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Sexta-Feira, 22 de Junho de 2018
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OS SENTIDOS DA PRESENÇA PÓSTUMA DE MARIELLE EM ILHÉUS

Eloah Monteiro interpreta canção durante ato em memória de Marielle. Imagem: Nina Guerra.

Reportagem: Thiago Dias.

Por volta das 19h10min da última segunda-feira (2), um homem magro, com aproximadamente 1,68m, chamou a atenção das pessoas reunidas na praça Pedro Mattos, em frente ao Teatro Municipal de Ilhéus. Segurando uma vela, com um traje branco e toda a cabeça coberta por um envólucro de tecido, recitou uma versão adaptada dos Versos Íntimos, poema de Augusto dos Anjos (1884-1914). Na paráfrase do ator Ed Paixão, o homem deu lugar à mulher, mas a personagem feminina evocada no ato cênico está morta. Ainda que os presentes insistam em negar a cada intervenção, a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) não está presente. Essa é a realidade dura da morte, a protagonista da tragédia brasileira e sua média de quase 60 mil homicídios por ano. A presença de Marielle agora só existe em sentido figurado, como grito político, símbolo de bandeiras, a exemplo das que defendem mudanças na formação de policiais e nas estratégias de enfrentamento do tráfico de drogas.

Atos como aquele ocorreram em diversas partes do país e em outros países. No mesmo horário, as pessoas acenderam velas que também lembraram Anderson Gomes, o motorista executado junto com a vereadora do Rio de Janeiro no último dia 14. Quase vinte dias após o crime, as investigações avançaram tanto quanto a popularidade do presidente Michel Temer (MDB) depois da prisão dos seus velhos amigos.

De volta à praça Pedro Mattos, o ato continuou com intervenções de artistas como a mestra Janete Lainha, a cantora e compositora Eloah Monteiro e o rapper CJ. Com uma das trajetórias mais respeitáveis da história recente da política de Ilhéus, o ex-vice-prefeito José Henrique Abobreira acompanhou a manifestação na companhia do professor e advogado Carlos Pereira Neto Siuffo e do ativista social e fiscal de posturas Shi Mário.

Camponesas da luta pela terra também se manifestaram. No seu pronunciamento, uma moradora do distrito de Banco do Pedro disse que foi torturada por policiais militares, em 2010, no assentamento onde vive. Contou que é do candomblé e, por ter incorporado o seu orixá – Oxóssi, foi jogada num formigueiro. Segundo ela, os agressores disseram que isso tiraria o “demônio” do seu corpo.

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CÂMARA DE ILHÉUS REALIZA AUDIÊNCIA COM O TEMA “MULHERES EM LUTA”

Encontro está marcado para as 14 horas dessa quinta-feira (22).

A partir das 14 horas da próxima quinta-feira (22), a Câmara de Vereadores de Ilhéus vai ser palco da audiência pública “Mulheres em luta”. A iniciativa partiu do mandato do vereador Makrisi Angeli (PT) e tem o apoio de diversas entidades, como: a Ouvidoria Cidadã, as Pastorais da Mulher Marginalizada, da Criança e dos Negros e a Cáritas Diocesana de Ilhéus.

“Essa audiência será um importante momento de discussão e debate na formulação de políticas públicas que amparem e protejas as mulheres”, explicou a ouvidora Indiara Angeli.

A CORAGEM DE MAKRISI

O vereador Makrisi Angeli. Imagem: Blog do Chico Andrade.

Por Thiago Dias.

No último dia 27, o vereador Makrisi Angeli (PT) tomou atitude corajosa ao abrir a sessão da Câmara de Vereadores de Ilhéus. Decidiu iniciar os trabalhos sem a leitura de salmos bíblicos, contrariando tradição cultivada por boa parte dos colegas.

Depois de ser questionado por colegas sobre a escolha, Makrisi – que é católico – reafirmou a própria decisão e retrucou:

– Tenho a minha fé, que inclusive tem a Bíblia como símbolo principal, mas não posso impor isto ao outro.

A coragem do ato só se revela diante do contexto político de Ilhéus, que tem forte presença do eleitorado cristão. Cerca de trinta por cento dos moradores do município são evangélicos. Por isso, depois do episódio, numa roda de conversa da qual participei, um correligionário de Makrisi disse que o vereador mexeu num tema de forma que pode lhe custar votos. Para meu interlocutor, a leitura ou não dos salmos não é algo relevante.

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VEREADOR “CATOLAICO”

O vereador Makrise Angeli. Imagem de arquivo do SINPOJUD.

 

O vereador Makrisi Angeli (PT) abriu a sessão dessa terça-feira (27) da Câmara de Vereadores de Ilhéus. Diferente de outros colegas, decidiu iniciar os trabalhos sem a leitura de textos cristãos. A iniciativa causou burburinho.

Católico, Makrisi tem longo percurso na tradição da Igreja. Para ele, no entanto, isso não é um problema na hora de separar a religião da política.

Arguido por colegas sobre a ausência dos salmos bíblicos na sessão de ontem, respondeu que a Câmara foi questionada pelo Fórum Municipal de Promoção à Igualdade Racial e por representantes dos Povos de Terreiros sobre a legitimidade da leitura dos textos cristãos como regra num ambiente laico.

O edil argumentou que nenhum discurso religioso deve se sobrepor ao laicismo do Estado Democrático de Direito. “Tenho a minha fé, que inclusive tem a Bíblia como símbolo principal, mas não posso impor isto ao outro”, disse.

Também questionou qual seria a atitude dos colegas cristãos, caso fossem entoados cânticos de outras religiões, como as de matriz africana, no plenário Gilberto Fialho. “Certamente, [isso] causaria muitos questionamentos”, especulou.

PARA TAXISTAS DE ILHÉUS, UBER E MOTOTÁXI DEVEM SER TRATADOS COMO CLANDESTINOS

Após anúncio da chegada do Uber em Ilhéus, taxistas se organizam para enfrentar o novo concorrente.

Após anúncio da iminente chegada do Uber a Ilhéus, taxistas se mobilizam para enfrentar o novo concorrente.

Reportagem: Thiago Dias.

A origem da profissão de taxista remete à invenção do hodômetro. Segundo a coluna Oráculo, da revista Super Interessante, esse aparelho foi o precursor do taxímetro. Na Roma Antiga, era usado para medir as distâncias percorridas pelos donos de carruagens que prestavam serviço semelhante ao dos taxistas do nosso tempo. Já os primeiros táxis automotivos surgiram na Alemanha, no fim do século XIX.

É essa a tradição que taxistas costumam evocar para defender a primazia do seu trabalho diante de concorrentes contemporâneos, como o Uber, o mototáxi e o chamado táxi-lotação.

No último dia 25, segunda-feira, taxistas de Ilhéus realizaram um ato contra a iminente chegada do Uber na cidade. Nos dias que se seguiram ao protesto, o Blog do Gusmão conversou com três profissionais da categoria. Todos preferiram ter a identidade mantida em sigilo.

Dois deles exercem a profissão “há mais de trinta anos”, como disseram. Ao longo dessas décadas, atravessaram bons momentos que ficaram num passado distante. Conversávamos sob o sol das 11 horas da manhã, na praça de táxi de uma das áreas mais movimentadas da cidade. Naquela terça-feira (26), depois de quase cinco horas de prontidão na fila com os colegas, cada um dos três taxistas havia feito apenas uma corrida.

“Os passageiros não sumiram, o problema é a concorrência desleal”, concluiu um dos taxistas, antes de apontar para os mototaxistas que estavam perto da gente. Quando perguntamos o que achavam do Uber, o mesmo profissional qualificou os concorrentes do aplicativo com um xingamento. “Posso ser sincero? Pra mim isso é um bando de vagabundos!”.

Segundo ele, é uma obrigação da Prefeitura de Ilhéus tratar o Uber com o mesmo tratamento dado ao táxi-lotação, que funciona de modo clandestino na cidade. Os taxistas ouvidos pelo blog também não aceitam que o município regulamente essa modalidade de transporte.

O presidente do Sindicato dos Taxistas de Ilhéus e ex-presidente da Câmara de Vereadores, Jailson Nascimento, também não quer ver o Uber nem pitado de ouro. Ele falou sobre o assunto no último dia 25, entrevistado pelo radialista Vila Nova no programa O Tabuleiro (Ilhéus FM). Na oportunidade, Jailson se confundiu ao dizer que o aplicativo é uma invenção inglesa. Na verdade, a empresa é dos Estados Unidos.

O Uber “é um aplicativo que vem para prejudicar diretamente o taxista”, opinou Jailson Nascimento. “Encontraram um meio de ganhar dinheiro, sem ter nenhuma responsabilidade, nenhuma preocupação com encargos e regulamentação”.

O algoritmo de preços do Uber calcula o valor de uma corrida com base na relação entre oferta e demanda. A empresa chama o mecanismo de “preço dinâmico”. Para Nascimento, esse sistema esconde uma ameaça. “Não tem regulação de mercado. Eles decidem o preço que vão cobrar. Então, na hora em que eles acabarem com os táxis do Brasil, aí a população vai sentir, porque não tem quem regule, quem diga o valor a ser cobrado”.

O cenário imaginado por Jailson nos faz pensar no Uber como um player (ator social) que joga com as regras do capitalismo contemporâneo, sob a inspiração do liberalismo econômico, como um legítimo filho do Vale do Silício, um negócio da “borda do mundo e de toda a civilização ocidental”. Em funcionamento desde 2010 e controlado a partir de São Francisco, na Califórnia, o aplicativo ultrapassou neste ano a marca de um bilhão de usuários no planeta. O Brasil tem 13 milhões de pessoas cadastradas. Segundo a Prefeitura de São Paulo, a capital paulistana já tem mais motoristas de Uber e de outros aplicativos, como o Cabify, do que taxistas.

Queiram os taxistas ou não, as mudanças dos serviços de transporte os desafiam. A diferença de preço – até 50% mais barato na concorrência – pesa muito contra o eles. Pelo menos enquanto o contexto especulado por Jailson Nascimento não se concretizar, a realidade exige uma transformação na dinâmica de trabalho dessa categoria tradicional. Em algumas cidades brasileiras, como Salvador, os táxis também passaram a usar aplicativos de comunicação com a rede de clientes cadastrados.

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