Gosto da boa polêmica, ingrediente indispensável ao debate proveitoso. Depois que li Crime e Castigo (Dostoiévski) e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), muita coisa mudou em minha cabeça. Tenho 36 anos, sou comunicólogo e microempresário do audiovisual. Preferências contraditórias: Che e de Gaulle, Bin Laden e Ghandi. Considero Manuel Bandeira, o melhor de todos os tempos da minha humilde biblioteca.
Como todas as guerras, a do Rio de Janeiro é também econômica. Durante décadas, os governantes conduziram uma política de boa vizinhança com os criminosos. O passo seguinte foi a transformação das autoridades em sócios informais do crime. As explosões de violência eram pontuais. Em geral, estavam mais ligadas a guerras internas de traficantes pelo domínio de bocas de fumo do que a confrontos com policiais. Uma disputa territorial, com foco na conquista de mercados.
Com o passar dos anos, esse negócio foi se sofisticando. Passou a utilizar armas poderosas e a movimentar cifras bilionárias, que vão além do comércio local de drogas. O Rio se transformou num entreposto do tráfico internacional, comandado a partir das favelas. Nesse modelo perverso, a maior vítima era a população trabalhadora dos morros. Gente alvejada pelo fogo cruzado e morta “em combate” nas subidas das tropas de elite. Enquanto os consumidores continuavam enrolando em paz seus baseados, os policiais corruptos faziam seu pé-de-meia protegendo bandidos e liberando usuários endinheirados. Capitães Nascimento reais, se existem, colocavam a vida em risco a troco de nada.
A imprensa tem o papel (ou pelo menos, deveria ter) de informar, formar idéias e conceitos, fiscalizar, conscientizar os cidadãos dos seus direitos e deveres. Mas, o que se vê, em demasia, é a contradição desses valores. A busca desenfreada por audiência acaba por se tornar prioridade, e nesse sentido, acontecimentos de comoção nacional, como o caso Isabela Nardoni e Eloá Cristina, ou episódios que envolvem famosos como Bruno do flamengo e a filha de Glória Perez, Daniella Perez, apresentam-se como ‘abrigo perfeito’ para o sensacionalismo.
O último e vigente acontecimento no Brasil, de repercussão mundial, é a luta contra o tráfico de drogas no Rio de Janeiro, iniciada no último domingo (21). Devido às lentes das câmeras, a população brasileira tomou consciência da gravidade da situação, que muitas vezes só é sentida na pele pelas comunidades mais carentes. Esse é um ponto positivo, apesar de triste. Negros, brancos, ricos e pobres, passaram a conhecer a Vila Cruzeiro e o conjunto de favelas do Alemão.
Uma pesquisa encomendada pela prefeitura do Rio de Janeiro à Coppe (instituto Alberto Luiz Coimbra de pós-graduação e engenharia da universidade federal do Rio de Janeiro) revela que os meios de transporte rodoviário são os maiores poluidores, com 33% do total. Em seguida, vem o lixo com 25%, e a poluição industrial com 10%.
O estudo vai orientar as medidas que a prefeitura pretende tomar para reduzir as emissões em 8% até 2012, em 16% até 2016 e em 20% até 2020. De acordo com Altamirando Fernandes Moraes, subsecretário municipal de meio ambiente, a meta é que o Rio de Janeiro tenha até 2012 a maior malha de ciclovias da América Latina.
A idéia é que os cariocas pedalem em ciclovias ou ciclofaixas (áreas separadas nas ruas), até a estação de um transporte coletivo, que passará a ter bicicletário, medida que faz parte do programa “Rio estado da bicicleta”.
Sebastião Rodrigues, secretário estadual de transportes, apontou a necessidade de integrar o transporte cicloviário a outras modalidades públicas já existentes. “Este é um jogo de ganha-ganha, porque é bom para o bolso, já que se economiza com o carro, faz bem para a saúde e para a natureza. Nossas vias já estão saturadas de automóveis, e a tendência é a situação piorar ainda mais. Por isso, é preciso buscar alternativas”, explicou.