se que a Mata Atlântica tenha hoje apenas 7% da extensão que os portugueses começaram a explorar há quase 518 anos, quando ela ocupava mais de 1,3 milhão de km² da costa brasileira. A região sul da Bahia é um reduto desse bioma. Na última quinta-feira (30), o Blog do Gusmão percorreu trechos da Trilha Boa Paz, dentro da Reserva de Itacaré, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).

Ali é possível entender na prática o conceito cunhado por Myers. A entrada da reserva fica na altura do quilômetro 59 do trecho da BA-001 entre Ilhéus e o município de Itacaré. O Blog do Gusmão começou a viagem ainda no território ilheense. No início do caminho, a presença do homem se fez notar pelo processo acentuado de urbanização do litoral norte da cidade. À medida que avançamos, as áreas ocupadas diminuíram e a Mata Atlântica se mostrou mais conservada. Aquele percurso sintetizou a relação inversamente proporcional que cultivamos em sociedade até esse estágio da civilização humana: quanto mais gente, menos florestas.

Nesse foto, Paulo Ferreira aparece de boné ao lado de Vicent Cassel, Cécile Cassel e Kim. Na ocasião, o ator francês plantou uma muda de jacarandá na floresta.

Por isso, conforme os ambientalistas, para reverter essa relação, a proteção do meio ambiente exige a superação do nosso modo de habitar a Terra. Dentro dessa perspectiva, a presença do homem deve superar a si mesma, para deixar de ser um fator de destruição e assumir o papel de salvadora da vida. É nesse ponto que a educação ambiental é imprescindível. Ela é a porta de entrada para o caminho da superação. O administrador da Reserva de Itacaré, Paulo Ferreira, escolheu ser um dos guias da humanidade nesse longo percurso que temos pela frente. Faz isso como educador ambiental, ao receber os visitantes da reserva.

Durante a visita, percebemos como um processo pedagógico valioso pode ocorrer de maneira informal. O Blog do Gusmão teve a agradável companhia de amigos e familiares. Paulo Ferreira nos recebeu acompanhado por seu colaborador, Alialdo Francisco, de 40 anos, mais conhecido como Grauçá. Entre caminhadas por trilhas e outras atividades, como o passeio de caiaque, a dupla nos contou diversas histórias sobre as árvores e os bichos do lugar.

Pai e filho passeiam de caiaque no rio Jeribucaçu. Imagem: Júlia Drummond.

Aprendemos, por exemplo, que ouvimos melhor os seres da mata quando ficamos em silêncio. É um fato óbvio, mas, só na floresta ele pode ser apreendido de forma significativa, como uma lição marcada vivamente na memória. Num trecho do percurso, Paulo solicitou que o grupo fizesse o mínimo de barulho possível, inclusive com os passos sobre as folhas caídas. Estávamos em busca do capitão do mato, um pássaro ameaçado de extinção.

O capitão do mato é um dos habitantes mais famosos da reserva. Territorialista, o animal emite um canto potente quando nota a presença de invasores no seu território. Para localizá-lo, Ferreira enchia os pulmões e gritava: “Capitão!”. O silêncio foi importante para ouvirmos a resposta do pássaro, que não tardou. Um grito forte e agudo ecoou na mata. Era o dono do pedaço nos avisando que já vigiava a nossa presença.

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FOLHAS DAS AMENDOEIRAS: UM PROBLEMA SÉRIO PARA AS CIDADES

Folhas de amendoeiras. 

Segundo o superintendente Meio Ambiente de Ilhéus, Emílio Gusmão, as folhas das amendoeiras representam um problema muito sério para os sistemas de drenagem das cidades. Essa espécie, predominante em nossa cidade, possui sazonalidade foliar semidecidua, ou seja, segundo Harri Lorenzi, especialista em árvores brasileiras.  “Constitui um grupo predominantemente subtropical que perde parcialmente as folhas durante os períodos de frio e de seca prolongadas, que geralmente também ocorre no inverno; eventualmente perderão todas as folhas, porém ao longo de todo o ano”.

Segundo Gusmão, devemos plantar em Ilhéus espécies nativas da Mata Atlântica.

A amendoeira é uma espécie que tem uma sombra fantástica, muito agradável, mas não é recomendada para zona urbana. Por outro lado, ela é perfeita para a beira de praia.

Solução: erradicar, aos poucos, e plantar no lugar espécies nativas de mata atlântica com sazonalidade foliar decídua (perde as folhas durante uma estação do ano) ou perene (perde as folhas lentamente durante o ano).

COLABORE COM O NOVO MAPA DE ÁREAS DA MATA ATLÂNTICA

Iniciativa vai ajudar em futuras pesquisas.

As pessoas que têm algum vínculo empregatício com a Mata Atlântica, seja do setor público ou privado, podem colaborar com a construção do novo Mapa de Áreas e Ações Prioritárias do bioma.

A iniciativa do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) pretende atualizar o Mapa das Áreas e Ações Prioritárias, de 2008. Todas as organizações participantes terão os devidos créditos inseridos na pesquisa e no resultado final do projeto.

Para colaborar com o projeto, acesse o formulário do IPÊ.

REGIÃO DO DESCOBRIMENTO É A CAMPEÃ DE DESMATAMENTO, MOSTRA RELATÓRIO

Área de desmatamento em Santa Cruz Cabrália. Imagem: Diego Padgurschi/ Folhapress.

Área de desmatamento em Santa Cruz Cabrália. Imagem: Diego Padgurschi/ Folhapress.

Por Eduardo Geraque/publicado hoje na Folha de S. Paulo

O ciclo de destruição da floresta atlântica, que começou em 1500 por causa dos europeus, volta a ficar ativo na Bahia, revelam dados de um mapeamento florestal da ONG SOS Mata Atlântica e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Devido ao desmatamento no sul do Estado, a Bahia foi a campeã nacional de desmatamento da vegetação atlântica entre 2015 e 2016, segundo o atlas do desmatamento a que a Folha teve acesso.

No Estado, caíram 12.288 hectares de vegetação, um crescimento de 207% em relação à análise anterior, de 2014-2015. Três cidades do sul da Bahia -Santa Cruz de Cabrália, Belmonte e Porto Seguro- são responsáveis por metade desse total.

Bioma onde vivem 72% da população brasileira, a mata atlântica se estende, no Brasil, do Rio Grande do Sul ao Piauí.

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MG VOLTA A LIDERAR RANKING DE DESMATAMENTO DA MATA ATLÂNTICA

Atlas dos remanescentes florestais da Mata Atlântica. Fonte: SOS Mata Atlântica.

Atlas dos remanescentes florestais da Mata Atlântica. Fonte: SOS Mata Atlântica.

Do SOS Mata Atlântica

A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgam nesta quarta-feira (25) os novos dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, no período de 2014 a 2015, na semana em que se comemora o Dia Nacional da Mata Atlântica (27 de maio). A iniciativa tem o patrocínio de Bradesco Cartões e execução técnica da empresa de geotecnologia Arcplan.

O estudo aponta desmatamento de 18.433 hectares (ha), ou 184 Km², de remanescentes florestais nos 17 Estados da Mata Atlântica no período de 2014 a 2015, um aumento de apenas 1% em relação ao período anterior (2013-2014), que registrou 18.267 ha.

Minas Gerais, que vinha de dois anos de queda nos níveis de desmatamento, voltou a liderar o desmatamento no país, com decréscimo de 7.702 ha (alta de 37% na perda da floresta). A vice-liderança fica com a Bahia, com 3.997 ha desmatados, 14% a menos do que o período anterior. Já o Piauí, campeão de desmatamento entre 2013 e 2014, ocupa agora o terceiro lugar, após reduzir o desmatamento em 48%, caindo de 5.626 ha para 2.926 ha.

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CASAS IRREGULARES NO NORTE DE ILHÉUS SÃO DESOCUPADAS

Imagem: Blog do Gusmão.

Imagem: Blog do Gusmão.

Na última sexta-feira (19), a Justiça autorizou em decisão liminar a desocupação de construções no litoral norte de Ilhéus. Conforme apuramos, há 583 barracos e casas de alvenaria irregulares em três pontos entre o condomínio Joia do Atlântico e a Ponta da Tulha.

O governo baiano iniciou a desocupação nessa segunda-feira (21), com o apoio de 150 policiais militares, do Corpo de Bombeiros e SAMU, além de outros órgãos da administração estadual.

Quarenta dos mil e setecentos hectares que pertencem ao Estado estão ocupados de forma irregular. A mudança do projeto Porto Sul da região da Ponta da Tulha para a de Aritaguá atraiu diversos grupos para a área que havia sido desapropriada em benefício do complexo portuário.

O clima seco facilitou as ações das pessoas que usavam fogo para desmatar o local, que é considerado um dos pontos mais biodiversos do planeta devido à significativa presença de remanescentes da Mata Atlântica.

NUVENS TRAZEM ESPERANÇA CONTRA ONDA DE INCÊNDIOS EM ILHÉUS

Nuvens no céu de Ilhéus. Imagens: Acorda Meu Povo.

Nuvens no céu de Ilhéus. Imagens: Acorda Meu Povo.

Do blog Acorda Meu Povo!

O Sul da Bahia foi fortemente atingido pelo El Niño (O fenômeno “Menino Jesus”), barrando os ventos úmidos do litoral, e provocando uma estiagem, calor e sensação térmica aterrorizantes. Depois de mais de 100 dias sem chuva, nuvens finalmente conseguem penetrar o Sul da Bahia, mas a chuva ainda é escassa, e a previsão ainda é de continuidade da seca. Assim, o ponto mais úmido do litoral brasileiro vive um clima de Cerrado. Não conhecemos esse clima, pois a característica daqui é um céu com um corredor de nuvens carregadas contracenando com o brilho intenso do sol, e chuva sempre. 

A seca tornou mais fácil a tendencia da população de tocar fogo nos remanescentes de mata atlântica para ocupação imobiliária e ampliação de pastagens. Essa combinação de seca histórica e do terrorismo socioambiental resultou na maior onda de incêndios já vistos na região.  O convite da seca acabou provocando uma onda de incêndios sem precedentes no sul da Bahia, secando os rios Cachoeira, Colonia, Salgado, Almada e Santana, e levou a cidade vizinha de Itabuna a declarar “situação de emergência”. Estamos perplexos com a insistência do clima atípico, e os incêndios que abrem novas frentes de destruição permanente de mata rara e ameaçada da Hiléia Sul Baiana. 

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GOVERNO RUI COSTA FAZ POUCO CASO DOS INCÊNDIOS NO LITORAL NORTE DE ILHÉUS

Imagens: Blog do Gusmão.

Imagem: Blog do Gusmão.

O Sul da Bahia passa por um período de seca. O baixo nível dos rios e reservatórios pode causar colapso no abastecimento de água em Itabuna. Apesar desses problemas, as autoridades do governo do estado ainda não perceberam a gravidade do incêndio que acontece há 15 dias, em áreas conservadas de Mata Atlântica, no litoral norte de Ilhéus.

O Inema ainda não se posicionou e o secretário estadual de meio ambiente, Eugênio Spengler, adotou a “lei do menor esforço”.

Dois mil hectares de floresta e área considerável de restinga previstos para compor o Parque Estadual da Ponta da Tulha estão ameaçados.

Até o momento o governo só disponibilizou 25 bombeiros que com muito esforço tentam impedir o alastramento do fogo por toda a área.

Apesar da importante contribuição dada pelos bombeiros, são necessárias mais pessoas pois há focos de incêndio espalhados da Lagoa Encantada a Ponta da Tulha.

O combate também é feito por voluntários que, com recursos próprios decidiram enfrentar as chamas. Há pessoas abnegadas que estão ajudando, mas precisam de equipamentos e alimentação.

Os voluntários pedem que o governo do estado aumente o efetivo, acione a brigada anti-incêndio do Ibama que atua na reserva  ecológica de Una e  acelere os processos de reintegração de posse.

Há indícios de que invasores sejam responsáveis pelo fogo. Há suspeitas de que ainda estejam incendiando a mata. O objetivo é destruir para ocupar.

QUEIMADAS NA PONTA DA TULHA SÃO CRIMINOSAS

Imagens foram registradas no dia 9 de novembro, mas problema se agravou nos últimos 5 dias.

Imagens foram registradas no dia 9 de novembro, mas problema se agravou nos últimos 5 dias.

Informações que chegaram a este blog indicam que são criminosas as queimadas que ocorrem com mais intensidade há uma semana na Ponta da Tulha, litoral norte de Ilhéus. Pessoas incendeiam a vegetação para desmatar e invadir a área. Em alguns pontos, atearam fogo nos pés de grandes árvores de importantes remanescentes da Mata Atlântica. 

Casas construídas nas áreas desmatadas. Imagens: José Nazal.

Casas construídas nas áreas desmatadas. Imagens registradas em novembro por José Nazal.

A situação é grave. Há muitos focos de incêndio. As equipes que trabalham no combate ao fogo usaram imagens aéreas produzidas com a ajuda de um drone para identificar os pontos mais críticos. Apesar dos esforços do Corpo de Bombeiros local, provavelmente as ações precisarão ser reforçadas por outras companhias.

Conforme apuramos, as queimadas são uma represália criminosa pelas reintegrações de posse determinadas pela Justiça. As investigações deverão resultar na abertura de processos criminais contra os suspeitos.

Depois de desistir de construir o Porto Sul na Tulha e transferir o projeto para Aritaguá, o governo reservou aquela área para a criação do Parque Estadual da Ponta Tulha devido à sua relevância ecológica, com a presença de corais e remanescentes da Mata Atlântica em bom estado de conservação – leia mais sobre o assunto.

QUEIMADAS NA REGIÃO DA PONTA DA TULHA

Imagens: José Nazal.

Imagens: José Nazal.

O fotógrafo e escritor José Nazal publicou imagens de queimadas na Mata Atlântica do litoral norte de Ilhéus, entre o Joia do Atlântico e a Ponta da Tulha. O local virou um foco de invasões e ocupações desordenadas.

Um projeto prevê a transformação dessa área no Parque Estadual da Ponta da Tulha. O local tem remanescentes importantes da Mata Atlântica (em bom estado de conservação).

Imagens foram registradas no dia 9 de novembro, mas problema se agravou nos últimos dias.

Imagens foram registradas no dia 9 de novembro, mas problema se agravou nos últimos dias.

Nazal registrou as imagens acima no dia 9 de novembro, mas, escreveu hoje (3) no Facebook que o problema se agravou. “O pior está acontecendo há dois dias: incêndios na região da mata, indo em direção à Lagoa Encantada. O estado está tomando (tardiamente) providências para conter o problema. Do município não se tem notícias, nem mesmo se sabem”. 

“Tragédia anunciada”

Casas construídas nas áreas desmatadas.

Casas construídas nas áreas desmatadas.

Nazal disse que o ato criminoso já é investigado, no entanto, “poderia ter sido evitado. O governador Rui Costa sabia do problema, desde antes de assumir o cargo, o secretário [de meio ambiente] Eugênio Spengler, também. O prefeito Jabes Ribeiro, também. Pessoalmente falei com todos”.

“Dificilmente a região norte de Ilhéus será a mesma”, lamentou José Nazal ao cobrar atenção rigorosa do secretário de relações institucionais do Estado, Josias Gomes, para o caso.

Providências

Apuramos que o Ministério Público Estadual e o governo estadual trabalham para conter o avanço das invasões sobre a mata. Membros do MP se reuniram com representantes da Casa Civil e da Secretaria de Relações Institucionais do Estado para buscar soluções. A Justiça determinou a reintegração de posse de algumas áreas. A decisão foi cumprida. As queimadas podem ter sido uma represália dos invasores. 

As ações envolvem equipes da Companhia Independente de Polícia de Proteção Ambiental (CIPPA), do Inema e MP. As pessoas investigadas poderão responder a processos criminais. 

Efeito colateral

As invasões são um reflexo do projeto Porto Sul. A Ponta da Tulha foi o primeiro local escolhido para a construção do complexo. A presença dos recifes de corais e o bom estado de conservação da mata forçaram a mudança para a região de Aritaguá. 

A área foi desocupada e entregue ao Estado para a construção do porto. Como o projeto mudou de local, cresceu o interesse dos invasores no espaço destinado à criação do Parque Estadual da Ponta da Tulha.

ESTUDANTES DEBATEM IMPORTÂNCIA SOCIOAMBIENTAL DA CABRUCA

Alderacy  Júnior.

Imagem: Alderacy Júnior.

Na última terça (29), o Colégio da Polícia Militar “Rômulo Galvão” (CPM de Ilhéus) realizou um seminário com o tema: “Mata Cabruca e Sustentabilidade”. Mais de trezentos estudantes participaram da atividade no auditório da Faculdade de Ilhéus. O Capitão Eduardo Sfalsin, diretor ajunto do colégio, destacou a importância e a atualidade desse debate.

A professora de biologia Lidiney Campos, organizadora do seminário, esclareceu que a atividade integra a Mostra Cultural 2015, cujo tema é “A cultura do cacau”. A ideia foi inserir os jovens nessa discussão e na defesa de práticas sustentáveis, a partir do destaque para a interação entre a produção cacaueira e a Mata Atlântica no sul da Bahia.

Os alunos realizaram pesquisas e visitaram lugares como a sede da CEPLAC e a Fazenda Yrerê. Eles ainda vão visitar a Fazenda Riachuelo e a Reserva de Itacaré. “Esse tipo de dinâmica enriquece a bagagem cultural dos estudantes e desperta para a tomada da atitude sustentável”, afirmou a professora Lidiney.

MATA EM RECUPERAÇÃO

Imagem: Sul Bahia News.

Imagem: Sul Bahia News.

Do jornal Folha de S. Paulo

Após dois anos de aumento preocupante, a destruição da mata atlântica retomou trajetória de queda. As áreas derrubadas somaram 183 km² em 2014, uma retração de 24% sobre o ano anterior.

Desde os anos 1980, as taxas de devastação vinham recuando, de mais de mil km² anuais para 140 km² (2011). Nos dois períodos seguintes, o monitoramento pela organização não governamental SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais apontou reveses para a combalida floresta: a taxa saltou para 220 km² (2012) e 240 km² (2013).

Com a diminuição medida no ano passado, renova-se a expectativa de um destino mais auspicioso para o ecossistema em cujo domínio vivem 72% da população brasileira, ora reduzido a 12,5% da área original de 1,3 milhão de km². Há indicações convincentes de que o prognóstico esteja correto.

A maioria (nove) dos 17 Estados abrangidos pela mata atlântica apresentou desmatamento inferior a 1 km² em 2014. Em termos práticos, o feito corresponde à almejada taxa zero de destruição.

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OCEANÓGRAFO DA UESC FALA SOBRE OS EFEITOS DO AQUECIMENTO GLOBAL EM ILHÉUS

Mar avançará ainda mais sobre as casas do bairro São Miguel, em Ilhéus. Imagem: José Nazal.

De acordo com Gil Reuss, o mar avançará ainda mais sobre as casas do bairro São Miguel. Imagem: José Nazal.

Blog do Gusmão com exclusividade.

As crises climáticas preocupam povos de várias nações. Segundo o Projeto de Realidade Climática, iniciativa internacional criada pelo ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, 99,99% da comunidade científica de todo o mundo, ligada ao estudo do tema, admite a elevação da temperatura da Terra como fenômeno anormal. A causa está na emissão, cada vez mais descontrolada, de gases provenientes de combustíveis fósseis.

Em 2014, São Paulo registrou o mês de janeiro mais quente da história. A temperatura máxima atingiu 31,9ºC, e a média 25ºC. No passado, os paulistas quase que dizimaram a Mata Atlântica. No presente, secas ocorridas na Região Norte (cuja raiz do problema está no desmatamento da Floresta Amazônica) diminuem a evaporação da água, impedindo que nuvens carregadas de chuvas cheguem ao principal centro financeiro do país.  Resultado: o Sistema Cantareira, uma das bacias hidrográficas responsáveis pelo abastecimento de água da “pauliceia”, desceu ao menor nível dos últimos 10 anos.

Mas, aqui entre nós, o que Ilhéus tem a ver com isso?

O território ilheense tem aproximadamente 80 km de costa litorânea. Parte é composta por terras costeiras de baixa elevação. Com o crescimento do nível do mar (entre um e dois metros até 2100) inundações ocorrerão em áreas próximas do oceano Atlântico, ou, de rios da nossa bacia hidrográfica. Populações de baixa renda e até condomínios de classe média serão afetados. A costa nordeste do Brasil é especialmente vulnerável e Ilhéus – assim como os demais municípios da Costa do Cacau – terá muitas de suas praias erodidas.

O oceanógrafo Gil Reuss, professor da UESC, é um pesquisador atento a essas previsões. Nessa entrevista ao Blog do Gusmão, ele aponta caminhos para o mundo se livrar das crises climáticas, prevê cenários nada otimistas para Ilhéus e fala sobre os pouquíssimos céticos da comunidade científica que insistem em discordar da tese do aquecimento global.

No final da entrevista, publicamos um vídeo criado por Pedro Spanghero e Tássio Moreira (estudantes de Geografia da UESC) que mostra a perspectiva de um cenário drástico para Ilhéus em 2100.

Vale a pena conferir. Pela primeira vez um veículo de comunicação do eixo Ilhéus-Itabuna discute os prováveis efeitos locais das mudanças climáticas.

Imagens aéreas gentilmente cedidas pelo fotógrafo e especialista em Ilhéus José Nazal.

BLOG DO GUSMÃO – Professor Gil Reuss, hoje a comunidade científica ligada ao clima e ao estudo dos oceanos fala de uma nova realidade climática até 2010. De onde vem esse alerta?

Gil Reuss – Existem dois motores para as alterações climáticas. Um é o sol, que traz o calor para a terra. Desde que se tem registro, o sol funciona como um relógio. A atividade solar tem um ciclo de cerca de onze anos. Esse ciclo tem ocorrido, mais ou menos, de forma regular.

Porém, existe outro fator que influencia o clima: a composição da atmosfera. O clima na terra depende da energia emitida pelo sol, mas, também tem relação com a composição da atmosfera. É essa composição atmosférica que está sendo alterada pela ação humana. Com a queima de combustíveis fósseis, o homem conseguiu alterar essa composição e fez com que o aumento de gases responsáveis pelo efeito estufa chegasse a causar um aumento da temperatura média na atmosfera. Junto a isso, temos percebido o aumento de fenômenos extremos, de seca, de chuva, de tempestades tropicais, que ocorrem de forma aleatória, pelo menos, no nosso entendimento até agora.

BLOG DO GUSMÃO – A seca em São Paulo, na Cantareira, é um exemplo?

A seca em São Paulo, pelo que tem sido colocado pela comunidade científica, tem relação muito forte com o desmatamento na Amazônia. Existe um projeto antigo chamado “rios flutuantes”, do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia). Ele consiste em medir a umidade de locais específicos da Amazônia e também na atmosfera com aparelhos transportados por aviões. Com isso, os pesquisadores perceberam que havia uma quantidade muito grande de umidade vinda da evapotranspiração natural da Amazônia. Essa evapotranspiração é levada por ventos (a grandes altitudes) na direção sul, diretamente para a região sudeste do Brasil. Esses ventos continuam ocorrendo, só que a evapotranspiração na Amazônia diminuiu muito. Com isso, esse vento tem chegado seco lá em São Paulo. Os últimos anos registraram uma progressiva diminuição da umidade e da pluviosidade dessa região. Portanto, há forte possibilidade de haver conexão entre esses fenômenos.

SONY DSCA Barra tem grande probabilidade de ser invadida pelo mar, inclusive já existe problema de erosão praial ali e é possível que isso seja agravado.

BLOG DO GUSMÃO – Segundo o IPCC, se continuarmos emitindo CO2 na quantidade atual a temperatura da terra pode aumentar até 5,8 graus. Isso é verdade?

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