Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 36 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.
O racismo é antes de tudo um ato de ignorância. Reagir ao racismo e ao preconceito é, por sua vez, uma ato de dignidade.
O jogador brasileiro Roberto Carlos abandonou o campo quando torcedores do clube russo Krylia Sovetov, aonde joga, atiraram uma banana no jogador, durante uma partida, ontem (quarta-feira, 22).
“Estou indignado pelo asqueroso comportamento do torcedor que através de sua ação não só me insultou, mas também a todos os jogadores no campo e, como se fosse pouco, todo o futebol russo”, disse Roberto Carlos.
A atitude de Roberto Carlos é uma resposta à ignorância do ato e, por isso mesmo, é perfeitamente compreensiva e justificável.
Tivesse a partida sido realizada no Recôncavo Baiano, o racista russo correria o risco de ter que comer a banana por outras vias.
Herzen Gusmão é radialista em Vitória da Conquista, líder de aúdiência. Em 2008 foi candidato a prefeito, quando obteve excelente votação.
No dia 17 deste mês, Herzen cometeu um escorregão, falou uma besteira no microfone ao comentar o rapto de uma criança humilde e afrodescendente. Inadvertidamente, ele deixou o seu subconsciente pronunciar: raptar uma criança negra pra quê?