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:: ‘reportagem de Thiago Dias’

PARA TAXISTAS DE ILHÉUS, UBER E MOTOTÁXI DEVEM SER TRATADOS COMO CLANDESTINOS

Após anúncio da chegada do Uber em Ilhéus, taxistas se organizam para enfrentar o novo concorrente.

Após anúncio da iminente chegada do Uber a Ilhéus, taxistas se mobilizam para enfrentar o novo concorrente.

Reportagem: Thiago Dias.

A origem da profissão de taxista remete à invenção do hodômetro. Segundo a coluna Oráculo, da revista Super Interessante, esse aparelho foi o precursor do taxímetro. Na Roma Antiga, era usado para medir as distâncias percorridas pelos donos de carruagens que prestavam serviço semelhante ao dos taxistas do nosso tempo. Já os primeiros táxis automotivos surgiram na Alemanha, no fim do século XIX.

É essa a tradição que taxistas costumam evocar para defender a primazia do seu trabalho diante de concorrentes contemporâneos, como o Uber, o mototáxi e o chamado táxi-lotação.

No último dia 25, segunda-feira, taxistas de Ilhéus realizaram um ato contra a iminente chegada do Uber na cidade. Nos dias que se seguiram ao protesto, o Blog do Gusmão conversou com três profissionais da categoria. Todos preferiram ter a identidade mantida em sigilo.

Dois deles exercem a profissão “há mais de trinta anos”, como disseram. Ao longo dessas décadas, atravessaram bons momentos que ficaram num passado distante. Conversávamos sob o sol das 11 horas da manhã, na praça de táxi de uma das áreas mais movimentadas da cidade. Naquela terça-feira (26), depois de quase cinco horas de prontidão na fila com os colegas, cada um dos três taxistas havia feito apenas uma corrida.

“Os passageiros não sumiram, o problema é a concorrência desleal”, concluiu um dos taxistas, antes de apontar para os mototaxistas que estavam perto da gente. Quando perguntamos o que achavam do Uber, o mesmo profissional qualificou os concorrentes do aplicativo com um xingamento. “Posso ser sincero? Pra mim isso é um bando de vagabundos!”.

Segundo ele, é uma obrigação da Prefeitura de Ilhéus tratar o Uber com o mesmo tratamento dado ao táxi-lotação, que funciona de modo clandestino na cidade. Os taxistas ouvidos pelo blog também não aceitam que o município regulamente essa modalidade de transporte.

O presidente do Sindicato dos Taxistas de Ilhéus e ex-presidente da Câmara de Vereadores, Jailson Nascimento, também não quer ver o Uber nem pitado de ouro. Ele falou sobre o assunto no último dia 25, entrevistado pelo radialista Vila Nova no programa O Tabuleiro (Ilhéus FM). Na oportunidade, Jailson se confundiu ao dizer que o aplicativo é uma invenção inglesa. Na verdade, a empresa é dos Estados Unidos.

O Uber “é um aplicativo que vem para prejudicar diretamente o taxista”, opinou Jailson Nascimento. “Encontraram um meio de ganhar dinheiro, sem ter nenhuma responsabilidade, nenhuma preocupação com encargos e regulamentação”.

O algoritmo de preços do Uber calcula o valor de uma corrida com base na relação entre oferta e demanda. A empresa chama o mecanismo de “preço dinâmico”. Para Nascimento, esse sistema esconde uma ameaça. “Não tem regulação de mercado. Eles decidem o preço que vão cobrar. Então, na hora em que eles acabarem com os táxis do Brasil, aí a população vai sentir, porque não tem quem regule, quem diga o valor a ser cobrado”.

O cenário imaginado por Jailson nos faz pensar no Uber como um player (ator social) que joga com as regras do capitalismo contemporâneo, sob a inspiração do liberalismo econômico, como um legítimo filho do Vale do Silício, um negócio da “borda do mundo e de toda a civilização ocidental”. Em funcionamento desde 2010 e controlado a partir de São Francisco, na Califórnia, o aplicativo ultrapassou neste ano a marca de um bilhão de usuários no planeta. O Brasil tem 13 milhões de pessoas cadastradas. Segundo a Prefeitura de São Paulo, a capital paulistana já tem mais motoristas de Uber e de outros aplicativos, como o Cabify, do que taxistas.

Queiram os taxistas ou não, as mudanças dos serviços de transporte os desafiam. A diferença de preço – até 50% mais barato na concorrência – pesa muito contra o eles. Pelo menos enquanto o contexto especulado por Jailson Nascimento não se concretizar, a realidade exige uma transformação na dinâmica de trabalho dessa categoria tradicional. Em algumas cidades brasileiras, como Salvador, os táxis também passaram a usar aplicativos de comunicação com a rede de clientes cadastrados.

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DO RÁDIO À LITERATURA ENGAJADA: UM PERFIL DE WALDENY ANDRADE

O radialista e escritor Waldeny Andrade. Imagem: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

O radialista e escritor Waldeny Andrade. Imagem: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

Reportagem: Thiago Dias.

Waldeny Andrade lançou ontem (27) o seu terceiro livro, Serra do Padeiro – A Saga dos Tupinambás. Antes do lançamento realizado na Academia de Letras de Ilhéus, o Blog do Gusmão conversou com o autor, cujo percurso como radialista atravessa a história da comunicação no sul da Bahia na segunda metade do século XX.

Waldeny nasceu no dia 1º de novembro de 1935, no município de Boa Nova, perto de Poções, mas cresceu no sul do estado.  “Assim que nasci, minha família se mudou para Ipiaú, onde passei toda a infância”.

Corria o ano de 1957. A riqueza do cacau ainda era pujante, e Ilhéus, um paraíso para um jovem de 22 anos. Waldeny já sabia o que procurava quando chegou na cidade. Bateu na porta da Rádio Cultura de Ilhéus e, após um teste, ganhou um contrato como aprendiz.

“A Rádio Cultura de Ilhéus foi a primeira emissora da região. Naquela altura, ainda era a única, só depois veio a Rádio Clube de Itabuna”, nos contou o radialista aposentado, com a voz grave que certamente fez diferença na prova de admissão.

Ao longo da carreira, passou “por todas as funções do radiojornalismo, exceto a cobertura esportiva”, disse. Deixou a emissora em 1969 e transferiu-se para a Rádio Jornal de Itabuna, onde atuou até a aposentadoria, em 1998. Também trabalhou com o jornalismo impresso no Diário de Itabuna.  

Antes de se mudar definitivamente para a cidade vizinha, enveredou-se na política de Ilhéus. Nas eleições municipais de 1967, elegeu-se vereador. Como sugere o tema do seu último livro, Waldeny Andrade não foge dos debates mais espinhosos. A coragem do radialista, contudo, não era uma virtude para o regime militar, que cassou o seu mandato.

Sob a influência da Guerra Fria, a propaganda da ditadura estimulava uma espécie de paranoia social contra a “ameaça comunista”. Waldeny não era do Partido Comunista Brasileiro nem defendia a revolução proletária. Ainda assim, o Comando Militar de Ilhéus o tratou como “comunista e subversivo”, em razão dos seus pronunciamentos na Câmara e no rádio.

A Polícia Federal chegou a detê-lo para interrogatório. “Me deram uma noite de chá de cadeira”. Ele associa o episódio ao militar que vivia na sua cola na época, “um certo Coronel Beltrão”, citado no seu primeiro livro, Vidas Cruzadas (2013).

O segundo romance do autor se chama Ilha de Aramys (2015) . A obra traz uma característica presente também nas outras duas: o estilo da escrita conduz o leitor por enredos que misturam memórias e ficção. O cenário evocado no título mais recente – Serra do Padeiro – faz parte do território sagrado para o povo tupinambá do sul da Bahia, que se estende por 47 mil hectares entre os municípios de Una, Buerarema e Ilhéus. Os índios exigem a demarcação da terra com base no direito dos povos originários, reconhecido pelo Estado na Constituição Federal de 1988.

O livro de Waldeny defende a causa indígena. Na conversa dessa quarta-feira, perguntamos por que ele decidiu escrever um romance a partir do tema. Respondeu que a inspiração surgiu de uma memória da época de repórter. Na década de 1980, ele cobriu os conflitos que envolveram os pataxós hã hã hães. No município de Pau Brasil, um episódio o impressionou. “Eu vi cerca de mil índios expulsos das suas terras, tangidos como se fossem animais para a Estação Experimental de Uruçuca”. Para o escritor, aquela imagem representa a condição da maior parte dos índios do Brasil, o que também vale para os tupinambás, porque “os invasores não aceitam a demarcação. Eles querem a terra a qualquer custo”.

Ele sabe que o seu posicionamento desafia o ódio da pessoas que negam a identidade dos tupinambás, muitas vezes chamados de “falsos índios” em pleno século XXI. No entanto, assim como durante a ditadura, demonstra a mesma disposição para defender as ideias em que acredita. Prova disso está na epígrafe de Serra do Padeiro, uma frase do escritor Monteiro Lobato. “Há dois modos de escrever: um é escrever com a ideia de não desagradar ou chocar alguém […], outro modo é dizer com desassombro e coragem o que pensa, dê onde der, haja o que houver: cadeia, forca, exílio”.

O livro Serra do Padeiro – A Saga dos Tupinambás custa quarenta reais e pode ser comprado no site da editora Via Litterarum.

TESOUROS DO NOSSA SENHORA DAS VITÓRIAS

Ademir Melo e alunas tocam clássico da música cubana, Quizás, Quizás, Quizás. Imagens: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

Ademir Melo e alunas tocam clássico da música cubana: Quizás, Quizás, Quizás.

Reportagem: Thiago Dias

Sentado diante de duas alunas que tocavam flautas, Ademir Melo acompanhava o som com um violão. A canção era a famosa Quizás, Quizás, Quizás, do cubano Osvaldo Ferrés. Cenas como essa se repetem toda vez que o antigo aluno volta à Associação Centro Educacional de Ação Integrada (ACEAI), onde assumiu, em 2010, o papel de professor de música.

O centro é um oásis de oportunidades no bairro Nossa Senhora das Vitórias, na zona sul de Ilhéus. Quando chegou à instituição, Ademir tinha nove anos. Com a própria dedicação e as lições dos professores, desenvolveu o seu potencial para tocar instrumentos musicais. O apoio da entidade também valeu uma bolsa no Conservatório Musical Schumann, que lhe abriu as portas para a profissionalização. Hoje se mantém como instrutor de música, enquanto avança na graduação em direito. Está no sétimo semestre do curso.

A história de Elane Cage tem um roteiro parecido. Também envolve uma arte. A elegância da sua postura ereta, característica da disciplina que as bailarinas impõem ao próprio corpo, sintetiza o percurso de uma vida dedicada à dança. Era uma menina quando começou a frequentar as aulas de balé da professora Antônia Correia na ACEAI, há mais de vinte anos.

Depois, aproveitou uma bolsa para desenvolver as suas habilidades na antiga Escola de Dança Carolina Câmara, cujo nome atual é Núcleo da Dança. A segunda etapa da sua formação se deu sob a tutela da bailarina Isabela Kruschewsky. Com os novos conhecimentos, passou a promover oficinas para os alunos da ACEAI, onde hoje atua como professora e coordenadora do projeto Viver no Amor. Além de concluir o concurso técnico de dança na A-rrisca, companhia renomada de Ilhéus, graduou-se em serviço social.

A professora Elane Cage e uma das suas turmas de balé.

A professora Elane Cage e uma das turmas de balé do projeto Viver no Amor, da ACEAI.

Elane e Ademir conversaram com o Blog do Gusmão na última terça-feira (29), durante a nossa visita à associação. Apesar de breves, os encontros revelaram que os dois professores são provas vivas da importância da ACEAI para o Nossa Senhora das Vitórias. Para usar uma expressão que aprendemos durante a reportagem, eles são “tesouros do bairro”, joias esculpidas pelo legado das Irmãs Missionárias da Santíssima Trindade, fundadoras do centro.

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DO MILHO AO MALTE: UM APÓSTOLO DA CERVEJA ARTESANAL EM ILHÉUS

Max Ranieri apostou na venda de cervejas artesanais. Imagem: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

Max Ranieri apostou na venda de cervejas artesanais. Imagem: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

Reportagem: Thiago Dias

Há mais ou menos três anos, em Belo Horizonte, o supervisor de vendas Max Ranieri descobriu a cerveja artesanal. A experiência transformou radicalmente a sua relação com essa bebida. Naquela viagem a trabalho, o mineiro de coração ilheense aprendeu que a cultura cervejeira vai muito além do que é oferecido pelas grandes indústrias. “Eu não sabia que a cerveja artesanal tinha essa variedade de estilos e sabores”.

Hoje, refere-se a si mesmo como um “apaixonado” por cervejas artesanais. Quando um problema de saúde o afastou do trabalho na empresa de telecomunicação, decidiu abrir a loja de conveniência que mantém na zona sul de Ilhéus, no posto de combustíveis Mar Azul, próximo à cabeceira do Aeroporto Jorge Amado.

A “paixão” de Max fez do empreendimento uma aposta na venda de cervejas artesanais de várias partes do mundo. Para ficarmos no território baiano, o seu mapa de fornecedores inclui cervejeiros de: Ilhéus, Uruçuca, Itabuna, Itapetinga, Porto Seguro e Salvador. Segundo o comerciante, apesar da crise econômica, esse setor do mercado de bebidas mantém crescimento anual de “dois dígitos”.

A “variedade de estilos e sabores” abriu espaço para a figura do beer sommelier, especialista em cervejas, variação do profissional consagrado no mundo dos vinhos. Assim como o vinho, a cerveja pode ter o seu sabor harmonizado com o dos alimentos. As combinações variam da cozinha popular à alta gastronomia.

Na última terça-feira (8), Max abriu a sua loja para o Blog do Gusmão e apontou o atalho para aprendermos a saborear uma boa cerveja. “O primeiro passo é sair da comercial e entrar numa cerveja que a gente chama de ‘puro malte'”, explicou. Segundo ele, a cerveja puro malte é mais saudável, pois tem apenas três ingredientes: “água, malte e lúpulo”. “Não tem nenhum tipo de conservante”.

De modo geral, escuta-se muita reclamação sobre a qualidade do atendimento em parte do comércio de Ilhéus. Quem já foi atendido por Max percebeu que essa fama negativa passa longe da sua loja. Atrás do balcão ou diante dos freezers, está sempre pronto para esclarecer as dúvidas dos clientes, especialmente daqueles que ainda não conhecem o universo das cervejas artesanais.

O aroma característico pode causar estranhamento nos primeiros goles dos iniciantes. Isso porque o nosso paladar está acostumado com as cervejas das grandes marcas, que não estimulam o olfato. “Cada tipo de lúpulo gera um aroma diferente, que influencia no sabor”, disse Max. A Mirahya, com o seu gosto “mais leve e frutado”, combina muito bem com peixes e mariscos.

Apontando a taça na sua mão esquerda, Max destacou a presença do “mosto” que fica decantado nas embalagens das cervejas não filtradas. Antes do consumo, esse tipo de cerveja deve ser movimentado levemente dentro da própria embalagem. Assim, o líquido reincorpora o material acumulado no fundo da garrafa ou da lata em que fora armazenado. O procedimento é fundamental para a degustação.

Há três semanas, antes da conversa para essa matéria, perguntamos a Max sobre a cerveja 1910, da cervejaria itabunense Três Barcaças. Desenvolvida por Calleb Oliveira, a receita leva nibs de amêndoas de cacau. O nome é a data da emancipação política de Itabuna. Fabricada apenas duas vezes por ano, não dura muito tempo nos freezers do sul da Bahia. Nessa sexta-feira (11), a sua última remessa de 2017 chegou na Conveniência Pontal Mar Azul. Como o Blog do Gusmão já havia feito uma reserva, o apóstolo do malte nos deu a boa nova via WhatsApp: “Chegou a cerveja que você queria”.

RETRATO DE UM TRABALHADOR DE ILHÉUS

Seu Antônio deu entrada no Hospital Regional com falta de ar, mas se recupera bem.

Seu Antônio deu entrada no Hospital Regional com falta de ar, mas se recupera bem.

Nos últimos meses, o estômago de Seu Antônio sentiu os efeitos dos longos intervalos entre as refeições, hábito que as circunstâncias da vida lhe impuseram. “Uma gastura, meu filho”, assim resumiu a sensação ruim que o fez trocar o café por Nescau no desjejum. Manteve o pão com manteiga. Ele demora de comer porque trabalha muito. Recolhe latas para reciclagem. O trabalho complementa a aposentadoria, e o coloca na ponta do esforço ecológico que reduz o consumo de matéria-prima original.

O Capitão Planeta, herói de um desenho animado, tem superpoderes para combater as ameaças à vida na Terra. A missão diária de Seu Antônio tem o mesmo sentido. No entanto, o heroísmo do homem de setenta anos não tem magia. O tempo cobra os limites do corpo. Na última sexta-feira (16), sentiu “uma falta de ar”, como explicou, e deu entrada no Hospital Geral Luiz Viana Filho. Recupera-se bem, mas continua internado.

Nosso herói vive com a sobrinha e as duas filhas dela. Pelo menos cinco vezes por semana, deixa o Teotônio Vilela, bairro onde mora, para catar latas no Centro de Ilhéus. Frequenta shows com a constância que faria inveja a qualquer boêmio. Mas não vai para se divertir. A presença de catadores em festas produz o seguinte raciocínio no público mais criativo. “Se uma pessoa vai catar, não é preciso jogar a lata na lixeira”. Não nos cabe julgar o mérito desse silogismo. Contentamo-nos com a imagem de um mar de latinhas num gramado qualquer em Ilhéus. Antônio está nele, curvado sob o próprio peso, que se soma aos dos dois sacos de lata com os quais nos acostumamos a vê-lo.

É necessário catar muitas latinhas para transformá-las em dinheiro. Aqui também não há magia. O preço do quilo tem variado entre três reais e três e vinte. Por isso Seu Antônio não gosta de perder festa nem debaixo de chuva. Foi assim num show recente de Bel Marques e Solange na Avenida Soares Lopes. Encontramo-nos na manhã seguinte. Ele estava resfriado.

Há uma tentação intuitiva em associar o resfriado, que se prolongou, à sua falta de ar. Mesmo porque ele já havia reclamado do desconforto no sistema respiratório. É do tipo que responde com sinceridade quando perguntam se está tudo bem. No hospital, ficou feliz ao saber que as pessoas com quem convive no Centro queriam informações sobre o seu estado de saúde. Talvez Antônio José Santana não goste de descobrir que esta reportagem do Blog do Gusmão informa o apelido que o desagrada – Sorriso -, citado aqui apenas porque pouca gente da cidade o conhece pelo nome.

Atualizado às 16h08min (22 de junho de 2017).

Seu Antônio faleceu ontem à noite, poucas horas depois da publicação da matéria acima – veja aqui.

MAIORIA DOS ALUNOS DO COLÉGIO PADRE LUIZ PALMEIRA PERDE ENSINO INTEGRAL

Colégio vai ser demolido para dar lugar às vias de acesso da nova ponte. Imagens: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

Colégio vai ser demolido para dar lugar às vias de acesso da nova ponte. Imagens: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

O congestionamento da Avenida Getúlio Vargas faz parte do cotidiano de Ilhéus. Ele ajuda a entender por que a população espera tanto pela nova ponte entre o Pontal e o Centro. Para construir as vias de acesso ao novo elo, o Governo da Bahia vai demolir residências e um colégio estadual fundado em 1964, o Padre Luiz Palmeira.

Muitas pessoas ouvidas por este blog concordam que a construção da ponte vai beneficiar grande parte da população de Ilhéus e de municípios vizinhos. Compreendem sacrifícios como a demolição de casas e da escola. Contudo, criticam a forma como o governo estadual conduz o processo de desapropriação. Cobram esclarecimentos sobre os prazos das etapas da obra, a definição das residências que serão demolidas e o valor das indenizações.

Até 2016, o Luiz Palmeira era o único colégio público da cidade com educação integral. Conforme dados da secretaria da escola, 260 estudantes fizeram o último ano letivo lá. Com a extinção da unidade, aproximadamente 200 deles perderam as aulas em tempo integral. Não foram todos porque a turma aprovada para o primeiro ano do Ensino Médio poderá estudar nas escolas estaduais que passarão a ofertar essa modalidade de ensino a partir do ano letivo de 2017.

Por outro lado, as novas vagas em tempo integral dos colégios estaduais Luís Eduardo Magalhães, Fabio Araripe Goulart e Antônio Sá Pereira não contemplarão o segundo e o terceiro anos do Ensino Médio, assim como as turmas do Ensino Fundamental II. O governo pretende continuar a ampliação da modalidade no ano que vem. Isso, no entanto, não compensará o prejuízo dos estudantes do Colégio Padre Luiz Palmeira.

De cima para baixo

A professora Eliane Camargo é diretora do Colégio Padre Luiz Palmeira desde 2007.

A professora Eliane Camargo é diretora do Colégio Padre Luiz Palmeira desde 2007.

Corria o ano de 2012 quando Alberico Lemos Camargo Neto pediu à sua mãe, Eliane Camargo, para estudar no Colégio Padre Luiz Palmeira. Ele gostou da oficina de música que fez na escola. A atividade fazia parte do Mais Educação, programa do Governo da Bahia. Frequentava as aulas de arte enquanto esperava Eliane, que dirige o colégio pontalense há nove anos e nove meses. Na última sexta-feira (27), em conversa com o Blog do Gusmão, a diretora ficou visivelmente emocionada ao se dar conta de que a extinção da escola provavelmente será oficializada antes de abril, mês em que completaria uma década no cargo. Além das incertezas sobre o destino dos estudantes do Luiz Palmeira, ela ainda não sabe onde o próprio filho vai estudar.

“Terminamos o ano letivo sem a confirmação da extinção” do colégio, afirmou Eliane Camargo, ao lembrar que os estudantes renovaram as suas matrículas em dezembro de 2016.

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GOVERNO JABES AMEAÇA EXPULSAR PEQUENOS COMERCIANTES DA ZONA SUL

Arnaldo, sob o olhar da filha, diante da bicicletaria. Imagens: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

Arnaldo, sob o olhar da filha, diante da bicicletaria. Imagens: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

Reportagem exclusiva do Blog do Gusmão.

Antes de se levantar para receber o Blog do Gusmão na tarde de quarta-feira (27), Arnaldo Soares Alves estava curvado diante de um pneu de bicicleta. A cena se repete há vinte anos na bicicletaria da Rua Boa Vista, perto da Central de Abastecimento do Hernani Sá. Ele é um dos prestadores de serviços que temem ser despejados pela Prefeitura de Ilhéus.

Segundo Arnaldo, no dia 26 de novembro de 2014 o governo Jabes Ribeiro conduziu reunião sobre o destino das pessoas que comercializam produtos ou prestam serviços dentro e perto da Central. O dono da bicicletaria foi um dos três escolhidos para representar os empreendedores, no entanto, conta que ele e os outros representantes foram impedidos de entrar no local da reunião. A comissão da prefeitura solicitou sua presença apenas para comunicar que os empreendedores deveriam deixar o local temporariamente em virtude da reforma que seria tocada pela Coelba.

O homem de 59 anos aparenta ser muito calmo, mas sua voz estremeceu quando disse que a bicicletaria de onde tira o “ganha-pão” também emprega duas pessoas. “Estamos aqui há mais de vinte anos, reconhecidos pela prefeitura. Sem motivo palpável, alegam que temos que sair da área para fazer uma modificação. Nós descobrimos que isso não é verdade. Querem deixar trinta e seis famílias desempregadas. Isso é uma falta de humanidade, uma agressão. Nós não aceitamos”, disse depois de mostrar documentos que segundo ele comprovam a regularidade do seu estabelecimento, como uma declaração do ex-prefeito Antonio Olímpio.

“Durante os anos de 1982, 1983 e 1984, assinei vários Termos de Aforamento, inclusive o da área onde hoje está situada a Rua Boa Vista, bairro Nelson Costa, nas proximidades da Central de Abastecimento da Urbis”, declarou Antonio Olímpio. Uma correção foi incluída à caneta abaixo do texto impresso: “Meu mandato foi de 1977 a 14 de maio de 1982″. Veja aqui.

Junior: "trabalho e resido aqui há dez anos".

Junior: “trabalho e resido aqui há dez anos”.

Antonio Assis Magalhães Junior tem uma borracharia na Rua Boa Vista. Mora com a família na parte de cima do sobrado. “Trabalho e resido aqui há dez anos. Quando vim tive o apoio do município. A partir do momento que você está fazendo uma coisa e tem a ajuda deles [governantes], você [entende que] pode fazer”.

Junior sente falta de uma ação concreta do governo para resolver a situação dos comerciantes e prestadores de serviços. Quer saber se o município vai deixá-los na Rua Boa Vista ou instalá-los em locais adequados para os serviços que prestam. O borracheiro afirma que precisa de uma garantia de que trocará sua casa por uma residência do programa Minha Casa, Minha Vida. “Eu só preciso de um local para trabalhar e morar. Queremos ter segurança. Nós temos compromissos. Eles querem que você saia de uma hora para outra”.

O salão de beleza Pinheiro e Jane, de Edjane Silva Melo e seu marido, também está na mira da prefeitura. Ela atende o público feminino na parte de cima do imóvel. Ele e o filho do casal trabalham juntos no salão masculino do térreo. “Isso começou em outubro de 2014, a gente não teve paz desde então. Me sinto ameaçada”, afirmou a cabeleireira.

Edjane corta cabelo de cliente.

Edjane corta cabelo de cliente.

A angústia tem abalado a saúde de Jane e a do seu marido. Quando a hipertensão dele se agrava, a cabeleireira o substitui no salão masculino. Segundo ela, a prefeitura parece ter escolhido o momento de crise econômica para agir contra os pequenos empresários da Rua Boa Vista.

Os empreendedores moveram uma ação judicial coletiva e outras quatro individuais. Solicitaram que a 1ª Vara da Fazenda Pública de Ilhéus expedisse, de forma liminar, mandados de segurança para impedir a demolição dos estabelecimentos, assim como as residências. O juiz Daniel Lima Falcão negou as liminares.

O advogado André Luís Freitas Fonsêca representa os empreendedores. “O juiz não deferiu a liminar, mas ele vai julgar o mérito”, disse ao blog em conversa por telefone nessa quinta-feira (28). Segundo Fonsêca, o governo não apresentou qualquer documentação para comprovar a suposta irregularidade dos estabelecimentos e residências. Por isso a prefeitura não tem autoridade legal para demolir as construções, “antes de comprovar que aquela área pertence ao município”.

Lembramos a Fonsêca que o governo não descarta o uso da força para desocupar os imóveis. “Ninguém descarta, mas é preciso amparo legal para usar a força. É preciso demonstrar que tem uma ordem judicial para usar a força, senão serão responsabilizados penal e civilmente”, afirmou. Segundo ele, além dos aspectos legais, essa é uma questão humanitária.

Fonsêca nos disse que o termo de aforamento citado na declaração do ex-prefeito Antonio Olímpio é um elemento central para os processos em curso. O documento está no arquivo da Prefeitura de Ilhéus.

De acordo com o advogado, os imóveis não fazem parte da Central de Abastecimento do Hernani Sá. Tanto que o próprio município chama a área de “Rua Boa Vista, Bairro Nelson Costa”, conforme o termo de acordo extrajudicial proposto pelo governo. O mesmo documento se refere ao lugar como “entorno” da Central. Segundo Fonsêca, os gestores alegam que o espaço é público, mas não comprovaram isso em nenhum momento.

Outro lado

Secretário Roberto Garcia. Imagem: Gidelzo Silva/Secom-Ilhéus.

Secretário Roberto Garcia. Imagem: Gidelzo Silva/Secom-Ilhéus.

O secretário de indústria e comércio Roberto Garcia conversou hoje por telefone com o Blog do Gusmão. Afirma que o espaço ocupado é público e pertence à Central de Abastecimento do Hernani Sá, conforme a planta original. “O próprio extrato de pagamento da taxa de uso é um documento que comprova. Eles pagavam a taxa de ocupação do solo, são permissionários”.

Falamos a Garcia sobre a declaração do ex-prefeito Antonio Olímpio. Apesar do documento, disse que a situação dos comerciantes é irregular. “Foi permitido que eles construíssem os boxes em cima do espaço público. Tudo o que se constrói no espaço público se torna público. Isso é bem claro. É importante dizer o seguinte: dos permissionários originais, não existe nenhum. Aqueles que ali estão compraram os boxes, o que é ilegal. O permissionário não pode vender, arrendar, alugar, emprestar, ceder, não pode, é ilegal”.

Garcia também comentou o episódio da reunião citada por Arnaldo. Explicou que antes do encontro com os representantes dos permissionários, o promotor de justiça Paulo Sampaio pediu uma conversa restrita aos membros dos órgãos públicos. “Ele foi muito claro com a gente sobre a questão das irregularidades, porque a partir do momento que o Ministério Público tem conhecimento das ilegalidades a gente teria que resolver essas questões”.

As residências construídas sobre os boxes, informa o secretário, também são ilegais. Por isso a família do borracheiro Junior foi inserida no Minha Casa, Minha Vida. A outra família que vive ali não se encaixa nos parâmetros do programa habitacional.

Roberto Garcia argumentou que o governo não age de forma tirânica. Citou a proposta de construir um espaço para as oficinas num terreno público atrás do Posto Atlântico Sul. Os empresários, no entanto, temem que a prefeitura não cumpra o acordo, hipótese rechaçada por Garcia. Segundo ele, a construção seria garantida por meio de um Termo de Ajuste de Conduta entre o município e uma empresa.

Os comerciantes disseram ao blog que também precisariam de um espaço provisório para se manter em atividade durante a construção das novas oficinas. O secretário alegou que o município não tem condições de oferecer esse tipo de recurso a empresas.

O advogado André Luís afirma que a prefeitura não pode expulsar seus clientes sem ordem judicial. O secretário, por outro lado, argumenta que a desocupação também “pode ser feita com processo administrativo, já que o solo é público”.

Roberto Garcia tentou demonstrar com um exemplo que a prefeitura não tem sido autoritária. Segundo ele, se quisesse o governo já poderia ter fechado as oficinas, o salão e um restaurante, pois esses estabelecimentos não têm alvarás. Mesmo assim, a gestão trata o uso da força como último recurso.

PORTO SUL ATRAI PROJETO DE MINERODUTO PARA ILHÉUS

Capital chinês quer abrir caminho para o minério de ferro na Mata Atlântica.

Capital chinês quer abrir caminho para o minério de ferro na Mata Atlântica. Imagens: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

Reportagem: Thiago Dias

A Sul Americana de Metais S/A (SAM) quer construir um mineroduto de 482 Km entre Grão Mogol, município ao norte de Minas Gerais, e Ilhéus. A empresa pertence à Honbridge Holdings, de Hong Kong. A ideia é transportar o minério de ferro do seu Projeto Vale do Rio Pardo até o Porto Sul, que ainda não saiu do papel. Como o porto vai ocupar a Área de Proteção Ambiental da Lagoa Encantada, o mineroduto precisará cortar dezoito quilômetros da unidade de conservação. O Conselho Gestor da APA se reuniu hoje (29) na UESC com representantes da SAM para tentar esclarecer os impactos socioambientais previstos no projeto.

Geraldo Magela.

Geraldo Magela.

O convite e os números

Segundo Geraldo Magela, diretor de relações institucionais da SAM (que já trabalhou para o Estado da Bahia), um convite do governo estadual convenceu a empresa a conectar o mineroduto ao Porto Sul. A alternativa seria o Porto de Vitória (ES).

Se for autorizada, a implantação do mineroduto vai empregar cerca de 9 mil homens ao longo dos 21 municípios no seu caminho. De acordo com Magela, esse número vai cair para 2 mil na fase de operação. A exploração da mina vai durar 29 anos. A SAM calcula investimento total de 3,8 bilhões de dólares e espera iniciar o transporte do minério de ferro até o início de 2019.

Pressa

Os conselheiros concluíram que o encontro não produziu resultados satisfatórios e querem outra reunião. Houve pouco tempo para esclarecer dúvidas. Os representantes da SAM saíram antes do fim para não perder um voo.

Desaguamento

Conforme o conselho, os empreendedores devem explicar os impactos socioambientais de forma mais detalhada. Entre outras questões, restaram dúvidas sobre o destino da água usada no chamado desaguamento, processo que separa o minério da água na saída do mineroduto.

Magela disse que a água será tratada e reaproveitada. Segundo ele, também há a possibilidade de construir um emissário marinho para despejá-la em alto mar. A segunda hipótese soou improvável para os conselheiros e demais participantes.

Licenciamento

Ivan Amorim, técnico do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia, explicou que o IBAMA é responsável pelo licenciamento. O mineroduto, no entanto, precisa da anuência do INEMA para ocupar a Área de Preservação Ambiental da Lagoa Encantada. Se o órgão não autorizar, a empresa não poderá receber a licença prévia. 

magno

Magno Oliveira.

O Brasil na divisão internacional do trabalho

O filósofo Magno Oliveira, do Movimento Nacional pela Soberania Popular frente à Mineração, criticou a superficialidade das explicações dos representantes da SAM. Contudo, esclareceu que o movimento não é contra a mineração em si, mas seu modelo iniciado no período colonial. O problema é que a busca de lucros maiores inibe os investimentos nos programas de redução dos impactos e de distribuição das riquezas.

O ativista visitou comunidades sul-africanas e destacou quatro pontos críticos entre os impactos mais comuns da indústria mineradora: deslocamento populacional, perda da relação tradicional e da memória afetiva das comunidades com os territórios, devastação de bens naturais (assoreamento de nascentes e rios, desmatamento) e crise da representatividade dos agentes políticos que deveriam defender os interesses dos cidadãos, mas privilegiam as corporações.

Segundo Magno, esse tipo de empreendimento reproduz o papel secular do Brasil na divisão internacional do trabalho: exportador de matéria-prima. “As riquezas não ficam aqui”. São altos os índices de desigualdade social nos países marcados pela exploração do minério. “Esse modelo só serve para concentrar renda. O progresso existe, mas só para o dono do capital”.

MÉDICOS DA SANTA HELENA SÃO ACUSADOS DE OMISSÃO DE SOCORRO

Carlos Lyra e Paulo Bittencourt.

Carlos Lyra e Paulo Bittencourt.

Reportagem: Thiago Dias

Lunna Valentina não conheceu o quarto que seus pais decoraram para recebê-la. Não brincará com a bonequinha pendurada sobre seu berço nem sujará as fraldas acumuladas num canto da casa. Sua vida acabou ainda no ventre de Maristela Correia. Rafael Muniz e a esposa afirmam que a filha tão esperada morreu porque os médicos Carlos Lyra e Paulo Bittencourt negligenciaram a urgência do parto. Lunna faleceu na madrugada da última quarta-feira, 22, na Maternidade Santa Helena, em Ilhéus. A família acusa os profissionais de omissão de socorro e registrou queixa-crime na 7ª Coorpin.

O casal mora no bairro Nelson Costa e tem um filho de seis anos. João estava ansioso pela chegada da irmã. Ainda dorme com os pais. Esperava Lunna para dividir o quarto novo. Queria tomar conta da caçula. Sua cama está ao lado do berço vazio.

O berço e a bolsa encomendada com o nome da criança.

O berço e a bolsa encomendada com o nome da criança. Imagens: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

Maristela foi à Maternidade Santa Helena na manhã do último dia 17 (quinta-feira). Nenhum médico lhe examinou. Como sentia cólicas fortes, uma enfermeira sugeriu que voltasse para casa e tomasse “um buscopan”. Voltou à noite ao hospital. Dessa vez, segundo ela, o médico Carlos Lyra lhe atendeu e disse que não havia dilatação suficiente para o parto.

De acordo com Rafael, Maristela explicou a Bittencourt e Lyra que o parto de João (o filho mais velho) foi complicado. A criança ficou com sequelas motoras porque os médicos demoraram de realizar a cesariana enquanto esperavam uma dilatação maior. Os pais tinham medo que o problema se repetisse.

Maristela.

Maristela.

Além disso, conforme a família, o resultado do acompanhamento pré-natal indicava que o parto de Lunna deveria ser cirúrgico. A médica Ana Cristina e o colega Afonso, que acompanharam Maristela, recomendaram a cesariana.

Rafael vendeu a moto e comprou um carro para transportar a família com mais conforto. Estava reservando dinheiro para a cadeirinha de Lunna.

Rafael vendeu a moto e comprou um carro para transportar a família com mais conforto. Reservou um dinheiro para a cadeirinha de Lunna.

Depois de idas e vindas, Maristela voltou a sentir muitas dores e foi na terça (21) à maternidade. Chegou por volta das 18 horas. Como não havia cama desocupada, esperou sentada numa cadeira até as três horas de quarta-feira. Mais cedo, o médico Paulo Bittencourt a examinou e conclui que ainda não era a hora do parto.

As dores aumentaram. Alcione, amiga da gestante, exigiu que alguém a examinasse. Segundo Maristela, Bittencourt estava dormindo no horário do plantão e acordou às 5 horas. O médico não conseguiu escutar o coraçãozinho e Maristela já não sentia os movimentos da filha. Sua barriga foi aberta e a tragédia, constatada.

Tentamos localizar Paulo Bittencourt e Carlos Lyra. Telefonamos para a Maternidade Santa Helena e fomos informados por Ludmila que ambos não têm plantão hoje e não estavam na unidade. A atendente não tem os números dos médicos. Segundo ela, essa informação é disponibilizada pela central telefônica que não funciona à noite. Este espaço está aberto caso os profissionais queiram prestar esclarecimentos.

Comentário do Blog.

Os médicos Carlos Lyra e Paulo Bittencourt costumam se envolver em casos controversos e polêmicos. Paulo já foi acusado duas vezes de cobrar cinquenta reais de pacientes por consultas do SUS – veja aqui. Lyra foi acusado de cortar a cabeça de um feto ao abrir a barriga da mãe – leia aqui. Além disso, não é a primeira vez que um caso como esse acontece na Maternidade Santa Helena.



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