Max Ranieri apostou na venda de cervejas artesanais. Imagem: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

Max Ranieri apostou na venda de cervejas artesanais. Imagem: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

Reportagem: Thiago Dias

Há mais ou menos três anos, em Belo Horizonte, o supervisor de vendas Max Ranieri descobriu a cerveja artesanal. A experiência transformou radicalmente a sua relação com essa bebida. Naquela viagem a trabalho, o mineiro de coração ilheense aprendeu que a cultura cervejeira vai muito além do que é oferecido pelas grandes indústrias. “Eu não sabia que a cerveja artesanal tinha essa variedade de estilos e sabores”.

Hoje, refere-se a si mesmo como um “apaixonado” por cervejas artesanais. Quando um problema de saúde o afastou do trabalho na empresa de telecomunicação, decidiu abrir a loja de conveniência que mantém na zona sul de Ilhéus, no posto de combustíveis Mar Azul, próximo à cabeceira do Aeroporto Jorge Amado.

A “paixão” de Max fez do empreendimento uma aposta na venda de cervejas artesanais de várias partes do mundo. Para ficarmos no território baiano, o seu mapa de fornecedores inclui cervejeiros de: Ilhéus, Uruçuca, Itabuna, Itapetinga, Porto Seguro e Salvador. Segundo o comerciante, apesar da crise econômica, esse setor do mercado de bebidas mantém crescimento anual de “dois dígitos”.

A “variedade de estilos e sabores” abriu espaço para a figura do beer sommelier, especialista em cervejas, variação do profissional consagrado no mundo dos vinhos. Assim como o vinho, a cerveja pode ter o seu sabor harmonizado com o dos alimentos. As combinações variam da cozinha popular à alta gastronomia.

Na última terça-feira (8), Max abriu a sua loja para o Blog do Gusmão e apontou o atalho para aprendermos a saborear uma boa cerveja. “O primeiro passo é sair da comercial e entrar numa cerveja que a gente chama de ‘puro malte'”, explicou. Segundo ele, a cerveja puro malte é mais saudável, pois tem apenas três ingredientes: “água, malte e lúpulo”. “Não tem nenhum tipo de conservante”.

De modo geral, escuta-se muita reclamação sobre a qualidade do atendimento em parte do comércio de Ilhéus. Quem já foi atendido por Max percebeu que essa fama negativa passa longe da sua loja. Atrás do balcão ou diante dos freezers, está sempre pronto para esclarecer as dúvidas dos clientes, especialmente daqueles que ainda não conhecem o universo das cervejas artesanais.

O aroma característico pode causar estranhamento nos primeiros goles dos iniciantes. Isso porque o nosso paladar está acostumado com as cervejas das grandes marcas, que não estimulam o olfato. “Cada tipo de lúpulo gera um aroma diferente, que influencia no sabor”, disse Max. A Mirahya, com o seu gosto “mais leve e frutado”, combina muito bem com peixes e mariscos.

Apontando a taça na sua mão esquerda, Max destacou a presença do “mosto” que fica decantado nas embalagens das cervejas não filtradas. Antes do consumo, esse tipo de cerveja deve ser movimentado levemente dentro da própria embalagem. Assim, o líquido reincorpora o material acumulado no fundo da garrafa ou da lata em que fora armazenado. O procedimento é fundamental para a degustação.

Há três semanas, antes da conversa para essa matéria, perguntamos a Max sobre a cerveja 1910, da cervejaria itabunense Três Barcaças. Desenvolvida por Calleb Oliveira, a receita leva nibs de amêndoas de cacau. O nome é a data da emancipação política de Itabuna. Fabricada apenas duas vezes por ano, não dura muito tempo nos freezers do sul da Bahia. Nessa sexta-feira (11), a sua última remessa de 2017 chegou na Conveniência Pontal Mar Azul. Como o Blog do Gusmão já havia feito uma reserva, o apóstolo do malte nos deu a boa nova via WhatsApp: “Chegou a cerveja que você queria”.